SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 1
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: UM BREVE ESTUDO SOBRE A DIALOGIA E SIMBOLOGIA DO LIVRO EU & MIM MESMO DE FLÁVIO DE SOUZA
AUTOR(ES): ADRIANA FALCATO ALMEIDA ARALDO
RESUMO:A Literatura Infantil é o lugar privilegiado para se trabalhar os conteúdos do “Imaginário“ e ativar os conteúdos mais profundos do inconsciente. Explorando símbolos, imagens e diferentes linguagens, as narrativas infantis difundem um “Imaginário“ construído de experiências humanas, imagens e um sistema de valores considerados convenientes às aspirações das sociedades de diferentes épocas. A Literatura Infantil Contemporânea experimenta um momento de grande riqueza, convivendo em harmonia com outras formas de expressão, com novas linguagens, outras mídias, explorando as potencialidades dos diferentes códigos. Dialoga com todos os tipos de textos, apresenta conflito de vozes, exigindo maior participação do leitor na construção da narrativa. Em EU & MIM MESMO, de 1987, Flávio de Souza, explorando os conceitos da Psicologia Analítica de Jung, coloca em xeque os discursos da moral tradicional, construindo uma narrativa polifônica, com linguagens impregnadas de símbolos, mitos, exigindo do leitor a participação ativa e reflexiva. Pode-se dizer que a Literatura Infantil é um veículo significativo na formação de um “Imaginário“ e de uma “Consciência Social Arquetípica“. Por meio de um discurso dialógico, EU & MIM MESMO, rebate os discursos dogmáticos e estereotipados da educação conservadora e tradicionalista.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGINÁRIO, DIALOGIA, VALORES MORAIS

TÍTULO: DONA BENTA E VYGOTSKY: UMA ANÁLISE DO HOMEM INVENTOR
AUTOR(ES): ADRIANE CENCI, FABIANE ADELA TONETTO COSTAS
RESUMO: Partindo da obra “História das invenções“ (1957), de Monteiro Lobato esta pesquisa propõe a análise da história contada por Dona Benta, relacionando-a ao desenvolvimento filogenético humano abordado, segundo a perspectiva de Vygotsky. A filogênese refere-se ao desenvolvimento de uma espécie, no caso do “homo sapiens”, e diz respeito às suas características peculiares. Dona Benta conta aos netos e à boneca Emilia como o homem primitivo, através das invenções, evoluiu e transformou o mundo ao seu redor e também como transformou a si mesmo, tornando-se o que somos hoje. Vygotsky (1991) fala de como, pelo trabalho, o homem transforma a natureza, nesse sentido dá destaque aos instrumentos – criação humana que media a relação entre o indivíduo e o mundo. O trabalho é característica tipicamente humana e é por ele que o homem transforma a si e a sociedade. Dessa forma, percebe-se que o que Dona Benta chama invenções, Vygotsky denomina instrumentos, portanto, podem ser considerados análogos. As invenções ou instrumentos surgem das necessidades, a partir das quais os indivíduos se deparam. “A necessidade põe o cérebro a caminho. O homem pensou, pensou e inventou” (LOBATO, p.75, 1957). Eles possibilitam que o homem se adapte às mais variadas condições. Segundo Dona Benta os inventos aumentam o poder do homem sobre a natureza porque multiplicam o poder dos olhos, da boca, dos pés, das mãos, dos ouvidos e da resistência da pele, dando-lhe eficiência. A possibilidade de apropriar-se da natureza se deve a uma característica da filogênese humana, a plasticidade do cérebro, nossa espécie é a menos pronta ao nascer, mas essa flexibilidade e as condições do ambiente permitem que nos desenvolvamos e possamos internalizar a natureza modificando-a e modificando-nos. Todas essas características da filogênese, Monteiro Lobato apresenta de forma lúdica e divertida numa obra dedicada às crianças e aos jovens.
PALAVRAS-CHAVE: VYGOTSKY, MONTEIRO LOBATO, “A HISTÓRIA DAS INVENÇÕES“

TÍTULO: O APRENDIZADO DA POESIA E A CONSTRUÇÃO DO LEITOR POETA
AUTOR(ES): AIDA DO AMARAL ANTUNES, HELOANA CARDOSO
RESUMO: Este trabalho discute uma proposta metodológica inovadora sobre o gênero poético, destinados aos alunos da rede pública com histórico de repetência escolar. Os alunos são atendidos no Laboratório de Alfabetização – FACED /UFJF, em grupos constituídos por até seis crianças, na faixa etária dos 09 aos 13 anos. Os acompanhamentos pedagógicos são realizados em 2 encontros semanais de 90 minutos, por uma professora-bolsista dos cursos de Letras ou Pedagogia. Os procedimentos de coleta dos dados foram: anotações em diário de campo, fotos e gravações em vídeos do momento de elaboração textual e produções escritas dos alunos. A proposta metodológica priorizou tanto a exploração das características formais do gênero, formato do texto, a sonoridade das palavras, as rimas e o ritmo, quanto a reflexão sobre o significado e as emoções sugeridas pelo texto lírico. As atividades em torno da poesia foram sistematizadas de forma gradual: (i) identificação do conhecimento prévio sobre o gênero; (ii) leitura e escuta de textos poéticos; (iii) produção textual dos alunos por meio de exercícios variados que possibilitassem a construção poética de forma independente. O êxito da proposta está relacionado ao repertório de poemas a que os alunos tiveram acesso, cuidadosamente escolhidos, aos materiais que compõem a seqüência didática, ao envolvimento dos alunos com a proposta e às mediações realizadas pelas professoras-bolsistas. Os resultados do trabalho revelam que a sistematização construída em torno do gênero poético contribuiu para que os alunos se sentissem livres na busca de associações incomuns entre as idéias e desenvolvessem a capacidade de transformar em versos a observação do mundo e de suas próprias emoções.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE GÊNERO, POESIA, LEITURA E PRODUÇÃO ESCRITA

TÍTULO: LEITURAS E (RE) LEITURAS DE MONTEIRO LOBATO: LEMBRANÇAS E REPRESENTAÇÕES DOS TEMPOS DE INFÂNCIA
AUTOR(ES): ALESSANDRA APARECIDA DE SOUZA GIBELLO
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo apreender a concepção de infância na literatura infantil, enquanto uma forma de representação das relações sociais que marcam a criança em diferentes épocas históricas. Ao tomar Monteiro Lobato como objeto de análise, procuramos evidenciar alguns aspectos que apontam para a sua concepção de infância e intencionalidade presentes em sua obra para o público infantil, além de discutir a relação criança-adulto por meio da pluralidade de vozes que permeiam o universo do Sítio do Picapau Amarelo, que trazem um novo olhar adulto para a criança e a infância. Nesse sentido, buscamos identificar o projeto político pedagógico proposto por Monteiro Lobato em seus textos para criança, que trazia como pressuposto a tarefa de educar as gerações futuras pela literatura infantil, na medida em que nos propomos apresentar a apropriação dessa leitura feita pela primeira geração de leitores infantis de Lobato – nas décadas de 30 e 40 – a fim de pontuar, por meio das “memórias de leituras” – mediante estudo de campo desenvolvido por meio de entrevistas - as marcas deixadas por essa leitura. Tais marcas nos possibilitam, de alguma maneira, a partir das contribuições da História Oral e Histórica Cultural, verificar as contribuições dessas leituras e apropriações para a compreensão da construção de mentalidades de uma dada época.
PALAVRAS-CHAVE: INFÂNCIA, HISTÓRIA CULTURAL, REPRESENTAÇÃO

TÍTULO: HISTÓRIAS DE IDENTIDADES NA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA PARA JOVENS
AUTOR(ES): ALEXANDRA VALÉRIA LINHARES FIGUEIREDO
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo analisar as obras “Os olhos de Ana Marta“, de Alice Vieira, e “O rapaz que não era de Liverpool“, de Caio Riter, à luz da questão das identidades. Temos percebido nas narrativas contemporâneas para jovens um aumento na abordagem de questões existenciais. Queremos propor uma reflexão sobre até que ponto essas narrativas são classificadas com “infanto juvenis”, uma vez que tais questões perpassam todos os seres humanos, de crianças a idosos. A estudiosa Nilma Lacerda nos guiará nessa percepção ao mesmo tempo em que lembramos o que é e qual a função da literatura para Roland Barthes. Uma análise pouco detalhada das obras de Alice e Caio nos ajudará a perceber o quanto as obras direcionadas a crianças e jovens estão cada vez mais ricas de significados e questionamentos; como as obras consideradas “de qualidade” estão, numa proporção crescente, embora ainda pequena, contribuindo para a construção da identidade deles, tratando do mesmo assunto – aqui no nosso caso – de forma não didatizada. Sob a luz dos estudos de Antonio Candido observaremos de perto as personagens principais, Marta e Marcelo, das obras citadas, respectivamente; se são personagens que, apesar de estarem no mundo da ficção, convencem de que são “reais” ao experimentarem diversas questões humanas e se foram bem convencionalizadas ou não. Os protagonistas citam várias obras literárias e em muitos momentos estabelecem uma relação entre a vida deles e a “outra ficção”. Embarcamos nos estudos de Anna Claudia Ramos para salientar a importância da imaginação no processo de construção de si mesmo. Sabemos da impossibilidade de esgotar o tema abordado, no entanto, esperamos que esta análise possa suscitar profundas e também inovadoras pesquisa na área de literatura infanto juvenil, que sendo nova historicamente no meio acadêmico, acaba por ser ainda pouco explorada.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, IDENTIDADE, FAMÍLIA

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 2
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: NARRATIVA JUVENIL E “BULLYNG“: TODOS CONTRA D@ANTE
AUTOR(ES): ALICE ÁUREA PENTEADO MARTHA, NATHALIA COSTA ESTEVES
RESUMO: Ao focar a produção da narrativa contemporânea para jovens, deparamo-nos com o fenômeno da violência, manifesto em suas mais variadas formas: preconceito, agressão física e moral. Em face da multiplicidade de perspectivas sobre o tema, as fronteiras entre o que consideramos violência ou não se tornam maleáveis e de difícil definição quando o assunto é debatido tendo como pano de fundo as relações entre grupos de jovens, pois, muitas vezes, as atitudes se confundem com rebeldia ou indisciplina, notadamente, se o espaço de ocorrência for o escolar. Assim, como a discussão de tais conceitos é complexa e não podemos esgotá-la em poucas linhas, assim como a discussão das manifestações literárias de tais assuntos, considerados “temas de fronteira“, notadamente, aqueles que tratam da violência de e contra jovens, não é tarefa fácil. Exige sensibilidade apurada de narradores e/ou poetas para que não atentem contra a dignidade dos leitores, com a exploração de sentimentos e emoções. É preciso fugir de lugares comuns, trabalhar a linguagem em todas as suas nuances e possibilidades de sentido, valorizando, entre outros, os recursos sonoros, semânticos, semânticos, para expressar o mundo em sua totalidade. Com a leitura da obra “Todos contra D@nte“ (Cia das Letras, 2008), de Luís Dill, pretendemos examinar, no contexto da produção brasileira contemporânea, como os modos de narrar se apropriam de estruturas e ferramentas de comunicação do ciberespaço – comunidades, blogs, “chats” - valorizadas pelos jovens, com o intuito de estabelecer pontes entre a invenção ficcional e os leitores pretendidos, ressaltando os reflexos da violência do mundo narrado na arquitetura ficcional bem os resultados estéticos de tal relação.
PALAVRAS-CHAVE: BULLYNG, NARRATIVA JUVENIL, TODOS CONTRA D@NTE

TÍTULO: A CONSTRUÇÃO DO HERÓI EM ZIRALDO
AUTOR(ES): ALINE MENDEL DA SILVA
RESUMO: Em um texto, as palavras enredam-se de maneira a produzir orações que se unem formando períodos, que por sua vez, originarão uma estrutura maior, repleta de significados. Produzir um texto não é, portanto, apenas unir palavras, mas tecê-las de maneira a criar algo muito maior do que simples estruturas sintagmáticas. Para um bom autor, a escolha de cada palavra é crucial e emblemática, implicando, além de questões próprias da linguagem, a reprodução do imaginário em que a obra está inserida. O texto literário reproduz, como se fosse uma espécie de microcosmo, o sistema social em que está inserido. Tendo isso em mente, é possível afirmar-se que o herói, como figura central da trama, é o elemento-chave para a investigação de tal sistema. Investigar o herói é, portanto, analisar o próprio contexto histórico-social em que a obra foi produzida. Este trabalho é uma investigação não só linguística, mas também literária da obra de Ziraldo. O que se objetiva é perceber os mecanismos de construção do herói em uma de suas obras, “O Planeta Lilás“. Para tanto, utilizar-se-á como ponto de partida a inferência acerca do emprego dos adjetivos e de como esses produzem significado na construção desse herói. Convém ressaltar que outros aspectos da linguagem poderão ser abordados.
PALAVRAS-CHAVE: HERÓI, IDENTIDADE, ADJETIVOS

TÍTULO: A “DESMETAFORIZAÇÃO“ NA LITERATURA INFANTIL
AUTOR(ES): ALMIR CORREIA
RESUMO: Apresento este trabalho, primeiramente, como escritor de literatura infanto-juvenil e depois como pesquisador, estabelecendo uma relação entre a minha criação literária e o discurso acadêmico. Parto então do universo infantil que vê o mundo através das palavras/imagens que são coisas. O abstrato não existe ainda, só vai ser construído bem mais tarde. E nessa concretude das coisas e das idéias que são coisas, o maravilhoso se estabelece através das idéias que não conseguem ser metáforas. Nessa fase, tudo é lido pelo infante “ao pé da letra”. E então nada mais natural que um poema passe a brincar também com tal expressão metafórica, desmetaforizando-a. E, então, temos: “Ao pé da letra/ plantei bananeira/ no país das fadas/ colhi frutas maduras/ alfabetizadas.“ (CORREIA, Almir 2004). Para as crianças, a “metáfora“ não existe. O sentido figura não é lido como tal. É sempre palavra/ imagem pulsante, cheia de cor, forma, som, cheiro. Sentidos. “Puxar brasa para sua sardinha“ não significa para os pequenos “tentar ganhar vantagem sobre algo“, mas simplesmente puxar uma brasa acesa para uma sardinha. “Puxei uma brasa para minha sardinha/ Puxei uma coberta para minha sardinha/ E assim a todo momento/ ela me dizia:/ Meu bem, como eu estou quentinha“ (CORREIA, Almir 2002). O sabor do poema está então na “desmetaforização“. Nas imagens tomadas ao pé da letra. E o mundo apresenta-se muito mais interessante do que aquele cheio de abstrações e enganos.
PALAVRAS-CHAVE: METÁFORA, DESMETAFORIZAÇÃO, LITERATURA
TÍTULO: A RECEPÇÃO DE A ROUPA NOVA DO IMPERADOR, DE HANS CHRISTIAN ANDERSEN, NA 4ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL DE DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DO OESTE PAULISTA.
AUTOR(ES): AMANDA CARLA MINCA CARVALHO
RESUMO: A presente pesquisa concentra-se num estudo de caso sobre a recepção da obra “A Roupa Nova do imperador“, do precursor da literatura infantil Hans Christian Andersen, por leitores de 4ª série do Ensino Fundamental de duas escolas públicas do município de Presidente Prudente, uma delas localizada na região central da cidade e a outra em bairro periférico. Considerando-se a contribuição significativa que a leitura de narrativas literárias pode oferecer para a formação de leitores e a necessidade de compreender esse fenômeno, pretende-se pesquisar, de uma perspectiva qualitativa, o processo de leitura desses estudantes, descrevendo e sondando os níveis de identificação e rejeição dos sujeitos-leitores em relação à ficção; seu grau de compreensão da narrativa, abordada segundo os diferentes elementos que a estruturam; o atendimento e a ruptura dos horizontes de expectativas dos leitores quanto à linguagem e as várias esferas de representação inseridas na obra; a proposição de sentidos para o texto literário, dos mais denotativos aos mais conotativos. Para alcançar os objetivos propostos, serão analisados: a narrativa “A Roupa Nova do Imperador“; sua bibliografia crítica; questionários socioeconômico-culturais de alunos das duas escolas; transcrições de entrevistas orais; textos escritos com resumos e comentários sobre a obra; vídeos com debate sobre a obra.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA , LITERATURA , RECEPÇÃO

TÍTULO: AS CONTRIBUIÇÕES DA “HORA DO CONTO” PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES E PRODUTORES DE TEXTOS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL.
AUTOR(ES): AMANDA CAROLINA FREIRE POMMELLA, THAYS APARECIDA TRALBACK
RESUMO: Este trabalho diz respeito ao projeto de incentivo a leitura e produção de texto, denominado “Hora do Conto”, desenvolvido no CELLIJ (Centro de Estudos em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Maria Betty Coelho Silva”), localizado FCT, UNESP, Campus de Presidente Prudente. Enquanto alunas, do curso de Pedagogia, desenvolvemos atividades coordenadas pela Profª Drª Renata Junqueira de Souza. O espaço é aberto para as escolas do Ensino Fundamental, agendarem horários e trazerem seus alunos a fim de vivenciarem um pouco da magia da literatura infantil por meio do projeto “Hora do Conto”. Este trabalho justifica-se pela falta de incentivo à leitura, que tem como uma das conseqüências, a má qualidade dos textos escritos pelos alunos. Assim, o objetivo do projeto é através da leitura propiciar subsídios para que as crianças sejam capazes de produzir textos a partir de uma leitura critica. A realização deste é dividida em dois momentos: - A preparação das atividades a serem vivenciadas na “Hora do Conto” como, a escolha da história, escolha da técnica e o estudo da história. - A vivência das atividades que engloba a discussão anterior à história, a contação, a discussão após a história e a atividade de produção de texto. Nos encontros realizados com as crianças observamos que elas demonstram grande interesse pelas histórias contadas e participam das atividades propostas, empenhando-se nas produções de textos de boa qualidade, o que indica um resultado bastante satisfatório. Concluímos, portanto, que o estímulo e o incentivo à leitura são indispensáveis para a formação de crianças produtoras de textos, pois acreditamos que essa mediação, de pais, professores e escola, contribuirá positivamente para sua formação ampliando a capacidade de se comunicar, se expressar, compreender e transformar o mundo que a cerca.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, PRODUÇÃO DE TEXTOS, LEITURA

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 3
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: MEMÓRIAS LEITORAS, NARRATIVAS REVELADORAS: A FORMAÇÃO O LEITOR QUE FORMA LEITORES.
AUTOR(ES): ANA FLAVIA TEIXEIRA VERAS
RESUMO: Memórias leitoras, narrativas reveladoras: a formação do leitor que forma leitores. Ana Flávia Teixeira Véras, Pós-Graduação em Educação–UFRJ e Secretaria Municipal de Educação - SME/RJ. A presente comunicação tem por objetivo compartilhar algumas percepções e reflexões sobre a formação de leitores a partir de um estudo realizado em uma escola da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa de mestrado em fase de conclusão, e que teve como objetivo primeiro descrever e analisar como o processo de formação de leitores nas séries iniciais sofre interferência das experiências com a leitura de professores alfabetizadores. Como o professor é leitor? Que leituras ele comapartilha com seus alunos? Que experiências de leitura ele promove em sala de aula? Pretendeu-se ainda, verificar como a práxis no ensino de leitura dialoga com as experiências com a leitura literária que o professor teve ao longo de sua trajetória escolar, de formação e de docência. Além de identificar como o ensino de leitura literária ministrado no espaço escolar, tendo como mediador o professor, repercute na formação do leitor-criança, formando concepções sobre a leitura e seu papel na vida em sociedade. Analisar o quanto essa formação promove a inclusão ou exclusão desses sujeitos-leitores na sociedade, tendo em vista a promoção da leitura enquanto prática social e como um dos caminhos possíveis de encontro com a cultura, com o conhecimento e com a democracia.
PALAVRAS-CHAVE: MEMÓRIAS LEITORAS, FORMAÇÃO DO PROFESSOR, LEITURA LITERÁRIA E INLCUSÃO
TÍTULO: LITERATURA NA AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA – LINGUAGEM CORPORAL E ESCRITA SOBRE PRÁTICAS CORPORAIS.
AUTOR(ES): ANDREA DESIDERIO
RESUMO: Este trabalho versa sobre a trajetória de criação de um livro de literatura infantil para a área da Educação Física Escolar. Há 5 anos trabalho como professora de Educação Física, na Escola do Sitio. Escola particular, localizada em Barão Geraldo,Campinas,SP. Lá a literatura é bastante presente, os alunos são estimulados à leitura desde sua iniciação, em rodas, lendo para outras turmas ou produzindo livros. Ao inserir-me no projeto pedagógico da escola comecei a buscar literaturas infanto-juvenis que falassem sobre o corpo, nas linhas ou entrelinhas. Poucas obras tratavam especificamente de alguma prática corporal presente nas aulas de Educação Física. Nessas aulas também lemos, não apenas os gestos, mas as palavras escritas. Sendo assim esse trabalho se justifica devido à pouca produção encontrada, na área da educação física escolar, que fale sobre as práticas corporais especificamente. Literaturas que apresentem informações históricas e culturais sobre tais práticas. A criação deste livro vem colaborar e enriquecer essa produção. A ausência me estimulou a produção. Sou pesquisadora na área de educação física escolar e ginástica, assim aproximei esses dois campos da educação física e decidi fazer um livro sobre Ginástica, voltado para crianças, para ser lido nas aulas de educação física. Ensaiei por bastante tempo e foi após assistir a palestra de três autores de livros infantis na reinauguração da biblioteca da Escola do Sitio, que pensei ser esse sonho possível. Coloquei no papel o que me interessava e faltavam as imagens para dialogar com o texto. Encontrei o ilustrador na própria escola, ao receber o trabalho de um aluno sobre surf, que veio completamente ilustrado. Temos dois objetivos principais: estimular a produção de materiais semelhantes, por outros professores-escritores e tornar-se um livro realmente lido na área, principalmente na escola, mas também fora dela.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, GINÁSTICA, LINGUAGEM CORPORAL
TÍTULO: RODAS DE LEITURA E FORMAÇÃO DE LEITORES
AUTOR(ES): ANGELA MARIA DA COSTA E SILVA COUTINHO
RESUMO: A presente comunicação contempla o estudo da literatura brasileira juvenil contemporânea , em diálogo com outras formas de linguagem artística como a música, o cinema, o teatro, o vídeo, no sentido de implementar a continuidade da pesquisa sobre a formação de leitores. Este estudo fez parte da disciplina Arte Literária Contemporânea ministrada no Curso Superior de Tecnologia em Produção Cultural, elencando os seguintes escritores: Viviane Mosé, Rubem Fonseca, Antonio Cícero, Millôr Fernandes, Jorge Amado. Ao articular as linguagens, recorreu-se aos estudos bakhtinianos sobre dialogismo textual e cultural. Para a análise dos textos literários, foram feitas leituras dos textos teóricos de Silviano Santiago sobre Interpretação e sobre Produção de sentido. Além disso, foram feitos estudos de Semiótica tratados por Décio Pignatari. Desenvolveu-se entre os jovens participantes uma expectativa de desdobramento da disciplina para uma ação cultural em forma de Rodas de Leitura que aconteceram e absorveram os interessados em interferir positivamente na formação de outros leitores. As Rodas de Leitura fazem parte de um plano piloto de formação de leitores e são realizadas com estudantes de Produção Cultural que, nesta edição de 2008/2009, se dedicam ao estudo dos contos de Clarice Lispector e o fazem com a perspectiva de formular estratégias para suas futuras ações culturais de leitura. No desenvolvimento desta Comunicação apresentam-se as formas como foram abordados alguns contos de um dos livros estudados, “A legião estrangeira“.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA BRASILEIRA , AÇÃO CULTURAL DE LEITURA, RODAS DE LEITURA
TÍTULO: SÍTIO DO PICAPAU ANARELO: UMA LEITURA HIPERTEXTUAL
AUTOR(ES): ANGELINA MARIA FERREIRA DE CASTRO
RESUMO: A revolução teórica e tecnológica ocorrida nas últimas décadas trouxe, em seu bojo, um novo paradigma do conhecimento que, descartando a fragmentação dos saberes e tendo como metáfora a rede, propõe o desenvolvimento do pensamento complexo, poderoso auxiliar na compreensão do mundo interligado em que vivemos hoje. Esses avanços têm demandado novos rumos para os processos de leitura e escrita, visto que o texto, pela mescla de diversas mídias e diferentes linguagens, tornou-se híbrido e está sendo contemplado como um hipertexto, estética que permite o trânsito do leitor pelos mais variados saberes e pelas múltiplas dimensões textuais, exigindo que novas operações cognitivas sejam ativadas, dentre elas, as experiências da simultaneidade e da transversalidade. No contexto atual, portanto, o hipertexto torna-se uma ferramenta indispensável da transversalidade, metodologia que, segundo Edgar Morin, auxilia no desenvolvimento de uma educação pertinente, permitindo ao leitor o estabelecimento de uma interlocução com o mundo globalizado em que está inserido. Considerando, pois, o momento atual profícuo para se refletir sobre novos métodos de leitura-escrita, este trabalho tem como objetivo demonstrar como se pode desenvolver uma leitura reticular da obra infantil de Monteiro Lobato, que, pelo potencial que encerra, pode prestar-se a essa revisão metodológica de que necessitamos. Para tanto, o ensaio - Sítio do Picapau Amarelo: uma leitura hipertextual - estabelece um roteiro que, partindo da inserção da obra no modelo das teorias de rede propostas por Pierre Lévy, Ítalo Calvino, dentre outros, passa por um pequeno histórico do texto que, a partir da década de 60, começa a sofrer metamorfoses até chegar ao seu novo formato, desdobrando-se, afinal numa leitura hipertextual, orientada pelos princípios do hipertexto, propostos tanto por Pierre Lévy como por Deleuze e Guattari.
PALAVRAS-CHAVE: PENSAMENTO COMPLEXO, TRANSVERSALIDADE, LEITURA HIPERTEXTUAL/SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

TÍTULO: A HORA DO CONTO EM LIVRARIAS: UM INCENTIVO A LEITURA
AUTOR(ES): APARECIDA DE ALMEIDA DA SILVA
RESUMO: A “Hora do conto“ tem sido utilizada como um grande estimulador para o incentivo da leitura no Brasil. Por isso é importante ressaltar que ela veio para contribuir com o desenvolvimento social e imaginativo da criança. Neste trabalho abordaremos as livrarias como mediadoras de leitura para crianças, demonstrando que aquelas também têm a preocupação de incentivar as crianças à leitura. Será realizada uma revisão de literatura visando conhecer o estado da arte do tema em questão e propiciando o conhecimento das idéias de diversos autores referente a esta modalidade de incentivo à leitura. Objetiva-se, entre outros, demonstrar que algumas livrarias estão assumindo um grande papel: o de incentivar leitores. Isso contribuirá para que o método de leitura melhore o desenvolvimento social, contribuindo para a qualidade dos relacionamentos entre outras crianças e de crianças com adultos. Para a investigação, optou-se pelo uso da observação de ações desenvolvidas em duas livrarias da cidade de Londrina, localizada na região norte do Paraná. Com base nos resultados, será possível identificar como são realizadas as ações voltadas para a mediação da leitura de crianças. Este texto visa, ao seu final, contribuir com as várias publicações sobre o tema abordado, tentando demonstrar que não é só dentro da biblioteca que a “Hora do conto“ deve ocorrer, pois existem outros espaços que devem ser utilizados, entre eles, um que ainda é muito pouco analisado, ou seja, a livraria.
PALAVRAS-CHAVE: HORA DO CONTO EM LIVRARIAS, MEDIAÇÃO DE LEITURA, LIVRARIAS DE LONDRINA

