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Só que agora a supervisão do fundamental 1
(alfabetização a 4ª série) mais a
vice-direção pediu para tirar os mangás
alegando que a escola não pode ter este tipo
de revista, pois é muito violenta.... |
O ESPAÇO LER: AVANÇOS, MAS COM UM RETROCESSO...
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Regina
Campana
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Trabalho numa grande escola particular em
Salvador. Sou professora, atualmente contadora
de histórias. Trabalho no
Espaço Ler. É um espaço extensivo da biblioteca.
Lá a aluna e o aluno podem ficar mais à vontade.
Ler em almofadões, sentados, deitados, do jeito
que quiserem.
Há uma grande diversidade de textos. Muitos
livros dispostos em estantes, em cestos e mais
cestos. Há cestos com poemas de Drummond, cestos
de Vinícius, Manuel Bandeira, Mario Quintana,
Roseana Murray, Mabel Velloso, poetas baianos,
Sérgio Caparelli... Cesto com a turma da Mônica
e do Cebolinha. Nas paredes há poemas,
escritores, poetas. No teto, versinhos de
Fernando Pessoa. Um balcão com fantoches, lápis
de cor, hidrocor, papel.
Numa parede há o letródomo com produções de
alguns alunos e alunas. Noutra parede menor o
RPG (heróis e vilões) recriados pelos alunos e
alunas desenhistas. Outra com capas de livros
adotados em diversas turmas. Há jogos de
palavras, origami...
Nesse local há contação de histórias uma vez
por semana para alunos da alfabetização à 4ª
série e de quinze em quinze dias para os da 5ª
séries. Às vezes, os professores de Língua
Portuguesa usam o local para produção de leitura.
As alunas e os alunos visitam na hora da saída,
do recreio, depois de testes, aula vaga por
algum motivo. Nesta semana (junho-2008) estou passando um
vídeo documentário dos 100 anos da imigração
japonesa.
No início do ano, um grupo de alunos pediu que
tivesse, nesse espaço e na biblioteca, mangás.
Solicitei ao setor de compras alguns para a
biblioteca e para o Espaço Ler. Antes consultei
os alunos, isto é, as preferências.
Naruto foi o
mais pedido. Um aluno também doou alguns mangás.
A leitura aconteceu de uma forma natural.
Só que agora a supervisão do Fundamental I
(alfabetização a 4ª série) mais a Supervisão
Geral
pediram para tirar os mangás, alegando que a escola
não pode ter este tipo de revista, pois é muito
violenta. “Isso não é leitura para uma
biblioteca escolar”, argumentei e mostrei o quanto
estávamos sendo censores, mas fiquei só.
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Fui durante 16 anos professora de Língua
Portuguesa para turmas de 4ª séries. Começava a
manhã com uma história ou com mais um capítula
da história. Era sensacional! Estudei durante
seis anos Filosofia! Santa Úrsula, Ufba e
Católica de Salvador. Todo esse tempo em virtude
das transferências de cidades e de três
gravidezes. Não terminei o curso. Fiz até o
último semestre. Fui professora de fundamental
1. Apaixonada por literatura infantil, rato de
livraria. estudo através de livros para ter a
fundamentação teórica que tanto preciso.
Participei de vários Congressos, oficinas de
contação de histórias, encontros internacionais
dos contadores de histórias no RJ. Escrevi um
livro " Morar em Árvore Virou Mania" São Paulo
anos 60. Participei de um concurso, vamos ver se
consigo editar o primeiro que é tão difícil. Sou
paulistana, criada em Ipanema ( outra cidade) e
há 35 anos baiana. Estou aposentada, mas a arte
de contar histórias me fascina, me comove, me
impulsiona e vejo que é por aí o grande caminho
da formação do leitor. Transforme seu aluno num
contador (a) de histórias, antes num trovador e
ele será um leitor, uma leitora. Há seis anos
sou uma contadora de histórias, apaixonada! Faço
no colégio oficinas de contação para os alunos e
para um grupo de pais. Recebo convites para
oficinas em faculdades e livrarias.Na Ufba dei
quatro oficinas. Resumindo professora e
contadora de histórias. Feliz São João! É uma
saudação nesta época do ano por aqui. O São João
é mais festejado que o Natal. Ah, meu nome todo
é Maria Regina Campana Correia Leite. Conhecida
com Regina Campana.
Que momentinho doce
você trouxe para mim.
Deveria ter guardado
em papel de mil cores,
este momentinho doce
que você trouxe para mim. (Mabel Velloso, Pedras
de Seixo)
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