Escritas, Imagens e Criação: Diferir

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 1
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 06

TÍTULO: A DRAMATURGIA DO REAL
AUTOR(ES): ACIR DIAS DA SILVA
RESUMO:
Reflete-se sobre as imagens do real no documentário e suas configurações atuais ancoradas numa dramaturgia que rompe os limites entre o narrativo, ficcional e o documental. Destacam-se as formas materiais dos documentários e o cruzamento de sentidos potencializados em “cânones” dramáticos diluídos na sociedade contemporânea, talvez advindos da cultura oral das imagens e sons. Para tanto, olharemos para as imagens cinematográficas dos documentários que conferem aos “personagens” elementos próprios, isto é, como a criação da imagem baseada em procedimentos retóricos da linguagem, literatura e cultura também permite o desenrolar da linguagem poética. Por outro lado, ao perceber a profundidade conferida às imagens mediante o tratamento das personagens e montagem, nota-se a “construção” de retratos que omitem as principais características do real e, ao mesmo tempo, cria-se um jogo de composições e encenações dignas da dramaturgia do real. Desse modo, o documentário enquanto “texto” dramatúrgico pauta-se na criação de personagens que seguem especificamente a representação e a ação propostas pelo diretor da obra. O diretor ao propor um determinado tema ou retrato pessoal de algum personagem, considera uma determinada perspectiva, um determinado ponto de vista. Partindo dessas considerações, pretendemos olhar para as imagens do cinema documental enquanto arte da memória que constrói linguagens e personagens dotados de ação e conflitos e imagens artificiais que encenam enquanto realidade.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGENS , DOCUMENTÁRIO , CULTURA

TÍTULO: ENTRE-TANTOS, NO NADA...
AUTOR(ES): ALDA REGINA TOGNINI ROMAGUERA
RESUMO:
No início era: O caos? O verbo? O nada? ...... No nada... Nonada: Nada Na Da Ada Anda Dana Ana... Dana(da) Aaaa... Que se anuncie a transgressão desta escrita, gestada na vontade de fazer funcionar imagens que pulsam no/pelo texto. Escrita que se quer despropositada, com Manoel de Barros - para quem há que se escovar as palavras, raspar delas os conceitos, descascar-lhes significados. Escrita que hesita, gagueja, rasura-se e se propõe a aceitar a palavra-pulsão, escrita-jorro que desenha pensamentos e se desenha e se avermelha e se diz, e se des-diz, e se, e, e,... Escrita que opta pela cor, que se avermelha e se assina em tons de sangue intenso, profundo; cor que se faz ressoar a modo de ritornelos... Vida que se cor-a, rubor. Ato de escovar palavras: Desenho lexical que se expressa-imprime e se quer imagem. “escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma”, pelo fora da linguagem, produzindo pensamentos em linhas de fuga, que escapam pelas bordas, duvidando, tropeçando, negando-se. Preferiria não... Devir ativo, resistência bartlebiana, dissidência imprevisível que resiste sem se opor, como se criança fosse. Des-propósitos, es-vaziamentos, in-divirtuação: prefixos que abrem uma brecha, abertura pelas potências do não, na busca pela criação de outros mundos possíveis como resistência... No compasso educacional, cavar a imensidão do vazio no tempo, como provocação, preferindo não, resistindo pela criação no espaço do entre...
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, RESISTÊNCIA, CRIAÇÃO

TÍTULO: DO MOMENTO AO E-VENTO, DO FOTOGRAFAR AO PULVERIZAR

 

AUTOR(ES): ALIK WUNDER, FERNANDA CRISTINA MARTINS PESTANA
RESUMO: Imagens que querem atuar como forma-pensamento pulsante, querem encantar, incomodar, abrir desentendimentos, perguntas, buscas sobre as biotecnologias e as interfaces entre humano e não-humano. Desejos que perpassam um projeto de divulgação científica desenvolvido em parceria pelo Labjor e Faculdade e Educação - Unicamp. Desafio: fazer dos registros fotográficos de uma peça teatral – “Num dado momento:biotecnologias e rua” encenada nas ruas da cidade, uma instalação - “Num dado e-vento: biotecnologias e culturas em texturas, vãos, sombras, cores, sons...?” Nas fotografias: imagens impressas em grandes dados - mãos realizando um sequenciamento genético, modelo da forma dupla hélice do DNA, um anjo sem corpo com longas asas brancas, um homem coberto de penas, uma menina-polvo – criam adensamentos quase-ficcionais com corpos de transeuntes e fragmentos da cidade. Na instalação: fotografias ganham suave materialidade em projeções em tules, paredes, plásticos, espelhos, chão, teto, mãos, braços, roupas, sombras. Pessoas são convidadas pelos objetos a misturarem-se às imagens, fazê-las dançar em seus corpos, pulverizá-las em diferentes fragmentos irreconstituíveis. Sombras em movimento, silhuetas dançantes, imagens repartidas, sobreposições. Nas imagens impressas: fotografias transformam-se, encontram palavras, dialogam com formas e cores, cria-se uma poesia visual lançada ao público como elemento de propagação, de multiplicação das biotecnologias ali (in)visíveis. Superfícies fotográficas deslizam por diferentes suportes e apostam nas potências das cores, dos ritmos, das texturas e do acaso. Do registrar ao in-ventar.
PALAVRAS-CHAVE: FOTOGRAFIA, ACONTECIMENTO, DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

 

TÍTULO: AMKOULLEL, O MENINO FULA: PASTOREANDO HISTÓRIAS E APASCENTANDO MEMÓRIAS NA ORALIDADE AFRICANA
AUTOR(ES): ALLISSON ESDRAS FERNANDES DE OLIVEIRA
RESUMO:
Neste artigo, analisou-se a oralidade presente no livro autobiográfico Amkoullel, o menino fula, de Amadou Hampâté Bâ, a fim de perceber o valor que tais narrativas possuíam para os povos de tradição oral africana. A pesquisa foi fundamentada a partir dos estudos de Del Priore e Venâncio (2004) que falam sobre a história da África Atlântica; Hernandez (2005), ao tratar sobre o ensino de Cultura Africana na sala de aula; Le Goff (1984) que versa sobre a ideia de memória; Ong (1998) ao trazer aspectos da cultura oral e Zumthor (2000) quando trata de performance, entre outros. A oralidade é uma matriz cultural africana que transcende a própria escrita e é tratada na obra do autor malinês, como o poder da palavra que mora na narrativa e nunca se apaga. Os fula, como pastores nômades, contavam seu gado cotidianamente para não perdê-lo; do mesmo modo faziam com as histórias, cada vez que as contavam, mais fácil seria encontrá-las na memória, pois, para o povo de tradição oral, a repetição não é um defeito, mas sim um mecanismo de sobrevivência e perpetuação de sua cultura. Pastoreia-se o gado do mesmo modo como se guardam as histórias, cuidando para que não se percam e não se desviem da memória.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA AFRICANA, ORALIDADE, MEMÓRIA

 

TÍTULO: OFICINA DE ANIMAÇÃO: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A POSSIBILIDADE DE CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO INCLUSIVO DE CRIAÇÃO E DE PRODUÇÃO DE NARRATIVAS.
AUTOR(ES): ANA ELISABETE RODRIGUES DE CARVALHO LOPES
RESUMO:
Apresentamos a pesquisa realizada sobre a apropriação da linguagem da animação como meio e mediação de expressão artística, de produção de narrativas e de inclusão social, desenvolvida junto a um grupo de alunos com necessidades educacionais especiais da rede municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro. Caracterizou-se como uma pesquisa-ação e envolveu a participação de professores como pesquisadores da sua própria prática pedagógica. A investigação ocorreu durante o ano letivo de 2007 e 2008, no contexto da Oficina de Animação oferecida pelo Instituto Municipal Helena Antipoff que é o Centro de Referência de Educação Especial da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro, e contou com a parceria do Núcleo de Arte Digital e Animação do Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/PUC-Rio. Com esse objetivo, formamos um grupo inclusivo composto por 8 alunas da rede pública municipal, na faixa etária entre 11 e 20 anos, com deficiência mental, trabalhando juntas com 4 alunos da graduação do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio, que fazem parte do Núcleo de Arte Digital e Animação, coordenado pela Profa.Claudia Bolshaw. A pesquisa abrangeu dois focos de investigação: o primeiro relacionado às observações sobre o processo de ensino-aprendizado da linguagem da animação e sua apropriação pelo grupo; o segundo foco envolveu a produção e análise sobre as narrativas imagéticas produzidas pelo grupo com a técnica da animação. O grupo produziu 4 animações “O casamento dos dálmatas”(2007), “Baile Funk”(2007), “Salvando o dia colorido”(2007) e “O amor está no ar”(2008), que serão apresentadas e analisadas. O desafio foi dominar os meios básicos de produção de animações para produção de narrativas e criação de um espaço inclusivo de trabalho. Destacamos o pensamento de Walter Benjamin, Vigotski, Arlindo Machado, dentre outros, como orientadores do referencial teórico-metodológico da pesquisa.
PALAVRAS-CHAVE: ANIMAÇÃO, IMAGEM, EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 2
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: ESCRITA E LOUCURA
AUTOR(ES): ANA MARIA HOEPERS PREVE
RESUMO:
Escrita e loucura Ana Maria Hoepers Preve (Doutoranda da FE/UNICAMP e Professora FAED/UDESC) Escrever sem saber escrever, sem saber ler. Escrever analfabeto. Escrever como um louco. Escrever o nome próprio, apenas. Escrita trêmula, de traços fortes, escrita carregada do que dizer, do que precisa ser dito. Por que você quer fazer um livro? Porque eu tenho coisas pra me perguntar! Não são coisas pra perguntar ao mundo, mas pra mim. Perguntas que mobilizam o pensamento daquele que escreve, que interroga o seu mundo e arrasta quem lê pra novas perguntas, a outras terras. Escrever porque senão eu morro. Eu piro. Eu fico louco. Escrever porque é assim que eu saio desse lugar. Eu também fujo escrevendo, desenhando diz outro paciente na escuta do anterior. Desenhar pra me transportar... eu viajo e paro num outro lugar. Fico ali! Escritas que constroem territórios, arrastadas de um extremo ao outro pelo delírio. Esta comunicação é parte da pesquisa de doutorado “Prisão e loucura: cartografias intensivas”, desenvolvida no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, Florianópolis/SC cuja base de estudo são as oficinas entendidas como práticas de experimentação. Que prática é essa quando ela passa a ser pensada na perspectiva de uma cartografia intensiva? Que movimentos ela põe em jogo? O que cabe ao oficineiro? A proposta desta comunicação é explorar essas questões a partir dos jornais elaborados no grupo cujo estilo precário, trêmulo, urgente, movente põe em funcionamento um pensamento e uma escrita que se desloca, um coletivo e um querer dizer e um ter o que dizer. “Eu tenho uma coisas pra dizer pro jornalzinho“. Ao oficineiro cabe olhar atentamente para os pequenos jornais como mapas.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITAS, LOUCURA, OFICINAS

TÍTULO: IMAGENS SONORAS: BIO-TECNO-LOGIAS EM DIVAGAÇÕES
AUTOR(ES): ANA PAULA CAMELO
RESUMO:
Esta pesquisa busca pensar na invenção de imagens-escritas sonoras das biotecnologias em programas radiofônicos. Como as biotecnologias podem ser exploradas por meio da linguagem e dos recursos desse meio de comunicação de massa, dito tão abrangente (em termos territorial e de audiência) e poderoso (diante do seu poder de fazer imaginar e criar imagens mentais a partir de determinados sons, palavras, silêncios...)? A partir da análise de programas radiofônicos voltados à divulgação científica nas rádios campineiras e das propostas do projeto de pesquisa, ação e intervenção Biotecnologias de rua – e dois outros projetos dele derivados: Num dado momento: biotecnologias e culturas em jogo e Um lance de dados: jogar/poemar por entre bios, tecnos e logias – será desenvolvido um programa de rádio piloto. Partilhando dos objetivos do Biotecnologias de rua apostamos na criação de um artefato de divulgação científica que explora as potencialidades de múltiplas linguagens e da interface entre ciência, arte e filosofia na comunicação da ciência, buscando refletir sobre a inserção do meio radiofônico em iniciativas de experimentação de uma nova divulgação científica não limitada ao intuito de diminuir o déficit de conhecimento das pessoas acerca do tema biotecnologias. Escolhemos também trabalhar com os professores que participam das ações do Biotecnologias de rua buscando escapar às hierarquias e estabilizações entre conhecimentos e culturas ao propor a criação de programas de rádio para o projeto por meio do estabelecimento de diálogos, em que as vozes de professores e dos artistas e pesquisadores possam se encontrar e produzir novos ritmos na divulgação científica. Esta pesquisa parte do pressuposto de que a participação pública é fundamental e decisiva para gerar fugas às estabilizações e fixações nos/dos conhecimentos científicos.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGENS SONORAS, DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA, RÁDIO

 

TÍTULO: LUZ, CÂMERA E AÇÃO: POSSIBILIDADES DE LEITURAS E ESCRITAS IMAGÉTICAS DO CINEMA DOCUMENTÁRIO NA EDUCAÇÃO.
AUTOR(ES): ANA PAULA TRINDADE DE ALBUQUERQUE, MARY DE ANDRADE ARAPIRACA
RESUMO:
O trabalho é um recorte da pesquisa de doutorado em educação em andamento, que tem como objetivo principal investigar e sistematizar o uso do cinema documentário nos espaços educacionais, na dimensão do ver, apreender e fazer, (leitura imagética, apreensão e escrita imagética). Tendo como ponto de partida o mundo contemporâneo e o aumento da produção de imagens e suas implicações, viu-se, em conversas com professores, que o uso e a leitura de imagens nos espaços de educação, dentro de sala de sala de aula, ainda são pequenos; fora desta, a produção de imagens, quer seja por celulares ou câmeras fotográficas, e a leitura de imagens a partir do uso da internet, são grandes. Entendendo isso, vê-se a importância de se formar leitores críticos de imagens, assim, pensa-se que o cinema documentário, sendo um veículo de escrita e leitura de memória e história, é um exercício de leitura e escrita de culturas. A câmera vai ser o objeto de cristalização da história/memória de cada um, de uma cultura, de pequenos e/ou grandes grupos, trazendo uma dinâmica de troca de vivências que implica em conhecimento de si e do mundo, e consequentemente de um indivíduo mais comprometido em relação à dimensão sociopolítico e cultural. Atrelado a isso está a importância de se entender a linguagem própria do cinema (planos, enquadramento, cores etc) que induz a sentimentos, aproximações, rejeições, etc, que são gerados muitas vezes por estratégias de escrita imagética e interpretado pela própria história de vida do indivíduo. Entender essa linguagem coloca o “leitor” mais inteiro, ou seja, mais consciente, diante do texto fílmico, sem perder o encantamento que o cinema produz.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGEM, LEITURA E ESCRITA, EDUCAÇÃO

 

TÍTULO: ENTRE O LÚCIDO E O LÚDICO: O SUBSTANTIVO COMO RECURSO LINGUÍSTICO-EXPRESSIVO EM JOÃO CABRAL DE MELO NETO
AUTOR(ES): ANDERSON DA SILVA RIBEIRO
RESUMO:
A paixão pelo ofício de escrever fez de João Cabral de Melo Neto seguramente um poeta de envergadura, segundo se pode perceber com a avaliação da crítica literária de tradição no Brasil. A principal frente de trabalho do escritor fica em torno da busca incessante pela palavra nua, magra, seca, substantiva, “sem plumas”, capaz de reter uma realidade circundante que caminha desde os canaviais pernambucanos até à Sevilha espanhola. O texto cabralino é dotada de preciosismo expressivo capaz de transformar o simples, o comum e o prosaico em matéria de poesia. A obsessão pela ideia de construir uma linguagem verbal concreta e, por vezes, dilacerante, desprovida de adjetivos exagerados, fez com que o poeta, um “homem sem alma” (CASTELLO, 2006), fizesse da atividade de tecer uma ação exclusivamente meticulosa. Redigiu quase manualmente para dar ao seu ofício o toque de arte exterior. Nessa direção, o substantivo, ratifica e traduz o entendimento de substância e de essencialidade, no que tange à concretização funcional e estética da gramática da língua, além de também, na perspectiva diacrônica, resgatar as reflexões propostas por Aristóteles, relacionando-as com os estudos atuais das classes gramaticais. Como corpus de minha dissertação de mestrado, o texto literário se torna solo fértil, a partir do qual apresento indagações acerca da natureza estética que o compõe, bem como da relação que ele mantém com o material lingüístico que o molda. Como se trata de um trabalho na área dos estudos da linguagem, apontarei o substantivo como recurso estético-expressivo na criação do fato estilístico na obra Quaderna (1956-1959). O intuito está em contribuir para os estudos estilísticos do português, a partir da escolha acertada das palavras. A base teórica segue a orientação da estilística lingüística de Charles Bally, atualizada por pesquisas contemporâneas (CAMARA, 2008; PEREIRA, 1999, RIBEIRO, 2005, por exemplo).
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, EXPRESSIVIDADE, CLASSE GRAMATICAL