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 4
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: RESGATE E CONCILIAÇÃO DO SER NA APRENDIZAGEM LITERÁRIA INFANTIL.
AUTOR(ES): ARLINDA ALVES DE SOUSA
RESUMO: Nas obras de Ana Maria Machado, “A princesa que escolhia“ e “O príncipe que bocejava“, o leitor se identifica com certas condutas dos personagens, porque os sentimentos “ficcionalizados“ vão de encontro com a vida real que dá passagem à atividade leitora realizada pelos personagens. Esses contos oportunizam, pela ponte da aprendizagem literária, a conciliação do leitor com os demais sujeitos representados ou existentes na contemporaneidade. São momentos fantasiosos e imaginativos em que os alunos vivenciam valores importantes para a vida em família. As obras escolhidas estão de acordo com a expectativa do leitor mirim, são narrativas que oferecem obstáculos desafiadores ao raciocínio e à criatividade. O universo literário possui poder imensurável como contribuição para a formação do cidadão consciente. Esses contos de fadas modernos desconstroem algumas verdades pelo viés da intertextualidade com outros contos já conhecidos. Portanto, ao analisar o texto o expectador poderá refletir acerca da responsabilidade de cada cidadão na sociedade. Para embasar a pesquisa serão utilizadas as obras “Ensino da literatura nas séries iniciais“, de Maria Helena Frantz e Cristal em Chamas e “Uma introdução à leitura do texto literário“, de Sérgio Luiz Prado Bellei. “A literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apóia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas” (Candido:2004, p.175).
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, ANA MARIA MACHADO, APRENDIZAGEM
TÍTULO: A LEITURA E O LEITOR DO LIVRO O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ, DE BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
AUTOR(ES): BERTA LÚCIA TAGLIARI FEBA
RESUMO: A obra “O olho de vidro do meu avô“ (2004), de Bartolomeu Campos de Queirós, apresenta ao leitor a história de um menino que ficava imaginando os mistérios escondidos atrás do olho de vidro de seu avô Sebastião. Em várias passagens do livro, o narrador-personagem questiona-se sobre o que pode visualizar o olho de vidro, porém são latentes a proteção e o carinho que sente ao lado do avô. Por meio da linguagem do olhar, os dois se relacionam afetuosamente, mas de forma emudecida, talvez pelos segredos guardados naquele olho de vidro. São essas dúvidas do neto que levam o leitor a participar da história por meio da imaginação e das experiências de seu cotidiano, dando vida ao que lê. Com isso, os variados sentidos que emergem da leitura dependem do trabalho do leitor, uma vez que é esta a instância responsável pelo processo de atualização da obra. Assim, esta comunicação tem o intuito de analisar o leitor implícito e os espaços vazios deixados pelo texto literário, objetivando também apresentar as estratégias que no livro estão inseridas, nas quais se organizam em prol da participação do leitor na produção de significados. Nossa apreciação revela a narrativa como um espaço determinante de interação entre texto e leitor e marcado pela polissemia, suscetível a novas interpretações e possíveis desdobramentos.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS, LEITOR

TÍTULO: POR UMA LEITURA SEM CERCAS: O MÉTODO RECEPCIONAL NO TRABALHO COM A OBRA “O MENINO DO PIJAMA LISTRADO“
AUTOR(ES): BRUNA MARIA SEVERINO BICUDO
RESUMO: Este trabalho objetiva apresentar um estudo de caso, envolvendo a aplicação do método recepcional de ensino da literatura (BORDINI; AGUIAR, 1993), numa sala do Ensino Fundamental II (6ª série), pertencente a um colégio particular do município de Itapeva, SP. Embora a literatura não integre o currículo de disciplinas da segunda etapa da educação básica, na realidade supracitada é disciplina integrante das aulas de Língua Portuguesa, porém apresenta especificidades se comparada ao seu ensino no nível Médio: não há obras pré-definidas, nem o estudo histórico dos períodos literários, além disso, o leitor tem seu ponto de vista respeitado e as obras a serem trabalhadas pela turma, durante os bimestres, são escolhidas através dos interesses discentes. Após o levantamento das expectativas, obtido por meio de análise de fichas da biblioteca, das leituras espontâneas realizadas nos momentos de roda de leitura e comentários sobre obras em situações informais, percebeu-se que os alunos gostariam de ler enredos de aventura, com uma pitada de romantismo e textos relacionados a algum fato marcante da História da Humanidade, assim sendo, elegeu-se o livro “O menino do pijama listrado“ (2007), de John Boyne, como obra de abertura do ciclo literário do 1º Bimestre deste ano de 2009. Por abordar um tema sócio-histórico (a Alemanha nos tempos de Hitler), a leitura do livro pragmatizou-se através de atividades interdisciplinares (História), projeção de filmes com enredos condizentes, leitura de textos de apoio sobre as barbáries cometidas durante o período representado pela obra, análise comparativa com textos de maior realização artística e práticas de interação social entre o livro e o leitor, a fim de que a leitura atingisse sua práxis, revelando aos discentes seus papéis de sujeitos históricos, ativos na construção de seus próprios conhecimentos.
PALAVRAS-CHAVE: MÉTODO RECEPCIONAL, O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, LITERATURA JUVENIL

TÍTULO: “O AMOR NÃO É SEMENTE, AMOR É O SEMEAR”-UM OLHAR LITERÁRIO SOBRE A FAMÍLIA AFRICANA
AUTOR(ES): CARLA ELIANE SZAJDENFISZ JARLICHT, FLAVIA ALVES GOMES
RESUMO: Tendo em vista a velocidade dos tempos atuais e da “liquidez“ das relações sociais, refletir sobre a organização de sociedades cujo referencial cultural é tão diferente do brasileiro, como acontece na cultura das sociedades africanas, é bastante enriquecedor. Tais relações sociais encontram na categoria família, um dos referenciais para a compreensão da sociedade e, em se tratando de África, esse referencial passa a ser um verdadeiro centro de gravidade da vida social, base para a perpetuação das culturas e do continente como um todo. Ao entrelaçarmos Brasil e África, tal discussão se faz ainda mais necessária como forma de aproximar universos distintos e que, ao mesmo tempo, estão em interação constante. Sendo a literatura infantil e juvenil aquela que introduz o sujeito no universo literário é de suma importância que ela seja de qualidade, sobretudo, quando se contempla a cultura africana, ainda permeada de tantos estereótipos e preconceitos. Nesse sentido, a fim de possibilitar e ampliar esse diálogo, a obra “Chuva pasmada“ (2004), do consagrado escritor moçambicano Mia Couto, será o passaporte para esses dois mundos. Considerado um dos maiores escritores contemporâneos africanos e da literatura de língua portuguesa, o autor é muito conhecido no Brasil, principalmente, pelas obras voltadas para o público adulto. Entretanto, o livro a ser analisado no presente artigo foi direcionado ao público jovem, embora o próprio autor não faça essa restrição e convide a todos a desvelar como as relações familiares são basilares para aquela cultura.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA JUVENIL, ÁFRICA, FAMÍLIA

TÍTULO: OS CONTOS DE FADAS PREFERIDOS DOS LEITORES MIRINS DE UMA ESCOLA DE SÉRIES INICIAIS DE PRESIDENTE PRUDENTE
AUTOR(ES): CAROLINE SANCHEZ MASSUIA
RESUMO: Os contos de fadas são histórias que surgiram da tradição oral, antes mesmo da escrita, seus temas são diversos e tratam de questões universais que fazem parte da tradição de muitos povos e continuam sendo atuais. Além disso, exemplificam textos que são oferecidos às crianças em vários momentos de suas vidas, da infância à vida adulta, permitindo a criação de novos mundos em torno e a partir de tais textos. A escola é o local onde o aluno terá contato com eles. No entanto, pesquisas revelam o pouco uso de textos literários nas séries iniciais. Os professores deveriam apresentar aos seus alunos a versão original dos contos de fadas, pois eles podem auxiliar na formação do leitor crítico. Quando a criança tem acesso a esse tipo de texto em sua versão original, seus medos e anseios se amenizam e ela poderá se desenvolver melhor emocionalmente. O principal objetivo desta pesquisa é saber quais os contos de fadas os alunos de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental conhecem e quais são seus preferidos e a seguir, verificar que versões desses contos estão disponíveis na biblioteca da escola – meio de circulação de livros. Além disso foi possível levantar as diferenças e semelhanças dos contos disponíveis na escola, confrontando os contos originais e as diferentes versões adaptadas, separando-as em versões adaptadas interessantes e equivocadas. Dessa forma foi possível verificar um pouco do perfil do leitor em formação.
PALAVRAS-CHAVE: CONTOS DE FADAS, CONTO ORIGINAL, ADAPTAÇÃO

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 5
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 04
TÍTULO: LIVRO INFANTIL: UMA NOVA VISÃO DE MUNDO.
AUTOR(ES): CAROLINE WENZEL FLORINDO, CAROLINE PINTO DA SILVA, NATALIA SALVATO CODO
RESUMO: O nosso projeto tem como base o livro “O gato e o Escuro”, de Mia Couto, que fo seu primeiro livro de histórias infantis. “O Gato e o Escuro“ é a história do gatinho Pintalgato, o tema gira em torno do medo do escuro ou do desconhecido. Muitas são as questões filosóficas que poderiam ser identificadas no texto, porém, esse não é o nosso principal objetivo. Pretendemos, neste trabalho, apresentar o livro como uma ferramenta para trabalhar alfabetização no primeiro ano do ensino fundamental. Utilizamos diversas ferramentas para a aplicação do projeto, a fim de proporcionar aos alunos uma melhor compreensão do desenvolvimento da leitura e da escrita e como suporte teórico diversos autores, como Joset Jolibert em “Formando crianças leitoras”, Paulo Freire em “A importância do ato de ler” e Maria Lajolo em “Do mundo da leitura para a leitura do mundo”. O livro proporciona aos alunos uma leitura de mundo que faz refletir sobre os seus próprios medos. A leitura de mundo permite a leitura da palavra e, desta forma, surge a alfabetização concreta. A experiência da leitura possibilita qualidade e visão crítica tornando a experiência de ler, significativa. A finalidade deste trabalho é ,além de tornar o livro conhecido pelo meio acadêmico, discutir a importância da leitura para as crianças, sendo que esta prática tornou-se massificada, trazendo o esgarçamento do significado do texto e o envelhecimento rápido dos textos e conteúdos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DE MUNDO, ALFABETIZAÇÃO, LITERATURA INFANTIL

TÍTULO: MEMÓRIA E ORALIDADE NA OBRA DE MARINA COLASANTI
AUTOR(ES): CATIA TOLEDO MENDONÇA
RESUMO: Marina Colasanti cria contos de fadas. Muitas são as obras que confirmam essa afirmativa, mas, em 2007, a autora lançou, pela Editora Melhoramentos, o livro “Minha Tia me contou“, no qual as narrativas se afastam da magia dos contos de fadas para se aproximarem das histórias que povoam as lembranças da infância. A Tia ora conta, ora é contada, mas sempre sob o olhar fascinado das crianças. É a partir desse olhar que personagem e narradora se constroem nas seis histórias “da Tia” que compõem o livro e que são introduzidas por uma narrativa sem título, na qual a mulher e a criança se alternam ao observar a casa da família, palco de tantas aventuras. Eis a porta de entrada para mais esta obra, tão diferente das anteriores e que nos aponta o ecletismo desta autora, que já teceu tantos textos sobre fadas, sobre viagens e agora sai em busca da própria infância como um novo fio, matéria para a construção do literário. Nesta comunicação pretende-se, a partir da análise das histórias contidas nesse livro, identificar as marcas das narrativas orais, que se perpetuam pela memória, bem como traçar um paralelo entre a elaboração dos contos de fadas desta autora e estes outros textos. Pretende-se estabelecer semelhanças e diferenças, de modo a que se amplie o conhecimento sobre as obras de Marina Colasanti.
PALAVRAS-CHAVE: MARINA COLASANTI, ORALIDADE, MEMÓRIA

TÍTULO: A PRODUÇÃO DE FÁBULAS EM CONTEXTO PEDAGÓGICO
AUTOR(ES): CÁSSIA REGINA COUTINHO SOSSOLOTE
RESUMO: No imaginário escolar as fábulas são consideradas um gênero de discurso cujos personagens mais comuns são animais que apresentam atributos humanos, principalmente, quando se toma como referência as fábulas de Esopo, a quem se atribui a autoria das fábulas gregas. A definição das fábulas como textos que apresentam uma lição de moral foi recorrente nos contextos em que divulgamos um determinado saber sobre este gênero discursivo, produzido em curso de Pós-Graduação. Corpus dos cursos de “Prática de Ensino de Línguas Estrangeiras: Grego e Latim I e II“, ministrados entre 1989 e 2002, deve ser dito que grande parte da problematização dos textos, assim denominados, resultou do trabalho pedagógico realizado com os alunos do curso de Letras. Preocupada em demonstrar que a Grécia constituiu a pátria da fábula para dar visibilidade à influência da cultura grega na cultura ocidental, particularmente, na cultura brasileira, era insuficiente conceber a fábula como um tipo de texto selecionado para compor antologias. Perguntávamo-nos, assim, sobre os contextos enunciativos em que se fala por meio de fábulas. Necessariamente as questões que se colocaram foram formuladas com base em teorias enunciativas. Passamos, assim, a nos perguntar a propósito das fábulas de Esopo traduzidas por Dezotti (1991), quem são os enunciadores da fábula, que intenção de significação condicionou a sua composição bem como indagamos a respeito dos contextos enunciativos em que foram produzidas. Esta forma de olhar para o corpus, aliada ao exercício escolar que os licenciandos realizaram e que se caracterizou pela proposição de moralidades às narrativas sem o recurso à moral original, mostrou-nos que a narrativa das fábulas é polissêmica. O conhecimento acumulado a respeito da fábula que, segundo Lima (1984), é composta de discurso narrativo, discurso metalingüístico e discurso moral, aliada à natureza polissêmica da narrativa, tornou possível a proposição da produção de fábulas em contextos enunciativos.
PALAVRAS-CHAVE: FÁBULA, ENUNCIAÇÃO, POLICEMIA
TÍTULO: ESCREVER PARA ARMAZENAR O TEMPO: ARTE E MORTE NA OBRA DE LYGIA BOJUNGA
AUTOR(ES): CLARICE LOTTERMANN
RESUMO: Esta comunicação visa compartilhar algumas reflexões resultantes da pesquisa de doutoramento em Estudos Literários, na qual foram analisadas as representações da morte, na obra ficcional de Lygia Bojunga. Constatou-se que, ao longo da obra da escritora, a morte está associada a uma recorrente tensão com a criação artística. Percorrendo suas obras ficcionais, observa-se que a preocupação com a revivescência e a continuidade é constante e que o processo criativo da escritora mantém profunda relação com a imagem da morte. Nas obras “Corda bamba“, “O sofá estampado“, “O abraço e Retratos de Carolina“ observa-se o entrecruzamento entre a morte e os sonhos: espécie de rito de passagem, os sonhos são fundamentais para a compreensão da morte, para a vivência e superação do luto e para a organização da estratégia narrativa. Nos textos “A troca e a tarefa”, “O meu amigo pintor“, “Nós três“ e “Retratos de Carolina“, a discussão volta-se para as imbricações entre a morte e a arte, salientando-se a importância da criação artística nas obras da autora. Ao representar a arte como uma forma possível de resistir à aniquilação, como perpetuação e registro do tempo, a obra ficcional de Lygia Bojunga caracteriza-se como ímpar no universo da literatura infantil e juvenil brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: LYGIA BOJUNGA, MORTE, ARTE

TÍTULO: (RE) DESCOBRINDO IDENTIDADES ATRAVÉS DA LITERATURA JUVENIL.
AUTOR(ES): CLAUDIO LOURENÇO DE OLIVEIRA, VITOR REBELLO RAMOS MELLO
RESUMO: Os Parâmetros Curriculares Nacionais ressaltam a importância de se construir a identidade da criança de maneira progressiva através do entrelace de várias áreas do saber, buscando, assim, um todo significativo no processo ensino-aprendizagem. A Lei 11645/08, através da qual se tornou obrigatório o estudo das culturas afro-brasileira e indígena nas escolas, de certa forma, também caminha na mesma direção dos PCNs, uma vez que falar spbre a África implica abordar temas relacionados à identidade e às várias disciplinas pelas quais pode ser abordado o alicerce cultural desses grupos étnicos. Porém, ao observarmos muitos livros que tratam do tema em questão, percebemos que sobre ele recai um olhar impregnado de preconceitos. No entanto, é importante ressaltar que os PCN’s posicionam-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais. Assim, através do fio condutor da literatura juvenil, serão analisados aspectos sociais e culturais representativos da África, enraizados em solo brasileiro que podem ser trabalhados interdisciplinarmente em sala de aula. Para tanto, será foco desta análise a obra “Meu tataravô era africano“ (2008), de Georgina Martins e Teresa Silva Telles, que aborda essas questões utilizando a Literatura através do texto narrativo e a História, que corrobora com fatos e acontecimentos relevantes para a formação da identidade do nosso país.
PALAVRAS-CHAVE: ÁFRICA, BRASIL, IDENTIDADES

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 6
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 04
TÍTULO: REALIDADE E FANTASIA NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUTOR(ES): CLEIDE DA COSTA E SILVA PAPES
RESUMO: Além de revelar a realidade em todos os seus aspectos, a literatura e, especialmente, a literatura para crianças e jovens, trabalhando com a fantasia, concorre para que o receptor/leitor encontre formas de compreendê-la e transformá-la. Com um novo olhar e, retaurado nas suas forças e nos seus sonhos, poderá emergir do universo fantasista criado pela palavra literária que o levará a descobrir, a partir de seu próprio interior, as saídas para os descaminhos da vida, muitas vezes mais escuros e perigosos do que os labirintos da ficção. Em perspectiva de humanização, esta comunicação pretende apresentar como realidade e fantasia dialogam na Literatura Infantil e Juvenil, em oposição e/ou paralelo, abrindo um horizonte de possibilidades para ajudar no desenvolvimento do ser em formação. Crianças e jovens, vivendo em contato apenas coma realidade, nos seus desvios de violência, consumismo e fragmentação, muitas vezes perdem a capacidade de idealizar e esvaziam-se no seu potencial criativo justamente por não terem recebido a fantasia como o alimento necessário para a sua imaginação. Com o objetivo de trabalhar a sua sensibilidade e conduzi-los à integralidade de ser, importa levá-los aos bosques ficcionais com os mitos, lendas, fábulas, contos do maravilhoso oferecidos pela literatura, para que possam lidar com a realidade através da fantasia e criar mecanismos de superação para viver no mundo concreto, com todos os seus conflitos e enfrentamentos.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, FANTASIA, FORMAÇÃO
TÍTULO: A PRODUÇÃO LITERÁRIA PARA CRIANÇAS E JOVENS: DISTRIBUIÇÃO E PERTINÊNCIA EM CATEGORIAS DA FNLIJ
AUTOR(ES): CRISTIANE DIAS MARTINS DA COSTA, BRUNA LIDIANE MARQUES DA SILVA
RESUMO: Há 40 anos a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), seção do International Board Books for Young People (IBBY) no Brasil, conduz o processo de avaliação e premiação da produção literária destinada a crianças e jovens no país. O Grupo de Pesquisa do Letramento Literário (1), ao qual pertencemos , participa formalmente desse processo desde 1996 e, em decorrência desse envolvimento institucional, o grupo vem realizando inúmeras pesquisas em torno do acervo avaliado, sendo a mais recente intitulada “Produção literária para crianças e jovens no Brasil: perfil e desdobramentos textuais e para-textuais”. O presente trabalho faz parte desta pesquisa e tem como seu foco principal problematizar a dificuldade de estabelecer fronteiras entre as categorias crianças x jovens. As razões dessa escolha apóiam-se no fato de serem elas as categorias que concentram o maior número de livros inscritos em relação às demais e, também, por serem as primeiras categorias instituídas: a categoria Criança em 1974 e a Jovem, em 1978. Como corpus, utilizaremos os títulos premiados pela FNLIJ dentro desses dois eixos. Ao analisar essas publicações torna-se fundamental realizar uma reflexão acerca da conceitualização e da história da literatura infantil e juvenil brasileira e para isso nos apoiaremos na produção de autores como Aguiar (2001), Coelho (1991, 2000), Lajolo & Zilberman (1986, 2005), entre outros. (1) É fundamental situar este grupo num ambiente muito maior de pesquisa e ação educacional, do qual ele faz parte, que é o Centro de Alfabetização Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da UFMG. Criado em 1990, o CEALE tem por objetivo integrar atividades de pesquisa, documentação e ação educativa voltadas para alfabetização, leitura e escrita.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, LITERATURA JUVENIL, FNLIJ

TÍTULO: MACHADO DE ASSIS NA SALA DE AULA.
AUTOR(ES): CRISTIANE FERREIRA AURIEMO
RESUMO: Trabalhar com textos de Machado de Assis no ensino fundamental não é muito comum. A maioria dos professores acredita ser inviável, pois considera a linguagem do autor difícil e muito refinada. Sem contar os enredos, antigos demais para agradar os pequenos leitores. No entanto, a obra machadiana é extensa e com conteúdos perfeitamente compreensíveis para esta faixa etária, autores como ele tem um papel muito importante na formação de leitores literários e devem ser apresentados desde os primeiros anos do ensino Fundamental. O projeto com alunos da quarta série de uma escola municipal, nasceu no início do segundo semestre letivo, quando a professora apresentou as datas comemorativas do semestre e, a propósito, incluiu o Dia 29 de Setembro como “Dia do centenário de morte de Machado de Assis”. Um título imponente como este logo despertou a atenção de alguns alunos, que quiseram saber mais sobre o autor . E foi aí que demos início à prazerosa tarefa de ler Machado de Assis. O objetivo principal deste projeto é compartilhar com os alunos as narrativas deste grande autor brasileiro, ler três de seus contos, fazer a recontagem oral, a re-escrita e a revisão coletiva dos textos. Os contos selecionados para a leitura com os alunos foram: “Conto de escola“, “Um apólogo“ e “O dicionário“. Após as quatro etapas do trabalho com o texto (conto, reconto oral, re-escrita e revisão de texto), um livro com uma re-escrita de cada conto foi montado para que os alunos pudessem presentear o amigo na festa de final de ano. A partir deste trabalho pode-se constatar que a leitura de textos bem escritos desperta o interesse dos pequenos leitores. Contextualizar o trabalho, ou seja, ler textos do autor escolhido pelos alunos facilitou a participação e o total envolvimento destes no decorrer de todo o projeto.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, TEXTO NARRATIVO

TÍTULO: MINHAS CONTAS (2008): DESCONSTRUINDO PRECONCEITOS ATRAVÉS DA LITERATURA PARA CRIANÇAS
AUTOR(ES): CRISTIANE MADANÊLO DE OLIVEIRA, JULIA RODRIGUES CHAGAS
RESUMO: Um dos problemas mundiais mais preocupantes na contemporaneidade é a intolerância religiosa que provoca guerras e matanças em várias regiões do planeta. No Brasil, não se vivencia a batalha em si, mas nota-se claramente que a intolerância religiosa perpassa várias relações sociais. Apesar dos avanços no sentido de desconstruir preconceitos frente aos referenciais míticos afro-brasileiros, ainda se percebem claramente atitudes de desrespeito a essa herança cultural de África. Um dos propósitos da Lei Federal 11645/08 é resgatar e valorizar as tradições africanas no espaço escolar, através da instituição da obrigatoriedade do ensino de História e cultura afro-brasileira em todas as escolas do país. Para tanto, tal legislação institui que uma das disciplinas envolvidas nessa proposta é a literatura. Como a discussão sobre preconceitos é de extrema importância social, a arte revela-se um dos recursos mais profícuos para abordar esse assunto com crianças. Partindo desses pressupostos, o presente trabalho se propõe a discutir como a obra “Minhas contas“ (2008), escrita pelo paulistano Luiz Antonio e ilustrada pelo sulista Daniel Kondo, contextualiza esse assunto tão delicado. Através das inquietações do menino Nei, o leitor é convidado a vivenciar o enfrentamento do preconceito religioso e a reelaboração desse problema na lógica infantil. Num rico diálogo entre as linguagens verbal e não verbal, a obra explora esse tema considerado tabu para a sociedade brasileira e favorece não só uma discussão sobre o assunto, mas sobretudo a fruição frente a um literário de qualidade.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA AFRO-BRASILEIRA, PRECONCEITO, RELIGIOSIDADE

TÍTULO: A PRESENÇA DO HIPERTEXTO E DAS MÚLTIPLAS LINGUAGENS NA LITERATURA INFANTIL E JUVENIL CONTEMPORÂNEA.
AUTOR(ES): CRISTIANO CAMILO LOPES
RESUMO: A autora Lucia Santaella coloca que: “A rapidez com que as linguagens estão crescendo parece estar exigindo de nós que nossa interação com elas não se limite ao nível puramente intuitivo, mas que possamos dialogar com elas no nível mais crítico e reflexivo.” (SANTAELLA, 2000, p. 9) Assim, o livro tem se apresentado como uma vasta rede ‘hipertextual’ em constante crescimento e, dessa forma, concentra vários sentidos por meio de confluências multiespaciais e temporais. Nessa perspectiva o texto é visto como produto de uma reunião de obras maiores, tornando-se uma ‘enciclopédia aberta’, não porque abarca o conhecimento como um todo, mas porque conjectura a multiplicidade. A partir de um texto unitário, produz-se vários outros que podem ser interpretados em vários níveis. Esses, por sua vez, geram diversos sujeitos, olhares e vozes sobre o mundo, que partem de um ‘eu’ pensante. A obra, portanto, permanece aberta e inconclusa. Há, portanto, uma tessitura de conexões entre fatos, pessoas e coisas do próprio mundo. Trata-se de um ‘sistema de sistemas’ em que cada um condiciona os demais e é condicionado por eles: “[...] os livros modernos que mais admiramos nascem da confluência e do entrechoque de uma multiplicidade de métodos interpretativos, maneiras de pensar, estilos de expressão. Mesmo que o projeto geral tenha sido minuciosamente estudado, o que conta não é o seu encerrar-se numa figura harmoniosa, mas a força centrífuga que dele se liberta, a pluralidade das linguagens como garantia de uma verdade que não seja parcial.” (CALVINO, 2008, p. 131) Nosso objetivo é demonstrar a presença do hipertexto e das múltiplas linguagens na obra “Cibermae“, de Alexandre Jardin. Obra destinada ao público infantil e juvenil que se apresenta como um objeto novo e proporciona ao leitor um olhar de descoberta.
PALAVRAS-CHAVE: HIPERTEXTO, MÚLTIPLAS LINGUAGENS, LEITOR IMERSIVO
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 7
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 05
TÍTULO: “HISTÓRIAS DA TETÉ”: CARTILHA, MANUAL DE LEITURA OU LIVRO DE LITERATURA INFANTIL?
AUTOR(ES): CRISTINA MARIA ROSA
RESUMO: O objetivo desta comunicação é apresentar o manuscrito inédito “Histórias da Teté” (1937-1942) do escritor Pedro Wayne (1904-1951), contextualizá-lo na história da cultura escrita e estabelecer relações com as metodologias de alfabetização empregadas no Brasil na primeira década do século XX. Inserido em três campos de estudos, a Literatura, a História e a Educação, o trabalho é um recorte da pesquisa intitulada “Os livros de leitura ‘Artinha da Leitura’ e ‘Histórias da Teté’: A contribuição de João Simões Lopes Neto e Pedro Wayne para a Alfabetização”. A pesquisa iniciada em 2007, quando o manuscrito de Wayne foi encontrado entre os guardados familiares, o trabalho ganhou impulso com o aparecimento, em novembro de 2008, do manuscrito “Artinha da Leitura“, de JSLN. Inserida na abordagem qualitativa, a metodologia de investigação empregada com o manuscrito “Histórias da Teté” partiu de fontes primárias – entrevistas semi-estruturadas com a viúva e a filha do escritor, além de dois amigos. Fontes documentais – obras publicadas, o “diário” do autor, a fortuna crítica e o acervo tombado - contribuíram significativamente para a contextualização da obra no universo das demais do autor. O resultado indica a necessidade de afirmar “Histórias da Teté” como pertencente ao universo da literatura infantil brasileira e Pedro Wayne um pioneiro ao propor o letramento na primeira metade do século XX.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, CARTILHA, ALFABETIZAÇÃO
TÍTULO: SABER E/O SABOR: A IMAGEM DO ALIMENTO NA LITERATURA PARA CRIANÇAS E SUA CONTRIBUIÇÃO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
AUTOR(ES): DANIELA BUNN
RESUMO: Numa sociedade de consumo que se alimenta pouco de literatura podemos pensar no valor nutritivo do alimento, que é o texto literário. Como levar o texto para ser saboreado pela criança é um grande desafio, cuja função, na maioria das vezes, é desempenhada somente pelo professor. A idéia de trabalhar com a temática do alimento surgiu de uma imagem utilizada por Cyana Leahy-Dios no livro “Signos Brasileiros de Educação Literária“ (2000). A autora usou uma imagem alimentar para mostrar a situação de professores de literatura que, na maioria das vezes, oferecem aos alunos, em uma bandeja didática, a refeição pouco nutritiva imposta em suas formações acadêmicas e preparada pelos livros didáticos. Este artigo apresenta uma fatia da pesquisa de doutorado, em andamento, que será servida em dois pratos: o primeiro faz uma breve análise da ocorrência e do uso da metáfora alimentar partindo da sociologia do alimento, passando por Câmara Cascudo e Flandrin & Montanari e o segundo, vislumbra textos literários de autores brasileiros e italianos (Cecília Meireles, Jonas Ribeiro, Sérgio Capparelli, Ricardo da Cunha Lima, Gianni Rodari, dentre outros), nos quais a metáfora torna-se uma imagem potencializada do alimento. O alimento, que desde os contos populares aparece como secundário (porém muito recorrente: a cesta de Chapeuzinho Vermelho, as migalhas de pão de João e Maria, os jantares, os banquetes, os personagens que devoram e são devorados), ganha nos tempos atuais uma nova siginificação, tanto na qualidade gráfica dos livros infantis, na imaginação ardente de nossos escritores como na prática pedagógica. O alimento, por fazer parte do cotidiano, tem uma proximidade com a criança que favorece o trabalho em sala de aula quando ganha vida nas páginas de um livro.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, ALIMENTO, DESAFIOS

