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Não importa o que se leia, pois mais importante é ler: a seleção virá mais tarde

APAIXONADO POR LIVROS - OBRA DE JOSÉ MINDLIN
 Bruno Ribeiro (*)

"Um livro pode isolar o leitor do mundo que o cerca. Mas o mesmo livro pode ser também uma janela para outros mundos", diz o empresário e escritor José Mindlin. O encanto da leitura, contido neste paradoxo, é o tema central de No Mundo dos Livros, que Mindlin acaba de lançar aos 95 anos de idade, pela Editora Agir. A publicação voltada para o público adolescente, tem o objetivo de "inocular nos jovens o vírus incurável do amor ao livro e à leitura", segundo as palavras do próprio autor.

 

Usando uma linguagem simples e coloquial, José Mindlin - dono da maior biblioteca particular do País - fala de sua infância em meio aos livros, do hábito de ler para a mãe enquanto ela bordava, da descoberta dos sebos, da correspondência com livreiros estrangeiros e dos clássicos que abriram sua mente para um "mundo novo". Trata-se de uma leitura agradável que ajuda a elucidar o mistério da paixão que certas pessoas manifestam não só para com a literatura, mas para com seus suportes principais, ou seja, os livros.

 

Dono de um acervo de aproximadamente 38 mil obras, Mindlin não é um simples colecionador. "Para mim não se trata do valor de mercado de cada exemplar, mas de sua importância para a humanidade", diz.

 

Em seu texto, a leitura jamais surge como uma imposição, mas como um prazer a ser descoberto e desfrutado, sem divisões preconceituosas. "Não importa o que se leia, pois mais importante é ler: a seleção virá mais tarde", afirma o autor, para quem a leitura de um romance policial ou de uma história de amor é perfeitamente justificada: "Digo sempre que a leitura é um mundo de liberdade intelectual".

 

Apesar disso, não deixa de citar e comentar seus muitos autores preferidos. para Mindlin, ainda que parcialmente, o livro Ensaios, de Montaigne. "Considero uma lição de vida porque se trata de um conjunto de reflexões sobre diversos assuntos, de educação a mulheres, passando até por índios brasileiros", escreve num determinado momento o empresário que prefere ser chamado de "bibliófilo". Como homem de seu tempo, José Mindlin faz comentários ainda sobre a Internet e a urgência de uma educação que realmente ensine os jovens.

 

Mindlin foi amigo de Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Pedro Nava e Guilherme de Almeida, mas nunca se meteu a escrever. Não foi preciso. Com ele aprendemos que o amor pela literatura se constrói pelo exercício de escolher o que se lê e como se lê, criando uma outra biblioteca, que não é física, mas interior. No Mundo dos Livros, um dos poucos assinados por José Mindlin, abre as portas desta biblioteca afetiva possível.

 

TRECHO

Fui, desde criança, um leitor inveterado. Ainda não sabendo ler, lembro de ficar extasiado frente às estantes da biblioteca de meus pais. Cheguei até, uma vez, a tirar um livro da prateleira e sentar-me com ele, folheando as páginas e murmurando como se estivesse lendo em voz alta. Nisso, chegou meu pai para ver o que estava lendo e, quando eu disse que estava lendo, ele se surpreendeu e, chegando mais perto, verificou que o livro estava de cabeça para baixo. Fiquei encabulado e a lembrança permaneceu viva até hoje... Mas foi a última vez que uma coisa assim me aconteceu.

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(*) Bruno Ribeiro é jornalista do Correio Popular, Campinas, SP.

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