O JORNAL, A REVISTA, OS
FOLHETINS E A INTERNET
COMO INSTRUMENTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA ESCOLA
Diamantino
Fernandes Trindade
Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo
OBJETO
Alunos
do segundo ano do Ensino Médio do Centro Federal de Educação Tecnológica de
São Paulo.
OBJETIVOS
O
presente trabalho tem como objetivos analisar, sob a ótica da
interdisciplinaridade, alguns aspectos do projeto História da Ciência e
Divulgação Científica desenvolvido, desde 2003, com os alunos do segundo ano
do Ensino Médio do CEFET-SP e a sua função como instrumento integrador da Área
de Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias. O projeto contribui
também para desenvolver nos alunos uma visão da Ciência como processo de
construção diária. Uma visão geral da divulgação científica mostra a sua
importância, numa época como a nossa, em que desempenha papel indiscutível no
processo social, histórico e econômico.
Este
trabalho relata algumas atividades desenvolvidas no projeto, de forma que podem
ser utilizadas por professores de Física, Matemática, Biologia e Química da
Rede Pública e da Rede Privada no contexto particular de cada disciplina,
utilizando instrumentos como: jornais, revistas, elaboração de folhetins de
divulgação científica, murais de divulgação científica e a internet.
Na
experiência em questão, a divulgação científica na escola mostrou-se um
importante veículo para o aprendizado da Ciência, tornando-a mais acessível
aos aprendizes, iniciantes no seu estudo.
INTRODUÇÃO
A
Educação Nacional passa por profundas mudanças, visando ajustar-se aos
pressupostos da Lei de Diretrizes e Bases, LDB 9394/96. Em seus artigos 35 e 36,
a LDB delineia o perfil de saída do aluno do Ensino Médio especificando a
importância da “compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos
processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada
espaço curricular”. Também enfatiza que o currículo do Ensino Médio,
voltado ao exercício da cidadania, deverá destacar a educação tecnológica básica
e a compreensão do significado da Ciência.
É
indiscutível que nossa sociedade tornou-se totalmente dependente das ciências
e de suas tecnologias. Em todas as ações diárias elas se fazem presentes;
portanto, cientistas, tecnólogos e professores têm como responsabilidade
contribuir para sua maior compreensão. Ao adquirir algum conhecimento científico,
os indivíduos tornam-se aptos a discutir criticamente as reais possibilidades e
as conseqüências da sua utilização. Ninguém que pretenda ser um cidadão
participante pode ignorar tal fato, daí a importância da sua divulgação.
Os
meios de divulgação e popularização das ciências evoluíram acompanhando a
própria evolução da Ciência. Contudo não devemos confundir a popularização
com a vulgarização. Trata-se de uma atividade complexa e rica na qual
conhecimentos científicos e tecnológicos são postos ao alcance da população,
de tal modo que esta possa torná-los apropriados para entender aspectos do
mundo moderoo e utilizá-los nas suas ações cotidia~as. A divulgação científica
assume, dessa forma, um papel de destaque diante da necessidade da socialização
do saber e da velocidade com que este se acumula.
O
Brasil iniciou um movimento ambicioso para ampliar a divulgação científica.
Os indícios dessa prática são muitos e podem modificar o panorama da
popularização do conhecimento científico no país. Pode}os citar alguns
exemplos: a revista “Pesquisa Fapesp” passou, a partir de março de 2002, a
ser comercializada em bancas e aumentou a sua tiragem de 24 mil para 30 mil
exemplares. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
reformulou, em julho de 2002, a revista “Ciência e Cultura”, aproximando-a
mais do público leigo. Em junho de 2002, a Duetto Editorial lançou a versão
brasileira da “Scientific American”, uma das mais importantes revistas
mundiais de divulgação científica. O CNPq investiu cerca de R$ 450 mil para a
criação de um portal na internet que aglutina informações sobre 120 centros
e museus de ciência brasileiros.
Devemos
também levar em considera÷ão as revistas mais populares como a Galileu (que
circulou até agosto de 1988 cm o nome de Globo Ciência) e Superinteressante,
com tiragens de 180 mil e 467 mim exemplares respectiva}ente, o que denota, pelo
menos, o interesse pelos temas científicos.
