| |
A
ARGUMENTAÇÃO EM QUESTÕES DE COMPREENSÃO DE TEXTOS
EM LIVROS DIDÁTICOS
Ana Carolina Perrusi Brandão - Universidade Federal
de Pernambuco
Telma Ferraz Leal - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
Elisangela da Silva Ribeiro - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
1. Introdução
Documentos oficiais como os Parâmetros Curriculares
Nacionais (Brasil, 1997) vêm enfatizando a necessidade de os alunos
manterem contato com os mais diversos gêneros textuais que circulam
na sociedade, para que desenvolvam capacidades comunicativas, buscando
os efeitos de sentido pretendidos. Essa inserção dos alunos
em eventos de letramento miméticos aos que existem fora da escola
teria como principal justificativa a interagir socialmente, participando
criticamente da sociedade como cidadãos autônomos. Assim,
garantir o acesso à variedade de gêneros textuais implica
fazer circular conhecimentos de mundo e conhecimentos textuais próprios
de diferentes esferas de interlocução.
A entrada dessa diversidade de gêneros textuais na escola, no entanto,
tal como aqui defendemos, não seria feita de modo ocasional e assistemática,
mas sim planejada e orientada. Autores como Dolz e Schnewly (1996) propõem
que ao longo de toda escolaridade, os alunos se deparem anualmente com
textos pertencentes a cinco agrupamentos: textos da ordem do narrar, textos
da ordem do descrever ações, textos da ordem do relatar,
textos da ordem do expor e textos da ordem do argumentar.
Essa abordagem que defende o ensino sistemático contrapõe-se
à idéia difundida por autores como Vinson e Privat (1994,
em Dolz, 1994). Estes ao refletirem sobre o ensino da leitura e produção
dos diferentes gêneros textuais, propõem que a aprendizagem
sobre os textos dá-se naturalmente através da interação
entre o aluno e as propriedades culturais do gênero. Em outras palavras,
consideram que basta propiciar situações de uso da linguagem
para que a apropriação dos diferentes gêneros ocorra.
Dolz (1994), conforme dito acima, defende que a intervenção
sistemática do professor, levando o aluno a refletir sobre as características
dos textos e seus contextos de uso, é indispensável a uma
boa apropriação da capacidade de produzir diferentes gêneros
textuais. Essa é a perspectiva didática que assumimos neste
trabalho.
Assim, concebemos que é necessário organizar seqüências
didáticas para ajudar os alunos a desenvolver capacidades necessárias
para lidar com a variedade de situações de uso da escrita
na sociedade. Neste trabalho, abordamos especificamente o ensino da leitura
de textos da ordem do argumentar.
Para diagnosticar o quanto tais espécies de textos vêm sendo
foco de ensino nos anos iniciais do Ensino Fundamental e a forma como
isso tem ocorrido, optamos, neste momento, pela análise de livros
didáticos aprovados pelo PNLD e que, consequentemente, vem sendo
usados em escolas públicas brasileiras. A escolha por analisar
livros didáticos deriva-se do lugar de destaque que os mesmos ocupam
no cenário educacional brasileiro atualmente, pois já em
1997 cerca de 70% dos livros produzidos no país eram dessa natureza
(Folha de São Paulo, 1998).
Buscamos, dessa forma, enfocar nesta pesquisa aspectos relacionados à
abordagem dos processos argumentativos nos livro didáticos destinados
às séries iniciais, analisando as orientações
explícitas dos autores nas atividades de exploração
de textos, ou seja, as atividades de compreensão de textos.
2. Referencial Teórico
2.1 O Livro Didático e o ensino da leitura
Diversos autores que estudam livros didáticos
vêm buscando caracterizar esse objeto de divulgação
do conhecimento científico e resgatar os percursos históricos
desse importante recurso didático. Gatti Júnior (1999),
ao discutir sobre a história do livro didático, concebe
que o mesmo teve origem já na Grécia Antiga, o que também
defende Magda Soares (1996), entre tantos outros estudiosos. Soares levanta
a hipótese de que o livro didático teria sido uma criação
grega uma vez que, desde o século 300 a.C., obras como Elementos
de Geometria, de Euclides, circulavam como textos do saber.
Autores como Oliveira, Guimarães e Momény (1984) conceituam
o livro didático como “um material impresso, estruturado,
destinado ou adequado a ser utilizado num processo de aprendizagem”,
o que não delimita claramente esse recurso didático em relação
a outros recursos presentes no ambiente escolar, tais como os paradidáticos,
as fichas de leitura, os cartazes, dentre outros.
Essa imprecisão na conceituação desse objeto escolar
decorre, dentre outros fatores, da própria transformação
que os LDs vem sofrendo ao longo da história. Bittencourt (1993)
destaca que, inicialmente, apenas o professor possuía o livro,
que era tido como uma espécie de manual didático que continha
os principais conteúdos a serem transmitidos aos alunos. Foi apenas
a partir do século XIX que os aprendizes passaram a ter contato
direto com os livros que serviam como orientadores da seleção
de “saberes” a serem ensinados. Assim, os livros deixaram
de ser uma espécie de “Bíblia” a ser seguida
nas aulas para tornarem-se “um complemento à ação
do professor, que deve introduzir e desenvolver a matéria, sugerir
exercícios, fazer avaliações, propor acréscimos”
(Batista, 2000, p.552).
