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DIA INTERNACIONAL DA CRIANÇA NA MÍDIA: CRIANÇAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL NO RÁDIO Cláudia
Lúcia Trevisan - Pontifícia Universidade Católica
de Campinas – PUC-Campinas Relato de experiência sobre a produção um programa elaborado por crianças do curso de Educação Infantil da SME – Secretaria Municipal de Educação de Campinas. O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV é data oficial, instituída pela ONU/UNICEF com o objetivo de democratizar o conteúdo das emissoras, sob o olhar crítico da criança, proporcionado vez e voz aqueles que muitas vezes são excluídos desse processo. Em parceria com a UNICAMP, PUC-CAMPINAS e SME, crianças de 2 a 6 anos de idade de duas escolas de educação infantil de Campinas, elaboraram e participaram da produção de um programa de vinte minutos, veiculado no dia 12 de dezembro de 2004 na Rádio Educativa de Campinas. INTRODUÇÃO No ano 2004
ocorreu um esforço em conjunto entre Universidades, Rádio
Educativa FM101.9 e secretarias municipais de Cultura e Educação
com o objetivo de implantar o Dia Internacional da Criança no Rádio
e na TV na cidade de Campinas. A proposta inicial surgiu no Conselho da
Rádio Educativa do município por meio de um dos seus conselheiros
também, professor da Unicamp: Dr. Hélio Solha; deliberada
e aprovada a proposta, a diretora da Rádio Educativa de Campinas
encaminhou convite às universidades e faculdades de comunicação
da cidade, à Secretaria de Educação e à Secretaria
de Cultura, Esportes e Turismo para uma primeira reunião com respectivos
representantes, objetivando formar a Comissão Organizadora para
o Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV. O Dia Internacional
da Criança no Rádio e na Televisão foi criado pelo
UNICEF em parceria com o Conselho Internacional da Academia de Televisão,
Artes e Ciências. Desde 1994, cada segundo domingo do mês
de dezembro, ao evento instituído pelas organizações
é celebrado em vários países. Segundos dados do UNICEF
, mais de duas mil emissoras de cento e setenta países, nos últimos
onze anos, participam da atividade, exibindo programas que foram elaborados
e produzidos por crianças. No dia 12 de dezembro de 2004, foi a
hora e a vez das crianças de Campinas. CIÊNCIA, TEORIA E TÉCNICA Ao recuperarmos a origem da palavra técnica, do grego techne, a correspondência que se faz é de ordem, regra; segundo Marilena Chauí, “o que é ordenado ou toda espécie de atividade humana submetida a regras” (1994, p.317). Entretanto, o termo transformou-se com o decorrer do tempo pois, não é inflexível quanto a sua representação assim, técnica modificou-se quando passou a ser compreendida como uma forma de conhecimento: tecnologia; porém, conserva-se as distinções e ainda, na atualidade, técnica tem significado: prática, antônimo de teoria, processo, maneira, método ou seja, o que se refere ao fazer. A presença de abordagens técnicas na vivência humana é tão intensa que estudiosos sobre a história da educação relatam contextos políticos e sociais atrelados as tendências pedagógicas no cotidiano escolar, como foi a Pedagogia Liberal Tecnicista, assim classificada por José Carlos Libâneo, tendência que defendia o papel da escola como um sistema social harmônico e funcional, moderador do comportamento humano através de técnicas específicas; objetividade de prática escolar assim como os conteúdos de ensino pautados na ciência objetiva, de conhecimento mensurável, sistematizados nos manuais, módulos de ensino, recursos audiovisuais; os métodos de ensino seguiam instruções oriundos de uma tecnologia educacional que, segundo Arnaldo Niskier , “resumia-se inicialmente na utilização de meios e recursos tecnológicos audiovisuais nas atividades de instrução e treinamento (...) decorrentes dos estudos experimentais sobre comportamento humano e sobre os mecanismos capazes de condicioná-los” (1993, p.22), já para Libâneo, define-se como aplicação de princípios científicos comportamentais e