TÍTULO: A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NAS ÁGUAS DA INCLUSÃO ESCOLAR: NAVEGAR É PRECISO
AUTOR(ES): DANIELA CORTE REAL
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo a análise da literatura infanto-juvenil em língua portuguesa com destaque para os livros que trazem como personagens de suas narrativas sujeitos com deficiência, sob a perspectiva da educação inclusiva e da estética da recepção na literatura infanto-juvenil e tratando das articulações e relações existentes entre os elementos constitutivos dos livros (texto verbal e não-verbal), numa abordagem dialógica. Parte-se do pressuposto de que a leitura de livros infanto-juvenis que abordem a temática da deficiência pode contribuir para um ambiente de aprendizagem favorecedor às pessoas com deficiência que vem sendo incluídas na escola comum. A partir de análise preliminar de 78 obras de literatura infanto-juvenil, publicadas no Brasil, foram construídos critérios que restringiram o universo investigado a três livros que abordam a temática da deficiência a partir de distintas tipologias: deficiência física, deficiência visual e deficiência auditiva. A pesquisa permitiu colocar em evidência que existe no corpus analisado: uma proposta de superação da idéia de ausência de recursos da pessoa com deficiência; conflitos que evidenciam o modo como as personagens com deficiência se vêem e como vêem o outro; que estes conflitos tendem a desencadear um processo semelhante nos leitores; que são valorizados o encontro e a interação entre os diferentes sujeitos para a superação dos conflitos; que estes encontros podem ser beneficiados com a intervenção de um moderador que favorece o deslocamento do olhar em relação à imagem que o outro tem sobre a pessoa com deficiência, abrindo espaço para a ressignificação dessa deficiência. No que se refere à dimensão educativa, a literatura infanto-juvenil emerge como, uma poderosa pista de configuração de novos sentidos associados à possibilidade de superação de um olhar que enfatiza apenas as limitações da pessoa com deficiência.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, INCLUSÃO ESCOLAR, ESTÉTICA DA RECEPÇÃO
TÍTULO: LER, CONTAR E SOCIALIZAR: PELA “INCLUSÃO LITERÁRIA” DE REBECA
AUTOR(ES): DANIELLE MEDEIROS DE SOUZA
RESUMO: Este estudo é recorte de uma pesquisa de mestrado e investiga as contribuições da literatura para a inclusão social na escola. Sua relevância consiste em fornecer ao professor subsídios para ampliar suas competências no ensino de literatura a partir do (re)conhecimento do potencial inclusivo do texto literário. Entende-se que a literatura é inclusiva em sua natureza, pois inclui o leitor no texto e permite práticas socializadoras de leitura. O estudo caracteriza-se como pesquisa-ação participante. Adotaram-se como procedimentos metodológicos a observação participante e a intervenção pedagógica. O estudo realizou-se em uma turma de 4º ano do ensino fundamental com 43 alunos, entre 8 e 13 anos, matriculados na Casa do Menor Trabalhador – CMT, escola pública do município de Natal-RN (Brasil). Os instrumentos utilizados foram: gravação em áudio; diário de campo; entrevistas. Na intervenção pedagógica, realizaram-se 20 aulas de leitura de literatura com diferentes estratégias didáticas. As sessões de leitura foram desenvolvidas conforme os moldes da andaimagem (scaffolding) descritos por Graves e Graves (1995). Tomou-se como referencial teórico os estudos de Amarilha (1997; 2006), Eco (2003), Caldin (2004; 2003), Cazden (1991), Chartier (1994), Culler (1999), Iser (1996), Paulino (2001), Petit (2008), Stainback e Stainback (1999). Elegeu-se como foco de análise a história da inclusão de Rebeca, aluna que é incluída na escola mediante o texto literário e práticas leitoras. A análise aponta a relevância do diálogo entre literatura e inclusão para democratizar a leitura literária e tornar o ambiente escolar mais inclusivo. Confirma a natureza inclusiva do texto literário, no modo como promove a entrada do leitor no texto literário, em prática socializadora de aprendizado, de compartilhamento de experiências e de acolhimento das diferenças. Ressalta-se a importância do mediador de leitura na seleção de estratégias que viabilizem a democratização da literatura e pela literatura, no pequeno universo da sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DE LITERATURA, INCLUSÃO SOCIAL, FORMAÇÃO DO LEITOR

TÍTULO: VELHO DOCUMENTÁRIO DE GUERRA
AUTOR(ES): DANUSIA APPARECIDA SILVA
RESUMO: Movido pela criatividade Francisco Marins, escritor dos mais conhecidos na área da literatura infanto-juvenil, funde história e ficção numa aventura plena de misticismo, religiosidade, luta e muito medo ante as inusitadas situações. Em “A Aldeia Sagrada”, o escritor recorre ao mito a fim de reavivar na memória dos jovens a valorização dos heróis nacionais. A narrativa transcorre em ritmo de ficção, bem ao gosto dos jovens leitores. “A Aldeia Sagrada” vem corroborar o papel importante da literatura, ou seja, funcionar como agente de participação social que transforma o homem e a sociedade. A pluralidade de assuntos tratados na obra vale por um compêndio de história do Brasil: a seca no sertão nordestino, o nomadismo do retirante, a ameaça dos jagunços, a obrigatoriedade de furtar para matar a fome e o enfrentamento da morte algumas vezes. A um menino de doze anos é passada uma tarefa hercúlea: sobreviver no sertão inóspito e vivenciar o duelo histórico entre a monarquia e a república travado no interior da Bahia. A partir do episódio “A Guerra dos Canudos”, Didico, o menino, natural da região e do lado dos vencidos, dá uma versão dos fatos que se distanciam da historiografia oficial. Aldeia Sagrada foi o nome dado ao povoado de Canudos em respeito ao carisma de Antonio Conselheiro. O livro A Aldeia Sagrada resgata passagens desconsideradas pela disciplina História do Brasil, propondo reflexões ao jovem leitor.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, HISTÓRIA, OS SERTÕES

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 8
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 05
TÍTULO: AGBALÁ: SEMENTE E MEMÓRIA AFRICANA ENRAIZADAS NA CULTURA BRASILEIRA.
AUTOR(ES): DENISE SILVA DOS SANTOS
RESUMO: Símbolos, formas, cores, mistérios, histórias coletivas e pessoais que não foram esquecidas no porão dos navios negreiros constituem o verdadeiro tesouro cultural, presente na obra “Agbalá, um lugar continente“ (2001), da escritora e ilustradora mineira Marilda Castanha. Parte integrante de uma coleção denominada “Histórias para contar história”, composta por cinco livros que tratam de fatos importantes da história do nosso país, essa obra, voltada para o público juvenil, traça um novo olhar sobre a trajetória dos negros em solo africano e brasileiro, além de ser um convite para adentrar a cultura africana, tão importante para a formação da identidade de nosso povo. A sanção da Lei 11645/08, que tornou obrigatório o estudo das culturas afro-brasileira e indígena nas escolas de todo o Brasil, aponta para a urgência em conhecer a diversidade cultural desses povos, assim como para a necessidade de desconsiderarmos os estereótipos que com frequência recaem sobre o continente africano. Com enfoque nos referenciais afro-brasileiros, este trabalho se propõe a analisar os aspectos sócio-culturais vindos de África presentes na obra em questão e que delinearam, direta ou indiretamente, a cultura brasileira. Na perspectiva de análise guiados pelo viés literário de Marilda Castanha, buscaremos compreender o Agbalá que existe em cada um de nós.
PALAVRAS-CHAVE: ÁFRICA, CULTURA, IDENTIDADE

TÍTULO: A LITERATURA INFANTIL NA ROTINA DAS ESCOLAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
AUTOR(ES): ELIANA DA CRUZ PRATES LOURENÇO
RESUMO: O trabalho cujos resultados ora são apresentados é decorrente de pesquisa bibliográfica desenvolvida no Programa de Iniciação Científica, e teve como objetivo central a compreensão do papel da literatura infantil como atividade essencial para o desenvolvimento das crianças, entre zero e cinco/seis anos. Mais especificamente, buscou-se refletir sobre as possibilidades de utilização de atividades com foco na literatura infantil nas escolas de Educação Infantil, sem que, necessariamente, estas atividades estivessem alicerçadas e condicionadas a exercícios mecanizados. Tal formulação originou-se dos questionamentos levantados, pela pesquisadora, em experiências de estágio curricular obrigatório no âmbito do Curso de Pedagogia da FFC- NESP/Marília. Ao partir de breves re-visões dos conceitos de Educação Infantil e de literatura infantil, apresento possíveis intersecções entre o fazer pedagógico nas escolas de Educação Infantil e a literatura infantil, compreendida como objeto da cultura indispensável na rotina das crianças na infância. Com essa perspectiva, acerca do papel da literatura infantil na educação das crianças pequenas, ficou evidente, dentre outros aspectos, que o trabalho docente exige reflexões sobre as atividades essenciais no desenvolvimento de capacidades humanizadoras na infância, bem como o conhecimento sobre conceitos essenciais nessa discussão, principalmente no que se refere ao papel da literatura infantil no processo de ensino e de aprendizagem nas escolas de Educação Infantil.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFATIL, EDUCAÇÃO INFANTIL, ROTINA DAS CRIANÇAS
TÍTULO: A LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA PÚBLICA
AUTOR(ES): ELIANA GABRIEL AIRES
RESUMO: Esta comunicação trata de uma pesquisa que pretende desenvolver o gosto pela leitura desde os anos iniciais da criança. O papel estético da literatura é, muitas vezes, negligenciado em função do papel formativo, que é o único valorizado pela maioria das escolas. A presente pesquisa contempla propiciar subsídios aos pesquisadores e professores das redes, em relação à leitura e escrita, tendo como eixo a Literatura Infantil e Juvenil, num esforço para superar a fragmentação dos textos literários e a sua aplicação quase que exclusivamente gramatical. Seu objetivo maior é destacar a importância da Literatura na formação do professor e fornecer-lhe orientações básicas para o seu trabalho com o texto literário na sala de aula. Para isso, pretende promover um ambiente colaborativo através do estudo sistemático da Literatura Infantil e Juvenil, da leitura, análise e reflexão de textos teóricos e narrativas infantis. Pesquisar a prática docente sobre Literatura Infantil e Juvenil, reconhecer sua incessante necessidade de transformação buscando formas de atender suas exigências reais e diárias. Viabilizar o aprimoramento dos professores das redes através do diálogo, do debate, da criação, assim como incentivar a produção dos alunos e dos próprios professores. A presente pesquisa insere-se numa abordagem qualitativa colaborativa que pretende atuar com o professor da escola pública, considerando-o como um profissional crítico e reflexivo. Pretende investigar sua atuação na sala de aula, mas também ouvi-lo e trabalhar em parceria com ele. Portanto, esta pesquisa é realizada na interação dos pesquisadores com os professores atuantes na Escola, possibilitando-lhes condições de realizar análises e alterações em suas ações docentes, fortalecendo-os como sujeitos que visem uma melhor qualidade na formação dos alunos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRODUÇÃO DE TEXTOS, LITERATURA INFANTIL E JUVENIL

TÍTULO: ESCOLHAS LITERÁRIAS DE CRIANÇAS NO CONTEXTO DE UMA BIBLIOTECA PÚBLICA INFANTO-JUVENIL
AUTOR(ES): ELIANA GUIMARÃES ALMEIDA
RESUMO: A necessidade de compreender como se processam as escolhas feitas por crianças em um espaço público de leitura é um dos pontos centrais deste trabalho, que contou com a orientação da Profª. Drª. Aparecida Paiva. A partir da observação das propostas de mediação realizadas em uma biblioteca pública infanto-juvenil de Belo Horizonte, foi realizado um trabalho de monografia, que buscou compreender os caminhos que levam crianças a lerem e a escolherem suas leituras, em um contexto não-escolar, onde, teoricamente, não há obrigatoriedade de leitura. Por meio da observação e de entrevistas semi-estruturadas, foi possível estabelecer algumas relações entre as escolhas das crianças e as mediações da biblioteca e da família. Uma das conclusões a que chegamos é que a família tem forte influência sobre a formação do leitor criança, especialmente em espaços não escolares. Foi possível perceber que crianças são capazes de estabelecer seus próprios critérios de escolha e que esses decorrem geralmente de uma mediação paulatina. O referencial teórico que norteou a investigação foi composto por autores como Antônio Cândido, Regina Zilbermann, Aparecida Paiva, Graça Paulino, Magda Soares, Roger Chartier, Zélia Versiani, Marta Passos, Anne-Marie Chartier, entre outros autores que trabalham especialmene com a temática da leitura literária, a literatura infanto-juvenil, a formação de leitores e outros temas relacionados com a leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, LITERATURA INFANTO-JUVENIL, BIBLIOTECA PÚBLICA

TÍTULO: O MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO E A LITERATURA DE TEMÁTICA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA: ANALISE COMPARATIVA DOS CATÁLOGOS DE 2005 E 2008
AUTOR(ES): ELIANE SANTANA DIAS DEBUS
RESUMO: A temática da cultura africana e afro-brasileira, bem como das culturas indígenas brasileiras na literatura de recepção infantil e juvenil no Brasil tem ganhado visibilidade a partir das exigências da Lei 10.639/2003, que institui a inclusão da cultura e história africana e afro-brasileira e, mais recentemente, da Lei 11.645/2008 que inclui a obrigatoriedade também da história e das culturas indígenas brasileiras no Ensino Fundamental e Médio. Por esse viés, a presente comunicação tem como objetivo verificar como o mercado editorial brasileiro tem se organizado para cumprir essa demanda. Nesse propósito, analisa-se comparativamente sete catálogos de diferentes casas editoriais correspondentes ao ano de 2005 e dez, referentes ao de 2008, mapeando a produção no que diz respeito à cultura africana e afro-brasileira, buscando levantar dados de acréscimo ou não do tema e refeltir sobre a representação dos papéis sociais e as caracterizações físicas das personagens afro-brasileiras, analisado a presença de estereótipos e uma visão preconceituosa, ou não, trazendo à tona títulos que instalam, ou não, a discussão da pluralidade cultural brasileira. Tal proposta, acredita-se, contribui para o reconhecimento e disseminação da produção literária sobre o tema, ao mesmo tempo em que exige do mercado editorial um olhar mais crítico sobre os títulos publicados para infância e juventude.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, CULTURA AFRO-BRASILEIRA, MERCADO EDITORIAL

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 9
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 06
TÍTULO: A CHAVE PARA O CRESCIMENTO
AUTOR(ES): ELISÂNGELA LIMA, CARLA SIQUEIRA, SAMIRA MENDES FERNANDES, SILVIA REGINA GATTI
RESUMO: As histórias e a literatura de modo geral, estão presentes na cultura há tempos e o hábito de contá-las e ouví-las gera inúmeros significados, ampliando e diversificando visões e interpretações sobre o mundo e a vida. Nesse sentido, é necessário estar atento a esta questão, dado que a ausência da leitura bloqueia possibilidades e acaba, de certa forma, excluindo o cidadão dos conhecimentos necessários à sua plena cidadania. No contexto educacional brasileiro, as avaliações governamentais apontam para um resultado negativo em relação ao desenvolvimento da competência leitora. Na escola, crianças e jovens podem ser conquistados pelo livro, se seus primeiros contatos com a leitura forem interessantes e agradáveis, além disso, o hábito de ler relaciona-se ao cuidado afetivo, à construção da identidade, à capacidade de ouvir o outro e de se expressar. Tendo por objetivo socializar a prática pedagógica, cuja base é a aquisição da competência leitora, quatro professoras que atuam com alunos da quarta série numa escola municipal, cuja comunidade é carente, discutem as diferentes dimensões da leitura, ao analisar situações onde se têm buscado desenvolver com seus alunos o gosto pela leitura, buscando adequar a escolha de livros à faixa etária, embora seja fato que, na maioria dos casos, a própria família não valoriza o ato de ler, bem como os alunos escolherem, em geral, livros que ficam aquém de sua capacidade leitora, ou seja, livros que possuem mais gravuras a textos. Esse relato de experiência aponta ainda a necessidade de apresentar aos alunos, os autores e textos que os aproximem mais do universo infanto-juvenil. Isto tem sido feito através do Projeto “A chave para o crescimento”, onde obras, como textos do autor Álvaro Cardoso Gomes, conhecidas por apresentar elementos que consideramos necessários para a formação de um bom leitor, tem sido utilizadas.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANFO-JUVENIL , COMPETÊNCIA LEITORA, AUTONOMIA CIDADÃ
TÍTULO: LITERATURA, LEITURA E A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS
AUTOR(ES): ELMITA SIMONETTI PIRES
RESUMO: “Conte histórias, leia histórias em voz alta, dê livros bons para as crianças lerem sozinhas. O futuro agradece. O seu, o delas, o da humanidade“. (Ana Maria Machado) As histórias da Literatura para crianças e jovens lidam com as emoções, com o prazer, com o espírito lúdico dos leitores estimulando a imaginação criadora, facilitando o diálogo com o texto sobre a realidade. Em vista desses pressupostos é indispensável a mudança de atitude por parte dos profissionais que atuam ou atuarão como animadores/motivadores de leitura, contadores de histórias, como intermediários entre a criança, o jovem e a obra literária. Visando contribuir nessa transformação resolveu-se elaborar este projeto - uma parceria entre FAFIPA - Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí e as Escolas Municipais de Paranavaí. Os procedimentos para encaminhar uma relação prazerosa com a literatura pressupõem um percurso metodológico que envolve diferentes etapas: a formação de acadêmicos como contadores de histórias e motivadores de leitura; promoção de oficinas de leitura e contação de histórias para crianças de escolas públicas do ensino básico. Esta comunicação visa compartilhar alguns resultados obtidos a partir desse projeto de incentivo à leitura e, quem sabe, motivar futuros profissionais das letras, sugerimdo-lhes idéias que lhes sirvam de pirlimpimpim em seu trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, INCENTIVO A LEITURA, ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

TÍTULO: O PROFESSOR E A LITERATURA INFANTO-JUVENIL CONTEMPORÂNEA
AUTOR(ES): EVELINE MESSAGE CUNHA
RESUMO: A vasta produção literária infanto-juvenil cultivada na contemporaneidade oferece possibilidades de trabalho infindas no contexto escolar. Diante disso, ressaltamos os escritos literários para o público mirim construídos por situações que intrigam seu leitor. Longe do discurso moralizante didatizante, escritores da década de 70, seguidores de Lobato, marcaram e ainda marcam uma mudança considerável no que diz respeito à qualidade da produção literária infanto-juvenil brasileira. Exemplo de singularidade é Lygia Bojunga (1932), que desde sua primeira publicação, “Os Colegas“ (1972), constrói suas narrativas, repletas de fantasia, tendo como base elementos do universo real. Sensível ao fazer literário, a escritora insere, em seus textos, temas como a desigualdade social, o alcoolismo, o trabalho infantil, a pobreza, a fome, que outrora foram considerados como apropriados ao público adulto. Delimitamos nosso objetivo no âmbito dessa produção literária, qual seja o de apresentar uma discussão a respeito do trabalho do professor com o texto que trata de temas intrigantes e se relacionam mais diretamente com a realidade concreta do leitor. Selecionamos o conto “O bife e a pipoca”, que se insere no livro “Tchau“ (1984), de Lygia Bojunga, para fundamentar nossa discussão com exemplos de prática docente numa 8ª série do ensino público.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, PROFESSOR, TEMAS POLÊMICOS

TÍTULO: O TEXTO E A ILUSTRAÇÃO: A CRIANÇA NOS LABIRINTOS DA LEITURA LITERÁRIA
AUTOR(ES): FABIANA DE SOUZA GALDINO DA SILVA
RESUMO: O estudo das relações entre a Literatura e as outras linguagens artísticas, no Brasil, vem englobando paulatinamente a particularidade da confecção do livro infantil. Tal incorporação parece responder às recentes experimentações formais neste objeto-livro, que explicitam estéticamente o entrelaçamento do signo verbal ao visual. Em particular, esta comunicação apresenta o fazer de Roger Mello, na situação de autoria simultânea do texto narrativo e da ilustração. A obra focalizada é “Zubair e os labirintos“ (2007), pois traz especulações que colocam em evidência a atividade de leitura, pelo modo como se torna mais complexa e menos automatizada, numa via intersemiótica de criação. Os recursos metodológicos adotados para melhor compreensão do papel da ilustração e do design gráfico neste livro vem de Rui de Oliveira (2008) e Ieda de Oliveira (2008), em que tais elementos são integrados ao texto literário como agentes na constituição de estratos significativos. O cotejo entre códigos oportuniza, também, o emprego da noção de “obra aberta“ (1962), tal qual proposta por Umberto Eco e sua retomada crítica pelo mesmo teórico, apontando os limites da interpretação (1991). De fato, o livro que problematiza sua plasticidade e a originalidade de sua expressão também se coloca como um desafio para o leitor em formação.
PALAVRAS-CHAVE: ILUSTRAÇÃO, NARRATIVA, INTERSEMIOSE

TÍTULO: A LITERATURA INFANTIL COMO UM IMPORTANTE INSTRUMENTO NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM ESCRITA PELA CRIANÇA.
AUTOR(ES): FABIANO JOSÉ COLOMBO
RESUMO: O ensino da língua materna e a formação da criança leitora não é uma tarefa fácil e ainda se caracteriza como um entrave na prática de muitos professores, quando objetivam formar alunos leitores. Sendo a literatura infantil um objeto da cultura direcionado à criança, pode ser considerado, quando utilizada de forma consciente pelo professor, como um importante instrumento no processo de aprendizagem da leitura e da criação do gosto leitor. Tendo como objeto de estudo a literatura infantil, a presente pesquisa, de caráter bibliográfico exploratória, procurou discutir a questão: quais as contribuições que a literatura infantil pode trazer para o processo de formação da criança leitora? Como objetivo geral, procurou-se investigar as contribuições da literatura infantil como um dos objetos da cultura capaz de auxiliar a criança no processo de apropriação da leitura e formação do leitor. Como objetivos específicos, propomos: a) verificar as contribuições da literatura infantil ao processo de formação do leitor, b) investigar como a prática docente pode ser organizada utilizando a literatura infantil enquanto instrumento no processo de formação da criança leitora. Dessa forma, baseada nos principais autores que trabalham a temática da literatura infantil como um importante instrumento no processo de apropriação da linguagem escrita pela criança, propomos discussões acerca de como ocorre a formação da criança leitora e de que forma a literatura infantil pode ser utilizada na organização da prática docente que objetiva formar o leitor.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, FORMAÇÃO DO LEITOR, PRÁTICA DOCENTE

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 10
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: A ESTÉTICA DA RECEPÇÃO E O TRABALHO COM UM CONTO CLÁSSICO DA LITERATURA INFANTIL
AUTOR(ES): FERNANDA CRISTINA RIBEIRO FARIA
RESUMO: A presente pesquisa, em andamento, está vinculada ao programa de Pós-graduação da UNESP (campus Presidente Prudente) e à linha de pesquisa “Práticas educativas e formação de professores“. A leitura, principalmente de obras literárias, possui papel fundamental na formação do indivíduo crítico e reflexivo, permitindo-lhe entendimento do seu cotidiano vindo a contribuir com transformações sócio-culturais. Ainda, a literatura promove prazer e entretenimento, além de desenvolver a criatividade e a imaginação. Particularmente, nesta pesquisa, optamos por trabalhar com um conto clássico da literatura infantil por o julgarmos fundamental na formação deste leitor. Pensando na importância do papel do leitor no processo de leitura, optamos pela utilização do método “Estética da Recepção” proposto por Jauss (1994), com a finalidade de compreendermos como o leitor constrói o significado durante a leitura. A pesquisa pretende, ainda, ressaltar a importância do uso deste método na prática escolar, uma vez que permite uma abordagem metodológica diferenciada para o ensino da literatura. Tendo em vista que o método recepcional compreende o leitor como essência do processo dialógico com o texto, espera-se que a pesquisa em questão possa contribuir para ampliação da experiência leitora, bem como da biblioteca vivida por esse leitor. Acreditamos que com a finalização da pesquisa os resultados possibilitarão compreender valores, diferenças e semelhanças manifestadas pelas crianças por meio da recepção literária.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÉTICA DA RECEPÇÃO, ENSINO DA LITERATURA, CONTOS CLÁSSICOS

TÍTULO: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTOS: PENSANDO A PRODUÇÃO LITERÁRIA PARA CRIANÇAS SOB A ÓTICA DOS LETRAMENTOS LITERÁRIO E VISUAL ATRAVÉS DE LIVROS DE ÂNGELA LAGO E EVA FURNARI
AUTOR(ES): FERNANDA DE ARAÚJO ROCHA
RESUMO: A presente proposta deriva da monografia intitulada “Imagem e palavra: a produção literária para crianças em livros das autoras/ilustradoras Ângela Lago e Eva Furnari“, realizada como trabalho de conclusão de curso de curso de graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais. O objetivo central é de estabelecer relações entre textos escritos e ilustrações nos livros de literatura infantil, pensando na aquisição dos letramentos literário e visual por crianças em fase de alfabetização. Para tanto, foram selecionados quatro livros: “A bruxinha atrapalhada“ e “Você troca?“, de Eva Furnari e “Casa Pequena“ e “Outra vez“, de Ângela Lago. A escolha dessas autoras/ilustradoras se deve ao fato de ambas produzirem livros de comprovada qualidade estética, literária, lúdica e educativa voltados para crianças. Seus livros são agradáveis aos olhos e contam histórias muito interessantes, o que faz do livro uma fonte de prazer para a criança leitora. Se há prazer ao manusear e ler o livro, certamente, o trabalho educativo alfabetizador será facilitado. Dev-se ressaltar a importância das linguagens verbal e imagética durante o processo de alfabetização e letramento de crianças, dando destaque especial ao letramento literário e ao letramento visual. A proposta deste trabalho é, portanto, explicitar a relação existente entre as palavras e as imagens nos livros de literatura dessas autoras e ilustradoras e mostrar a importância de tal relação para a formação de leitores competentes.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO, LETRAMENTO LITERÁRIO, LETRAMENTO VISUAL

TÍTULO: ILUSTRANDO INFÂNCIAS - A LITERATURA ATEMPORAL DE GRACILIANO RAMOS
AUTOR(ES): FERNANDA MARIA MACAHIBA MASSAGARDI
RESUMO: Segundo Piaget, a aprendizagem se diferencia do desenvolvimento, que não se resume a um processo de comportamentos aprendidos, mas na capacidade que o sujeito tem de conhecer os objetos de maneira apropriada e objetiva. Considerando-se a adequação das atividades escolares aos estágios de desenvolvimento propostos por Piaget, essa investigação contempla a elaboração de propostas que permitam à criança trabalhar a ludicidade, a afetividade e os aspectos referentes à cultura de nosso país. Objetivando um estudo acerca do conceito de infância, essa proposta foi desenvolvida através de uma parceria entre o Instituto Dom Nery e o Laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da Unicamp, abordando fundamentos construtivistas piagetianos de trabalhos com projetos. Partindo da elaboração de um mapa conceitual, 30 crianças de 6 a 10 anos definiram o significado de infância segundo suas crenças. Com a proposta de resgatar a literatura infantil, a vida de Graciliano Ramos e suas características regionais foram realizadas atividades de leitura e de artes a partir das obras “A terra dos meninos pelados” e “Biografia de Graciliano para crianças”. Propiciando a construção de conceitos e pesquisa, os infantes realizaram entrevistas para enumerar aspectos da infância de pessoas conhecidas de diferentes faixas etárias. Durante esse processo foram registrando, através de desenhos e modelagem, as idéias que consideravam interessantes. Esse projeto proporcionou a descoberta de aspectos característicos da cultura nordestina de nosso país, a convivência interpessoal (através da diversificação de trabalhos - coletivos e individuais), a afetividade, incentivando a leitura de uma literatura apropriada à faixa etária, a criatividade e a construção de novos conceitos referentes ao núcleo gerador da temática central.
PALAVRAS-CHAVE: CONSTRUTIVISMO, LITERATURA, PROJETOS
TÍTULO: COMPÊNDIO DE LITERATURA INFANTIL (1959), DE BÁRBARA VASCONCELOS DE CARVALHO, E O ENSINO DA LITERATURA INFANTIL NO BRASIL
AUTOR(ES): FERNANDO RODRIGUES DE OLIVEIRA
RESUMO: Nesta comunicação, apresentam-se resultados parciais da pesquisa de mestrado em Educação, vinculada às linhas “Literatura infantil e juvenil” e “Formação de professores” do Gphellb – Grupo de Pesquisa “História do Ensino de Língua e Literatura no Brasil”, coordenado por Maria do Rosário Longo Mortatti. Com o objetivo de contribuir para a produção de uma história do ensino de Língua e Literatura no Brasil e, também, para a compreensão de um importante momento na história do ensino da literatura infantil e formação de professores, focaliza-se a proposta para esse ensino apresentada pela professora baiana Bárbara Vasconcelos de Carvalho (1915-2008) em “Compêndio de literatura infantil: para o 3º ano normal“, cuja 1ª edição foi publicada pela Companhia Editora Nacional (SP), em 1959. Mediante abordagem histórica, centrada em pesquisa documental e bibliográfica, desenvolvida por meio da utilização de procedimentos de localização, recuperação, reunião, seleção e ordenação, vem-se analisando a configuração textual do Compêndio, que consiste em enfocar os diferentes aspectos constitutivos de seu sentido. A análise preliminar dos resultados obtidos até o momento tem propiciado constatar que o Compêndio em análise, foi o primeiro do gênero publicado em língua portuguesa e nele se encontra um conjunto de saberes relativos à literatura infantil considerados necessários para a formação do professor primário e que foram sendo gradativamente estruturados, de acordo com os programas oficiais de ensino, contribuindo para a constituição da literatura infantil como disciplina dos cursos de formação de professores primários no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: BÁRBARA VASCONCELOS DE CARVALHO, ENSINO DE LITERATURA INFANTIL, PESQUISA HISTÓRICA EM EDUCAÇÃO