 

TÍTULO: ESCRITURA E INDIVIDUAÇÃO
AUTOR(ES): ANDRE PIETSCH LIMA, NARA LÚCIA GIROTTO
RESUMO:
“Escritura e individuação” remete à problemática das passagens entre vida e escritura para experimentar-se na emergência do fragmento poético. Abordaremos essa problemática partindo da teorização de R. Barthes acerca do haicai. Nesta investigação, a tomada de forma do fragmento poético será abordada a partir de sua efetuação no haicai e de sua inclinação a levar o Instante à memória em trabalho de escrita e ao consumo imediato dessa memória num flash literário (R. Barthes, A preparação do romance I). O haicai será tratado como uma escrita do particular, do contingente, que não estabiliza o movimento: satori literário ou incidente (grau zero da anotação). Yami (saída da penumbra, cintilação, e retorno a ela: cintilação entre duas mortes) e Utsuroi (o momento em que uma flor, perfeitamente desabrochada, vai murchar) são figuras do Ma que, segundo Barthes, alimentam o haicai. Figuras sem centro e sem unidade. Sem generalidades, amorais. Aptas a exprimir hecceidades. Noções como as de “individuação” (Gilbert Simondon – Gilles Deleuze), de “nuance”, de “biografema” e de “escritura” (Roland Barthes) participam de nossa reflexão/exploração acerca das maneiras pelas quais um haicai se inclina aos seus motivos, em texto. E das maneiras pelas quais o escritor de haicais, biografado pelo texto, declina-se em coleções de traços ao mesmo tempo em que o entorno os inscreve em topologias ainda não direcionadas, em instantâneos que os estereótipos desconhecem (biografemas).
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITURA, INDIVIDUAÇÃO, HAICAI

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 3
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: “PAISAGEM SONORA E O ENSINO DE GEOGRAFIA: EM BUSCA DE UM DIÁLOGO COM OS TEÓRICOS DA MÚSICA CONCRETA”.
AUTOR(ES): ANEDMAFER MATTOS FERNANDES
RESUMO:
Para uma necessária ampliação da leitura do espaço geográfico é importante que se desenvolvam metodologias em consonância com o mundo em que os alunos vivem. Dessa forma, é preciso estreitar um diálogo entre a arte, a ciência e a vida, para que a Geografia permita ao ser humano uma compreensão mais rica e diversa do que é existir humanamente a partir da espacialidade em que a vida se desenvolve, ou seja, na melhor compreensão da complexa interação entre o indivíduo e o mundo, mundo este entendido como a sociedade, a cultura e o conjunto dos elementos naturais e físicos. Nessa direção é que trabalhamos aqui os conceitos de Paisagem Sonora e Ecologia Sonora, por identificar nesses a possibilidade de trazerem toda a dimensão cotidiana necessária ao redimensionamento da linguagem da Geografia a partir do desenvolvimento da capacidade de percepção do espaço por parte dos alunos, no sentido de ampliar as leituras dos aspectos físicos e simbólicos que permeiam os lugares em que a vida é efetivada. Trabalhar o conceito de espaço em sala de aula é de fundamental importância para o entendimento da Geografia, pois só assim é possível refletir sobre os conteúdos dessa ciência no âmbito das diferentes séries, além da compreensão da importância desse conhecimento para a vida.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE GEOGRAFIA, PAISAGEM SONORA, LINGUAGEM

 

TÍTULO: ENTRE INFÂNCIA E LITERATURA
AUTOR(ES): BERNARDINA MARIA DE SOUSA LEAL
RESUMO:
ENTRE INFÂNCIA E LITERATURA Bernardina Leal* A infância, foco deste estudo, é investigada a partir da problematização das costumeiras acepções que o termo incorpora no âmbito educativo, sob as quais subjazem os sentidos de falta, carência e incompletude. Se a educação e a infância podem ser abordadas de modo dimensional no âmbito da experiência, pode-se repensar o diálogo entre elas a partir da literatura e pensar na palavra como um bem produtivo, capaz de gerar gente inventiva, inclusive de si mesma. A palavra literária, ao livrar-nos das especificidades e exatidões do linguajar técnico-científico adulto, pode nos remeter ao estado infantil no qual as coisas ainda se misturam, se dissolvem e se transmutam - um estado anterior àquele no qual já sabemos, de antemão, o que querem dizer as palavras. Esse estado principiador, a um só tempo o estado comum e singular da experiência humana, consubstancia-se no problema de passar por uma experiência e ser capaz de narrar, de algum modo, o acontecimento. Isso é o que evidencia Guimarães Rosa em suas Primeiras Estórias, obra em que se fundamenta este estudo. Os conceitos criados por Gilles Deleuze e a escrita literária de Guimarães Rosa, em especial nos contos “As margens da alegria“ e “A menina de lá“, apresentam-se como referenciais teóricos basilares para o entendimento da infância enquanto figura do novo, ato inaugural de criação. Nessa ótica, a aprendizagem escapa da associação professor-aluno-escola e também da ideia de educação como agenda pedagógica. As experiências de aprendizagem e a aventura da infância carecem de palavras também aventureiras. Literatura e infância encontram-se aí: na aventura do dizer-se. Ambas, infância e literatura encontram na palavra a manifestação daquilo que são. Com elas é possível aprender.
PALAVRAS-CHAVE: INFÂNCIA, LITERATURA, EXPERIÊNCIA

 

TÍTULO: NA VELOCIDADE DO RISO/GRITO/GIRO: SONORIDADES IMAGÉTICAS
AUTOR(ES): CAMILA CILENE ZANFELICE
RESUMO:
Motorista, motorista, olha a pista. Toda experiência de sentido passa pela obscuridade, pelo murmúrio, pelo silêncio (Vilela, 2008). Ele (o sentido) guarda uma ausência. Um vazio, uma fenda. Transpassá-la pela experiência na velocidade do riso/grito/giro, envolvendo-se no silêncio que faz possível a intensidade do mesmo riso/grito/murmúrio. Causa e efeito. Respiração na perda de fôlego. Riso rangente entre a palavra, o brinquedo, a canção, o som. Habitar outro mesmo lugar. Silêncio grito alegria desespero um outro. Redes. Sempre dois ao mesmo tempo outros. Imagens sonoras – sonoridades imagéticas - fragmentos do acontecer. Silêncio ruído de sentido na escuta de um brincar. Silêncio que rompe o mutismo pela escuta que lhe dá corpo, ou melhor, consistência de ferida aberta no corpo. Sonoridades apresentadas, capturadas de vídeo-gravações produzidas por crianças, na escola, enquanto brincar é gira-girar. Não é de borracha, não é de borracha. Desvinculação imagem-som-som-representasom. Aproximasom ao acontecimento pela sonoridade silenciosa que embala em canção a dupla escrita incoerente, conflitante, nonsense. Proliferasom escrita escuta. Implica mão dupla na direção do outro si mesmo. Um corpo. Nesta fenda do sentido que combate a cicatrização, a síntese, a unificação: impossibilidade de dizer. Sonoridade inaudível, incomunicável. Possibilidade de não dizer na educasom. Vai bater. Vai bater.
PALAVRAS-CHAVE: SILÊNCIO, ESCUTA, SENTIDO

 

TÍTULO: ENTRE LER E OUVIR CLARICE LISPECTOR
AUTOR(ES): CAMILLO CAVALCANTI
RESUMO:
O trabalho pretende confrontar a produção escrita de Clarice Lispector e a interpretação em áudio feita por Araci Ballabalian, na mídia CD, em volume de coleção própria para recitação da literatura brasileira. O objetivo principal é discutir as diferenças de significação entre uma leitura registrada e um texto aberto à leitura pessoal, no qual estão contempladas variantes de ritmo, como possibilidades a serem acionados pelo leitor. A pergunta que se faz, então, é: essas possibilidades irão ocasionar diferenças de interpretação? A tese de que a obra de arte é constituída pela tensão necessária entre forma e conteúdo de fato se confirma nessa análise ora proposta? Pretende-se fazer, também, uma investigação da produção de sentido que o texto gera, enquanto texto literário, isto é, artístico, na metáfora multiconteudística. Outro aspecto importante a ser avaliado é se a distância do público em geral ante a literatura se baseava, de fato, como se acreditava, na falta de atrativos do suporte texto escrito. Afinal, o suporte CD, que disponibiliza o texto na modalidade oral, elimina essa contingência, mas não se constitui estratégia suficiente para aproximar um grande número de “leitores” (receptores). As questões humanas levantadas pela obra de Lispector serão abordadas proficuamente, no intuito de evidenciar a atemporalidade de um discurso sobre o ser humano, principalmente na sua dimensão estética, cuja vitalidade marca a relevância da égide poética na essência e existência do homem.
PALAVRAS-CHAVE: RITMO, FORMA, SUPORTE

TÍTULO: A LEITURA DE CHARGES: CONSTITUIÇÃO DISCURSIVA DA CRÍTICA E DA SÁTIRA PRESENTES NO GÊNERO.
AUTOR(ES): CARLOS AUGUSTO BAPTISTA DE ANDRADE
RESUMO:
A charge é um gênero discursivo que se caracteriza por criticar e satirizar acontecimentos sociais diversos. Ela se constitui em uma ilustração que pode ou não ser acompanhada de texto. Neste trabalho, pretendemos analisar 03 (três) charges, publicadas na Folha de São Paulo, procurando observar: 1) os aspectos da paralinguagem (tudo o que é não-verbal, mas acompanha o verbal para reforçar, ou completar o sentido global do gênero); 2) o discurso do humor, por meio da crítica e da sátira, que elas apresentam, tanto do ponto de vista de suas imagens diversas, quanto do ponto de vista textual; 3) observar como as linguagens verbal e não-verbal se articulam, com a finalidade de perceber os efeitos de sentido que são provocados pela interação entre elas; 4) ler, observando as intertextualidades necessárias que garantam a compreensão das intenções do chargista em sua produção. Com base nas teorias de texto, na análise do discurso e na semiologia pretendemos observar o gênero “charge” apresentando as possibilidades de leitura e de interpretação que elas oferecem, procurando contribuir para o desenvolvimento de estratégias de leitura no âmbito do ensino fundamental e médio. O presente trabalho está inserido nas atividades do Grupo de Pesquisa Memória e Discurso, aprovado pelo CNPQ.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, CHARGE, GÊNERO

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 4
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 08

TÍTULO: A ARTE-EDUCAÇÃO COMO MEIO PARA FORMAÇÃO ESTÉTICA DO ADOLESCENTE EM CUMPRIMENTO DE MEDIDAS SÓCIO EDUCATIVAS.
AUTOR(ES): CARMEN DE FÁTIMA FERREIRA MARINHO CALIXTO
RESUMO:
Este projeto, amparado pela pesquisa qualitativa, surgiu a partir do envolvimento da pesquisadora em um projeto da Secretaria de Justiça e Segurança Pública – SEJUSP-MT, desenvolvido no Centro Sócio Educativo, localizado no Complexo Pomeri, em Cuiabá MT, junto aos adolescentes internos em cumprimento de Medidas Sócio-Educativas. O projeto discute algumas indagações, tais como: a recuperação da auto estima, o resgate dos valores éticos e estéticos, bem como, se a forma de se posicionar no mundo, desses sujeitos, sofre ou não influência da arte. Espera-se também, contribuir com os resultados dessa pesquisa, com as futuras reflexões sobre o fazer Arte-Educação, em ambientes de privação de liberdade, fazendo com que esse período seja produtivo para a ressignificação do existir. Pergunta-se: É possível por meio da Arte-Educação promover a recuperação da auto estima, dos valores éticos e estéticos, com vistas à reinserção social do adolescente interno no Centro Sócio Educativo no Complexo Pomeri? Este estudo tem como objetivo ressaltar a importância da Arte na vida dos adolescentes internos, como instrumento humanizador de ressocialização, demonstrando que a integração social é possível e que a Arte-Educação contribui para o desenvolvimento das potencialidades e mudança de postura do interno. Conhecer qual concepção de arte dá suporte à prática pedagógica no ensino da arte na instituição pesquisada, além de promover oficinas de trabalhos artísticos com os adolescentes, para saber o que pensam da arte e de sua produção artística. Os resultados positivos nas oficinas de arte-educação revelam: a auto estima elevada, prazer em desenvolver as atividades, descontração, sensibilidade e predisposição de apropriar-se dos conhecimentos de Arte, criando um ambiente saudável e propiciando relações harmoniosas no interior do Centro Sócio Educativo.
PALAVRAS-CHAVE: RESSOCIALIZAÇÃO, ARTE, LINGUAGEM

 

TÍTULO: ANIMAÇÕES EM TEMPO – UMA PROPOSTA DE ENCONTRO ENTRE LINGUAGEM ARTÍSTICA E CULTURA CIENTÍFICA
AUTOR(ES): CECÍLIA MARIA PINTO DO NASCIMENTO, JANECLEIDE MOURA DE AGUIAR
RESUMO:
O Projeto AnimAções é um trabalho de colaboração museu-escola que procura discutir temas de ciência, numa perspectiva dialógica (ciência-arte e ciências sociais-ciências naturais). Concretamente, o AnimAções representa uma ação interinstitucional entre o Colégio Pedro II (Departamento de Sociologia) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins. Neste trabalho mostramos um panorama geral do projeto: proposições, limites e tensionamentos. As atividades têm o propósito de viabilizar a produção de filmes de animação com temáticas científicas, subsidiando ações colaborativas entre os atores sociais envolvidos: alunos e educadores. A ação não se limita aos conteúdos científicos, uma vez que procura promover uma popularização da ciência que evidencie também seu contexto histórico/cultural, visando construir uma concepção de mundo mais reflexiva. No contexto da ação, a arte é inserida como uma possibilidade de encontro com a alteridade, significando criação, como algo que se experimenta muito mais do que se ensina. Nesse experimentar, os envolvidos apropriam-se de técnicas do cinema de animação – 2D, pixilation, recorte, desenho animado – na intenção de adequar som, luz, imagem, para expressar o que pensam com sensibilidade. Dentre os filmes produzidos em quase três anos, destacamos “O Mundo”, “Cristo Maravilha” e “Darwin no Brasil” (em processo de finalização). Evidentemente nesse percurso também reconhecemos limites: resistência às etapas do trabalho profissional (argumento/roteiro, storyboard, animatic, animação, composição, finalização) e dificuldades em expressar - na linguagem audiovisual - as ideias construídas nos discursos verbais e escritos. Também encontramos tensionamentos que limitam a continuidade do trabalho, dentre eles a ausência de políticas institucionais que respaldem continuamente as ações; além da dificuldade de ampliar/diversificar a rede de professores envolvidos. Enfim, de acordo com a proposta, a ampliação do acesso à cultura científica acontece dentro de um processo de experimentação e diálogo com a arte, contribuindo assim para a emancipação social dos indivíduos.
PALAVRAS-CHAVE: RELAÇÃO MUSEU-ESCOLA, CULTURA CIENTÍFICA, LINGUAGEM ARTÍSTICA

TÍTULO: LEITURA DE IMAGENS NA LITERATURA INFANTIL: CONSTRUINDO SENTIDOS POR MEIO DA EXPERIÊNCIA ESTÉTICA EM “VÓ NANA“
AUTOR(ES): CLAUDIA GONÇALVES LOPES MENDES
RESUMO:
O livro infantil “Vó Nana“, de Margareth Wild (texto) e Ron Brooks (ilustrações), constitui um belo exemplo de abordagem de um tema difícil para crianças – a morte – por meio de linguagens simbólicas, que respeitam a inteligência e sensibilidade do leitor em formação, sem agredi-lo nem resvalar para a pieguice. A análise das narrativas verbal e visual oferece um rico material para refletir a respeito da construção da identidade e da produção de sentidos na infância, especialmente quando em confronto com situações limite. Encontramos representações literárias e imagéticas de um tema espinhoso que, não podendo ser expresso cruamente às crianças, converte-se em uma experiência estética altamente mobilizadora quando elaborado simbolicamente: na literatura, assim como na brincadeira, é possível lidar com experiências assustadoras, liberando tensões emocionais e exercitando o pensamento criativo, que mostrará possíveis saídas para situações críticas da vida – um desafio motivador do crescimento emocional. A narrativa verbal, sucinta e sugestiva, revela com delicadeza e honestidade o processo de despedida entre avó e neta, que acontece por meio de mudanças progressivas em suas atividades cotidianas. O recurso de representar visualmente as personagens como animais humanizados (duas porquinhas) é habilmente empregado pelo ilustrador, que constrói uma narrativa visual riquíssima, com imagens de alta intensidade simbólica, além de referências a formas variadas de expressão artística, como artes plásticas, música, dança. Pretende-se, então, por meio da análise das duas narrativas, apontar seus principais elementos constitutivos, mutuamente enriquecedores, reforçando a importância da leitura de imagens e da experiência estética na produção de sentidos para o receptor infantil.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA INFANTO-JUVENIL, ILUSTRAÇÃO, PRODUÇÃO DE SENTIDOS

