LEITURA: TEORIA E PRÁTICA - Nº 53   

Nº 53 – Leitura: Teoria e Prática
Ano XXVII - Novembro de 2009 - 90 p.

Artigos

Lourenço Filho e literatura infantil e juvenil (1942-1968): fundação de uma tradição - Estela Natalina Mantovani Bertoletti – pág. 10
Neste texto, faço considerações a respeito de aspectos da produção sobre e de literatura infantil e juvenil de Manoel Bergström Lourenço Filho (1897-1970), publicada entre 1942 e 1968, a fim de compreender a relação entre essa produção e o lugar ocupado por Lourenço Filho no âmbito da história da literatura infantil e juvenil brasileira. Embora essa produção seja ainda pouco conhecida e explorada, parto do pressuposto de sua importância, dada a significativa influência que exerceu nas produções correlatas em sua época e nas de seus pósteros, fundando um tradição.

Literatura: conhecimento e compromisso com a liberdade -  Luiz Percival Leme Britto – pág. 17
Esboço, neste ensaio, uma breve reflexão sobre os sentidos da literatura para a experiência existencial e a indagação do humano, de forma a recuperar o valor possível da formação do leitor. Para tanto, considerando as formas como se estabelecem as possibilidades da experiência estética em uma sociedade subordinada à ordem pragmática da produção e da competição, em que impera o fugaz e o trivial, estimulados pela indústria cultural, trato de estabelecer a diferença fundamental entre arte e entretenimento e, com base em Eco, Calvino, Sartre e Adorno, alguns poucos e fundamentais princípios de ação político-pedagógica de formação de leitor que rejeita e resiste tanto ao consumismo como ao conformismo.

Ensino de literatura: a hora e a vez do leitor - Reginaldo Clecio dos Santos– pág. 24
O problema da formação de leitores de literatura não é novo nem exclusivo do Brasil. Teóricos renomados já se debruçaram sobre o tema. Ampliando essa discussão, o presente trabalho destina-se a promover uma reflexão acerca do problema da formação de leitores de literatura na escola. Para tanto, traçaremos, inicialmente, um panorama das práticas de leitura literária sob o jugo do livro didático e, após isso, tentaremos redimensionar o conceito de literatura à luz de novas teorias linguísticas e literárias, especialmente as surgidas após a metade do século XX. A defesa do lugar privilegiado da literatura no espaço escolar será o último tópico da nossa discussão.

Entendendo textos: estratégias para a sala de aula - C. Lynn Davis, Renata Junqueira de Souza – pág. 31
Este artigo é dirigido a professores e pretende mostrar como trabalhar com estratégias de leitura que possibilitem aos alunos refletir sobre o que estão lendo.  Desse modo, explicamos algumas estratégias não só para envolvê-los no texto, mas também para deixá-los cientes do que devem apreender da leitura de um dado texto.  Ao usar livros bem conhecidos da literatura infantil, os alunos irão ativar seu conhecimento de leitura e seguirão como leitores proficientes.

Sobre a criação literária, a “inspiração” e o “impredizível” - Ricardo Azevedo – pág. 38
O artigo pretende discutir certos mitos e idealizações a respeito de criatividade assim como seus efeitos negativos no processo educacional.

As letras por entre as grades: considerações sobre a formação do leitor a partir de Memórias de um sobrevivente - Karina Lima Sales – pág. 46
Este texto analisa um aspecto da obra Memórias de um sobrevivente, do ex-presidiário Luís Alberto Mendes, publicada em 2001, quando seu autor ainda estava encarcerado. Durante o relato de Mendes, percebe-se que há uma descrição do seu processo de formação como leitor, aspecto que aqui se pretende analisar, pautado em estudos do campo da Sociologia da Leitura. O livro constitui-se em um relato de aprendizado de leitura, tornando-se perceptível a constituição do leitor, analisada sob a ótica de um processo de autodidaxia, embasado em estudos de Jean-Claude Pompougnac e concebendo a leitura como prática cultural, segundo Bourdieu e Chartier. Pretende-se ainda delinear as representações de leitura construídas pelo narrador, em seu relato, como prática compartilhada e possuidora de uma função redentora. As questões sobre leitura pautam-se em estudos de Eliana Yunes, ao preconizar a leitura como uma condição de sobrevivência.

