Nº 41 –
Leitura: Teoria e Prática
Ano XXI - Setembro de 2003 - 109 p.
Estudos
A ciência no romance naturalista brasileiro: uma leitura de A Carne de
Júlio Ribeiro – Pedro da Cunha Pinto Neto p. 5 – 16
Busca-se, neste artigo, analisar o romance A Carne, procurando
evidenciar as representações da ciência produzidas pela leitura do
período, assim como os recursos narrativos de que o romancista lançou mão
na produção de uma obra literária densa em referências à produção
científica. Nessa leitura do romance procura-se pôr em cena o papel da
literatura na produção de representações sobre o saber e o fazer
científico e na difusão de um modo de viver pautado na ciência, num Brasil
regido pela monarquia e ainda às voltas com os dilemas da escravidão.
A produção escrita e o aluno como leitor do texto do outro em sala de
aula – Márcia Renata Ferraro Grandini p. 17 – 28
Este é um relato de pesquisa desenvolvida em nível de mestrado no
Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da Unicamp. A autora é
também professora de português da escola pública e na pesquisa debruça-se
sobre sua própria formação e prática pedagógica, bem como sobre os
trabalhos de leitura e escrita de seus alunos de uma quinta série. Neste
texto, discute apenas uma das atividades realizadas, que coloca em
evidência um único aluno e sua relação com a leitura e a escrita.
A personagem professora e as práticas de correção de linguagem: uma
visão da literatura infanto-juvenil – Rosa Maria Hessel Silveira p. 29 –
35
Este texto baseia-se em reflexões sobre as mudanças paradigmáticas
ocorridas nos últimos vinte anos no que diz respeito às abordagens
pedagógicas da correção da linguagem e tem como objetivo analisar como
essa questão vem aparacendo em livros infanto-juvenis recentes. Cinco
livros foram analisados, observou-se que as diferentes representações
encontradas nos livros analisados conectam-se aos discursos correntes
sobre mulher, professoras (alfativas ou irritadas), adolescentes,
sentimentos, práticas e funções escolares, e, por vezes, correspondem a
clara intenções do autor em mudar conceitos e atividades pedagógicas.
A leitura representada nos Diários de Campo – Rachel Salek Fiad p. 36 – 48
Os diários de campo constituem uma escrita produzida por licenciandos de
Letras durante o estágio realizado em escolas do ensino fundamental. Esse
material é analisado como um gênero discursivo, quanto às suas
características temáticas e composicionais. É priorizada a análise de um
recorte temático – a leitura – e são depreendidas e discutidas as
representações de leitores manifestadas nas escritas dos autores dos
diários. A análise das referências à leitura foi uma das possibilidades
exploradas para se buscar um entendimento desse gênero e através dela foi
possível encontrar a multiplicidade em um único autor, revelando um
sujeito multifacetado e mutante.
Das diversas formas de determinação do sujeito-leitor – Maria da Graça
Cassano p. 49 – 65
Neste artigo, buscamos verificar de que modo leitura e leitores se
constituíram no mundo ocidental, desde a Antigüidade. Nosso objetivo é
relacionar leitura (s) e formas de assujeitamento do leitor. A compreensão
da natureza de certas práticas de leitura de grupos autorizados a
interpretar no confronto com as daqueles a quem é destinado o lugar da
reprodução favorece o redimensionamento da prática pedagógica. O estudo
fundamenta-se na Análise do Discurso da escola francesa.
O texto literário: metáforas e viagens têmporo-espaciais – Anchyses
Jobim Lopes p. 66 – 72
A partir da crítica da idéia de leitura, como mero veículo para
transmissão de informações, são conceituadas algumas das formas de
leitura. Em relação ao texto literário, discute-se a relação entre a
palavra escrita e a construção de imagens. É ressaltada a importância da
leitura do texto literário como modo de construção de processos
psicológicos, de ampliação de experiências e de construção de uma ética.
“A invenção do leitor acadêmico” – Quando a leitura é estudo – Tânia
Dauster el al p. 73 – 83
Este texto traz reflexões sobre as observações realizadas durante a
primeira fase da pesquisa intitulada “Os universitários: modos de vida e
práticas leitoras”. Tendo como foco de investigação uma biblioteca
universitária, tencionamos entender as relações dos usuários com a cultura
do estudo e do ensino, buscando descrever e interpretar gestos, valores,
práticas e sociabilidades que se produzem no espaço biblioteca. Na
situação de contato, percebemos que distintas sociabilidades e usos
sociais vão construindo simbolicamente várias bibliotecas, enquanto é
tecida a invenção do leitor acadêmico.
Pesquisa escolar – Discurso pedagógico e construção do conhecimento –
Ligia Ferrari Fuentes e Else B. M. Válio p. 84 – 94
Este trabalho analisa o discurso pedagógico corrente no contexto
escolar. A partir de pesquisa realizada, buscou-se conhecer este discurso
e como ele é utilizado na prática docente. As questões propostas foram
sobre o uso da pesquisa escolar como recurso para a construção do
conhecimento. Os resultados da análise demonstraram o discurso autoritário
presente e a utilização do livro didático como único instrumento
organizador dessa construção. Visualizaram, também, a continuidade
necessária de estudos que possam colaborar no sentido de encontrar
caminhos possíveis para mudar a prática pedagógica dos docentes os quais
passariam a atuar efetivamente na construção de conhecimento dos alunos.