Karla Righetto Ramirez de Souza – Universidade
Federal Fluminense - UFF
Nos últimos anos, temos observado a implementação
dos ciclos em escolas públicas e particulares do país. A
organização escolar através do sistema de ciclos
tem se anunciado como parte do processo de democratização
da escola que requer a reformulação das práticas
pedagógicas. Os ciclos introduzem questões significativas
para o processo de ensino e aprendizagem, contribuindo assim para uma
outra reordenação escolar. Ao propor modificações
em procedimentos que materializam a dimensão classificatória
e excludente da escola organizada em séries, a escola ciclada tem
demonstrado como nosso entendimento sobre o processo de aprendizagem é
limitado e como esse (des) conhecimento tem contribuído para uma
prática avaliativa seletiva.
Atualmente podemos identificar no mínimo três conjuntos de
propostas de ciclos em desenvolvimento no Brasil: os ciclos de alfabetização,
os ciclos de aprendizagem e os ciclos de formação.
O ciclo de alfabetização, geralmente, é composto
pelos três anos iniciais do ensino fundamental, tendo como maior
preocupação a alfabetização da criança.
No entanto, as outras duas propostas de ciclos aparentam ser mais amplas.
Na proposta dos ciclos de aprendizagem predomina os blocos de conteúdos
a serem assimilados a cada ciclo, como foram os ciclos apresentados nos
Parâmetros Curriculares Nacionais. Entretanto, no ciclo de formação,
o bloco de conteúdo não é a referência do processo
de ensino. Nesta proposta o princípio da enturmação
é com referência na idade, em que o currículo organiza-se
com maior flexibilidade, buscando a construção conceitual
ao longo dos nove anos de escolaridade. (Krug, 2001)
O caminho percorrido orienta-se do acompanhamento da pesquisa sobre as
práticas avaliativas de professoras nos ciclos. O objetivo da pesquisa
é provocar e desenvolver um processo avaliativo escolar que auxilie
a compreensão dos processos de aprendizagem infantil, contribuindo
para a elaboração de uma prática docente que favoreça
a aprendizagem de todas as crianças. Investimos em um processo
avaliativo que tenha a investigação como eixo do trabalho
pedagógico e não a classificação e seleção.
Uma avaliação que não se limita à distinção
entre saber e não-saber e que reduz a dimensão processual
da construção de conhecimentos, mas sim em uma avaliação
que investe na busca do ainda não-saber, que trabalha com a ampliação
do conhecimento, movimento permanente em que há sempre conhecimentos
e desconhecimentos (Esteban, 2001:166).
Na pesquisa temos partilhado com professoras de diferentes instituições
escolares experiências que nos fazem pensar as práticas cotidianas
como possibilidades e desafios para a construção de uma
avaliação onde a reflexão e a investigação
do processo de ensino e aprendizagem sejam constantes.
A pesquisa vem sendo orientada pelo paradigma indiciário (Ginzburg,
1991). Este paradigma tem nos incentivado a investigar o cotidiano escolar
através de seus dados marginais, seus silêncios, seus fatos
desprezíveis e seus indícios, que vão trançando
novas e significativas possibilidades de compreensão da realidade.
Auxiliadas pelo paradigma da complexidade (Morin, 2000) tentamos compreender
o espaço da escola não pela linearidade, mas pela articulação
entre os opostos e as ambivalências, evidenciando desse modo a multiplicidade
e a heterogeneidade na constituição do real.
No decorrer da pesquisa, percebemos um movimento das professoras de compreensão
da prática avaliativa predominante no espaço escolar. A
partir dos nossos diálogos, fomos percebendo a urgência da
reconstrução de certas práticas e a formulação
de outras. É necessário, ao pensarmos a respeito das práticas
avaliativas como estas se relacionam ao modelo de ensino e a um conhecimento
sobre o processo de aprendizagem infantil. Em minhas análises,
ressalto as concepções de ensino e de aprendizagem que aparecem
nas práticas pedagógicas e de como estas estão vinculadas
a uma determinada forma de organização da escola. Tenho
encontrado concepções de aprendizagens distintas. Uma que
concebe a aprendizagem como reprodução e repetição
e outra que percebe a interação, a interlocução
e a constituição do sentido (Smolka, 2003) como fundamentais
para a aquisição do conhecimento.
