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... sem o envolvimento
e comprometimento dos professores, estas
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... ver as
crianças como sujeitos de cultura e
história, sujeitos sociais ... |
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A ESCOLA DE NOVE ANOS
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Helena Lopes de
Freitas & Sonia Kramer
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retina de...
HELENA COSTA LOPES DE FREITAS
A extensão do
ensino fundamental de 8 para 9 anos é um passo
importante para a construção de uma nova
escola, que responda aos anseios das classes
populares pela educação, uma escola com
profundos vínculos com a produção da vida
material e espiritual de nossa infância e
nossa juventude.
Os desafios que surgem a partir dessa nova
formulação são imensos, entre os quais
destacamos o comprometimento do poder público
com dotação de recursos orçamentários em larga
escala para dotar as escolas de todos os
recursos necessários, cumprindo o que
estabelece o regime de cooperação entre os
entes federados – união, estados e municípios.
No entanto, sem o envolvimento e
comprometimento dos professores, estas
iniciativas não se desenvolverão.
É tarefa prioritária implementar mudanças com
uma concepção de educação avançada, que supere
a lógica da exclusão e da discriminação
oriundas da forma atual de organização da
escola – sua estrutura seriada e fragmentada,
seu currículo atual, que não responde às
necessidades históricas atuais e futuras e
desenvolve processos de inclusão excludentes,
pela ação das práticas de avaliação, que
impedem o pleno acesso ao conhecimento e à
formação integral de nossa infância e de nossa
juventude.
A construção dessa escola democrática –
pública, gratuita, laica e de qualidade para
todos e cada um dos estudantes – é tarefa
urgente e prioritária de todos os educadores
comprometidos com a construção de uma
sociedade justa e igualitária e com uma
educação emancipadora para o nosso povo.
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retina de...
SONIA KRAMER
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Educação
e pedagogia dizem respeito à formação
cultural - o trabalho pedagógico precisa
favorecer a experiência com o conhecimento
científico e com a cultura, entendida
tanto na sua dimensão de produção nas
relações sociais cotidianas e como
produção historicamente acumulada,
presente na literatura, na música, na
dança, no teatro, no cinema, na produção
artística, histórica e cultural que se
encontra nos museus. Esta visão do
pedagógico ajuda a pensar a creche e a
escola com suas dimensões políticas,
éticas e estéticas. A educação, uma
prática social, inclui o conhecimento
científico, a arte e a vida cotidiana.
Embora educação infantil e ensino
fundamental sejam freqüentemente
separados, do ponto de vista da criança,
não há fragmentação. Os adultos e as
instituições é que muitas vezes opõem
educação infantil e ensino fundamental,
deixando de fora o que seria capaz de
articulá-las: a experiência com a cultura.
Questões tais como alfabetizar ou não na
educação infantil e a integração de
educação infantil e ensino fundamental
permanecem atuais. Além disso, temos
crianças, sempre, na educação infantil e
no ensino fundamental.
Entender que crianças, jovens e adultos
são sujeitos da história e da cultura,
além de serem por elas produzidas e
considerar as milhões de crianças
brasileiras a alunos de 0 a 6 anos como
crianças e não só alunos, implica ver o
pedagógico na sua dimensão cultural, como
conhecimento, arte e vida, e não só como
algo instrucional, que visa ensinar
coisas.
Essa reflexão vale para a educação
infantil e vale para o ensino fundamental.
Aliás, do meu ponto de vista, educação
infantil e ensino fundamental são
indissociáveis: ambas envolvem
conhecimentos e afetos; saberes e valores;
cuidados e atenção; seriedade e riso. O
cuidado, a atenção, o acolhimento estão
presentes na educação infantil; a alegria
e a brincadeira também. E, nas práticas
realizadas, as crianças aprendem. Elas
gostam de aprender. Na educação infantil e
no ensino fundamental, o objetivo é atuar
com liberdade para assegurar a apropriação
e a construção do conhecimento por todos.