 

TÍTULO: EDUCOMUSICALIZAÇÃO: LINHAS E ESPAÇOS MUSICAIS ENTRELAÇANDO POSSIBILIDADES.
AUTOR(ES): CRISTIANE FARIAS DE LIMA
RESUMO:
Este trabalho, fruto de uma monografia de conclusão de curso em Pedagogia (TCC), tem por objetivo evidenciar a integração musical às práticas pedagógicas artísticas e curriculares enquanto possibilidade de aprendizagens simultâneas e sucessivas. Discutimos a musicalização como veículo mediador dos processos de ensino aprendizagem que acontecem a partir de construções dinâmicas. Falamos ainda da desconstrução do significado musical como ferramenta de apresentações comemorativas e preenchimento de lacunas de planejamento. A arte assim como a ciência representa atividades humanas que requerem criatividade, ação, reação e reflexão e possuem valores e significados que delineiam a formação complexa humana. É caracterizada pela criação, habilidade, capacidade, imaginação, sentimentos dentre outros fatores coexistentes. Evidencia a integração do homem em corpo, mente e espírito, diferente da ciência que privilegia o intelecto racional. Dessa forma é imprescindível sua admissão para facilitar meios que tornem os alunos autores da própria história. É na releitura, na (re)construção que o pensamento torna-se flexível tornando-se acessível aos diversos aprendizados propostos, à promoção do desenvolvimento afetivo e à construção de valores humanos. Musicalizar na escola é um modo de estabelecer conexões entre ideias e habilidades pela expressão de conhecimentos e sentimentos em forma de sons, gestos e movimentos entrelaçados aos interesses pedagógicos e ao desenvolvimento correspondente às propostas pedagógicas. Convite a desorganizar a educação da repetição e da imitação, edificar a educação de valores, conceitos e atitudes em que valoriza as potências criativas. A música, no entanto, representa uma receita descritiva das possibilidades humanas em suas complexidades vivenciadas pela resistência, flexibilidade, angústia, medo, fracasso, vitória, choro, riso, alegrias e persistências, crença, ser e estar fazendo das conquistas méritos de esforços e liberdade em perspectivas criativas.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, MÚSICA, PRÁTICA PEDAGÓGICA

 

TÍTULO: A ESTÉTICA DO DESAMPARO - FRAGMENTOS DE ARTE PARA UMA NARRATIVA A CONTRAPELO DA HISTÓRIA
AUTOR(ES): DAIVE CRISTIANO LOPES DE FREITAS
RESUMO:
Estudamos a produção de imagens do artista plástico francano Salles Dounner (1949-1996) em seu livro “Art-Nula” que reúne as principais obras do artista plástico, situando esse num contexto que se caracteriza pela precarização da vida e pela exacerbação da dimensão mecânica da sociedade. Por meio destas imagens buscaremos analisar as paisagens emergentes neste território de fronteira (projeto pedagógico com o movimento do desejo do educador) situado na cultura. Analisamos as marcas dos processos de subjetivação do artista em seu esforço com a lida da “escultura de si”, fazendo um recorte sobre o artista na condição de narrador de seu tempo, buscando estabelecer um dialogo entre sua obra e a obra de Walter Benjamin, sobretudo nos aspectos em que o filósofo indica uma articulação entre a modernidade e a tradição e seus conceitos voltados para a interpretação da história, memória e linguagem a fim de compreendermos o papel do intelectual como narrador. Ampliamos nossa abordagem na interface com a obra de Mikhail Bakhtin “Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento”, particularmente, no conceito de “realismo grotesco”. A partir deste enfoque teórico e do corpus da pesquisa analisamos os processos de subjetivação da e na sociedade contemporânea e suas possibilidades pedagógicas para uma análise crítica da educação.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, CULTURA, PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 5
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 08

TÍTULO: UE MUTUM EU
AUTOR(ES): DAVINA MARQUES
RESUMO:
A arte é potência do pensamento. A arte é potência de afectos e perceptos. A arte é criação. Cinema, literatura, potências de arte. Toda criação brota da relação: o artista cria em relação intensiva com a Terra. Esta, enquanto território, é também um lugar de passagem. Pensando na relação com a música, a arte se manifesta em ritornelos. Deleuze-Guattari. Sílvio Ferraz. Algo retorna, mas se repete na diferença. Ressonâncias. Uma presença surge e escapa, um salto para fora, um bloqueio daquilo que é o mesmo... A apresentação de um outro quadro de relações. Agenciamentos possíveis. Pensar o meu território. Por onde ando? O que há no caminho que sigo diariamente? O que pode me afetar nesses trajetos cotidianos? Quais são os sons que ouço? Que ritmos exercito? Que sons me ampliam a visão? Nomadismo de asfalto, concreto, chão fabricado. Trans-ver linhas, experimentar, captar sonoridades. Virar bicho da terra. Devir animal. Geomorficar-se, em motivos e contrapontos. Prisma de luz e sombras. Um-personagem, um-multidão. Agamben. Pensar com as imagens, transver Guimarães Rosa: o que se manifesta neste mutum? Esta comunicação traz uma composição, um plano de imagens e de sons, para problematizar... E de repente “vemos” algo antes não visto, uma alegria, uma sensação que nos movimenta a. Intensividades da terra, devires expressivos, que sempre voltam e se reapresentam. O ritornelo faz germinar, produz movimentos, inclusive os que escapam à terra e lançam-se para fora, para o Cosmo.
PALAVRAS-CHAVE: RITORNELO, LITERATURA, EXPERIMENTAÇÃO

 

TÍTULO: COCANHA & SWISS PARK: A UTOPIA COMO UMA PROPOSTA DE CONVENCIMENTO.
AUTOR(ES): DIEGO CARVALHO DE OLIVEIRA
RESUMO:
O trabalho tem, como intuito, discorrer acerca da ressurgência/permanência no imaginário humano de alguns anseios que perpassam épocas e que, ao nos depararmos com as construções imagéticas contemporâneas, percebemos que estão presentes no ser humano as inquietações e imaginações de outros tempos e lugares. Consideramos, então, que permanece a vontade do homem de divagar acerca do amanhã, buscá-lo e torná-lo possível, ainda que impossível de ser construído em efetividade: a utopia. Em torno dessa discussão, tomamos como base de nosso argumento Cocanha, que vem a ser um país imaginário onde a abundância, em todos os sentidos, torna-se realidade. Vimos que as vontades e pressões de uma época são representadas de diversas formas, principalmente na forma do impossível narrativo e que vem a confortar aqueles a que a realidade presente é insuportável. Diante disso e, principalmente, das alegorias lançadas pela propaganda imobiliária contemporânea, escolhemos um lugar que se faz em narrativa para se fazer vender. Esse lugar, foco de nossos estudos, denomina-se Swiss Park Campinas, um condomínio fechado que, para se fazer melhor e mais rentável, criou em suas imagens propagandísticas um u-topos. São essas questões que fazem parte do trabalho construído, nos revelando a ressurgência de Cocanha no homem contemporâneo e da utilização de uma linguagem em direção ao futuro para tocar os homens de hoje: simples consumidores.
PALAVRAS-CHAVE: UTOPIA, EDUCAÇÃO VISUAL, GEOGRAFIA

 

TÍTULO: O TEATRO NO CURRÍCULO ESCOLAR
AUTOR(ES): DIONE PIZARRO
RESUMO:
A partir de experiências com o fazer teatral com alunos do ensino fundamental nasceu mais uma reflexão sobre o exercício da leitura que, neste momento, materializa-se nesta comunicação, cujo objetivo é fundamentar a importância desse recurso para a prática de leitura de textos literários em escolas de ensino fundamental e médio. O teatro no sentido de desenvolvimento não apenas do ator, do espetáculo como fim, mas principalmente como processo de atuação voltado para o desenvolvimento da prática de interpretação de textos, desenvolvimento da oralidade, criatividade e, especialmente, da alteridade. No processo de representação teatral há, de fato, uma efetivação do sistema linguístico que se realiza quando o sujeito fala atuando em várias possibilidades (a língua só se torna real no ato de falar). Nesse processo, o educando teria a possibilidade de exercitar os vários turnos da fala de um texto, a exemplo das personagens, donde a compreensão das variadas etapas de leitura ganharia mais eficácia. No teatro, a língua, símbolo complexo da comunicação, é dotada de significados tantos que, somados à experiência de cada sujeito/ator, se renova em cada leitura e, nesse processo de renovação, garante múltiplas cadeias de significação. Daí a possibilidade de “transver” o mundo. E, no encontro entre as múltiplas subjetividades de personagens, autores, atores, com as suas próprias, abre-se a possibilidade para o exercício de alteridade.
PALAVRAS-CHAVE: DRAMATIZAÇÃO, LEITURAS, ALTERIDADE

TÍTULO: LENDO AS CIRCUNSTANCIAS: RAUL SEIXAS E CULTURA
AUTOR(ES): DÍLSON CÉSAR DEVIDES
RESUMO:
Esta comunicação é uma apresentação da dissertação 30 anos de Rock: Raul Seixas e a cultura brasileira defendida no curso de Mestrado em Letras no CPTL/UFMS. Nela exponho a síntese das ideias discutidas no corpo da dissertação. Para a inserção de Seixas como intelectual que pensa seu tempo, minimizando a imagem negativa de zombeteiro, mesmo sendo essas características próprias da obra desse compositor, que por meio delas pretendia alcançar uma ampla faixa da sociedade. Para tal inclusão, primeiramente fez-se uma análise das letras de música de Seixas que tratavam do período ditatorial no Brasil durante a década de 1970. Constatou-se que esse pensador não só criticava o regime de exceção, no que tange ao cerceamento de opinião e de liberdade, como também as questões políticas, econômicas e sociais da época. No segundo momento, buscou-se ler algumas composições que discorriam sobre a religiosidade, verificando que, para esse pensador, questões maniqueístas não eram bem aceitas, pois privilegiava a força humana e defendia o livre arbítrio (afastando conotações bíblicas). Na terceira e última etapa, procurou-se estabelecer ligações entre Seixas e discussões contemporâneas, tais como: o mercado cultural, a cultura de massa, sendo aqui possível perceber que Seixas estava já no limiar entre a cultura de massa e a erudita, e que não ignorava assuntos referentes ao mercado, mas se mantinha de fora, criticando principalmente o consumo; o Brasil do fim do regime militar - pela comparação de três composições (Aluga -se; Brasil e Que país é esse), pode-se notar que Seixas estava atento a essa mudança da mesma forma que os compositores mais atuais; a presença de Paulo Coelho na obra de Seixas, evidenciando que as letras compostas em parceria com o escritor são de cunho espiritualista e místico, enquanto as composições exclusivas de Seixas tendem ao materialismo e ao racionalismo.
PALAVRAS-CHAVE: RAULSEIXAS, CULTURA, ESTUDOS CULTURAIS

 

TÍTULO: NA DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA ... A ESCRITURA DO QUILOMBO DE CURIAÚ
AUTOR(ES): EDNA DOS SANTOS OLIVEIRA
RESUMO:
NA DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA ... A ESCRITURA DO QUILOMBO DE CURIAÚ OLIVEIRA, Edna dos Santos/UEAP Este trabalho tem como objeto de estudo a comunidade afro-descendente de Curiaú, que se apropria da escrita com o objetivo de registrar uma versão original, assim como de fixar e de autenticar a versão que interessa à comunidade, instituindo, com isso, uma referência obrigatória para o que se conta e o que se afirma sobre sua origem, isto é, a defesa da descendência quilombola. Nesse cenário, nosso propósito neste trabalho é apresentar a escritura de Curiaú como documentos de inestimável valor histórico, social, político e linguístico, ainda que não contemplem as normas preceituadas como padrão da cultura e do mercado da escrita, que estabelecem o uso irrestrito da variedade padrão. Reconhecer o valor sócio-histórico e documental da escritura do Curiaú é levar em conta a diversidade linguística como constitutiva da língua e, assim, na interface linguagem e sociedade, considerar, conforme preceitua o projeto sociolingüustico, a heterogeneidade como um elemento intrínseco e aceitável, uma vez que a variedade de linguagem usada pelos escritores curiauenses, é uma versão escrita da variedade linguística oral utilizada pela comunidade na comunicação diária, ou seja, uma transposição da oralidade para a escrita. Portanto, trata-se de uma variedade que se afasta do padrão em suas construções e utiliza um vocabulário próprio, com uso de termos específicos tratados por um dos escritores como “palavra tradicional”, implicando, esse comportamento, atitude linguística do escritor em relação a sua variedade, através do uso de vocabulário diferenciado do padrão urbano macapaense e, sobretudo, da língua portuguesa padrão e implicando, ainda, a defesa de uma identidade.
PALAVRAS-CHAVE: CURIAÚ, QUILOMBO, ESCRITURA

 

SESSÃO: ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 6
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 06

TÍTULO: E-VENTO (IN)VENTANDO UMA E-DUCAÇÃO
AUTOR(ES): ELENISE CRISTINA PIRES DE ANDRADE, SUSANA OLIVEIRA DIAS
RESUMO:
Um outras oportunidades perguntamos (ao vento, inclusive): Que divulgação pulsaria nem da rua nem das biotecnologias, mas no entre, desde dentro da partícula de, despojada de conexões, opiniões, representações, fixações? Agora, arriscamo-nos a estender tal questionamento em proliferações de possibilidades de uma educação das/com/pelas/nas imagens/sons/palavras junto a uma ação por nós realizada afirmando a divagação científica em fabulação: Num dado e-vento: biotecnologias e culturas em texturas, vãos, sombras, cores, sons... que aconteceu no Centro Cultura de Inclusão e Integração Social Guanabara, em Campinas, em março de 2009. Uma aposta de acolhimento e esvaziamento do vazio e da transparência. Leveza insustentável sem pretender o entendimento exato, preciso, representado. Acolher sensações e tirar do vazio um significado à priori. Sustar o susto de preencher. Non-senses que esvaziam o vazio e dão vãos à divagação. Ventar as sensações, os conhecimentos, o público-autor, os objetos. Sustar a linearidade e coerência como fundamentos imprescindíveis a uma educação. Sustar a explicação. O público-autor que visitou o e-vento sustou assustando-se com o imponderável para uma “exposição de divulgação científica”. Que potencialidades emergiriam se a divulgação científica fosse capaz de abrir vagas, que resistissem a qualquer tentativa de preenchimento, como se fossem uma brecha para um tempo morto, coagulado, para as não imagens, para as não linguagens? Estranhamentos. Entranhamento. Movimentos repetidos que agitam e abalam o dado das imagens, dos artefatos, das palavras, das representações, do público-autor. Multiplicar a potência criativa dos atravessamentos, arrombamentos, das aglomerações e(m) imagens que se alastram pela contemporaneidade em uma hibridização caótica e pretender o susto.
PALAVRAS-CHAVE: FABULAÇÃO, DIVULGAÇÃO, EDUCAÇÃO

 

TÍTULO: MATIZES DA ARTE DO SÉCULO XX E A ATIVIDADE HUMANA DA CONTEMPLAÇÃO: O PROCESSO DA KULTUR
AUTOR(ES): EMANUELA FRANCISCA FERREIRA SILVA
RESUMO:
A tecnologia, a globalização e a informação rápida são algumas das características que ultrapassaram as fronteiras tênues entre o século XX e este início do século XXI. Elas estão presentes na civilização atual determinando o modo de vida de cada pessoa. A vida humana activa corresponde respectivamente a labor, trabalho e ação. O labor está relacionado ao processo biológico, o trabalho é definido como aquele que produz o mundo artificial e a ação é a única atividade exercida diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria. Conceituando-se essas três atividades, que fazem parte da condição humana, correlaciono-as com os conceitos de civilização e kultur na visão alemã, para ancorar este trabalho, que utiliza das imagens para hibridizar escrita e arte, buscando trazer para a sala de aula, que faz parte do processo civilizatório, a kultur alemã.Tendo como ponto norteador a pergunta problema:Como trabalhar conceitos e atividades, dentro da sala de aula, que escapem do processo civilizador?Utilizo da imagem das obras de arte de artistas do século XX para levar até aos alunos do 2º grau, a única atividade humana que é livre: a contemplação. Essa, através da arte, é ponto de fuga, que torna o aluno criador de seu próprio espaço e tempo, estando no processo civilizatório, mas se diferindo dele, por saber contemplar.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGEM, CONTEMPLAÇÃO, CIVILIZAÇÃO

