Nº 40 –
Leitura: Teoria e Prática
Ano XXI - Março de 2003 - 81 p.
Estudos
A leitura sempre renovada – Alice, Pinóquio, Peter Pan – Marina
Colassanti - pág. 4
Três livros que todo mundo conhece, e dos quais tem-se a impressão de
que tudo já foi dito – aqui mesmo em Bogotá, os três foram belamente
analisados no ano passado, em um seminário no “taller” de Espantapajaros.
Por que, então, meter-me logo com eles? Porque quando o convite para falar
no Congresso chegou, eu estava acabando de traduzir Pinóquio, estava
encharcada de Pinóquio, e Pinóquio me remeteu a Peter Pan e Peter Pan me
fez pensar em Alice.
Uma leitura de Contos infantis (1886), de Adelina Lopes Vieira e Julia
Lopes de Almeida – Cleila de Fátima Siqueira Stanislavski – pág. 15
Com o objetivo de contribuir para a compreensão de um importante
momento da história da literatura infantil brasileira e para o
desenvolvimento de pesquisas correlatas, apresenta-se, neste artigo, uma
leitura de Contos Infantis (1886), de Adelina Lopes Vieira e Julia Lopes
de Almeida. Mediante procedimentos de reunião, seleção e leitura de fontes
documentais relativas à produção de e sobre as autoras e de bibliografia
especializada sobre literatura infantil, optou-se pela análise da
configuração textual do livro em questão. Essa análise permitiu concluir
que o livro pode ser considerado como representativo do momento inicial do
processo de formação da literatura infantil em nosso país, uma vez que
contém uma mescla de características da literatura escolar, com
finalidades didático-pedagógicas de formação da criança, e da literatura
infantil, propriamente dita, com finalidades de deleitar e estimular a
imaginação da criança, além de características que indicam tentativa de
produção de uma literatura destinada às crianças brasileiras e produzida
por brasileiros.
Matemática através de histórias – Andréia Dalcin – pág. 28
Uma das características marcantes do ser humano é sua capacidade de
contar histórias – vivenciadas ou imaginadas – de forma instigante e
criativa. Através de histórias narradas por viajantes, nossos antepassados
tomaram contato com outras civilizações e culturas. A seguinte passagem de
Karlson (1961) mostra-nos como os cálculos matemáticos realizados pelos
povos do oriente eram narrados por viajantes europeus na Idade Média.
Algumas notas a respeito do estilo de escrita em Infância em Berlim por
volta de 1900 de Walter Benjamin – Jacqueline de Fátima dos Santos Morais
– pág. 36
Há algum tempo tenho me interessado pela leitura da obra de Walter
Benjamin (1892–1940), pensador alemão escritor e crítico da cultura
moderna. Foi em uma tarde de outono que chegou-me às mãos, por puro acaso,
um de seus títulos. Procurava um livro de literatura, e o nome, Obras
escolhidas, pareceu-me uma singular compilação dos melhores textos
literários de um autor, que para mim, naquele momento, representava nada
mais que um desconhecido.
Ensinar a escrever: considerações sobre a especificidade do trabalho da
escrita – Claudia Rosa Riolfi – pág. 47
Ensinar a escrever é exigir daquele que aprende que se instale na
contramão dos tempos contemporâneos. Numa época em que quase tudo se faz
em público e é corrente, em diversas publicações, a constatação do fim da
privacidade, ao mesmo tempo em que produtos são construídos e planejados
para o consumo rápido, tudo parece conspirar para a perpetuação da queixa
proferida por estudiosos, professores e alunos em torno das dificuldades
que seriam supostamente experimentadas por aqueles que se dispõem a criar
e sustentar uma discursividade por meio da qual possa se instalar um
estilo de escrever.
Leitura na escola: crenças e práticas de professores – Esmeria de
Lourdes Saveli – pág. 52
O presente trabalho aponta que as práticas de leitura na escola estão
ancoradas a um conjunto de crenças compartilhadas pelas professoras em
relação ao ato de ler. Tais crenças constituem-se em meio ao caldo de
elementos da cultura, da formação, do trabalho, da inserção social, dos
valores e da ideologia. São crenças construídas no contexto social, que
comungam formas de pensar e explicar a realidade cotidiana e trazem a
marca da história de vida de cada sujeito e de suas características
pessoais. Pode-se dizer que estas crenças correspondem a um saber
cotidiano, que se mostra diferente do saber científico mas que não deixa
de se constituir num conjunto de informações que formam um corpo teórico,
o qual orienta e legitima a ação das professoras.
Lectura: educación y democracia – Silvia Castrillón – pág. 60
Pensar em novos espaços para a leitura no século XXI desde os países
latinoamericanos, e especificamente desde a Colômbia, nos remete a uma
reflexão que necessariamente tem que passar por uma rápida vista que
ocorreu recentemente em nossa região em matéria de leitura.
Leitores e escritores nas caricaturas de Daumier e Philipon – Milena
Ribeiro Martins – pág. 65
Entre 23 de janeiro e 15 de abril de 2001, no UCLA Hammer Museum (Los
Angeles), teve lugar uma interessante exposição de obras de Honoré Daumier
(1808-1879), intitulada Putting Pen to Paper: Honoré Daumier and the
Literary World, composta sobretudo por caricaturas acerca do mundo
literário francês de meados do século XIX. O texto introdutório da
curadora, Carolyn Peter, ajuda a contextualizar o artista e sua obra, além
de fornecer alguns dados sobre a exposição.