Percebe-se
ainda, uma crescente incorporação nas escolas, de eventos como as chamadas
Feiras de Ciêocias, com ênfase no aspecto da divulgação e popularização da
Ciência.
Em
função de tudo isso, a divulgação científica assume um papel de vital
importância na formação dos joveos cidadãos do século XXI que possuem uma
visão mais ampla e panorâmica do mundo e da vida, o que impõe aos professores
dos espaços curriculares da Área de Ciências da Natureza, Matemática e suas
tecnologias, uma nova visão dos processos de ensino e aprendizagem. Necessitam
assim uma atenção especial às novas descobertas da Ciência e da tecnologia,
que permeiam o cotidiano dos cidadãos dos novos tempos. A divulgação científica
surge, portanto, como um importante veículo para o trabalho do professor nos
espaços de aprendizagem e no âmbito da escola.
A
metodologia do projeto consistiu em:
▪Planejamento
detalhado das atividades.
▪Desenvolvimento
das experiências junto aos alunos e registro do trabalho e motivação dos
grupos.
▪Análise
crítica de todo o processo.
▪Conclusões
e recomendações para trabalhos futuros.
PRESSUPOSTOS
TEÓRICOS
Ciência
e Divulgação Científica
Várias
são as concepções de Ciência. De acordo com Japiassu (1996) é a modalidade
de saber constituída por um conjunto de aquisições intelectuais que tem por
finalidade propor uma explicação racional e objetiva da realidade. Conforme
Mora (2003), a Ciência é uma criação humana que desempenha um papel indiscutível
no processo de civilização, é uma atividade intelectual cujos resultados têm
repercussão em todos os âmbitos da existência. Diz ainda que, em geral,
tem-se a falsa imagem de que a Ciência é uma tarefa desarticulada das outras
atividades humanas. Até o final do século XIX, qualquer pessoa culta podia
ler, da mesma forma que uma obra literária ou filosófica, uma grande variedade
de obras científicas. O conhecimento científico formava uma unidade, um só
corpo, que era conhecido como filosofia natural, e o acesso a esse
conhecimento ocorria verbalmente nas escolas, através da publicação de obras
relativamente acessíveis e através da comunicação textual de cientistas ente
si e com leigos no assunto.
Desde
o início do século XX, e mais precisamente a partir da Segunda Guerra Mundial,
a Ciência, no seu avanço e especializa÷ão, utilizou cada vez menos, termos
da linguagem comum, criando às vezes um léxico hermético, mesmo para
cientistas de outras áreas. No final do século XX, essa comunicação passou a
apresentar um fosso aparentemente intransponível: a linguagem
superespecializada da ciência moderna.
Neste
contexto, a divulgação escrita da ciência tem como objetivo tornar acessível
esse conhecimento superespecializado. Não se trata de uma simples tradução,
no sentido de verter de uma língua para outra, mas de criar uma ponte entre o
mundo da Ciência e os outros mundos. A importância da Ciência, nos dias de
hoje, é inquestionável e a importância dessa comunicação não é menor,
pois ela é o veículo que possibilita ao público leigo a integração do
conhecimento científico à sua cultura que procura explicar, a seu modo, o
mundo que o cerca de uma outra linguagem.
Não
existe uma fronteira bem delineada entre divulgação e ensino convencional.
Podemos dizer que o ensino, ao apresentar conceitos, o faz (ou tenta fazê-lo)
enfatizando o ideal da metodologia científica, ainda que se deva observar que,
com isso, não melhorou necessariamente. A transposição didática, ou seja, a
passagem do conhecimento como produto primário da pesquisa científica para o
conhecimento que vai ser ensinado, deve levar em conta a riqueza dos processos
reais de elabora÷ão do conhecimento primário; caso contrário, a transposição
será uma degradação, podendo ocorrer o mesmo com a divulgação.