TÍTULO: NOVOS AUTORES PARA JOVENS LEITORES: TENDÊNCIAS DA LITERATURA JUVENIL BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
AUTOR(ES): GABRIELA FERNANDA CÉ LUFT
RESUMO: A partir da análise de narrativas que compõem o panorama mais recente da produção literária para jovens no Brasil, este trabalho tem por objetivo investigar o estatuto da literatura juvenil brasileira, no sentido de compreender as suas configurações estéticas e delinear o imaginário presente nas obras literárias, com vistas a contribuir para os estudos críticos e teóricos do gênero. Assim, com o intuito de dar sentido a uma produção literária contemporânea que cobra novas respostas interpretativas e sobre a qual não se tem, ainda, avaliações mais abalizadas, exatamente por datar de pouco tempo, mas que apresenta relação intrínseca com o cenário nacional diverso e fragmentário da literatura brasileira contemporânea, surpreendendo pelo trato literário, serão examinadas obras juvenis publicadas nos últimos oito anos, através das quais podemos distinguir, no mínimo, três vertentes temáticas distintas: o realismo suburbano, através da obra “O pequeno fascista“, de Fernando Bonassi; o realismo mágico, através de “Luna Clara & Apolo Onze“, de Adriana Falcão e o realismo cotidiano, através de “A distância das coisas“, de Flávio Carneiro. Trata-se de narrativas que propõem modos de ler mais afinados com uma concepção de leitura que ultrapassa o simples entretenimento da indústria cultural, ou ainda o cumprimento de meros exercícios escolares, sendo capazes de oferecer uma contribuição de peso para a formação de leitores num país de tradição iletrada.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA JUVENIL CONTEMPORÂNEA, LEITURA, LEITOR

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 11
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: AUTOBIOGRAFIA OU FICCIONALIZAÇÃO? UM ESTUDO DA OBRA FAZENDO ANA PAZ DE LYGIA BOJUNGA NUNES
AUTOR(ES): GERLANE ROBERTO DE OLIVEIRA
RESUMO: Desde a década de 70, Lygia Bojunga Nunes ocupa um espaço diferencial no cenário da literatura infanto-juvenil brasileira e internacional. A autora foi a primeira a receber, pelo conjunto de sua obra, fora do eixo Europa-Estados Unidos, a medalha Hans Cristian Andersen (1982), prêmio considerado o Nobel de literatura infanto-juvenil. Ao trabalhar, mais profundamente, a sua produção literária percebemos que houve mudanças significativas em seu projeto de escrita com relação a elementos que transitavam entre sua biografia e sua ficção. Considerando que as discussões entre vida e obra são complexas e que vêm ganhando espaço na Teoria da Literatura nas últimas décadas, trazendo de volta o debate sobre o retorno do autor, levantamos a hipótese de que as fronteiras entre a biografia e a ficção de Lygia Bojunga Nunes são bastante tênues. Este estudo pretende discutir passagens que marcam a presença da autora em suas narrativas de teor ficcional e, para tanto, utilizamos o conceito de biografema, proposto por Roland Barthes (1975), no qual teoriza o biográfico a partir de um olhar fragmentado e ficcionalizado do sujeito. Das obras da autora procedemos a um recorte do qual selecionamos o livro: Fazendo Ana Paz (1991) que nos parece suficiente para discutir a presença da autora em sua obra e como se processa a sua “ficcionalização“. Esta proposta parece-nos relevante para os estudos da literatura infanto-juvenil pela reflexão que incita, qual seja, refletir a presença do sujeito autor nas obras destinadas ao público infantil e as formas de consagração de sua imagem no meio intelectual e cultural.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL , AUTORIA, FICÇÃO
TÍTULO: CONTA QUE TE CONTO
AUTOR(ES): GILMARA MENDES GOULART DE MELLO
RESUMO: Esta é uma pesquisa que acontece desde 2005. Quando nasce o desejo de semear a leitura para todas as idades, principalmente abrindo um espaço para que a criança–adolescente pudesse ser o “ator principal” desse processo. Nesse sentido, surge a necessidade de formar e transformar essa criança-adolescente num leitor contaminado pela leitura e literatura. Sabe-se que a arte de ouvir histórias é milenar. Escrever histórias é a forma que as pessoas encontram para registrar da memória aquilo que para sempre ficará. Contar o que encanta é um meio de sensibilizar todo e qualquer público que está à sua volta. Pensando nisso é que desta pesquisa–busca nasce o Projeto: CONTA QUE TE CONTO – Oficina para ler, escrever e contar histórias. Este projeto compreende: promover ações capazes de formar pessoas habilitadas em selecionar obras literárias de qualidade, escrever histórias populares e contar de coração histórias para os mais diversificados espectadores. Esse projeto acontece com oficinas, as quais compreendem as comunidades pública e privada. O público alvo varia dos quatro aos cinqüenta e seis anos de idade. Além dos estudos, pesquisas, coletas de dados, os participantes das oficinas promovem Movimentos Literários pelo município e região e contribuem para a Formação de Educadores, em parcerias de Feiras de Livros, Secretarias Municipais de Educação e Fundação Cultural. Ler, contar e escrever histórias enriquece a alma, abre caminhos e transforma a realidade.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, LEITURA , CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
TÍTULO: AS ESTRATÉGIAS DE LEITURA NA PRÁTICA DOCENTE DE EDUCAÇÃO INFANTIL
AUTOR(ES): GILVANIA FRANCISCA ALVES
RESUMO: O presente trabalho tem como foco um importante aspecto do processo de ensino da leitura: as estratégias de compreensão leitora utilizadas pelas crianças e como estas são trabalhadas em sala de aula. A discussão gira em torno das estratégias de leitura na prática docente de educação infantil. A importância da temática, leitura para a produção científica e para a Educação Infantil, materializa-se na possibilidade desse trabalho iniciar, nessa etapa de ensino, assim como na perspectiva reflexiva sobre o ensino-aprendizagem da leitura e na preocupação com o intercâmbio e a discussão entre os docentes para a importância da linguagem no desenvolvimento da aprendizagem da criança. A base do referencial teórico é a socio-interacionista de leitura enquanto construção de sentido e significado interativo do sujeito com o texto. Desse modo, fomos buscar as contribuições desses autores: Terzi (1995), Colomer e Camps (2002), com o significado e sentido da leitura, em Leal e Melo (2002), a reflexão sobre a compreensão leitora, em Solé (1998), suas assertivas a respeito das estratégias de leitura e em Teberosky e Colomer (2003), os desafios voltados para o ensino-aprendizagem da leitura. Abordaremos, nesse estudo, a história da educação infantil, trazendo um breve histórico, bem como a repercussão dessa história no contexto social brasileiro e, de modo particular, no estado de Pernambuco. Como forma de aprofundamento das questões sobre as práticas docentes da leitura buscará, também, contextualizar esse ensino-aprendizagem, apresentando os modelos e concepções do que é ler e o que são as estratégias de leitura, além de apontar os desafios para ensinar a ler na Educação Infantil.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESTRATÉGIAS DE LEITURA, EDUCAÇÃO INFANTIL
TÍTULO: O PROCESSO DE CRIAÇÃO DE NARRATIVAS VISUAIS E A CONSTITUIÇÃO DE LEITORES.
AUTOR(ES): HANNA TALITA GONÇALVES PEREIRA DE ARAÚJO
RESUMO: Esta pesquisa visa uma aproximação com o processo criativo de artistas ilustradores de livros somente com imagens, sem o texto, no sentido de compreender os modos de sua produção poética e criativa da narrativa visual. Os livros de imagem sem texto são aqueles em que a narrativa é construída na sequência das ilustrações, visando, geralmente, o público infantil. A leitura de imagem está atrelada à ideia de fácil leitura e que, portanto, até uma criança pequena pode fazer a leitura. Entretanto, a leitura da imagem, ao contrário do que se imagina, está associada ao complexo desenvolvimento cognitivo por parte da criança. Não entendemos que o livro de imagem seja destinado somente para aqueles que não dominam o uso da palavra escrita. Pelo contrário, a construção de práticas de leituras de imagem, isoladas ou em sequência narrativa, assim como a construção de práticas de leitura de textos escritos, ampliam significativamente nossa capacidade de escrita e imaginação, fazendo com que a qualidade da leitura, que se expande a cada passar de olhos, se desenvolva de forma exponencial. Para o desenvolvimento desta pesquisa, escolhemos três renomados e premiados artistas na categoria livro de imagem, cujos processos criativos de construção narrativa serão o objeto do estudo. A abordagem da psicologia que fundamenta a pesquisa é a sociocultural (tendo Lev S. Vygotsky, como principal expoente), com apoio das contribuições de Fayga Ostrower, no campo das artes visuais. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas, filmadas em vídeo e transcritas. Também foram estudadas as sequências narrativas das ilustrações de obras selecionadas de e por cada artista, com o intuito de apreender diferenças e especificidades da narração nas modalidades escrita e pictórica.
PALAVRAS-CHAVE: PROCESSO DE CRIAÇÃO, LIVRO DE IMAGEM, NARRATIVAS VISUAIS

TÍTULO: LEITURA LITERÁRIA E O ESPAÇO ESCOLAR
AUTOR(ES): INGRID DA SILVA RICOMINI
RESUMO: Este texto é resultado da minha participação como pesquisadora do Programa de Iniciação Científica, no projeto intitulado: “Literatura na escola. Espaços e contextos: A realidade brasileira e portuguesa”, que teve como objetivo principal analisar e reavaliar críticamente as políticas de investimento em programas de fomento à leitura. Desse modo, ao longo da minha participação no projeto de pesquisa, nasceram inúmeras questões articuladas à necessidade de estudar a formação de leitores qualitativamente melhores, partindo desses pressupostos, esta comunicação apresenta a análise dos resultados obtidos na pesquisa, a partir da leitura de duas obras literárias por uma turma de alunos da 4ª série do ensino fundamental, da rede pública de ensino de uma cidade de médio porte do Oeste Paulista. Entre outros aspectos, observei a participação das crianças e considerei as suas impressões, os seus comentários e demais desdobramentos obtidos com a leitura de dois gêneros literários da literatura brasileira, propostos pela investigação: “A bolsa amarela“ (2007), de Lygia Bojunga Nunes e “Meu nome é cachorro“ (2006), de Ricardo Azevedo. Desse modo, com base na pesquisa de campo realizada, fundamentada nos princípios metodológicos da pesquisa colaborativa, exponho os resultados obtidos considerando as relações e as impressões dos alunos quando em contato com as obras literárias e, também, apresento o resultado da análise da configuração textual dessas duas obras, no intento de melhor entender os aspectos que os constituem como gênero literário importante da literatura infanto-juvenil brasileira e os motivos que os fizeram ser preferidos ou não pelas crianças. Como objetivo, destaco a necessidade de propiciar novas formas do aluno se relacionar com a leitura literária no cotidiano escolar, compreendendo-a como um recurso, “vivo e dinâmico” que, destituído da intenção imediata de transmissão de informações, de conteúdo, propicia ao leitor o desenvolvimento de habilidades especificamente humanas, disso a importância de iniciá-lo como prática social na escola.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, FORMAÇÃO DE LEITORES, CRIAÇÃO DE NECESSIDADES
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 12
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: INICIALIZAÇÃO AO SARAU ITINERANTE COM CONTAÇÃO DE HISTORIAS NA VILA ISABEL SÃO CARLOS
AUTOR(ES): IRENE ZANETTE DE CASTAÑEDA
RESUMO: Faço parte da equipe de trabalho PROEXT, premiado pelo MEC - MINC :“Sarau Itinerante: Práticas Coletivas de Eco Leituras“. Como professora de Literatura foquei meu trabalho na orientação do trabalho com a arte da palavra e incentivo à leitura. O tema do “Meio Ambiente“ foi dado pela professora Luzia Sigoli.Iniciei como coordenadora, depois passei a colaboradora de fevereiro a abril.O trabalho tem a duração de um ano. Fiquei encarregada da Vila Isabel, resquício de um quilombo de negros escravos fugitivos de uma fazenda da região. Trabalho com dois alunos de Letras, um de Biblioteconomia, uma agente comunitária Eliana Àvila , crianças, adolescentes e adultos. Os trabalhos duram duas horas aos sábados, nas casas dos moradores. Os alunos bolsistas pesquisam, lêem e contam histórias sobre o meio ambiente aos ouvintes do bairro. Após a cada contação, abre-se espaço para discussão sobre os temas que interessaram.O interesse é geral. O primeiro tema foi a Àgua durante três saraus. O quarto tema foi a a TERRA. As histórias foram contadas com fantoches, o que atraiu muito as crianças. Os pais também se aproximaram para ouvir e participar dos trabalhos. As crianças levaram garrafas Pets para reciclagem. Depopis de ouvirem as histórias , cortaram as garrafas, encheram de terra e plantaram, no primeiro dia, alpiste e regaram para trazerem, no próximo sábado, as palantinhas já verdes.A seguir plantarão feijão e milho. As crianças, antes do sarau estavam brincando de bang-bang com revólveres de plásticos. Deixaram as armas para participar do sarau sem serem chamadas e participaram com muito entusiasmo. Foi um momento muito emocionante. Fotografamos as crianças com os pés em círculo com as garrafas com a terra e as sementes no meio representando o Planeta, sua vegetação ou alimento do homem. Os trabalhos têm rendido conscientização de reciclagem e e preocupação com o meio ambiente.
PALAVRAS-CHAVE: SARAU ITINERANTE, CONTAÇÃODE HISTÓRIAS , MEIO AMBIENTE
TÍTULO: A NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS NA ESCOLA: ESPAÇO DE DIÁLOGO
AUTOR(ES): JANAINA DAMASCO UMBELINO
RESUMO: A narração de histórias tem, cada vez mais, ocupado espaço entre os educadores. A cada ano, mais professores, na busca de novos recursos para estimular a leitura entre os alunos, procuram compreender esta prática e incluí-la em seu planejamento. A partir dos estudos realizados por Vigotski e Bakhtin sobre produção de sentidos e interação verbal, realizamos uma pesquisa em uma escola pública do município de Florianópolis, com o objetivo de compreender os sentidos empregados às narrativas pelas crianças. A partir dos resultados da pesquisa podemos destacar, inicialmente, que os questionamentos que as crianças fazem sobre a história que ouvem, surgem da necessidade de completar lacunas deixadas pelo contador no momento da narrativa, para que as crianças possam, através da imaginação completar a história, principalmente, através de suas imagens mentais. Nesse momento, ocorre a recepção, ou seja, um momento de diálogo onde a criança completa o texto a partir da relação com o narrador e com o texto, é neste diálogo que nossa experiência vai sendo explicitada e ganhando sentido para nós mesmos. Outra questão importante é o fato de que narração se constitui numa experiência muito particular em torno da linguagem. A criança pode elaborar e reelaborar seus enunciados para se fazer entender, quando procura, através da oralidade, expor sua compreensão sobre um texto e tornar-se, também, uma contadora de histórias. Nesse processo de elaboração e reelaboração, as crianças vão dando sentido às narrativas e se desenvolvendo, vão, assim, aprendendo a dar sentido às suas vidas, proporcionando um momento de encontro interior, onde sensações são estimuladas pelas histórias. Permite que elas tenham uma experiência em ouvir histórias, muitas vezes, não realizadas em casa e muito importante para o seu desenvolvimento psicológico como ser humano.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGINAÇÃO, NARRATIVAS, DIÁLOGO

TÍTULO: SARAUZINHO LITERÁRIO DE POESIA INFANTIL: UMA EXPERIÊNCIA EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): JOEL ROSA DE ALMEIDA
RESUMO: O sarau literário, presente no contexto da leitura dos textos romanescos da sociedade do século XIX, é hoje um importante recurso para desenvolver o leitor do texto literário infantil e pode ocorrer especialmente na poesia infantil moderna e contemporânea, cujos ritmos melódicos são trabalhados, de modo criador, por poetas recomendáveis (Cecília Meireles, Vinícius Meireles, José Paulo Paes, Sidônio Muralha, entre outros). Além do contato inicial, significativo e simbólico, com diversos autores da literatura erudita, as leituras prosódica e dramatizada fundamentam-se em outros recursos e permitem correlacionar a literatura e demais artes (teatro, canto, coro, música, dança, desenho, pintura, entre outras), propiciando a formação do leitor educador/pedagogo e do leitor infantil. Sensibilizar e despertar o prazer pela leitura são resultados perceptíveis dessa prática lúdica. Trata-se de leituras tanto prosódica quanto teatralizada, cujas apresentações falicitam a aplicação prática dos conteúdos teóricos da Poesia Infantil, recorrendo-se sempre ao lúdico através de jogos e brincadeiras. Os recursos e materiais partem de um envolvimento com os alunos. É uma experiência de evento literário em sala de aula, que conta com a participação de todos os graduandos dos cursos de Letras e de Pedagogia e visa ao aprendizado sensível da leitura como exercício do prazer e da fruição. A leitura do texto literário é a protagonista da história e da apresentação. Os recursos são os livros infantis e os textos contidos neles, dotados de efeitos literários, figuras de linguagem, ritmo e bagagem, e um olhar e ouvidos atentos e provocadores. Como lidar com o leitor e melhorar sua formação? Como trabalhar com melhores estratégias de leitura na infância e fase adulta? São essas as questões que norteiam nossa experiência com sarau literário em sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, POESIA INFANTIL, SARAU LITERÁRIO

TÍTULO: DEL PICCHIA E LOBATO: DUAS NARRATIVAS DE “DESTAMANHOS“ PARA CRIANÇAS
AUTOR(ES): JORGE LUIZ MARQUES DE MORAES
RESUMO: Este trabalho pretende analisar duas narrativas que, na primeira metade do século XX, trouxeram ao universo da Literatura para crianças no Brasil a magia do aumentar e diminuir de tamanho. Em “No País das Formigas“ (1939), de Menotti del Picchia e “A Chave do Tamanho“ (1942), de Monteiro Lobato, os jovens leitores vêem as personagens serem obrigadas a conviverem com outras dimensões de tamanhos - ou melhor, de “destamanhos“. João Peralta e Pé de Moleque, no primeiro livro e Emília e o pessoal do Sítido do Picapau Amarelo, no segundo, são transportados e transportam, através das sedutoras histórias narradas, para outros planos e dimensões. A comunicação apresentada observará a construção das arquiteturas narrativas por parte dos dois autores, os recursos de estilo empregados, as relações de intertextualidade presentes nos textos de Lobato e Del Picchia, a inserção de elementos de brasilidade nas narrativas, além das reflexões filosóficas e políticas que subjazem em ambos os livros. Sendo que tomando o líquido verde, como João Peralta e Pé-de-Moleque, ou aspirando o superpó dos Visconde, como fez Emília, a invencionice do faz-de-conta acaba por criar, na Literatura para crianças e jovens no Brasil, a tradição da reinvenção dos tamanhos, tão presente em outras tradições literárias, bem como na fantasia de pequenos e grandes.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA PARA CRIANÇAS, LOBATO E DEL PICCHIA, TAMANHOS E DESTAMANHOS

TÍTULO: “O OLHO VÊ E A IMAGINAÇÃO TRANSVÊ“: UMA ANÁLISE SOBRE A REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM DO LEITOR EM A HISTÓRIA SEM FIM
AUTOR(ES): JOSÉ DAVID BORGES JUNIOR, JULIANA PÁDUA SILVA MEDEIROS
RESUMO: O presente estudo pretende analisar como se processa a construção da imagem do leitor, na adaptação cinematográfica da obra “A história sem fim”, de Michael Ende. Sabe-se que, na contemporaneidade, tanto o conceito de leitor quanto o de leitura, passou e tem passado por algumas modificações, devido à eclosão do fenômeno dos múltiplos processos “sígnicos“ e das múltiplas linguagens, que constituem a totalidade do objeto artístico, interferindo, de modo decisivo, na sua recepção. Dessa forma, busca-se evidenciar que a imagem do leitor, contida na supracitada obra, gera, no leitor “extradiegético“, uma certa “hesitação”, que o seduz e o transpõe para dentro desse universo virtual fantástico. Assim, o objeto e seu receptor fundem-se momentaneamente, através do uso consciente da metalinguagem. Portanto, observa-se que obras que se configuram sob esse tipo de constituição, concorrem para a instauração de um certo fascínio recorrente no público infantil e juvenil, despertando neles uma certa curiosidade e voracidade leitoras, tornando-os uma espécie de desbravadores, devido ao fato de viverem, em conjunto e paralelamente aos personagens fictícios, as aventuras narradas dentro da totalidade dessa trama textual, concebida como tecido urdido de linguagens e, dessa maneira, genialmente capaz de devolver a esses jovens leitores, o interesse por essa viagem e por novas experiências nas suas práticas de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITOR CONTEMPORÂNEO, METALINGUAGEM, LITERATURA FANTÁSTICA
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 13
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: IDEÁRIOS QUE MOVIMENTAM A PRODUÇÃO DE LIVROS PARA CRIANÇAS “LIVROS E CRIANÇAS NO MUNDO DO LIVRO INFANTIL“
AUTOR(ES): JULIANA BERNARDES TOZZI
RESUMO: O trabalho a ser apresentado objetiva introduzir a problematização a respeito da historicidade inerente à produção do livro para a criança, compartilhando a natureza de nossa pesquisa de mestrado iniciada no 1º semestre de 2009 na Faculdade de Educação da Unicamp, que deseja, justamente, conhecer e discutir as representações sobre leitura e infância que marcam/demarcam o terreno das práticas editoriais enquanto práticas compartilhadas e também distintas de apropriação sobre estas representações. Então, a comunicação objetiva desenvolver uma contextualização de nossa problematização, através da discussão inicial das representações da criança e do livro no tempo contemporâneo de nossa sociedade e da forma como estas se cruzam e se apresentam no espaço do que identificamos por “livro infantil”. Também apresentaremos os objetivos que se seguem à nossa investigação: mapear as editoras que se propõem a produzir este tipo de livro no Brasil no período 2007-2008 e ampliar a compreensão sobre as tendências envolvidas com a produção deste livro em nossa sociedade, a partir da análise de catálogos editoriais, compreendidos como materiais de divulgação de um ideário de infância e de leitura inerentes a cada proposta editorial). As premissas do trabalho partem de duas idéias fundantes: primeira, a de que objetos materiais trazem marcas de um tempo histórico e oferecem oportunidade de conhecimento sobre os modos de pensamento e organização da sociedade (pressuposto que interpretamos a partir dos trabalhos da Nova História Cultural, com Roger Chartier e da Sociologia da Cultura, com Pierre Bourdieu) e, segunda, que os discursos impressos em objetos culturais compõem significados a serem buscados na complexa rede dos contextos da enunciação (Teoria da Enunciação de Mikhail Bakhtin).
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO INFANTIL , REPRESENTAÇÕES: LEITURA E INFÂNCIA, LINHAS EDITORIAIS

TÍTULO: O FLAUTISTA DE HAMELIN: A LEITURA NA SALA DE AULA DE TRÊS ADAPTAÇÕES SOBRE A LENDA ALEMÃ.
AUTOR(ES): JULIANO ANTUNES CARDOSO, LUÍS CARLOS DIAS, TELMA REGINA FAGUNDES DA SILVA
RESUMO: No presente trabalho dissertaremos sobre a recepção feita por alunos do sétimo ano do ensino fundamental, de três versões d’ O flautista de Hamelin, uma narrativa oriunda da tradição oral alemã, do século XIII. Essa lenda tem inspirado muitas versões no decorrer dos tempos, seja na oralidade ou em textos escritos. A lenda narra as aventuras de um misterioso músico que livra a cidade de Hamelin de uma praga de ratos recorrendo apenas ao som de sua flauta, mas, por não receber das autoridades municipais o valor combinado pelo trabalho, com o som da mesma flauta enfeitiça todas as crianças da cidade, levando-as para um lugar desconhecido e de onde nunca mais retornaram. Por meio de questionários, serão abordados o poema de Robert Browning, as adaptações de Paula Mastrobert e de Bráulio Tavares. O primeiro um poema narrativo feito pelo autor inglês, no século XIX, já as outras duas adaptações são contemporâneas e feitas por autores brasileiros. Essa análise procurará relacionar as preferências dos alunos às características estruturais das obras, buscando compreender e demonstrar como os elementos como narrador, espaço, tempo e personagens de cada obra contribuem para a manutenção ou dissipação do mistério, ambigüidade e suspense necessários ao interesse dos alunos.
PALAVRAS-CHAVE: FLAUTISTA DE HAMELIN, RECEPÇÃO, LITERATURA INFANTIL

TÍTULO: AS HISTÓRIAS INFANTIS DE MALBA TAHAN: UM CALEIDOSCÓPIO INTERDISCIPLINAR
AUTOR(ES): JURACI CONCEIÇÃO DE FARIA
RESUMO: O universo literário de Malba Tahan é um verdadeiro caleidoscópio e, como tal, a cada movimento de análise e compreensão de suas obras, uma infinidade de desenhos regulares vão sendo definidos e multiplicados entre os espelhos da trajetória histórica do professor de matemática, escritor e conferencista Júlio César de Mello e Souza (1895-1974). Buscando trazer à luz a interdisciplinaridade presente nas histórias infantis da coleção “Malba Tahan Conta Histórias“, publicadas pela Editora Brasil-América Ltda em 1968, redirecionamos nosso olhar para uma questão central de nossas pesquisas: em plena década de 60, seria a intenção de Malba Tahan contrapor-se ao momento educacional brasileiro, fortemente marcado pela disciplinaridade e explorar distintas esferas do saber em suas histórias destinadas ao público infantil? Tendo como fundamento teórico a prática educativa interdisciplinar de Ivani Fazenda, este artigo tem a intenção de apresentar uma breve história da vida do autor, contextualizar a literatura infantil de Malba Tahan, analisar o diálogo interdisciplinar presente nos seis volumes desta coleção (A Girafa Castigada; O Rabi, o Cocheiro e os Anjos de Deus; A Pequenina Luz Azul; Os Sonhos do Lenhador; O Tesouro de Bresa e A História da Onça que queria acordar cedo) e, quem sabe, apresentar algumas considerações para a prática de leitura e escrita das crianças do nosso tempo.
PALAVRAS-CHAVE: MALBA TAHAN, LITERATURA INFANTIL, INTERDISCIPLINARIDADE

TÍTULO: A OBRA DE JÚLIO VERNE: SUAS POSSIBILIDADES DE USO EM AULAS DE FÍSICA E A CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS PELOS ALUNOS
AUTOR(ES): JÚLIO CÉSAR DAVID FERREIRA, PAULO CÉSAR DE ALMEIDA RABONI
RESUMO: Este trabalho é resultado de uma pesquisa do Programa de Iniciação Científica financiada pela FAPESP em 2007. Buscamos uma aproximação entre dois campos do conhecimento que envolvem múltiplas formas de linguagem: a literatura de ficção científica e a física. Partimos do pressuposto de que todo professor é professor de leitura e, como decorrência, todas as formas de leitura se relacionam e criam entre si pontos de apoio para a construção de sentidos. Assim, buscamos na obra de Julio Verne, elementos de aproximação com conteúdos de Física do ensino médio. Partindo de um levantamento inicial dos materiais disponíveis aos alunos através das bibliotecas escolares, selecionamos títulos da obra de Júlio Verne para uma análise posterior. Nos livros “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “Viagem ao Centro da Terra”, tomando Bakhtin como referencial de análise, encontramos em Júlio Verne o que denominamos uma “didática das ciências”. As situações criadas por Verne envolvem conhecimentos científicos consolidados que ele procura ensinar ao leitor, explicando com grande detalhamento e estabelecendo relações entre os elementos presentes em cada episódio. Encontramos também a proximidade entre as situações descritas pelo autor e os enunciados de fenômenos físicos típicos de livros didáticos do ensino médio, com algumas diferenças: a assepsia que os livros didáticos fazem, simplificando o texto para “facilitar” a aprendizagem, retira do texto elementos essenciais para sua compreensão; a ausência de um enredo e dos demais elementos para a constituição do tema, restringindo as possibilidades de compreensão pelos alunos. Essas e outras diferenças, marcadas por elementos comuns, tornam promissora a aproximação entre a leitura de ficção e o ensino de física, com o objetivo mais amplo de formar o leitor, papel central da escola.
PALAVRAS-CHAVE: JULIO VERNE, CONCEITOS DE FÍSICA, CONTRUÇÃO DE SENTIDOS