È com esse sentido que os livros didáticos são concebidos
hoje: manuais que se constituem como estudos dirigidos, “propondo
não apenas uma seleção do conteúdo a ser ensinado,
mas também um modo de distribuí-lo no tempo escolar –
com base numa progressão de unidades que introduzem, desenvolvem
a matéria e, muitas vezes, avaliam seu domínio pelo aluno.
Terminam, por isso, a se dirigir diretamente ao aluno em enunciados e
textos” (Batista, 2000; p. 552). Esse estudo está embasado
justamente nessa concepção de livro didático e está
em consonância com o que propõe o Ministério da Educação
(MEC-Brasil), quando afirma que os livros didáticos devem:
(...) cumprir tanto as funções de um compêndio
quanto as de um livro de exercícios, devem conter todos os diferentes
tipos de saberes envolvidos no ensino da disciplina e não se dedicar,
com maior profundidade, a um dos saberes que a constituem; devem ser acompanhados
pelo livro do professor, que não deve conter apenas as respostas
às atividades do livro do aluno, mas também uma fundamentação
teórico-metodológica e assim por diante. (Batista, 2000;
p.568)
Diferentes motivos nos levaram a escolher esse recurso
como objeto de investigação. Um deles é a importância
que o livro didático tem no cotidiano do professor: os alunos e
os professores possuem esses livros, que são usados como manual
de seleção de conteúdos e como fonte de atividades
a serem executadas em sala de aula. A esse respeito, Aplle (1995) salienta
que nos Estados Unidos em 75% do tempo de aula os professores realizam
atividades do livro didático. Embora aqui no Brasil não
existam ainda dados formais que confirmem tal estatística, observações
informais levam a constatações similares.
Outro motivo para essa escolha é o fato de que, desde 1996, a avaliação
dos livros didáticos a serem adquiridos pelo Ministério
da Educação para uso em escolas públicas tem sido
realizada por especialistas, oriundos das universidades brasileiras, em
sua maioria, que elaboram critérios de escolha dos livros baseados
em referenciais teóricos defendidos nas Diretrizes Curriculares
Nacionais e resultados do debate acadêmico sobre o ensino e a aprendizagem.
Assim, as concepções sobre o que ensinar e como ensinar
dominantes no contexto atual perpassam os processos de avaliação
desses objetos do saber. Essa avaliação, por outro lado,
acaba influenciando nas tomadas de decisão no mercado editorial
do livro didático, que modifica esses livros continuamente.
É considerando tal relevância, que essa pesquisa vem buscando
investigar a natureza das atividades de compreensão textual em
livros didáticos de língua portuguesa de 1ª a 4ª
séries, enfocando especificamente o tratamento dado ao desenvolvimento
de capacidades argumentativas. Resumindo as justificativas para a opção
por esse foco de análise, podemos citar que:
- nas últimas três décadas, os livros
didáticos no Brasil têm sofrido rápidas transformações,
decorrentes, sobretudo, da política de compra e distribuição
de livros didáticos pelo Ministério da Educação;
- a maior parte das investigações enfoca mais detidamente
os livros das séries finais do ensino fundamental e não
os livros das quatro primeiras séries;
- as análises têm sido mais gerais, sem um olhar mais aprofundado
sobre gêneros específicos ou sobre dimensões específicas
da interação como, por exemplo, a argumentação;
- as análises não têm sido dirigidas aos modos de
inserção dos textos e das atividades com foco direcionado
para a dimensão argumentativa.
Considerando tais “lacunas” nos trabalhos
hoje divulgados, voltamo-nos para a exploração dos dados
referentes às estratégias didáticas dos livros para
desenvolver capacidades de compreensão de textos da ordem do argumentar.
Ou seja, a leitura, como eixo do ensino, é o foco de nossa investigação.
A aprendizagem da leitura é de fundamental importância na
sociedade letrada em que vivemos, sobretudo por contribuir para o desenvolvimento
do indivíduo crítico e autônomo. Aqueles que não
aprendem a ler tendem a ser marginalizados ou até mesmo excluídos
de eventos importantes de participação social.
Os resultados de avaliações nacionais (SAEB) e internacionais
(PISA), no entanto, vêm apontando que, no Brasil, temos um alto
índice de pessoas que não apresentam capacidades básicas
de compreensão de textos, apesar da grande quantidade de pesquisas
sobre a leitura e sobre os processos cognitivos referentes a esse tipo
de atividade. Talvez, precisemos, neste momento, nos debruçar mais
sobre os processos didáticos a fim de auxiliar os professores no
cotidiano da sala de aula.
Esse debruçar-se implica em fornecer subsídios claros sobre
as diferentes capacidades a serem construídas pelos alunos e sobre
as diferentes maneiras de auxiliá-los a desenvolver tais capacidades.
