Mônica Salles Gentil - Instituição:
Universidade Estadual de Campinas - Unicamp
“Ninguém resiste à tentação
de saber o que se esconde dentro de algo fechado – seja a sabedoria
do bem e do mal no fruto proibido, seja a caixa de Pandora, seja o quarto
do Barba Azul. Mas, para isso, é preciso saber que existe algo
lá dentro. Se ninguém jamais comenta sobre as maravilhas
encerradas, a possível abertura deixa de ser uma porta ou uma tampa
e o possível tesouro fica sendo apenas um bloco compacto ou uma
barreira intransponível.”Ana Maria Machado
O objetivo desse trabalho
O objetivo desse trabalho é apresentar um relato do que venho desenvolvendo
com professores em formação buscando (re)aproximá-los
da literatura infanto-juvenil com o intuito de auxiliá-los em seus
futuros trabalhos, quando, espera-se que, como professores, exerçam
os papéis de indicador de leituras, de modelo de leitor e de leitor
que compartilha impressões, sentimentos etc. sobre o que lê.
Escola e literatura -uma relação que se
estabelece há anos, mas de que forma?
Quando se fala de literatura na escola, pensa-se logo no professor de
português. A ele parece caber a responsabilidade de introduzir o
aluno no universo literário. E mais: deve fazer com que aprecie
e permaneça freqüentador desse universo. Mas será que
sempre foi assim? Será que deve ser assim?
Em outros tempos a igreja católica era quem indicava os livros
a serem lidos: aqueles que não constassem da lista de livros proibidos
para leitura, o Index. O Index Librorum Prohibitorum foi criado em 1559
pela Igreja Católica Romana com o objetivo de prevenir a leitura
de obras que tivessem erros teológicos ou fatos imorais e foi editado
até 1948 com as atualizações que a Igreja achava
necessárias. Fato relembrado recentemente pelo comentário
de uma pessoa do Vaticano sobre o livro de Dan Brown, “Código
da Vinci”, que buscou dizer aos fiéis que esse não
era um livro adequado para leitura dos mesmos.
Em outros tempos também, a família era uma fonte de referência
sobre o que ler. Pais e familiares indicavam ou proibiam livros para seus
jovens e suas crianças.Com as mudanças ocorridas na sociedade
e, conseqüentemente, nas relações entre familiares
e entre as pessoas e as instituições religiosas, em que
houve perda de poder e de espaço para indicações
como as que ocorriam, o discurso mudou: agora cabe, principalmente, à
escola e ao professor de português esse papel de indicador de leituras.
Até mesmo algumas campanhas de incentivo à leitura incorporaram
tal discurso. Em 1988, a Câmara Brasileira do Livro e a Associação
Paulista de Fabricantes de Papel e Celulose lançaram na mídia
impressa uma campanha incentivando a leitura com várias peças.Em
um deles, ao lado de uma foto de um garoto de costas, o texto: “P.J.
14 anos. Descobriu tudo com a professora.”, em seguida, em letras
menores: “Foi num dia desses, durante uma aula. No começo
ele pensou que era mais uma obrigação para passar de ano.
Até que começou a leitura. Uma, duas, dez páginas,
um livro inteiro...”. Atualmente houve uma pequena mudança
que pode ser vista na campanha do governo federal de incentivo à
leitura que enfatiza o hábito familiar de ler como bom exemplo
(uma criança, que é atriz de novela, lê o texto enquanto
a imagem mostra um pai e um filho sentados no sofá lendo) e também
no livro de Pennac, que entre outras coisas retoma a importância
do ato de ler para o filho: “Ora, este prazer está bem próximo.
Fácil de reencontrar. Basta não deixar os anos passarem.
Basta esperar o cair da noite, abrir de novo a porta do seu quarto, nos
sentarmos à sua cabeceira e retomarmos nossa leitura em comum.”(1998:56).
No entanto, essa “nova” postura não elimina a responsabilidade
colocada sobre a escola na formação de leitores, fato sempre
relembrado quando o assunto é a má formação
dos jovens que prestam vestibular ou concursos e a impossibilidade deles
de compreender o que lêem.
