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falar de bibliotecas e falar de práticas de
leitura em espaços como esses é chover no
molhado ou, pior, decretar de vez a morte
dos leitores em pleno momento de sua
formação. |
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O CONTAINER E A MORTE DOS LEITORES
-
Comissão
Editorial
A
arquitetura escolar brasileira necessita de uma
revitalização urgente e profunda. Os portentosos
prédios do passado, esteticamente bonitos e
fisicamente resistentes, deram lugar a construções
cada vez mais precárias, prejudicando sobremaneira
as práticas de ensino-aprendizagem.
Existe um relação muito íntima entre o prédio da
escola e a qualidade do trabalho pedagógico. Em
outras palavras, professores e estudantes necessitam
de espaço vital para, dentro dele, executarem
dinamicamente as atividades do ensinar e aprender.
Qualquer tipo de “aperto” pode não só aumentar os
índices de agressividade e frustração entre os
participantes do processo como também impingir, na
cabeça dos alunos, uma imagem completamente
distorcida de educação e/ou de escola.
Ocorre que a lei do “melhor isto do que nada” vem
sendo reproduzida na área da oferta da chamada
educação universal e gratuita nestas quatro últimas
décadas. Por falta de previsões objetivas das
necessidades de demanda e outros crassos pecados
cometidos pelas administrações públicas, são
improvisados os “atendimentos” mais absurdos,
incluindo-se aí as salas de aula do tipo
“container”.
Enquanto forninho ou lata de sardinhas, o container
aniquila qualquer concepção objetiva e série de
escola mesmo porque, como o próprio termo inglês
diz, significa um compartimento para a armazenagem e
transporte de cargas ou mercadorias. Além disso, o
container restringe o movimento dos alunos, reduz a
ventilação, coloca o perigo da entermação e, o pior,
cria uma inevitável sensação de sufoco ao passar das
horas. Jean Jacques Rousseau, defensor de uma
educação ao ar livre, certamente tremeria ao ver a
infância enlatada em containeres nestas terras
tupiniquins.
Resta saber se existem alternativas aos forninhos,
lembrando que os mesmos são implantados em
decorrência de um desequilíbrio entre a oferta
(escolas públicas existentes) e a demanda por vagas,
principalmente nas extremidades ou periferias dos
municípios brasileiros. E falar de bibliotecas e
falar de práticas de leitura em espaços como esses é
chover no molhado ou, pior, decretar de vez a morte
dos leitores em pleno momento de sua formação.
Credo! |