Estratégias de antecipar sentidos nos textos, ativar e mobilizar
conhecimentos prévios, localizar informações, elaborar
inferências e generalizar são hoje bastante discutidas e
as resenhas do “Guia do livro didático” divulgado pelo
MEC fazem referências explícitas a tais objetivos do ensino.
Desse modo, há uma inserção cada vez maior de atividades
que buscam o desenvolvimento de estratégias de leitura. No entanto,
falta, ainda, um trabalho mais detido sobre as capacidades específicas
necessárias para os diferentes gêneros textuais.
Se tomarmos como pressuposto a idéia de que diferentes textos e
finalidades de leitura impõem diferentes estratégias de
compreensão leitora, chegamos à perspectiva apontada anteriormente
de que é necessário sistematizar o ensino, planejando que
espécies de textos iremos enfocar como objeto de reflexão
e que capacidades referentes a essas espécies de textos são
fundamentais. Por tal razão, nesta pesquisa, voltamo-nos para investigar
o tratamento que os livros estão dando aos textos da ordem do argumentar.
Para continuarmos essa discussão, propomo-nos a expor brevemente
as concepções sobre argumentação que guiaram
a pesquisa.
2.2 Argumentação e ensino da leitura
A argumentação é um tema de pesquisa
hoje em crescente destaque nos trabalhos na área de Psicologia,
Pedagogia, Filosofia e Lingüística. Reflexões sobre
o conceito de argumentação, sobre o desenvolvimento de capacidades
argumentativas em textos orais e escritos e sobre o ensino da argumentação
são presentes em livros e periódicos nacionais e internacionais.
Autores como Koch (1987), Ducrot (1980) e Pécora (1999) concebem
a argumentação como uma propriedade geral do discurso, como
uma base sobre a qual se assentam diferentes espécies de textos.
Concordamos com esses autores, no sentido de que reconhecemos que em todo
texto existe uma intenção de provocar no leitor algum efeito.
No entanto, acreditamos que existem alguns textos que apresentam de forma
mais explícita o objetivo de defender idéias. Ou seja, concebemos
que existem alguns textos em que é mais explícito o compromisso
com a defesa de pontos de vista e que existem também alguns gêneros
textuais em que a presença de estratégias para argumentar
é mais marcante. Dolz e Schneuwly (1996), considerando os contextos
de uso, as finalidades e os tipos textuais dominantes, classificam tais
gêneros textuais como “textos da ordem do argumentar”.
Dentre esses, pode-se citar: diálogos argumentativos, cartas ao
leitor, cartas de reclamação, cartas de solicitação,
debates, editoriais, requerimentos, ensaios, resenhas críticas,
artigos de opinião, monografias, dissertações.
Assumindo com Adam (1990) a idéia de que os textos só ganham
sentido através da atividade dos seus leitores, que reconstroem
a unidade textual a partir dos índices disponíveis na materialidade
do texto, consideramos necessária a reflexão sobre as situações
em que os textos da ordem do argumentar emergem. Concebemos que a argumentação,
enquanto discurso, emerge em situações em que existem controvérsias
(idéias passíveis de refutação) e interlocutores
interessados em influenciar seus destinatários para que eles assumam
um determinado ponto de vista. Então, o confronto entre pontos
de vista elucidados por diferentes vozes no discurso é inevitável.
Desse modo, a capacidade de identificar o ponto de vista do autor de um
texto, seja ele oral ou escrito, analisar as justificativas que ele usa
para dar sustentação a esse ponto de vista e as estratégias
que ele adota para nos convencer é o que nos torna ativos frente
a textos da ordem do argumentar.
Para pensarmos um pouco sobre essas estratégias argumentativas,
retomamos Bronckart (1999) quando ele explicita que:
(...) o raciocínio argumentativo implica, em primeiro
lugar, a existência de uma tese supostamente admitida, a respeito
de um dado tema (...). Sobre o pano de fundo dessa tese anterior, são
então postos dados novos (...), que são objetos de um processo
de inferência (...), que orienta para uma conclusão ou nova
tese (...). No quadro do processo de inferência, esse movimento
pode ser apoiado por algumas justificações ou suportes (...),
mas pode também ser moderado ou freado por restrições
(...). É do peso respectivo dos suportes e das restrições
que depende a força da conclusão. (p.226).
Nesse sentido, o processo de inferência ganha lugar
de destaque nessa abordagem, uma vez que diferentes modelos textuais podem
surgir sem que todos os dados e premissas apareçam explicitamente
no discurso. Cabe ao leitor/ouvinte identificar tais elementos e posicionar-se
criticamente frente ao que eles veiculam.
Percebemos, então, que as capacidades argumentativas são
múltiplas e se desenvolvem desde a infância, quando as crianças
aprendem a ouvir ordens dos adultos e a se contraporem a elas, elaborando
argumentos para convencê-los a mudar de posição. Desde
muito pequenas, as crianças se deparam com situações
em que precisam antecipar argumentos de adultos e de outras crianças
para fazer suas solicitações referentes ao espaço
para brincar, referentes à posse de objetos, referentes às
atividades que são permitidas ou não de realizar.