A
distinção entre texto científico e de divulgação científica também não
é bem definida. Enquanto a Ciência possui todo um arsenal de técnicas, de
metodologias teóricas e práticas e diversos tipos de linguagem – em
particular, a Matemática, que dá suporte e sentido aos seus conteúdos. A
divulgação precisa, de alguma maneira, prescindir disso tudo e utilizar apenas
ferramentas da linguagem escrita para recriar os conceitos da Ciência,
reproduzir as imagens, utilizar modelos e comparações e, resgatar a essência
do conhecimento científico
Seja
qual for o tema científico, a obra deve despertar prazer no leitor. Por outro
lado, a divulgação deve ser fiel à mensagem científica, no sentido de
transformar sem desvirtuar. Segundo Goldsmith (1986):
O
divulgador da ciência deve ajudar aqueles que não são cientistas a adquirirem
uma maior profundidade, de sorte que também eles possam ser capazes de
desfrutar o poético da experiência científica. Mas, para fazê-lo, o
divulgador científico deve sentir grande simpatia por seus semelhantes. A
divulgação da ciência exige que ela seja compreensível a todos; para que
isso aconteça, o divulgador deve captar as formas de expressão das pessoas e
enriquecê-las.
Uma
parte considerável da divulgação científica é feita pela mídia. De acordo
com Mora (2003), para a maior parte dos jornalistas, o importante é chegar às
massas, e, em geral, eles contam com recursos e habilidade para fazê-lo. No
entanto, para os cientistas, o jornalista costuma deturpar a informação, pois
não tem conhecimento científico especializado. Um outro problema do jornalista
é a sua tendência a fazer de toda informação uma matéria de impacto.
Na
escola, o professor surge como o primeiro divulgador científico na vida do
aluno. Como todo ser humano, o professor tem suas tendências políticas, filosóficas
e científicas. No entanto, não é seu objetivo deturpar a Ciência e sim, de
algum modo, divulga-la. A escola, então, se torna um espaço interessante para
a divulgação da Ciência. Para tanto, o professor de ciências do Ensino Médio
precisa estar habilitado para tal mister. É necessário que, gradativamente,
deixe de lado o cartesianismo fragmentário com suas conseqüências que ainda
permeiam a sociedade e, em particular, os sistemas de ensino.
Como
vimos anteriormente, a LDB 9394/96, em seus artigos 35 e 36, delineia o perfil
de saída do aluno do Ensino Médio especificando a importância da “compreensão
dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando
a teoria com a prática, no ensino de cada espaço curricular. Também enfatiza
que o currículo do Ensino Médio, voltado ao exercício da cidadania, deverá
destacar a educação tecnológica básica e a compreensão do significado de Ciência”.
Os
textos legais
A
Lei 9.394/96 determina a construção de currículos, no Ensino Fundamental e Médio
com uma Base Nacional Comum. Quando a LDB destaca as diretrizes curriculares
específicas do Ensino Médio, ela se preocupa em apontar para um planejamento e
desenvolvimento do currículo de forma orgânica, superando a organização por
disciplinas estanques e revigorando a integração dos conhecimentos, num
processo permanente de interdisciplinaridade. Essa proposta de organicidade está
contida no artigo 36:
...destacará
a Educação tecnológica básica, a compreensão do significado de ciência,
das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e
da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao
conhecimento e exercício da cidadania.
A
Base Curricular Nacional foi organizada por áreas de conhecimento e isto não
implica desconsideração ou esvaziamento dos contextos, mas a seleção e
integração das que são importantes para o desenvolvimento pessoal e para o
estabelecimento da participação social. Esse conceito de organização
curricular não deixa de lado os conteúdos específicos, mas considera que eles
devam fazer parte de um processo global com várias dimensões articuladas. A
reforma curricular do Ensino Médio estabeleceu a divisão do conhecimento
escolar em três áreas: Linguagens, Códigos e suas tecnologias; Ciências da
Natureza, Matemática e suas tecnologias e Ciências Humanas e suas tecnologias.
A organização dessas três áreas tem como base a reunião daqueles
conhecimentos que compartilham objetos de estudo e criam, em função de sua
facilidade de comunicação, condições para que a prática escolar se
desenvolva numa perspectiva de interdisciplinaridade.
Numa
visão interdisciplinar da área de Ciências da Natureza, Matemática e suas
tecnologias, o projeto História da Ciência, com ênfase em divulgação científica,
credencia-se a ser um instrumento aglutinador. Podemos citar como exemplos que
um entendimento atual do conceito de energia, dos modelos atômicos e
moleculares não é algo particular da Física, pois também diz respeito à Química
e fundamental à Biologia Molecular. São conceitos que transitam entre essa e
outras disciplinas e podem também ser interpretados quantitativamente pela
Matemática. A poluição ambiental não é, em particular, um problema físico,
químico ou biológico. Não cabe apenas dentro das fronteiras das Ciências da
Natureza, mas também das Ciências Humanas.
