LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 43  

Nº 43 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXII - Setembro de 2004- 69 p.

Estudos

Livro didático brasileiro e português: equívocos no tratamento metodológico da poesia infantil – Renata Junqueira de Souza e Fernando Fraga de Azevedo - p. 5 – 16
Este artigo envolve um estudo de caso, sobre o ensino da poesia em séries iniciais da escolarização. O artigo analisa o tratamento metodológico dado a poesia por alguns livros didáticos brasileiros e portugueses. Tal análise se fundamentou na conceituação da dimensão triádica do texto, que permite uma relação dialógica do leitor com os três níveis: gramatical, semântico e pragmático. As conclusões obtidas do estudo apontam para a verificação de um ensino monológico, onde o trabalho da poesia é reduzido ao ensino da rima e o aluno-leitor prejudicado por não aprender a ler a dimensão sociocomunicativa do poema.

Livros de leitura para infância: fontes para a história da educação brasileira (1868/1960) – Diane Valdez - p. 17 – 22
Abordamos nesse texto algumas obras didáticas conhecidas como Livros de Leitura publicados por autores brasileiros no período de 1868/1960 em uma perspectiva documental, ou seja, como esses livros podem oferecer pistas importantes a respeito da cultura escolar desse período. São fontes históricas de suma importância principalmente por terem sido as primeiras tentativas de uma literatura nacional para a infância escolar. São livros de cunho didático e que representaram um grande avanço para a época, pois foram pioneiros em substituir os escassos e toscos materiais de leituras para as crianças. Selecionamos os autores mais citados na história da literatura escolar e depois de entrar em contato com suas obras discorremos sobre suas metodologias e suas perspectivas de ensino.

A origem: um problema de história literária – Mirthiane Mendes de Abreu - p. 23 – 28
Este artigo intenciona analisar o problema da origem como um tema constante da história da literatura brasileira desde o romantismo. Para isso, o percurso traçado será uma reflexão sobre o programa nacionalista de Gonçalves de Magalhães, exposto no seu texto “Discurso sobre a História da Literatura Brasileira”.

Modos de leitura no Catálogo da Livraria José Olympio Editora de 1949 – Márcia Cabral da Silva - p. 29 – 34
Nem sempre se leu por entretenimento ou prazer, como se faz crer contemporeamente. Assim como os objetos destinados às práticas de leitura diversificaram-se ao longo da história, os discursos em torno das finalidades do ato da leitura também apresentam modificações no tempo e conforme o contexto social. O objetivo deste estudo consiste em examinar modos e finalidades de ser ler, presentes no Catálogo da Livraria José Olympio Editora, de 1949, o qual revela aspectos curiosos sobre as práticas de leitura à época.

Apontamentos sobre o trabalho com textos jornalísticos no livro didático de Português – Juvenal Zanchetta Jr  - p. 35 – 40
Este artigo observa o tratamento dos gêneros textuais comuns na imprensa nos livros didáticos de Português, apontando-se características de ordem política (o espaço e o perfil do enfrentamento desses gêneros) e técnica (noções de composição jornalística). Sugere-se um processo em fase de aprimoramento, mas ainda problemático e limitado.

Para uma teoria da adivinha tradicional portuguesa – Carlos Nogueira - p. 41 – 46
O presente artigo parte do pressuposto de que a aparente singeleza da adivinha popular portuguesa dissimula uma complexidade que interessa desmontar e compreender. A insuficiência de estudos consagrados no nosso país a esta forma breve determina que a primeira discussão passe pelo apuramento rigoroso das fronteiras do corpus coberto pela designação de “adivinha” e só depois pelas suas estruturas, suas formas, suas linguagens e suas funções.

A prática de avaliação e reescrita de textos – Cyntia Graziella Guizelim Simões Girotto - p. 47 – 54
Este texto procura questionar a prática da avaliação e reescrita de textos e discutir a necessidade de reconstrução desse trabalho no contexto geral do ensino de língua materna, apontando diretrizes oriundas das experiências de pesquisadores franceses, bem como dos próprios resultados da pesquisa de doutorado, por mim realizada e já concluída.

Voz e água: e a vida jorra – João Carlos Cattelan e Rita Maria Decarli Bottega - p. 55 – 62
Tornou-se comum publicar textos nos quais se faz a opção pela demonstração de vários tipos de problemas que podem ser observados em textos produzidos por alunos em situação de aprendizagem ou de concursos públicos como o vestibular. Neste texto, fez-se a escolha por trilhar uma outra perspectiva: nele, busca-se analisar um texto que foi considerado como sendo possuidor de bom nível de textualidade pela comissão que o avaliou. Espera-se que a análise que será apresentada possa ter algum proveito tanto para os professores quanto para os alunos que vêem frente à necessidade de refletirem sobre os processos que se acham envolvidos nos procedimentos de textualização.

Língua e identidade: diversidade ou fragmentação? - Haquira Osakabe - p. 63 – 68
Nesta fala-depoimento reexamino na história de minha própria identidade, algumas experiências de aprendizagem de idiomas “estrangeiros”. Quero trazer à reflexão, a idéia de que a transformação presumida na identidade do aprendiz de uma língua estrangeira, muito mais do que o domínio dos instrumentos propriamente lingüísticos parece ser dependente do domínio de estratégias de inserção deste sujeito, com toda sua subjetividade, no contexto cultural.

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