Avaliar é classificar e aprender é repetir?
No percurso da pesquisa temos encontrado uma concepção de
aprendizagem baseada na reprodução, na linearidade e na
idéia de que para a criança aprender ela deve passar por
caminhos invariáveis e universais, a partir de interpretações
que limitam e determinam o seu aprendizado. Nestas práticas encontramos
uma prática avaliativa que tem o exame como eixo de sustentação,
em uma compreensão de que classificando as crianças e colocando-as
segundo o padrão escolar instituído permitirá o aprendizado
das mesmas.
Foucault (2002) e Barriga (2000) mostram-nos como a escola vai se tornando
uma espécie de aparelho de exame, em um trabalho pautado na comparação
de um com o outro tendo uma norma como referência, permitindo uma
ação pedagógica que compreende o indivíduo
como objeto descritível, analisável e mensurável.
O exame torna-se dispositivo de restrição à ampliação
do conhecimento por ser apropriado pela educação escolar,
em suas dimensões de certificação e controle, buscando
reconhecer com pretensa objetividade um conhecimento baseado na execução
de uma série de requisitos estabelecidos pela burocracia institucional.
Barriga (2000) assinala que a lógica do exame é caracterizada
por uma série de inversões das relações sociais
e pedagógicas. A primeira inversão que este autor aponta
são as discussões em relação ao exame centrado
em seus aspectos técnicos. Discute-se qual seria o instrumento
mais eficiente para medir determinado conhecimento, se esse é confiável,
se esse é objetivo, criando assim uma imagem de cientificidade
dos instrumentos utilizados. Inverte-se assim a discussão que deveria
se dar no âmbito social para um domínio técnico. Os
problemas sociais são deixados de lado, e a aprendizagem não
é considerada um problema social e sim individual. A criança
aqui é vista como responsável pela sua formação,
pelo seu sucesso ou fracasso.
A segunda inversão que Barriga (2000) vai assinalar são
os problemas metodológicos vistos como problemas de rendimento.
Historicamente, o exame foi deixando de ser parte do método pedagógico,
em que auxiliava o docente a repensar sua metodologia de trabalho. Ao
ganhar novas funções, o exame perde esta característica
e ganha nova “roupagem”: a de certificar e a de controlar
sujeitos.
Foucault (2002) também nos ajuda a pensar nesta segunda inversão,
quando diz que o exame cercado de todas as sua técnicas documentárias,
faz de cada indivíduo um “caso” (p.159), um caso que
produz um objeto de conhecimento: o indivíduo. Compreender o indivíduo
como um objeto acarreta em uma ação de descrição,
comparação, mensuração e medição,
estimulando a idéia de que o indivíduo que tem que ser treinado
(...) tem que ser classificado, normalizado, excluído (p.159) para
mantê-lo sob o controle de um saber permanente.
A terceira e última inversão que Barriga (2000) vai mostrar
é que através do exame o debate educativo deixou de ser
um problema conceitual de ordens diversas e converteu apenas em problema
técnico (Barriga, 2000:76). O debate educativo empobrece, pois
cada vez menos se discute os processos educativos, pois a centralidade
está colocada na melhoria técnica dos instrumentos do exame.
O que Barriga (2000) nos mostrou nas inversões realizadas devido
à lógica do exame auxilia-nos a compreender a discussão
sobre as práticas pedagógicas que não têm propiciado
situações que possibilitem que todas as crianças
aprendam. O discurso sobre o processo de aprendizagem e ensino que temos
encontrado é de que não há turmas homogêneas
– a diferença é parte do processo pedagógico.