A
investigação e compreensão científica e tecnológica direcionam-se no
sentido da representação e comunicação em Ciência e tecnologia que estão
associadas a Linguagens e Códigos. A contextualização sócio-cultural e histórica
da Ciência e tecnologia associa-se às Ciências Humanas. A História da Ciência
e a divulgação científica criam, então, importantes interfaces com as outras
áreas do conhecimento. O caráter interdisciplinar da História da Ciência não
aniquila o caráter necessariamente disciplinar do conhecimento científico, mas
completa-o, estimulando a percepção entre os fenômenos, fundamental para
grande parte das tecnologias e para o desenvolvimento de uma visão articulada
do ser humano em seu meio.
A
História da Ciência e a divulgação científica possibilitam, então, uma
construção e uma compreensão dinâmica da nossa vivência, da convivência
harmônica com o mundo da informação, do entendimento histórico da vida científica,
social, produtiva do Planeta e do Cosmos, ou seja, é um aprendizado com
aspectos práticos e críticos de uma participação no romance da cultura científica,
ingrediente primordial da saga da humanidade. É um espaço interdisciplinar
estratégico do ponto de vista educacional, pois procura enfatizar a ética
científica, respeitando a humanidade e a sua história, e desta forma,
resgatando o homem no seu sentido superior.
DESENVOLVIMENTO
E PROCEDIMENTOS DO PROJETO
No
quadro curricular estão previstas quatro aulas semanais para o projeto. No início
de cada encontro é feita uma breve exposição teórica do tema em questão. Em
seguida os alunos, divididos em grupos de quatro componentes, dão seqüência
às atividades do dia.
Algumas
das atividades desenvolvidas são:
▪Sessão
Marcelo Gleiser
▪Mural de divulgação científica
▪Produções textuais e internet
▪Elaboração de folhetins de divulgação científica
Sessão
Marcelo Gleiser
Marcelo
Gleiser é um dos principais divulgadores científicos da atualidade. Seus
livros são best-sellers e todos os domingos no Caderno Mais!, do jornal
A Folha de São Paulo, é publicada a sua coluna Micro e Macro onde são
abordados temas polêmicos sobre a Ciúncia como buracos negros, big-bang,
relatividade, pesquisa científica, ética e moral na Ciência, clonagem, meio
ambiente e outros.
No
início de cada encontro semanal um grupo apresenta o tema abordado por Marcelo
Gleiser no domingo anterior. Em seguida acontece um debate com perguntas e
comentários livres. Este é o primeiro contato, mais direto, dos alunos com a
divulgação científica.
O
grupo apresentador tem a responsabilidade de fazer uma pesquisa paralela para
viabilizar o contraponto crítico em função da opinião de outros autores.
Esta atividade tem se mostrado bastante produtiva e coloca os alunos em contato
com temas da Ciência que permitem uma reflexão sobre a construção do
conhecimento científico.
Mural
de divulgação científica
A
cada encontro, fazemos a atualização do mural de divulgação que fica exposto
no saguão da escola. Durante a semana selecionamos nos jornais, revistas e
internet, as matérias que consideramos mais importantes e que são montadas na
forma de papers em papel A4. Esse material fica exposto durante a semana
possibilitando para toda a comunidade escolar um contato com as mais recentes
notícias científicas.
Produções
textuais e internet
Uma
atividade importante é a divulgação científica produzida pelos alunos através
de textos. Vários temas são propostos periodicamente para que os grupos
desenvolvam suas produções em sala de aula. Podemos citar como exemplos: as
telecomunicações no Brasil desde o Segundo Império; o importante trabalho dos
sanitaristas brasileiros como Vital Brasil, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz e Adolfo
Lutz; o aquecimento global e o protocolo de Kyoto; os grandes físicos modernos
e a bomba atômica.
