Nº 9 –
Leitura: Teoria e Prática
Ano VI - Junho de 1987 - 66 p.
Entrevista
Livro didático de língua portuguesa: a favor ou contra? – Ezequiel
Theodoro da Silva entrevista João Wanderley Geraldi – pág. 3
Década vai, década vem e o livro didático surge na crista da onda, na
primeira página dos jornais, na boca de todos os professores... O assunto
é polêmico e esconde atrás de si muitas contradições. Por isso mesmo,
Leitura: Teoria e Prática resolve participar das discussões na tentativa
de elucidar a área do livro didático de língua portuguesa. Sem dúvida que
esta entrevista de João Wanderley Geraldi colocará muita gente contra a
parede!
Artigos
O impossível Prazer do Texto – Joaquim Brasil Fontes – pág. 8
A chamada “leitura prazer” vem sendo colocada como uma panacéia para o
desenvolvimento do gosto pela leitura. “Não gosta de ler? Então injete
nesse aluno algumas doses de leitura prazer que ele vai passar a gostar!”
- essa idéia, sem muita discussão ou aprofundamento, passa a ser aplicada
indiscriminadamente no âmbito das escolas e das bibliotecas como uma cura
geral para todos os males. Neste artigo, Joaquim Brasil Fontes vai a fundo
nas noções de “prazer do texto” e “texto do prazer”, questionando o senso
comum e, por isso mesmo, permitindo ao leitor uma visão mais crítica sobre
esse delicado tema.
Nem Escritor, nem Sujeito: apenas autor – Eni P. Orlandi – pág. 13
Recuperando e relacionando pressupostos discursivos estabelecidos por
FOUCAULT e PÊCHEUX, Eni Orlandi aprofunda a noção de “autoria” e fornece
algumas orientações para o trabalho com linguagem no âmbito das escolas.
Qual a diferença entre enunciador e autor? Como a escola pode facilitar o
surgimento de “autores”? Leia este instigante artigo para saber as
respostas!
A Prática de Leitura de Narrativas Longas: uma proposta viável – Amélia
Maria J. Soares – pág. 18
A ideologia da pressa, existente no meio escolar (ter de vencer o
programa a todo custo!), dificulta a fruição da literatura por parte dos
alunos e professores. São muitos os alunos brasileiros que passam uma vida
acadêmica inteira sem jamais terem lido um romance na íntegra. Neste
artigo, Amélia Maria J. Soares mostra que a prática da leitura de
narrativas longas não deve ser tomada como um bicho de sete cabeças,
principalmente se os alunos-leitores forem chamados a participar do
processo. Apesar de tempo, do aperto e das carências, existem saídas para
o problema...
Livro, por que te quero? – Prêmio FAE de Pesquisa Estudantil/1986 –
Admiliani Loyola do Nascimento – pág. 29
Em 1986, a FAE realizou um conjunto nacional de monografias junto a
alunos de escolas de 1º grau, com o tema “Livro, por que te quero?”. A
vencedora foi Admiliani Loyola do Nascimento, de 12 anos de idade,
cursando a 6ª série da EEPSG Carlos Xavier Paes Barreto – Vitória, ES.
Transcrevemos aqui, ipsis litteris, a monografia vencedora, de modo que os
nossos leitores possam conhecer as visões que a criança tem do livro e da
leitura (destaque à parte para as percepções expressas sobre o livro
didático).