LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 44  

Nº 44 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXIV- Março de 2005 - 76 p.

Estudos

Una* lengua para la conversación – Jorge Larrosa - p. 5 – 12
Sessão universitária do assim chamado “espaço educativo europeu” (inseparávelde um espaço universitário quase totalmente mundializado) está se configurando como uma enorme rede de comunicação entre investidores, experts, profissionais, especialistas, estudantes e professores. Constantemente se constituem em grupos de trabalho, redes temáticas, núcleos nacionais e internacionais de investigação e de docência. A informação circula, as pessoas viajam, o dinheiro abunda, as publicações se multiplicam. Proliferam os encontros de todo tipo e, com eles, as oportunidades para o intercâmbio, para a discussão, para o debate, para o diálogo. Por todas as partes se fomenta a comunicação. As atividades universitárias de produção e de transmissão de conhecimento se planificam massivamente. E todos os dias nos convidam a falar e a ouvir, a ler e a escrever, a participar ativamente dessa gigantesca máquina de fabricação e de circulação de informes, de projetos, de textos. A pergunta é: em que língua? E também pode ser essa língua a nossa língua?

Dos campos de Cachoeira a Belém do Grão Pará: encontro de vozes em Dalcídio Jurandir – Josebel Akel Fares - p. 13 – 26
O ensaio Dos campos de Cachoeira a Belém do Grão Pará: encontro de vozes em Dalcídio Jurandir apresenta a obra do romancista marajoara, a partir de três enfoques. [I] Os campos de Cachoeira: lembranças, saudades, imaginação estuda o jogo entre o real e imaginário, a partir de uma construção, difundida a partir da realidade literária oral, ou seja, daquilo que, supostamente, ouviram falar dos romances. [II] O Tucumanzeiro e o Caroço de Tucumã: dois textos (não mais) orais apresenta narrativas coletadas no Marajó, sobre o tucumanzeiro e o caroço de tucumã, elemento mágico na vida de Alfredo, personagem dos romances de Dalcídio Jurandir. [III] Belém do Grão Pará: um roteiro poético do Círio de Nazaré – a chegada dos romeiros e a Trasladação mapeia passagens da chegada dos romeiros para a procissão do Círio de Nazaré e da Trasladação, no romance Belém do Grão Pará.

Entre a cruz e a espada. Artistas e estrangeiros no Brasil, Ernesto de Fiori e Samson Flexor – Gustavo Henrique Dionísio - p. 27 – 34
Com o desejo de escrever algumas notas sobre dois importantes pintores da história da arte brasileira – Ernesto de Fiori e Samson Flexor – foi que procurei organizar uma reflexão, às voltas com hipótese sobre a existência ou não de um possível paralelo entre eles, dividida em quatro partes, bastante sucintas; este ensaio [chamando-o de ensaio pretendo justificar o uso da liberdade quanto à escrita e a despreocupação com os dados obrigatórios que devem estar contidos nas referências bibliográficas ao pé de página] traz num primeiro momento uma descrição rápida sobre os quadros que julguei interessantes para serem explorados (1), para depois ater-se numa também rápida recuperação biográfica dos artistas (2); em seguida, discuto algumas posições críticas em relação às obras (3) e, por fim, almejo apresentar contribuições para essa discussão (4).

O escritor-educador – Nietszche, Foucault e Deleuze – Wladimir Antônio da Costa Garcia - p. 35 – 40
Entre Nietszche, Foucault e Deleuze; entre a Filosofia, a Literatura e a Educação, insinua-se figura do escritor, o fundador de particularidades, o criador de mundos. O que proponho aqui é , sua pensar tal figura e sua performance, justamente contra o plano de fundo da cultura, sua incompletude e puro movimento, o que a torna irredutível a qualquer projeto universalizante ou absoluto. Este problema nos leva a pensar não somente a relação entre o particular e o universal, mas também re-pensar as relações entre Filosofia e Literatura, bem como um possível papel (anti)pedagógico desta. Neste sentido, retomo idéias de Nietszche onde Foucault e Deleuze dialogam: a perspectiva de existência estéticas e seus efeitos para um possível Educador.

Sobre Pandoras e memórias de leitura – Luciana Fernandes Ribeiro - p. 41 – 50
O trabalho em questão procura investigar pistas sobre a experiência de leitura vivida pro crianças de quarta série do Ensino Fundamental I, tomando como fonte de pesquisa o relato de suas memórias. Estas tiveram como “suporte” caixas individuais onde cada criança depositou objetos, brinquedos, roupas, textos e livros que revelavam suas histórias e que foram explicitadas em apresentações também individuais no ambiente escolar. O foco de pesquisa se direciona para os momentos desses relatos (registrados em vídeo) em que aparecem os livros e os comentários sobre leitura, assim como a menção aos outros sujeitos que participaram desses percursos das crianças leitoras. Para o exercício de análise dessas fontes toma-se como referencial teórico a perspectiva histórico-cultural, destacando os sgeuintes autores: Chartier, Vygotisky, George Duby, Michel de Certeau.

O que vale mais: o livro ou o leitor? Mas também: mães e bibliotecárias, deixem seus filhos viver – Maria de Nazareth Agra Hassen - p. 51 – 54
Mais importante do que conservar os livros, é lê-los. Como se produzem leitores ou como se os destroem é a preocupação desse artigo que traz um tanto de experiência pessoal.

Leituras da infância na memória e na história de vida de professores de língua portuguesa – Rosemar Eurico Coenga - p. 55 – 60
O presente texto apresenta um aspecto de pesquisa concluída recentemente que deu origem à dissertação de mestrado intitulada Pelas veredas da memória: revisitando as histórias de leitura de professores de língua portuguesa no ensino médio que teve como objetivo analisar a história de leitura de professores de língua portuguesa, tecida no decorrer de sua vida familiar, acadêmica, pessoal e profissional. As primeiras questões da pesquisa buscam resgatar aspectos da leitura no espaço familiar. Os resultados da pesquisa mostram que tudo aquilo que compõe a história de leitura de cada professor na infância, ainda que pelo olhos e pela boca de outrem, foi decisivo na introdução ao mundo da escrita.

O lúdico e o pedagógico: contornos da Literatura Infanto-Juvenil – Maurício Silva - p. 61 – 66
O presente trabalho procura analisar a importância da literatura infanto-juvenil para a formação das crianças e adolescentes, destacando suas características lúdicas e pedagógicas.

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