- O 17º. COLE
constituiu-se em um espaço de sociabilidades
privilegiado, assim como ocorreu em versões
anteriores do evento, funcionando como um lócus
de discussão de questões atuais da leitura.
Convidados a manifestarem-se, os professores
Antonio Augusto Gomes Batista (UFMG), Maria Rosa
Rodrigues Martins de Camargo (Unesp), Milton José
de Almeida (Unicamp), o historiador Peter Burke
(Universidade de Cambridge) e os escritores
Affonso Romano de Sant'Anna e Ignácio de Loyola
Brandão, todos integrantes de mesas do 17º
Cole, opinaram sobre o papel da leitura e
avaliaram o impacto da internet na difusão do
conhecimento.
Sobre a questão do impacto da internet e das
novas tecnologias na difusão da leitura, uma das
perguntas dirigidas, leia a manifestação de
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA
Não dá para fazer profecias. Todo dia tem um
artefato novo, um programa novo. O fato é que as
pessoas estão sendo obrigadas a ler e a escrever
mais e mais. A língua vai se modificar? Vai, é
claro. Sempre se modificou. Nossa percepção,
nossa velocidade de percepção vai se alterar?
Vai. Vamos ficar melhores? Não sei, gostaria.
E este é o grande desafio. As melhorias tecnológicas
não têm correspondido a uma melhoria ética e
estética. Veja a indigência da arte hoje em
dia, sobretudo as artes plásticas. E a ética,
onde foi parar com a superposição do particular
e do público, do centro e da periferia? Não se
trata de voltar a modelos cêntricos anteriores,
mas de fazer correções no rumo das coisas. E
nisto os artistas, os escritores têm imensa
responsabilidade. O imaginário ajuda a organizar
a realidade. A realidade é apenas a parte mais
visível da ficção.
Quem sabe ler e interpretar não fica à deriva
diante do caos.
Leia mais no Jornal da Unicamp, Ano XXIII, nº
435 de 13 de julho a 2 de agosto de 2009.
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/julho2009/ju435_pag060708.php
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