Rachel Lemos de Melo Alves Martins – (FAP)
Rosiane Maria de Carvalho Schatz – (FAP)
Rosimeiri Darc Cardoso – (FAP)
Tendo em vista que as séries iniciais exercem papel
fundamental na formação do indivíduo, desenvolveu-se
um projeto de pesquisa com o objetivo de levantar as práticas realizadas
na sala de aula com o texto literário e os resultados alcançados.
Verificou-se que esta atividade tem sido desenvolvida na contramão
da formação do gosto e do prazer de ler, sendo utilizada
para preencher horas vagas ou realizar estudo de texto. Diante disso,
foram apresentadas sugestões para enriquecimento do trabalho com
a literatura infantil, considerando principalmente a necessidade que a
criança tem de cultivar o imaginário e vivenciar novas experiências
a partir das leituras realizadas.
Considerações preliminares
A abordagem do texto literário no Ensino Fundamental
vem sendo motivo de preocupação por estudiosos e docentes
que nele percebem um rico instrumento para a formação do
leitor e do cidadão crítico. Tal preocupação
pode ser notada uma vez que pesquisas têm demonstrado que esse tipo
de texto, artístico, plurissêmico, repleto de indeterminação,
é, de forma bastante comum, tratado como simples texto funcional,
utilitário, que serve apenas para “ensinar” conteúdos
pedagógicos e bom comportamento, o que é muito pouco para
a riqueza do literário que, antes de tudo se apresenta sem qualquer
função pré-determinada.
Entendendo que o professor das séries iniciais tem uma grande influência
na conduta posterior dos alunos, pensou-se em criar um projeto para suprir
uma deficiência que vários profissionais dessa etapa da escolaridade
encontram: trabalhar com a literatura de forma lúdica, prazerosa,
de sorte que os alunos possam levar para as séries posteriores
o gosto pela leitura do texto literário.
Essa é a preocupação desse projeto, cuja relevância
em seu enfoque social está em abarcar, de fato, duas frentes. Uma
primeira oportunizando às acadêmicas do Curso Normal Superior
da FAP , participante do projeto, uma formação teórica
mais aprofundada visto que na primeira etapa do trabalho concentrou-se
no estudo de autores renomados que discutem sobre a problemática
do ensino da literatura. Num segundo momento, as acadêmicas tiveram
a oportunidade de confrontar a teoria com a prática, quando foram
pesquisar nas escolas, como se dá o encaminhamento da leitura literária
no Ensino Fundamental, o que lhes possibilitou a formação
de um juízo crítico do assunto, de grande utilidade para
sua atuação futura.
Além disso, o resultado da pesquisa possibilita uma parceria com
o Departamento de Educação Municipal, através de
grupos de estudo e assessoria aos professores municipais, o que se apresenta
como uma contribuição da academia à comunidade.
Assim, o projeto foi idealizado em quatro etapas: o trabalho com textos
teóricos para fundamentação do assunto; pesquisa
nas escolas; elaboração das atividades para trabalhar com
o texto literário e realização das oficinas. Este
trabalho tem, pois, por objetivo apresentar um relato da pesquisa realizada,
que se encontra em sua quarta etapa, realização das oficinas.
A literatura infantil e a escola
Quando se trata de literatura infantil, uma série
de aspectos devem ser observados, visto que a literatura assim adjetivada
teve suas origens vinculadas à aceitação da criança
como um ser em formação e não mais um adulto em miniatura.
Tal fato refere-se diretamente aos acontecimentos do século XVIII,
mais especificamente à ascensão da classe burguesa, que
levou a uma reformulação da escola em função
do novo papel conquistado pela criança na sociedade.
É nesse momento, em que a criança passa a ser vista como
um indivíduo em pleno desenvolvimento, que surge a necessidade
de criar objetos, tanto industrializados quanto culturais, voltados ao
seu interesse. Ela passa a freqüentar a escola e a partir daí,
os laços entre literatura e escola, começam.
A escola, por alfabetizar a criança, habilita-a para o consumo
de obras impressas, colocando assim, a literatura, de um lado, como intermediária
entre a criança e a sociedade consumista, e de outro, como atividade
pedagógica da escola, sendo utilizada com uma função
extremamente utilitária. Zilberman (1982, p.22) afirma que a literatura
infantil “assume traços educacionais, fazendo-se útil
à formação da criança e capturando-a efetivamente
ao transformar o gosto pela leitura numa disposição para
o consumo e para a aquisição de normas”. A autora
destaca também que a importância da literatura infantil está
na sua duplicidade: sob a ótica do adulto, ela assume caráter
pedagógico; sob o ponto de vista da criança, transforma-se
num meio de acesso ao real.
