Pesquisa

voltar menu revista 11

 

... Escritores famosos, como João Ubaldo Ribeiro ou Mario Prata, que se aventuram pela web - ambos já escreveram livros pela rede.....

NOVO TIPO DE LEITOR EM FORMAÇÃO
Jornal Estado de S.Paulo (11/08/08)
 

O livro de papel vai acabar? A pergunta parece meio velha, ou pelo menos um lugar-comum, mas, como começo de conversa, é meio inevitável. Já as respostas, embora tenham sido na maioria negativas, podem surpreender: “Se me contassem há dez anos tudo o que temos hoje, eu não acreditaria. É impossível prever o que o futuro nos reserva”, disse o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. Já seu colega entre os imortais, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cícero Sandroni, é bem mais cético em relação a eventuais novidades. “O livro de papel continua inabalável em sua força e difusão, em nada incomodado pelas novas tecnologias”, disse. O escritor paquistanês Mohsin Hamid, que participou do projeto pioneiro de literatura na web We Tell Stories  http://wetellstories.co.uk/ , também defende o formato tradicional: “Ele é uma tecnologia perfeita. Barato, durável, fácil de usar e não precisa de bateria.” Mesmo o blogueiro Alessandro Martins, do site Livros e Afins www.alessandromartins.com.br , entusiasta dos e-books (livros eletrônicos), reconhece que o papel segue imbatível: “Ainda me parece ser a melhor forma de transportar e consumir literatura.”
UM NOVO TIPO DE LEITOR?

Mas o escritor Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, lembra que vivemos em uma sociedade onde os hábitos e costumes estão em constante transformação. “As crianças se adaptam muito bem à tela do computador. Não me surpreenderia se, em breve, elas lessem livros inteiros no monitor”, observa.

Isso sem falar na possibilidade de consumir e-books em PDAs, celulares, videogames portáteis e, mais do que isso, em dispositivos específicos.

Embora a maioria das editoras brasileiras mais importantes não ofereça e-books, eles já começam a ganhar espaço. Atualmente, no Brasil, 7% das pessoas que costumam ler livros baixam obras gratuitamente da Internet. O dado é da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf  ], encomendada pelo Instituto Pró-Livro  http://www.prolivro.org.br/   ao Ibope.

“Apesar de pequeno, esse percentual é surpreendente”, diz Galeno Amorin, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e coordenador da pesquisa. “Está em formação um novo tipo de leitor”, analisa.

Leitores de gerações diferentes como Nelson Corrêa, de 49 anos, e Carlos Alberto Correa Filho, de 27 anos, concordam. “Costumo ler cerca de 15 livros por ano no Palm”, diz o primeiro. “Gosto da praticidade de carregar mais de um livro comigo e poder variar a leitura entre eles”, conta o segundo.

Lançado em novembro de 2004, o portal Domínio Público www.dominiopublico.gov.br   oferece gratuitamente mais de 75 mil títulos, entre eles clássicos de Machado de Assis e William Shakespeare (em português). Apenas dele já foram baixadas mais de 8,5 milhões de obras. Dante Alighieri, com a Divina Comédia, é o campeão, com mais de 500 mil downloads.

E há sites que disponibilizam gratuitamente - e na maioria das vezes sem autorização - obras escritas recentemente. Entre eles, o Viciados em Livros www.viciadosemlivros.com.br , que recebe cerca de 80 mil visitas por mês, e o Projeto Democratização da Leitura www.portaldetonando.com.br  .

Lancelot, codinome de um dos fundadores do Viciados em Livros, diz que os livros disponíveis no site são destinados a leitores com baixo poder aquisitivo ou pessoas com deficiência visual, que só conseguem ler livros no computador ou com a ajuda de softwares específicos. “Também oferecemos livros esgotados e obras que não foram traduzidas”, disse.

AUTOPIRATARIA

Enquanto a maioria dos autores critica esse tipo de iniciativa, o mais bem-sucedido entre eles, ao menos em termos de vendagem, vai na direção oposta. Paulo Coelho criou o Pirate Coelho www.piratecoelho.wordpress.com  , onde disponibiliza arquivos piratas, inclusive traduções de seus best-sellers globais. “Ali coloco todas as traduções de livros meus que encontro na web, facilitando o trabalho de pirateá-los”, explica.

Coelho acredita que a rede “é livre e anárquica” e diz ser ser inútil lutar contra ela. Segundo o autor, a disponibilização gratuita de livros na web não prejudica a venda: “Pelo contrário, é uma forma de divulgar o trabalho.” Para ele, as pessoas podem gostar e, então, decidirem comprar o original na livraria mais próxima.

Mas sua opinião não encontra eco entre a maioria dos autores e editores. Fernando Morais, por exemplo, que acaba de lançar justamente uma biografia sobre Coelho, a quem classifica de “cibernético”, afirmou: “Eu sou mineiro, sou mais prudente. O Paulo é carioca, é mais atirado. Não faria isso que ele fez sem ter certeza de que não afetaria a venda dos meus livros.”

“O que faz o Paulo Coelho é uma boa idéia, se você for o Paulo Coelho”, disse Luis Fernando Veríssimo.