Na educação, o objetivo é garantir o
acesso, de todos que assim o desejarem, a
vagas em creches e pré-escolas,
assegurando o direito de brincar, criar,
aprender. Nos dois, temos grandes
desafios: o de pensar a creche, a
pré-escola e a escola como instâncias de
formação cultural; o de ver as crianças
como sujeitos de cultura e história,
sujeitos sociais.
Com a Lei no 11.274/2006, o ensino
fundamental passa a ter 9 anos, no Brasil,
e inclui obrigatoriamente as crianças de 6
anos, o que já é feito em vários países e
em alguns municípios brasileiros há muito
tempo. Mas muitos professores ainda
perguntam: o melhor é que elas estejam na
educação infantil ou no ensino
fundamental? Meu ponto de vista é o de que
o planejamento e o acompanhamento pelos
adultos que atuam na educação infantil e
no ensino fundamental devem levar em conta
a singularidade das ações infantis e o
direito à brincadeira, à produção
cultural, na educação infantil e no ensino
fundamental. Isso significa que as
crianças devem ser atendidas nas suas
necessidades (a de aprender e a de
brincar) e que tanto na educação infantil
quanto no ensino fundamental sejamos
capazes de ver, entender e lidar com as
crianças como crianças e não só como
alunos.
A inclusão de crianças de 6 anos no ensino
fundamental requer diálogo entre educação
infantil e ensino fundamental, diálogo
institucional e pedagógico, dentro da
escola e entre as escolas, com
alternativas curriculares claras. Em
países como o nosso, onde a desigualdade e
a injustiça social são constitutivas da
história e do cotidiano, conquistas
resultam de muito trabalho realizado e -
para que não se reduzam à letra morta -
indicam sempre que há muito trabalho por
fazer.
As conquistas formais têm se tornado ações
de fato? Que impacto tais conquistas
promovem no currículo? No que se refere às
políticas educacionais voltadas à educação
infantil e ao ensino fundamental de 9
anos, desde a decisão até a implementação
e a avaliação das ações, as diversas
instâncias precisam atuar de modo
articulado. Às políticas públicas
municipais e estaduais cabe a expansão com
qualidade das ações de creches,
pré-escolas e escolas com a implantação de
propostas curriculares e de formação de
profissionais de educação e de
professores.
A antecipação da escolaridade para 6 anos
de idade interfere nos processos de
inserção social e nos modos de
subjetivação de crianças, jovens e
adultos? As escolas têm levado em conta
essas questões na concepção e construção
do seu currículo? Os sistemas de ensino
têm se equipado para fazer frente às
mudanças? Temos sabido interagir com os
conselhos (em especial os tutelares) numa
atuação social em defesa das crianças e
seus direitos, muitas vezes infringido
pelo Estado, outras pelas creches ou
escolas, muitas vezes pelas famílias?
Estas são algumas indagações do texto
sobre o ensino fundamental de 9 anos do
MEC, onde apresento a idéia de que o tempo
da infância é o tempo de aprender e de
aprender com as crianças, numa perspectiva
da educação onde o outro é visto como um
eu e onde está em pauta a solidariedade, o
respeito às diferenças e o combate à
indiferença e à desigualdade. Assumir a
defesa da escola - uma das instituições
mais estáveis num momento de absoluta
instabilidade - significa assumir uma
posição contra o trabalho infantil.
As crianças têm o direito de estar numa
escola estruturada de acordo com uma das
muitas possibilidades de organização
curricular que favoreçam a sua inserção
crítica na cultura. Elas têm direito a
condições oferecidas pelo Estado e pela
sociedade que garantam o atendimento de
suas necessidades básicas em outras
esferas da vida econômica e social,
favorecendo mais que uma escola digna, uma
vida digna.
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-
Extraído
pela autora de
-
Kramer,
Sonia. "As crianças de 0 a 6 anos nas
políticas educacionais no Brasil: educação
infantil e/é fundamental". In:
Educação e
Sociedade, nº 96, p. 797-818.
Campinas: CEDES, 2006.
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