Infelizmente, esta função utilitarista da literatura não
se extinguiu com o passar do tempo. Ainda hoje, muitos professores utilizam
a literatura em sala de aula com esta finalidade, ensinar aos alunos bons
comportamentos ou avaliá-los posteriormente, como afirma Bragatto
Filho (1995, p.14), “(...) a escola (...) de primeiro grau, reserva
ainda à literatura, um papel equivocado, o de ser, acima de tudo,
um instrumento de aperfeiçoamento lingüístico, ou ainda
o de modelador de comportamento”.
Candido (1972) afirma que a Literatura permite ao homem conhecer o mundo,
os seres, ajudando-o a formar sua personalidade, satisfazendo suas necessidades
de fantasia e imaginação, proporcionando, assim, uma compreensão
do mundo e um crescimento interior. Esta concepção não
se restringe ao leitor adulto, antes, encontra no leitor mirim uma maior
receptividade em função de sua necessidade de realizar novas
descobertas.
A criança, para Piaget, apodera-se de um conhecimento quando “age”
sobre ele, pois aprender é modificar, descobrir, inventar. Quando
há o despertar de emoções, as crianças estão
vivenciando, no mundo da imaginação, as experiências
narradas e isso faz com que haja desenvolvimento.
Segundo Cadermatori (1986), as personagens e os conflitos presentes nas
histórias infantis fazem parte do imaginário e desempenham
um grande papel no equilíbrio emocional da criança, ou seja,
através do prazer ou das emoções que as histórias
proporcionam, os simbolismos usados agem no inconsciente infantil, favorecendo
a resolução de conflitos interiores, o que contribui para
a aprendizagem e sua compreensão do mundo.
Em função dessas questões, Zilberman (1982) salienta
que o papel do professor vai além de ensinar as crianças
a decodificar a escrita, ler corretamente. É necessário
ensiná-las a compreender o texto e perceber os temas e indivíduos
que surgem em meio à trama ficcional. Com isso, ela cria condições
de entender o seu mundo interior, familiar e, portanto, torna-se uma pessoa
crítica capaz de compreender o que acontece ao seu redor.
Bragatto Filho (1995, p.13) destaca que, em função das particularidades
dos anos iniciais do ensino fundamental, o professor necessita de uma
compreensão mais clara e objetiva em relação ao trabalho
com o texto literário e justifica:
grande parte dos docentes desse grau de ensino (...) não
possui formação específica em Letras, (...). O que
desejamos é tratá-la (...) de uma maneira acessível
à maioria dos nossos docentes-leitores e contribuir para que eles
solidifiquem uma base de entendimento do que seja texto literário
e que, (...) o trabalhem, pedagogicamente em sala de aula, de acordo com
o seu modo próprio constitutivo.
Assim, o que se pretende é apresentar a especificidades
do texto literário destinado às crianças, de modo
que os professores possam apresentar suas atividades sem descaracterizar
a essencialidade da literatura. Comungando com a mesma posição,
Carvalho (1995) afirma que a literatura infantil cumpre uma função
social que tem como base o princípio de que ela deve representar
a ponte que vai integrar a criança ao mundo real dos adultos. A
autora prossegue: “Isso parece ser incontestável, visto que
esse público ainda em formação cognitiva, afetiva
e social prescinde de obras que lhe mostrem realidade, mas é preciso
que essa realidade lhe seja apresentada esteticamente, para que não
signifique apenas a transmissão de verdades instituídas
ideologicamente enquanto modelo a seguir. (p.119)
Muitas outras questões podem ser tratadas no que se refere à
ligação entre literatura infantil e escola, mas um fator
também importante está na caracterização do
público a que ela se destina. Destinada às crianças,
a literatura infantil constrói-se numa base assimétrica,
isto é, é produzida e comercializada pelos adultos, mas
tem como foco atingir o leitor mirim. (CADERMATORI, 1986) Verifica-se,
portanto, uma diferença substancial quanto à própria
criação da narrativa, já que o narrador desses textos,
nem sempre, posiciona-se como a criança. O resultado dessa questão
está nas inúmeras obras que não conseguem atingir
o leitor e tornam a leituras cansativa e cheia de ensinamento.
Ainda nessa relação, há de se considerar questões
como currículo escolar e alfabetização. Não
há dúvida que a alfabetização é o primeiro
passo para que a criança possa se tornar um leitor crítico,
e que a literatura infantil oferece uma infinidade de textos que podem
tornar esse trabalho mais agradável. Entretanto, estreitar a plurissignificação
do literário em função da escrita é reduzir
um objeto artístico em utilitário.