TÍTULO: A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA TECNOLOGIAS A SERVIÇO DO ENSINO POR MEIO DA PESQUISA
AUTOR(ES): ENEIDA BACCARO MODONEZI, MARIA DE FÁTIMA GARCIA
RESUMO:
Este trabalho descreve uma experiência desenvolvida no curso de especialização “Pesquisa e Tecnologia na Formação Docente” ministrado pela Faculdade de Educação da Unicamp aos professores da Rede Municipal de Campinas, SP, durante um ano e meio - perpassando pelo registro de três módulos, duas turmas e três docentes, essas últimas duas delas autoras deste trabalho. O curso traz como diferencial a (des)continuidade de um projeto apoiado pela FAPESP – o projeto “Ciência na Escola”, que, apesar de encerrado há mais de cinco anos, seus princípios foram incorporados à Rede Municipal de Ensino por meio das práticas dos professores, sem que fosse necessária a sua institucionalização – e agora consubstancia-se num curso de pós-graduação. No ano de 2008 foram ministrados os módulos “Desenvolvimento Curricular e Profissional do Professor e a Pesquisa Científica” e, em 2009, o módulo “Novas Tecnologias Aplicadas a Educação”. No decorrer da experiência procurou-se focar na metodologia da pesquisa científica como eixo condutor dos trabalhos dos(as) estudantes-professores(as) desenvolvidos em conjunto com seus alunos e na utilização de ferramentas tecnológicas como blog, fotografia e vídeo documentação/documentário de forma articulada à socialização/catalogação das produções curriculares. A base técnica exigida para o manuseio das ferramentas também foi um aspecto discutido ao longo do curso, pois ao entender o funcionamento das tecnologias, os (as)professores(as) adquiriram autonomia para utilizá-las. Dessa forma, pode-se articular reflexões acerca de currículo e profissionalidade, metodologia de ensino e as tecnologias, ferramentas a serviço da visibilização de conhecimentos produzidos por alunos e professores.
PALAVRAS-CHAVE: METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA, FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS , AUTONOMIA

 

TÍTULO: MOSAICOS: ESCRITA-FLUXOS
AUTOR(ES): ERIKA RODRIGUES
RESUMO:
A sensibilidade do olhar literário, a gênese dos fluxos, os acordes, a intimidade com o invisível, os universos latentes, o sentir das letras, trazendo, mudando, convidando, nos des-fazendo e configurando, entre experiências. Transitando sentidos e relações, tornando válido, oferecendo estradas, desvendando as vozes. Como aprender a escrever se não há voz nas palavras? Se não há gesto? Como habitamos a expressão perceptível que existe já não somente como sentir e ainda não como dizer, no espaço entre os sentidos e as palavras? Silêncios que desencadeiam. Fragmentos do trajeto entre o sensível e o sensível pronunciado. O que temos a dizer por essas lacunas de compreensão racional e nos silêncios se metamorfoseando por dizerem-se? Quando a exigência da palavra e o frenesi das informações impelem a sempre saber o que dizer, porque, quando e como - onde escutamos estes invisíveis em gestação? O que significa procurar os contornos desta transição no paradigma atual, em que a melodia predominante nos submerge em ruídos incessantes de automóveis, máquinas, multidões e aglomerados, e no ritmo da velocidade midiática vendendo opiniões “delivery”? Qual a intimidade das palavras? A quem se destina a possibilidade da palavra? A quem se destina a possibilidade da escrita? Quais pressupostos alimentam as práticas educativas atualmente? Quais concepções permeiam o ensino da escrita e leitura na escola? Em que perspectivas se situam as práticas escolares que permitem entender a palavra como potência, palavra-escrita como instrumento de poder. Quais práticas são mobilizadas nas relações das crianças com a criação sensível deste conhecimento? Qual a gênese destes fluxos de criação sensível e o que desencadeia seu início? Quais as trajetórias desse fluxo? O que o imobiliza, o impede? O que propicia a sua multiplicação? Quais as trajetórias e possibilidades de criação de universos literários pelas crianças no ambiente escolar atualmente?
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA-FLUXOS, DEVIR, GÊNESE

 

TÍTULO: LENDO IDENTIDADES LINGÜÍSTICAS NO COMÉRCIO DA FRONTEIRA: BRASIL X VENEZUELA
AUTOR(ES): EVÓDIA DE SOUZA BRAZ
RESUMO:
Os estudos sobre fronteiras têm salientado que nestes contextos opera significativamente o poder do Estado, o qual ainda contribui fortemente para construir representações homogêneas da identidade nacional. As fronteiras entre países constituem o ponto de encontro com o Outro e com a língua do Outro, é o momento propício para se afirmar a nacionalidade e a língua nacional. Paralelamente às representações construídas da narrativa nacional, há, na contemporaneidade, os processos de globalização, migração e multiculturalismo, que fraturam os campos sociais, fomentam as políticas identitárias e fragmentam as identidades. Em região fronteiriça, um contexto plurilíngüe onde há a defesa ferrenha das identidades tradicionais, esta questão coloca-se ainda mais conflituosa. Este trabalho objetiva apresentar uma pesquisa, de base interpretativista e de cunho etnográfico, em andamento, realizada no comércio da fronteira Brasil x Venezuela, na cidade de Pacaraima/Roraima, em território indígena. O comércio fronteiriço de Pacaraima é formado, sobretudo, por brasileiros vindos do nordeste do país, outros tantos provenientes do estado do Pará e da região sul e alguns poucos roraimenses. Há também estrangeiros, falantes do espanhol, principalmente peruanos. O contexto comercial de Pacaraima, portanto, promove o encontro das línguas majoritárias dos dois países fronteiriços, o português e o espanhol. Estas línguas, utilizadas nas interações sociais e abundantemente expostas em textos escritos, reforçados por imagens, expressam a identidade nacional e lingüística, evidenciando, muitas das vezes, o hibridismo lingüístico-cultural. Por estar localizada em reserva indígena, é inevitável também, o contato com índios da região, sobretudo das etnias Macuxi, Taurepang e Wapixana. É justamente focando o complexo ambiente fronteiriço Brasil x Venezuela, apoiando-me, sobretudo, em conceitos de identidade, identidade lingüística e representação, que analiso, através da leitura de textos e imagens presentes no cenário comercial, como são construídas as identidades lingüísticas nesta região.
PALAVRAS-CHAVE: IDENTIDADE, FRONTEIRA, NACIONALIDADE

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 7
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LLOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: REESCRITURA: O RETORNO AO PRÓPRIO TEXTO COMO RELEITURA DO PROCESSO DE CRIAÇÃO
AUTOR(ES): ÉRICA MAIO TAVEIRA GRANDE, MARLENE APARECIDA VISCARDI MANTOVANI
RESUMO:
A apropriação do sistema de escrita de uma língua é um processo evolutivo que se realiza de maneira progressiva, na medida em que a criança tem oportunidades de interagir através da produção e da leitura de textos escritos. Diferentemente da aquisição da língua em sua modalidade oral, que ocorre de maneira informal, a aprendizagem da escrita ocorre, sobretudo, a partir de instrução formal, uma vez que a passagem do oral para o escrito não se faz de maneira direta, ou seja, a escrita não é meramente a transposição de fonemas em grafemas. Assim, torna-se necessário conhecer regras ortográficas e gramaticais, que são normatizadas e estabelecidas em acordos linguísticos, mas também é preciso conhecer as especificidades e as singularidades de uso das modalidades orais e escritas, o que requer um aprendizado mais longo e complexo. Com base nessas ideias, pretendemos analisar textos produzidos por alunos de quinta série (sexto ano) do ensino fundamental, comparando a escrita da primeira versão com a reescritura do texto e considerando também a leitura e a interpretação que o aluno realizou sobre a proposta de redação.É importante observar como a reescritura reflete sua releitura, tanto do seu próprio texto como do texto da proposta. No nível das microestruturas textuais, procuramos verificar as zonas de fragilidade, nas quais constatam-se desvios ortográficos em palavras presentes nos textos produzidos pelos alunos como: apoio na oralidade, possibilidades de representações múltiplas, omissão e acréscimo de grafemas, junção e separação de palavras, entre outras. No nível das macroestruturas, procuramos analisar o conhecimento linguístico-textual do aluno e suas competências e habilidades para lidar com as especificidades da escrita em relação ao oral. Destacamos também que, através do texto produzido, o aluno expressa sua visão de mundo e podemos entrar em contato com o seu imaginário.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRODUÇÃO DE TEXTO, REESCRITURA

 

TÍTULO: IMAGEM, POESIA E MEIO AMBIENTE EM “STALKER“ DE TARKOVSKY
AUTOR(ES): FABRÍCIA SILVA DANTAS, LUCIANO BARBOSA JUSTINO
RESUMO:
Este trabalho é fruto das discussões sobre a relação da literatura com outras formas de linguagem, como a do cinema. Entende-se aqui que Stalker de Tarkovsky estabelece essa relação de duas maneiras: a primeira mais óbvia e direta, enquanto tradução de um romance dos irmãos Strugatsky e, para nós mais importante, enquanto a construção de um “estado poético”. Stalker põe em cena “multifacetadas potencialidades de percepção, afetos e expressão” devido a, por um lado, os personagens estarem divididos em três regimes, cada um deles representado por um tipo, o professor, o escritor e o próprio stalker; os primeiros configurando uma relação científica e intelectual com a natureza e o stalker, em sentido oposto, representando uma dimensão vivencial com ela. Mas a relação do filme com a literatura é mais profunda em outro aspecto, os personagens são colocados em um ambiente pregnante que os obriga a lidar em proximidade com o sólido e o líquido, o aberto e o fechado, o claro e o escuro, o liso e o textural, a natureza e a máquina. É esta relação integradora com o meio ambiente em que o filme coloca as personagens, não raro problemática para eles, que estamos chamando de estado poético. Há no filme um diálogo entre maneiras abstratas, intelectuais e científicas e formas afetuais, vivenciais, em uma palavra, ecológicas de percepção. Em termos semióticos, o simbólico é pensado pelo indicial e pelo icônico. Entendemos que Stalker potencializa práticas educativas que consigam interagir modos de vida abstratos e sensíveis rumo a uma relação integradora complexa entre linguagem e cultura. Como princípios teórico-metodológicos utilizaremos a semiótica de matriz peirceana de Santaella (2002) e Bougnoux (1994) e a fenomenologia de Bachelard (1993) e de Michel Maffesoli (1998).
PALAVRAS-CHAVE: POESIA, CINEMA, MEIO AMBIENTE

 

TÍTULO: AUTORES QUE DIALOGAM ENTRE SI: UM CONVITE PARA A REFLEXÃO SOBRE A COMPOSIÇÃO CONJUNTA DE NARRATIVAS
AUTOR(ES): FELIPE FERREIRA JOAQUIM
RESUMO:
Em 2007, partindo de uma cartolina em branco, a proposta pedagógica feita aos educandos da Turma da Comunidade do Projeto de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho“ (UNESP), campus de Rio Claro, foi de que expressassem no papel suas reminiscências de infância, ressaltando os aspectos histórico-geográficos. A originalidade na confecção de um desses trabalhos me envolveu ao ponto de estimular a composição de uma narrativa que descrevesse o método de criação empregado pela aluna. Por recorrer integralmente ao manuscrito original da cartolina, a narrativa que surgia, de certa maneira, estabelecia um diálogo entre os autores: nela duas vozes estavam presentes, criador e observador, educando e educador. Este ensaio de construção conjunta da narrativa não se restringiu ao diálogo bilateral; uma nova experimentação agregou ao texto fragmentos dos contos “Leitura de uma onda” e “O olho e os planetas” extraídos do livro Palomar de Ítalo Calvino, trazendo assim uma terceira voz à composição narrativa. A proposta do presente trabalho é suscitar os argumentos teórico-metodológicos, principalmente fundamentados no estudo Relatos de Experiencia e Investigación Narrativa (Conelly & Clandinin, 1995), que contribuem para compreender o caráter dialógico que se estabelece na composição conjunta de narrativas.
PALAVRAS-CHAVE: NARRATIVA, EJA, LINGUAGEM

 

TÍTULO: A INSCRIÇÃO DA AÇÃO NAS ARTES VISUAIS: UMA LEITURA
AUTOR(ES): FERNANDO CESAR RIBEIRO
RESUMO:
As artes visuais são estáticas por natureza: o movimento físico começa a aparecer no início do século XX em obras de arte de efeitos óticos. Mas a ação humana sempre esteve relacionada ao processo de produção da obra de arte de outros modos, tendo pelo menos seu fim relacionado ao surgimento dessa. Há, no entanto, um momento em que o conceito de ação, particularmente, passa a chamar a atenção da crítica de arte – senão da produção ela mesma. É a partir do período pós-Segunda Guerra Mundial, com o trabalho de artistas europeus, mas em especial norte-americanos, que a ação se transformará em fator incluso e significante da obra de arte. Nesse sentido, a contribuição do crítico de arte Harold Rosenberg, com seu artigo “Os Action Painter Norte-Americanos“, de 1952, revela na reflexão teórica o processo prático da inscrição da ação como componente da obra de arte. Para o autor, a ação torna-se a especificidade da nova arte de sua época. Atribuindo ao agir humano tal importância, Rosenberg esboça uma pequena teoria da ação a partir do trabalho prático dos artistas. Reler suas reflexões e afirmações em tal artigo, sob a luz da filosofia da arte de Paul Ricoeur, possibilita não somente uma compreensão maior da teoria e da prática, mas também verificar as contribuições teóricas e práticas para as produções de arte subsequentes.
PALAVRAS-CHAVE: ARTES VISUAIS, ACTION PAINTING, FILOSOFIA DA AÇÃO

 

TÍTULO: A LINGUAGEM CORPORAL: UM ESTUDO ETOLÓGICO SOBRE O CORPO NO RASCUNHO
AUTOR(ES): FLAVIA KAROLINA CAMPOS
RESUMO:
O foco central desta investigação tem como preocupação um estudo das linguagens corporais, especialmente aquelas que têm no comportamento humano desse corpo “pós-moderno”, que segundo Le Breton está sempre no rascunho. Utiliza-se de uma metodologia que privilegia a imagem de movimentos gestuais e de posturas dos sujeitos observados que fazem com que a comunicação seja mais afetiva. Essa paisagem corporal institui uma estética que parece inaugurar uma comunicação entre “tribos” que deixam as marcas pelas diferentes mensagens que a corporeidade apresenta. Essas marcas nos mostram que há uma comunicação não-verbal que fala o tempo todo. Seja no ato extravagante de vestir, na expressão de rostos pintados, furados escarificados, na insatisfação esférica do corpo, no desconforto auditivo devido a poluição sonora, na fadiga renitente de imagens visuais, no isolamento individual em meio à multidão de pessoas que superlotam os espaços... Essa corporeidade vai “gritando”, se ajeitando do jeito que pode. A ciber cultura nos obriga a ser e estar em um novo espaço e em um novo tempo que implica uma mudança conceptual da cultura. Apesar de algumas pessoas apresentarem diferenças visíveis quanto à situação financeira, no modo de ir e vir, no modo de ser, vestir, falar, ler, se divertir e ocupar esses lugares, eles se assemelham em sua etologia. Somos todos parecidos nesses espaços para produzir uma acomodação necessária no trato de pertencer a um determinado grupo social.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGEM CORPORAL, COMPORTAMENTO ETOLÓGICO, CULTURA

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 8
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: A INDEPENDENTE ESCRITA-IMAGÉTICA CAÓTICO-ORGANIZACIONAL DOS FANZINES: PARA UMA LEITURA/FEITURA AUTORAL CRIATIVA E PLURIFORME.
AUTOR(ES): GAZY ANDRAUS
RESUMO:
A sociedade industrial criou padrões e regras que, embora permitam uma adequação e facilitação de divulgação e entendimento plural, por outro prisma, cerceou outras possibilidades intrínsecas criativas no desenrolar e desabrochar materializado das ideias (possíveis). Isto é claro, por exemplo, na indústria gráfica e editorial, em que as revistas e livros são “oficializados” e catalogados. Assim, sob uma desculpa de gestão de qualidade, a maioria dos seres humanos pode ler (leitor) o que é “escrito” por uma minoria privilegiada (autor/escritor) devido a circunstâncias variadas. Dessa maneira, a possibilidade de expressão individual se fecha à maioria, desconhecedora de sua própria capacidade criativa. A facilidade de reprodução reprográfica das revistas alternativas, como os fanzines, e atualmente, de maneira “virtual” pela Internet, subverte tal premissa, ainda que o fato seja justamente pouco divulgado de forma “oficial” pelas mídias. Com a criação de um fanzine, cada pessoa se torna autora (ou co-autora) e pode quebrar limites desenvolvendo temas pessoais com formatos os mais variados (também no meio virtual da web), expressando seus ideários e gostos particulares. O ser humano tem, assim, em suas mãos, um poder de deflagrar imagens e/ou textos, de pesquisar livremente e dispor como quiser suas informações obtidas, elaborando sua própria edição, fora do circuito “oficial” da editoração social. No fanzinato, ele ainda melhora e amplia seu relacionar com o próximo, visto que o fanzine não visa lucro, mas sim a troca e disseminação de ideias pessoais, autorais, sendo um objeto paratópico prenhe de informações e/ou imagens, de diversos formatos e temas.
PALAVRAS-CHAVE: FANZINES, IMAGENS,, ESCRITAS