Em relação ao texto escrito, há, ainda, outras habilidades
necessárias decorrentes da forma como tais textos se estruturam,
tais como os recursos de articulação utilizados, como os
operadores argumentativos que sinalizam comparações, contraposições,
reafirmações de pontos de vista.
Assim, concluímos que é imprescindível possibilitar
o contato com textos escritos da ordem do argumentar desde os anos iniciais
do Ensino Fundamental e, mais do que isso, propiciar atividades de reflexão
sobre as estratégias argumentativas usadas pelos autores em diferentes
gêneros textuais. Buscamos, então, nesta pesquisa, analisar
as proposições didáticas de duas coleções
de livros didáticos que têm como objetivo desenvolver capacidades
de compreensão de textos da ordem do argumentar.
3. Metodologia
Para a realização desta pesquisa foram analisadas
as propostas de leitura de duas coleções de livros didáticos
de 1ª a 4ª séries, submetidas e aprovadas pelo Programa
Nacional do Livro Didático (PNLD/MEC) para circularem em 2004.
Foram analisadas as seguintes coleções: “Português
- uma proposta para o letramento” (Coleção 1), de
Magda Soares, e “Com Texto e Trama” (Coleção
2), de Maria Mello Garcia, tendo a primeira obtido a menção
“recomendada com distinção” e a segunda “recomendada”
(de acordo com o PNLD).
Inicialmente, realizamos uma primeira apreciação para a
construção das categorias de análise e, após
essa etapa, as coleções foram novamente analisadas para
identificação e classificação de todas as
questões de compreensão de textos em que os alunos devem
refletir sobre as estratégias argumentativas dos autores e/ou emitir
opinião. Buscamos analisar os tipos de perguntas que implicam reflexão
ou capacidade argumentativa e refletir sobre o quanto tais questões
auxiliam os alunos a desenvolver habilidades de argumentação.
Por fim, foi realizada uma comparação entre os dados obtidos
nas duas coleções, no intuito de verificar que tipos de
questões voltadas para a argumentação ocorrem com
mais freqüência em ambas as coleções e o quanto
tais questões são importantes para ajudarem a desenvolver
as estratégias argumentativas dos alunos.
4. Resultados
A fim de mapear os tipos de atividades presentes nos livros
didáticos que poderiam ter como objetivo o desenvolvimento de capacidades
argumentativas, procedemos, inicialmente, a uma leitura das duas coleções,
identificando todas as questões de exploração dos
textos que tivessem de algum modo os objetivos citados acima. A partir
desse trabalho exploratório, foram construídas as categorias
de análise. Identificamos cinco tipos de questões: (A) questões
de reflexão sobre as estratégias argumentativas do autor;
(B) questões de opinião sobre fatos ou personagens do texto;
(C) questões de opinião sobre o texto; (D) questões
de opinião sobre o tema; (E) questões de justificativa de
preferência pessoal. Para melhor compreensão acerca dessas
categorias, faremos a exposição de cada uma delas separadamente.
A. Questões de reflexão sobre as estratégias
argumentativas do autor
Essas questões são aquelas que levam os
alunos a refletir sobre as estratégias argumentativas utilizadas
pelo autor do texto para convencer o leitor. Vão desde a identificação
dos pontos de vista dos autores, assim como o reconhecimento e análise
das justificativas que eles utilizam para defender seus pontos de vista,
até os modos como eles inserem no texto tais elementos (ponto de
vista, justificativa, justificativa da justificativa).
Um exemplo de questão desse tipo pode ser extraído do volume
1 da coleção “Português: uma proposta para o
letramento”, na página 136 (letra B). A unidade em que a
questão aparece trata sobre o melhor amigo do homem. Apresenta
um texto extraído de “A outra enciclopédia canina”,
de Ricardo Azevedo, o qual é tomado como objeto de reflexão
na seção de interpretação oral. O texto fala
sobre as diferenças entre os vira-latas. Após a leitura
do texto, pergunta-se às crianças:
• “Vocês concordam com a opinião
do autor sobre vira-latas?”
Para responder a questão, o aluno precisa identificar
o ponto de vista do autor para contrapor ao seu próprio ponto de
vista. Embora não seja sugerido que ele analise as justificativas
do autor, o que poderia ter sido feito, é possível que ele,
para apresentar sua concordância ou discordância, lance mão
dos argumentos presentes no texto.
Outra questão também classificada nesta categoria foi encontrada
no volume 4, da coleção “Com texto e trama”.
Na unidade 3 do livro, a autora trata do tema dicionário, trabalhando
seu conceito e a importância de seu uso. Na página 42 (2ª
questão), após a leitura do texto “Dicionário”,
de Francisco Marques (texto expositivo contido no livro “Carretel
de invenções”), que fala sobre o que é e sobre
a importância do dicionário, aparece a seguinte questão:
• “De acordo com o autor do texto ‘falar
em dicionário é falar em língua ou idioma’.
Por que você acha que ele afirma isso?”