Mas que diferença é essa? Como a diferença está
sendo absorvida e inserida no processo pedagógico? Há diferentes
situações de ensino para um mesmo grupo de crianças
em uma sala de aula? Utilizando o paradigma indiciário (Ginzburg,
1991) vamos encontrando indícios que apontam para uma prática
pautada na idéia de que todos aprendem através de uma mesma
situação de ensino e ao mesmo tempo, concepção
esta instaurada na constituição da escola moderna.
Sabemos hoje que para a aprendizagem acontecer, precisamos de espaço,
tempo e mediação de alguém que saiba o que o outro
precisa aprender (Krug, 2001). Este alguém não precisa ser
exclusivamente a professora da turma.
Conceitos como a interação entre pares, a zona de desenvolvimento
proximal e a comunicação mediadora são fundadores
da idéia de que, para aprender, é necessário haver
uma predominância do tempo de trabalho coletivo sobre o tempo de
trabalho individual durante as aulas e de que a mediação
necessária à aprendizagem advém de um coletivo híbrido
em conhecimentos que lhe são necessários frente a um problema
ou situação.
Neste sentido, os sujeitos que ainda não lêem não
precisam estar reunidos com outros que não lêem para que
aprendam a ler, o mesmo acontecendo com outros aspectos, valores e conhecimentos
que a instituição educativa se proponha a desenvolver. Nos
momentos de implementação dos ciclos, estes entendimentos
sobre mediação e zona de desenvolvimento proximal parecem
pouco influir no momento de organização das turmas. Esta
pouca influência se dá na medida em que as escolas, em ações
internas, tendem a formar as turmas ainda seguindo o critério de
separar os fortes, dos médios e dos fracos em determinados aspectos
do conhecimento.
A lógica de que todos aprendem ao mesmo tempo e com a mesma situação
de ensino é ainda predominante na prática docente, pois
quem não aprende nesta perspectiva, é considerado diferente.
Esta situação é relevante para a pesquisa: compreender
porque a existência de turmas heterogêneas é avaliada
pelas professoras como evidência da má qualidade do trabalho
realizado e percebido como uma dificuldade a mais para a ação
docente e para a aprendizagem infantil.
O consenso de que não existe turma homogênea não tem
significado, para algumas professoras, a heterogeneidade como possibilidade
do trabalho e sim a diferença que permite a classificação
das crianças em uma escala de valores concebida pela dinâmica
pedagógica. Neste sentido, a diferença se torna fundamental
para classificar, selecionar e excluir; atribuir notas ou conceitos. A
epistemologia da complexidade (Morin, 2000) ao mostrar que a referência
de nossos olhares tem sido a simplificação dos saberes e
dos sujeitos, nos auxilia a compreender a redução do processo
de avaliação como ato de examinar e ao processo de ensino
como ato de reproduzir e transmitir. Ao reduzir o sujeito como algo possível
de ser mensurado e comparado, o conhecimento como algo que poder ser certificado
e regulado, estamos ignorando os múltiplos e complexos caminhos
de aprendizagem e contribuindo para limitar a aquisição
de conhecimentos por determinadas crianças.
Refletindo sobre a organização da escola e de como esta
vem se constituindo ao longo da história, vou percebendo a consolidação
de uma cultura escolar orientada pelos “modelos” de aprendizagens
expostos acima. Estes estão na base de todo nosso sistema de ensino
seriado. Sistema este que possui uma cultura escolar que toma como ponto
de partida determinados conteúdos e ritmos médios de aprendizagem,
organizando-se de forma fragmentada e distante das vivências dos
sujeitos da escola. Uma cultura escolar que se revela através da
dinâmica seriada, em que a cada ano deve haver conteúdos
pré-definidos para determinada série, podendo a criança
“evoluir” a partir da aquisição do conteúdo
pré-determinado pela passagem da série. Estabelecer rigidamente
conteúdos série a série é uma maneira de limitar
a aprendizagem e a construção de conhecimentos das crianças.