tecnológicos para solução de problemas no campo da Educação, objetivando resultados efetivos, com uma metodologia sistêmica e abrangente. (1995, p.29) No Brasil, a política educacional após 1964, favoreceu um modelo educacional permeado pelos acordos ou convênios MEC-USAID assistidos financeiramente e orientado tecnicamente pela AID – Agency for International Development, a qual propôs estratégias, que em síntese estabelecia, segundo Otaíza Romanelli, “uma relação eficácia entre recursos aplicados e produtividade do sistema escolar”, atuaria “sobre o processo escolar em nível do microssistema, no sentido de se ‘melhorarem’ conteúdos, métodos e técnicas de ensino” e “diretamente sobre as instituições escolares, no sentido de conseguir delas uma ‘função mais eficaz para o desenvolvimento’” e ainda, modernizaria “os meios de comunicação de massas, com vistas à melhoria da ‘informação nos domínios da educação extra-escolar’” e reforçaria “o ensino superior, ‘com vista ao desenvolvimento nacional’.” (1993, p.210) Após 1969, uma onda tecnológica inundou os diferentes setores da sociedade, baseados no modelo norte-americano de produção; nasce, desse modo, a tecnologia educacional, trazendo para a educação as questões da racionalização produtiva, o papel do administrador de escola como o de um administrador de empresas, a valorização dos planejamentos para se atingir a eficiência do trabalho educativo, fazendo das estratégias e dos recursos o fim e não o meio, o que asseguraria “a despolitização da educação, segundo as conveniências da Ideologia da Segurança Nacional” (Kuenser e Machado, 1984, p.35). E, surgem nesse período e contexto educacional, as primeiras escolas de comunicação no país. Destacamos
que o contexto político, econômico, social, cultural dos
anos 70 foi o propício para o início da produção
do conhecimento nos campos da Comunicação e da Educação
na acadêmica brasileira, de teorias e estudos que ainda hoje, fundamentam
as atividades de ensino, pesquisa e extensão nessas duas áreas
do saber. Por esse princípio, compreendemos que ciência é
transcende técnica e tecnologia pois a questão do conhecimento
reside no fato das relações entre abstração
e concreto, não separadamente, mas completando-se pelo processo
dialético de tese-antítese-síntese: é o estar
diante da realidade conhecendo-a pelo agir, pelas transformações
e, novamente, refletindo sobre as ações, criando um novo
conhecimento e também uma possível nova realidade.
Na composição da Comissão Organizadora para o Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV, participamos como membro representante do Departamento Pedagógico da SME e pela proximidade com o CLC - Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, especificamente, com a Faculdade de Publicidade e Propaganda, foi proposto a criação do layout da marca pelos alunos do 3º ano dessa faculdade. Como também, a disponibilidade de agendamento nos Laboratórios de Áudio do CLC, anteriormente, solicitados pela diretora da Rádio Educativa, também professora da Faculdade de Jornalismo do mesmo centro. Definida a estrutura operacional, por meio do Departamento Pedagógico, foi feito o convite para as escolas interessadas, inscrevem-se e cadastrassem suas propostas no site elaborado pelos alunos do curso de Midiologia da Unicamp. A Comissão Organizadora listou as escolas e analisou cada proposta para montar as equipes de oficinas compostas pelos profissionais da Rádio Educativa de Campinas . Entre as escolas de educação infantil e de ensino fundamental, duas escolas ficaram sob nossa responsabilidade para as oficinas e edição do programa. Fazemos uma breve descrição das escolas, crianças e adultos envolvidos para melhor compreensão do resultado final, o programa de vinte minutos veiculado na Rádio Educativa no dia 12 de dezembro de 2004: • a
primeira escola a ser visitada para a oficina foi um CEMEI - Centro Municipal
de Educação Infantil que atende crianças de 0 a 6
anos de idade, em tempo integral, num bairro de classe média baixa.