A pesquisa nas escolas
O segundo momento do projeto aconteceu com as visitas
às escolas para realização das entrevistas com as
professoras das séries iniciais. Foram visitadas três escolas
de porte médio da cidade de Apucarana (Pr) que se localizam em
bairros distintos. Torna-se interessante ressaltar que Apucarana é
também conhecida na região como “Cidade Educação”,
haja vista a implantação do período integral para
o Ensino Fundamental e os esforços empreendidos pela administração
municipal em oferecer à comunidade uma educação com
qualidade.
Com isso, as alunas que participam do projeto foram bem recebidas nas
escolas e os professores ficaram confiantes de que receberiam um retorno
que além de apontar as dificuldades traria também possíveis
soluções por meio das assessorias propostas no projeto e
com previsão para acontecerem na fase posterior.
Foram entrevistadas um total de 41 (quarenta e uma) professoras que trabalham
com as séries iniciais, em salas de 30 alunos (em média).
O maior número de turmas está na primeira série (quatro)
o que decresce na segunda e na terceira, chegando à quarta apenas
uma ou duas turmas. Cada escola apresenta uma forma especial de trabalho
e apenas uma delas tem um professor de literatura disponível para
todas as séries (dez turmas). Cabe destacar que essa professora
não tem nenhuma formação na área, mas é
bastante criativa e demonstra interesse em levar, para as crianças,
algo além do que apenas leitura.
A primeira escola (E-A) visitada conta com cerca de trezentos alunos matriculados
nos primeiros anos do ensino fundamental (1ª a 4ª série)
e localiza-se em um bairro não muito distante do centro de Apucarana.
Os professores são cobrados a todo momento, no sentido de estar
em constante aprendizagem, para poder ensinar melhor os alunos, mas vêem-se
diante de uma realidade que não dá condições
para tal. Gostariam de fazer cursos nas áreas que mais lhes agradam
ou de acordo com a formação de cada um deles, visto que
esses professores apresentam formação diversificada, como
demonstra uma das questões da entrevista.
Localizada em um bairro próximo ao centro de Apucarana, a segunda
escola (E-B) tem um pouco mais de trezentos alunos. Não há
uma professora em especial para trabalhar com a literatura e também
não se observou uma participação mais direta da direção
quanto a esse trabalho, seguindo uma orientação mais abrangente
da leitura.
Também localizada no mesmo bairro da escola E-B, próxima
ao centro de Apucarana, a terceira escola (E-C) apresenta perto de quinhentos
alunos, com dezessete professoras dessas séries. Da mesma forma,
não há uma professora específica para o trabalho
com o texto literário, e a preocupação está
em oferecer aos alunos todos os tipos de leitura.
As entrevistas aconteceram no final do ano de 2004 e a análise
das respostas evidenciam a necessidade de se realizar um trabalho específico
com as professoras. Essa realidade é muito conhecida pelas acadêmicas
que integram o projeto visto que quatro, das cinco participantes, são
professoras das séries iniciais. Além disso, muitas questões
da entrevista foram discutidas em sala (5° Semestre de Normal Superior)
pois as alunas são professoras municipais de Apucarana ou de cidades
vizinhas.
Para a apresentação da análise, estabeleceu-se que
seriam abordadas as questões mais relevantes que demonstram a fragilidade
do professor no tratamento com o texto literário. As questões
referem-se ao tempo de atuação nas séries iniciais
do ensino fundamental, a formação do professor – área
de graduação, especialização - , capacitação
para o trabalho com a literatura, orientação da escola em
que atua, atividades que desenvolvem e tipo de leitura que indicam. Tais
indagações foram importantes para traçar um panorama
de como se desenvolve esse trabalho nas escolas municipais e também
para perceber a necessidade que os professores têm em participar
de cursos que os habilitem para o trabalho com a literatura infantil,
sem descaracterizá-la.
Quanto ao tempo de atuação nas séries iniciais, tem-se
uma situação intrigante: uma equivalência entre professores
que atuam entre 1 e 5 anos e as que atuam entre 11 e 26 anos. No período
intermediário, entre 6 e 10 anos, a diferença é considerável.
Pode-se entender que trabalham com crianças professoras recém-formadas
ou que já atuam há muitos anos com essas séries.
