Manchetes e lides na sala de aula: uma proposta alternativa de leitura

 

Professora Orientadora: Dra. Eliana Viana de Brito
Ilka Rezende Gonçalves Teixeira
Mestrado em Lingüística Aplicada - Unitau -Taubaté/SP

 

INTRODUÇÃO

Este trabalho de pesquisa tem como ponto fundamental uma relação dialética interativa da leitura e escrita, a partir da utilização do Jornal na Sala de Aula como uma abordagem alternativa aos limitados recursos presentes na prática do ensino de leitura, na escola. Esta proposta específica para o ensino de leitura de textos informativos, concentra-se nos gêneros: notícia e reportagem, em especial, aos elementos componentes da diagramação: Manchetes e Lides. A partir da recuperação das informações apresentadas numa seqüência contidas no texto, o aluno será capaz de interagir e construir um todo coerente, numa abordagem de leitura capaz de mobilizar seus conhecimentos-prévios e engajar e motivá-lo numa ação quase lúdica e prazerosa.  

O prazer da descoberta, promovido por esta abordagem alternativa de leitura, envolve uma reelaboração do conhecimento, sempre com a ajuda efetiva dos  professores de diferentes áreas.

É importante que o ensino de leitura de notícias e reportagens faça parte de um projeto interdisciplinar que proponha a leitura dos mais variados textos de circulação social.

Identificar as partes de um jornal, ler, entender as entrelinhas das notícias, analisar e redigir as manchetes, lides, notícias e reportagens a partir da definição dos diferentes gêneros jornalísticos: informativos, interpretativos e opinativos são algumas  das contribuições da leitura do jornal na sala de aula.

OBJETIVOS

NOTÍCIA E REPORTAGEM

leitura da primeira página do jornal, identificar as partes, com os alunos.  

FONTE: Maria Alice Faria, Como usar o jornal na sala de aula, São Paulo,2003, p.98

LEGENDA

1.Nome do jornal                    

2. Relógio

3. Responsável pelo jornal,cidade sede,data,slogan, ano e nº do jornal, endereço e preço   

4. Bandeira

5. Manchete

6.Subtítulo

7.Títulos

8.Chamadas

9.Lide

10.Índice do jornal

11.Dados sobre a edição

12.Serviços

13. Infografia

14.Foto

15.Legenda da foto

16.Agência internacional que comunicou a foto

17.Créditos da foto

18.Caixa ou Box


NOTÍCIA

Definição  

·         Relato de um fato novo que desperta o interesse da comunidade a que o jornal se destina.

·         Narração de fatos ocorridos ou com possibilidades de ocorrer em qualquer setor da atividade humana e que tem importância para o público a que o
    jornal se destina.

·         Informações públicas que se referem a situação atuais e que são divulgadas pelos veículos de comunicação de massa.

·         Matéria-prima com a qual se constrói o jornal.

·         Relato de um fato, de uma idéia ou de uma situa÷ão que esteja, no momento, atuando na comunidade. Relato de um fato, de uma idéia ou de uma
    situação que esteja, no momento, atuando na comunidade.

Características

·         Atualidade, veracidade, interesse humano, importância e conseqüências para a comunidade, imparcialidade, objetividade, concisão.

·         Narração em terceira pessoa

·         Redação clara, concisa e adequada às peculiaridades do veículo que a transmite

Estrutura-padrão

Lide (cabeça): O primeiro parágrafo denomina-se lide, por apresentar um resumo do fato, um relato sucinto dos aspectos essenciais da notícia. Essas primeiras linhas têm o objetivo de dar aos leitores as informações básicas, motivando-os a continuar na leitura.

Corpo: O conjunto dos demais parágrafos denomina-se corpo por oferecer um detalhamento dos aspectos (ou de um aspecto) apresentados no lide. Sendo um arremate da narrativa, o corpo oferece ao leitor uma visão mais ampla do acontecimento, selecionando e oferecendo novas informações, em ordem cronológica ou de importância, de acordo com a natureza e o interesse do assunto.

MATERIAL E MÉTODO

Estratégias  

A notícia responde às seguintes perguntas:

O QUÊ?    QUEM?   ONDE?  QUANDO?  POR QUÊ?  POR ISSO?  COMO?

REPORTAGEM

Definição

·         Relato de um fato novo que desperta o interesse da comunidade a que o jornal se destina.

·         Narração detalhada de fatos ocorridos ou com possibilidades de ocorrer em qualquer setor da atividade humana e que tem importância para o
    público a que o jornal se destina.

·         Informações públicas que se referem a situação atuais ou não, desde que apresentem aspectos que interessem à comunidade.

·         Busca, seleção, redação e publicação de fatos que interessam à comunidade.

·         Notícia em profundidade.

     Características

·         Informações verídicas, relatos fiéis aos fatos e aos depoimentos, afirmações comprovadas, interesse humano, ineditismo, profundidade no
    tratamento do assunto, importância e conseqüências para a comunidade.

·         Narração em terceira pessoa, presença do discurso indireto e direto.

·         Redação clara, precisa, organizada por blocos, com o objetivo de facilitar e estimular a leitura: elaborada num estilo pessoal, reflexo de um
    desempenho lingüístico eficaz e adequado ao veículo que a transmite.

