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Editorial

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o livre-pensar, o debate, a denúncia e a crítica
sempre residiram dentro dele através das falas dos
expositores. |
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COLE - 30 ANOS DE LUTAS PELA LEITURA
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Ezequiel Theodoro
da Silva
Em
1978, em Campinas, numa realização da Faculdade de
Educação (Unicamp) e da Secretaria Municipal de
Educação era realizado o 1º Congresso de Leitura do
Brasil - 1º COLE. O Teatro Interno do Centro de
Convivência Cultural sediou o evento, que contou com
aproximadamente 300 participantes. Os organizadores
não podiam imaginar que, 30 anos passados, o COLE
viria a se tornar o principal fórum de discussão dos
problemas da leitura em nosso país.
Hoje o evento é avaliado como QUALIS "A" pela CAPES.
Por isso mesmo e à luz de sua projeção
internacional, reúne no campus da Unicamp mais de 5
mil participantes de todas as regiões brasileiras e
de vários países da América Latina. Em 2007, por
ocasião do 16º COLE, foram inscritos quase 2 mil
trabalhos nas sessões de comunicação, numa
demonstração viva da tradição de qualidade e da
projeção do evento no cenário cultural-educacional
brasileiro.
Por ocasião do 3º COLE, em 1981, nasceu a ALB -
Associação de Leitura do Brasil, que hoje coordena
os trabalhos de planejamento das atividades, atuando
também na produção e divulgação de conhecimentos a
respeito dos múltiplos aspectos que conformam o
vasto e complexo universo da leitura. Por sinal, o
site da entidade <http://www.alb.com.br>
apresenta serviços e conteúdos extremamente
relevantes aos mediadores de leitura e recebe mais
de 6 mil acessos por dia para efeito de consultas,
pesquisas e interações.
O
espaço deste editorial é pequeno para alistar todos
os grandes pensadores nacionais e internacionais que
já se apresentaram nos COLEs. Mas, é importante
lembrar que algumas vozes que aqui ecoaram, como
aquela de Paulo Freire em 1981 ou então a de Jorge
Larrosa em 2007 -essas vozes, somadas a centenas de
outras, certamente apontaram novos rumos para se
pensar a leitura em nosso país. O COLE nunca esteve
atrelado a esta ou aquela política governamental;
por isso mesmo, o livre-pensar, o debate, a denúncia
e a crítica sempre residiram dentro dele através das
falas dos expositores.
Há quem diga que o COLE construiu uma tradição de
qualidade e de bom atendimento aos participantes de
todos os pontos do país. Gerou uma certa
informalidade que une e aproxima as pessoas, criando
laços e redes de interação que permanecem no tempo e
supera as distâncias. Quer dizer: ainda que se
coloque como um mega-evento dentro do contexto da
educação brasileira, o COLE nunca se deixou
"profissionalizar" para cair numa impessoalidade ou
num ajuntamento de pessoas de diferentes
procedências. O congressista não perde o seu
estatuto de sujeito ao se inscrever no evento.
O 17º COLE, programado para acontecer de 20 a 24 de
julho próximo (2009), certamente repetirá o sucesso
já conquistado até aqui. Ao leitor deste editorial,
certamente um professor como eu, fica o convite para
que participe das atividades para conferir
pessoalmente o que estou afirmando e para que se
"cole" cada vez no maravilhoso universo da leitura. |