Nº 48 –
Leitura: Teoria e Prática
Ano XXV - Junho de 2007 - 71 p.
Artigos
Representações de leitura e escrita como exigências para professores/as
do Ensino Fundamental – Uma análise de questões de concursos públicos –
Rosa Maria Hessel Silveira p. 5 – 12
Este artigo tem como objetivo analisar representações de leitura e
escrita em 60 questões de concursos públicos para magistério, concursos
esses realizados de 2003 a 2006 em oito estados brasileiros,
focalizando-se provas dirigidas a professores/as das séries iniciais ou
finais do primeiro grau. A análise indicou, entre outros aspectos, a
existência de: 1. questionamentos sobre os conceitos de “ler”, estar
alfabetizado e outros; 2. emergência de questões sobre “letramento”e sobre
“gêneros textuais”; 3. alusão às variedades lingüísticas na abordagem
pedagógica da leitura e escrita; 4. problematizações freqüentes sobre
práticas e princípios pedagógicos da área, com nítida separação entre o
proscrito e o recomendado; 5. influência da psicogênese de Emília
Ferreiro; 6. referência aos PCNs como documento legitimador; 7. ênfase ao
papel do professor no ensino da leitura. Verificou-se a consonância entre
as representações encontradas e as tendências dominantes no discurso
pedagógico brasileiro recente, ao lado de ausência de outras dimensões da
leitura e escrita.
Ponto.Ponto.Ponto – Identidades, diferenças e imagens – Antonio Carlos
R. de Amorim - p. 13- 18
Ao propor pensar o campo do currículo na área de educação em um plano
de composição, as linhas de fuga produzem um território de encontro com
produções cinematográficas. As leituras das relações entre identidades e
diferenças atualizadas pelas imagens são um convite à desconstrução.
Engenho e arte na construção da escrita significativa por crianças de
3ª e 4ª séries: a base teórica – Maria Tereza R. Rios; Maria Rosa R.
Martins de Camargo - p. 19 – 28
Este artigo tem como objetivo discutir a base teórica organizada para
acompanhar e investigar o processo de construção da escrita significativa,
por crianças de 3ª série e série subseqüente, em uma escola pública.
Trata-se de um diálogo que vimos compondo com os estudos dos
autores-referência e o que “lemos” na produção das crianças, mediado pela
linguagem artística. Esta opção busca mostrar o abrangente universo da
palavra e da linguagem artística, no cotidiano, inserindo-as na construção
do objeto (a escrita), pelo sujeito. Aporta-se em estudos teóricos sobre a
relação pensamento e linguagem e em fundamentos da arte. A intenção em
estabelecer esse diálogo é fazer essas crianças parceiras na discussão;
entendemos que essa parceria pode fortalecer eixos para a análise do
material, contribuindo para a ampliação dos horizontes de olhar quando o
tema é construção da escrita. Entendemos essa composição dos diálogos como
uma possibilidade de aproximação do ato de escrever da criança, da sua
perspectiva carregada de significação.
De la lectura de la palabra a la lectura del mundo. Clubes de lectores
y grupos de maestros: na*propuesta de promoción de lectura y de reflexión
sobre esta actividad – Silvia Castrillón p. 29 – 33
Nos últimos trinta anos, na Colômbia, diferentes instituições privadas
e públicas têm acumulado iniciativas para promoção da leitura, como a
criação da lei do livro e planos de leitura e de fomento às bibliotecas
públicas. Este artigo apresenta um desses programas, o Clubes de Lectores
y Grupos de Maestros dirigidos para crianças, jovens e adultos e
desenvolvimento pela Associación Colombiana de Lectura y Escritura. O que
significa ler, por que ler, por que promover a leitura são questões
centrais que orientam esse trabalho. O Clube de Leitores e o Grupo de
Professores buscam dar espaço e tempo a uma palavra, que em todas as suas
manifestações orais e escritas, permita significar e resignificar o mundo,
a sociedade, coincidentes com as propostas teóricas e políticas de Paulo
Freire.
Estudos
O encontro do Português com a Botânica: fronteiras partilhadas – Maria
Ângela de Melo Pinheiro - p. 34 – 39
O presente artigo tem por objetivo apresentar alguns processos de
leitura e escrita desenvolvidos nas aulas de Português com alunos de 6ª
séries em um projeto que tinha como objetivo o ensino de Botânica em uma
abordagem interdisciplinar. A autora mostra como as aulas de Português
foram sendo planejadas através de uma criação curricular coletiva em que
as fronteiras entre as disciplinas foram sendo minimizadas. O currículo
escolar foi sendo redimensionado, abrindo-se a possibilidade para a
criação de um currículo múltiplo, levando-se em consideração diferentes
significados e saberes trazidos pelos atores envolvidos no processo.
Os discursos sobre o ensino de Língua Portuguesa: trajetórias e marcas
nos PCNs e planos de estudos – Patrícia Moura Pinho - p. 40 – 47
A partir do olhar dos Estudos Culturais de vertente
pós-estruturalista, o artigo apresenta uma análise sobre a trajetória dos
estudos sobre a Língua Portuguesa e sua produtividade no cenário
curricular nacional. Dessa forma, discutem-se principalmente os discursos
que emergiram na década de 1980, os quais configuraram-se num movimento de
“renovação” das didáticas que envolvem o ensino da língua materna. Além do
delineamento dessa trajetória, o artigo focaliza seu olhar nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs) – Língua Portuguesa (1997) e nos planos de
estudos de escolas da rede municipal de ensino de Canoas/RS, buscando
apontar continuidades e descontinuidades entre os discursos que se mostram
nesses documentos e os que emergiram a partir de 1980. Para viabilizar
tais discursos, coloca-se em pauta a discussão sobre a obra que se tornou
um marco para muitos/as professores/as de Língua Portuguesa: o texto na
sala de de aula (1984), organizado por João Wanderley Geraldi.
A escrita como experimentação – Alexandra Marselha Siqueira Pitolli -
p. 48 – 55
O artigo é parte de uma dissertação de mestrado na qual o convívio
intensivo por mais de um ano no cotidiano da escola com professores,
alunos, atividades, rotinas, festas e surpresas foi desestruturante. A
captura que a autora fez da escola e o transbordamento metodológico para a
etnografia produziram o diferir que se expressa na dissertação em uma
escrita como experimentação, objeto principal de discussão no artigo. As
idéias, conceitos e teorizações de Gilles Deleuze permitiram pensar esse
processo como acontecimento, perpassado pelo desejo.