LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 50   

Nº 50 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXVI - Junho de 2008 - 96 p.

Artigos

Letras e cultura midiática: embates entre teoria e prática na formação – Núbio Delanne Ferraz Mafra – pág. 12
Partindo da formação de professores em Letras, procuramos um diálogo também com as demandas externas, a partir do embate teoria-prática que as reflexões e os movimentos midiáticos contribuem para florescer. Neste embate, demandas discentes, associadas às suas práticas sociais e escolares de leitura, e demandas docentes, vinculadas às suas experiências na educação básica e processos de capacitação, dentre outras, contribuem para um melhor delineamento de lugares e não-lugares para as questões de mídia e ensino.

A literatura e os multimeios no processo pedagógico – Geruza Zelnys de Almeida e Eric Zorob – pág. 18
O artigo discute o ensino de literatura aliado ao aprendizado das linguagens multimídias e apresenta uma atividade realizada com alunos do Ensino Médio, fundamentada em teóricos da literatura, semiótica e comunicação: a tradução de músicas em vídeo-clipes.

A leitura no contexto da pseudocultura contemporânea – Valmir de Souza – pág. 25
No campo da cultura habitam as contradições da vida brasileira. Armadilhas que estão no mundo do consumo conspícuo. O sonho de consumo de uma classe média são as quinquilharias e as máquinas disso-e-daquilo. Não consumimos somente subprodutos tecnológicos, mas também imagens, textos, livros e às vezes adotamos esses “produtos” como modelo de vida. O que a leitura de livros paradidáticos e best-sellers acrescenta ao nosso paideuma cultural? Os professores podem trabalhar com best-sellers? Há um tipo de leitura que podemos chamar de emancipatória ou libertadora? Ou a leitura é só repetição do mesmo? Onde estão as armadilhas no cotidiano das leituras? A leitura, especialmente a leitura de poesia, exerce, no mundo do consumo, papel fundamental ao desfazer os imaginários midiáticos que se disseminam pelo tecido social. Para desativarmos as arapucas armadas não podemos deixar de “ler as marcas” e os sinais deixados ao longo dos caminhos da pseudocultura contemporânea.

Escrita de professores: pensando dimensões outras na formação docente – Adriana Alves F. Vicentini; Eliane Guimarães Mendes; Edivaldo Leonardo Marcondes; Guilherme do Val T. Prado; Maria Natalina de Oliveira Farias e Ronaldo Alexandrino – pág. 30
Este texto narra e problematiza a experiência de um grupo de professores-formadores de formação continuada e um professor interlocutor sobre as aprendizagens construídas a partir da elaboração de um curso desenvolvido com os educadores na rede municipal de ensino de Hortolândia/SP. O objetivo do artigo é socializar o conhecimento produzido em relação à escrita e leitura na formação docente. As principais dimensões abordadas consideram a pessoa do professor um aspecto fundamental em sua formação; são elas: o princípio da auto-implicação, o princípio da valorização do outro, o princípio da valorização do universo cultural e o princípio da reflexividade. Essas dimensões se entrecruzam e possibilitam dizer que não são princípios únicos, pois acarretam desdobramentos outros. O texto finaliza abordando a fundamental importância de o docente ser aprendiz de escrita e leitura, aspectos esses que irão influenciar a organização do seu trabalho pedagógico e a constituição da sua profissionalidade.

Sobre escritas, culturas orais e culturais letradas: notas preliminares – Aníbal Bragança – pág. 37
Um olhar de síntese sobre o processo de formação das culturas letradas no Ocidente, com o surgimento das escritas e as transformações a ela associadas. O surgimento da tipografia e a construção do mundo moderno. As relações entre as culturas letradas e as culturas orais. A importância do letramento e a cultura contemporânea.

O reino líquido de Marco Pólo – Lucelena Ferreira – pág. 41
O texto apresenta uma análise do livro As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino, a partir do conceito de modernidade líquida, de Zygmunt Bauman. A relação entre o imperador Kublai Khan e o viajante Marco Pólo é pensada com base nas categorias de sólido e líquido propostas por Bauman.

Estudos

Uma pesquisa sobre leitura: análise do percurso – Neusa dos Santos Tezzari – pág. 48
Este artigo apresenta, com algumas adequações necessárias à publicação num outro suporte, no caso, esta revista, o texto chamado Considerações Finais da tese “A constituição do aluno-leitor: um estudo etnográfico”, defendida em julho de 2005, no Instituto de Psicologia da USP, como requisito parcial para o obtenção do título de Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano. Nele, refletimos sobre o processo de construção de uma pesquisa que adotou como referencial teórico-metodológico a etnografia da prática escolar, desenvolvida em escolas públicas de Porto Velho (RO), na qual discutimos as condições em que a leitura comparece na escola e nas salas de aula, especialmente nas aulas de linguagem, e propomos algumas possíveis ações que possibilitariam a constituição de leitores na escola.

Prática de leitura em sala de aula: implicações sobre as concepções e a compreensão de leitura – Sandra Patrícia Ataíde Ferreira e Rozangela Maria da Silva – pág. 57
Objetivou-se neste estudo pesquisar as condições de leitura de uma criança da 2ª série, dentro e fora do espaço escolar, como também investigar como a sua professora concebe e organiza a atividade de leitura em sala de aula. Para tal, foram realizadas entrevistas individuais com uma professora e uma aluna, bem como uma sessão de leitura de texto narrativo com a criança. Identificou-se que esta apresentou uma boa compreensão textual, como também uma concepção de leitura como uma atividade prazerosa, lúdica e significativa. Isso talvez porque participa na escola de atividades integradas e sistematizadas de leitura envolvendo diversos gêneros textuais, bem como vivencia atividade de leitura em casa, mediada pelos pais. Verificou-se também que a professora concebe a leitura como compreensão e que favorece atividades diversificadas em sala de aula, promovendo a integração da família nessas atividades e o desenvolvimento da autonomia leitora da aluna investigada.

A revista Leitura: Teoria & Prática e o fortalecimento da idéia da leitura prazerosa nos anos 1980 – Fernanda Torresan Marcelino – pág. 64
Como se disseminou entre pais, alunos e professores a idéia de que na escola não se deve obrigar a ler a literatura, nem se pode reservar ao professor o direito (antes exclusivamente seu) de selecionar autores e obras? Como se construiu entre nós a idéia da leitura como atividade necessariamente prazerosa e gratuita na escola? Nesse cenário de questões se teceu a pesquisa que dá origem a esse relato, cujo objetivo principal é percorrer os números iniciais da revista Leitura: Teoria & Prática, pontuando os artigos que trazem esse debate e que ajudaram a colocar em circulação essa discussão.

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