A organização do ensino em séries está relacionada
com a avaliação classificatória, usada para diagnosticar
a “deficiência”, nomear aquela criança apta para
prosseguir em seus estudos e reter aquela que não acompanhou a
instrução ofertada. Ao instituir que todos devem aprender
tudo ao mesmo tempo e da mesma forma, a escola seriada alimenta uma prática
de classificar uns e desqualificar outros. Aquele que conseguir caminhar
no tempo determinado, passará de ano. Aquele que não conseguir,
será reprovado, tendo assim, nesta perspectiva, uma chance para
entrar no ritmo novamente.
A organização da escola em ciclos ao colocar em tensão
os princípios da escola seriada abre a possibilidade de repensar
o processo de ensino e aprendizagem e da avaliação realizada
na sala de aula. Em nossas discussões temos buscado discutir algumas
questões colocadas pela proposta dos ciclos. Este processo de reordenação
do cotidiano escolar tem demonstrado como nosso entendimento sobre o processo
de aprendizagem é limitado e como esse (des)conhecimento tem contribuído
para uma prática avaliativa classificatória e seletiva.
Vale ressaltar que o problema do não aprendizado das crianças
não reside na abolição da reprovação
(proposta central dos ciclos) e sim em uma prática que (des)conhece
a forma em que se dá a aquisição do conhecimento
e que utiliza a avaliação apenas como um instrumento de
controle.
Tentativas de fazer diferente
No decorrer da pesquisa, temos elaborado com as professoras tentativas
de fazer diferente. As transformações percebidas nas práticas
provocadas pela implementação dos ciclos e pelas nossas
discussões na pesquisa podem ser sintetizadas em algumas idéias:
a. A compreensão de que a aprendizagem não é um processo
orientado por uma meta universal e que não se dá linearmente
Algumas professoras apresentam em nossos encontros atividades que se distanciam
dos exercícios de cópia e treinamento referidos anteriormente.
Escritas espontâneas, histórias das vidas das crianças
e produções realizadas a partir dos saberes que as crianças
trazem para a escola, tem aparecido nos materiais apresentados pelas professoras
que fazem parte da pesquisa. Em nossas discussões aparecem formulações
que criticam a idéia de que o desenvolvimento é um processo
orientado para uma meta universal, questionando assim a existência
de estágios universais independentes da cultura e da história
de cada sujeito. As pessoas compartilham valores, sentimentos, percepções
e ações com os grupos dos quais participam. Isto gera um
espaço comum entre as formas de percepção do vivido.
Ao participar de instituições escolares, estas percepções
necessariamente são confrontadas, tensionadas, problematizadas.
Estas problematizações nos provocam novas formas de conceber
o mundo e, nele, nosso cotidiano. Mas estas novas concepções
não são iguais, nem apresentam uma única finalização
ou compreensão definitiva.
O que agregamos aos saberes das alunas e alunos é diferente de
pessoa para pessoa. Cabe a escola reconhecer os diferentes saberes, oriundos
dos grupos sociais com os quais trabalha; considerar estes saberes ao
propor o currículo escolar, flexibilizando-o; aprender sobre estes
saberes e problematizá-los, buscando sua validade ou reformulação
.
b. A compreensão que o conhecimento não se dá pela
cópia ou pela repetição e sim dinamicamente e discursivamente
Distanciando-se de atividades que possuem um único referencial
de respostas, a professora ao incentivar escritas espontâneas de
seus alunos estimula-o a escrever discursivamente o seu texto. Ao perceber
que a interação, a interlocução e a constituição
do sentido (Smolka, 2003) são fundamentais para a aquisição
do conhecimento, encontro na perspectiva histórico-cultural de
desenvolvimento uma orientação que rompe com as idéias
de linearidade da aprendizagem. Os estudos de Vygotsky (1988) demonstram
que o desenvolvimento psicológico é em grande parte construído
na criança através da interação com o outro.
