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aqui o leitor não encontrará apenas visões sobre
o quefazer jornalístico e pedagógico, mas também
exemplos de como as diferentes seções de um
jornal podem ser transformadas em unidades
significativas de leitura e escrita na escola... |
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JORNAL - UMA
ABERTURA PARA A EDUCAÇÃO
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Cecília Pavani, Ângela Junquer e Elizena
Cortez
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"Diferentes
vozes se entrelaçam nesta obra a fim de mostrar
as íntimas relações entre o mundo do jornalismo
e o mundo da educação-escola. Por vezes
dissonantes, por vezes assonantes, essas vozes,
expressas por sujeitos que se movem em várias
esferas profissionais, vão sinalizando
horizontes acerca da dimensão educativa dos
jornais e da dimensão informativa da educação.
Resulta desse cruzamento interdisciplinar um
livro com múltiplas possibilidades de leitura
por aqueles que estão interessados numa educação
escolarizada mais enriquecedora, mais crítica,
mais criativa.
Desde os
Pioneiros da Escola Nova,
nos idos de 1930, fala-se no Brasil sobre a
necessidade de complementar o
ensino-aprendizagem com materiais informativos
que estão encarnados no dia-a-dia das pessoas.
Entretanto, a despeito da forte conclamação
dessa necessidade por parte dos escolanovistas,
inclusive reiterada por de Paulo Freire nas
décadas de 1980-1990, o uso de jornais pelos
professores não tem passado de um “namoro”
ocasional, ou melhor, de um “flerte” que nunca
ruma para um casamento definitivo. As razões
para o divórcio se originam de um conjunto
complexo de circunstâncias, que vai da formação
básica dos professores à carência de materiais
escritos nas escolas.
Convém perguntar: O jornal contribui para com o
processo de formação do leitor? Embora a
resposta possa parecer imediatamente óbvia, ela
não é tanto assim. Isto porque, na maior parte
das vezes, a leitura escolarizada insiste na
utilização de materiais tradicionais, como os
livros didáticos, sem colocar à disposição dos
alunos - assim complementando e enriquecendo o
ensino - o universo de textos que são produzidos
e feitos circular pela mídia (jornal, revista,
TV, Internet, etc). Nestes termos, ainda que a
escola deva fundamentalmente lidar com o
conhecimento epistêmico para efeito de estudo,
não há como deixar de considerar que, hoje em
dia, um leitor maduro deve necessariamente se
situar frente aos diferentes tipos de escrita
que dinamizam informações em sociedade.
Convém também perguntar sobre algumas das
funções da leitura para o exercício da
cidadania. Ora, um cidadão, para gozar dos seus
direitos e cumprir os seus deveres (civis e
políticos), precisa tomar decisões; ao mesmo
tempo, precisa atualizar-se a respeito dos
acontecimentos ao seu redor. Os processos de
atualização e de tomada de decisões exigem
acesso, análise e avaliação de informações que
nascem em diferentes fontes, são assentadas em
suportes diversos e chegam ao sujeito através
dos meios de comunicação. Além disso, é
fundamental que o sujeito saiba discernir entre
o lixo midiático e as versões confiáveis dos
acontecimentos sociais. Daí que a convivência
sadia e conseqüente com as diferentes mídias se
transforma num pré-requisito fundamental,
imprescindível para as práticas de cidadania no
mundo atual.
Este livro apresenta um debate sadio sobre a
relação educação-escola-jornal. E ao esquentar
esse debate, pondo junto diferentes produtores
de informações e de conhecimentos, apresenta
subsídios preciosos para um planejamento de
ensino em que o jornal, com tudo aquilo que este
veículo possui de idiossincrático, possa
enriquecer as aprendizagens dos estudantes nos
diferentes níveis de escolarização. Dessa forma,
aqui o leitor não encontrará apenas visões sobre
o quefazer jornalístico e pedagógico, mas também
exemplos de como as diferentes seções de um
jornal podem ser transformadas em unidades
significativas de leitura e escrita na escola.
Finalmente, uma palavra sobre as autoras:
vinculadas ao Projeto Correio Escola (Jornal
Correio Popular, Campinas, SP), elas foram
somando experiências através de cursos anuais
oferecidos aos professores das redes de ensino.
Com isto, têm firmeza no que dizem e confiam no
que fazem mesmo porque orientaram centenas de
experimentações de ensino com o jornal nas
escolas da região. E têm a humildade de sempre
solicitar críticas e sugestões para a melhoria
do seu trabalho junto aos professores que
recorrem ao Correio Escola no intuito de
incrementar as suas competências docentes.
Portanto, sabendo dessa história, o leitor do
livro, ao vencer as páginas, perceberá por si
mesmo a diversidade de possibilidades de
inventar programas de ensino, tendo textos de
jornal como horizontes de reflexão" -
de Ezequiel Theodoro da
Silva, para prefácio da obra.
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PAVANI, Cecília,
JUNQUER, Ângela & CORTEZ, Elizena. Jornal
- uma abertura para a educação. Campinas, SP:
Editora Papirus, 2007. 115 p. |
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