Essa questão pode parecer irrelevante, mas quando se observa a
formação dessas professoras, verifica-se que as professoras
com mais anos de magistério são aquelas que não participaram
de cursos de capacitação específicos para o trabalho
com o texto literário.
Considerando, então, o quesito formação, observou-se
uma outra equivalência: a formação em Ciências
Biológicas, em Pedagogia e Técnico em Magistério,
com poucas professoras formadas em Letras (seis), em Matemática
(2) e em Administração (3). Confirma-se, portanto, que as
professoras tiveram no seu curso de graduação pouco contato
com o texto literário. Muitas afirmaram que o conhecimento que
possuem está vinculado ao que aprenderam no ensino médio
ou em leituras que fizeram por curiosidade ou interesse particular.
Nota-se também que há uma certa preocupação
com a continuação da formação, pois 17 professoras
possuem especialização, sendo mais freqüente a Especialização
em Administração, Supervisão e Orientação
Educacional e Psicopedagogia. Apenas uma professora fez especialização
na área de Letras. Outra preocupação encontrada relaciona-se
à participação em cursos para o trabalho com a literatura
infantil, verificando-se que só as que atuam há pouco tempo
tiveram essa preocupação. As demais apenas seguem as orientações
das que participaram ou da orientação da escola. Mesmo sem
esses cursos, muitas respostas apontam para um trabalho prazeroso, diário,
diversificado.
A pergunta seguinte indica que a orientação das escolas
é para que o trabalho seja realizado dessa forma – prazeroso,
diário, diversificado – embora esteja sempre atrelado À
produção de texto , enfatizando que tais atividades colaboram
na construção da linguagem e da escrita. Na escola em que
há uma professora específica para a literatura (E-A), a
coordenação reúne-se com as professoras para verificar
o que está dando certo, para trocar idéias e trabalhar em
ajustes no que ainda não funciona. Em outra escola (E-C), a orientação
dada é que as crianças possam ir à biblioteca e escolher
o livro de sua preferência, e depois podem ler para os outros as
partes mais interessantes.
As atividades para motivar a leitura restringiram-se à leitura
dramatizada e à produção de texto. Em alguns casos,
assistem vídeos ou ouvem CDs de histórias, poesias, músicas.
Falta às professoras fundamentação teórica
para trabalhar a partir de metodologias que preservam a essência
da literatura, o que pode ser suprido, pelo menos atenuado, com as assessorias
pedagógicas ou Oficinas para trabalhar com a literatura infantil.
A pergunta final refere-se à indicação de obras para
leitura. As respostas apontam a idade como elemento de grande importância
para a indicação, visto que é um fator de grande
influência no interesse de leitura dos alunos. Muitas respostas
apontam para a diversidade – contos (os clássicos), fábulas,
poesia, com destaque para os de pequena extensão.
Diante das respostas analisadas, percebeu-se que ainda existe um equívoco
quanto ao trabalho com o texto literário no que se refere ao seu
atrelamento à produção de textos. Não se questiona
que a leitura de literatura pode suscitar no leitor mirim a necessidade
de fantasiar e criar novas histórias, o que pode ser um exercício
natural, visto que muitas crianças, quando contam uma história
lida, acrescentam a ela partes que só existem em sua imaginação.
Desta forma, observa-se que muitas atividades podem ser realizadas sem
um objetivo previsto ou até mesmo sem saber o que se pretende alcançar.
São feitas apenas para cobrir uma orientação da coordenação
ou para cobrir um espaço da aula em que não há o
que fazer.
As oficinas
Um novo momento instalou-se a partir das análises das entrevistas:
era necessário pensar em estratégias de trabalho com a literatura
infantil nas séries iniciais, agora sob novo enfoque considerando
as particularidades de cada série. Além disso, essas atividades
não poderiam ocorrer sem uma base metodológica fundamentada
em uma teoria que se identificasse com a heterogeneidade das turmas. Estabeleceu-se,
então, como fundamento para o trabalho a Estética da recepção,
por considerar a leitura como um ato de interação entre
autor-texto-leitor.
Ficou também determinado que essas atividades seriam desenvolvidas
a partir de oficinas, compostas de duas partes, sendo a primeira de fundamentação
teórica (para suporte teórico) e a segunda, de atividades
práticas, envolvendo narrativas e poesia.
O ponto de partida para a apresentação do aporte teórico
foi o texto de Antonio Candido, A literatura e a formação
do homem(1972), por entender que da compreensão das funções
da literatura para a formação do homem decorre o entendimento
desse diálogo que se estabelece na leitura entre o leitor e o texto.