A questão é que para além de discursos ou propagandas,
vários fatores marcam o modo como se estabelece a relação
entre jovens/crianças, literatura e escola: as condições
estruturais da escola (ter ou não biblioteca e funcionário
que a mantenha aberta); o posicionamento político pedagógico
de professores e diretores ( “Levar aluno à biblioteca é
complicado, dá trabalho.” / “Esses livros são
novos, então não vamos colocá-los nas mãos
dos alunos porque vão estragá-los.”/ “Não
tem bibliotecário? Eu anoto o que os alunos retirarem.”/
“Se a biblioteca está em reforma eu levo os livros para a
sala.”); o conhecimento do professor (conhece ou não as obras
literárias que podem ser de interesse de seus alunos?Conhece os
últimos lançamentos das editoras?); o incentivo dado ao
aluno (como afirmou Ana Maria Machado, é preciso mostrar que pode-se
encontrar coisas interessantes em um livro); e além disso, as condições
de vida (tanto do professor quanto do aluno).
Muitas vezes a única forma através da qual um jovem ou uma
criança tem contato com os textos literários é pelos
livros didáticos, que na sua maioria apresentam apenas fragmentos
de textos.Primeiramente pode-se criticá-los por isso, pois o ideal
seria que o aluno tivesse acesso ao texto integral e em seu suporte (o
livro), no entanto, sem deixar de desejar o ideal, temos de considerar
que isso pode ser a porta de entrada para o universo literário...dependendo
da forma como será tratado. Caixa de Pandora a ser aberta ou exercício
a ser feito? Na maioria das vezes, exercício a ser feito.Tais trechos
de texto são sempre seguidos de exercícios que envolvem
a compreensão e interpretação dos mesmos, uma prática
escolar comum e adequada para estar presente em um livro didático
e nesse espaço (a escola) e prática incomum, ou inexistente,
fora dele seja referente a textos literários ou outros (ex. jornal).Infelizmente,
o que vemos na escola é que esse tipo de atividade se estende também
sobre os livros literários quando presentes no trabalho da disciplina
de Português.
Na escola, a introdução do trabalho com livros paradidáticos
– nos quais se incluem os de literatura já que paradidático
é todo material usado com fins didáticos –, quando
os livros didáticos apresentavam pseudos-textos (textos criados
pelos autores dos livros didáticos para tratarem de determinados
conteúdos e que, portanto, não circulavam fora dos mesmos),
teve um papel importante. Era o contraponto necessário à
falta de textos de qualidade e de circulação social dos
livros didáticos.Agora, nem tudo deu certo com esse tipo de trabalho.
“Eu odeio paradidáticos” é o desabafo de um
aluno de 5ª série indagado sobre o prazer de ler, segundo
Vilar (2001).A partir dessa frase a autora tece considerações
a respeito do tipo de trabalho que vem sendo realizado atualmente com
os paradidáticos. Podemos afirmar que o trabalho escolar com livros
literários no lugar de aproximar os alunos da literatura tem é
os afastado da mesma, já que é algo que tem, geralmente,
como função apenas compor a nota final do bimestre através
de fichas de leituras e provas sobre o conteúdo do livro.
Segundo Silva, a ficha de leitura “redundante e enfadonhamente utilizada
na área da literatura, ao longo da trajetória acadêmica
dos leitores, esse mecanismo acaba por fixar a idéia de que fruir
o texto literário é elaborar a ficha encomendada pelo professor”
(1998:61).Além das fichas de leitura feitas pelos professores há
ainda aquelas feitas pelas editoras e que, muitas vezes, acompanham os
livros de literatura... João Carlos Marinho, autor de “O
Gênio do Crime”, um dos livros mais lidos por adolescentes
na escola, ao ser questionado por uma professora sobre porque tal livro
não vem acompanhado de uma ficha de leitura, respondeu: “O
método ideal de exercício surge sempre da conjunção
do modo de ser do professor com o modo de ser da classe, coisa personalíssima
e que uma ficha de leitura não pode prever”.
