LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 51   

Nº 50 – Nº 51 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXVI – Novembro de 2008 - 100 p.

Artigos

Leitura e Locução na escola: conceitos e práticas - Dagoberto Buim Arena – pág. 18
O trabalho analisa uma situação de locução de um texto, por uma aluna de primeira série de uma escola municipal de Marília, SP, com o objetivo de apontar as relações entre oralidade, escrita, leitura e locução. Para isso, foram adotados os princípios da teoria da enunciação, com destaque para as relações históricas e culturais da língua. As conclusões indicam que a escola fundamental ensina e treina a locução como se ensinasse o ato de ler.  Esse distanciamento entre letras, fonemas e significação, durante a locução, expõe as dificuldades do aluno na apropriação do sentido, porque ele pode ocupar as funções de oralizador ou de locutor, mas não a de leitor. 

Literatura e ensino: notas ¿quixotescas? da fronteira - Maria do Rosário Longo Mortatti – pág. 25
Com o objetivo de contribuir para a discussão sobre as relações entre literatura e ensino, apresentam-se considerações a respeito das ambigüidades subjacentes a essa relação, especialmente aquelas relacionadas com certas concepções de literatura, formação e ensino escolar, enfatizando-se a função formativa da literatura. Com base nessas considerações, apresenta-se uma proposta de leitura crítica do texto literário que possa superar o modo quixotesco de ler assim como certas atitudes conflituosas em relação ao ensino da literatura e à pesquisa nesse campo de conhecimento.

A leitura de textos literários em sala de aula: memórias e rupturas - Émerson de Pietri – pág. 32
Neste trabalho são discutidos alguns aspectos da leitura do texto literário em contexto de ensino. Consideradas as condições de tempo e espaço próprias à organização escolar, tematiza-se o processo de apropriação didática de determinados gêneros literários e a atuação do professor, nesse processo, para a formação de leitores e para a constituição de comunidades de leitura.

A cultura africana e afro-brasileira na literatura para crianças e jovens: negação ou construção de uma identidade? - Eliane Santana Dias Debus – pág. 38
As mudanças histórico-sociais (as manifestações dos núcleos de estudos negros, as discussões sobre preconceito e segregação racial, a emergência de estudos multiculturais, entre outras) e as exigências educacionais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs-1996) em lidar com os temas transversais, bem como a Lei n.º 10.639/03-MEC e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira (julho/2004), fizeram emergir reflexões de forma mais sistematizada sobre o papel do negro na sociedade brasileira. Comungando com esses encaminhamentos, neste texto analisa-se a representação do negro na literatura infantil e juvenil brasileira. Acredita-se que as representações ficcionalizadas podem contribuir para a negação ou a afirmação da identidade étnica dos leitores. A partir do levantamento de livros publicados por várias editoras brasileiras, apresentam-se a ocorrência e o tratamento dado ao tema.

Leitura e encantamento em Luigi Pirandello - Acir Dias da Silva - pág. 44
Envolver as imagens, os ritos, a religião, o encantamento e sua persistência na educação da memória parece ser uma alternativa de entendimento dos sujeitos e dos grupos sociais contemporâneos. A partir do conto "A Bilha", de Pirandello, desejamos compreender como o encantamento, que por séculos residiu no âmbito da religiosidade, desliza ao encontro e ao amparo das experiências sociais contemporâneas. No conto de” A Bilha", buscaremos compreender como tais elementos participam concomitantemente do universo do homem, criando interfaces com o universo da educação, com o conhecimento e com a memória, pois nota-se a presença alegórica de conteúdos arcaicos e forte referência às tradições nas quais a cultura está inserida. Ao ler tais alegorias e signos alusivos ao universo religioso, percebemos as imagens do passado no presente e interpretações da sociedade, da linguagem e da cultura contemporânea. 

Escenas de lectura en libros de primer grado en Argentina. 1900-1945. Roberta Paula Spregelburd – pág. 51.
Textos e imagens presentes nos livros didáticos oferecem representações da leitura e também da escola, dando a essas representações um caráter prescritivo do que e como se deve ler. Nesta direção, este artigo coloca como centralidade a seguinte questão: até que ponto as cenas de leitura presentes nos livros escolares coincidem com situações freqüentes na época? Em que medida as práticas de leituras ali representadas correspondem às práticas sociais de leitura do momento? Pretende-se neste texto desenvolver uma análise das cenas de leitura incluídas nos primeiros livros de leitura da primeira metade do século XX comparando-as com as práticas sociais de leitura contemporâneas, na Argentina.