 

TÍTULO: ENTRE BELA E FERA: A TRANSCRIAÇÃO COMO PRODUTO E PRODUTORA DE LEITURAS
AUTOR(ES): GERUZA ZELNYS DE ALMEIDA, FERNANDO GREGÓRIO CATTO
RESUMO:
A comunicação discute a possibilidade de uma leitura efetiva do texto literário a partir da transcriação (na acepção de Haroldo de Campos) interartes como forma de apreensão/captura do(s) sentido(s) por meio da tradução do elemento estético em uma nova linguagem. Parte-se da hipótese de que o ensino da Literatura deve estar aliado ao aprendizado das múltiplas linguagens e, assim, propomos como metodologia de leitura a recriação de textos verbais para outros suportes como a fotografia e o ambiente multimídia. Esse trânsito requer e, por isso, desenvolve múltiplas habilidades, desde a simples fruição, passando pela análise interpretativa, pelas técnicas de roteirização e composição, conhecimentos intersemióticos, compreensão dos diferentes suportes bem como de intertextualidades; tudo isso, enfim, construído de modo natural e, portanto, prazeroso. Essa proposta se fundamenta numa pesquisa teórica e na aplicação prática em sala de aula realizada durante três anos, que resultou em vários produtos de transcriação e textos publicados em revistas acadêmicas. Assim, apresentaremos uma experiência que parte da leitura dos contos de fadas em diferentes versões e os transcria em dois produtos que dialogam entre si: um deles em linguagem fotográfica e, outro, em montagem audiovisual. Nota-se que sobre essas “obras” incide o ponto de vista do transcriador que redimensiona os textos verbais e, desse modo, interfere na produção da significação, uma vez que tal exercício possibilita o surgimento de formas inovadoras, transgressoras e criativas que ampliam a visão da arte e da vida como um todo. O ponto interessante da apresentação é ter como comunicadores o professor que desenvolveu o projeto e um dos alunos que participou ativamente das atividades, ambos comentando suas relevâncias teóricas e aplicativas, materializando assim o objetivo principal dessa proposta: a formação do aluno-autor, leitor competente e consciente, ou seja, ser ativo no processo de construção do conhecimento.
PALAVRAS-CHAVE: TRANSCRIAÇÃO, LITERATURA, EDUCAÇÃO

 

TÍTULO: SANTO FORTE: NOTAS A RESPEITO DA “VOZ”
AUTOR(ES): GIOVANA SCARELI
RESUMO:
Este trabalho é parte dos estudos realizados durante o doutorado defendido em 2009 na Faculdade de Educação da Unicamp. Nesta Comunicação pretendo desenvolver algumas questões a respeito da “voz” no filme Santo Forte, de Eduardo Coutinho. Tomo por “voz” o conceito apresentado por Bill Nichols como sendo a revelação de um ponto de vista social do cineasta e a forma como se manifesta esse ponto de vista na criação do filme Santo Forte. Irei trabalhar com duas categorias nesse filme a “voz de dentro” e a “voz de fora”. Na primeira categoria, destaco as vozes dos personagens e a voz do diretor como integrantes e essenciais para a existência do filme. Na segunda categoria, verifico outras vozes que incidem sobre essa produção e nelas estão os teóricos, os críticos de cinema, os espectadores e o próprio diretor ao dar entrevistas sobre seus filmes. Além desses, há também a voz desta pesquisadora que irá emitir diferentes pontos de vista sobre essa produção. Embora a voz seja um conceito importante dentro dos filmes documentários, há outra questão a considerar, não são apenas as vozes do povo que Coutinho nos mostra, mas também as “imagens” desse povo. Coutinho nos coloca frente a frente das pessoas “comuns”, convidando-nos a participar de suas vidas, ao ouvirmos suas histórias.
PALAVRAS-CHAVE: CINEMA, EDUCAÇÃO, VOZ NO DOCUMENTÁRIO

 

TÍTULO: NOTAS SOBRE UMA EXPERIÊNCIA DE IMPOSSIBILIDADE FOTOGRÁFICA E O FIM DA POLÍTICA
AUTOR(ES): HENRIQUE ZOQUI MARTINS PARRA
RESUMO:
O ensaio explora a relação entre as formas de representação visual de ações de protesto no espaço público e as configurações da política contemporânea. A partir de um conjunto de imagens produzidas pelo próprio pesquisador no contexto de participação e documentação de uma manifestação, produziu-se uma reflexão sobre as imagens que foram “excluídas“ no processo de edição. Ao analisar essas imagens, os sentidos e afetos envolvidos na sua produção, o ensaio explora as relações entre a visualidade e as formas de produção de conhecimentos. Trata-se de um ensaio-poético sobre uma experiência de educação visual, que interroga o próprio processo de pesquisa. Uma certa frustração com as imagens produzidas naquele dia, inspirou analogias entre o processo fotográfico e as configurações contemporâneas do conflito social. Com a câmera, podemos mudar o ponto do vista sobre o “objeto” fotografado, mas dificilmente podemos escapar dos princípios óticos e geométricos que constituem o aparelho fotográfico. Os momentos em que somos capazes de nos apropriar dos diversos elementos que formam o processo fotográfico, para tensioná-los e levá-los para além dos limites previamente estabelecidos é quando conseguimos abrir um novo campo de significações através da linguagem fotográfica. É neste momento que adentramos efetivamente a produção criativa que caminha junto à imaginação.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGEM, POLÍTICA, IMAGINAÇÃO

TÍTULO: LEITURAS E IMAGENS: UM ESTUDO IMAGÉTICO DA PESSOA IDOSA NAS AULAS DE DANÇA DE SALÃO NA UNIVERSIDADE ABERTA À TERCEIRA IDADE.
AUTOR(ES): IRLANA JANE MENAS DA SILVA
RESUMO:
Este estudo faz parte de um projeto da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, localizada no interior da Bahia, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, denominado Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Esta comunicação apresenta resultados obtidos por meio de oficinas de dança de salão durante um semestre de atividades. O objetivo é descrever as múltiplas leituras e aspectos interpretativos das vivências do cotidiano dos sujeitos envolvidos no estudo. Para isso, o primeiro momento se constituiu em conversas sobre as fotografias de álbuns de família que provocaram suas lembranças. No segundo momento, as conversas giraram em torno de fotografias tiradas durante as aulas até o espetáculo intitulado “As fotografias revelam...”. Esse material se configurou como um suporte de leitura a ser analisado à luz dos estudos de Manguel (2001), Freire (2003), Aranha (1996), Sontag (2004). Os resultados apontam que as leituras de imagens constituem ecos educativos que provocam nos idosos um processo de rememoração e reflexão, desafiando-os para o contato simbiótico entre o material fotográfico e a dança de salão, num campo fundante da autonomia leitora e recriação dos saberes sobre si mesmo e sobre o mundo circundante, através de ações dinamizadoras de leitura, que podem construir uma nova forma de pensar a partir das imagens que as fotografias trazem à memória dos sujeitos da terceira idade.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURAS, IMAGENS FOTOGRÁFICAS, TERCEIRA IDADE

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 9
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 08

TÍTULO: A POLÍTICA DO FAN VID: LER A TV, ENCENAR A DENÚNCIA
AUTOR(ES): ISABELLA SANTOS MUNDIM
RESUMO:
Este trabalho visa analisar a prática textual fannish, com ênfase no processo em que as fãs se engajam quando assistem ao seriado de TV e leem/transformam a narrativa veiculada. Tal transformação se dá por meio da produção de um vídeo musical (fan vid). As fãs apropriam-se da tecnologia a seu dispor e extraem cenas do seriado cultuado, (des)arranjando-as no ritmo da música. Esse trabalho de montagem, em conjunto com a melodia e a letra que elas escolhem, resulta num vídeo capaz de oferecer possibilidades alternativas ao cânone televisivo/produzir um comentário acerca do conteúdo veiculado. Nessa perspectiva, aqueles fan vids que promovem uma crítica do sexismo sistêmico – impactante da representação feminina na televisão – nos interessam particularmente. Uma combinação de imagens que desloca a voz dos “autores legítimos”, o indiciar esses autores no que diz respeito àqueles preconceitos que subjazem o texto, a encenação de uma trama que promove a subversão dos elementos da narrativa são nossas preocupações principais e constituem o foco da análise proposta. Para tanto, valemo-nos de três fan vids distintos, criados por espectadoras/fãs diversas e baseados em seriados diferentes. Cada qual a seu modo, esses vídeos pensam o gênero e a sexualidade num contexto de alteridade, minando o discurso tradicional (patriarcal, heteronormativo) e contribuindo para a reconfiguração da mulher na mídia.
PALAVRAS-CHAVE: FAN VID, REPRESENTAÇÃO DE GÊNERO, SEXISMO NA MÍDIA

TÍTULO: A ICONOGRAFIA DA DANÇA MACABRA: UMA POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO HISTÓRICO
AUTOR(ES): JACQUELINE DA SILVA NUNES PEREIRA
RESUMO:
O objetivo dessa comunicação é discorrer acerca da relação das referências por meio das produções escritas que circundam as imagens da Dança Macabra, definida como uma forma de arte dos séculos XIV e XV e que se encontram reproduzidas em diversas obras da iconografia medieval, pois acreditamos que estas fontes são fundamentais para que possamos construir o conhecimento. Para esta análise nos pautaremos na idéia de que a análise das imagens de dança macabra produzidas na Idade Média pode levar à reflexão sobre a relação que, em qualquer momento histórico, existe entre imagem corporal e modo de viver e pensar dos homens. Uma de nossas hipóteses é que essas imagens expressam as manifestações culturais, os medos, angústias e desejos dos homens nesse momento histórico, quando o clima de horror decorrente da difusão da Peste Negra multiplicava imagens trágicas de esqueletos, de danças da morte e de danças macabras. O tema da morte dava vazão a uma crítica social, o que fazia dessas imagens um elemento educativo. Assim, por meio das reflexões deste estudo, pode-se dizer que a relação das imagens com as produções escritas, pode significar uma fonte de estudo para a construção do conhecimento histórico social acerca do homem.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, BAIXA IDADE MÉDIA, IMAGENS

TÍTULO: LENDO IMAGENS E PALAVRAS: SOCIABILIDADES E AFETOS NAS DEDICATÓRIAS DE RETRATOS DO ACERVO JOSÉ BOITEUX (FLORIANÓPOLIS 1890-1930)
AUTOR(ES): JÉSSICA CAMARGO GERALDO
RESUMO:
Neste trabalho se pretende investigar a dinâmica da troca de retratos sob o prisma das relações de gênero. As pistas para este estudo serão dadas a partir da análise de 90 dedicatórias de retratos constantes do Acervo José Boiteux, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina – IHG-Florianópolis/SC. Essas fotografias se enquadram no período que vai do fim do século XIX à terceira década dos novecentos. Vale lembrar que, na época, ser fotografado era acima de tudo sinônimo de distinção. E essa distinção era compartilhada com o círculo de amizades e com os parentes próximos ou distantes. Os portraits, além de guardados nos álbuns de família, eram remetidos às mais diversas pessoas, homens ou mulheres, por motivos também diversos. A análise desse material nos permite inferir que o gênero influenciava essa prática de, pelo menos, duas maneiras. A primeira tem a ver com a forma da escrita feminina, que aparece floreada, com uma escolha peculiar de palavras e a letra desenhada cuidadosamente. A outra destaca as redes por onde esses retratos circulavam, se no âmbito familiar, agrupando a parentela distante; ou como correspondência entre amigas; ou então, tecendo sociabilidades úteis para a vida pública. José Arthur Boiteux (1865-1934), homem de letras catarinense que dá nome ao Acervo, fundou, em Florianópolis nas primeiras décadas do século XX, diversas instituições como a Faculdade de Direito, a Academia Catarinense de Letras e o já citado IHG-SC. Afeiçoado às artes do guardar, Boiteux legou farto acervo de escritas ordinárias (cartas, bilhetes, dedicatórias...). Esta comunicação é um desdobramento do Projeto de Pesquisa “Territórios de muitas escritas. Os arquivos pessoais dos irmãos Boiteux / Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina / Séculos XIX e XX”, onde a autora é bolsista PIBIC, sob a orientação da Professora Maria Teresa Santos Cunha.
PALAVRAS-CHAVE: DEDICATÓRIAS, HISTÓRIA DA CULTURA ESCRITA, JOSÉ BOITEUX

 

TÍTULO: IMAGENS ON-LINE
AUTOR(ES): JOANA DARC MARIANO MANTELLATO
RESUMO:
IMAGENS ON-LINE Como os jovens disponibilizam atualmente suas fotografias em sites de relacionamento na internet? Quais usos fazem, quais equipamentos utilizam, o que estão aprendendo e fazendo com seus celulares e máquinas fotográficas digitais? Como manipulam essas imagens digitais e criam novos discursos a partir do material que produzem? Que formas de comunicação estão criando, como são suas legendas e suas escritas, quais discursos estão formando e transformando? O que fotografam, o que é importante, como estão educando e criando sua forma própria de ver e registrar seu mundo? Como aprendem a utilizar todas as ferramentas envolvidas no processo e o que a educação tem a aprender com essa forma de comunicar-se, mostrar-se, enriquecer-se? O quanto dessa capacidade de comunicação jovem, dessa habilidade de ver e mostrar o mundo ainda é subutilizada, até mesmo desprezada, pela educação formal? O objetivo desse trabalho é realizar uma reflexão sobre as atuais formas de comunicação jovem, principalmente as relacionadas com a utilização do site de relacionamento “orkut” e as imagens que nele são inseridas e disponibilizadas para todos que nele estão inscritos. Pretende fazer uma reflexão a respeito da cultura jovem atual e como ela afeta e transforma o processo educacional e como a educação formal pode e deve apropriar-se dos conhecimentos e inventos adquiridos e angariados pela sociedade extra-curricularmente.
PALAVRAS-CHAVE: ORKUT, INTERNET, EDUCAÇÃO

 

TÍTULO: AS IMAGENS QUE SURGEM PELA FORÇA DA ESCRITA: O AUTO DE SUASSUNA – DO MEDIEVO À CRÍTICA SOCIAL
AUTOR(ES): JOÃO EVANGELISTA DO NASCIMENTO NETO
RESUMO:
O presente trabalho discute a aproximação cultural entre a contemporaneidade e o período medieval defendida por Ariano Suassuna. É através dessa visão que o autor paraibano busca a valorização da cultura popular brasileira, formada pela mestiçagem entre a cultura indígena e negra e a assimilação da cultura europeia, mais especificamente a ibérica, na construção da cultura brasileira. O texto de Suassuna contém um ideário de transformação pelo retorno às origens como resgate das tradições nacionais, numa ojeriza às influências estrangeiras que massificam e destroem as peculiaridades regionais. Ao identificar o conflito e o caos na sociedade, o autor aponta a solução, acreditando no pronto restabelecimento do ser humano e na conversão através da ética e da religião, sendo dois elementos muitas vezes tão interligados que fica difícil distinguir um do outro. No Auto da Compadecida, a ética é enfocada pelo autor como meio de moralizar a sociedade taperoense, através da escatologia religiosa. A moral católico-cristã é que precisa reger e impor a ética social e os problemas político-sociais serão solucionados a partir do instante em que o homem retornar à fé “verdadeira” em vida ou perdoado na morte. As personagens do Auto, desse modo, representam as divindades que são caracterizadas de acordo com a concepção dos autos medievais e configuram um aspecto central do discurso da obra: Manuel, a Virgem Maria, o Encourado e seu Demônio apresentam características da tríade escolástica da Idade Média, tanto em sua caracterização física quanto psicológica. Assim, traços culturais do sertão nordestino, revelados através da coexistência de um catolicismo tradicional com o imaginário local, são transpostos para a literatura pelas mãos de Ariano Suassuna e analisados aqui pelos olhares críticos de BENSANÇON (1997), CLASTRES (1990), NOGUERIA (2002) e VASSALO (1993).
PALAVRAS-CHAVE: MEDIEVO, RELIGIÃO, LITERATURA

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 10
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 08