Como mudar a relação de professores e de alunos com os livros
de literatura? Como (re)aproximá-los da literatura? Como torná-los
leitores de textos literários? Destaco a questão do tipo
de texto, o literário, pois afinal leitores de outros tipos de
texto geralmente os jovens já o são, como por exemplo de
mangás, textos presentes na internet etc.Uma possibilidade, e é
a que defendo, é a utilização do conceito de experiência
de Benjamin, re-apropriado por Kramer, pois com ele se ultrapassa as provas
e as fichas de leitura.A esse conceito a autora contrapõe outro
do mesmo filósofo, o de vivência, que não ultrapassa
o momento do vivido. Segundo Kramer (1999:106), “na experiência,
a ação é contada a um outro, compartilhada, se tornando
infinita. Esse caráter histórico, de permanência,
de ir além do tempo vivido e de ser coletiva constitui a experiência”.Esse
seria o ideal, a leitura de textos literários ser compartilhada
(e não cobrada pela escola), ultrapassar o momento e o muro escolar,
tornar-se parte do sujeito que fora da escola vive, convive e diz sobre
o que leu ao achar que faz sentido (e não porque o professor perguntou
ou porque precisa de nota).Por que não deixar as atividades de
interpretação e compreensão de textos nos moldes
dos livros didáticos circunscritos a eles? Por que não dar
espaço na escola a partir da leitura de textos literários
para a leitura-fruição?
Segundo Geraldi, a “leitura-fruição do texto”
pode “recuperar de nossa experiência uma forma de interlocução
praticamente ausente das aulas de língua portuguesa: o ler por
ler, gratuitamente. E o gratuitamente aqui não quer dizer que tal
leitura não tenha um resultado. O que define esse tipo de interlocução
é o ‘desinteresse’ pelo controle do trabalho”
(1997: 98-99).Não que a escola deva tratar apenas desse tipo de
leitura, mas que dê espaço a ela também além
das demais formas de leitura (busca de informação, estudo
do texto, pretexto, também citadas pelo autor).
“As histórias que líamos para ele formigavam (...).
Ele retornava mudo dessas viagens. De manhã, passávamos
a outras coisas. Para dizer a verdade, não procurávamos
saber o que ele havia ganho, por lá. Ele, inocentemente, cultivava
esse mistério. Era, como se diz, seu universo. Suas relações
particulares com Branca de Neve ou com qualquer um dos sete anões
eram da ordem da intimidade, que exige segredo. Grande fruição
do leitor, esse silêncio depois da leitura!”(Pennac, 1998:19-20).
Sendo a leitura tomada como experiência ou fruição,
por que ficar a cargo apenas do professor de português? Afinal,
o interessante é que todos sejam leitores. O texto literário
por suas características não é apenas algo que proporciona
uma viagem (imagem sempre associada à leitura) ou aulas de português,
mas também reflexões sobre o ser humano, suas relações
com outros seres humanos, sobre o mundo.
Ler por prazer, gratuitamente, mas o quê? Quando se é criança
ou jovem, quando nunca se teve acesso a livros literários, como
escolher? Ler coletivamente por prazer, mas quando? Ler para o outro,
mas para quem? Aqui entra o professor: como o de indicador de leitura,
o incentivador, o leitor que compartilha o que leu.
O (re)encontro com a literatura infanto-juvenil
Alunos hoje, professores amanhã. Quais as implicações
de tal mudança de papéis? Muitas, mas a que será
apresentada aqui é a de leitor que recebe dicas de livros para
a de leitor que deve dar dicas de livros.Note-se que são leitores
tanto em um papel (aluno) quanto no outro (professor), sujeitos que mudam
de papéis, mas devem permanecer leitores.Como lidar com essa mudança?
Como fazê-los perceber que no papel de professor o que dizem ou
indicam passa a ter um peso diferente? Como trabalhar com esses alunos
que ao final de sua disciplina terão o diploma que lhes confere
poder para o papel de professor? Como auxiliá-los nessa mudança?