Estudos

Conexões entre saberes e gêneros discursivos em teses acadêmicas sobre formação de leitores - Maria das Graças Rodrigues Paulino – pág. 62
Partindo da teoria dos gêneros discursivos de M. Bakhtin e da teoria dos saberes sociais de Jerome Bruner, este trabalho analisa as formas de aproximação e de distinção entre relatos espontâneos de leitores e a organização demonstrativa e argumentativa científica, própria de teses de doutoramento, no sentido de verificar quais as possibilidades cognitivas, discursivas e textuais de constituição de um hibridismo, em que a dimensão não-acadêmica das narrativas dos leitores deixe de funcionar apenas como corpus e se torne parte integrante do conhecimento/texto científico em produção.

Práticas de leitura: iniciativas que deram certo - Ana Paula Cardoso Rigoleto, Cristiano Amaral Garboggini Di Giorgi – pág. 69
O presente artigo originou-se de uma pesquisa elaborada como dissertação de mestrado cujo objetivo principal era averiguar a influência do trabalho desenvolvido por professores com o material do Programa Literatura em Minha Casa na experiência de leitura compartilhada entre alunos e suas famílias. Para tanto entrevistamos duas Educadoras a respeito do trabalho realizado em sala de aula e ao estímulo à leitura compartilhada. Alunos e pais também participaram de entrevistas sobre a receptividade do material do Programa e as atividades com ele desenvolvidas. Ao final, averiguamos que a distribuição dos livros aliada ao estímulo dado pelas Professoras foram essenciais para que as famílias fizessem a experiência da leitura compartilhada e para que esta fosse tão positiva. 

Entre a escrita e a fala, a leitura: signalizações para a formação de formadores - Elida Maria Fiorot Costalonga – pág. 75
Neste trabalho pretende-se discutir alguns enunciados didáticos destinados a orientar professores acerca das relações entre a escrita e a fala no processo de alfabetização. Adotamos como referência Vygotski (1993), Bakhtin (1995), Foucault (2002), Eco (2000) e outros. Esta reflexão faz parte da pesquisa de doutorado realizada a partir dos discursos formadores de um Programa que usa mídias interativas para habilitar professores dos municípios de São Paulo. Dentre inovações estruturais e metodológicas, os dados analisados continuam a reivindicar das licenciaturas abordagens plurais nas tentativas de explicar crianças aprendendo a ler e escrever - processo inapreensível por olhares unidimensionais.

 

Para além das fronteiras: notas sobre a circulação de livros didáticos portugueses nas escolas primárias da Amazônia brasileira (1850-1875) - Carlos Humberto Alves Corrêa - Lilian Lopes Martin da Silva – pág. 82
Atualmente o livro didático tem ocupado uma posição de destaque na produção histórico-educativa, que passou a tomá-lo como fonte privilegiada ou como o próprio objeto de estudo. Esse quadro de crescimento e diversificação das pesquisas sobre o tema tem ajudado a revelar a natureza complexa deste objeto aparentemente banal e sem relevância. É no interior deste movimento que se insere o presente trabalho cujo  objetivo é apresentar alguns dados sobre a circulação e difusão de livros didáticos portugueses no contexto educacional amazônico, particularmente nas escolas primárias amazonenses, durante o terceiro quarto do século XIX. Recorremos a um conjunto de documentos bastante variado em função de sua origem ou de sua finalidade, dentre eles: Relatórios dos Presidentes da Província, Relatórios dos dirigentes da Instrução Pública amazonense, Correspondências da Instrução Pública e da Presidência da Província. Ao nos debruçarmos sobre a documentação levantada foi possível identificar que até a década de 70 a produção nacional de livros escolares para o ensino primário era ainda muito modesta. Observando os livros adotados entre os anos 50 e 60 chama a atenção a adoção recorrente de dois autores portugueses. O primeiro deles é Duarte Ventura, autor de um paleógrafo ou Arte de aprender a ler a letra manuscrita para uso das escolas, mencionado com relativa freqüência até o ano de 1884. Ao lado dele, temos a presença de Emilio Achilles Monteverde com duas obras: Methodo Facillimo para aprender a ler e escrever no mais curto espaço de tempo possível tanto a letra redonda quanto a letra manuscripta e o Manual Encyclopedico. A partir da década de 70 os dados levantados indicam a gradual presença dos autores brasileiros no crescente segmento de livros escolares destinados ao ensino primário. A documentação também possibilitou levantar algumas estratégias utilizadas por Emilio Monteverde para promover suas obras na Amazônia brasileira.

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