A CONTEMPORANEIDADE DO TEXTO LITERÁRIO NO JORNAL

 

Elizena CORTEZ
Ângela JUNQUER

Resumo:  A partir da leitura de obras literárias e paradidáticas, relacionam-se os fatos do enredo literário aos que estejam presentes, hoje, nas notícias diárias do jornal. Leva-se o aluno a contextualizar situações presentes no texto literário com a realidade em que vive, estimulando o pensamento crítico. Desta forma, dinamiza-se a leitura de livros literários, uma vez que o livro, como objeto vivo dentro da sociedade, se aproxima mais das pessoas que o lêem e o relacionam com os fatos atuais. Neste contexto de integração da literatura com o texto jornalístico, espera-se levar o aluno a se conhecer melhor e a entender um pouco mais o que se passa no mundo contemporâneo.

Fundamentação Teórica

João Wanderley Geraldi (1996) afirma ser necessário transformar a sala de aula em um tempo de reflexão sobre o já conhecido, para aprender o desconhecido e produzir o novo, proporcionando ao aluno oportunidades de leitura crítica e criativa dos diversos tipos de mensagens. Nesse contexto, os temas da atualidade que se apresentam no jornal são geralmente provocadores de muitos traços de informações, proporcionando contextualizações com os mais diferentes tipos de textos.

Ainda segundo Geraldi, o autor de textos jornalísticos “luta com as palavras” para produzir um significado determinado pelo seu texto, enquanto o autor de texto ficcional, liberado das necessidades verticais da referência ao mundo, “luta com as palavras” para produzir significados múltiplos.

Este trabalho leva o aluno a relacionar esses dois tipos de textos, buscando um significado comum entre eles. O mesmo ocorre com o aluno, segundo César Coll, em sala de aula, uma vez que o educando possui seus próprios modelos ou representações da realidade, e só podemos dizer que entendeu os conceitos quando conseguimos fazer com que ele estabeleça uma ligação com essas representações prévias, que os “traduza” para suas próprias palavras e para sua a sua própria realidade.

Fernando Hernández e Montserrat Ventura (1998) advogam que o aluno aprende melhor quando torna significativa a informação ou os conhecimentos que se apresentam na sala de aula, e que os professores devem ter uma preocupação constante em adequar o seu trabalho à realidade social e cultural contemporânea. O jornal, se for bem explorado, é um suporte que proporciona essa adequação, podendo ser um rico material para contextualização dos diversos tipos de textos.            

O texto jornalístico, por exemplo, ressalta os fatos mais relevantes no momento em que acontecem, condenando-os a uma vida efêmera. Já no relacionamento que o aluno é levado a fazer, ele testemunha que o fato presente no texto jornalístico também está presente no enredo do livro lido, constatando, assim, que a atualidade do jornal é comum ao texto literário, considerado eterno.

Acreditamos, como Hernández, que, para continuar aprendendo, é necessário um conhecimento prévio, mas sua natureza não tem que ser apenas acadêmica, mas pode ser também do senso comum, fruto da experiência cotidiana, ou relacionado com outros conhecimentos organizados, não necessariamente “científicos”.

Finalmente, Philippe Perrenoud diz que “aprender não é primeiramente memorizar, estocar informações, mas reestruturar seu sistema de compreensão de mundo”. O aluno, quando trabalha com a intertextualidade de dois gêneros distintos – literário e jornalístico -, está sendo capaz de conferir novos significados às suas leituras  e cria novos sentidos para sua realidade.

Procedimentos adotados

Espera-se que o aluno escolha e leia uma obra literária  ou paradidática de seu interesse. Após a leitura, pede-se que ele relacione o enredo do livro com fatos da realidade, socializando, em classe, fatos e acontecimentos da obra. Estabelece-se, assim, uma relação entre as notícias veiculadas pela mídia e o texto literário, com o objetivo de aproximá-lo do texto informativo.

Em um segundo momento, é solicitado que o aluno pesquise no jornal uma notícia que esteja relacionada à história do livro. Após a pesquisa, o aluno produz um texto dissertativo em que expressará as idéias e relações que fez a partir das comparações dos dois textos: obra literária e texto informativo, fundamentando, principalmente, as idéias de contemporaneidade.

Referências Bibliográficas

COLL, C. et allii. Os conteúdos na reforma. Ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes, Artmed: Porto Alegre, 2000.  
GERALDI, J. W.. Linguagem e Ensino. Mercado Letras: Campinas, 1996.
 
HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação, Artmed, Porto Alegre, 1998.  
HERNÁNDEZ, F. e VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho, Artmed, Porto Alegre, 1998.
 
PERRENOUD, P. 10 novas competências para ensinar, Artmed, Porto Alegre, 2000.