Como professora de alunos do último semestre do curso de Letras
me vi com esses questionamentos (e muitos outros que não cabem
aqui) e decidi sugerir que cada um deles, durante o semestre, lesse livros
de literatura infanto-juvenil e fizesse, ao final, um texto escrito contendo
informações sobre como chegaram aos livros lidos e uma sinopse
dos mesmos. Ao sugerir a leitura de livros infanto-juvenis não
quis com isso afirmar que adolescentes e crianças devam ler apenas
esse tipo de livro, pois não acredito em tais qualificações,
que mais restringem do que qualificam (no bom sentido). Mas tive a intenção
de fazer com que os alunos saíssem das leituras dos livros clássicos,
consagrados, de “adultos” e “sérios” que
vêm fazendo ao longo do curso de Letras.
Um dos maiores atrativos da atividade que foi proposta
para este trabalho foi a vigem no tempo. Depois de quase cinco anos fazendo
leituras tão canônicas, foi uma grande felicidade poder conciliar
uma tarefa para a disciplina de didática com o prazer de leituras
que não fazia há tempos.Era como se nós, tão
sobrecarregados de trabalho e nos preparando para o início do trabalho
na docência, pudéssemos voltar a uma fase em que as maiores
preocupações eram com as provas de matemática, verdadeiro
terror de um sem número de crianças e adolescentes. M.
Na universidade, não temos muito tempo para este
tipo de leitura e já estava começando a sentir falta desses
livros (com histórias de bruxas, fantasmas e vampiros). G.
Com a oportunidade acadêmica de buscarmos livre
escolha de leituras, resgatei a vontade de ler um livro em obrigação
e prazer ao mesmo tempo. E tomar coragem, espantando desculpas de não
haver tempo suficiente, para ler o que realmente sempre me importou: os
clássicos importantes de minha história, que por sua vez,
também é da nossa história de leitura. E desse jeito
foi ler Pollyana ( Eleonor H. Poter), um reconhecimento, um encantamento,
uma delícia...Visões de futuros trabalhos e discussões
a respeito da obra. Dois olhares se cruzaram enquanto estive a devorar
o livro: o meu olhar para mim e o meu olhar para o outro, minha leitura,
e a minha leitura para o outro, como trabalhar o livro em sala de aula.
My.
Surpresa, assombro, estranhamento por parte dos alunos
com a proposta. Questionamento (feito várias vezes durante o semestre):
Qual é o objetivo desse trabalho, professora? Explicação:
O objetivo é fazer com que vocês se re-aproximem da literatura
que, provavelmente, sugerirão a seus alunos.
Então, iniciei o trabalho sem saber que Carvalho (2002:7-8) já
defendia que “se desenvolva uma pedagogia da leitura nos currículos
das licenciaturas, pois os licenciandos de hoje, às voltas com
suas próprias dificuldades, terão em breve a responsabilidade
de fazer com que crianças e jovens usem a leitura e a escrita dentro
e fora da escola para fins sociais de comunicação, expressão
pessoal, busca e registro de informações e ainda para a
fruição da literatura como experiência estética.”
Ao final do trabalho, satisfação tanto da minha parte quanto
da parte dos alunos-futuros-professores. E também revelações...
Alguns dizeres dos alunos...
Através do depoimento dos alunos pude perceber,
entre outros fatores, que:
a) a universidade não considera os livros infanto-juvenis
como considera as demais obras presentes em suas bibliotecas. Os alunos
relataram sobre a bagunça em que se encontram tais livros nas poucas
bibliotecas que os possuem ( estão “jogados” em prateleiras
ou mesas nos fundos das bibliotecas, sem ordem, alguns sem capa) e o fato
de que não há livros novos, apenas os mais antigos.
Fui à biblioteca (...) e encontrei uma grande quantidade
de livros infanto-juvenis, mas muitos deles antigos ou adaptações
extremamente resumidas de clássicos.R.
b) muitos alunos buscaram ler textos que haviam lido na
infância e se surpreenderam com o que encontraram.Alguns disseram
que o livro lido era realmente bom, mas só agora compreendiam isso;
outros se decepcionaram e se questionavam sobre como podiam ter gostado
de tais livros quando eram crianças ou adolescentes.
Quando eu tinha uns 8 anos de idade, eu lia muito esse
livro (Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias . Ruth Rocha).
Simplesmente adorava!Acho que o motivo de gostar é principalmente
pelo fato de me identificar muito com as histórias das crianças.
A.