Nesta questão, um ponto de vista exposto no texto
é destacado e o aluno é convidado a reconhecer as justificativas
para a defesa desse ponto de vista. Assim, ele precisa debruçar-se
sobre o conteúdo textual para localizar as informação
disponíveis, já que estão explícitas no texto.
A questão poderia ter sido inserida juntamente com outras questões
em que o aluno, além de reconhecer as justificativas tivesse que
analisar a consistência delas.
Estariam também nesse bloco as reflexões sobre os distintos
pontos de vista que aparecem em textos da ordem do argumentar (inserção
de diferentes vozes no texto), no entanto, tal tipo de questão
não apareceu nas coleções analisadas..
B. Questões de opinião sobre fatos ou personagens
do texto
Essas são as questões que solicitam a opinião
do aluno em relação às atitudes de personagens ou
fatos relatados no texto, ou seja, o aluno é levado a mostrar seu
ponto de vista, tendo que buscar informações contidas no
texto.
Tal tipo de questão pode aparecer em uma variedade de gêneros
textuais, sobretudo os narrativos. Em geral, estão presentes em
textos em que personagens realizam ações socialmente questionáveis.
Essa observação é importante por indicar que as capacidades
argumentativas não são desenvolvidas apenas pelo acesso
aos textos da ordem do argumentar. No entanto, é preciso salientar
que os tipos de habilidades desenvolvidos são diferentes, se tomarmos,
por exemplo, a questão do tipo A, apresentada anteriormente.
Um exemplo de questão do tipo B pode ser observado no volume 4
da coleção “Português: uma proposta para o letramento”.
Na página 36 (6ª questão), na unidade 1, são
inseridos vários textos tratando sobre a mania que muitas pessoas
têm de juntar e colecionar objetos. Aparece, então, uma tira
do “Menino Maluquinho”, de Ziraldo, que narra de maneira engraçada
as peripécias que uma criança faz para que os cartões
telefônicos que ele coleciona se tornem raros. Após a leitura
desse texto, o aluno depara-se com a seguinte questão:
• “Vocês concordam com o que Junim faz,
para ter um cartão de telefone raro? Por que sim ou por que não?”
Nessa questão, há uma solicitação
de que sejam discutidos valores sociais, o que leva à emergência
de produção de textos da ordem do argumentar. O texto usado
na atividade não é dessa natureza, mas insere um tema passível
de debate. Assim, capacidades argumentativas são trabalhadas. Não
há, no entanto, exploração de estratégias
argumentativas em textos escritos e sim de produção de textos
argumentativos: resposta a questões de opinião.
C. Questões de opinião sobre o texto
As questões de opinião sobre o texto solicitam
aos alunos que realizem comentários gerais sobre os textos que
eles lêem, seja em relação ao conteúdo tratado,
seja à forma como ele aparece no texto. As perguntas são
variadas, sobressaindo-se, no entanto, as que questionam se o aluno gostou
ou não do texto.
Um exemplo claro pode ser obtido na leitura da página 149 (2ª
questão), do volume 1 da Coleção “Com texto
e trama”. A unidade em que o texto está inserido busca trabalhar
com poesias e a questão citada se refere ao poema de Cecília
Meireles – “Tanta tinta” – que faz referência
a uma menina que se sujou de tinta ao sentar-se em uma ponte. Após
a leitura do texto, pergunta-se:
• “Você gostou da poesia? Por quê?”
Como podemos verificar, é uma pergunta bastante
aberta e as respostas podem ser variadas. Podemos encontrar crianças
que respondem dizendo apenas que “gostaram porque a poesia é
bonita”, até os que se arriscam a fazer uma apreciação
sobre o texto, justificando seu ponto de vista de modo mais consistente.
O exemplo da página 184 (1ª questão), também
extraída do volume 1 da coleção “Português:
uma proposta para o letramento”, no entanto, requer de forma mais
explícita que o aluno se engaje em um trabalho de geração
de argumentos para o ponto de vista que defende. Esta questão aparece
após a leitura do conto “Era uma vez uma bruxa”, de
Lia Zats, que narra a história de uma bruxa que resolveu sair da
floresta para a cidade grande, onde seus feitiços passaram a não
funcionar e as crianças deixaram de ter medo dela. Vejamos a questão:
• “Discuta com seu professor e seus colegas:
você gostou de ler uma história escrita deste modo diferente?”
Explique por quê”.
A questão, nesse contexto, surge como uma forma
de levar as crianças a refletir sobre diferentes gêneros
textuais e sobre as estratégias usadas nesses gêneros para
inserir conteúdos muitas vezes similares. Como se vê nesta
proposta, a produção de texto em que os alunos são
levados a justificar suas respostas não é acompanhada de
questões referentes à “identificação”
de pontos de vista do autor nem de personagens. Assim, as questões
do tipo C, do mesmo modo que as “questões de opinião
sobre fatos ou personagens do texto” (tipo B), embora muito importantes,
não levam o aluno a analisar estratégias argumentativas,
nem a explorar pontos de vista ou justificativas usadas em textos para
defender pontos de vista.
D. Questões de opinião sobre o tema
Esse tipo de pergunta é gerado principalmente quando
temas passíveis de discordância são inseridos no livro.
