LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 46   

Nº 46 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXV - Março de 2006 - 78 p.

Estudos

La sociedad civil pide la palabra: políticas de lectura y participación ciudadana – Silvia Castrillón – pág. 5
O tema das políticas públicas está na moda. Apresenta-se como um novo mecanismo com o objetivo de resolver os grandes problemas, por um lado, do analfabetismo, e por outro, da debilidade do mercado livreiro nos países da região. No entanto, não temos o mesmo entendimento nem almejamos os mesmos fins, quando falamos de políticas de leitura ou impulsionamos sua formação. A leitura e a escrita não têm sido reconhecidas como campos de tensões, onde se movem, muitas vezes e de forma contraditória, múltiplos interesses, discursos e representações. O envolvimento ativo e compromissado da sociedade civil na formulação de políticas públicas é a única maneira para que nelas estejam representados seus interesses e para que estas não continuem perpetuando privilégios em nome de uma falsa democratização da cultura escrita.

Perspectiva cultural, educativa y política de la biblioteca pública – Didier Alvarez Zapata – pág. 11
Neste artigo se apresenta a idéia de que às bibliotecas públicas se deve o cumprimento de uma de suas funções sociais que é a de estar presente na formulação e concretização de políticas públicas de leitura. Em particular, desenvolve-se a reflexão sobre o trabalho cultural e educativo das bibliotecas, no esforço por dotar a sociedade colombiana de uma política de leitura, na perspectiva de superar a exclusão e de promover a democracia.

O ensino de literatura: ler, ouvir, colaborar e conhecer ou “O testamento de Clara” – Marly Amarilha – pág. 25
O texto reflete sobre as possíveis motivações que levam o leitor a ler literatura. A partir de episódio de pesquisa ocorrido com uma professora, chamada Clara, que supera dificuldades para participar da leitura em grupo, argumenta-se sobre a atividade de leitura ser uma representação verbal do rito de contar histórias. Nele devem estar presentes o contador, a história e os membros dessa comunidade – os leitores.

A leitura no imaginário social: ler para quem, para quê? – Soraya Maria Romano Pacífico e Lucília Maria Sousa Romão – pág. 31
Este artigo pretende discutir, à luz da Análise do Discurso francesa, como a leitura faz e inscreve sentidos para as camadas médias e populares. Com base no material coletado em vinte entrevistas, propomos uma análise de como tais sentidos dialogam com o ensino de língua materna pela escola formal.

Práticas de leitura e escrita na escola: contribuições de Roger Chartier – Sonia Kramer – pág. 39
Este texto tem como objetivo analisar algumas contribuições de Roger Chartier para as práticas de leitura e escrita. No primeiro item, é explicitado o lugar de onde é feita a análise e são indicados os instrumentos conceituais adotados. O objeto da reflexão é a delicada e complicada interação entre a produção acadêmica, as políticas públicas e as práticas pedagógicas. Em seguida, são apresentadas reflexões em torno da idéia de que há práticas de leitura e de escrita nas escolas ou nos programas de leitura que têm se modificado. Tais mudanças são cotejadas com alguns conceitos de Chartier, em especial de “práticas de leitura”, “práticas de escrita”, “textos, livros e leitores”, “textos e suportes”. No terceiro momento, o texto discute decorrências das pesquisas de Chartier e de textos baseados na sua obra para a formação de professores e leitores.

Vendo e lendo capas da revista Nova Escola – Fernanda Romaneze da Silveira – pág. 45
Uma revista, enquanto produção cultural, dá materialidade, através de seu conteúdo, às idéias que seus produtores têm em relação a seus consumidores. Tendo em vista a importância das capas de revista para sua divulgação e consumo, busco neste artigo estabelecer uma aproximação entre duas capas dos exemplares da revista Nova Escola publicados em 1989 e 1999, na tentativa de identificar continuidades e rupturas significativas ali estampadas: na linguagem das disposições tipográficas, na linguagem visual e na linguagem verbal das capas. Com base no estudo das capas de uma revista é possível acompanhar as mudanças pelas quais ela vem passando ao longo de seus anos de existência, não apenas no que se refere ao projeto gráfico, mas também quanto ao projeto editorial, uma vez que os temas eleitos para estampar as capas de uma publicação são indicativos da linha editorial assumida pelo periódico.

Ensino de leitura e escrita: dificuldades do presente? Um pouco de história – Lazara Nanci de Barros Amâncio – pág. 53
Os desafios permanentes do ensino de leitura no Brasil permitem crer que lidamos com um fenômeno cujas raízes estendem-se para além do presente. Proponho, nesse sentido, uma reflexão que resgata aspectos de uma história do ensino de leitura no início do processo de escolarização, abordando a permanência de condicionantes em uma região brasileira – Mato Grosso.

Corporeidades, experimentações, criação, resistência: uma leitura dos mundos dos palhaços – Kátia Maria Kasper – pág. 63
Partindo da participação como “observadora” em um processo de iniciação ao clown pessoal, o artigo analisa aspectos da relação entre corpo e pensamento, corpo e aprendizagem, da potência política do palhaço. Diferentemente de um personagem, o clown opera com uma lógica própria, envolvendo modos de agir, pensar, sentir singulares. Invenção de outros corpos, outros afetos. O jogo do palhaço enfatiza um fazer que escapa ao reativo, à imobilidade do ressentimento, criando modos afirmativos de ação. As dimensões ética, política, estética e filosófica estão imbricadas nesse aspecto de afirmação da vida, fazendo do clown um poderoso aliado na construção de outros modos de existência.

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