RESUMO DAS PALESTRAS

14 de Julho
10h Manhã
Conferência de Abertura – Ética e Multimídia
 

Ética e Multimídia
Mário Sérgio Cortella (PUC/SP)

Com maestria definiu Paul Ricouer: Ética é Vida Boa, para Todas e Todos, em Instituições Justas. Esse é o horizonte ético que nos guia e, por isso, os processos educativos escolares não devem se adaptar às inovações mas, isso sim, integrar novas formas ao seu cotidiano. Adaptar é postura passiva, enquanto que integrar pressupõe metas de convergência. As tecnologias mais recentes podem fazer parte do trabalho pedagógico escolar desde que utilizadas como ferramentas  a serviço de objetivos educacionais que estejam antes claros para a comunidade e que a ela sirvam. Tecnologia em si não é sinal de mentalidade moderna; o que moderniza é a atitude e a concepção pedagógica e social que se usa e, assim, uma mentalidade moderna de fato lança mão da tecnologia por incorporar-se aos seus projetos, e não por ser tecnologia.

15 de Julho
9h Manhã

Conferência
 

Fazer cinema na educação escolar – a construção de um sonho na formação de professores.
Carlos Eduardo Albuquerque Miranda (FE/UNICAMP)

O acesso à tecnologia digital de produção audiovisual coloca novamente a educação escolar no dilema entre reprodução e produção.  Defendemos uma pedagogia da criação e um professor que assuma o papel de interlocutor – um ‘passador’ que assume, com os alunos, os riscos do processo de criação. Na escola, o desafio, por um lado, é superar a instrumentalização do cinema e das artes visuais e, por outro, a prática de registros de vídeo. Na formação de professores, mais especificamente na pedagogia, propomos que os alunos se tornem produtores de vídeo, fazendo com que cada um remexa sua memória visual, acenda sua imaginação e se aproprie da tecnologia de forma criativa. O trabalho de um ano e meio com produção de vídeo no curso de pedagogia da Unicamp não está isolado do contexto escolar. Este trabalho acontece como parte do projeto “Linguagem e arte cinematográfica na educação: tecnologia, imaginação e memória” que está sendo desenvolvido em escolas públicas da região de Campinas desde 2009. Nosso objetivo é apresentar as bases teóricas da produção de vídeo na formação de professores e uma análise desta produção.

15 de Julho
10h Manhã
Mesa Redonda 1 – Educação, Cybercultura e Multimídia
 

Wendel Freire (FAC. SOUZA MARQUES)

Diante da profunda reorganização social e cultural das sociedades contemporâneas, impostas pelas tecnologias da informação e da comunicação, o chamado aos educadores para repensar a escola tornou-se límpido o suficiente para pensarmos nesta nova ambiência, o ciberespaço, e agirmos sobre ela. Cunhado pela literatura, o termo cibercultura fala das hiperpotências, do hipercapitalismo, do hipertexto e do hiperlink - apresentações e representações que alteram o "porquê" e o "para quê" de nossa constituição e formação e que modificam, significativamente, nossos modos de expressão. Tais questões serão relacionadas à produção e leitura de textos hodiernos. 

  Marco Silva (UERJ)

A docência baseada na transmissão para memorização e repetição é ainda o modelo de ensino mais corriqueiro na maior parte das escolas e universidades em todo o mundo. Muito se questionou essa prática pedagógica, mas pouco se fez para modificá-la efetivamente. Doravante teremos mais do que a força da crítica mais veemente já feita. Teremos a exigência cognitiva e comunicacional das novas gerações que emergem com a cibercultura. A conferência parte desta realidade para discutir a docência e a formação de professores capazes de educar em nosso tempo cibercultural, quando os estudantes em aula estão cada vez menos passivos perante a mensagem fechada à intervenção, pois aprenderam com o controle remoto da televisão, com o joystick do videogame e agora aprendem com o mouse do computador online. Chama atenção para a exigência de uma nova postura comunicacional na sala de aula, seja na educação básica e na universidade, seja na educação presencial e na educação a distância, capaz de educar em nosso tempo.
 

Edméa Santos (UERJ)

A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelo uso das
tecnologias digitais nas esferas do ciberespaço e das cidades. Sua
primeira fase foi marcada pela possibilidade de publicação e
compartilhamento de conteúdos na rede mundial de computadores,
internet. Segundo Santaella (2002), a segunda fase da cibercultura vem
se caracterizando pela emergência da web 2 com seus softwares sociais
– em que destacamos a emergência da educação online, mediada pelos
ambientes online de aprendizagem – , pela mobilidade e convergência de
mídias dos computadores portáteis e da telefonia móvel. Neste
contexto, nos interessa compreender se houve mudanças e como estas
mudanças vêm estruturando a prática docente na cibercultura seja na
modalidade presencial ou a distância.