A demanda principal é a de debater sobre um assunto que gera polêmica
ou discutir sobre valores sociais que a escola precisa garantir na formação
cidadã das crianças. Via de regra, são questões
que não exigem a compreensão dos textos de referência.
Esses textos, muitas vezes, são explorados por meio de outros tipos
de pergunta e o tema sobre o qual trata é discutido como conseqüência
da introdução temática da unidade.
Capacidades de expor pontos de vista e justificá-los são
requeridas pela tarefa, mas não há, de fato, um trabalho
voltado para o desenvolvimento de estratégias de leitura, embora
possam ser identificadas algumas situações em que os alunos
chegam a extrapolar o texto e a aplicar conceitos tratados no texto para
debater a temática sugerida. Os conhecimentos adquiridos na leitura
de outros textos na unidade podem ser também mobilizados durante
a realização da atividade.
Na coleção “Português: uma proposta para o letramento”,
volume 4, encontramos, na página 27 (1ª questão), uma
pergunta do tipo descrito aqui. A autora nesta unidade trata sobre o hábito
de juntar e colecionar objetos, inserindo ao todo oito textos sobre o
tema. Após a leitura de uma reportagem intitulada “Uma cortina
colorida que não sai do lugar”, de Inês Amorim, a seguinte
questão é inserida:
• “Quando vocês lêem um texto
dirigido a crianças e jovens, acham natural encontrar gírias
que, em geral, são usadas por vocês na língua oral?”
O texto de Inês Amorim fala de crianças que
colecionam adesivos nas janelas do quarto e do quanto isso traz aborrecimento
para os pais. No texto são inseridas gírias e isso serve
de mote para introduzir o tema relativo às relações
entre fala e escrita. A discussão sobre essas relações
é o foco da atividade. Não há, portanto, reflexões
sobre estratégias argumentativas para defender pontos de vista
em um texto escrito, a discussão ajude a desenvolver habilidades
de produção oral de textos da ordem do argumentar, pois
as crianças participam de um debate em que diferentes posições
podem emergir.
E. Questões de justificativa de preferência
pessoal
Essas questões, muitas vezes, não chegam
a exigir dos respondentes uma construção de argumentos ou
mesmo a preocupação em convencer interlocutores sobre temas
específicos, embora, algumas delas exijam a elaboração
de justificativas para as respostas dadas.
No volume 1 da coleção “Português: uma proposta
para o letramento” podemos analisar uma pergunta de preferência
pessoal que exige a elaboração de justificativa. Na unidade
que trata sobre escola, é inserido um verbete sobre “O que
é a escola”. Na página 16 (3ª questão)
é feita a seguinte pergunta:
• “Para você, o que é melhor:
tempo de férias ou tempo de escola? Por quê?”.
Para responder à pergunta, o aluno é levado
a justificar seu ponto de vista e a professora tem condições
de introduzir outros pontos de vista na discussão, caso ela resolva
dar continuidade à tarefa. Mais uma vez, não se trata de
um tipo de questão que leve a desenvolver capacidades de compreender
textos escritos da ordem do argumentar, mas sim a produção
de respostas a perguntas que exigem justificação.
F. Outras questões de compreensão
São todas aquelas que não auxiliam os alunos
a desenvolverem estratégias argumentativas.
Após a construção das categorias
de análise, voltamos à leitura de todos os livros das coleções
para identificar / contar quantas questões de cada tipo aparecem.
Essa contagem é importante para que possamos ter a clareza sobre
o quanto as estratégias discutidas neste tópico aparecem
nas atividades propostas pelos livros didáticos.
Análise da Coleção 1: Português
: uma proposta para o letramento.
Segundo o “Guia de Livros Didáticos”, a Coleção
1 apresenta uma proposta pedagógica fundamentada predominantemente
nos estudos sobre o letramento, que consideram a língua como comunicação
ou interação e mostram como a escrita e a oralidade ocorrem
no interior das diferentes práticas sociais.
Essa coleção, segundo o PNLD/2004, apresenta uma proposta
criativa, inovadora e instigante, que permite inserir a criança
na cultura escrita e a auxilia tanto no domínio dos temas e conhecimentos
associados a essa cultura, quanto no desenvolvimento das habilidades necessárias
para o uso da língua.
Apresenta também muitas atividades de compreensão de textos
que exploram uma grande variedade de gêneros textuais, com questões
de antecipação, de elaboração e verificação
de hipóteses, de localização de informações
e de elaboração de inferências. Foram encontradas
1125 questões de exploração de textos. Em cada volume
são inseridos mais de vinte textos, com mais de 200 questões
voltadas para desenvolver habilidades de compreensão de textos.
Apesar dessa grande quantidade de questões voltadas para o ensino
de leitura, as perguntas que levam de algum modo ao desenvolvimento de
habilidades de argumentação são poucas. Na Tabela
1 mostramos que, das 1125 questões de compreensão em toda
a coleção, apenas 16 (1,5%) são realmente voltadas
para a criança analisar os textos, identificando/analisando pontos
de vista ou justificativa dos autores. Mesmo as questões que, embora
não abordem a exploração de textos, levam à
produção de textos da ordem do argumentar (respostas a perguntas
de opinião) são em pequena quantidade (7% ao todo).