Estrutura-padrão

A reportagem corresponde a um aprofundamento da notícia. Pode ser de caráter:

a)       Expositiva (narração simples e objetiva do fato)

b)       Interpetativa (estabelece conexões com outros fatos ou problemas ligados ao fato que deu origem ao trabalho)

c)       Opinativo ( orienta ou dirige a opinião do leitor, interpretando o fato pela opinião pessoal do repórter ou do jornal).  

 

MATERIAL E MÉTODO

RESULTADOS

Coleta

  1. Identifique e retire, com seu grupo, as reportagens interessantes

  2. Escolha uma e identifique:

 

 

Realização

1.       Você é o repórter. Em grupo, escolha o tema central da reportagem (drogas, DST, família, profissão, ...)

2.       Levante dados sobre o tema em jornais, revistas, livros...

3.       Entreviste pessoas envolvidas na situação

4.       Determine as causas e as conseqüências do problema. Interpretando o fato

5.       Redija a reportagem, se possível, com ilustração (fotos ou desenhos).

6.       Redigir a manchete e o lide.

 

RESUMINDO:

METODOLOGIA

Uma aula de leitura de texto informativo

O ensino de leitura de texto informativo concentra-se na recuperação das informações do texto, apresentadas em seqüência a fim de se construir um todo coerente.

O planejamento da aula de leitura é fundamental para se efetivar a percepção dos elementos significativos, com funções importantes no texto; ativar o conhecimento prévio; elaborar e verificar hipóteses a fim de que o aluno perceba outros elementos mais complexos. O aluno, através de um processo de adivinhação e descoberta do sentido que o autor tentou retratar no texto, deve construir o seu próprio sentido do texto. O professor deve manter o foco da atenção dos alunos e direcionar as palavras de um interlocutor que está distante no tempo e no espaço através da orientação ao aluno na leitura, obedecendo a contextualização do texto e sua atividade do conhecimento prévio.

São considerados elementos de contextualização as manchetes, sub-títulos, lides, imagens e legendas.

O professor deve ajudar o aluno a depreender o tema e a forma como ele é tratado. O título da matéria (manchete) é o primeiro elemento de destaque visual e fornece uma orientação sobre a matéria. (vide 1ª página, p.4)

1.       Manchete:

                         67% acreditam que Serra vencerá

                         O leitor então, faz sua tomada de decisão: ler ou não ler a partir das pistas dadas pela manchete?

                  2.       O sub-título da matéria tem a função de apresentar resumidamente o tema e elabora outras hipóteses que culminará numa idéia bastante precisa do tema de que se trata.

                       Tucano tem 52% das intenções de voto e Marta, 42%.

Diferença é a mesma da pesquisa anterior da Datafolha

A duas semanas do segundo turno,96% dizem que ficarão na cidade para votar, apesar do feriado.

                  3.       A legenda e a imagem apresentam um outro elemento contextualizador gráfico.

                  4.       O lide Abertura de um texto jornalístico. Pode apresentar sucintamente o assunto, destacar o fato principal ou criar um clima para
                           atrair o leitor para o texto. O tradicional responde a seis questões básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê.
    

                  5.       O professor deve aplicar a estratégia do “prestar a atenção” antes da leitura da manchete e do lide e observar os elementos de contextualização do texto com os alunos a partir da ativação do conhecimento prévio e elaboração de hipóteses.

1º) O professor escreve e pede que o aluno leia a manchete e o lide, escritos na lousa.

2º) Perguntar ao aluno que tipo de problema está sendo tratado no texto.

A partir deste problema é que o professor pode começar a prever a discussão:

a)       O que antecede?

b)       Suas conseqüências

c)       Possíveis soluções.

O trabalho do professor é árduo, pois o aluno não tem o hábito de desenvolver as estratégias objetivas de assuntos relevantes. Cabe ao professor selecionar estes assuntos que permitam uma reflexão e debate dos temas sociais propostos nos PCN’s, considerados importantes para a educação e para a cidadania.

CONCLUSÕES

A partir da mudança da prática na sala de aula, no que tange ao ensino de  leitura, é notório que o contato com os diferentes tipos de textos veiculados nos jornais faz com que os alunos comecem a acreditar que são capazes de construir seu pensamento e interagir com o texto a partir da leitura e escrita de textos que fazem parte do seu cotidiano. Acreditar neste sucesso faz com que a competêocia leitora seja uma realidade.

REFERÊNCIAS

BRITO, Eliana Viana. PCNs de Língua Portuguesa: A prática em sala de aula. São Paulo: Arte & Ciência, 2002.  
SILVA, Ezequiel Theodoro: A produção da leitura na escola, São Paulo, Ática, 2003  
FARIA, Maria Alice: O jornal na sala de aula, São Paulo, Contexto, 2001,
Como  usar o jornal na sala de aula, São Paulo, Contexto, 2003.  
KLEIMAN, Ângela B.,  MORAES,  Sílvia E. : Leitura e Interdisciplinaridade: Tecendo redes nos projetos da escola. Campinas, Mercado das Letras, 2001  
BRAIT, NEGRINI E LOURENÇO: Aulas de Redação, São Paulo, Atual,1980  
FOLHA DE SÃO PAULO: Manual Geral de Redação, São Paulo, 1987  
LABORATÓRIO DE REDAÇÃO: Ministério de Educação e Cultura, MEC/FENAME, Rio de Janeiro, 1978