TÍTULO: MARGINAL, FANZINE E BLOG: UM ESTUDO VISUAL
AUTOR(ES): JORGE LUÍS PINTO RODRIGUES, KARLA OLDANE F. LEAL
RESUMO:
Em sua época áurea, nos anos 1970,a imprensa alternativa deu à luz a cerca de 150 periódicos alguns de vida curta, outros que resistiram um tempo maior acompanhando os anos de ditadura ferrenha que o país sofria e fazendo forte oposição ao regime militar. Essa imprensa independente – como também é chamada – e culturalmente efervescente propôs novos pensamentos estéticos e editoriais com temáticas muito diversificadas, em contraste com a complacência da grande imprensa, ultrapassando o ideal e indo para um campo em que as idéias e a criatividade norteadas pelo espírito idealista se misturavam num espaço plural. É explícita a importância de uma imprensa alternativa que pensa de forma independente e que não aceita interiorizar as informações sem contestar, numa opinião que gera informação. É uma lógica de pensamento e estrutura conceitual diferente dos grandes veículos de comunicação, onde é fácil perceber que as notícias são sempre muito parecidas em todos os noticiários, modifica-se apenas um ponto ou uma vírgula. O sociólogo Pierre Bourdieu dizia que os redatores passam mais tempo lendo os jornais adversários do que buscando novos fatos. Com algumas exceções, mas geralmente é isso que propicia de forma negativa a mudança de conceitos no jornalismo. Ao longo do século XX, o progressivo enraizamento dos periódicos na vida nacional acabaria por criar a necessidade de atender públicos cada vez mais diversificados. O interesse pela música sempre permeou as publicações da imprensa alternativa, do Pasquim à Rolling Stone. É objetivo deste trabalho estudar as relações histórico culturais da imprensa alternativa, especificamente dos periódicos relacionados a cultura e música, e os desdobramentos, desaparecimentos e ou transformações acarretados pela intenet em muitos veículos de informação impressa. Observando se estas transformações descaracterizaram sua essência contestadora e marginal preservando a autonomia ideológica que deve prevalecer sobre a verdadeira imprensa alternativa.
PALAVRAS-CHAVE: IMPRENSA, FANZINE, CULTURA

 

TÍTULO: ESPANTALHOS: UMA METÁFORA DOS SUJEITOS
AUTOR(ES): JOSÉ CARLOS DE FREITAS
RESUMO:
O texto reflete sobre a imagem do espantalho presente em poemas de Mario Quintana, buscando relacioná-la à condição residual dos sujeitos no contexto do mercado atual. O espantalho, objeto do mundo infantil, como outras imagens lúdicas, responde por um lugar sígnico poderoso por se tratar de ruína, precariedade, abandono e obsolescência. O texto procura situar o sentido de espantalho distinguindo-o do de fantoche e do palhaço, outra grande ocorrência existencial em seus poemas. A poética de Quintana se mostra muito forte no que toca ao papel de contraponto que a arte historicamente assumiu em face dos programas que fabricam as algemas do homem. Nesse sentido, a imagem do espantalho pode ser acessada como uma metáfora da condição humana, consistindo este texto em uma de suas possíveis leituras. Com base em autores críticos do projeto moderno como Theodor Adorno, Zigmunt Bauman e Octavio Paz, a leitura de Quintana é direcionada para verificar a presença de uma voz maior que brota da profusão de suas imagens lúdicas: sua ferrenha oposição a um mundo reificado, que transforma homens em sujeitos vencidos e residuais. Traça ainda um paralelo com a pintura de Cândido Portinari que, a exemplo de Quintana, pontuou o espantalho como temática de sua arte, altamente marcada pelo lúdico infantil.
PALAVRAS-CHAVE: MARIO QUINTANA, SUJEITO, MERCADO

 

TÍTULO: AS NARRATIVAS DOS VIAJANTES E A PRODUÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS
AUTOR(ES): JOSÉ VICENTE DE SOUZA AGUIAR
RESUMO:
Este trabalho visa produzir um entendimento a respeito da forma como os povos indígenas foram inseridos na História principalmente pelas narrativas de dois viajantes estrangeiros LA CONDAMINE. Viagem pelo Amazonas. 1735-1745 e WALLACE, Viagens pelos rios Amazonas e Negro 1865-1866. Em suas narrativas, os povos indígenas foram caracterizados como aqueles que possuíam qualidades relacionadas à apatia, à tristeza, à indolência, à preguiça, à selvageria, ou então passaram a serem vistos como puros, ingênuos, atrasados, inaptos ao trabalho. La Condamine e Wallace estiveram na região Amazônica entre os séculos XVIII e XIX, produzindo ou reproduzindo as imagens sobre os povos indígenas com os quais tiveram contato ao longo das suas passagens pela região. É importante destacar que as produções posteriores a esses séculos fazem menção aos trabalhos descritos. Isso é um indicador de que os trabalhos pretéritos exerceram uma relação de influência nos estudos que foram elaborados posteriormente sobre a Amazônia e pelos pesquisadores da região. As menções não ocorreram na perspectiva da descontinuidade, do rompimento, do confronto, mas na da continuidade, da reafirmação dos discursos sobre os povos indígenas. Daí a idéia da relação de continuidade entre os discursos dos viajantes e de parte da produção acadêmica realizada no século XX. A linguagem, com seu poder de expressão e de definição, proferida a partir do espaço institucional, atuou na criação e recriação das imagens sobre os povos indígenas, o que possivelmente não deixou de existir na atualidade. Supostamente, fragmentos dessas imagens estereotipadas permanecem agindo ou norteando os olhares sobre os povos indígenas, visto que as falas sobre eles frequentemente estão relacionadas à idéia de atraso ou os relacionam à natureza.
PALAVRAS-CHAVE: VIAJANTES, AMAZÔNIA, INDÍGENAS

 

TÍTULO: PRODUÇÃO DE IMAGENS E LEITURA DE MUNDO: TRANSVENDO A REALIDADE COTIDIANA
AUTOR(ES): JULIANA MARIA DE SIQUEIRA, ANALICE GOMES DE LIMA DIAS, TÂNIA CRISTINA DA COSTA
RESUMO:
Cotidianamente, a escola gera grande quantidade de dados, sejam registros escritos ou fotográficos. Nem sempre, porém, eles contemplam os aspectos mais significativos do cotidiano escolar, deixando escapar alguns dos elementos essenciais para a compreensão da dinâmica escola-comunidade. Normalmente feitos pelo corpo de educadores, consolidam um olhar técnico, unidirecional e monológico sobre o processo educativo. Sua comunicação raramente adota uma perspectiva histórica, perdendo-se o que foi construído ao longo do tempo. Assim, lamentavelmente, somente uma parte do que é registrado chega a público e, por vezes, numa linguagem inacessível para pais e alunos. Com o objetivo de alargar as possibilidades da produção e do uso da fotografia no ambiente escolar, o Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS, Programa Pedadogia da Imagem) e a EMEI Recanto da Alegria (Projeto Memória, Mídia e Educação Infantil) estabeleceram, em 2008, uma parceria, por meio da qual se propuseram a trabalhar a memória coletiva da escola, na sua interação com a comunidade. Os moradores dos bairros Jardim Nilópolis, São Quirino, Cafezinho, Novo Horizonte e Gênesis (vizinhos à EMEI) foram convidados a participar de uma oficina de fotografia digital e construíram o roteiro dos passeios fotográficos que compunham a parte prática do curso. Mais de mil fotos foram produzidas, 700 delas incorporadas ao acervo do MIS, e 40 ampliadas em papel fotográfico, gerando uma exposição inaugurada na escola em novembro de 2008 e, no MIS, em março de 2009. A partir dessa experiência, os participantes da oficina desenvolveram um novo olhar para sua própria realidade cotidiana – mais atento e sensível, capaz de apontar a crítica social, tanto quanto de reencontrar a beleza e a poesia numa paisagem que expressa a condição de vida dos excluídos.
PALAVRAS-CHAVE: FOTOGRAFIA, EDUCAÇÃO, DIALOGIA

 

TÍTULO: MARUPIARA JABUTI-BUMBÁ: UMA MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA ACRIANA.
AUTOR(ES): KEILIANE CUSTÓDIO DE SOUZA
RESUMO:
A comunicação objetiva apresentar um recorte do projeto de pesquisa O Marupiara Jabuti-Bumbá como manifestação da Cultura Acriana: um exame dos elementos culturais e discursivos apresentado ao Curso de Mestrado em Letras: Linguagem e Identidades que por sua vez objetiva fazer um estudo sistemático da manifestação artística Marupiara Jabuti-Bumbá; em consequência disso se fará o registro histórico e a divulgação. O Marupiara Jabuti-Bumbá é uma manifestação artística contemporânea, criada por uma família acriana e que nasceu de uma necessidade de se criar uma manifestação que falasse das peculiaridades locais atravessadas pela ótica popular. Assim, pretendemos destacar as relações entre ficção/história encontradas nessa manifestação por meio da música Homenagem de Marupiara/À Nossa Senhora da Seringueira e aos padres José e Peregrino a qual está presente na monografia de Farias e Boa Ventura(2008). Trabalharemos a manifestação Marupiara Jabuti-Bumbá como texto tal como propõe Julia Kristeva(1974) e Guilles Deleuze(1995) sobre o alargamento do conceito de texto. Utilizaremos, ainda, como referência, obras dos autores Hutcheon(1991), Riedel(1988), Souza(2002) e Lima(1986), os quais elaboraram estudos sobre narratividade, ficção e história. No tocante aos estudos referentes à ficção/história, destacamos que a narrativa, enquanto gênero, apresenta-se como forma de apreensão e representação da realidade, marcando uma interseção entre os campos: história e teoria literária. Destarte, acreditamos que o presente trabalho favorecerá a discussão acerca das questões de um desenho cultural do contexto acriano, além de abrir caminho para o debate sobre a “criação de uma nova manifestação cultural de uma comunidade”, além de colaborar na preservação do patrimônio cultural do Estado do Acre.
PALAVRAS-CHAVE: MARUPIARA JABUTI-BUMBÁ, CULTURA, ACRE

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 11
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 05

TÍTULO: EDUCAÇÃO, TECNOLOGIA E ARTE: O USO DE HIPERMIDIAS NO ENSINO DE LITERATURA
AUTOR(ES): LINA MARIA BRAGA MENDES
RESUMO:
Refletir sobre Educação na atualidade implica rever conceitos, métodos, abordagem, constituição de disciplinas e estruturas do ensino tradicional. As transformações tecnológicas ocorridas nos últimos anos, advindas da instauração do “império da tecnologia” e da Internet, também atingiram a Educação. Atualmente, além do computador e dos inúmeros softwares para produção e montagem das aulas, o surgimento da linguagem hipermidiática trouxe consigo a possibilidade de criação de conteúdos digitais de qualidade para fins educativos. A Literatura – que com as adaptações para o cinema e a televisão já havia ultrapassado as páginas de papel dos livros – ganha um novo espaço e com ele a possibilidade de ser “navegada”. Esse novo meio de abordagem textual traz consigo um apelo muito forte ao aluno do Ensino Médio: acostumado à leitura de imagens e à estrutura fragmentada através da qual se apropria da informação pelo computador, o jovem ainda tem à disposição a possibilidade de interagir com o texto, definindo os caminhos que deseja trilhar na construção do enredo. Toda essa diversidade oferecida pela linguagem hipermidiática parece estar de acordo com a forma fragmentária e multifacetada através da qual o jovem vê o mundo. Em meio a tantas novas fontes de informação e conteúdo, como o professor que pretende fazer uso de novas tecnologias em sala de aula deve avaliar o material disponível na rede? Como optar pela adaptação sem desprestigiar a leitura do texto? É possível pensar em adaptações de textos literários sem levar em conta a questão da autenticidade e do status de arte da obra original? Esta pesquisa propõe uma reflexão acerca dessas questões a partir do uso, em sala de aula, de adaptações das obras “Auto da Compadecida” e “Vestido de Noiva”, de Ariano Suassuna e Nelson Rodrigues respectivamente.
PALAVRAS-CHAVE: ADAPTAÇÃO LITERÁRIA, NOVAS TECNOLOGIAS E EDUCAÇÃO, HIPERMÍDIA E LITERATURA

 

TÍTULO: O JOGO COMO CRIAÇÃO COLETIVA: LEITURAS E TRAJETOS SOCIOAMBIENTAIS NOS ANOS INICIAIS
AUTOR(ES): LINCOLN TAVARES SILVA
RESUMO:
Este trabalho aborda as possibilidades de articular a produção das linguagens textual e visual à ludicidade e às reflexões e debates da perspectiva socioambiental em turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira – CAp-UERJ. Pretende, ainda, destacar como tal fenômeno se configura na prática curricular para esse segmento. Tratamos aqui da experiência de propor aos estudantes de 3º ano de escolaridade um trabalho pedagógico que articulou ensino e pesquisa em toda a sua concepção e desenvolvimento, culminando com a produção de um jogo de trilhas sobre o conteúdo pesquisado pelos atores – estudantes e professores. Tais ações inserem-se no projeto de trabalho “O bairro de cada um e o de todos nós”, entendendo-se como o bairro de todos nós aquele no qual está localizado o CAp-UERJ: o Rio Comprido. O projeto ora apresentado enfatizou a perspectiva socioambiental, a partir das leituras de diferentes gêneros textuais e, também, de imagens, investigações e reflexões das questões socioambientais locais e os seus efeitos nos bairros selecionados, associando os entendimentos dos estudantes sobre o que pesquisaram às suas representações sobre os bairros investigados e aos trajetos construídos na trilha, possibilitando a criação de outras leituras e de produção textual sobre o percurso realizado pelos estudantes envolvidos de suas casas até o bairro do Rio Comprido e seus contextos. Para a construção de todo esse processo, a parceria entre professores de diferentes campos de saberes, mas que têm em comum o desenvolvimento de ações e pesquisas no campo da Educação Ambiental, foi fundamental para as interfaces que se fizeram indispensáveis à produção do jogo de trilhas socioambientais, destacando-se a perspectiva do lúdico nos modos de pensar e fazer o currículo para os anos iniciais e a produção textual e imagética necessária a essa construção.
PALAVRAS-CHAVE: MEIO AMBIENTE, LEITURAS, PRODUÇÃO TEXTUAL

 

TÍTULO: A LÍNGUA DE SANTO NA ESCRITA AMADIANA: CRIAÇÃO DE IMAGENS AFRO-LITÚRGICAS COMO INSTRUMENTO DE RESISTÊNCIA CULTURAL EM TENDA DOS MILAGRES
AUTOR(ES): LISE MARY ARRUDA DOURADO
RESUMO:
Tenda dos Milagres, obra ficcional da autoria de Jorge Amado (1969), diferiu-se dos demais romances nacionais por ter representado, na Literatura Brasileira, provavelmente em caráter inaugural, a união – outrora vista como ilegítima – da fala popular em língua portuguesa com os falares africanos, especialmente a linguagem religiosa dos candomblés, a língua de santo (doravante LS). Na comunicação, pretende-se verificar como o léxico da LS cumpre o papel de criar imagens do universo litúrgico candomblecista na 1ª edição de Tenda dos Milagres com o fim de despertar no leitor o respeito à diversidade religiosa, bem como promover a resistência cultural afro-brasileira. Para tanto, apresentam-se resultados parciais da pesquisa bibliográfica em desenvolvimento, que tem seu corpus composto por duzentas e quatro lexias de LS, organizadas em glosas e classificadas em nove campos lexicais referentes ao universo litúrgico candomblecista: santos; saudações; insígnias; instrumentos; cargos hierárquicos; vestuário; culinária; etnobotânica e dança. Utilizaram-se como fundamentação teórica neste trabalho: o conceito de LS e outras noções etnolinguísticas afro-brasileiras apresentados por Castro (2005[2001]); a teoria de Hallig e Wartburg (1963), idealizadores do Sistema Racional de Conceitos; as discussões em torno da obra amadiana por Olivieri-Godet (2004) e Raillard (1990); bem como as contribuições socioculturais e litúrgicas afro-brasileiras trazidas por Lody (2003a, 1998b, 1995c), entre outros.
PALAVRAS-CHAVE: LÍNGUA DE SANTO, TENDA DOS MILAGRES, RESISTÊNCIA CULTURAL

 

TÍTULO: WALY SALOMÃO: A FABRICAÇÃO DA POESIA
AUTOR(ES): LIZ MARIA TELES DE SA ALMEIDA
RESUMO:
Este Trabalho Trata Do Proceso De Construção Poética Do Compositor E Poeta Baiano Waly Salomão (1944-2003). Waly, Secretário Nacional De Leitura (2003, Gestão Do Ministro Gilberto Gil) Foi Poeta Que Acreditava Na Leitura Como Forma De Libertação, “Eu Preciso Ler, Ler, Ler, Nisto Eu Cumpro Os Versos De Castro Alves Que Diz: ‘Livros, Livros À Mancheia’. Acreditava Que O Livro Poderia Ser Como A Carta De Alforria E A Arte A Possibilidade De Salvar A Humanidade, E Portanto, Constrói Seus Versos Operando Insistentemente Com A Metalinguagem (Função Da Linguagem Cunhada Por Roman Jakobson, 1971a), Ora Para Discutir A Situação Do Poeta De Seu Tempo, Ora Para Reclamar Um Leitor Mais Participativo, Crítico E Engajado, Também Para Refletir O Seu Fazer Poético. O Objetivo Desta Comunição É Refletir Em Que Medida A Metapoesia De Waly Se Caracteriza, Assim Como Situá-Lo Como Poeta Pós-Moderno Por Produzir Historicamente Em Tempos Pós-Modernos E Ter Em Seus Textos Características Deste Momento, Tais Como: Incompreensibilidade, Deciframento, Amalgamento Intertextual, Auto-Referenciação Etc. A Poesia De Waly Na Medida Em Que É Metalinguistica E Intertextual Por Excelência, Exercita A Racionalidade, Por Outro Lado Também Não Abre Mão Do Delírio, Da Viagem, Do Desbunde Neste Sentido É Que A “Fabricação De Sua Poesia” Difere Da De Outrso Poetas Como Carlos Drummond De Andrade Ou João Cabral De Melo Neto. PALAVRAS-CHAVE: POESIA, METALINGUAGEM, PÓS-MODERNIDADE