A primeira oficina foi com a equipe de monitores que atendem crianças
de Maternal I e II, de 02 e 03 anos de idade, acompanhada pela Orientadora
Pedagógica. Após, foram realizadas duas visitas de acompanhamento
sobre a atividade de captação do áudio. Cabe ressaltar
que a equipe desses profissionais da educação já
desenvolviam um projeto sobre música com as crianças o que
facilitou o roteiro para a produção das mensagens. Feita a captação do áudio, foram agendados horários nos Laboratórios de Áudio do CLC, um dia para cada escola. Entre as crianças foram eleitas, segundo relato dos adultos, os locutores ou seja, os apresentadores mirins do programa. Destacamos a expressão das crianças no dia de visita e reconhecimento dos estúdios foi de ‘encantamento’ principalmente em relação às cabines revestidas de espuma, microfones e fones de ouvido entretanto, não muito distante dessa mesma reação, o olhar dos adultos que as acompanhavam. Após a gravação, foi explicado como seria feita a edição através dos computadores e programas específicos. As duas unidades de educação infantil envolvidas, comunicaram e convidaram a comunidade para ouvirem no dia 12 de dezembro a produção dos alunos das referidas escolas. A repercussão da atividade foi satisfatória porém, não foi realizada uma reflexão com as crianças e os adultos sobre o resultado das atividades, após veiculação do programa. CONSIDERAÇÕES A experiência ora relatada suscita hipóteses: • dominar
técnicas e compreender os processos rudimentares sobre o recursos
tecnológicos para produção de mensagens para o rádio
é possível desde a mais tenra idade; A qualidade técnica e tecnológica se apresentam perceptíveis ao homem ao passo que o conhecimento não. Reforçando a idéia que o campo da abstração não é tão perceptível ao homem em relação ao campo do concreto, do se fazer, a práxis é o fator determinante para a produção de um conhecimento transformador; do sujeito que investiga sua relação com a natureza, capaz de transformar o outro pelas relações sociais que se entrelaçam na totalidade. Chamamos a atenção para o papel da universidade, detentora dos campos do conhecimento e das disciplinas, para que atuem de modo efetivo por meio de seus professores-pesquisadores, no estreitamento da ponte com a comunidade: compreendemos que Mídia e Educação são temas transversais de áreas do conhecimento que se comunicam mas talvez, não dialoguem. Da década de 70, quase que quarenta anos após um intenso desenvolvimento tecnológico no campo da comunicação e com o avanço nas concepções pedagógicas, sócio-interacionista, ainda se ouve nos corredores acadêmicos que: “a Comunicação Social: Jornalismo, Relações Públicas, Propaganda e Publicidade são ferramentas do Marketing” e “nossas escolas precisam de Gestores, Administradores e não Pedagogos”. Vale concluirmos, esse momento que com certeza provocará discussões futuras, fazendo referência a Venício de Lima: ... o que
torna a contribuição de Paulo Freire singular e original
é exatamente ele ter ido à raiz conceitual da noção
de comunicação e nela incluído a dimensão
política da igualdade, de ausência da relação
desigual de poder e dominação. Comunicação
implica um diálogo entre Sujeitos mediado pelo objeto de conhecimento
que por sua vez decorre da experiência do trabalho cotidiano. Ao
limitar a comunicação a uma relação entre
Sujeitos, necessariamente iguais, toda “relação de
poder” fica excluída. O próprio conhecimento gerado
pelo diálogo comunicativo só será verdadeiro e autêntico
quando comprometido com a justiça e a transformação
social. A comunicação é, portanto, por definição,
dialógica. Fora dessas premissas não haverá comunicação,
não se produzirá cultura. REFERÊNCIAS CHAUÍ,
Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Atlas, 1994. |
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