15 de Julho
10h Manhã
Mesa Redonda 2 –Mídia e Educação: Práticas e perspectivas de políticas públicas.
 

Alexandra Bujokas de Siqueira (UFTM)

Embora não seja assunto propriamente novo, a educação para a mídia (ou media literacy, como tem sido internacionalmente chamada) é um campo de pesquisa e ação política que se revigorou com a popularização da internet. Mais especificamente, o surgimento da interface conhecida como Web 2.0 facilitou a produção e a divulgação de conteúdos, particularmente através das redes sociais. Neste cenário, a escola renova seu papel de instituição hegemônica de educação das novas gerações: enquanto as corporações de mídia se encarregam de educar o público para usar tecnologias e serviços digitais na perspectiva do consumo, cabe à escola ensinar o uso do ponto de vista da cidadania.
É verdade que cada mídia – do livro didático, passando pelo jornal até o Youtube e os jogos em rede – tem suas particularidades, mas pesquisas recentes na área tendem a considerar que as habilidades de leitura são praticamente as mesmas: mudam-se os códigos e suportes, mas as capacidades de desmontar e remontar o texto e localizá-lo no contexto social permanecem. E são essas capacidades que devem ser ensinadas na escola.
Por outro lado, não se deve esquecer que, tradicionalmente, a escola tem centrado atenção nos textos verbais e que, por isso, muitos professores tenham dificuldades para lidar com outros textos, principalmente aqueles que envolvem múltiplas linguagens.
Assim, para que professores e alunos adquiram conhecimento e saibam se apropriar criticamente das mensagens midiáticas – seja o jornal impresso ou o anúncio publicitário do Orkut – é preciso que haja, no mínimo, materiais pedagógicos próprios, formação adequada e uma proposta curricular para a área de mídia-educação. Em suma, é preciso haver uma política específica para o setor, a exemplo do que já acontece no Canadá e na União Européia.
Aspectos relevantes de políticas internacionais e sugestão para uma iniciativa semelhante no Brasil serão discutidos na palestra.

 

Regina de Assis, EdD

Um campo relativamente novo se abre aos sistemas educacionais brasileiros, quando se propõe o enlace entre as práticas pedagógicas e as linguagens das mídias audiovisuais, impressas e digitais.
Muito mais do que simples novidade, êste é um direito recente de Professores e Estudantes , que exige Políticas Públicas consistentes e duradouras.
Ao criar a MULTIRIO , Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro, antevíamos esta necessidade desde o início da década de 90 , do Século XX . Após 15 anos de existência e serviços prestados à mega rede de Escolas Municipais da Prefeitura do Rio, a MULTIRIO inaugurou uma Política Pública inovadora e original no Brasil.
Nesta Mesa Redonda apresentaremos os alcances e limites desta Política Pública para Educação e Mídia.

15 de Julho
10h Manhã
Mesa Redonda 3 – Livro-reportagem, jornalismo literário e jornal científico
  Edvaldo Pereira Lima

       Modalidade de prática da narrativa da vida real que se destaca pela qualidade estética e de conteúdo, o Jornalismo Literário (também denominado Literatura da Realidade) ocupa posição de prestígio no mundo contemporâneo como soberbo instrumento de conhecimento da realidade.  Por apresentar essas qualidades, transporta também um importante papel educacional e é um canal privilegiado de estímulo à leitura.  Praticado tanto na mídia periódica impressa quanto em veículos eletrônicos e no livro-reportagem, tende a alcançar excelência narrativa nesse último formato. 
No Brasil atual, tanto o Jornalismo Literário quanto o livro-reportagem conquistam gradativo espaço de presença no cenário cultural.  Exemplos da mídia impressa e de livros-reportagem, de autores nacionais e internacionais,  exemplificam o nível de qualidade alcançado no país. Na medida em que a educação dispara melhor o processo de aprendizagem quando combina bem conteúdo sólido e qualidade lúdica, assim como quando acrescenta leituras da realidade contemporânea, ambos são instrumentos de enorme potencial para uso didático.  Trechos selecionados atestam esse poder.
Os educadores encontram no mercado uma variedade cada vez mais ampla de bons produtos culturais dessa natureza, facilitando sua inserção no contexto educacional com benefícios relevantes para todos.