Eu me lembro que esse livro( A fada que tinha idéias)
“ caiu nas minhas mãos”, assim como muitos, quando
eu tinha mais ou menos oito ou nove anos. A minha irmã mais velha
precisava lê-lo por indicação de sua professora e
eu acabei me intrometendo na história, como sempre, e me aventurei
pelo mundo dessa fadinha tão cativante. C.
Este livro ( Robson Crusoe.Adaptado por Paulo Bacellar
da obra de Daniel Defoe) através do meu irmão, o qual sempre
gostou dessas histórias de aventura.De tanto ver ele ler e reler
esse livro, resolvi lê-lo também. C. B.
Quando li esta obra (É proibido miar. Pedro Bandeira)
na sexta série eu não gostei, porém após a
realização da habitual prova, percebi a presença
das questões de preconceito e diferenças. Hoje , conhecendo
a importância destas questões, utilizaria esta obra para
realização de uma discussão com os alunos. L.
Foi aos 8 anos que conheci Marcelo. E Terezinha. E Gabriela.
E Carlos Alberto... e tantas crianças, até eu mesma! Li
o livro Marcelo, marmelo, martelo (Ruth Rocha) que conta a história
do menino que gostava de inventar nome: criava palavras novas, conforme
achasse mais adequado nomear as coisas. (...)Uma pena é que minha
mãe tinha por costume doar os livros que já havíamos
lido para a biblioteca municipal da cidade, portanto, já não
o tenho.Mas, com certeza, será um dos livros que ainda pretendo
adquirir, para que minha filha também o leia! F.
Geralmente o que faz um leitor ler alguma obra geralmente
é a leitura obrigatória ou a curiosidade em saber mais.
Digo isto porque geralmente faço isto e não quero generalizar
para outros leitores. O que me levou a fazer a leitura do livro infanto-juvenil
“A coragem de crescer” (M. Dinorah) foi uma leitura obrigatória
quando eu estava na oitava série. Naquela época eu havia
achado o livro interessante, no entanto, por ser obrigatório, eu
associava o livro com a escola e perdia o interesse em lê-lo novamente.
O tempo foi passando e o livro empoeirando na prateleira. NO entanto,
quando freqüentei esse curso de Didática aplicada ao Ensino
de Português, as leituras que a professora fazia em sala de aula
bem como o incentivo e as explicações que ela transmitiu
a cerca da leitura, fizeram com que eu revisse meus conceitos acerca dos
livros que eu tinha deixado de ler. Assim, reli o livro que tinha gostado
na oitava série mas que não conseguia relê-lo por
causa dos preconceitos. M.
c) algumas séries antigas de livros ainda são
lembradas e buscadas por alunos e professores.
Recordo que em meu ensino fundamental não recebi
indicações a respeito desses autores ou da coleção
(“Para gosta de ler”). Naquele tempo, as aulas, de modo geral,
eram baseadas, sobremaneira, em exercícios existentes em livros
didáticos. Gs.
A minha escolha por esse livro ( O rapto do garoto de
outro. Marcos Rey. Ática, 2001) foi baseada na minha experiência
como leitora. No ensino fundamental entrei em contato com a série
Vaga-Lume, indicada por professores, e de todos os livros que eu li dessa
série, os meus prediletos eram os livros policiais.Gl.
Eu perguntei a duas professoras, uma de 4ª série
e outra professora de português da 5ª e 6ª série,
quais os livros que, recentemente, elas haviam trabalhado em sala de aula.
Ambas falaram de alguns livros da Série Vagalume. Eu então
me lembrei que, o primeiro livro propriamente “juvenil” que
eu li foi, justamente, A Ilha Perdida (Maria José Dupré),
também da Série Vagalume. Algo que eu me lembro deste livro,
da primeira vez que o li, é que eu o achei extremamente denso e
com um enredo que me deixava nervosa por não saber o que aconteceria
com aqueles dois meninos durante sua aventura. Em primeiro lugar, escolhi
ler este livro novamente porque parece ser um livro que ainda é
bastante lido nas escolas. Mas também, porque quis me lembrar da
história com a qual eu me envolvi tanto. K.
“Os barcos de papel” é um título
que faz parte da célebre Série Vaga-Lume, tão difundida
e lida entre os estudantes nos meus tempos de aluna no antigo primário.