 

TÍTULO: A DIVERSIDADE EM CARTAZ
AUTOR(ES): LUCIANA PEREIRA LAUREANO
RESUMO:
Este texto pretende discutir a utilização do cinema como simples ferramenta de ensino e propõe concepções que podem orientar práticas pedagógicas que promovam a exibição do filme como instrumento de formação intelectual no espaço da aprendizagem escolar. Questiona que, se o filme é um objeto de conhecimento em si mesmo, deve ser analisado como prática social definida, bem como seus aspectos constitutivos e seus sentidos para o sujeito-espectador; pois, do ponto de vista antropológico, o objeto que se observa depende do lugar em/de que foi visto e do que foi visto ao mesmo tempo. As concepções que guiam esse texto entendem o cinema, não como um objeto de fruição e lazer , mas como objeto através do qual a história narrada, numa perspectiva imagem-movimento, traz à tona questões importantes na compreensão da produção cinematográfica enquanto arte e da pessoa enquanto público, sujeito-espectador. Suscitar o interesse pela discussão e análise minuciosa do material áudio-visual utilizado no espaço escolar em uma conjuntura que favorece a inserção de mídias no cotidiano escolar como prática social definida foi um dos objetivos específicos do curso intitulado “A diversidade vai ao cinema”, que integrou a agenda do I Seminário de Culturas Afro-brasileiras e indígenas da Rede Municipal de Educação de Niterói-RJ.
PALAVRAS-CHAVE: CINEMA, ESPAÇO ESCOLAR, ANTROPOLOGIA

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 12
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 06

TÍTULO: VIAJANTES
AUTOR(ES): LUDMILA ALEXANDRA DOS SANTOS SARRAIPA
RESUMO:
Um convite ao pensar. Qualquer tipo de pensar. Que movimentos e encantamentos a investigação pode proporcionar a essa área, território de ires e vires? Na Escola do Sítio o ensinamento Geográfico, de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, propõe parcerias e dispõe de elementos sobre autoria e elaborações, regados pelas particularidades dos próprios alunos. São formas rizomáticas que se intercedem, aliando os saberes na cumplicidade de escolhas e posicionamentos. Como inspirar pensares? Como trazer à tona a crueza das discussões? Desejamos que o aluno saia da confortável posição de receptáculo de conhecimento e construa seus próprios caminhos, viajando em si. Nesse projeto há uma ênfase na organização do conhecimento que envolve o tempo, espaço e sociedade que se movimentam para além das definições em si. É um problema anterior à conceitualização e nos obriga a pensar sempre em processo, em movimento, em algo que está constantemente se refazendo. Os livros de literatura apresentam o conhecimento não fragmentado e nos chamam a todo instante para aproveitar essa deixa sutil. Uma história lida é uma história vivida. E a vivência aproxima o entendimento ou o permite de maneiras surpreendentes. Experenciar personagens, revolucionar processos, conhecer a si próprio. Com esse espírito iniciamos nossa viagem no 7º ano do Ensino Fundamental, com Severino, de “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto. Obra que sintetiza o sentimento daqueles que se retiram, que fogem da vida que se escapa, do pão que não se tem. No 8º e 9° ano continuamos a nossa saga e mergulhamos “Na Natureza Selvagem” e “No Ar Rarefeito” de Jon Krakauer, orientados por uma crítica à sociedade de consumo. O sentido da liberdade que é retratada no fascínio das pessoas que rompem com a brutalidade, traz questionamentos. Quais escolhas direcionam os destinos? Quais responsabilidades estão implícitas nessas escolhas?
PALAVRAS-CHAVE: MOVIMENTO, LITERATURA, AUTORIA

 

TÍTULO: EXPLORANDO A POTENCIALIDADE DAS RELAÇÕES IMAGEM-TEXTO EM TEXTOS DIDÁTICOS: UM EXERCÍCIO DE RESSIGNIFICAÇÃO
AUTOR(ES): LUIZ FERNADNO GOMES
RESUMO:
É comum nos depararmos com textos ilustrados nos quais as imagens, muitas vezes, não passam de enfeite. Combinar palavras e imagens pode parecer um tanto óbvio e simples, mas, na verdade, essas duas linguagens (verbal e pictórica ou visual) além de serem polissêmicas por si sós, quando combinadas num mesmo espaço de escrita, geram sentidos, muitas vezes, não esperados. Este trabalho apresenta um breve estudo sobre as relações entre imagem e texto verbal, através de um exercício de reescrita de uma parte de um material didático elaborado para uma aula de Educação a Distância. O processo de reescrita consistiu em acrescentar imagens ao texto verbal, explorando as possibilidades significativas desses dois modos de expressão. O referencial teórico vem de uma revisão das relações imagem e texto (ancoragem, ilustração e relay) propostas por Barthes (1977), do conceito de multimodalidade apresentando por Kress e Van Leeuwen (1996, 2003 e 2005) e da taxionomia das relações de status e lógico-semânticas proposta por Martinec & Salway (2005). O exercício de reescrita é comentado passo a passo, com o objetivo de refletir sobre os limites de expressão de cada modo e suas “vocações.” Ao final do exercício, foi possível verificar que houve uma ressignificação, ou seja, mudança de significados no texto multimodal resultante e que, como apontam as teorias estudadas, palavras e imagens possuem “affordances” específicas. Ao final, são feitas algumas considerações sobre a importância de se conhecer melhor as implicações das relações imagem-texto e sobre a necessidade do ensino da escrita multimodal nas escolas.
PALAVRAS-CHAVE: MULTIMODALIDADE, IMAGEM-TEXTO, PRODUÇÃO ESCRITA

 

TÍTULO: LEITURA DOS ELEMENTOS VISUAIS DA CULTURA LOCAL COMO CONTRIBUIÇÃO PARA INTERPRETAR O MUNDO: CONTRIBUIÇÃO DO PROFESSOR DE ARTES NA ESCOLA.
AUTOR(ES): MAIRA VIRGINIA XAVIER CRUZ, TANIA REGINA ANTUNES DE OLIVEIRA
RESUMO:
Este trabalho focaliza a leitura de imagens no contexto das práticas de professores de arte na escola; resulta da articulação entre duas pesquisas de mestrado em andamento. A arte, recentemente incluída por lei nos currículos escolares, entendida como capaz de trabalhar, a partir da leitura de imagens do ambiente, contexto e cotidiano escolar, a identidade cultural dos cidadãos e comunidades, caracteriza vertente relevante em tempos de transformações sociais e globalização, que homogenizam as culturas, minimizando suas características. O ensino da arte propicia reflexão, questionamentos, tomada de consciência do lugar do sujeito no seu contexto. Por ser produto da fantasia e da imaginação, envolvendo e acolhendo racionalidade e sensibilidade, as produções artísticas são, ao mesmo tempo, singulares e ancoradas em concepções e práticas sócio-históricas. Ao contrário do que o senso comum escolar veicula, elas não estão isoladas da economia, da política ou dos padrões sociais. Ideias, emoções, linguagens se transformam no decurso do tempo e assumem formas diferentes de lugar para lugar. É no movimento dialógico entre o que ensinar e o como aprender que podemos compreender o aprendizado da arte como forma de ampliar repertórios de alunos e professores, a partir das experiências artísticas, estéticas e culturais, individuais e coletivas. Resultando o fortalecimento da capacidade reflexiva, crítica e de resistência cultural, diante das ofensivas midíaticas ou mercadológicas que invadem todos os espaços sociais via tecnologias globalizadas. A arte na escola favorece construir sentidos pessoais e coletivos sobre as leituras, praxis e sobre si. Favorece fazer escolhas, conceituais e metodológicos, voltadas para a construção da autonomia cidadã: alicerces para a interpretação do mundo.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DE IMAGENS, CULTURA, IDENTIDADE

 

TÍTULO: A ARTE DA LITERATURA E DA MÚSICA
AUTOR(ES): MARIA CRISTINA AMOROSO LIMA LEITE DE BARROS
RESUMO:
Trata-se de uma apresentação de um documentário de 20 minutos elaborado por Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros e Renato Kerr sobre o trabalho desenvolvido em parceria entre a Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural e Galeria de Arte da UNICAMP. O Projeto UNICAMP dia-a-dia: ciência e arte para o desenvolvimento cultural foi aprovado pelo Programa de Museus do Estado de São Paulo, em julho de 2006 com apoio da FAPESP e Fundação VITAE.O principal objetivo do Projeto é difundir a produção cultural da UNICAMP e da comunidade de Campinas para estudantes de primeiro e segundos graus e população participante dos subprojetos. O trabalho foi estruturado tendo como pano de fundo a experiência vivenciada na Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural(CDC), no período de 2006 a 2009. Realizamos um total de dez subprojetos dentre eles dezoito exposições de arte abordando técnicas diversas, seis Oficinas Contando Contos, três oficinas de Contos e Cantos, uma Oficina Música e Artes na Escola, uma Oficina Acústica e Música na Escola. A proposta foi a de sensibilizar os participantes dos subprojetos da CDC por meio de oficinas culturais e/ou exposições de arte, que integram ciência às artes, tendo como objetivo ampliar o olhar do espectador e participantes para uma nova participação sócio – cultural na sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, ARTES, MÚSICA

TÍTULO: O VIDEOCLIPE E A EDUCAÇÃO: IDENTIDADES FRAGMENTADAS NO CONTEMPORÂNEO
AUTOR(ES): MARIA JOANA BRITO DA SILVA MONTES
RESUMO:
A presente pesquisa desenvolve uma leitura crítico-conceitual do videoclipe brasileiro A minha alma - a paz que eu não quero (1999), do grupo musical O Rappa. A partir de aspectos educacionais, socioculturais, políticos e tecnológicos, objetiva-se uma pesquisa multidisciplinar. O método a ser utilizado é o indutivo-dedutivo sob parâmetros descritivos e reflexivos do objeto, cuja narrativa problematiza a constituição do sujeito social e sua formação no contemporâneo, ressaltando referências do videoclipe com a mídia, a escola e a leitura. O videoclipe estimula uma leitura sincrética a partir do verbal, visual e sonoro. Tal discurso é uma narrativa e, embora seja ficção, conta a história não apenas de um sujeito, mas de uma sociedade. Cada pessoa torna-se um fragmento de história, em busca de objetos de valor com conquistas e perdas. Registra-se que o videoclipe contribui, efetivamente, com o processo de ensino-aprendizagem na sala de aula, ao estimular a reflexão e a leitura, sobretudo no ensino médio. Portanto, no videoclipe, há três categorias discursivas indicadas como objetos de leitura: imagem, experiência e subjetividade. A imagem é a forma com que foi trabalhado, já a experiência e a subjetividade estão relacionadas ao conteúdo do mesmo. Ao descrever o videoclipe faz-se necessário compreender sua dinâmica enquanto cultura digital, contextualizando a partir de estudos contemporâneos numa abordagem teórico-metodológica. Para isso, destacam-se os estudos contemporâneos em Hans Ulrich Gumbrecht (1998), Jurandir Freire Costa (2004), Stuart Hall (2003/2006), Néstor García Canclini (2008) e Humberto Maturana (2001), entre outros. Trata-se de um contexto complexo com riqueza de linguagens, as quais podem ser observadas na gestualidade, na vestimenta dos envolvidos, na musicalidade e na estrutura da fala.
PALAVRAS-CHAVE: VIDEOCLIPE, ESCOLA CONTEMPORÂNEA, LEITURA

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 13
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 06

TÍTULO: RETRATO : A REPRESENTAÇÃO DA INCOMPLETUDE
AUTOR(ES): MARIA LUIZA CALIM DE CARVALHO COSTA
RESUMO:
O retrato, assim como o auto-retrato, na sua tradição pictórica construiu um tipo de discurso próprio, sobre o outro e si mesmo. As tecnologias contemporâneas ofereceram outros caminhos de representação que rompem com a tradição, ao mesmo tempo em que dialogam com ela. Retratos e auto-retratos de artistas contemporâneos são analisados a partir da perspectiva do leitor imerso em seu universo cultural. Iser aborda a interação diática texto-leitor que requer do leitor atividades imaginativas e perceptivas gerando o efeito estético. Atividades imaginativas, não quer dizer que cada leitor possa tirar a conclusão que desejar, pois, segundo Iser, a organização de referências, a estrutura do texto, enquanto instrução, orienta a leitura. Jauss destaca que reconstituir o horizonte de expectativa do leitor, ou seja, a leitura dominante da época da produção da obra, orienta o leitor no atual processo de leitura.O horizonte de expectativa é coordenado por normas estéticas como: o conhecimento, por parte do leitor, a respeito do gênero a que pertence a obra, o repertório herdado de leituras anteriores e a distinção vigente entre linguagem poética e linguagem prática. As intertextualidades nos textos estéticos são a marca da contemporaneidade gerando um formato de hipertexto, cujo percurso depende das conexões que o leitor vai traçar. Se “os retratos são mentirosos”, conforme Ângela Dutra Menezes em O Avesso do Retrato, são, então, discursos construídos em um tempo e espaço. Não é a realidade ali representada, mas sim uma “transvisão” dela. No palimpsexto de representações, Manoel de Barros, em Retrato de Artista enquanto Coisa propõe o discurso poético como possibilidade de representação da incompletude humana.
PALAVRAS-CHAVE: TEXTO E IMAGEM, INTERTEXTUALIDADE, ARTE CONTEMPORANEA

TÍTULO: NA MULTIPLICIDADE DE OLHARES, A COMPREENSÃO DO MUNDO E SEU SISTEMA DE SIGNOS VERBAIS E IMAGÉTICOS
AUTOR(ES): MARIA TEREZA RIBEIRO RIOS
RESUMO:
O Presente Trabalho Tem Como Objetivo Apresentar Algumas Manifestações Criativas Da Linguagem, Dentro Da Concepção Bakhtiniana, De Crianças Que Participaram De Minha Pesquisa De Mestrado. Pretende, Ainda, Na Confuência Entre Imagens De Arte E Imagens Gráficas, Na Produção Escrita, A Partir De Imagens (De Quadros Da Pintura) E Imagens (Do Código Linguístico - Textos Escritos), Mostrar As Possibilidades Dialógicas, Quando Se Permite A Vazão Dos Múltiplos Olhares Que Veem Os Fenômenos: Signo, Linguagem, Ideia - Focalizados Do Campo De Visão Interna E Externa - Olhar Extraposto - Sem O Que É Impossível Falar Em Dialogismo - Fundamento Do Sistema Teórico Bakhtiniano. Trata-Se De Um Recorte Da Dissertação De Mestrado, Visto Sob Ângulos De Visão Múltipla Que, Necessariamente, Inclui A Leitura, A Partir De Uma Perspectiva De Olhares Diversos, Tendo Em Vista A Subjetividade Dos Sujeitos De Pesquisa. A Palavra, Segundo Nos Diz Bakhtin, É Uma Espécie De Ponte Lançada Entre Mim E O Interlocutor. Se Ela Se Apoia Sobre Mim, Em Uma Extremidade, Na Outra, Apoia-Se Sobre Meus Interlocutores. Vygotsky (2001) Considera A Linguagem Como Um Dos Instrumentos Básicos Inventados Pelo Homem, Cujas Funções Fundamentais São A De Intercâmbio Social - É Para Se Comunicar Que O Homem Cria E Utiliza Sistemas De Linguagem. Como Vygotsky, Bakhtin (1992) Destaca A Centralidade Da Linguagem Na Vida Do Homem. Segundo Ele, A Palavra É Material Da Linguagem Interior E Da Consciência, Além De Ser Elemento Privilegiado Da Comunicação Na Vida Cotidiana, Que Acompanha Toda A Criação Ideológica.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGENS, CRIATIVAS, LINGUAGEM

 

