A imagem educa. É
partindo dessa premissa que podemos aprender e
apreender o mundo, de forma a compreendê-lo e
significá-lo no âmbito da educação visual.
Também digo direto porque o contato do olho
humano com a imagem não necessita de
intermédios; a imagem está lá e é vista,
enxergada, olhada. Apesar de todos os recursos
de que necessita para chegar a nós – sejam
câmeras, lentes ou filtros – e apesar de carecer
de mãos e vontades humanas para nascer, a
imagem, quando pronta, passa a ser um objeto em
si, independente. Temos, sem dúvida, a
possibilidade de mudar o canal pelo controle
remoto ou escolher a sessão pela sinopse da
crítica de cinema; mas, ainda que não sejam
vistas por nós, as imagens estarão lá e serão
percebidas por nossos familiares sociais.
Não é biologicamente natural ao olho humano ver e entender a mensagem imagética. Ao contrário, a parte recortada do mundo real que, escolhida por quem a produz, passa a representá-lo através de imagem é apenas uma parte deste mundo real. A imagem, pois, não é sinônimo da realidade, e sim sua metonímia e, para que nós, “olhantes”, possamos compreender a parte tomada deste todo como um todo em si precisamos aprender a olhar.
Aprendendo, então, a olhar e entender a imagem,
e tendo com ela uma relação tão próxima e
frontal, passamos a olhar e entender o mundo em
que vivemos de outra forma, de uma forma que
condiz com as verdades da imagem.
Estamos contaminados de e pelas imagens e,
assim, também pelas visões de homem, de mundo e
de sociedade que evocam. As imagens são
professoras, nos educam a ver o mundo de acordo
com suas verdades e ideologias intrínsecas.
Mas o que queremos nós deste mundo?
Se formar o cidadão crítico de seu meio
sócio-cultural é papel do professor, então
precisamos também nos (in)formar enquanto tal,
percebendo que não só de currículo formal se
preenche a educação. Educar é relacionar-se
dialeticamente com o mundo, habilitando, o outro
e a nós mesmos, para a vida social, cultural e
sensível que ocupa nosso dia-a-dia.
___________________________________________ * Gabriela Fiorin Rigotti é pedagoga e mestre em Educação, ambos pela FE/UNICAMP. Trabalha com formação de professores (FIMI/Mogi Guaçu-SP) e em projetos de formação continuada (“Teia do Saber”, “Projeto Gestores”, “Proesf”), atuando sobretudo nas temáticas de didática e metodologia de ensino. Foi pesquisadora do Laboratório de Estudos Audiovisuais-OLHO (FE/UNICAMP), estuda a educação, o conhecimento, a linguagem e a arte, com ênfase nos estudos sobre a educação visual através do cinema. Atualmente é doutoranda na FE/UNICAMP junto ao Grupo de Pesquisa ALLE - Alfabetização, Leitura e Escrita. |
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