Nesta perspectiva, temos que o desenvolvimento é um processo social
e culturalmente mediado e que a aprendizagem é um processo contínuo,
dinâmico e singular para cada indivíduo. Vygotsky (1988)
admite as crianças como sujeitos interativos no processo educacional,
distanciando-se da idéia de sujeitos passivos. Em seus estudos,
o autor afirmará que as crianças são elaboradoras
dos conteúdos, pois elas elaboram internamente, com restrições
e conflitos, o que lhes foi apresentado.
O aprendizado, nesta concepção, está diretamente
relacionado com o desenvolvimento, sendo o processo de aprendizagem propulsor
do processo de desenvolvimento. Em seu conceito de zona de desenvolvimento
proximal, Vygotsky nos assinala uma nova maneira de olhar para o processo
de aprendizagem das crianças. Insiste na necessidade de observar
não somente aquele conhecimento/desenvolvimento real em que a criança
sozinha realiza ações completas, mas também e fundamentalmente
aquele conhecimento que ainda não está consolidado, aquelas
funções que ainda estão por “amadurecer”,
que com ajuda de outrem, a criança consegue realizar determinadas
ações. Nesta perspectiva de olhar para além do aqui
e agora do desenvolvimento da criança, podemos ir compreendendo
e intervindo no processo interno de desenvolvimento da criança,
fazendo-nos repensar práticas e concepções do ato
de ensinar-aprender.
c. A ampliação do olhar para as produções
das crianças
Uma das ações que possibilita uma prática na perspectiva
da aprendizagem exposta anteriormente é a de observar as produções
das crianças como um horizonte de possibilidades ao invés
de somente ressaltar o que elas não sabem. Este olhar potencializador
abre a possibilidade para que a prática pedagógica ganhe
outro sentido, sendo a escrita compreendida como um processo em que o
sujeito pode dialogar com o outro e sobre si.
d. A compreensão da avaliação como um movimento de
investigação
Em nossa pesquisa temos pensado na construção de uma avaliação
como prática de investigação (Esteban, 2003) como
uma possibilidade de distanciamento da prática de examinar. No
diálogo vamos descobrindo coletivamente a importância de
criar espaços favoráveis à reflexão sobre
a prática e as teorias que a sustentam, indicando a potencialidade
do trabalho no sentido de que as professoras se constituam como pesquisadoras
de suas próprias práticas. Conversando sobre a avaliação
que é realizada no cotidiano da escola e compreendendo sua lógica,
sua história e seus limites, estamos coletivamente indagando esta
prática, na busca de uma avaliação que tenha como
pretensão promover uma reflexão que participe da experiência
de ensinar com e de aprender com (idem: 35).
A organização da escola em ciclos tem se mostrado como uma
tentativa de reordenação da cultura escolar por estar referenciada
na aprendizagem da criança e no tempo de que cada uma necessita,
sendo a professora um sujeito importante no processo, no sentido de compreender
as necessidades infantis e organizar intervenções significativas
para sua aprendizagem e desenvolvimento. A partir das propostas da organização
em ciclos, pontuamos algumas possibilidades de rompimento com as referências
da avaliação tradicional. Na proposta dos ciclos, a avaliação
aparece como um instrumento para a promoção da aprendizagem
e não para a aprovação/reprovação da
criança, a classificação das crianças e a
produção de hierarquia entre ela.
Neste sentido, não se trata de resolver o fracasso escolar deixando
as crianças passarem de etapa em etapa sem nada aprender. Isto
seria muito mais perverso do que o sistema de reprovação.
As crianças que na escola seriada ficavam anos a fio na 1ª
série por não conseguirem se alfabetizar, e portanto, não
estarem prontas para prosseguirem seus estudos, nos ciclos, essas crianças
seguem os anos escolares e chegam ao 3º ano de escolaridade sem saber
ler e escrever. Fracasso escolar da criança? Ou denúncia
da insuficiência do processo de escolarização? Colocar
em discussão a função política e social da
escola, as conseqüências da reprovação e de como
os abismos sociais têm facilitado a inclusão de uns e a exclusão
de outros é urgente neste contexto que se apresenta.
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