TÍTULO: LITERATURA INFANTIL E A NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS: A CONSTITUIÇÃO DA CRIANÇA COMO NARRADORA
AUTOR(ES): KARIN COZER DE CAMPOS
RESUMO: Este trabalho discute a atividade de narração de histórias nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Enfatizamos as significativas contribuições que a Literatura Infantil pode proporcionar às crianças, por meio das histórias, para incentivá-las, estimulá-las e torná-las crianças narradoras. Nessa perspectiva, nosso objetivo é discutir sobre a narração de histórias, para desenvolver as capacidades orais das crianças e para a constituição da criança como narradora, partindo tanto dos textos literários como das experiências vividas ou imaginadas. Isso tudo consiste no fato de que a atividade de contar histórias tem sido presença cotidiana na escola, sendo atribuído à esta atividade o incentivo à imaginação e à leitura, a ampliação do repertório cultural das crianças, o desenvolvimento da oralidade e a criação de referenciais importantes ao desenvolvimento subjetivo da criança. Além disso, a possibilidade das crianças aprenderem desde cedo a tecer narrativamente sua experiência e constituir-se como sujeito cultural (Girardello, 2003). Ou seja, por meio de histórias que são ouvidas, lidas ou contadas livremente, inspiradas na literatura ou nas experiências e vivências das crianças e ao mesmo tempo ser possível ouvir as suas próprias histórias. A fim de desenvolver nosso trabalho, estão inseridas em nosso referencial teórico uma concepção de linguagem e atividade humana com base na psicologia histórico-cultural de Vigotski e as contribuições de Bakhtin para a compreensão da linguagem, em que a língua se manifesta pelo fenômeno da interação verbal. Neste sentido, opta-se por estes teóricos pela contribuição teórico-metodológica à reflexão sobre a narração de histórias no contexto da linguagem da criança. Sobretudo, nossa compreensão da beleza implícita que existe ao narrar uma história, declamar uma poesia, ler uma lenda ou uma fábula, as quais também compõem o mundo da linguagem e da arte, e ao mesmo tempo, ampliar a sensibilidade e o repertório cultural das crianças.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS, LINGUAGEM ORAL

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 14
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 04
TÍTULO: A VIDA ÍNTIMA DAS FRANGAS
AUTOR(ES): LARA SOUTO SANTANA
RESUMO: A produção literária de Clarice Lispector (1920-1977) e Caio Fernando Abreu (1948-1996) é predominantemente destinada ao público adulto. No entanto, por ser destinada ao público infantil, uma obra de cada autor nos chama atenção: A vida íntima de Laura, de Clarice Lispector e As frangas, de Caio Fernando Abreu, publicadas em 1974 e 1989 respectivamente. A comunicação pretende analisar a relação de intertextualidade que, para nós, poderia ser definida como uma conversa entre dois ou mais textos, presente nas obras mencionadas, bem como elucidar outras possibilidades de leitura para o texto literário. Num primeiro momento, faremos uma apresentação do enredo da obra de cada autor, para que, em seguida, possamos apontar os aspectos intertextuais da narrativa de Clarice Lispector presentes na de Caio Fernando Abreu. Embora haja diversos termos: dialogismo, polifonia, intertextualidade, interdiscursividade para designar que em uma obra há marcas de outra(s), nosso intuito é apontar momentos em que a intertextualidade se faz presente explícita e sutilmente, da dedicatória e epígrafe a características comuns entre as personagens envolvidas na história e experiências vividas por seus narradores. O título desta comunicação se explica por entendermos que: o livro “As frangas“ pode ser visto como uma resposta ao livro “A vida íntima de Laura“.
PALAVRAS-CHAVE: A VIDA ÍNTIMA DE LAURA, AS FRANGAS, INTERTEXTUALIDADE

TÍTULO: VER, OUVIR, LER: INICIAÇÃO ÀS PRÁTICAS DE LEITURAS DE JOVENS
AUTOR(ES): LARISSA CAMACHO CARVALHO
RESUMO: O presente trabalho visa apresentar alguns resultados de pesquisa realizada sobre práticas de leituras de jovens a partir de suas leituras do livro “O Senhor dos Anéis“, do autor inglês John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973). A partir das narrativas de memórias de jovens a respeito de suas primeiras experiências com a leitura, tornou-se possível a compreensão dos percursos de leitura dos jovens, desde a sua infância, que incorpora práticas de ouvir/ler e ver/ler. Histórias contadas pelos pais, inventadas por irmãos, histórias em quadrinhos, mangás, coleções de literatura infanto-juvenil fazem parte da iniciação à leitura de muitos jovens da atualidade envolvidos em produções culturais que priorizam o livro. Outra questão que também marca as memórias de leituras de jovens contemporâneos são os modos de ler: ler no quarto, deitado na cama, sentado na mesa da sala, ler à noite, ler de dia no quintal, modos de ler relembrados pelos jovens como integrantes de suas práticas que levaram à iniciação à leitura. As imagens são, igualmente, fator importante para essas primeiras leituras. Capas de livros, filmes que adaptam histórias da literatura são arquivos visuais que remetem os jovens às primeiras leituras literárias. Os estudos do historiador francês Roger Chartier auxiliam a compreensão dessas práticas de leitura que marcam a infância de jovens leitores e, assim, constitui o referencial teórico privilegiado da análise empreendida.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, NARRATIVAS DE JOVENS, O SENHOR DOS ANÉIS

TÍTULO: A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA NA LITERATURA INFANTO-JUVENIL: DIÁLOGOS COM SIMONE DE BEAUVOIR
AUTOR(ES): LAUDICÉIA LEITE TATAGIBA
RESUMO: A condição feminina ao longo da história da humanidade pode ser analisada por vários aspectos, no que concerne à sua condição psicológica, biológica, social. Porém, os aspectos sociológicos neste período foram os que mais se evidenciaram como marca importante da forma como esta se mostra e mostrou ou se alienou nos contextos em que viveu. O presente trabalho tem como proposta delinear algumas considerações sobre como se desenvolve e se apresenta a construção da identidade na literatura para crianças e jovens, traçando paralelos com a perspectiva social em relação ao feminino, tomando como corpus de análise a obra portuguesa “Os Olhos de Ana Marta“, de Alice Vieira, com publicação brasileira pela SM Editora e o texto de Lygia Bojunga , “Sapato de Salto“, publicado pela Casa Lygia Bojunga. Para tal, lançamos mão também de algumas concepções teóricas que abordam a condição feminina ao longo dos séculos e sua funções sociais, sendo a principal fonte a obra de Simone de Beauvoir, “O Segundo Sexo“.Traçamos algumas considerações relevantes a fim de que se possa identificar na Literatura Infanto-Juvenil citada os elementos elencados por Beauvoir que evidenciem a condição da mulher na sociedade, elaborando-se análises sincrônicas e diacrônicas. Para uma análise diacrônica, além das obras já citadas, tomamos como base de estudo a obra de Rachel Soihet, “Condição Feminina e Formas de Violência“, onde a autora aborda a condição das mulheres dos segmentos populares do Rio de Janeiro entre 1890 e 1920.
PALAVRAS-CHAVE: IDENTIDADE, FEMININO, SOCIEDADE

TÍTULO: “HISTÓRIAS DE FADAS, DE PRENDAS E DE GAUDÉRIOS” A LITERATURA INFANTIL E A PRODUÇÃO DE IDENTIDADES
AUTOR(ES): LETÍCIA FONSECA RICHTHOFEN DE FREITAS
RESUMO: Um dos temas mais discutidos entre professores, pedagogos e pesquisadores se refere à importância da leitura. Possivelmente este seja um dos temas que gera maior consenso, uma vez que os discursos que defendem a importância da leitura parecem ser de unanimidade, cabendo, principalmente, à escola a tarefa de formar leitores e de despertar-lhes o gosto pela leitura. Considerando-se o enorme crescimento da indústria editorial voltada para o público infantil a partir da década de 1980, este trabalho destaca algumas obras que abordam determinadas identidades regionais, mais especificamente, no âmbito das análises aqui empreendidas, as que tratam da figura do gaúcho. O objetivo deste estudo, ao abordar tais livros, é analisar de que maneira a chamada pedagogia do “gauchismo“ ensina uma determinada maneira de ser do gaúcho, construindo certas representações identitárias que privilegiam “uma forma de ser gaúcho“ – associada à figura do gaúcho do pampa, com seus costumes, hábitos, indumentária, etc. O referencial teórico da pesquisa situa-se no âmbito dos Estudos Culturais, campo teórico que considera central o papel da linguagem como constituidora dos fenônemos socias – produzindo discursivamente a identidade e a diferença. Neste estudo são analisados três livros publicados entre as décadas de 1980 e 1990, cuja temática está relacionada ao gauchismo. São eles: “Cri-Cri, o grilo gaudério“, de Jerônimo Jardim; “As aventuras de Gauchito“, de Dirceu Antônio Chiesa; “Histórias de fadas e prendas“, de Maria Dinorah. O estudo aponta que tais narrativas, mesmo não possuindo um cunho estritamente pedagógico, são perpassadas pela pedagogia do “gauchismo“, ensinando lições sobre o que é ser gaúcho, subjetivando leitores/as e produzindo identidades. Mesmo que as identidades não sejam construídas de maneira linear e que outros discursos se interponham a estes do “gauchismo“, tal pedagogia, de cunho cultural, atua nos livros analisados, constituindo, em maior ou menor grau, gauchinhos e gauchinhas.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, PEDAGOGIA CULTURAL, GAUCHISMO

TÍTULO: PEDAGOGIZAÇÃO DA LITERATURA INFANTIL EM UMA TURMA DE ALFABETIZAÇÃO: UM OLHAR PARA O DIÁRIO DE CLASSE DE UMA PROFESSORA ESTAGIÁRIA.
AUTOR(ES): LETÍCIA GERMANO
RESUMO: Este trabalho, parte integrante de uma pesquisa de mestrado em andamento, tem como objetivo problematizar a escolarização da literatura infantil a partir da análise inicial de cinco diários de classe de alunas do curso de Pedagogia, nos quais registram seus estágios docentes nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O foco desta investigação consiste em algumas aulas em que o livro infantil foi utilizado de modo a pedagogizar o letramento, bem como os discursos engendrados neste material. Contou-se, para tal análise, com o referencial teórico dos Estudos Culturais pós-estruturalistas e pós-modernos, que entende o livro infantil e os diários de classe como parte de um sistema de significação, produtores de identidades e subjetividades, ou seja, como artefatos culturais. A análise de um dos diários de classes que fazem parte do corpus da pesquisa, pertencente a uma professora alfabetizadora em estágio docente, é examinado neste trabalho, tendo como ponto de partida um mapeamento dos livros de literatura infantis utilizados ao longo do ano letivo em sua turma de alfabetização, relacionando-o com as tendências editoriais atuais observadas no site de uma livraria de abrangência nacional. Tal análise, mesmo sendo inicial, permite a articulação de reflexões sobre a escolarização da literatura infantil e o caráter deliberadamente pedagogizante observado em grande parte da atual produção de livros endereçados às crianças.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL , LETRAMENTO, DIÁRIOS DE CLASSE

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 15
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 04
TÍTULO: LITERATURA E ESCOLA EM SERÕES DE DONA BENTA: ENTRE A FORMAÇÃO E A INFORMAÇÃO
AUTOR(ES): LIA CUPERTINO DUARTE ALBINO
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo discutir as relações que se estabelecem entre Literatura e escola na obra “Serões de Dona Benta“, de Monteiro Lobato. Pretende-se, ainda, verificar de que maneira Lobato, partidário dos pressupostos da Escola Nova segundo os quais as instituições educacionais deviam deixar de ser meros locais de transmissão de conhecimentos e tornarem-se pequenas comunidades, valorizando o diálogo, a observação, a vivência e a experimentação, utiliza as características formais de uma literatura capaz de transcender o simplesmente pedagógico e a intenção didática. Discute-se ainda a maneira encontrada por Lobato em “Serões de Dona Benta“ para, depois de já ter dado sua contribuição para a história da literatura infantil no Brasil, incursionar na discussão do ambiente escolar brasileiro do início do século XX. Nesse sentido, pretende-se destacar o fato de que, em Lobato, literatura e escola compartilham um aspecto comum: a natureza formativa, uma vez que tanto a obra de ficção como a instituição de ensino estão voltadas à formação do indivíduo ao qual se dirigem. Sendo assim, ao propor nesse livro experiências que levarão à assimilação de conceitos científicos, o autor, mesmo em uma obra considerada didática, como é o caso de “Serões de Dona Benta“, conduz uma história que se desenvolve por meio da aventura, do diálogo, do humor e de procedimentos formais que fazem com que o texto transcenda a intenção puramente didática.
PALAVRAS-CHAVE: MONTEIRO LOBATO, LITERATURA INFANTO-JUVENIL, EDUCAÇÃO

TÍTULO: O HOMEM E A CULTURA EM MANOEL DE BARROS: UMA ABORDAGEM A PARTIR DA TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL.
AUTOR(ES): LICIA MARA PINHEIRO RODRIGUES DELAMO, SONIA DA CUNHA URT
RESUMO: Este estudo foi baseado na análise da obra “Memórias inventadas: a segunda infância”, de Manoel de Barros, e buscou revelar a constituição do sujeito que se manifesta na apropriação da cultura por meio do processo educativo. Para isso, elegeu-se como aporte teórico central a perspectiva histórico-cultural de Lev Semenovich Vigotski e um de seus colaboradores, Leontiev. Tal perspectiva se ancora na idéia de que o indivíduo se desenvolve a partir das relações sociais, na troca com outros sujeitos e consigo próprio. Além desse aporte teórico, buscou-se uma interlocução com outros autores como Gonzáles Rey (2003), que trata da questão da subjetividade do sujeito, e de Alves (2003), que aborda a questão da singularidade e universalidade do homem regional. Evidenciou-se assim que a literatura expressa na referida obra de Manoel de Barros configura-se como uma viabilidade de desvelar um homem regional que também é universal e o conhecimento de uma concepção de sujeito concreto, social, histórico e cultural que se constitui pela apropriação da cultura por meio dos processos educativos formais e não-formais. Dessa forma, imprime-se a possibilidade de a literatura regional se aproximar do processo de ensino-aprendizagem, contextualizando a elaboração de projetos de leitura que visem ao uso da obra nas escolas.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA, EDUCAÇAO, MANOEL DE BARROS

TÍTULO: O TEMPO DO “ERA UMA VEZ” DAS HISTÓRIAS: REFLEXÕES SOBRE UMA PRÁTICA NA SALA DE AULA DE CRIANÇAS NA FASE INICIAL DA ALFABETIZAÇÃO
AUTOR(ES): LILANE MARIA DE MOURA CHAGAS
RESUMO: O presente texto apresenta algumas reflexões em relação à narração de histórias como parte do trabalho com a linguagem, focalizando o ensino da Língua Portuguesa para crianças na fase inicial da alfabetização. As atividades de ensino analisadas são parte de uma pesquisa de doutorado e nesta comunicação apresentamos os desdobramentos teórico-práticos sobre o processo de observações e discussões em relação à narração de história na sala de aula. Algumas questões foram se apresentando: o que significa “a hora do conto”? O conto tem “hora marcada no ensino”? Narrar com livro ou não? A partir dessas questões, registraram-se os momentos em que as professoras e os estudantes utilizaram ou narraram histórias na sala de aula, com auxílio de um livro ou não e, igualmente, quando se realizaram atividades de ensino utilizando a palavra poética. O que interessa e vale ressaltar é que, tanto o registro oral como o escrito, transformam-se pelo próprio movimento que constitui a linguagem e a função da narrativa, fornecendo possibilidades múltiplas de imaginação em uma experiência de aprendizagem. No processo das observações e nas atividades registradas surgiram algumas subcategorias ― narração, leitura, criação de histórias e palavra poética ― que configuraram aproximações mais apuradas no movimento daquilo que denominamos narrativa cotidiana e literária. Desse modo, e para fins deste texto, abordamos duas modalidades de narrativa: uma é a ficcional, quando a professora utiliza ou narra histórias na sala de aula, com auxílio de um livro ou não e outra quando a atividade solicitada pela professora requer que os estudantes narrem os acontecimentos dentro e fora da escola. Observou-se também o lugar e o tempo narrativo. Pelas observações, pode-se constatar que as narrativas possuíam um tempo e, portanto, um lugar específico nas atividades de ensino da língua materna, o que indicava o grau de importância atribuído pelos professores.
PALAVRAS-CHAVE: NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS, LINGUAGEM, ALFABETIZAÇÃO/CRIANÇAS

TÍTULO: A REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE INFANTIL NA PÓS-MODERNIDADE: UMA LEITURA DE A BOLSA AMARELA, DE LYGIA BOJUNGA
AUTOR(ES): LIVIANE RODRIGUES MAIA
RESUMO: Esta comunicação tem a finalidade de evidenciar a representação da identidade infantil, no contexto da pós-modernidade, na obra “A bolsa amarela“, de Lygia Bojunga Nunes. A pós-modernidade, entendida como o período das incertezas e das transformações sociais, culturais, econômicas e políticas, modificou as instituições e as relações sociais (pricnipalmente a família), tornando a infância um período da vida fragmentado, recheado de conflitos, desejos, problemas, frustações, expectativas e medos, próprios deste novo contexto global e desestabilizante. Dessa forma, a criança, pós-moderna, que “está exposta a cada momento à sociedade em que vive, certamente aprenderá a enfrentar suas condições, desde que seus recursos íntimos lhe possibilitem fazê-lo“ (BETTELHEIM, 2007:12). Assim, ela precisa construir uma nova identidade, adequada a esse mundo desconcertante e provisório. Esse processo de representação identitária poderá ser auxiliado pela Literatura Infantil, uma vez que “a criança necessita muito particularmente que lhe sejam dadas sugestões em forma simbólica sobre o modo como ela pode lidar com essas questões e amadurecer com segurança.“ (BETTELHEIM, 2007:15). Nessa pespectiva, buscamos demonstrar a relação intrínseca entre pós-modernidade, identidade infantil e obras literárias destinadas ao leitor infantil, procurando evidenciar os processos de construção de identidade, representada por meio de formas metafóricas, da protagonista, Raquel, da obra “A bolsa amarela“.
PALAVRAS-CHAVE: IDENTIDADE;INFÂNCIA, LITERATURA INFANTIL, REPRESENTAÇÃO LITERÁRIA

TÍTULO: A PRESENÇA DO BULLYING NOS CONTOS DE FADAS: UMA ANÁLISE REFLEXIVA
AUTOR(ES): LÍVIA CRISTINA CORTEZ LULA DE MEDEIROS
RESUMO: O artigo é recorte de uma pesquisa de mestrado e objetiva investigar as contribuições da literatura para a discussão e reflexão sobre a prática do bullying, em situação escolarizada. Sua relevância consiste em oferecer ao professor subsídios para ampliar suas competências no ensino de leitura e literatura, a partir do (re)conhecimento do potencial problematizador e crítico do texto literário, fundamentais para trabalho educativo sobre a prática do bullying, tão comum nas escolas atualmente. Entende-se que o trabalho sistematizado com contos de fadas favorece à criança trabalhar suas emoções e angústias, tendo em vista o poder imaginativo presente na ficção, que permite aprender mais sobre conflitos íntimos do ser humano e ensaiar suas possíveis soluções, por meio de uma experiência vicária. Em termos metodológicos, o trabalho se configura como uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em estudos sobre literatura e bullying. Adotou-se como procedimento central a análise de contos de fadas, com ênfase em aspectos presentes nos contos que favorecem a discussão e reflexão crítica em torno da temática do bullying. Privilegiou-se como foco de análise, o conto de fadas “A gata borralheira”, dos irmãos Grimm. Elegeram-se como referencial teórico os estudos de Amarilha (2004), Bettelheim (2007), Olweus (1993) e Vygotsky (1997). A análise aponta elementos presentes no referido contos que possibilitam o aprendizado sobre a condição humana e a reflexão de sentimentos e anseios da infância, no modo como aborda a vida e a subjetividade do leitor. Nesse sentido, a literatura reafirma-se como importante campo para o debate e a compreensão de aspectos da realidade do leitor, uma vez que desenvolve neles a autonomia, o pensamento crítico e argumentativo, por meio de uma experiência rica, formativa e imaginativa. Reconhece-se, ainda, a necessidade de se encarar a prática do bullying como um problema preocupante que deve ser debatido e combatido, no contexto escolar.
PALAVRAS-CHAVE: CONTOS DE FADAS, LITERATURA, BULLYING

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 16
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 05
TÍTULO: MACHADO DE ASSIS PARA JOVENS LEITORES
AUTOR(ES): LUCICLÉIA SOUSA SILVA PASSOS
RESUMO: Os textos machadianos são considerados complexos e de difícil entendimento por muitos educadores e que, por este motivo, adiam (retardam) o contato dos alunos com a escrita machadiana. Esse contato costuma se dar apenas nas séries finais do Ensino Fundamental, momento em que os adolescentes lêem adaptações e contos e, no Ensino Médio, quando lêem os romances. Contrariando esta perspectiva e no intuito de fomentar condições (situações) para que os adolescentes “transvejam o mundo”, um grupo de professores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro lançou, para este público, a coletânea de textos machadianos- literários e críticos- intitulada “Machado de Assis para jovens leitores”. Esta pesquisa, de natureza bibliográfica, se propõe a investigar como esse suporte busca se acercar do jovem leitor contemporâneo, levando-o a aproximar-se dos textos oitocentistas machadianos. Pretende-se também compreender as noções de leitor e literatura infanto-juvenil construídas pela publicação em estudo e de que modo elas favorecem a percepção da leitura enquanto fruição. Para tanto, o arcabouço teórico que fundamentará essa investigação será Wolfgang Iser, Lúcia Santaella,Teresa Colomer, entre outros. Espera-se contribuir para a desconstrução do mito da inacessibilidade dos textos de Machado de Assis e irromper com o distanciamento do leitor adolescente dos textos machadianos.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, LEITURA LITERÁRIA, MACHADO DE ASSIS

TÍTULO: MIMESIS E IMAGINAÇÃO NOS CONTOS DO OUTRO LADO TEM SEGREDOS E BISA BIA, BISA BEL
AUTOR(ES): LUCIETE DE CÁSSIA SOUZA LIMA BASTOS
RESUMO: A literatura é a simbolização de uma experiência humana e está ligada a um contexto histórico, aproximando-se ou se afastando das tradições. A literatura infantil, como objeto novo, desempenha importante papel na formação do pensamento das crianças, possibilitando a transformação e o enriquecimento da experiência de vida desses seres em processo. Por se tratar de um objeto com características singulares e dimensão estética essencial, a literatura infantil é dotada de múltiplas possibilidades de pesquisa. Neste artigo, pretendemos problematizar ficção, mimeses e imaginação a partir dos contos “Do outro lado tem segredos“ (2003) e “Bisa Bia, Bisa Bel“ (2001) de Ana Maria Machado, corpus necessário à reflexão proposta. Em ambos os contos, o fluir da narrativa constitui uma via de mão dupla em que os fatos, que marcaram o cotidiano da autora, pontuam a ficção e vice-versa, num movimento contínuo de ir e vir. Nesse sentido, discutimos a “apropriação” do real e a sua “ficcionalização“, interpenetrado pela imaginação criativa da escritora. Acerca das imbricações em torno do real, do imaginário e do ficcional, os conceitos de “mimeses” postulado por Costa Lima e de imaginação defendido por Iser nos serviram de aporte a esta discussão. É possível conjecturar que Ana Maria Machado, ao selecionar, combinar e recolher dados da realidade, “ficcionalizando-os“, incita seus leitores à reflexão sobre questões, aparentemente, distantes do universo infantil. Salientamos que este trabalho não esgota o tema aqui proposto, trata-se de um estudo introdutório que levanta questões pertinentes sobre a relação mimeses, ficção e imaginação. Acreditamos que as discussões ora iniciadas poderão servir de aporte a novos pesquisadores interessados nos estudos sobre a obra da escritora Ana Maria Machado.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, IMAGINAÇÃO, MIMESES

TÍTULO: UMA LEITURA DE DESENREDO DE GUIMARÃES ROSA: O (DES) CONSTRUTOR DE PALAVRAS
AUTOR(ES): LUCILA TEREZA ROCKENBACH MANFROI, ELIZABETH DA SILVA MENDONÇA
RESUMO: A partir da leitura do conto “Desenredo“, que está no último livro publicado em vida por João Guimarães Rosa, “Tutaméia: Terceiras Estórias“, este trabalho propõe analisar os elementos da narrativa apresentados nos seguintes tópicos: “Contador-Narrador: Oralidade e Escrita” em que discutiremos a existência de dois tipos de narradores, bem como aspectos da narrativa oral e escrita; “Intertextos e sentidos dos nomes dos personagens”, em que enfocamos a análise dos nomes das figuras principais, fazendo uma intertextualidade com personagens de outras estórias literárias, especialmente Ulisses da Odisséia de Homero, a Bíblia (Adão, Eva, Jó), levando-se em conta a concepção de polinomásia de Machado; no “O desenredo dos provérbios” nos deteremos em comparar máximas desconstruídas de João Guimarães Rosa em relação a ditos populares e por fim, no tópico “Funcionalidade espaço-temporal” trabalharemos as relações espaço-temporais em evidência no conto. A metodologia que marcará a análise deste trabalho está pautada nos conceitos de tempo e de espaço de Vitor Manuel de Aguiar e Silva e de Mikhail Bakhtin, ampliada através de textos críticos de Ana Maria Machado, Alfredo Bosi, Irene Gilberto Simões e Cleusa Rios Pinheiro Passos. Com essa breve análise, esperamos que nosso trabalho possa contribuir com os estudos sobre a obra de João Guimarães Rosa.
PALAVRAS-CHAVE: GUIMARÃES ROSA, DESENREDO, PROVÉBIOS

TÍTULO: LITERATURA INFANTIL : UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO DE LEITOR E INCLUSÃO.
AUTOR(ES): LUISA MARIA DELGADO DE CARVALHO
RESUMO: Este trabalho apresenta um estudo sobre o Projeto de Literatura Infantil, desenvolvido a partir do no ano de 2008, na “ Banca de Estudo Aurélio Menino”, no Centro Comunitário “Maria Maria“, situada na Favela-Bairro Rocinha, Rio de Janeiro. O primeiro livro escolhido para iniciar o projeto foi “Um Garoto Chamado Norbeto”, do autor Gabriel, o Pensador. O livro foi escolhido porque nos dava possibilidade de trabalhar e explorar temas como: nomes, registro, identidade, relação familiar e a questão da diferença, que são temas necessários para educação/cultura dentro daquele contexto (Freire,Paulo1997). O resultado deste trabalho mostrou-nos o despertar das crianças para a busca de novos materiais de leitura e alunos, mais desinibidos e falantes, com maior facilidade na interpretação de textos. A partir desse projeto, os alunos passaram a ter maior interesse por diversos tipos de leitura. A “Banca de Estudo“, coordenada pela ONG Creche Viva, iniciada desde 2007, atende crianças de 5 a 10 anos, que frequentam a escola pública em meio período. Além de proporcionar o acompanhamento das atividades escolares específicas, a entidade vem proporcionando às crianças a possibilidade de desenvolver várias linguagens educacionais como arte, música e literatura.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, FORMACAO DO LEITOR , INCLUSAO

