LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 52   

Nº 52 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXVII - Junho de 2009 - 90 p.

Artigos

Da fluidificação da letra: transformações da produção de saber na crítica e teoria literárias - Fabio Akcelrud Durão – pág. 17
O presente texto discute as transformações pelas quais estão passando os estudos literários no Brasil. Centrando-se na idéia de uma crescente cientifização do campo, aponta-se para: a. a dificuldade cada vez maior de construção da erudição; b. a aceleração do processo de escrita, agora visto como produção, sob a égide da pesquisa. O ensaio é concluído com considerações a respeito da idéia de multiplicidade do texto literário, que funciona como um lubrificante para a máquina acadêmica produtora de textos.

Ensino e aprendizagem em ler para aprender - Elza Kissilevitc, Maria Celina Teixeira Vieira – pág. 23
A partir de um levantamento bibliográfico procura-se caracterizar o ler para aprender numa concepção construtivista de ensino e aprendizagem e numa concepção de leitura que considera a interação entre autor-texto-leitor-contexto na produção de significados e/ou sentidos de forma a fundamentar estratégias que favoreçam a compreensão leitora no âmbito escolar.

A literatura na escola como exercício de cognição estética e de descoberta de espaços solidários - Luciane Hagemeyer – pág. 30
Considerando que a apreensão da  linguagem deve contemplar em seu sentido mais básico, três tipos de aprendizagens (HALLIDAY,1980), a aprendizagem sobre a linguagem, a aprendizagem por meio da linguagem e a aprendizagem da linguagem, parte-se da premissa de que este enfoque seja também aplicável ao ensino da literatura na Escola. Contudo, observa-se que a metodologia comumente aplicada no ambiente escolar coloca em primeiro plano a aprendizagem sobre a literatura (COSSON, 2006), dando pouco enfoque às suas outras dimensões. O presente artigo explica como podem ser enfatizados os demais aspectos que envolvem este ensino, como as aprendizagens por meio e da literatura.

Esboço de uma poética da leitura em Dom Quixote das Crianças, de Monteiro Lobato - Patrícia Kátia da Costa Pina – pág. 34
Estudo da concepção de leitura presente na obra literária infantil e em algumas das cartas escritas por Monteiro Lobato. Análise de estratégias narrativas presentes na adaptação Dom Quixote das crianças, as quais funcionam como instrumentos de envolvimento da criança leitora e como meios de construção de parâmetros diferenciados de gosto literário. Objetiva-se discutir a leitura como poder que se exerce sobre o texto e a partir dele. Fundamentam este artigo as reflexões de Márcia Abreu, Martyn Lyons, Michel de Certeau, entre outros.

Uma viagem pelos mundos secretos da infância: morte e eternidade em Cecília Meireles - Yara Máximo de Sena – pág. 41
Cecília Meireles, além de grande poetisa, tem importante obra em prosa, da qual, destaca-se para este artigo, o livro sobre suas memórias de infância “Olhinhos de Gato” (1983). Publicado inicialmente em capítulos na revista portuguesa “Ocidente”, nos anos de 1939 a 1940, “Olhinhos de Gato” mostra a leitura que a escritora faz de sua infância, revelando marcas fundamentais de sua obra como a efemeridade, a eternidade e a fugacidade. Analisa-se o refrão da morte, presente neste livro de memórias, categorizando a morte como experiência, como sobrevivência e como superação, dialogando com outras fontes como excertos de crônicas publicadas pela escritora no “Diário de Notícias”, nos anos 30, e uma entrevista realizada por Fagundes de Menezes publicada na “Revista Manchete” (1953).

Memória: Trabalho de linguagem - Ana Lúcia Horta Nogueira – pág. 50
Neste texto, propomos discutir algumas relações entre memória e linguagem, tomando emprestado o fio proposto por Marguerite Yourcenar, em um trecho do romance Memórias de Adriano.  A noção de “memória coletiva”, que destaca o processo contínuo e partilhado de construção da memória, permite explicitar a importância dos processos de significação da/na linguagem  na construção da memória. Desta forma, considerando o funcionamento da linguagem como trabalho de produção de significações, podemos ressaltar a constituição discursiva da memória e compreender a memória como trabalho de linguagem na construção de significados.

Estudos

As práticas de leitura de crianças de 5 e 6 anos - Rosana Mara Koerner – pág. 55
O objetivo do presente artigo é apresentar resultados de uma pesquisa de campo realizada em Joinville/SC, em 2005 e 2006, intitulada “Os gêneros discursivos no processo de aquisição da linguagem escrita”. A principal intenção era o reconhecimento dos gêneros discursivos que circulam no contexto familiar e escolar de crianças da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental. Os resultados aqui apresentados referem-se às práticas de leitura das crianças do Pré-Escolar (crianças entre 5 e 6 anos de idade), da Educação Infantil, tanto aquelas por elas reconhecidas no ambiente doméstico como no ambiente escolar. Percebeu-se que há maior diversidade de gêneros no ambiente doméstico e que na escola, desde cedo, são priorizados os gêneros que lhe são típicos. Os principais autores que dão sustentação ao trabalho são: Bakhtin (2000 [1952, 1953]) e Marcuschi (2000).

Entre a voz e o texto: subjetividades nas leituras para cegos - Luciene Maria da Silva – pág. 62

Esse trabalho apresenta recortes de um estudo realizado sobre as dimensões subjetivas que podem ocorrer nas relações entre ledores (denominação dada às pessoas que lêem em voz alta para o outro que não enxerga) e leitores cegos no âmbito da leitura. A partir de uma abordagem qualitativa utilizando relatos orais, o estudo buscou compreender a ressignificação da leitura, das palavras ditas pelo ledor e ouvidas/sentidas pelo leitor cego. Como se constituem as interações mediadas por essa maneira de leitura? Como se processa o entendimento da palavra e do texto sob sonoridade? O estudo indica que a leitura mediada por um ledor comporta um paradoxo: Se por um lado, a leitura em voz alta para cegos é uma circunstância quase que compulsória determinada pela carência de livros em braille, é também um recurso que pode proporcionar o fortalecimento de relações solidárias e identificações pelas histórias de vida, memória e cumplicidade.

As várias facetas do Visconde de  Sabugosa - Rosane de Bastos Pereira – pág. 69
Este texto é parte integrante da minha dissertação de mestrado, intitulada Memórias do Visconde de Sabugosa, e aborda as características do personagem Visconde de Sabugosa na obra de José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) como representação do homem de ciência.  Tomam-se como referência os 22 títulos do Sítio do Picapau Amarelo, escritos e publicados entre 1920 e 1944, da edição que compõe a série publicada em 1957 pela Editora Brasiliense. O Visconde de Sabugosa está presente na maioria das histórias e a investigação desse personagem revela suas variadas facetas, bem como o movimento da ciência no Sítio do Picapau Amarelo. À medida que a obra é estudada, é possível estabelecer relações entre as várias concepções científicas do autor e a construção do personagem.

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