O
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO:
A REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM DE SI MESMO POR MEIO DE SEUS ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS
Solange
Moraes Barreto Borges
A
presença dos meios de comunicação e das tecnologias de informação na
sociedade diversificou as estratégias de aprendizagem e fez com que os
professores mudassem sua metodologia de ensino, priorizando a leitura crítica
da representação da realidade veiculada nessas mídias. Fazer uma leitura crítica
significa perceber a ideologia subjacente a cada discurso. Entende-se a
ideologia como um sistema de valores, opiniões, representações mais ou menos
explícitas, organizadas para induzir comportamentos ou práticas na sociedade,
ou seja, como um sistema de significação.
As
formações ideológicas têm que ser exteriorizadas, difundidas, assimiladas e
isso só é possível por meio do discurso, pois ele é o ponto de articulação
dos processos ideológicos e dos fenômenos lingüísticos, sendo a
linguagem interação e um modo de produção social[1]. Todo discurso possibilita
a compreensão dos usos da linguagem produzidos na criação, causando um efeito
no receptor, atingindo-o intuitiva e sensivelmente, levando-o a identificar-se e
até alterar-se. Analisar o discurso, então, significa localizar o campo de
constituição do significado e a ideologia presentes no objeto de estudo, neste
caso, o jornal.
Pensar
estratégias de ensino da língua a partir do jornal pressupõe assumir a língua
enquanto enunciação, isto é, assumir não os textos isolados, mas situados
dentro de um suporte que ganha sentido dentro de uma interação, pois os textos
de jornal não são autônomos: dialogam entre si, dependem um do outro e ganham
sentido na relação que se pode estabelecer entre eles.
O
objetivo deste trabalho é mostrar a ideologia presente nos anúncios publicitários
do jornal Folha de São Paulo, veiculados no próprio jornal Folha de São
Paulo, no período entre 1997 e 2004, mostrando como os “valores” vendidos
pela empresa contribuem para persuadir o consumidor, interferindo na sua decisão.
Dessa forma, percebendo o discurso publicitário como um discurso ideológico e
fazendo uma leitura crítica, o leitor pode não se deixar enganar pelo anúncio,
fazendo suas próprias opções de compra. Trata-se de analisar o texto publicitário
em relação à sua situação de enunciação. Isso permite quebrar os esquemas
adotados pelas escolas e levar o aluno a uma atividade de reflexão onde ele
perceba não apenas o texto, mas a sua posição de leitor crítico.
Embora
o jornal seja um conjunto dinâmico de diferentes textos, o publicitário
veiculado nele muitas vezes é esquecido pelo leitor que se prende mais às notícias,
reportagens e crônicas argumentativas. Mas enquanto o leitor supõe que não
percebeu o anúncio, ele está ali, bem próximo, agindo sob seu (in)consciente.
Os
onze anúncios examinados neste trabalho pertencem ao jornal Folha de São Paulo
e divulgam a própria empresa. Por meio da leitura do texto e da imagem presente
em cada um percebe-se que a empresa preocupa-se apenas com um tipo de destinatário:
o formador de opinião. Para que esse destinatário acate e realize o que a
mensagem publicitária está sugerindo, foram adotados recursos retóricos a fim
de persuadi-los.
Esses
recursos são específicos para o convencimento e estão no nível da linguagem
– nas ambigüidades, nos implícitos, nas ironias, no uso dos verbos, na
adjetivação, na força da própria palavra – e no nível da imagem –
exaltando sempre a sua relação com o texto verbal. Usar os recursos retóricos
é usar a comunicação para definir a realidade do modo como se ‘deseja’
que ela seja vista[2].
A
produção publicitária no âmbito jornalístico é complexa e rica em
significações. Dessa forma, torna-se fundamental o papel do professor com seus
projetos de leitura voltados para a formação da cidadania. É ele o mediador,
o orientador da postura crítica do aluno, de modo que a sua visão dos textos
jornalísticos e das imagens não seja de submissão ou de encantamento, mas de
posicionamento crítico.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ABREU,
Antônio Suárez. A arte de argumentar. São Paulo: Ateliê Editorial,
1999.
BRANDÃO,
Helena H. Nagamine. Introdução à Análise do Discurso. Campinas:
Editora da UNICAMP, 1996.
CARVALHO,
Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. 2ª ed. São Paulo: Ática,
1998.
REBOUL,
Olivier. Introdução à Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
VESTERGAARD,
Torben e SCHRODER, Kim.