Uma das explicações para a pouca presença de questões
de reflexão sobre as estratégias argumentativas do autor
é a baixa freqüência de textos da ordem do argumentar
nesta coleção. Andrade, Leal e Brandão (no prelo)
encontraram apenas 31 textos da ordem do argumentar nestes livros.
Tabela
1: Freqüência e percentagem de tipos de questões de compreensão de textos
que levam ao desenvolvimento de capacidades
argumentativas
| COLEÇÃO: Português – uma
proposta para o letramento. |
| Questões
de compreensão |
VOL. 1 |
VOL. 2 |
VOL.3 |
VOL. 4 |
TOTAL |
| FREQ. |
% |
| Reflexão sobre estratégias argumentativas
do autor |
4 |
4 |
5 |
3 |
16 |
1,4 |
| Opinião sobre fatos ou personagens do texto |
4 |
7 |
15 |
11 |
37 |
3,2 |
| Opinião sobre o texto |
2 |
2 |
9 |
2 |
15 |
1,3 |
| Opinião sobre o tema |
4 |
10 |
7 |
4 |
25 |
2,2 |
| Justificativa de preferência pessoal |
2 |
0 |
1 |
0 |
3 |
0,3 |
| Outras questões de compreensão |
213 |
299 |
222 |
295 |
1029 |
91,5 |
| TOTAL |
229 |
322 |
259 |
315 |
1125 |
100 |
Dentre as
questões categorizadas neste estudo, as que aparecem com uma maior
freqüência são aquelas em que o autor solicita que os
alunos dêem opinião sobre atitudes de personagens ou fatos
relatados no texto (3,2%). O segundo tipo de questão mais solicitada
pelos autores é aquela em que os alunos têm que dar opinião
sobre o tema relacionado ao texto lido. Nesse tipo de questão,
os alunos não precisam necessariamente ter lido o texto, bastando
apenas que tenham conhecimentos prévios acerca do tema de que o
texto trata (2,2%).
Análise
da “Coleção 2”: Com texto e trama.
Essa coleção,
segundo a resenha do “Guia do livro didático” de 2004,
tem como principal objetivo o trabalho com uma grande diversidade de tipos
e gêneros textuais, bem como de atividades de leitura, de produção
de textos e de reflexão gramatical diversificadas e adequadas ao
desenvolvimento das habilidades lingüísticas dos alunos.
A coleção propõe atividades de compreensão
de textos fundamentadas nas diferenças entre os gêneros textuais
e é bastante cuidadosa no trabalho com habilidades ou estratégias
de leitura, sobretudo no que se refere às estratégias de
localização, cópia e comparação de
informações. Ainda que não muito freqüentes,
podemos encontrar bons exemplos de interpretação por processos
inferenciais, saindo-se, portanto, da mera recuperação das
informações lineares e superficiais.
Através de propostas de atividades que levam os alunos a interagirem
através de conversas, discussões e trocas de idéias
e de opiniões, a coleção propicia aos alunos o desenvolvimento
de habilidades que os auxiliem na utilização da língua,
tanto oral quanto escrita, em variadas situações. Busca-se,
portanto, através do trabalho com conhecimentos lingüísticos
diversos e de modo reflexivo, que os alunos possam desenvolver o uso da
língua na leitura e na produção de textos.
Uma rica seleção textual é encontrada na coleção,
são mais de 150 textos seguidos de 640 questões de compreensão.
Cada volume contém mais de 30 textos, com mais de 150 propostas
de exploração desses textos.
Apesar dessa grande quantidade de textos, apenas 14 deles, conforme apontado
por Andrade, Leal e Brandão (no prelo) são da ordem do argumentar.
De igual modo, apesar de serem encontras 640 atividades voltadas para
o desenvolvimento de estratégias de leitura, apenas 9 (1,4%) objetivam
levar os alunos a refletir sobre as estratégias argumentativas
do autor. Os outros tipos de questões categorizadas neste estudo
totalizam 5,8% dos textos.
Tabela 2:
Freqüência e percentagem de tipos de questões de compreensão
de textos que levam ao desenvolvimento de capacidades argumentativas
| COLEÇÃO: Com Texto e Trama. |
| Questões
de compreensão |
VOL.1 |
VOL.2 |
VOL.3 |
VOL.4 |
TOTAL |
| FREQ. |
% |
| Reflexão sobre estratégias
argumentativas
do autor |
3 |
4 |
0 |
2 |
9 |
1,4% |
| Opinião sobre fatos ou personagens
do texto |
4 |
6 |
8 |
4 |
22 |
3,4% |
| Opinião sobre o texto |
3 |
1 |
0 |
3 |
7 |
1,1% |
| Opinião sobre o tema |
1 |
1 |
3 |
3 |
8 |
1,3% |
| Justificativa de preferência
pessoal |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
0 |
| Outras questões de compreensão |
118 |
170 |
149 |
157 |
594 |
92,8% |
| TOTAL |
129 |
182 |
160 |
169 |
640 |
100% |
Através
da análise dessa coleção chegamos a conclusões
semelhantes às encontradas com a análise da coleção
anteriormente citada. Verificamos que as questões relativas à
argumentação mais encontradas foram aquelas em que o autor
solicita que os alunos dêem sua opinião sobre atitudes de
personagens ou sobre fatos relatados no texto (3,43%), e aquelas questões
em que os alunos têm que dar sua opinião sobre o tema, sem
que tenham que necessariamente recorrer ao texto (1,3%).