Se fizermos uma pesquisa entre os alunos dos cursos de licenciatura, por
exemplo, dificilmente alguém responderá que não leu
“A ilha perdida”, “Menino de asas”, “Tonico”
e “O escaravelho do diabo”, o que demonstra os caminhos pelos
quais passa a história de leitura de cada um. M. C.
d) os motivos que geraram as escolhas foram diversos.
Dos vários livros que li e estudei para compor
este comentário, o romance em questão (A visitação
do amor – uma história mágica em dó maior.
Jorge Miguel Marinho, Contexto, 1978)foi o que mais me sensibilizou como
empolgante e bem feita obra de arte, pois não é outro o
critério-mor que me leva à leitura de livros, e imagino
que um(a) jovem de seus 15 anos igualmente não se deixará
envolver por obras de rematada tolice ou puro senso comum, como certos
livros de escrita fácil ou indecorosa que sequer podem ser qualificados
como obras de literatura. An.
Acreditando que um dos papéis da literatura é
ajudar o homem na elaboração de suas emoções,
sentimentos e visões de mundo, esta obra ( Peter Pan.J. M. Barrie)
pode trazer às crianças uma contribuição muito
rica neste sentido. L.
Nos dois trabalhos anteriores sobre livros infantis, escolhi
o que mais havia marcado positivamente minha vida e o que o fizera negativamente
também.Gz.
Este ( O menino maluquinho. Ziraldo) é, com certeza,
um dos livros que mais marcou minha infância. Meu irmão ganhou-o
dos meus pais e eu li-o tantas e tantas vezes que, ao deparar-me com ele
novamente, ainda me lembrava de quase tudo. E a escolha deu-se por isso.
Ag.
Em um primeiro momento ao iniciar este trabalho pensei
em escolher os três primeiros livros que eu havia lido durante minha
pré-adolescência, no entanto, refletindo, cheguei à
conclusão que deveria escrever sobre algo que interessasse meus
futuros alunos e na minha opinião não creio que os pré-adolescentes
de hoje interessariam-se pelo livro: “Meu pé de laranja lima”,
talvez a minha opção por não escolher esse livro
tenha sido a minha grande sensação de “......”
ao lê-lo, pois desde o dia em que o li pela primeira vez, há
mais de quinze anos trás, nunca mais consegui abrir novamente suas
páginas, talvez o leia novamente algum dia para incluí-lo
na lista dos “Livros que nunca devem ser indicados para estímulo
à leitura”. M. V.
Histórias sobre bruxas, fantasmas e vampiros são
meus favoritos desde a infância. Minha avó foi a responsável
por esta escolha.(...) Ela me dizia que as bruxas eram sempre malvadas,
perigosas e que eu devia ficar longe delas, pois elas existiam de verdade.
Quanto mais ela tentava me amedrontar, mais interessada eu ficava e as
fadas foram perdendo a graça para mim.G.
Conclusão
Tornar-se leitor, torná-los leitores, manter-se no universo da
leitura literária, mantê-los no universo literário,
eis um dos desafios que constitui o profissional professor. Independente
do livro didático que se usa (ou não), das atividades que
se faz ( que possibilitem a descoberta do quarto do Barba Azul ou que
promovam apenas cópias e respostas sem graça), de ser professor
de português ou de outra área, o importante é buscar
como professor manter-se leitor para, pelo compartilhar dos conhecimentos,
das sensações e impressões provenientes da leitura,
iniciar com seus alunos a trajetória infinita pelos caminhos que
levam às cidades invisíveis, ao triste fim de Policarpo
Quaresma, à alegria de Branca de Neve quando casa-se com o príncipe,
às aflições dos três porquinhos fugindo do
lobo, às aventuras de um certo Capitão Rodrigo, a cem anos
de solidão, às flores do mal, às montanhas de Drummond
ou à seca de Raquel de Queirós, ao mar morto, a conhecer
Manuelzão e Miguilim ou as confissões de Leontina, os três
ursos e Cachinhos Dourados, Emília, Narizinho, Capitu, Heatcliff,
Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa, Romeu e Julieta, Riobaldo
e Diadorim...
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