Leitura e discurso visual no cinema e na literatura - Acir Dias da Silva – pág. 53
O presente trabalho é um estudo do filme Tirésia, dirigido por Bertrand Bonello, baseado na mitologia grega. Evidenciaremos, nesta narrativa mítica, alguns elementos que correspondem ao efeito de transfiguração do personagem Tirésia no tempo e no espaço, transfiguração que resulta no reconhecimento do desencanto e da perda da identidade e as suas confluências com a religião e a sexualidade. Para tanto, serão discutidas  questões referentes à articulação literatura/cinema, principalmente o dialogismo de Bakhtin e os conceitos de Pier Paolo Pasolini, com vistas a mostrar que as formas de interação, interseção e diálogo entre os dois sistemas de signos não se circunscrevem apenas ao trabalho de “adaptação” fílmica de textos literários ou à incorporação, por parte destes, de elementos e estratégias oriundos do discurso cinematográfico, mas também se dão através de diálogos implícitos, citações, evocações oblíquas e cruzamentos imprevistos.

Estudos

Leitura e interpretação: percursos que engendram a escrita infantil - Pamela Aline Tizioto, Soraya Maria Romano Pacífico, Lucília Maria Sousa Romão – pág. 61
Neste trabalho pretendemos refletir sobre a leitura na perspectiva discursiva, o que significa entendê-la como gesto de interpretação que implica levar em conta o sujeito e sua inscrição na linguagem marcada por determinações histórico-sociais. Desejamos, ainda, apresentar resultados de uma pesquisa realizada em uma escola de Educação Infantil, de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, com crianças de cinco anos que não estavam alfabetizadas e que, a partir do nosso trabalho, tiveram contato com uma prática pedagógica fundamentada na perspectiva discursiva, incluindo leitura, interpretação e discussão de textos, com o objetivo de promover a emergência da multiplicidade de sentidos nos movimentos de interpretação dos sujeitos.

Aula de português: um espaço para o dialogismo - Milena Moretto – pág. 71
O presente trabalho, resultado de uma pesquisa de Mestrado, discute a importância de abrir um espaço para interação verbal em sala de aula. Para isso, pautamo-nos em autores que enfatizam o caráter constitutivo da linguagem (Vygotsky e Bakhtin), nas perspectivas teóricas de Foucault e nas considerações de autores que levam em conta a produção, a partir do princípio do dialogismo (Geraldi, Possenti, Smolka, Soares, entre outros). Neste artigo, visamos analisar o trabalho com produção de livros — realizado com alunos do Ciclo III (antiga 5ª série) do Ensino Fundamental de uma escola particular — que não reproduz um modelo determinado, mas inaugura novos momentos de interlocução e de significação.

O ato de ler e a leitura menocchiana - Rodrigo Bastos Cunha  – pág. 77
Este artigo é a síntese de um estudo norteado pela busca de indícios de leituras em produções de texto de estudantes de um pré-vestibular, nas quais as construções de sentido são reveladoras de suas visões de mundo. As produções estudadas foram feitas a partir de propostas de redação de vestibulares, com a leitura das coletâneas originais de textos curtos que acompanham essas propostas e com a leitura de reportagens que as substituem. Esse trabalho teve como ideias centrais as noções de Bakhtin que permitem sinalizar o diálogo que os textos produzidos pelos estudantes estabelecem com suas leituras precedentes e a circularidade de sentidos em discursos que dialogam com essas leituras e com aqueles textos. A análise permite concluir que, no percurso entre a leitura e a escrita, uma teia de sentidos é construída a partir da mobilização de leituras precedentes, desencadeada por uma atitude de resposta às propostas de redação.

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