5. Conclusões
Concluímos,
neste estudo, que não há um trabalho sistemático
de ensino de compreensão de textos da ordem do argumentar nas duas
coleções citadas, o que implica em pouco investimento no
desenvolvimento de capacidades importantes para a inserção
desses indivíduos em uma sociedade que requer continuamente a
participação
em situações em que diferentes interesses e, consequentemente,
diferentes pontos de vista circulam entre os grupos sociais. A comparação
entre as duas coleções ratifica o que dizemos acima:
Gráfico 1: Percentagem de tipos de questões por coleção

Como podemos
visualizar, a quantidade de questões voltadas para o desenvolvimento
de estratégias argumentativas, seja através de situações
de análise das estratégias usadas em textos escritos, seja
através de situações de responder perguntas de opinião,
é insignificante quanto comparada com o total de questões
de compreensão de textos presentes nas coleções.
Em quatro anos de escolaridade, os alunos são levados a analisar
elementos da argumentação 16 vezes na coleção
“Português: uma proposta para o letramento” e 9 vezes
na coleção “Com texto e trama”.
Alertamos, portanto, para a necessidade de investirmos mais nesse eixo
de ensino, dado que argumentar é uma atividade presente no nosso
dia-a-dia e que garante nossa participação ativa e crítica
na sociedade letrada.
Referências
bibliográficas
Adam, J.
- M (1990). Eléments de linguistique textuelle. Liège, Mardaga.
Andrade, Renata Lessa Barros, Leal, Telma Ferraz & Brandão,
Ana Carolina Perrusi . (no prelo). Os Gêneros textuais no livro
didático: argumentação e ensino.
Apple, Michael W. (1995). Cultura e comércio do livro didático.
In Trabalho docente e textos: economia política das relações
de classe e de gênero em Educação. Porto Alegre: Artes
Médicas. 81-105.
Batista, Antônio A.G. (2000). Um objeto variável e instável:
textos, impressos e livros didáticos. In Abreu, Márcia (org.)
Leitura, história e história da leitura. Campinas, SP: Mercado
de Letras: ALB; São Paulo: Fapesp.
Bitencourt, Circe M.F. (1993). Livro didático e conhecimento histórico:
uma história do saber escolar. Tese de Doutorado em História.
São Paulo: Departamento de História da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Bronckart, J.P. (1999). Atividade de linguagem, textos e discursos: por
um interacionismo sócio-discursivo. Trad. Anna Rachel Machado,
Péricles Cunha. São Paulo: EDUC.
Dolz, J. (1994). Produire des textes pour miex comprendre: L'enseignerment
du disucours argumentatif. In Reuter (Ed.). Les interactions lecture -
Ecriture, Berne: Peter Lang, p. 219-242.
Dolz, Joaquim & Schneuwly, Bernard. (1996). Genres et progression
en expression orde et écrite – Eléments de réflexions
à propos d´une experience romande. Enjeux, nº37-38,
p.31-49.
Ducrot, O. (1980). Les Échelles argumentatives. Paris: Minuit.
Garcia, Maria Mello. (1999). Com texto e trama Belo Horizonte: Expressão,
v.1-4 (livro didático)
Gatti Júnior, Décio. (1999). Dos antigos manuais escolares
aos modernos livros didáticos de História: um percurso de
massificação do ensino escolar brasileiro. Anais do 12o
Congresso de Leitura do Brasil. Campinas - SP, 20 a 23 de julho de 1999.233-245.
Koch, I. (1987). Argumentação e linguagem. São Paulo:
Cortez.
Leal, Telma Ferraz. (2004 no prelo). Uma síntese provisória
de algumas contribuições de pesquisa sobre leitura ao ensino
de língua portuguesa.
Leal, T.F. (2003). Produção de textos na escola: a argumentação
em textos escritos por crianças. Tese de Doutorado. Recife. UFPE,
Pós-graduação em Psicologia Cognitiva.
Oliveira, J.B.A.; Guimarães, S.D.P. & Bomény, H.M.B.
(1984). A política do livro didático. São Paulo:
Summus, Campinas: Ed. da Universidade Estadual de Campinas.
Pécora, A. (1999). Problemas de redação. 5a Ed. São
Paulo: Martins Fontes.
Porto, Ana Maria Chagas. (2004). Os articuladores textuias em textos de
opinião: efeitos do contexto escolar de produção.
Artigo de pedagogia. Recife. UFPE.
Soares, Magda.(1999) Português uma proposta para o letramento. São
Paulo: Moderna, v.1-4(livro didático).
|
|