Nº 47 –
Leitura: Teoria e Prática
Ano XXIV - Setembro de 2006 - 64 p.
Estudos - Artigos
A imaginação do leitor – Luís Camargo - p. 5 – 12
De fato, no Brasil, os estudos sobre a recepção literária se desenvolveram
mais no sentido de estudar os leitores do papel e tinha representados nas
obras literárias, enquanto os estudos sobre leitores de carne e osso não
tiveram o mesmo desenvolvimento. Procurando contribuir para reduzir essa
carência, realizei três pesquisas de campo com alunos de 1ª a 4ª séries do
ensino fundamental, em 2004 e 2005, em algumas cidades. É sobre essas
pesquisas que trata este artigo, versão condensada de um trecho da minha
tese de doutorado (Camargo, 2006), sob orientação de Marisa Lajolo.
Mitologia grega na literatura infantil: a Odisséia para crianças –
Maria das Dores Soares Maziero - p. 13 – 30
Os mitos gregos, que pertencem ao universo dos textos ditos clássicos
ou canônicos, têm estado presentes na literatura infantil brasileira
através de adaptações diversas, desde o início do século XX. Este estudo
investiga a presença dos mitos gregos na literatura para crianças no
Brasil, procurando analisar as estratégias utilizadas por editores,
autores e adaptadores para manter o interesse do leitor infantil pelos
heróis e deuses gregos. Para tanto, o foco principal é a análise de duas
adaptações da Odisséia voltadas para o público infantil e publicadas por
editoras diferentes, tomando-se como referencial teórico R. Chartier e M.
Foucault.
Romances que o povo lê: a leitura ficcional nos espaços públicos e
privados de Fortaleza na segunda metade do século XIX – Giselle Martins
Venâncio - p. 21 – 28
O texto tem como objetivo identificar os principais romances que
circulavam e eram lidos em Fortaleza, Ceará, na segunda metade do século
XIX, a partir do levantamento realizado nos inventários dos mais
importantes livreiros da época e nos livros de leitores da biblioteca
pública.
Um evento de leitura: posicionamentos discursivo-identitários e
movimento de resistência de sujeitos-professores – Ana Lúcia de Campos
Almeida - p. 29 – 34
Este trabalho está fundamentado em teorias do discurso, de leitura e
identidade e toma dados de minha tese de doutorado que focaliza a relação
entre leitura e identidade de professores de ensino médio. Seu objetivo é
analisar um evento de leitura desenvolvido durante reunião pedagógica na
escola pesquisada em que se releva um movimento de resistência no
posicionamento dos professores-leitores envolvidos em processo discursivo
de constituição de identidades.
A leitura de matérias de divulgação científica: nivelando consumo e
compreensão – Rodrigo Bastos Cunha - p. 35 – 40
As matérias jornalísticas de divulgação, especialmente as que tratam
de saúde, podem adquirir um grande apelo junto ao público leigo. Porém,
uma recente pesquisa revela que grande parte do público que consome
informação científica na mídia se considera pouco ou nada informada no que
se refere à ciência e tecnologia. Este trabalho relata uma experiência
pedagógica com a leitura de matérias de divulgação científica publicadas
na revista eletrônica ComCiência e mostra que é possível um certo
nivelamento entre o consumo da informação científica e sua efetiva
compreensão.
A constituição das relações entre Lingüística e ensino de língua
materna – Emerson de Pietri - p. 41 – 46
O objetivo deste artigo é observar as relações entre Lingüística e
ensino de língua materna, no final da década de 1970, no Brasil. A
hipótese com que se trabalha é a de que as propostas de solução para os
problemas do ensino de língua materna, apresentados pelos lingüistas que
participaram das discussões no período observado, parecem se constituir
com base na polêmica instaurada em relação aos discursos adversários, que
culpavam a Lingüística pelos problemas no ensino de língua materna.
Práticas de leitura solitária dos estudantes: a exclusão das mulheres –
Marilena A Jorge Guedes de Camargo - p. 47 – 54
Neste artigo, investigo as práticas de leitura dos ginasianos e
normalistas de 1930, 1940 e 1950, de duas escolas, uma pública e outra
particular. Identifico, entre as práticas de leitura, uma que dá a visão
geral de aspecto pessoal e solitário das estudantes mulheres. Tendo, como
fontes escritas não publicadas, 304 cadernos de estudantes em que se
incluem 3 cadernos-diário, e das fontes orais, depoimentos e opiniões de
ex-alunos, analiso, a partir da singularidade, o universo escolar feminino
que constitui uma categoria de excluídas.