Nos debates a respeito dos rumos da leitura no Brasil, as questões relacionadas à "biblioteca" (pública, escolar, comunitária, itinerante, etc) são uma constante. Vai e vem o problema da inexistência de uma rede capilarizada de bibliotecas vem à tona e, no mais das vezes, toma conta das discussões, bloqueando a possibilidade de os debates seguirem adiante. São recorrentes e reiterativos os discursos em torno da necessidade de instalação de bibliotecas por todo o território nacional de modo a organizar e dinamizar os livros junto a diferentes segmentos da população. Entretanto, aos discursos não se seguem ações práticas nos vários níveis do governo, o que avoluma ainda mais a "dívida" historicamente constituída nessa área. Na ânsia de enfrentar a crítica e a crise, surgem daqui e dali soluções paliativas - capengas, do tipo "meia-boca" - que de maneira nenhuma correspondem àquilo que deve ser uma biblioteca na real acepção do termo. Salas de leitura, clubes, cantinhos, sacolas, cestas e baús, geralmente com duração efêmera porque carecem de infra-estrutura, surgem para tapar o sol com a peneira; por vezes, esses paliativos são tomados como o supra-sumo da leitura em nosso meio. E como se escamoteia o profissional bibliotecário! Ao invés de promover esse trabalhador para atuação em contextos específicos (escola, centros culturais, comunidades várias, etc), criam-se mil desculpas de que não há verba e outras condições para a sua contratação pelos governos. Daí a sua substituição escancarada por vários tipos de "gambiarras" que vão do professor com problemas de saúde a encostados que nada sabem sobre o tratamento de informações ou de atividades de letramento. Achar que podemos vencer os desafios da leitura no contexto brasileira sem a existência de bibliotecas é uma tremenda falácia. Os programas de distribuição gratuita de livros estão aí a mostrar que precisamos, urgentemente, de espaços condignos e profissionais capacitados para a organização e dinamização das obras a diferentes tipos de usuários. Sem bibliotecas e sem bibliotecários, vamos repetir ações inócuas ou, no mínimo, muito lentas para enfrentar a velha chaga do analfabetismo, da ausência de letramento e da falta de leitura do povo brasileiro. A questão, nos parece, é saber o que ou quem vem primeiro. Está mais do que na cara de que a distribuição de livros, conforme feita até o presente momento, pode contentar as editoras, mas não enraíza e muito menos alavanca a leitura nas escolas brasileiras. As pesquisas estão aí para corroborar este posicionamento! |
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