LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 08     

Nº 8 – Leitura: Teoria e Prática
Ano V - Dezembro de 1986 - 66 p.

Artigos

A Leitura como fetiche – Edmir Perrotti - p. 3 – 13
A partir de uma instigante revisão histórica, Edmir analisa o significado social das iniciativas que visaram à difusão da leitura junto à população jovem do país. As campanhas de formação de hábitos e as diferentes estratégias para cativar o leitor na rede de encantos que o texto pode oferecer são localizadas de modo a explicitar até que ponto não passam de meios de inserção de grandes massas da população em um projeto social que não pretende alterar as estruturas que dão origem às desigualdades sociais, mas apenas modernizá-las. E as bibliotecas, como ficam? Serão meros agentes da tecnoburocracia da leitura? Trabalharão pelo leitor capaz de eleger os textos como objetos de satisfação do desejo, apesar de reconhecê-los como precários e sujeitos à crítica, ou estarão formando consumidores despolitizados, para quem o ato de ler é apenas o cultivo do livro como fetiche?

Ideologia e ensino da língua – Odenildo Sena - p. 14 – 17
Os defensores do “gramatiquês” que se cuidem...Neste artigo, Odenildo Sena faz uma crítica às mazelas que estão por trás do ensino da gramática nas aulas de língua portuguesa. E vai mais além, apontando aos professores uma outra postura para o encaminhamento do ensino, mais conseqüente e menos alienante. Atenção especial deve ser dada à parte que trata da necessária ligação entre os referenciais de um texto proposto para leitura e o contexto histórico-social.

A abordagem sociopsicolingüística da alfabetização – Sílvia L. B. Brággio - p. 18 – 28
Sílvia Braggio terminou, recentemente, o seu curso de doutorado nos Estados Unidos. A pedido da ALB, ela nos apresenta um excelente quadro histórico do desenvolvimento de teorias e pesquisas naquele país, fornecendo elementos para diferentes abordagens do processo de alfabetização. A revisão dos elementos para diferentes abordagens do processo de alfabetização. A revisão dos elementos teóricos é bastante interessante à medida que nos remete para a prática pedagógica. Por outro lado, para nós, professores brasileiros, que buscamos caminhos para a alfabetização das massas desprivilegiadas, o referencial da linha sociopsicolingüística se coloca como um parâmetro a ser analisado.

Poesia e crítica – João Batista B. de Brito - p. 29 – 31
João Batista nos oferece alguns elementos para refletir sobre a crítica do texto poético. Frente à polissemia que decorre da leitura desse tipo específico de texto, o que fazer, como se posicionar?

Crônica

Dito e Feito – Fernando Sabino - p. 32 – 34
O repertório de leituras de um leitor e o processo de construção desse repertório – eis aqui o teor desse texto escrito por Fernando Sabino. Um relato significativo para todos nós, pois, além de questionar a possível relação leitura-escrita, mostra alguns caminhos para a cura do “vício literário”. 

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