Em seguida, desenvolveu-se um estudo sobre o método recepcional,
tratado por Bordini e Aguiar (1988).
O momento seguinte ficou reservado para as atividades práticas
com textos de Lobato, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Cecília Meireles,
Vinicius de Moraes, Marina Colasanti. Foram escolhidas algumas obras,
em alguns casos capítulos das obras e as sugestões apresentadas
recaíram em realização de teatro, painéis,
atividades com dobraduras, elaboração de livrinhos de pano,
modelagem em argila, confecção de máscaras.
O trabalho tem como ponto de partida estabelecer o horizonte de expectativas
dos alunos e oferecer a eles leituras que podem satisfazer esse interesse.
Os tipos de leituras mais pedidos são histórias em quadrinho
e vídeos (nas séries iniciais). Após a realização
dessas atividades, foram apresentados os outros textos, de modo que aconteceu
uma ruptura desse horizonte, às vezes, em relação
ao tema, outras vezes, em relação à forma.
Esse momento configura-se como o ponto alto do trabalho visto que as atividades
propostas não exigem dissecação de textos (para as
4ª séries) nem a compreensão de bons costumes ou boas
maneiras. As atividades visam estabelecer o diálogo entre o leitor
mirim e o texto proposto, numa dimensão mais profunda, procurando
esgotar toda a sua significação. Ao final propõe-se
uma atividade para reflexão em que se estabelece a relação
entre o primeiro texto apresentado e o último, procurando demonstrar
ao aluno que as novas experiências em leitura são significativas.
Espera-se com esse trabalho atingir as necessidades das professoras e
deixar sugestões de atividades que podem ser lúdicas, prazerosas
e também muito interessantes para os alunos, pois estão
sempre muito próximas a eles. Entende-se que as atividades propostas
são apenas um ponto de partida para o trabalho com a literatura
infantil e que posteriormente as próprias professoras possam elaborar
atividades que os alunos gostam visto que estão muito mais próximas
a eles que as integrantes do projeto.
Considerações finais
A realização do projeto Literatura infantil:
um confronto entre teoria e prática revela que há necessidade
de que outros trabalhos possam ser criados para que os acadêmicos
possam estabelecer esse convívio com as escolas nas quais poderão
vir a desempenhar importante papel de disseminadoras do conhecimento.
Também revela que os profissionais do ensino fundamental necessitam
de ser efetivamente preparados para a realização de atividades
diversificadas e motivadoras.
Verifica-se que as séries iniciais abrigam professores de todas
as áreas e que são preparados para ministrarem um conteúdo
em particular, como matemática, ciências ou português.
Além disso, a observação de matrizes curriculares
dos cursos de Pedagogia e Normal Superior demonstram que a disciplina
de Literatura infantil ainda não está estabelecida entre
as várias metodologias que são trabalhadas durante o curso,
o que acaba deixando uma lacuna na formação desses profissionais.
Considerando que as séries iniciais são fundamentais para
a formação da criança, acredita-se que os profissionais
dessas séries deveriam participar de cursos de capacitação
que realmente proporcionassem a eles uma visão mais clara a respeito
de questões como a especificidade da literatura infantil e as atividades
que podem ser desenvolvidas com os alunos.
Acredita-se que o projeto esteja contribuindo com a capacitação
de apenas uma parcela desses profissionais, entretanto, ainda há
uma grande parte de profissionais que ficarão à margem desses
conhecimentos. Não se pretende postular que há profissionais
desatualizados, mas que a formação contínua desses
professores deve ser preocupação dos órgãos
municipais que pretendem preservar para a cidade de Apucarana o título
de “Cidade Educação”.
Referências
BORDINI, Maria da Glória; Aguiar, Vera Teixeira
de. A literatura e a formação do leitor. Alternativas metodológicas.
Porto Alegre; 1988.
BRAGATTO FILHO, Paulo. Da essencialidade da literatura. In: Pela leitura
literária na escola de 1º grau. São Paulo: Ática,
1995.
CADERMATORI, Lígia. O que é literatura infantil? São
Paulo: Brasiliense, 1986.
CANDIDO, Antonio. A literatura e a Formação do Homem. In:
Ciência e Cultura. São Paulo: vol.24, nº 9, 1972, p.803-809.
CARVALHO, Neuza Ceciliato. O literário pede passagem ao utilitário.
In: TEMA – Anais do IV Seminário sobre Leitura e Literatura.
São Paulo: 1995.
ZILBERMAN, Regina. A formação do leitor. In:A literatura
infantil na escola. 2 ed. São Paulo: Global, 1982, pp. 22-25.