Esta
atividade coloca os alunos, através da pesquisa, em contato com as revistas de
divulgação científica como Superinteressante, Galileu e Scientific American
Brasil, bem como as páginas de Ciência dos principais jornais brasileiros e a
internet.
Os
melhores textos são selecionados e publicados na internet na revista eletrônica
de divulgação científica “Ciclo da Ciência”. Esta revista é produzida
pelos alunos do curso de Licenciatura em Física do CEFET-SP com a colaboração
dos alunos do Ensino Médio. Os textos voluntários também são analisados e
publicados.
A
revista Ciclo da Ciência pode ser acessada pelo sítio www.ciclodaciencia.net.
Elaboração
de folhetins de divulgação científica
No
início de cada semestre, cada grupo escolhe um tema para ser abordado na forma
de folhetim (quatro páginas – papel A4 dobrado ao meio). Cada folhetim tem um
nome e traz na quarta página as referências bibliográficas, os autores e os
créditos relativos à Instituição, o curso, o professor e a turma. No final
de cada semestre é feita uma mostra de todos os trabalhos no mural de divulgação
científica já citado anteriormente. Uma versão, em preto e branco, é
impressa e distribuída na escola. É uma atividade que tem muito sucesso e é
utilizada por professores de outras áreas.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Na
atualidade, a maioria dos programas escolares ainda está fundada no pressuposto
de que os conhecimentos podem ser aprendidos numa ordem lógica predeterminada.
Ou seja, parecem ignorar que a aprendizagem acontece, preferencialmente, como
uma resposta aos desafios do momento da vida do estudante. Sem esses desafios da
vida o pensamento morre. Talvez isto nos de uma pista para compreender o
fracasso das nossas escolas – não há como dar vida a um conhecimento morto.
Ocorre então o esquecimento do que foi supostamente aprendido.
O
ensino voltado apenas para a transmissão de informações e que visa os bons
resultados nos exames vestibulares encontra-se distanciado de uma formação
completa, interdisciplinar, multidisciplinar e abrangente que permita uma
preparação para o acompanhamento das rápidas transformações da Ciência, da
tecnologia e da sociedade em geral.
Num
mundo em que a informação é cada vez mais valorizada, por ser cada ver mais fácil
o seu acesso, cresce o valor de tal formação. Num momento em que a velocidade
das transformações sociais e tecnológicas é alucinante, aprender a aprender
é um requisito que não pode ser descartado pelo cidadão, que necessita ler
bem, tanto revistas, jornais, sítios da internet, como livros, inclusive como
instrumento para uso crítico de outros meios de informação e educação.
Desde
os primeiros encontros do nosso projeto, os alunos começam a tomar contato com
as novas concepções do conhecimento e da Educação, dentro das suas
possibilidades para o atual estágio de maturidade. Vão, gradativamente,
percebendo a importância do “pensar” em lugar do “memorizar”. As produções,
ao longo do ano, mostram a sua evolução e eles percebem a importância da História
da Ciência e da divulgação científica no grande romance da construção do
conhecimento.
O
estabelecimento de parcerias com os professores de outras áreas, além de nos
auxiliar no projeto, mostrou a importância da interdisciplinaridade e da
interdependência entre os seres humanos, elemento importante nas novas concepções
da construção do conhecimento. Tem sido viável compartilhar não só as idéias,
mas também as ansiedades diante das novas situações.
Quando
fiz a descrição de algumas das atividades propostas no projeto, tive a intenção
de mostrar aos colegas professores de Física, Química, Biologia e Matemática
que, independentemente da existência de um espaço curricular específico como
o projeto História da Ciência e divulgação científica, cada um pode, dentro
das suas possibilidades, utilizar um ou vários desses instrumentos, incluídos
no projeto de ensino, nas suas aulas e, de alguma forma, começar a modificar o
ensino tradicional anacrônico por algo mais prazeroso para os alunos,
abrandando assim a repulsa por tais disciplinas.
O
projeto História da Ciência, com ênfase na divulgação científica, para os
alunos do segundo ano do Ensino Médio do CEFET-SP é uma experiência inovadora
e prazerosa e que pode ser incorporada por todos os professores da área de Ciências
da Natureza, Matemática e suas tecnologias, tanto da Rede Pública como da Rede
Privada.
REFERÊNCIAS
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