  O que pode a literatura na comunicação da ciência?
Susana Oliveira Dias (LABJOR/Unicamp) 

Resumo: Encontrar-se entre jornalismo, ciência e literatura. Tornar a escrita, o dizer, o escrever atos que devém políticos. Dar ênfaseà linguagem como matéria viva do jornalismo científico. Propostas que este texto, que esta palestra, pretendem movimentar com o desejo de problematizar os modos como a literatura aparece, cada vez mais, nas apostas do jornalismo científico: a literatura como meio de tornar as
ciências mais agradáveis aos leitores. Propomo-nos a pensar para além da crítica recorrente à lógica do entretenimento, para abrir fissuras no pensamento e gerar possibilidades de um diferir da literatura na comunicação da ciência.
16 de Julho
9h Manhã
Mesa Redonda 1 – Educ. na cultura da mídia e consumo
 

Rosa Maria Hessel Silveira (Universidade Luterana do Brasil)

Para abordar as articulações entre a educação e a contemporaneidade, em especial nas suas dimensões com a cultura da mídia e do consumo, a palestra desenvolverá inicialmente reflexões sobre algumas repercussões das novas mídias na cultura escrita, cultura de que tradicionalmente a escola tem se ocupado, procurando mapear “novidades”, permanências, impasses e dilemas dessa instituição. Em relação ao consumo, principalmente considerando a sua conexão com o neoliberalismo, serão mapeadas e discutidas algumas formas como a própria educação tem se transformado em uma mercadoria consumível, assim como alunos e professores vêm se metamorfoseando em peças dos mecanismos de mercado (como consumidores e como “produtos consumíveis”, p.ex.).

  A educação nas revistas: entrelaçamento entre mídia, consumo e o dispositivo neoliberal
Vera Regina Serezer Gerzson 
(FABICO)/UFRGS)

O artigo problematiza o entrelaçamento entre mídia, consumo e o dispositivo 
neoliberal nos textos das revistas. Supõe-se que estas mídias, quando pautam 
a educação, não apenas publicam informações, anúncios e opiniões. As 
matérias que problematizam a educação estão compondo textos culturais, 
produzindo formas de fazer, de aprender, de ensinar e, sobretudo, de ser e 
de compreender o mundo. Nos textos publicados são acionados discursos que 
atuam como dispositivos produtivos da articulação neoliberal, pois ao mesmo 
tempo em que ela é produzida, também cria práticas e subjetividades férteis 
para a sua execução e para o incremento do consumo de serviços, produtos e 
ações encaminhadas ao âmbito da educação. A racionalidade e as práticas 
neoliberais constituintes do projeto político predominante na sociedade 
contemporânea estão presentes nas revistas, produzindo discursos conectados 
com essa perspectiva. O poder e as relações de poder neoliberais 
apresentam-se nos textos como práticas capilares, insidiosas, incorporadas 
nos discursos publicados sem conotação repressora e autoritária, mas como 
verdades que circulam nos espaço público, interagindo produtivamente com os 
leitores da revista.
16 de Julho
9h Manhã
Mesa Redonda 2 – Comunicação e cidadania
 

Inês Silva Vitorino Sampaio (UFC) 

A palestra terá como esteio a reflexão sobre a centralidade dos processos comunicativos midiáticos nas sociedades e cultura contemporâneas e suas implicações no lugar da tradição e nos processos de socialização de crianças e adolescentes. Neste contexto, abordaremos alguns desafios postos à formação do professor, em particular no campo das Tecnologias da Informação e da Comunicação e suas múltiplas linguagens e a questão específica do professor e a leitura do jornal.

 

Escola, mídia e cidadania: da leitura crítica à educomunicação 
Ismar de Oliveira Soares (USP)

A palestra percorrerá o caminho construído, em nível internacional, ao longo das últimas décadas, pelos profissionais da comunicação e da educação, no desenvolvimento de ações que confrontam o sistema educativo com o sistema de comunicação, a partir das perspectivas das diferentes correntes voltadas aos estudos da recepção (educación en medios, media education, media literacy), até chegar à proposta interdisciplinar e inter-discursiva identificada comoeducomunicação, que se caracteriza pela  busca de um compromisso social dos agentes culturais em torno da construção de ecossistemas comunicativos que articulem comunicadores, educadores e os beneficiados por suas práticas (receptores da mídia e estudantes) na prática pró-ativa da cidadania, através do acesso aos recursos da informação.

 

16 de Julho
9h Manhã
Mesa Redonda 3 – Diálogo entre a literatura e a mídia
 

Literatura e mídia: uma experiência pessoal
Eustáquio Teixeira Gomes


O autor abordará as aproximações entre jornalismo e criação literária, mostrando, a partir de sua experiência pessoal e da de outros escritores, o modo como as duas linguagens se interpenetram e constroem um gênero que tem forma e conteúdo próprios.

   
16 de Julho
10h30 Manhã
Conferência de Encerramento