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Poema

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Não para que o teu corpo encontre
aquele som como de sinos
dos meus quadris ao balançar.
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NÃO
PARA TI
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Lola de la Luz Pérez
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Tradução:
Lola Pérez e Jeremias Pérez
Não para o enigma dos teus olhos
cujo brilho predatório o tempo devora.
Não para a luz do sol,
perfurando a imensa profundeza do mar,
tenho construído este lar.
Não pra ti, que passeaste o gorgolejo gutural
da tua boca perante a minha sede.
Não para que o teu corpo encontre
aquele som como de sinos
dos meus quadris ao balançar.
Um abismo insone levou as pedras
que fulguravam sós em meio à eternidade,
e roubou do mar todas as algas
que acariciavam minhas pernas dentro
da tua umidade,
e que agora se queimam, vermelhas, num
desolado areal.
Agora os meus pés que cuido e lustro
chapinham rodeados de carambinas azuis
em meio ao barro e à fogueira de uma caverna
ancestral.
Tu não vens aqui onde meus seios amamentam
a Terra toda.
Passam os anos e a ampla noite encharcada
repete nos raios, na chuva,
um outro nome, o de um homem alto e lento,
como uma estrela.
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*
Lola de la Luz
Pérez Valderrama
- Licenciada em Artes pela PUC de Santiago do Chile e
com numerosos estudos em línguas, trabalhou durante uma década como tradutora
simultânea de inglês, espanhol, francês e português.Tem em seu acervo um
romance, "Lola e o general", e vários livros de poemas. Dentre os seus
múltiplos desempenhos profissionais, encontra-se o de ter sido instrutora de
Tai-Chi e professora de várias disciplinas. Atualmente mora no Brasil, onde se
dedica ao ensino do idioma espanhol. Como artista plástica, poetisa, escritora
e bailarina, deseja expor uma obra coerente que sintetize a alma humana.
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O poema aqui publicado está contido na obra: Antologia Poética
Contemporânea. LAS CARAS DEL AMOR. Versal Editorial Group. Impresso no
Canadá. Publicado nos Estados Unidos de América.Idioma espanhol.
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