TÍTULO: “BRUXA E FADA, MENINA ENCANTADA“, DE IEDA DE OLIVEIRA: UMA PARÁBOLA DIALÉTICA E ONTOLÓGICA.
AUTOR(ES): MARCO ANTÔNIO DOMINGUES SANT’ANNA
RESUMO: O texto em tela, supostamente destinado ao público infantil, constitui uma parábola dialética e ontológica, capaz de atingir, de uma maneira simples e cativante e, ao mesmo tempo, requintada e instigante, qualquer faixa de leitores, desde os iniciantes do Ensino Fundamental até os mais exigentes em fase adulta. Isso porque trata de um tema filosófico e literário, por meio de uma tessitura linguística e ilustrativa formalmente bem urdida, que resulta numa obra de elevada qualidade. A fadinha Mabi e a bruxinha Sombria querem saber por que bruxas e fadas não podem ser amigas. A floresta está em polvorosa pois, afinal, essa é uma das regras mais antigas: o Bem jamais pode conviver com o Mal, com seus vários desdobramentos como, por exemplo, o Feio excluindo o Belo; o Alto, o Baixo; a Luz, as Trevas, até se chegar ao extremo de Deus eliminar o Diabo e vice-versa. Assim, o texto nos convida a desvendar o mistério de “Bruxa e Fada, menina encantada“ que, no meio de uma floresta imensa, escura e perigosa, apresenta duas protagonistas de um fenômeno inusitado e prototípico: a celebração da condição humana de ser Abel e Caim, ao mesmo tempo, no mesmo Ser. Baseados em teoria de Umberto Eco e de outros autores a que ele alude, no livro “Obra Aberta“, cabe-nos levantar e tentar solucionar uma questão que o próprio escritor propõe: haveria algo mais positivo e humano do que a admissão da tensão dialética desses pólos opostos que caracterizam o Ente humano? Isso posto, a obra pode compor com outros materiais pedagógicos de comprovada qualidade na formação de um leitor crítico e emancipado, em meio à considerável produção literária que cresce vertiginosamente nas últimas décadas.
PALAVRAS-CHAVE: PARÁBOLA, DIALÉTICA, ONTOLOGIA
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 17
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 05
TÍTULO: OA COLEGAS, DE LYGIA BOJUNGA, E A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE INFANTIL
AUTOR(ES): MARIA APARECIDA SOARES DE SOUZA
RESUMO: A literatura infantil é, sem duvida, um valioso contributo para a formação do sujeito. Ela possibilita construções identitárias, a partir do diálogo que estabelece com o seu receptor. Esta comunicação objetiva revelar as possibilidades de construção de identidades, a partir de narrativas destinadas ao publico infantil. Com esse intuito, buscaremos evidenciar dessa maneira a obra “Os Colegas“, de Lygia Bojunga, que estabelece diálogos com seus leitores, possibilitando a esses, através de aproximações entre o real e a ficção, a formação de identidades. Na obra, cada um dos personagens une-se a um projeto comum de trabalho que lhe dá satisfação pessoal e sentido à vida. Nossa hipotese é a de que a criança, através dessa narrativa, poderá encontrar significados profundos para a própria existência, a realidade e os conflitos que envolvem o seu meio social, visando situações e possibilitando vivenciá-los através dos personagens, uma vez que poderá se identifiar, muitas vezes, com alguns deles. Dessa interação, poderão surgir soluções que o levarão ao amadurecimento psicológico e, consequentemente, a construção de sua identidade. Em nosso trabalho, utilizaremos conceitos advindos de Bruto Bettelheim, no que se refere à psicologia infantil, além de outros teóricos de outras areas do conhecimento que apontam os processos construtores e/ou reveladores de traços identitários.
PALAVRAS-CHAVE: IDENTIDADE, INFANCIA, LITERATURA INFANTIL
TÍTULO: O UNIVERSO LÚDICO DAS ADIVINHAS NA LITERATURA INFANTIL
AUTOR(ES): MARIA APARECIDA VALENTIM AFONSO
RESUMO: Esta comunicação propõe compartilhar a análise feita na dissertação de mestrado, apresentada em novembro de 2006, na UFPB, cujo estudo destaca as brincadeiras com a linguagem, especificamente, as adivinhas, no livro de literatura infantil “Brincando adivinhas”, de Gomes (2003). O objetivo é analisar as características das adivinhas apresentadas, a união entre imagem e texto, o seu processo de decifração, bem como a aproximação do texto com a linguagem poética. Destaca-se também, na análise, a união de várias linguagens: do circo, da música, da poesia, da cultura popular, da ilustração e da palavra escrita cujo objetivo é ajudar o leitor e leitora, através da ludicidade, a compreender mais amplamente a adivinha trazendo para essa brincadeira seu conhecimento de mundo e a imaginação. Defende-se, assim, a sua importância na sala de aula, através da literatura infantil, gênero que traz para suas páginas a riqueza e a variedade de brincadeiras com a linguagem, oriundas da cultura popular, permitindo o seu acesso a um número maior de crianças na escola. Tendo por base a perspectiva dos Estudos Culturais, dialoga-se sobre aspectos relacionados à literatura infantil, à criança e a textos específicos como as adivinhas, apoiando-se em pressupostos teóricos de autores como Fernandes, Bachelard, Lajolo, Zilbermann, Ostrower e Brougère.
PALAVRAS-CHAVE: ADIVINHAS, LITERATURA INFANTIL, BRINCADEIRAS

TÍTULO: LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL: UM (DES)ENCONTRO ENTRE MORENINHAS, VAMPIROS E BRUXOS
AUTOR(ES): MARIA DAS DORES SOARES MAZIERO
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo levantar o perfil leitor de sessenta alunos do 1º ano do ensino médio de uma escola municipal profissionalizante, através da análise de três respostas sobre experiências e preferências destes jovens no campo da leitura literária. Os alunos responderam a dez questões, mas para os objetivos deste trabalho serão analisadas apenas três delas, nas quais se perguntou: 1) o título de um livro lido como parte das atividades escolares; 2) o título de um livro de cuja leitura o aluno tenha gostado; 3) o título de um livro que ele gostaria de ler. A análise das respostas revela alguns aspectos sobre a prática da leitura literária na escola, seja esta pública ou privada, uma vez que apesar de a maior parte dos alunos haver concluído o ensino fundamental em unidades escolares públicas, oito deles o fizeram em instituições privadas. Os títulos citados por alunos de ambas as redes mostram que há um fosso entre o que a escola adota como leitura obrigatória e o que estes alunos manifestam interesse por ler. Suscita, ainda, questões sobre a influência e a participação da escola na formação do gosto pela leitura. Os títulos que apareceram quando se tratava de preferências, fornecem indícios a respeito da existência de uma rede de leituras feitas à margem da escola, composta por títulos que freqüentam a lista dos livros mais vendidos, dos best sellers juvenis, o que parece mostrar que o adolescente talvez veja o livro como mais um produto de consumo, pautando-se muitas vezes pelo que vê na mídia ou pelo prestígio que a leitura de tal obra pode trazer no grupo de amigos de que faz parte.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA JUVENIL, LEITURA LITERÁRIA, FORMAÇÃO DO GOSTO
TÍTULO: O LEITOR IMPLÍCITO INFANTO-JUVENIL EM FACA AFIADA.
AUTOR(ES): MARIA DE LOURDES TELES
RESUMO: Neste trabalho propomos analisar, à luz da teoria da recepção, o leitor infanto-juvenil de “Faca afiada“ (1994), narrativa infanto-juvenil do escritor Bartolomeu Campos Queirós. Para a estética da recepção, o leitor é importante porque é o sujeito agente na leitura da obra literária. É ele quem capta, na obra, o que o autor deseja transmitir. O autor, por sua vez, quando cria, envolve-se com o tema que interessa ao leitor e utiliza-se de suas personagens para expor ideologias em sua obra, ou seja, ele é influenciado pelo contexto social de sua época. Nesse sentido, a obra pode estar associada a uma possibilidade de leitura, entretanto, cabe ao leitor encontrar novas possibilidades e não deixar esgotar o texto. Os teóricos da estética da recepção consideram o leitor como o receptor capaz de reconstruir o significado de um texto ficcional. Baseando-se na obra ficcional, Wolfgang Iser defende a interação do texto com o leitor e aponta que “o papel do leitor resulta da interação de perspectivas e se desenvolve na atividade orientada de leitura” (1999, p.72). Essa interação é condição, segundo Iser (1999, p.75), do processo de comunicação entre o texto literário e o leitor, pois é através dele que a obra se comunica.
PALAVRAS-CHAVE: NARRATIVA INFANTO-JUVENIL , TEORIA DA RECEPÇÃO , BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS

TÍTULO: HISTÓRIA EM QUADRINHOS: IMPORTANTE ALIADO NA ALFABETIZAÇÃO VISUAL E NA APROPRIAÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA - SEA
AUTOR(ES): MARIA JOSÉ NEGROMONTE DE OLIVEIRA
RESUMO: O referido trabalho mostra a experiência desenvolvida com uma turma do 1º Ano do 2º Ciclo, com Histórias em Quadrinhos. Escolhemos esse suporte de leitura pela integração das imagens e textos, pela poética dos quadrinhos que torna esta leitura de fácil compreensão para estudantes que ainda não se apropriaram do Sistema de Escrita Alfabética. Contribuir para a formação do(a) estudante-leitor(a) era o nosso maior desafio, principalmente porque este era um grupo bastante heterogêneo que precisava ser estimulado para desenvolver as habilidades/capacidades de leitura e escrita. Eles precisavam compreender as mensagens de cada texto, fazer as inferências necessárias e as possíveis críticas. Escolhemos trabalhar a revista educativa do SESINHO, em virtude desse suporte ser um material didático de excelente qualidade e pela repercussão causada pela primeira apresentação da revista aos estudantes. No decorrer desse processo os estudantes se deparavam a cada mês com uma nova revistinha, na qual não explorávamos apenas as Histórias em Quadrinhos, mas todos os demais conteúdos. A receptividade era muito boa e as atividades de entretenimento cativaram o grupo. Isso nos motivou a continuar investindo nesta prática, pois era muito gratificante vê-los gravando suas histórias e fazendo as demais atividades propostas com entusiasmo. Procurávamos propor novas situações de leitura a fim de que os/as estudantes descobrissem o prazer da leitura e o fascínio do texto-imagem promovia esse encantamento. Além da ampliação e enriquecimento do vocabulário. O eixo da oralidade foi bastante explorado. Este trabalho favorecerá a sua continuidade, uma vez que essas revistas contribuem para o processo de ensino e de aprendizagem, devido à magia e ao encantamento que as Histórias em Quadrinhos proporcionam.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, ORALIDADE

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 18
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 06
TÍTULO: LEITURA NO LIVRO DE IMAGEM: UM PASSEIO DE “IDA E VOLTA“ PELO LIVRO DE JUAREZ MACHADO
AUTOR(ES): MARIA LAURA POZZOBON SPENGLER
RESUMO: Há todo momento estamos sendo “metralhados” por imagens, que formam linguagens e que se fazem onipresentes em nosso mundo contemporâneo. Uma educação do olhar se faz necessária para que, desde a infância, possamos identificar os signos presentes nas mais diversas linguagens que nos cercam, sejam elas verbais e não-verbais e por meio da Literatura Infantil o leitor tem acesso a essas linguagens, especialmente, na leitura das imagens presentes nos livros. Efetiva-se ali a leitura imagética que antecede a leitura da palavra escrita e, depois disso, as imagens que interagem com o texto, a fim de inserir a criança em mundos e pontos de vistas dos mais diversos. Este texto objetiva refletir sobre a leitura de imagens em livros sem o texto escrito, nas obras da Literatura Infantil, realizada por alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental e seus professores. Para isto, tomamos como referencial teórico estudos que tratam de concepções de leitura de imagens, a partir de uma perspectiva peirceana de leitura de signos, o aporte de concepções de literatura infantil, bem como da Estética da Recepção. O foco de estudo e análise é o livro de imagem “Ida e Volta“ (1976), do artista plástico catarinense Juarez Machado. A metodologia utilizada está baseada em entrevista com o artista, para conhecer seu ponto de vista e suas intenções ao realizar a obra literária, conta, também, com uma intervenção nos anos iniciais do ensino fundamental e o registro da leitura realizada por alunos de diferentes idades. Posteriormente, a realização de uma análise de caráter semiótico a partir dos signos inseridos nas imagens que se fazem presentes na obra. Destacando o papel preponderante da leitura do livro de imagem, como ponto de partida para a construção estética do leitor.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO DE IMAGEM, LITERATURA INFANTIL, CRIANÇA

TÍTULO: “PROCURANDO O ALÉM DOS OLHOS”: A ALUSÂO E A REPRESENTAÇÃO DO LEITOR NA CONTEMPORANEIDADE EM “POR PARTE DE PAI” E “O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ”, DE BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS
AUTOR(ES): MARIA LIGIA ANDRADE CASTRO
RESUMO: Este trabalho reflete o objetivo da investigação que desenvolvo: a produção de sentido no texto literário a partir da teoria da alusão, proposta por Torga (2001). Tal perspectiva possibilita compreender como as categorias da memória, metáfora, metonímia e silêncio, constituídoras do jogo alusivo, contribuem para a construção da representação do leitor infanto-juvenil na contemporaneidade. Busca-se, para tanto, identificar nos textos de Bartolomeu Campos Queirós, mais especificamente, em “Por parte de pai” e “O olho de vidro do meu avô”, as estratégias textuais que indicam a ação responsiva do leitor, permitindo (ou não) a este o papel de preencher as lacunas e os não ditos inerentes ao texto literário, caracterizado como “uma máquina preguiçosa, pedindo ao leitor que faça a parte do seu trabalho” (ECO 1994, p.9). A alusão, dessa forma, constitui-se como mediadora do diálogo que se estabelece entre autor, texto e leitor, permitindo a compreensão do processo e do produto na construção do sentido do texto. O estudo toma como referencial teórico os pressupostos de Bakhtin, Eco, Campos, Kosik e Torga, dentre outros e se justifica por mostrar a possibilidade de análise de textos literários a partir da articulação entre o linguístico-semântico e o literário com a alusão, compreendida aqui como estratégia de leitura e de representação do leitor na contemporaneidade
PALAVRAS-CHAVE: ALUSÃO, LEITURA PROCESSO/PRODUTO , REPRESENTAÇÃO DE LEITOR

TÍTULO: A ESCOLARIZAÇÃO DA LITERATURA INFANTIL NA PRÁXIS ESCOLAR
AUTOR(ES): MARIANA BATISTA DA SILVA
RESUMO: O presente trabalho investiga como a literatura infantil é utilizada no dia-a-dia por professores da educação infantil. Consideramos inicialmente que a realidade investigada busca meios de inserir os alunos no universo da literatura infantil. Por isso a abertura de um diálogo com autores que ora defendem a escolarização da literatura infantil, ora não, possibilita conhecer as diversas produções existentes em torno do tema assim como definir parâmetros de uma escolarização ideal, que contribua na formação do leitor. Cabe ressaltar, que a dificuldade de trabalhar textos literários na escola decorre do fato de que a necessidade escolar de avaliação de leitura tem se transformado em cobrança, com todas as ameaças que esta traz e, por isso mesmo, em vez de aproximação e identificação, tais práticas têm causado repulsa ao objeto, desgosto no ato de ler e afastamento das práticas sociais de leitura próprias do contexto dos leitores. Os sujeitos da pesquisa constituem-se de quatro professoras sendo duas de uma escola particular e duas de uma escola pública, ambas situadas no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Para tal, optamos por uma abordagem qualitativa que segundo pressupostos de Lüdke e André (1986) permite o livre acesso do pesquisador com a realidade observada, assim os métodos qualitativos se constituem no processo de coleta de dados desta pesquisa. Estamos utilizando também como fonte de coleta de dados: a) observação e registros de aulas; b) análise documental de documentos que subsidiam esta prática; c) entrevistas semi-estruturadas e questionários. Durante as observações verificamos que os professores desconhecem a importância de se planejar a utilização da literatura infantil em sala, pois às vezes escolhem o livro ao acaso, como forma de manter a disciplina.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, LEITOR, ESCOLA

TÍTULO: LEITURA DA INFÂNCIA NUM TEMPO DE MITO
AUTOR(ES): MARILENA A. JORGE GUEDES DE CAMARGO
RESUMO: Este texto focaliza a infância num tempo de mito, a partir de “um lugar”, um “lugar apropriado”, onde os elementos se distribuem em relações de coexistência. Busca, entre as várias interpretações, o significado de “mito”, podendo ser produto da imaginação criadora ou ter uma acepção manifesta e outra oculta. Analisa a infância por meio de suas representações em diferentes momentos. Observa que se confunde a relação de representação com a ação da imaginação. Detalha que, num tempo de mito, a criança dá preferência por permanecer na esfera da sua fantasia. É o caso de ela “ouvir” e “contar” histórias. Cada uma tem o seu modo, comportando os seus gestos específicos, os seus próprios usos que faz do livro de histórias. Fantasia essa maneira de ver e sobre ela tem a sua maneira de explicar. O texto cita entre as histórias infantis brasileiras, a figura do Curupira, do Saci-Pererê, as histórias contadas por Monteiro Lobato, pois pretende que se faça notar o mito presente nessas narrativas. Quer mostrar ainda que a história da literatura infantil, na questão dos mitos, é sempre polêmica em confronto com o passado. O período atual engendrou uma literatura que, com o intuito de atrair o público, perdeu o seu conteúdo ético e passou a depender dos estereótipos da imprensa diária.
PALAVRAS-CHAVE: MITO, INFÂNCIA, FANTASIA

TÍTULO: A MANIPULAÇÃO LÚDICA DA LINGUAGEM POÉTICA EM FAZENDO ANA PAZ DE LYGIA BOJUNGA
AUTOR(ES): MARTA YUMI ANDO
RESUMO: Este estudo integra os resultados parciais de nossa tese de doutorado cujo objetivo é averiguar em que medida o experimentalismo se configura em duas obras de Lygia Bojunga: Fazendo Ana Paz (1991) e Retratos de Carolina (2002). Um dos procedimentos experimentais abordado diz respeito ao caráter lúdico de que se reveste a escritura lygiana e que se encontra presente praticamente em todas as obras da autora, inclusive em Fazendo Ana Paz, que se constitui no corpus selecionado para o presente estudo. Em tal narrativa, verificamos que os percalços inerentes à escrita permeiam todo o texto, sendo nesse caminho cheio de tropeços, silêncios, recuos e avanços que se delineia o processo de (des)montagem de uma personagem, colocando em dinâmica interação criador e criatura, autora e escrita. Como consequência imediata dessa interação, geram-se, no nível da recepção, as diversas possibilidades de interação que se processam entre texto e leitor. Nesse sentido, podemos constatar que os jogos instaurados no universo intra-diegético engendram um jogo extra-diegético estabelecido com aquele para quem a obra se dirige: o leitor. Em virtude desses jogos, nosso intuito é examinar os modos como o ludismo se manifesta na estruturação da linguagem poética, responsável por mobilizar intensamente o imaginário e o intelecto do leitor, em especial do leitor jovem, na medida em que o elemento lúdico no trato com a palavra encontra profundas ressonâncias nesse leitor em formação.
PALAVRAS-CHAVE: EXPERIMENTALISMO, LUDISMO, LYGIA BOJUNGA
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 19
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: ENTRE TEXTO E PARATEXTO: O GÊNERO POESIA INFANTIL EM “DE CABEÇA PARA BAIXO“, DE RICARDO CUNHA LIMA
AUTOR(ES): MONICA DE OLIVEIRA FALEIROS
RESUMO: O objeto de estudo deste trabalho é o livro de poemas para crianças “De cabeça para baixo“, de Ricardo Cunha Lima. Constituído de dezessete textos, em cuja estrutura composicional observam-se aspectos como a nota humorística, o jogo de palavras, o trabalho com a sonoridade, associações inusitadas de idéias, de elementos contraditórios, pode-se dizer que o trabalho visa explorar os aspectos lúdicos típicos da poesia destinada ao público infantil. Além dos poemas, existem ainda pelo menos dois tipos de paratextos: as notas escritas pelo autor e um posfácio intitulado “Poesia bem curtida”. O que se observa nos paratextos é a manifestação de uma réplica do autor à atitude responsiva ativa de alguns leitores presumidos, nomeados como “curiosos”, “puristas”, ou ainda, “todos os leitores, não só os curiosos e os puristas” sobre a tipologia textual dos poemas, sua origem e características formais e, também, quanto aos aspectos relacionados ao uso coloquial da língua em alguns textos. Assim, nosso objetivo, a partir dos estudos teóricos de Mikail Bakhtin sobre os gêneros do discurso, é apresentar uma reflexão sobre a obra a partir da relação existente entre os textos poéticos e os paratextos mencionados, por meio dos quais se evidencia uma preocupação de caráter didático que normalmente subjaz às obras pertencentes ao gênero Literatura Infantil.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, PARATEXTO, ATITUDE RESPONSIVA ATIVA
TÍTULO: A METÁFORA EM “CHAPEUZINHO VERMELHO”: O ALIMENTO QUE SUSTENTA O CONTO POR TRÊS SÉCULOS?
AUTOR(ES): NARA LEDA FRANCO
RESUMO: O artigo faz uma análise do conto de origem popular, o “Chapeuzinho Vermelho“, escrito em, apenas, duas páginas por Charles Perrault. As considerações de José Paulo Paes, de Alfredo Bosi e de outros teóricos, acerca do conceito da metáfora e da sua importância no texto literário, foram utilizadas como material de apoio e, também, como ponto de partida, dentro desta proposta de reflexão, considerando a forma como a metáfora se constrói, a imagem revelada, a descoberta e o efeito lúdico da carga semântica da palavra em seu sentido metafórico presentes no conto, perguntamos: poderiam tais elementos constituir-se em fatores que asseguram a sobrevivência do conto “Chapeuzinho Vermelho“ por quase trezentos anos? A resposta a essa pergunta exige traçar um caminho que oferece uma nova visão sobre o concreto e o abstrato, sobre o literal e o figurado e, ainda, sobre a mensagem e a forma, na descoberta de que, quando a analogia se faz presente, a metaforese se instala e denuncia a metáfora, esta, por sua vez, revela seu poder literário, seu efeito de sentido. No ponto de chegada, aponta-se que o estatuto da literariedade pode estar na descoberta, pelo leitor, das coisas reais que o narrador encobre no processo de manipulação do discurso.
PALAVRAS-CHAVE: CARGA SEMÂNTICA, METÁFORA, EFEITO DE SENTIDO
TÍTULO: ENTRE A CRIANÇA E A HISTÓRIA: O CASO DE A MAIOR FLOR DO MUNDO DE JOSÉ SARAMAGO.
AUTOR(ES): NEFATALIN GONÇALVES NETO
RESUMO: A modernidade implica algo mais do que simples aceitação. Ela constitui expressão de novas formas e novos valores que se impõem como desafiadores, seja para o universo sensível, seja para o cognitivo. Nesse sentido, é possível convergir para a literatura infantil, área de construção e expressão de conhecimento, que ganha destaque por suas construções de linguagem marcadas pela especificidade da composição e, também, pelo próprio ato do fazer literário de caráter. eminentemente, metalingüístico. Por esse viés, buscaremos nesse trabalho uma proposta de análise dos elementos literários utilizados pelo escritor português José Saramago em seu livro infantil “A Maior Flor do Mundo“, narrativa em que o escritor português coloca a criança em foco enquanto personagem principal da narrativa. Para além da personagem, que revela aspectos éticos e estéticos próprios, exploraremos ainda a força do narrador saramaguiano presente na narrativa que, assim como nas obras adultas, concentra em si a fabula narrada e dá-lhe direcionamento e sentido e a questão da ilustração do livro que, por meio de sua qualidade plástica, se apresenta mais do que simples complementação do texto verbal, mas adquire significados e expressão estética própria. Inflamado por uma relação nada pacífica com essas questões, apresentaremos um fio interpretativo para a obra em questão.
PALAVRAS-CHAVE: JOSÉ SARAMAGO, A MAIOR FLOR DO MUNDO, NARRADOR

TÍTULO: LITERATURA INFANTIL E OS CONFLITOS EMOCIONAIS NA INFÂNCIA: TECENDO CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA DAS EMOÇÕES
AUTOR(ES): NÍVEA PRISCILLA OLINTO DA SILVA
RESUMO: O estudo tem como objetivo investigar as contribuições da leitura de literatura infantil na problematização das experiências e conflitos emocionais de crianças de educação infantil. Evidencia a leitura literária como atividade eminentemente experiencial e formativa, que se alimenta de problemáticas humanas e se constitui como campo de experimentação dos leitores, auxiliando-os a vivenciar e compreender sua realidade emocional, através do processo de identificação e externalização. Assim, a experiência estética propicia no leitor o auto-conhecimento, ampliando a percepção sobre sua realidade interior e exterior, bem como oferecendo-lhe capital emocional. Os aprendizes se apropriam das experiências vivenciadas no plano ficcional, tornado-as parte da constituição de seu ser. Respalda-se, metodologicamente, nos princípios do estudo de caso, elegendo como corpus a sala de educação infantil, localizada no município de Natal, RN. Fundamenta-se nos estudos de Amarilha (1997/ 2006), Bettelheim (2004), Damásio (2005), Eco (1994), Gesell (1993), Held (1980), Huizinga (1993), Jersild (1973), Stierle (1979), Yunes (2003), entre outros. Sua relevância consiste em oferecer subsídios ao trabalho pedagógico com a leitura de literatura infantil nas séries iniciais. Permite aos educadores conciliar os objetivos propostos nos documentos que regem a educação infantil e que orientam para a implementação de situações que permitam a livre expressão emocional das crianças, com a construção de uma pedagogia das emoções.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL, FORMAÇÃO DO LEITOR

TÍTULO: SHERAZADE LOBATIANA DO ENSINO: UM ESTUDO SOBRE A FIGURA DE DONA BENTA COMO CONTADORA/MEDIADORA DE HISTÓRIAS EM “DOM QUIXOTE DAS CRIANÇAS“ E EM “PETER PAN, HISTÓRIA DO MENINO QUE NÃO QUERIA CRESCER, CO
AUTOR(ES): PATRÍCIA APARECIDA BERALDO ROMANO
RESUMO: No universo infantil lobatiano, a figura de Dona Benta é uma espécie de mediadora de leitura entre o texto literário clássico, muitas vezes, não destinado às crianças e o jovem leitor, no caso, os picapauzinhos. Sempre preocupado com a linguagem e o conteúdo dos livros destinados às crianças, Monteiro Lobato faz dessa senhora uma espécie de “Sherazade do Aprendizado“: alguém que sabe, conhece, é capaz de instigar a curiosidade de seus ouvintes, de lhes despertar o desejo de ouvir e, também, de lidar com esse desejo do ouvinte. A partir disso, pretende-se discutir, nesse trabalho, a constituição de Dona Benta como essa figura feminina que carrega na voz/palavra a capacidade de seduzir o jovem ouvinte/leitor, de transformá-lo num futuro leitor em potencial. Essa discussão se dará a partir de “Dom Quixote das Crianças“ e de “Peter Pan, a história do menino que não queria crescer, contada por Dona Benta“, duas obras lobatianas em que a figura da avó Benta demonstra claramente a preocupação com um ouvinte/futuro leitor do texto literário. Além disso, pretende-se também questionar onde estão, hoje, as Donas Bentas/Sherazades do ensino, tanto na questão narradoras/leitoras orais de textos para alunos quanto figuras conscientes e preocupadas com a formação de futuros leitores. Teria o professor assumido esse papel? Seria o professor não apenas leitor de Lobato , mas também profissional preocupado em ser mediador de leitura nos primeiros anos de formação escolar da criança?, futuro leitor em potencial?
PALAVRAS-CHAVE: DONA BENTA, CONTADORA DE HISTÓRIAS, JOVEM LEITOR
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 20
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: MONTEIRO LOBATO EM HQ: NOVAS FORMAS DE LER A LIJ NA CONTEMPORANEIDADE
AUTOR(ES): PATRÍCIA KÁTIA DA COSTA PINA
RESUMO: A presente proposta de Comunicação Oral reflete sobre os desafios que cercam a leitura de obras de literatura para crianças e jovens na contemporaneidade, associando-a às práticas escolares, em face das novas, diferentes e sedutoras mídias que nos cercam, a partir da comparação entre a edição de Dom Quixote das crianças, de Monteiro Lobato e a edição em quadrinhos dessa obra, elaborados pela equipe da Editora Globo. A preocupação deste trabalho é o lugar que o texto literário ocupa no cotidiano de jovens e adultos hoje, bem como as estratégias autorais, editoriais e/ou docentes para torná-lo prazeroso e competitivo, em relação aos games, à TV, ao cinema etc. O objetivo, aqui, é investigar como a leitura do texto literário, publicado em outras formas de mídia, enfatiza o lúdico, podendo funcionar como forma de apreensão do mundo e construção simbólica de identidades. Para tanto, discutir-se-ão as teorias de Scholes, Iser, Huizinga, bem como as afirmações de Yunes, Pondé, Lajolo, entre outros, no sentido de se definir o ato da leitura como ação lúdica, como jogo, que envolve uma interação autor/editor-texto/imagem-leitor e que prevê inúmeras possibilidades de mediação. Como resultado, pretendo provocar um fecundo debate sobre as múltiplas maneiras de levar o texto literário ao leitor, dessacralizando o livro e realocando mídias historicamente pouco conceituadas, como os quadrinhos. Dessa forma, ampliam-se os conceitos de leitura, de literatura e de cultura, uma vez que são tomados em constante interação.
PALAVRAS-CHAVE: LIJ, LEITURA, HQ