Para o diretor-geral da editora Planeta http://www.editoraplaneta.com.br , César González de Kehrig, o negócio editorial “vai existir sempre e vamos nos adaptar. O fim do livro de papel seria ruim para as gráficas, não para as editoras”. “Nossa função independe do suporte”, diz o presidente da editora Record, Sérgio Machado. Será?

BUSCA-SE UMA NOVA FORMA DE LITERATURA (Bruno Galo)

A editora inglesa Penguin cria projeto que usa ferramentas da web, como o Google Maps, para contar histórias

Blogueiros que se tornam autores. Escritores famosos, como João Ubaldo Ribeiro ou Mario Prata, que se aventuram pela web - ambos já escreveram livros pela rede. Ou até mesmo projetos como o da 20ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Livro para Todos, são apenas alguns exemplos que mostram como a Internet vem desempenhando um papel de destaque na revolução silenciosa que está criando novas formas de consumir e fazer literatura.

Porém, essas iniciativas acabam, em maior ou menor grau, sendo fiel ao modelo tradicional do livro de papel, que por sinal é o formato final desses trabalhos. Mas engana-se quem pensa que a literatura digital limita-se à criação ou reprodução de obras no formato papel.

Foi pensando em quebrar esse paradigma que a tradicional editora inglesa Penguin se uniu à empresa Six to Start, de games de realidade alternativa (ARG), para criar o We Tell Stories http://wetellstories.co.uk/ . O projeto, que teve repercussão mundial, buscava recontar seis clássicos da literatura, entre eles As Mil e uma Noites, usando recursos digitais e da Internet, como o Twitter e o Flickr, além de permitir ao leitor definir o rumo da trama, como, por exemplo, em Fairy Tales (conto de fadas).

“Queríamos criar algo inédito que usasse o máximo das possibilidades da Internet e que não pudesse ser reproduzido no papel”, explica Jeremy Ettinghausen, editor de projetos digitais da editora.

A primeira história lançada, The 21 Steps (Os 21 passos - http://googlemapsmania.blogspot.com/2008/03/21-steps.html ), por exemplo, é toda contada usando o Google Maps. Enquanto você acompanha a história de Rick, uma linha azul mostra os passos do personagem principal pelas ruas de Londres. “Escrever essa história, que foi pensada para ser lida online, foi um exercício fascinante”, conta o escritor escocês Charles Cumming, autor da adaptação de Os 39 Degraus, de John Buchan.

Ficou curioso? Vá até a página do projeto e descubra o por quê da última cena desse suspense online se passar no Rio de Janeiro. Todas as seis histórias - há uma sétima “escondida no site” envolvendo uma menina, chamada Alice, e um coelho - estão disponíveis gratuitamente, em inglês.

Para o jornalista e escritor Sergio Rodrigues, do blog Todo Prosa www.todoprosa.com.br  o projeto “foi a iniciativa mais avançada na forma de misturar tantos recursos”. Rodrigues destaca entre as criações Your Place and Mine (o seu lugar e o meu). De autoria do casal Nicci Gerrard e Sean French, que trabalha em dupla e assina como Nicci French, o romance foi escrito ao vivo, durante cinco dias, uma hora por dia.

Em entrevista por e-mail, cinco dos autores do projeto disseram que iniciativas como o We Tell Stories não substituem a literatura tradicional e responderam à pergunta: o livro de papel vai morrer?

Entre as respostas: a mais pragmática foi a do inglês Toby Litt, de Slice (fatia). “O livro de papel sim. O livro, nunca.”

ENDEREÇOS LITERÁRIOS

DOMÍNIO PÚBLICO
www.dominiopublico.gov.br
De navegação simples, a página abriga um acervo gigantesco gratuito e legal, com obras de escritores como Machado de Assis.

BIBVIRT
www.bibvirt.futuro.usp.br
Página oferece alguns importantes audiobooks de graça. Há títulos de Machado de Assis e Eça de Queiros, entre outros.

PROJETO GUTENBERG
www.gutenberg.org 
Pioneiro dos e-books em domínio público. Apesar de estrangeiro, possui uma versão em português. Mais de 25 mil livros grátis.

GOOGLE BOOKS
http://books.google.com/
Neste site, é possível ler trechos de livros ou o bras completas (aquelas em domínio público). Possui link para lojas virtuais.

ESTANTE VIRTUAL
www.estantevirtual.com.br
O lugar certo para você encontrar obras fora de catálogo ou raras. Reúne mais de mil sebos.

AUDIBLE
www.audible.com 
Comprada no começo do ano pela Amazon, é a maior vendedora de audiobooks do mundo. Tem acervo com mais de 80 mil opções.

AUDIOLIVRO
www.audiolivro.com.br
Pioneira no País. É possível ouvir trechos dos livros no site. Promete para até o final do ano a opção de download.

PLUGME
www.plugme.com.br

CONHEÇA E PARTICIPE DA RODA DE PESQUISADORES DA ALB

Copyright ©2008, by ALB/Campinas, SP, Brasil

 

Indique a um amigo:
Remetente:
Email Remetente:
Destinatário:
Email Destinatário: