Nº 39–
Leitura: Teoria e Prática
Ano XX - Outubro de 2002 - 81 p.
Estudos
La biblioteca, o el jardín interior preservado – Michele Petit – pág. 4
Foi na Colômbia, eu já contei várias vezes onde eu descobri as
bibliotecas quando tinha treze ou catorze anos. Nos livros que por sorte
pude publicar em sua língua, invoquei uma pequena biblioteca cuja
arquitetura me encantava, toda em azulejos e com janelinhas que davam para
uns jardins internos, uma biblioteca onde eu podia explorar, com tal
liberdade, nos seus departamentos – o que então era inconcebível em meu
país. Essa biblioteca que me encantava se encontrava nesta cidade onde
estou hoje, esta cidade em que vivi.
Implicações éticas e políticas no ensino e na promoção da leitura –
Luiz Percival Leme Britto – pág. 16
Devo, não obstante, de imediato explicitar meu incômodo com a
expressão formação de leitor. Procurarei nesta conferência examinar alguns
problemas relativos a este conceito, enfatizando os aspectos éticos e
políticos envolvidos. Vejamos: o que exatamente se quer dizer com formação
do leitor? Que idéias, conceitos, valores, a justificam? Que ações estão
implicadas neste conceito?
Rotas de navegação pela memória satírica do cancioneiro tradicional
português – Carlos Nogueira – pág. 31
Percorrer as páginas de um cancioneiro tradicional implica ativar os
circuitos de memória da autobiografia poética de uma comunidade,
simultaneamente testamento de experiências e de emoções que apenas através
do registro literário se pode divisar em traços pouco mais do que
fugidios.
Um estudo sobre A Leitura Analytica (1896), de João Köpke – Neucinéia
Rizzato Ribeiro – pág. 45
Com o objetivo de contribuir para a compreensão de um importante
momento da história da alfabetização em nosso país e para o
desenvolvimento de pesquisas correlatas, apresenta-se um estudo sobre a
conferência A leitura analytica, proferida pelo educador João Köpke
(1857-1926), em 1º de março de 1896, na Escola Normal de São Paulo.
Mediante procedimentos de reunião, seleção e leitura de fontes documentais
relativas à produção de e sobre João Köpke, elaborou-se um instrumento de
pesquisa, a partir do qual optou-se pela análise da configuração textual
de versão impressa da conferência. Sua análise permitiu compreender os
princípios teóricos subjacentes ao modo de processar o método analítico
para o ensino da leitura proposto por esse educador assim como sua relação
com o regime republicano e constatar a significativa influência que
exerceu sobre outros educadores de sua época e de décadas posteriores, no
que se refere às propostas e práticas de alfabetização.
A noção de gênero: dificuldades e evidências – Dóris de Arruda C. da
Cunha – pág. 60
A questão dos gêneros literários foi, durante séculos – de Aristóteles
a Hegel -, o objeto central da poética. Após um século de abordagem
historicista e positivista, a partir da década de setenta, a noção de
gênero voltou a ser objeto de interrogação para aqueles que na teoria da
literatura buscavam a significação antropológica e o alcance estético do
fato literário.
A invenção no cotidiano e na língua: leituras de professora – Maria
Rosa Rodrigues Martins Camargo – pág. 65
A página, um espaço definido, um lugar circunscrito. Também a sala de
aula. Nela há lugares circunscritos, por outros, e que mudam, o aluno que
ora sabe ora não sabe, e o professor também. Alunos e professora são aqui
assumidos não mais como indivíduos – celulares, atomizados – ou indivíduos
agrupados lado a lado. São sujeitos que se querem sujeitos, no
entrelaçamento de relações que são muito complexas.