TÍTULO: OLHARES PLURAIS: UMA LEITURA DO DIÁRIO DE MINHA VIDA DE MENINA, DE HELENA MORLEY
AUTOR(ES): PENHA LUCILDA DE SOUZA SILVESTRE
RESUMO: De um modo geral, os estudos realizados pela crítica literária brasileira sobre o diário “Minha vida de menina“ (1942), de Helena Morley, demonstram a carência de pesquisas, visto que há alguns trabalhos monográficos, dissertações e uma tese. Em 1997, Roberto Schwarz publica o ensaio intitulado “Duas meninas“. Neste estudo realiza uma provocação ao tecer reflexões sobre Capitu, personagem machadiana e Helena, personagem de Morley, ambas complexas. Schwarz aponta o valor artístico e estético que compõem a obra em questão. Vale assinalar que o diário foi escrito no período compreendido entre os anos de 1893-1895, quando Helena tinha treze anos de idade. Ela foi motivada pelo pai, protestante eclético, para exercitar o hábito de escrever, uma vez que, além de registrar os acontecimentos pelos quais a família vivenciava, o professor de Português da Escola Normal exigia das alunas uma composição diária. Assim, a trama diz respeito ao cotidiano da vida em Diamantina, cidade mineira, onde os resquícios da escravidão eram latentes e a mineração em decadência. Dessa forma, Helena revela uma análise crítica da realidade histórica daquele momento, sobretudo do olhar estrangeiro de Alexandre, pai da protagonista, que através de uma visão protestante, permite a exposição de diferentes perspectivas históricas, sociais e religiosas. Isso leva o leitor a visualizar e pensar sobre a realidade vivida no contexto ficcional que marca um tempo. Nesse sentido, temos o objetivo de propor uma possível leitura por configurar uma narrativa emancipadora. Para tanto, realizamos uma crítica integradora ao abordarmos os aspectos estruturais, temático-formais e históricos ligados à narrativa, como também o seu efeito, na concepção de Iser e sua recepção, sob a ótica de Hans Robert Jauss.
PALAVRAS-CHAVE: HELENA MORLEY, MINHA VIDA DE MENINA, RECEPÇÃO
TÍTULO: POESIA INFANTIL GALEGA E BRASILEIRA: USOS E COMPARAÇÕES NO CONTEXTO ESCOLAR.
AUTOR(ES): PRISCILA CRISTINA VIEIRA DE CASTRO
RESUMO: Muitas pesquisas têm evidenciado a relevância da prática da leitura e da literatura dentro do contexto escolar. O texto literário tem sido abordado de forma redutora, superficial, fragmentada e muitas vezes sem propósito através dos manuais didáticos. Dos vários gêneros literários: conto, novela, teatro, aquele capaz de despertar a criança para o gosto da leitura em qualquer faixa etária, segundo Bamberger (1996), é a poesia, o texto poético. Assim, é necessário que a criança tenha contato com livros de caráter estético (de ficção ou poesia), pois oferece a oportunidade de vivenciar a história e as emoções, desenvolvendo a capacidade de imaginação e possibilitando o alargamento de sua visão de mundo. Pesquisa feita por Souza (2000), mostra alguns problemas no que diz respeito ao ensino do texto poético dentro do contexto escolar. Diante de tais pressupostos e de uma problemática a respeito da poesia e o uso do texto narrativo em detrimento ao texto poético, é que foi proposto tal investigação. O trabalho teve por objetivos, investigar como as crianças galegas têm acesso a textos poéticos, comparar e detectar as diferenças nos modos de ensinar e tratar o texto poético no contexto escolar e possíveis semelhanças nos textos poéticos oferecidos às crianças nos primeiros anos de escolarização. Foi material de investigação os livros didáticos de séries iniciais, bem como o resgate de parlendas, adivinhas e trava-línguas em Língua Galega e Brasileira. A partir da coleta e análise destes materiais foi interessante comparar com os mesmos materiais analisados e coletados no Centro de Estudos de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Maria Betty Coelho Silva” da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho de Presidente Prudente, São Paulo, e no Centro Ramón Piñeiro para a Investigación en humanidades de Santiago de Compostela, A Coruña, Espanha.
PALAVRAS-CHAVE: POESIA , ESCOLA, SÉRIES INICIAIS
TÍTULO: PROBLEMAS MODERNOS E A BUSCA DA SÍNTESE DIALÉTICA EM HISTÓRIAS DE ANA MARIA MACHADO E RUTH ROCHA
AUTOR(ES): REGINA CÉLIA DOS SANTOS ALVES
RESUMO: Na década de 1970, Ana Maria Machado e Ruth Rocha despontavam no cenário da literatura brasileira para crianças, como dois dos nomes mais promissores daquele momento, apontando para uma ficção renovadora. Hoje, passados quase quarenta anos, são nomes consagrados da literatura infanto-juvenil, com uma produção vasta e de incontestável valor literário. Embora com estilos diferentes, ambas conseguem, como poucos, criar histórias atrativas e interessantes, estabelecendo um diálogo prazeroso com a criança, ao alcançar com poeticidade e sensibilidade seu universo infantil. No trabalho que aqui nos propomos, o objetivo é a leitura de uma obra de Ana Maria Machado, “A grande aventura de Maria Fumaça“, de 1979, e outra de Ruth Rocha, “O menino que quase morreu afogado no lixo“, de 1999, no intuito de mostrar que problemas típicos de nossa realidade contemporânea, presentes nas duas obras, como o trem velho e sem utilidade dentro de uma cidade grande, na história de Ana Maria Machado e o consumismo desenfreado aliado a uma prática inadequada de descarte do lixo produzido, no texto de Ruth Rocha, são transformados e discutidos pelas autoras de forma a tocar o mundo da criança. Embora discutam questões complexas de nossa realidade, com as quais as crianças se deparam com maior ou menor frequência, a busca de solução para os problemas encontrados, num processo de síntese dialética, atravessada por uma linguagem que prima pela fantasia e pelo lúdico, de modo a tornar uma experiência inteligível para a criança, oferece a mesma a crença na possibilidade de saída para situações difíceis, sem que haja o abandono de um estímulo tanto racional quanto emocional de sua personalidade em formação.
PALAVRAS-CHAVE: ANA MARIA MACHADO, RUTH ROCHA, SÍNTESE DIALÉTICA
TÍTULO: A LITERATURA INFANTIL E A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO.
AUTOR(ES): REGINA MARIA ZANATTA
RESUMO: A literatura infantil e a produção do conhecimento. Regina Maria Zanatta SETI/UEM Esta pesquisa é resultado do desenvolvimento de um projeto de literatura no Município de Califórnia (Pr), envolvendo 700 crianças matriculadas na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. A Metodologia utilizada se fez mediante a realização de Oficinas Pedagógicas preparadas e apresentadas às crianças. O preparo das Oficinas teve como suporte pesquisas de autores que têm dedicado seus estudos à temática da literatura infantil e à prática de apresentação da literatura para crianças. O objetivo principal era de desencadear uma série de motivações que causassem a curiosidade e o interesse da criança pela literatura, tornando-os leitores assíduos. As elaborações das Oficinas culminaram com apresentações que além de divulgar o campo da literatura de uma forma diferenciada da leitura oral, fizeram da literatura uma arte viva que se estendeu à comunidade. Esta extensão aproximou a escola da comunidade e reverteu-se em benefícios tanto à comunidade escolar quanto à comunidade local, posto que outras instituições (da área da Saúde, da ecologia) passaram a colaborar com os objetivos da escola. Além deste resultado, as diferentes apresentações da literatura despertaram grande interesse do público infantil e, consequentemente, manifestaram melhoria na produção textual.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, LITERATURA INFANTIL, EDUCAÇÃO
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 21
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: O FEMININO E O MASCULINO NOS CONTOS DE PERRAULT, UMA QUESTÃO A REVER
AUTOR(ES): REGINA SILVA MICHELLI
RESUMO: A Literatura Infanto-Juvenil, em suas origens, configura-se muitas vezes como veículo para a transmissão de valores ideológicos defendidos pela sociedade em que foi produzida. Os contos de Charles Perrault, Histórias ou Contos dos Tempos Passados, com Moralidades, foram registrados ao longo do século XVII, tendo o escritor falecido em 1703. Suas histórias delineiam uma representação passiva da figura feminina, via de regra submissa ao poder masculino. Intenta-nos rever esses paradigmas, analisando personagens femininas e masculinas em contos que assinalem a possibilidade de subversão a essa estrutura, já consagrada quando a referência é feita à literatura da tradição. A presença explícita de uma moral, ao final dos contos, aponta a consolidação de um caráter sentencioso de algumas histórias, porém, o que objetivamos submeter ao crivo do questionamento e da análise é o perfil traçado das personagens de acordo com o gênero e a tensão entre autonomia e heteronomia. Observa-se que há personagens que executam planos e comandam ações, ora com independência, ora graças à mediação natural ou mágica de algum ser, mas, acima de tudo, desejantes de traçar o próprio destino; há também as que se alienam ao poder do outro, reféns e submissas a um desígnio cuja diretriz lhes escapa. O trabalho fundamenta-se nos estudos de autores já consagrados da Literatura Infanto-Juvenil, como Nelly Novaes Coelho, Regina Zilberman, Marisa Lajolo, além de buscar subsídios teóricos na psicologia analítica junguiana para traçar funções arquetípicas do feminino e do masculino.
PALAVRAS-CHAVE: CHARLES PERRAULT, GÊNEROS, ARQUÉTIPOS

TÍTULO: PALAVRAS, TEMPO E POESIA: UM ESTUDO SOBRE A OBRA POR PARTE DE PAI DE BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS RENATA PIRES
AUTOR(ES): RENATA PIRES GAVIÃO
RESUMO: É indiscutível a importância da literatura infanto-juvenil, visto pelo seu caráter formador e emancipador na formação de leitores, pois ela assume um papel primordial ao apresentar novos horizontes e expor um mundo ficcional repleto de imaginação e fantasia. No que diz respeito ao seu adjetivo, há a necessidade de uma avaliação crítica que ora impõe condições específicas e ora traz uma visão preconceituosa, por ser vista como objeto menor em face da “grande literatura” pois sua gênese está ligada às preocupações pedagógicas. Ainda vale destacar a questão do mercado editorial brasileiro que sustenta as livrarias com um número intenso de obras. Nesse contexto, a crítica literária deve preocupar-se em observar, sobretudo títulos de qualidade estética e artística e, por conseguinte, autores consagrados da literatura infanto-juvenil. Assim, destaca-se a produção de Bartolomeu Campos de Queirós, autor de diversas obras premiadas tais como: Ciganos (2004), Minerações (1991), dentre outras. Nesse sentido, o presente trabalho visa expor uma possível leitura sobre a obra Por Parte de pai (1995), de Bartolomeu Campos de Queirós. Para tanto, analisaremos os aspectos temáticos, formais, estruturais e linguísticos da narrativa com o intuito de contribuir para com os estudos voltados para literatura. Dessa forma, apoiaremos, principalmente nos estudos de Antonio Candido, como também na Estética da recepção, especificamente sob a visão crítica elaborada por Hans Robert Jauss.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, ESPAÇOS DA CRÍTICA, BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

TÍTULO: LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA NO INTERIOR DA SALA DE AULA DA ESCOLA PÚBLICA: CONHECIMENTO OU ENTRETENIMENTO?
AUTOR(ES): RENATA SUZUE OGATA
RESUMO: Este artigo trata das práticas pedagógicas atuais em relação ao uso de livros e textos literários na sala de aula, especialmente para o público infanto-juvenil no Ensino Fundamental I, onde o compromisso de cumprir os objetivos de cada conteúdo específico das disciplinas curriculares acaba, com freqüência, por reduzir o tempo de leitura, tão importante para a sedimentação de todas as áreas do conhecimento e para formação humana. A reflexão apresentada neste trabalho resulta de pesquisas no campo teórico da História da Literatura Infantil, argumentada com base na leitura de alguns clássicos esquecidos pelas chamadas pedagogias modernas, que, por vezes, fazem recortes de algumas obras literárias, fragmentando esse rico mundo do saber, que ainda provoca interesse e encanto pelas crianças e adolescentes. O problema delimitado é : como se dá o uso de leituras múltiplas e textos literários clássicos em sala de aula? Buscou-se para esta pesquisa fontes bibliográficas pautadas em pesquisadores engajados no propósito de conhecer o histórico da literatura infantil, relatos de experiências dentro do processo de ensino aprendizagem, análise de pesquisa no campo das múltiplas leituras e observação em sala de aula junto a alunos da segunda série do Ensino Fundamental I, da rede publica de ensino. O objetivo proposto é de conhecer as metodologias existentes no campo da leitura infanto-juvenil no interior da sala de aula, frente ao compromisso de alfabetizar e formar leitores e escritores, por meio do conhecimento literário, construído de acordo com cada nível escolar, tendo presente o estímulo a produções de textos, clássicos infantis, leitura de imagens, textos contemporâneos e análise crítica a respeito do material disponível nos livros didáticos.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, MULTIPLAS LEITURAS, PEDAGOGIA
TÍTULO: A GRÉCIA PELOS OLHOS DE EMÍLIA: LOBATO E SUA LEITURA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA
AUTOR(ES): ROOSEVELT ARAÚJO DA ROCHA JUNIOR
RESUMO: Em alguns de seus livros mais famosos, Monteiro Lobato transporta as personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo para a Grécia Antiga e conta histórias nas quais Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta e Anastácia interagem com importantes personagens da mitologia e da história da antiguidade helênica. Mas Lobato não faz isso de maneira, digamos, isenta e imparcial. Ao contar suas histórias, ele revela quais são suas opiniões sobre os antigos gregos e esses pontos de vista, muitas vezes, podem ser considerados bastante preconceituosos. Porém, quando buscamos entender de onde vieram essas opiniões, ou seja, quando fazemos uma pesquisa naquilo que sobrou da sua biblioteca (por exemplo, no Centro de Documentação Cultural “Alexandre Eulalio“, no IEL-UNICAMP) para saber que livros Lobato leu e de que maneira essas leituras marcaram suas interpretações acerca dos antigos helenos, então fica claro que suas opiniões baseadas na ideologia do chamado ‘Milagre Grego’. Esse tipo de concepção, segundo a qual todas as realizações da Grécia Antiga não poderiam ser entendidas satisfatoriamente como uma simples sucessão de eventos históricos, teve grande aceitação nos meios acadêmicos e letrados do final do século dezenove até meados do século vinte. Meu objetivo, com esta comunicação, é discutir algumas passagens de ‘O Minotauro’ e ‘Os Doze Trabalhos de Hércules’ onde Lobato apresenta suas opiniões pessoais sobre a Grécia Antiga e demonstrar sua filiação em relação a autores, principalmente da segunda metade do século dezenove, que teorizaram acerca do ‘Milagre Grego’.
PALAVRAS-CHAVE: MONTEIRO LOBATO, GRÉCIA ANTIGA, LEITURA/INTERPRETAÇÃO

TÍTULO: VER, REVER E TRANSVER OS CLÁSSICOS: SONHO POSSÍVEL PARA JOVENS LEITORES?
AUTOR(ES): ROSA MARIA SANTOS MUNDIM
RESUMO: Nos PCNs de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental e Médio, há um alerta para a redução do espaço dos textos de literatura nas escolas. Lembra-se que, muitas vezes, esses textos quase se perdem em meio a tantos gêneros textuais de maior apelo ou, mesmo, têm sua presença reduzida meramente a trechos destituídos de sentido, quando não a resumos e compilações em que se perde o mais significativo que uma leitura do original poderia proporcionar. Quando se considera que cabe à escola um importante papel na tarefa de formar o leitor literário, seria um momento de se lamentar que, assim, estaria sendo posta de lado essa missão? Pode-se indagar, também, se, numa época dominada pelo imediatismo ainda haveria lugar na escola para a leitura dos clássicos? Ou se poderia ser possível mostrar aos jovens uma nova visão desses textos, sem deixar que eles percam, entretanto, as qualidades que os tornaram “clássicos”? Na tentativa de discutir essas e outras questões sobre a leitura dos clássicos para o público infanto-juvenil, que poderiam ser trabalhados nas escolas, faz-se a análise de três dessas experiências de “transver” um texto literário canônico, que são as releituras para o público infanto-juvenil do romance “Dom Quixote“, de Miguel de Cervantes, “Dom Quixote das crianças“, de Monteiro Lobato, “O cavaleiro do sonho“, de Ana Maria Machado e “Dom Quixote em cordel“, de J. Borges.
PALAVRAS-CHAVE: CLÁSSICOS, RELEITURA, QUIXOTE
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 22
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 03
TÍTULO: ESCONDERIJOS, SEGREDOS E LIVROS - PERCURSOS E COMUNHÃO ENTRE LIVROS E LEITORES
AUTOR(ES): ROSANA CAMPOS LEITE MENDES
RESUMO: Este trabalho procura examinar modos e percursos de segredo, silêncios e mistérios destinados ao objeto cultural livro. Tomando como fonte de análise dois livros: um destinado ao público infanto juvenil “Como viver para sempre“, de Colin Thompson, e o “o Último Leitor“, de David Toscana, destinado ao público adulto, discorremos sobre as perspectivas de construção temática do livro em torno de situções como segredos e esconderijos pertinentes ao mundo leitor. A leitura e as impressões do mundo dispostas em torno dos objeto leituristicos fazem desse ato um diálogo constante com as maneiras de ler. A leitura enredada por práticas que mostram as particularidades com que o leitor se dispõe diante do livro demonstram os caminhos para se chegar até ele. Das bibliotecas até as salas de leitura, das estantes e das gavetas, das prateleiras e poltronas, todas dão uma dimensão aos possíveis esconderijos e segredos que acompanham o leitor e o livro. Os pequenos fetiches mediados pela imaginação fazem o encontro com o livro uma vivência quase ilimitada. O que passa despercebido por outros, não priva o curioso leitor de se aproximar do texto e das palavras que ecoam só para ele. Para o execício de análise toma-se como referencial teórico o seguintes autores: Chartier, Hebrard, Paiva, Manguel, Márcia Abreu.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO, LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, SEGREDOS
TÍTULO: NO REINO DAS ÁGUAS TURBULENTAS
AUTOR(ES): ROSANE DE BASTOS PEREIRA
RESUMO: Neste trabalho são apresentados os principais elementos que constituem o texto científico na obra “Sítio do Picapau Amarelo“, do escritor José Bento Monteiro Lobato (1882-1948), a partir da construção do personagem Visconde de Sabugosa como representação do homem de ciência. Os dados resultam da minha dissertação de mestrado, intitulada “Memórias do Visconde de Sabugosa“, defendida em dezembro de 2006, na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob a orientação do professor Pedro da Cunha Pinto Neto. Atenho-me aqui, especificamente, à capacidade lobatiana de criar histórias infantis com o objetivo de conseguir que seus livros fossem adquiridos nas escolas, dentro de uma espécie de “tacada” literária que permitiria a sobrevivência do autor, editor e tradutor, em um período de vacas magras. O sábio, professor e cientista Visconde de Sabugosa reflete não apenas a riqueza imaginária de Monteiro Lobato, bem como a perspectiva crítica sobre o mundo em que o autor vivia, marcado por guerras, recessão e ditadura no governo de Getúlio Vargas, que levou Lobato duas vezes à prisão e o classificou como uma espécie de escritor maldito. Os 22 volumes que compõem o Sítio do Picapau Amarelo, escritos entre 1920 e 1944, nasceram com A Menina do Narizinho Arrebitado, em 1920, publicado pela Revista do Brasil. Mas a fase escolar de Lobato se deu entre 1933 e 1937, quando escreveu livros direcionados ao público estudantil, em que os títulos faziam referência aos próprios conteúdos que integravam o currículo escolar, especialmente pela influência de sua amizade com o idealizador do movimento da Escola Nova na década de 1930, no Brasil, o educador Anísio Teixeira (1900-1971).
PALAVRAS-CHAVE: CIÊNCIA, ESCOLA, LITERATURA

TÍTULO: O ROMANCE POLICIAL PARA JOVENS: A SAGA DETETIVESCA DE “OS KARAS“ EM DROGA DE AMERICANA! DE PEDRO BANDEIRA
AUTOR(ES): ROSIANE CRISTINA DE SOUZA, ROSA MARIA GRACIOTTO SILVA
RESUMO: Detentor de prêmios como Jabuti, APCA, Adolfo Aizen e Altamente Recomendável, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Pedro Bandeira tem contribuído para a sistematização do gênero literário voltado para a infância e juventude e, principalmente, angariado um número substancial de leitores, como atestam os mais de vinte milhões de exemplares vendidos no mercado livreiro. Dentre sua produção, que privilegia o jovem leitor, ocupa um lugar de destaque a série “Os Karas“, que teve seu início no ano de em 1983 com a publicação de “A Droga da Obediência“ e que, atualmente, é composta por outros títulos: “Pântano de sangue“, “Anjo da morte“, “A Droga do amor“, “Droga de Americana!“ e “Droga Virtual“. Através de um diálogo com o romance policial, a série “Os Karas“ promove uma adequação do gênero ao leitor adolescente, como se observa pelos recursos estéticos de construção do texto, assim como pela inserção de jovens protagonistas - dotados de grande inteligência, curiosidade e senso de justiça - como detetives capazes de elucidar os crimes revelados na trama. Com o intuito de tornar evidente a adequação promovida por Pedro Bandeira no gênero policial para jovens é que propomos, neste trabalho, um estudo sobre “Droga de Americana!“, obra publicada em 1999.
PALAVRAS-CHAVE: ROMANCE POLICIAL, LITERATURA JUVENIL, PEDRO BANDEIRA

TÍTULO: A LITERATURA INFANTIL AFRO-BRASILEIRA E A FORMAÇÃO LEITORA NO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): RUTH CECCON BARREIROS
RESUMO: Este trabalho apresenta reflexões acerca da educação anti-racista no Ensino Fundamental. Para tanto, utiliza-se como instrumento pedagógico a Literatura Infantil que apresenta o tema direta ou indiretamente. O interesse pela temática originou-se de uma experiência docente com a Literatura Infantil Afro-Brasileira de professores do Ensino Fundamental, em curso de extensão. Chamou-nos a atenção o desconhecimento da Literatura Infantil, voltada para o tema, e, ainda, a dificuldade apresentada, por muitos professores, para elaboração de propostas de formação leitora com textos literários de modo geral e, mais acentuadamente, para aqueles que abordam a cultura negra. Este fato pareceu-nos importante, considerando-se que, de acordo com a Lei 10.369/03 existe a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica. Assim, procuramos conhecer as práticas docentes sobre a Literatura Infantil Afro-brasileira, na qual se pode promover uma formação leitora crítica dos educandos, em relação às questões étnico-raciais. Acreditamos que esta literatura, quando se faz presente no espaço escolar, de forma bem planejada, poderá suplantar pré-conceitos racistas já na infância, além de possibilitar uma maior identificação das crianças afro-descendentes por meio dos seus personagens. Neste estudo, buscamos saber se os professores do Ensino Fundamental utilizavam esta Literatura Infantil em sala de aula e se as bibliotecas das escolas de Ensino Fundamental, na cidade de Cascavel,PR, possuíam acervo suficiente para um trabalho efetivo de leitura sobre este tema. Os resultados mostraram bibliotecas carentes destas obras e professores que, via de regra, desconhecem esta literatura, logo não lançam mão deste recurso para uma formação leitora anti-racista e com isso deixam de contribuir para a construção de uma formação cidadã que prima por uma sociedade não racista.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, FORMAÇÃO DE LEITORES, DIMENSÃO ÉTNICO-RACIAL

TÍTULO: A SEMIÓTICA DE A BONECA E O SACI: ANÁLISE COMPARATIVA DO LIVRO INFANTIL COM A BIOGRAFIA DE MONTEIRO LOBATO
AUTOR(ES): SERSI BARDARI
RESUMO: Aplicação da semiótica de Charles Sanders Peirce na análise da obra “A boneca e o Saci“, escrita por Lino de Albergaria e ilustrada por Andréa Vilela, em comparação com a biografia “Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia“, de Carmen Lucia Azevedo e outros. Como objetivo geral, buscou-se compreender de que modo texto e imagem formam um todo coeso de significado na produção de livros de literatura infantil. Mais especificamente, procurou-se reconhecer as tríades relativas à teoria peirceana na capa e contra-capa do objeto de estudo. O olhar atento para os signos nos níveis de primeiridade, secundidade e terceiridade revelou o contraste como elemento básico empregado na produção dos sentidos. De forma a extrair resultado ainda mais apurado do processo interpretativo, fez-se a Semiótica dialogar com alguns conceitos da Análise de Discursos e da Teoria Literária. Verificou-se que escritor e ilustradora fazem uso da técnica da apropriação, para estilizar e parafrasear fragmentos da obra de Monteiro Lobato e de sua biografia. Durante o percurso analítico, pôde-se perceber que o contraste surge como elemento fundamental na produção do objeto. Foi possível observar uma composição em que brilho e opacidade, cores frias e quentes, tons intensos e tons pastéis, gestos curtos e longos, lentos e rápidos, fortes e delicados e, ainda, organicidade e tecnicidade contrastam-se de modo a sugerir confrotnto entre um tempo passado, histórico, e o presente da edição da obra.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, SEMIÓTICA, INTERTEXTUALIDADE

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 23
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 04
TÍTULO: ESTRATÉGIAS DE LEITURA E FORMAÇÃO LEITORA: POSSÍVEIS CAMINHOS PARA TRANSVER O MUNDO
AUTOR(ES): SILVANA FERREIRA DE SOUZA
RESUMO: Concebemos o ato de ler como um processo de interação entre o leitor e o texto, considerando o primeiro como um sujeito ativo que atribui sentido ao que o autor escreveu atualizando seu “repertório de leitura” (Cosson, 2006), por isso ressaltamos a importância do professor-mediador e das obras literárias como um importante meio para a formação de leitores. OBJETIVOS: Nosso objetivo é utilizar a Literatura mediada pelo professor, para desenvolver a compreensão leitora dos alunos proporcionando-lhes uma aprendizagem significativa por meio das estratégias de leitura de Isabel Solé (1998). METODOLOGIA: A investigação ora proposta baseia-se em uma abordagem qualitativa (Lüdke e André, 1986), pois permite um contato mais intenso, sendo o mesmo um estudo de caso em uma da sala de aula do Ensino Fundamental de 3ª série da Rede Ensino de Junqueirópolis/SP. Optamos pela pesquisa qualitativa, visto que proporciona ao pesquisador repensar suas teorias e rever suas certezas, com o intuito de pensar na transformação da realidade. Adotamos procedimentos do Estudo de Caso, da Etnografia e da Abordagem Biográfica e para aplicar a pesquisa selecionamos as técnicas de observação participante, a intervenção, o registro e a análise dos dados. A documentação foi realizada por meio da gravação e filmagem dos alunos. RESULTADOS: Com base na análise das informações foi possível constatar que é de suma importância a presença de um professor-mediador para desenvolver a formação leitora dos alunos. Além disso, reafirmarmos nossa concepção sobre a literatura, pois a mesma dá voz e vez ao leitor e se torna um importante instrumento de emancipação do sujeito, porque não permite a existência de uma única concepção de ver o mundo, mais sim, promove e admite a emissão de opiniões diversas e o diálogo entre e com os sujeitos envolvidos.
PALAVRAS-CHAVE: ESTRATÉGIAS DE LEITURA, FORMAÇÃO DE LEITORES, ENSINO FUNDAMENTAL
TÍTULO: A LITERATURA INFANTIL E O PENSAR CRÍTICO
AUTOR(ES): SILVIA CRISTINA FERNANDES PAIVA
RESUMO: O presente trabalho é fruto de reflexões de uma pesquisa em mestrado, ainda em desenvolvimento, e objetiva discutir a prática da literatura infantil nas séries iniciais da educação básica, como ferramenta oportunizadora de desenvolvimento do pensamento crítico nos educandos. Para isso, busca compreender as concepções de literatura infantil que fundamentam a prática dos professores no processo de formação de alunos leitores. A proposta da pesquisa surgiu a partir das inquietações suscitadas pela minha experiência como professora na Escola Maria Dallafiora Costa, município de Primavera do Leste, MT. A escola, que agora se torna lócus da investigação, atende exclusivamente a crianças carentes com pouco acesso à leitura, suas atividades se desenvolvem em período integral. As aulas de Literatura Infantil estão integradas no quadro de atividades da escola e conta com uma sala específica para o desenvolvimento dos trabalhos. Conta, também, com um professor designado exclusivamente para esse exercício. A sala de Literatura Infantil foi concebida com o intuito de contribuir para a superação de problemas como a deficiência na compreensão, reflexão e interpretação de textos mais complexos que foram apontados pelos baixos índices atingidos pela escola nas últimas edições da Prova Brasil. Resultado este que se configura como realidade na maioria das escolas brasileiras. A problemática que norteia a idéia desta pesquisa versa sobre como os professores concebem e desenvolvem a proposta da literatura infantil nas escolas de ensino fundamental do município de Primavera do Leste. Existe a concepção de uma proposta de literatura infantil como instrumento de desenvolvimento do pensar crítico reflexivo? Quais gêneros literários circulam em sala de aula?
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, CONCEPÇÕES E PRÁTICAS, LETRAMENTO LITERÁRIO

TÍTULO: LEITURA E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: UM EXERCÍCIO IMAGINÁRIO
AUTOR(ES): SÍLVIA CRAVEIRO GUSMÃO GARCIA
RESUMO: Nas antigas sociedades agrárias, contar histórias era natural. Os mais velhos estavam sempre contando casos e lendas, mesmo porque era através deles que tentavam ensinar normas de conduta a seu povo, alerta a perigos existentes ou simplesmente ensinamentos exemplares. Ouvir uma história, contá-la e recontá-la, durante muitos anos, foi a maneira de preservar os valores e a coesão de uma determinada comunidade. No entanto, esse costume foi se perdendo com a modernização, principalmente, nos grandes centros urbanos. Assim, nem todas as famílias mantiveram a tradição e muitos pais da atual geração cresceram sem ouvir histórias. E em meio à sofisticada tecnologia é cada vez mais frequente a procura por um contato prazeroso com a literatura, que passa a ter como ponto de partida contos consagrados pelo público infantil, especialmente, de épocas distantes e diferentes. Dessa forma, relacionamos a arte de contar histórias com a inteligência, prazer, entretenimento, fantasia, imaginação e, finalmente, educação. Sim, a educação das idéias, a educação das palavras, a educação das emoções, enfim... Através de um estudo histórico e pesquisa de campo, assinala-se o trabalho com a literatura para o pleno desenvolvimento das crianças e elucida-se algumas questões relacionadas à literatura infantil na escola como o gosto pela leitura, preferência leitora dos alunos, frequência à biblioteca, a diferença entre contar e ler histórias, a prática leitora do professor, entre outras ações. A pesquisa de campo foi elaborada a partir de questionários aplicados a alunos do 2º ano, do Ensino Fundamental, em três escolas públicas de São José do Rio Preto, Orindiúva e Uchôa e, também, uma entrevista concedida pelo autor Jonas Ribeiro, oportunidade em que o autor mostra as contribuições que a leitura e contação de histórias infantis trazem, principalmente, para a prática pedagógica.
PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIAS, LER, CONTAR

TÍTULO: O TEXTO DRAMÁTICO NA SALA DE AULA
AUTOR(ES): SONIA APARECIDA VIDO PASCOLATI
RESUMO: O mercado editorial voltado para o público infanto-juvenil vem crescendo nas últimas décadas, assim como o volume de pesquisas sobre essa produção específica. Paralelamente, há um intenso movimento de estímulo à leitura, seja com políticas públicas amplas, seja com projetos em âmbito escolar. Entretanto, em meio a tantos aspectos positivos, ainda preocupa o fato da organização curricular da maioria dos cursos de Pedagogia no país não contemplar disciplinas que subsidiem os futuros professores para a análise do texto literário. O texto literário, marcado por alto grau de elaboração artística tanto na linguagem quanto na estrutura, exige certas estratégias de abordagem que facilitam não só sua compreensão, mas, sobretudo, a apreensão de sua dimensão estética, finalidade última da arte. Movida por essa preocupação, proponho uma reflexão acerca das demandas específicas do trabalho com o texto literário em sala de aula a partir da análise da peça “Cantarim de cantará“, de Sylvia Orthof, escrita em 1977. Por se tratar de um texto dramático, há que se atentar para duas dimensões indissociáveis: a construção estética e a projeção do espetáculo no próprio texto. Ao trabalhar com literatura dramática, o professor deveria estar preparado para enfatizar essas duas dimensões, ampliando a apreensão do texto pela criança. Pela evidente vocação espetacular, a peça de Sylvia Orthof facilita a análise de signos do espetáculo tais como iluminação, coreografia, músicas, canto e cenário, que, inscritos nas rubricas, permitem ao leitor a visualização da enunciação espetacular.
PALAVRAS-CHAVE: TEXTO DRAMÁTICO INFANTIL, ELABORAÇÃO ESTÉTICA, SIGNOS CÊNICOS

TÍTULO: CLARICE LISPECTOR E LYGIA CLARK: ARTES-DOBRADIÇAS
AUTOR(ES): TATIANE BRUGNEROTTO CONSELVAN
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo precípuo abordar comparativamente o processo de recepção das obras infantis de Clarice Lispector (1920-1977) e da obra “Bichos“ (1962), da artista plástica Lygia Clark (1920-1988). Tanto Clarice Lispector quanto Lygia Clark, embora produtoras de estéticas diferentes (literatura e artes plásticas), exploram, como recurso composicional de suas respectivas criações, a imagem de animais enquanto elemento essencial à significância e ao dinamismo das obras. Pretende-se mostrar que a obra da artista plástica e da escritora podem ser denominadas de “artes-dobradiças”, pois é solicitada, para a existência de seu objeto artístico, a participação ativa do leitor/espectador. A partir do enfoque analítico que será direcionado ao papel dos bichos nas obras em questão, abordaremos a concepção de leitor/espectador inferidas de leituras dessas obras, ressaltando o caráter de desalienação do público, que assume para essas artistas um papel de intensa participação nas obras, deslocando-se para uma posição de co-produtores da criação artística. E esse fenômeno será refletido com base no momento crucial da recepção dessas obras de arte, direcionando o olhar aos leitores clariceanos e aos espectadores das exposições de arte de Lygia Clark. Dessa forma, este trabalho pretende contribuir para a difusão das reflexões em torno do estudo tanto das obras infantis de Clarice Lispector, quanto das obras da artista plástica Lygia Clark.
PALAVRAS-CHAVE: INFÂNCIA, ANIMAIS, RECEPÇÃO

SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 24
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 02
TÍTULO: CAPITÃO CUECA: LEITURA, DISCURSO E ASPECTOS METAFÓRICOS.
AUTOR(ES): TÂNIA REGINA PINTO DE ALMEIDA
RESUMO: O presente artigo questiona, a partir da análise do Livro nº 1 da Coleção “As aventuras do Capitão Cueca“, de Dav Pilkey, se são os erros ortográficos ou a identificação do público infantil com a obra, que atrai crianças de todo o mundo à leitura da coleção que, só no ano passado, teve 31 milhões de cópias vendidas, segundo a reportagem do Jornal da Comunidade de julho de 2007. Motivados pelo artigo da jornalista Adriana Ferraz, procuramos justificar o sucesso da coleção através da identificação infantil com a realidade textual. Para isso, utilizamos a análise dos elementos metafóricos e lexicais presentes no livro, que corroboraram na construção dos personagens. Buscando a compreensão do leitor deste artigo, julgamos necessário um breve resumo da série que tem estimulado o público-alvo (crianças entre nove e onze anos) à aquisição dos inúmeros exemplares. Dessa forma, esperamos que o estudo desses elementos possa oferecer ao leitor uma nova forma de interpretação e abordagem desse grande sucesso. Durante a elaboração desse artigo podemos constatar que o interesse pela leitura se dá quanto existe não só uma troca de experiências entre o leitor e a obra, mas, também, quando existe, de alguma forma, uma “simbiose linguística“ através da identificação prazerosa entre os dois. No que tange à compreensão e ao embasamento científico, buscamos as contribuições teóricas de Ingedore Koch, Ângela Kleiman, George Lakoff(Apud Sardinha 2008) e Orlandi (2008).
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, INTENCIONALIDADE DISCURSIVA, METÁFORA

TÍTULO: RESGATE E RESSIGNIFICAÇÃO DO IMAGINÁRIO POPULAR EM COMO NASCERAM AS ESTRELAS, DE CLARICE LISPECTOR
AUTOR(ES): TELMA MARIA VIEIRA
RESUMO: A tradição da literatura infantil brasileira ainda não aponta o nome de Clarice Lispector dentre os mais conhecidos autores cuja produção literária é destinada à criança. Para os estudiosos da obra lispectoriana, o fenômeno deve-se ao fato de que tais textos ainda não são tão conhecidos do público em geral, como os destinados ao leitor adulto. Desse modo, analisar um dos cinco livros que a Autora escreveu para crianças poderá servir como contribuição àqueles que estão envolvidos com a educação infantil, principalmente com a formação de leitores de textos literários. Neste trabalho temos por objetivo principal analisar o resgate e a ressignificação que Clarice Lispector realiza de algumas narrativas populares brasileiras, em sua obra intitulada “Como nasceram as estrelas: doze lendas brasileiras“. Produzida em 1977, e publicada postumamente em 1987, trata-se de uma coletânea de mininarrativas que foram destinadas a acompanhar ilustrações de um catálago de brinquedos. Utilizando-se da intertextualidade, especificamente da paródia, como recurso estilístico, a Autora escreveu doze histórias, uma para cada mês do ano, nas quais elementos da cultura popular brasileira, tais como: Saci-pererê, Uirapuru, Curupira, Negrinho do pastoreio, são protagonistas. Para que apontemos as ressemantizações dos textos produzidos por Clarice Lispector e as consequentes relações entre literatura e cultura, recorreremos a Mikail Bakthin e também utilizaremos os conceitos paródia e intertextualidade como chave de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: CLARICE LISPECTOR, NARRATIVA POPULAR, PARÓDIA

TÍTULO: A REINVENÇÃO EM DESFECHOS DE OBRAS LITERÁRIAS: UMA PERSPECTIVA DE ATIVIDADE ESTÉTICA.
AUTOR(ES): TEREZA SANTOS DA SILVA
RESUMO: A partir de bases teóricas, encontradas em Coelho (1987; 1991; 1995), Abromovich (1989), Vygotsky (1998), Papes (2008), entre outros, estrutura-se a proposta de discussão acerca de um trabalho pedagógico que se propõe inovador, desenvolvido a partir da leitura/contação de histórias com desfechos (re)construídos de textos como “A cigarra e a formiga“ e “O soldadinho de chumbo“, dentre os conhecidos clássicos da Literatura Infanto-juvenil. O presente trabalho revela que obras como essas podem provocar no leitor/ouvinte a mesma emoção estética que textos originais apresentados às crianças no âmbito da Educação Infantil e Ensino Fundamental. Possivelmente, o que assegura a atividade estética com a palavra literária consista numa prática pedagógica inovadora que promova a solução dos conflitos internos de quem ouve ou lê uma obra literária, desde que destinada ao desenvolvimento e à formação do ser humano em sua totalidade. Destaca-se que a criança, assim como o jovem e o adulto, necessita superar, por meio de suas experiências pessoais, as dicotomias tais como mente e corpo, matéria e espírito, indivíduo e sociedade, natureza e cultura. E nessa perspectiva, faz-se necessário abandonar idéias e práticas cristalizadas no cotidiano escolar, superadas por meio de uma prática pedagógica integradora de saberes, visando à expressão plena do ser humano. Nesse sentido, tem-se no contexto sócio-histórico o térreo fértil para a troca de valores culturais. Coelho corrobora, nesse sentido, quando afirma em Papes (2008) que a autora “acaba por iluminar todo o invisível processo por meio do qual se formam as mentes no âmbito da sociedade [...]”, especialmente quando esta se reporta às “urgências do nosso tempo” em termos de “redescoberta” (da literatura), da “descoberta do eu”, da “conscientização” da “Nova Ordem” e da “adequação” da “Nova Educação”, considerados, respectivamente, uma “Nova Utopia”.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, LEITURA E CONTAÇÃO, ATIVIDADE ESTÉTICA
TÍTULO: LITERATURA, ELABORAÇÃO DE CONCEITOS E MEMÓRIA.
AUTOR(ES): THAÍS LAGO
RESUMO: A proposta que apresentamos neste projeto de pesquisa tem como objetivo o estudo teórico e empírico das relações entre literatura, elaboração de conceitos e memória. A pesquisa tem como fundamentação teórica a abordagem histórico-cultural, que tem na obra de Lev Vigotski seu maior aporte. Durante seu desenvolvimento, serão aprofundadas leituras correlatas a este referencial e às suas implicações nas pesquisas sobre as relações de ensino. Para o desenvolvimento do projeto temos como planejamento metodológico o registro em diário de campo e o vídeo com a gravação de situações de sala de aula. Pelo fato da presente proposta estar inserida em um projeto que é desenvolvido há vários anos em uma escola Municipal de Campinas temos, como espaço para o desenvolvimento deste projeto, um ambiente escolar que já está inserido na dinâmica do trabalho de pesquisa que integra escola e universidade. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo o acompanhamento de um grupo de crianças com idades entre 6 e 7 anos de idade, cursando o primeiro ano do Ensino Fundamental, durante as atividades de leitura e produção de texto realizadas em sala de aula. Esse acompanhamento e registro irão compor nosso material empírico para as análises, nas quais buscamos a compreensão do modos pelo qual as crianças se envolvem nas atividades por meio da leitura e produção de texto e como reconhecem/estabelecem conceitos.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, ELABORAÇÃO DE CONCEITOS, MEMÓRIA

TÍTULO: O LIVRO PARA CRIANÇAS E A EDUCAÇÃO POLÍTICA DOS SENTIDOS
AUTOR(ES): THAÍS OTANI CIPOLINI
RESUMO: Quem escreve narra no texto suas marcas vividas. O canhoto tomba a letra para um lado; o destro, para outro. Quem tem pressa deixa letras corridas, por vezes, imprecisas. O cego marca com o braile. A criança recém alfabetizada, ora marca com força, ora com leveza. Nossos traços podem ser legíveis num momento, obscuros em outros. Marcamos também com nossas palavras. Palavras culturalmente aprendidas e apreendidas. Repetidas, repensadas, reelaboradas. Palavras imersas de significados, os quais ressignifacamos ao escrever. Segundo Ruth Rocha (1983), escrever não é algo inventado, mas vivido. Quando escrevemos, estamos contando o que somos. Expomos de forma zelosa nossa mentalidade, nossas experiências formadoras. Segundo Lajolo (2001), a representação literária imaginada pelo autor, nasce de sua experiência histórica e social. Assim, a escrita é algo que envolve mentalidades, visões de mundo. E a leitura? E o leitor que lê tais visões? O quê tem visto? Minha proposta é perceber na literatura para crianças de Ruth Rocha a forma pela qual a autora tem, ao longo de sua carreira, educado seus leitores, quais visões de mundo tem expressado em suas obras e como, dessa forma, tem educado seus leitores segundo a perspectiva de educação política dos sentidos, baseando-me nos estudos historiográficos de Peter Gay (1988), para quem as sutilezas nos educam de uma maneira informal, imperceptível, mas muito marcante. Uma educação política de nossos sentidos, sendo fruto das relações sociais, envolvidas num movimento entre racionalidades e sensibilidades, entre pessoa e pessoa.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO POLÍTICA DOS SENTIDOS, RUTH ROCHA, HISTÓRIA CULTURAL
SESSÃO - LITERATURA INFANTIL E JUVENIL 25
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF - SALA: FEF 05
TÍTULO: TÉCNICAS TEATRAIS E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS:UMA BOA PARCERIA.
AUTOR(ES): VALÉRIA SANTOS DA SILVA
RESUMO: Muito se tem falado na disseminação da “hora do conto“ nas escolas brasileiras, e, também, de que a leitura de textos literários é importante desde os primeiros anos de vida, mas será que realmente o professor e o contador de histórias conseguem estabelecer um vínculo no qual a criança compreenda em todos os aspectos o que o texto quer transmitir? No trabalho realizado pelas alunas do curso de pedagogia do CELLIJ (Centro de Estudos de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil) da FCT/UNESP, Campus de Presidente Prudente, é considerado que antes de ler a criança tem contato com o universo da leitura, seja ao escutar os adultos contando fatos ou simplesmente ao escutar histórias infantis contadas por seus pais. Partindo desse pressuposto, esse trabalho pretende resgatar a importância da oralidade, muitas vezes perdida ou até mesmo esquecida pelos contadores e professores que reduzem a história a simples leitura de um texto. Ler não significa apenas decodificar ou decifrar o código escrito, mas sim interpretar, narrar, vivenciar, estabelecendo um vínculo afetivo com o seu ouvinte tornando a história significativa para que seja possível preencher lacunas que possam surgir. Diante de tal fato é preciso que o narrador se identifique com o texto, o qual facilitará a interpretação e vivência dos personagens da trama, e tornar a contação mais interessante e de fácil compreensão para as crianças. Nessa perspectiva a linguagem teatral pode ser um bom recurso para dar sentido a essa contação, a partir de técnicas de voz, interpretação, expressão corporal e jogos teatrais.
PALAVRAS-CHAVE: CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, ORALIDADE, TÉCNICAS TEATRAIS

TÍTULO: AS CONTRIBUIÇÕES DAS PESQUISAS E ESTUDOS REALIZADOS SOBRE LITERATURA INFANTIL: UM ESTUDO MEDIANTE OS TRABALHOS APRESENTADOS NO CONGRESSO DE LEITURA DO BRASIL – COLE.
AUTOR(ES): VANESSA BATAUS
RESUMO: Ao considerar o significativo crescimento numérico e a diversidade de enfoques de pesquisas relacionadas ao tema Literatura Infantil, o presente estudo visa uma síntese acerca do que se pesquisou nesta última década sobre a temática e busca identificar as possíveis tendências dessas investigações e suas contribuições para o campo de conhecimento em que se insere. Está sendo realizado um “Estado da Arte“, com base na análise das comunicações científicas realizadas no Congresso de Leitura do Brasil (COLE). Até o momento foi possível observar que muitas das pesquisas apresentadas no COLE, no período de 2001 a 2005, têm a preocupação de analisar a influência e as contribuições da literatura infantil como instrumento para a formação do leitor, o que nos permite indagar por quê, apesar do crescimento considerável dessas pesquisas, ainda há uma defasagem tão significativa em relação à leitura e a própria formação de leitores em nossa sociedade? Os anais do evento foram escolhidos como fonte de estudos, pois possuem um repertório considerável de comunicações de pesquisas sobre o tema em questão, provenientes de todas as regiões do país, proporcionando espaço para sua apresentação e discussão e promovendo sua divulgação, o que nos parece suficiente para conhecer o que já foi e o que está sendo pesquisado, na área de educação, sobre Literatura Infantil até o momento.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, FORMAÇÃO DE LEITORES, LEITURA
TÍTULO: O LEITOR DIANTE DAS PALAVRAS E A CONSTRUÇÃO DO “TRANSREAL”: O JOGO COM PALAVRAS NA POESIA INFANTO-JUVENIL DE JOSÉ PAULO PAES
AUTOR(ES): VANESSA CARNEIRO RODRIGUES
RESUMO: Neste trabalho pretendo discutir os jogos de palavras de alguns poemas do livro “Poemas para brincar“, de José Paulo Paes, levando em conta suas considerações a respeito da metaforese e a consequente desfamiliarização do mundo lógico, temas do artigo “Por uma pedagogia da metáfora“. Nesse artigo, Paes explica de que maneira os jogos semânticos e as aproximações verbais inesperadas levam o leitor a “tornar a achar o já-visto, no sentido de trazer de volta a surpresa de um primeiro contato que o automatismo da repetição embotara”. A proposta é refletir sobre como as convenções do mundo são, quando vistas pelo olhar poético, desconstruídas e reagrupadas, formando não um oposto da realidade, mas uma mesma realidade reorganizada, como em um jogo de montar. Levarei em conta aqui também a desfamiliarização segundo Wolfgang Iser, para ele, a desvalorização do familiar torna o leitor consciente da situação familiar, o que nos ajudará a entender por que há um caráter pedagógico no deslocamento do “já-visto” automatizado. Wolfgang Iser será também retomado nesta discussão quando frisarei o papel imprescindível do leitor nesse jogo, já que o “transreal” é construído na leitura. Por essa razão, aproximaremos ao artigo de José Paulo Paes a teoria da estética do efeito de Wolfgang Iser, apresentada em “O ato da leitura“, sobretudo no que diz respeito ao processo de construção do objeto estético.
PALAVRAS-CHAVE: POESIA, JOSÉ PAULO PAES, WOLFGANG ISER
TÍTULO: OS SONS DO POEMA E DA MÚSICA INSTRUMENTAL NA FORMAÇÃO DO LEITOR – UM ESTUDO DA POESIA “A MENININHA”
AUTOR(ES): VANIA MARTA ESPEIORIN, JANAINA PIERUCCINI
RESUMO: A linguagem poética é território rico em imagens e sonoridades. Dela florescem saberes, vivências e sentimentos numa interlocução entre o texto e o leitor. A partir da poesia infantil, da imaginação e dos sentidos que ela articula, a criança tem condições de se reconhecer e viver novas descobertas, experiências e emoções. O ritmo e a musicalidade, por exemplo, são características desse gênero textual e revelam-se como importantes ao leitor mirim. Com o intuito de reforçar essa atração e de reafirmar a potencialidade do poema dirigido à criança no letramento do educando, este trabalho propõe uma análise e uma metodologia de ensino da poesia em sala de aula, unindo texto literário e música instrumental. A partir do poema ‘A Menininha’ (Caparelli, 2000), foi construída essa comunicação pautada em estudos de Zilberman (1989), Cosson (2006), Larrosa (1995 e 2002), Paviani (1996), Freire (1992), Ramos (2004), Hegel (1993), Almeida (1994), Santaella e Nöth (1997). Este estudo está interligado a dissertações de mestrado desenvolvidas no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul (PPGEd/UCS). As reflexões aqui propostas mostram que a poesia e a música instrumental, quando bem mediadas pelo professor, podem configurar uma combinação próspera na articulação da sensibilidade e da fruição do público infantil, sendo capazes de fortalecer o processo de ensino-aprendizagem da criança.
PALAVRAS-CHAVE: POESIA INFANTIL, MÚSICA, FORMAÇÃO DA CRIANÇA

TÍTULO: OS CONTOS QUE A ESCOLA CONTA: UM ESTUDO COMPARATIVO EM ESCOLAS PÚBLICAS DO BRASIL E DE PORTUGAL.
AUTOR(ES): VERÔNICA MARIA DE ARAÚJO PONTES
RESUMO: Nesta comunicação refletimos sobre os contos utilizados na escola para a formação do aluno/leitor, tomando por base autores como: Azevedo (2006), Colomer (1998), Freire (1983), Mendoza Fillola (1999), Cerrillo (2000), Zilberman (2003), Shavit (1986), Smith (1991), Shavit (1986), Held (1980), Silva (1986), entre outros, que vêem a leitura enquanto compreensão e ampliação dos sentidos do mundo, da vida, do ser e possibilitadora de expansão do conhecimento, fazendo com que o leitor seja capaz de interagir com o texto, ampliando e modificando o seu mundo, bem como, também, a necessidade da expansão da imaginação da criança na escola e a importância do fantástico e do maravilhoso na literatura infantil. Para isso, analisamos dados coletados em escolas públicas de Portugal e do Brasil, no contexto do 3º ano do ciclo básico. A nossa metodologia de análise constitui-se na Análise Proposicional do Discurso – APD, no qual analisamos proposições dos sujeitos organizadas em matrizes analíticas de acordo com os temas abordados nos instrumentos de coleta de dados. Os dados refletem os discursos dos professores e alunos portugueses e brasileiros, sujeitos da nossa pesquisa, em torno da prática e do uso da literatura infantil em sala de aula com o objetivo de formar uma competência literária.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, LEITOR, FORMAÇÃO DO LEITOR

TÍTULO: LEITURAS DA PERMANÊNCIA DOS TEXTOS DE ALICE DE LEWIS CARROLL: ÀS MULTIPLAS VERSÕES E OS PRODUTOS EM SÉRIE. VIVIANE CORRÊA MONTEIRO- UFF-RJ, PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL, NITERÓI-RJ.
EIXO TEMÁTICO: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUTOR(ES): VIVIANE CORREA MONTEIRO
RESUMO: Esta comunicação tem por objetivo compartilhar as experiências de uma pesquisa realizada no curso de especialização em Literatura Infanto-Juvenil, da Universidade Federal Fluminense, sobre as Alices de Lewis Carroll. Sob um olhar analítico das obras “Alice no País das Maravilhas“ e “Através do Espelho“, foram observadas, em traduções e adaptações brasileiras, estratégias diferenciadas no tratamento do texto e imagem, visando a captura de leitores de perfis etários e de níveis de escolarização distintos. Por um lado, o estudo põe em destaque o cotejamento de diversas versões, ilustrações, adaptações das obras e projetos gráficos. Por outro, faz uma reflexão sobre o enorme conjunto de produções culturais (pela indústria de massa ou não), derivado das criações literárias do autor em questão, como filmes, músicas, jogos, desenhos, enfeites de aniversários, entre outros. A produção literária e não literária identificada, evidencia a grande permanência das narrativas de Lewis Carroll, que além de serem caracterizadas pela não linearidade, são consideradas obras-primas do gênero Maravilhoso, tendo em vista que, ao longo do tempo, proporciona incentivo às diferentes práticas do ato de ler e, também, estímulos à imaginação e ao realismo mágico, por meio de uma lógica às avessas e nonsense de relevante importância na história da Literatura Infanto-Juvenil.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO–JUVENIL, LEITURAS DISTINTAS, LEWIS CARROLL

TÍTULO: POESIA INFANTIL E O ENSINO: ESTADO DA QUESTÃO
EIXO TEMÁTICO: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUTOR(ES): VIVIANNY BESSÃO DE ASSIS
RESUMO: O presente estudo refere-se a um recorte da dissertação de mestrado O poema infantil na escola: estudo bibliográfico, que teve como objetivo organizar um “estado da questão” a respeito do ensino/leitura de poema na escola, apresentando a diversidade e as características evidenciadas por vinte e três (23) pesquisas entre monografias de especialização, dissertações e teses. A intenção foi iniciar uma “atualização de arquivo” desta produção teórica por meio do levantamento de autores e títulos, organizando-as criticamente conforme as suas proposições e objetivos. Para apreender as múltiplas perspectivas e enfoques sob os quais se vem construindo, no Brasil, o conhecimento sobre poesia infantil e ensino, estabeleceram-se como categorias de análise a identificação e espacialização dos títulos, a classificação por regiões de maior ou menor produção, bem como uma categoria cronológica de produção das mesmas. No segundo momento, propõe-se o levantamento dos temas tratados e a sua relação com o quadro teórico em que se inserem as idéias ou propostas dos pesquisadores. Por fim, discute-se as concepções sobre o texto poético – Ideário Literário - e a função educativa – Ideário Pedagógico. Parte dos resultados compreendem a falta de convergência entre função e estrutura na composição das pesquisas. Em alguns títulos verifica-se a explanação de conteúdos elaborados para convencer o professor a respeito dos benefícios de trabalhar com o poema em sala de aula, sem contudo, oferecer orientações para análise da estrutura do texto. Outros estudos, ao contrário, preocupam-se em expor todos os elementos estruturais pertinentes ao gênero poético, sem demonstrar a aplicação da teoria à abordagem do texto poético com os alunos, configurando-se um desequilíbrio nas abordagens do texto. O presente levantamento pode contribuir com uma possível indicação de pesquisas que tem se confirmado satisfatórias e/ou improdutivas do ponto de vista prático.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTIL, POESIA, ENSINO

TÍTULO: ESTILO, ESTÉTICA E FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO NAS VOZES DO RISONHO CAVALO DO PRÍNCIPE.
EIXO TEMÁTICO: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL
AUTOR(ES): WLADIMIR STEMPNIAK MESKO
RESUMO: Como livros de texto literário se transformam em objetos de ensino? Essa questão será enfocada no contexto dos ciclos finais do Ensino Fundamental, etapa da escolarização em que atuam os especialistas da disciplina de Português. Atualmente, a perspectiva do letramento literário traz à pauta a formação do leitor literário e sugere desafios para uma adequada escolarização desta leitura, como propõe Magda Soares. Este trabalho apresentará uma proposta de análise d’ “O Risonho Cavalo do Príncipe” − livro ganhador do prêmio Jabuti de 1993, escrito por José J. Veiga – num diálogo com a perspectiva da escolarização de sua leitura, elegendo como objeto de ensino a apreciação do estilo. Para os propósitos desta apresentação, delimitaremos nossa discussão a um aspecto deste texto literário − a construção da voz do narrador – levantando alguns pontos de vista sobre questões de estética e estilo neste gênero do discurso. O trabalho diferenciado de Veiga com a linguagem sugere o desafio de se abordar as construções estilísticas do autor de uma forma ao mesmo tempo criteriosa e aberta às contra-palavras de um leitor responsivo, proporcionando uma análise que não desemboque numa prática escolar de leitura (pseudo) gramatical ou abstratamente estrutural. Na construção de um ponto de vista teórico atual, não se poderia deixar de lado as contribuições sobre os estudos dos gêneros do discurso em relação à estética do texto literário, nomeadamente as contribuições tanto do chamado Círculo de Bakhtin quanto as profícuas relações estabelecidas por Maingueneau neste campo. Portanto, nosso diálogo será com estes autores em nossa proposta de análise de um dos aspectos do livro abordado – a voz do narrador – e em nossa proposta de modelização didática e de um dos aspectos da leitura literária – a apreciação do estilo.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO LITERÁRIO, MODELIZAÇÃO DIDÁTICA, ESTILO E ESTÉTICA

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