TÍTULO: DA LITERATURA AO TEATRO: LEITURA E CRIAÇÃO NO ESPAÇO ESCOLAR
AUTOR(ES): MARINA COELHO PEREIRA, KAREN CERDEIRA BECK, TATIANA FREIRE DE MOURA
RESUMO:
Este trabalho é resultado de um projeto pedagógico de Feira Literária com turmas do Primeiro Segmento do Ensino Fundamental, em uma escola municipal de Niterói (RJ), a Escola Municipal Helena Antipoff. Objetivando estimular o gosto pela leitura e escrita, possibilitamos aos nossos alunos o conhecimento de diferentes autores da literatura nacional. Um grupo de alunos escolheu trabalhar com o autor do “Sítio do Picapau Amarelo”, devido ao interesse pela adaptação desta obra para a televisão. A partir daí foram trabalhadas múltiplas linguagens. Utilizamos a linguagem audiovisual com a apresentação das produções atuais e antigas do Sítio; os alunos manusearam os livros da coleção de histórias da obra citada; foram realizadas pesquisas na internet sobre a vida do autor e suas outras criações literárias. Nesse contexto, houve a apropriação de diferentes gêneros e tipos textuais, tais como biografia, descrição, narração, peça teatral/dramatização, receita, imagens e fotos, notícias. Destaca-se o desejo do grupo em transformar o texto literário em teatro. Assim, enfocamos nossas atvidades na (re)construção do “Sítio” de Monteiro Lobato. Percebemos que a experiência teatral pode ser um importante ato de diferir (n)a prática da leitura e da interpretação no processo ensino-aprendizagem. Então, neste trabalho, socializamos a realização de nossas atividades, que visam à formação de um aluno leitor-criador e criativo.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGENS, LITERATURA, PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

 

TÍTULO: ULISSES - A ODISSÉIA DE UM CORPO
AUTOR(ES): MÁRIO MENDES CAVALCANTE
RESUMO:
Apresento nesse trabalho algumas imagens do ensaio fotográfico produzido para minha monografia de conclusão de curso de graduação em Artes Visuais. Investigando a temática do corpo na arte contemporânea, seus usos e manipulações, discuto a relação entre imagem e texto, a partir de uma leitura da personagem Ulisses, de A Odisséia de Homero. Para a produção das imagens fotográficas estabeleci um diálogo com a tradição da história da arte, apropriando-me de todo um repertório visual, formal e estético presentes em obras de artistas como Caravaggio, Rubens, entre outros. Nesse ensaio, o corpo como objeto poético, muito mais do que dialogar, propõe novas maneiras de visualização e poetização com a literatura e a arte contemporânea. Encontro na arte contemporânea uma gama enorme de suportes onde o corpo se insere e é apropriado e, por conseguinte, manipulado, atuando e intervindo como protagonista em uma profusão de possibilidades e usos poéticos. E, nessas transformações semânticas e poéticas, pelas quais o corpo atravessa na contemporaneidade artística, encontro na fotografia uma poderosa ferramenta para essas experimentações. Por outro lado, nessas operações entre Ulisses, meu corpo, história da arte, arte contemporânea e fotografia, surgiram outros sentidos: a operação acabou por resvalar na noção de auto-retrato. Com isso, o objeto poético corpo ampliou-se, ressignificou-se: o corpo-território, corpo-memória, corpo-fronteira, corpo-mar, corpo-mundo. Um corpo poético.
PALAVRAS-CHAVE: CORPO, ARTE CONTEMPORÂNEA, ULISSES

 

TÍTULO: EDUCAÇÃO E ICONOGRAFIA: A NAVE DOS LOUCOS DE HIERONYMUS BOSCH
AUTOR(ES): MEIRE APARECIDA LÓDE NUNES
RESUMO:
Neste estudo refletiremos acerca da educação medieval por meio da análise de imagens. Entendendo a educação enquanto um processo que visa a preparação do homem para viver em sociedade, assim, requisitando uma educação dos instintos humanos ou controle das emoções, efetivamos nossas reflexões de acordo com a fundamentação da leitura de Elias acerca do processo civilizador em consonância com a leitura de Hegel no que se refere à finalidade da arte. Acreditamos na pertinência do estudo pelos apontamentos dos autores, pois as leituras de Elias (1897 – 1990) possibilitam a compreensão de que o processo civilizador pressupõe uma mudança na conduta dos sentimentos humanos; Hegel traz a arte como portadora da capacidade de fazer com que o homem experimente sentimentos e emoções sem que esses sejam vivenciados na realidade, fazendo com que o homem possa controlar seus desejos. Diante dessas argumentações evidencia-se que a educação, relacionada ao processo civilizador, pode ser pensada por meio de obras de arte, assim, concretizamos nossa proposta por meio da análise iconográfica da obra Nave dos Loucos de Hieronymus Bosch (1450 – 1516). A obra de Bosch leva-nos a entender que o homem do final da Idade Média tinha, ainda, uma conduta influenciada pelo caráter moralizador dos pecados, contudo, os atos pecaminosos estavam presentes em vários segmentos sociais. Assim, sua representação pode ser entendida como uma forma de refletir o contexto social, podendo direcionar o homem desse período a um estado de civilidade, já que para Elias o processo civilizador é constante.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, ICONOGRAFIA, BOSCH

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 14
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: ESCRITA E PODER NO SATYRICON DE PETRÔNIO E FELLINI.
AUTOR(ES): NEEMIAS OLIVEIRA DA SILVA
RESUMO:
Este trabalho tem como objetivo analisar as relações de poder que envolvem o mundo da escrita, da Antiguidade Clássica ao mundo Contemporâneo. A ponte para compreendermos dois mundos tão distintos é realizada por meio da leitura da obra fílmica Satyricon do cineasta italiano Federico Fellini, tomando como base a obra literária de Petrônio, escrita no século I d.C. Nessa perspectiva, tanto o escritor quanto o cineasta refletem as condições sociais, políticas, econômicas e culturais de sua época. A arte trabalha com a representação da realidade por meio do imaginário. Assim, no jogo de intersecções entre o Cinema e a História, tanto Petrônio quanto Fellini apropriam-se do real para assim reconstrui-los conforme suas próprias experiências e significações. Dessa forma, as representações dos indivíduos devem ser compreendidas em seu próprio tempo e espaço. O texto literário e a produção cinematográfica encontram-se inseridos num determinado contexto social, da qual eles enfocam e revelam. Assim sendo, para o desenvolvimento desse estudo de caráter interdisciplinar, a metodologia empregada será a análise do material bibliográfico da obra fílmica e literária. Por meio da análise da obra fílmica Satyricon de Federico Fellini, verificaremos em que medida as palavras são sinônimos de poder e como a indústria cinematográfica faz uso dessa linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, PODER, SATYRICON

 

TÍTULO: SALVADOR DALI: UMA REFLEXÃO DA IMAGEM COMO REFLEXO
AUTOR(ES): PAULA CAMILA MESTI
RESUMO:
Nos dias atuais é visível o aumento de pessoas interessadas nos estudos das imagens. Esta crescente vontade de interpretar melhor as imagens que lhes cercam deve-se à competência comunicativa que as imagens possuem. Desde seu surgimento, as imagens sempre foram usadas para informar, para transmitir ideias e ideais e agradar o espectador. Por estar vinculada ao domínio do simbólico, a imagem serve de mediadora entre o espectador e a realidade. A utilização dos recursos disponibilizados pela história, pela cultura e pela linguagem que os indivíduos usam para produzir aquilo em que se tornam pode ser traduzido como identidade. É pensando na eterna procura do ser humano pela sua própria identidade que esta comunicação pretende fazer uma retomada da história da imagem refletida, ou seja, a imagem no espelho. Partindo dos estudos feitos por Alberto Manguel em seu livro Lendo Imagens (Editora Companhia das Letras, 2001) e valendo-se das contribuições dos estudos semióticos e discursivos, este trabalho irá apresentar a trajetória do homem e a sua íntima relação com a imagem refletida no espelho. Aproveitando-se do título deste evento “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo”, objetiva-se, ainda, apresentar um gesto de interpretação de uma das obras de arte do famoso pintor Salvador Dali intitulada “Dali de costas a pintar Gala de costas, eternizada por seis cornos virtuais, provisoriamente refletidos por seis espelhos verdadeiros”. Nesta análise serão apresentadas observações, reflexões e indagações a respeito da própria obra de arte e da linguagem, cultura e identidade nela imbricadas, bem como a criatividade e a percepção deste autor no momento em que “transviu” o mundo.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGEM, IDENTIDADE, REFLEXÃO

TÍTULO: A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D’ÁGUA E O SUMIÇO DA SANTA: IMAGENS SOBRE A CARNAVALIDADE NA ESCRITA AMADIANA
AUTOR(ES): POLLYANA DE CARVALHO HORMES
RESUMO:
Neste artigo foram analisados os traços de carnavalização em A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água e O Sumiço da Santa, obras de Jorge Amado. Seguindo os pressupostos teóricos de Bakhtin (1987) sobre a carnavalização, como manifestação de desvios e a inversão de costumes e Damatta (1979), ao tratar sobre um tema próprio da carnavalidade: a dialética entre a casa e a rua, veem-se pontos de intersecção entre as duas obras amadianas. Ainda tomando por base os estudos de Bernd (2003) que discute o conceito de dessacralização da literatura, percebe-se que os textos de Amado desmontam os limites entre a vida e a morte, já que, nos textos carnavalizadores, a ideia de morte não remete à melancolia e, sim, à oportunidade de recontar sua história. Quincas festeja sua existência, mesmo depois de morto e Santa Bárbara, ao ganhar vida, personifica Iansã. Nas duas obras, a “profanação” está presente: em A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, o próprio Quincas (paizinho), os quatro amigos Negro Pastinha, Curió, Pé-de-Vento e Cabo Martim, e a cachaça, poderiam configurar, respectivamente, Jesus, os Quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João); e o vinho. Em O Sumiço da Santa, profano é – pelo menos para os etnocêntricos – transpor a imagem de Santa Bárbara, do catolicismo, para a ayabá Iansã, das religiões afro-brasileiras. Assim, o caráter encontrado nas duas obras do autor baiano desfecha-se no Brasil, como o país do carnaval, a mescla fascinante entre o carnavalesco e o carnavalizador, a vida e a morte, o sagrado e profano, o grotesco e o sublime.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA BAIANA, CARNAVALIZAÇÃO, CULTURA

 

TÍTULO: “DE MUITO PROCURAR”: ENCONTRANDO O AMOR NAS ENTRELINHAS DA ESTÉTICA DA RECEPÇÃO E DA LITERATURA
AUTOR(ES): RAQUEL LIMA BESNOSIK
RESUMO:
Este trabalho pretende tecer algumas considerações sobre o amor e sobre o encontro amoroso, através da análise do conto “De muito procurar”, de Marina Colasanti. Para esta análise, utilizaremos fundamentos da Estética da Recepção e da Literatura. Marina Colasanti convida o leitor a mergulhar nas entrelinhas de seu texto, preenchendo lacunas ou hiatos com sua imaginação. Os textos literários ativam processos de realização de sentido e isso produz uma diversidade de vivências e de diferentes formas de leitura sobre um mesmo texto. E, para essa produção de sentido, a participação do leitor é fundamental. Em “De muito procurar”, o encontro amoroso apenas se anuncia, mas não fica tão explícito. Algo fica na sombra, na zona do não dito. É um olhar apenas e o restante fica por conta do leitor. São essas lacunas deixadas pela autora que mobilizam o leitor a formular o que não foi dito. Com esse convite para participar ativamente do processo de leitura, questionamos também: como se processa o encontro amoroso? O amor pode ser despertado com um olhar. E depois? O encontro é possível? Ainda que paradoxal e nem sempre com final feliz, o amor ocupa um lugar especial nos contos de Colasanti. O sentimento amoroso abordado pela autora em seus contos é aquele que considera a união entre um homem e uma mulher como uma aliança e esse encontro de amor oferece possibilidades de mudança para ambos.
PALAVRAS-CHAVE: AMOR, MARINA COLASANTI, ESTÉTICA DA RECEPÇÃO

 

TÍTULO: NARRATIVAS DE UMA CIÊNCIA MÁGICA
AUTOR(ES): RENATO SALGADO DE MELO OLIVEIRA
RESUMO:
A divulgação científica não é presa às páginas de periódicos ou de livros dedicados ao assunto. Principalmente em uma cultura na qual a ciência possui grande espaço e não é restrita a determinados locais como o laboratório, a escola ou a universidade. Em nossa sociedade a ciência está presente em diversas narrativas e em diversos discursos, mesmo naqueles que não passaram por uma ordenação que os legitima enquanto verdade científica. Para explorar uma alternativa de divulgação científica proponho o RPG (Role Playing Game), o qual é um jogo que possibilita a seus participantes a construção de histórias a partir de uma prática narrativa lúdica. Os cenários que servem como orientação para a narrativa são publicados em livros com instruções e regras para o jogo. Dentro dessas narrativas são produzidas representações de diversos elementos de nossa cultura. Assim, coisas como: energia nuclear, universidades e estudos anatômicos são retomados em livros de RPG como fonte de energia mágica, escolas de magia e estudos anatômicos de dragões respectivamente. Um universo onde objetos de nossa ciência e quimeras de nossa imaginação sobre a mágica se misturam para formarem híbridos. Novas criaturas que não deixam de ser completamente aquilo que eram, nem ao menos se tornam completamente aquilo em que estão se transformando. Esses híbridos exigem tanto da criatividade quanto do conhecimento da discursividade científica para fundar uma outra discursividade mágico-científica. Pretendo explorar esses híbridos que se apresentam como potencialidade para pensar a ciência fora dessas caixas-pretas tradicionais com a qual ela costuma se vestir, além da própria prática lúdica do RPG que desconstrói a autoria da narração ao compartilhá-la entre os jogadores. Oferecendo assim novas formas para se contar uma história.
PALAVRAS-CHAVE: DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA, RPG (ROLE PALYING GAME), CIÊNCIAS

 

 

SESSÃO - ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR 15
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação Física - FEF SALA: FEF 07

TÍTULO: PALAVRAS E IMAGENS: LEITURAS POSSÍVEIS
AUTOR(ES): RICARDO ARTUR PEREIRA DE CARVALHO
RESUMO:
Sabendo que a maioria das pessoas se depara com uma diversidade de palavras e imagens, consideramos a importância de se pensar uma formação voltada para a leitura de ambas. Assim, discutimos o conceito de leitura a partir de Kleiman (1989) e Martins (2006) e observamos algumas práticas de análise da imagem e suas relações com a palavra, para propormos uma reflexão sobre uma noção de leitura de imagem. Ao contrário de outras posturas que tendem a hierarquizar as linguagens, notamos que palavra e imagem são linguagens complementares e percebemos que as noções de análise e leitura são frequentemente confundidas, como ocorre nas diferentes visões acerca do que vem a ser Visual Literacy. Verificamos que algumas práticas da leitura de imagens tendem a se ater a análise dos elementos da imagem, o que diminui a noção de leitura a apenas alguns de seus aspectos. A partir do conceito de Martins (2001), e de sua proposta de flexibilização do conceito de leitura, concluímos que a falta de clareza quanto aos conceitos dificulta o ensino e o incentivo da prática de leitura de imagens, se nós quisermos considerar a leitura em sua complexidade, como uma “acontecência”: uma construção plural, dinâmica e provisória de significados.
PALAVRAS-CHAVE: IMAGEM, PALAVRA, LEITURA

 

TÍTULO: SILÊNCIO E VIOLÊNCIA ESCOLAR
AUTOR(ES): ROBERTA LUCIANA CUSTÓDIO BIANCHINI
RESUMO:
O presente trabalho, oriundo de reflexões do meu projeto de mestrado e como bolsista da FAPESP, pretende discutir as relações entre o silêncio, como forma de linguagem, e os processos de violência que permeiam a sociedade e, em particular, os jovens. A leitura e compreensão deste tema serão desenvolvidas a partir de um dos meios de comunicação de massa, o cinema, pois esse vem se tornando uma das maneiras presentes nas formas de produção de subjetividade e de influenciar as maneiras de pensar, de agir e, porque não dizer, de sentir, sobretudo entre jovens. Dessa forma, este estudo pode nos mostrar que muito do que pensa, sente, imagina, sonha, pretende ou interessa ao indivíduo, fica oculto, abafado, como se não coubesse no contexto de palavras onde ele está inserido, transbordando em silêncio. As cenas, as imagens dos filmes a serem expostos aos jovens, podem nortear alguns indicativos de que aquilo que toca, que sente e acaba orientando muitas das ações dos jovens, nem sempre são facilmente capturadas pelas palavras, mas sim, pelo silêncio. Um dos filmes a serem exibidos, “Como nascem os anjos” (Murilo Sales), nos remete a cenas que, inicialmente, chocam, transgridem, ao nos tocar, mas também nos convidam à reflexão e interesse, pois ao nos colocarmos na posição de técnicos, pesquisadores do comportamento humano, da educação ou da sociedade, percebemos que valores e projetos de vida de muitos jovens, se contrapõem a todos os nossos supostos ideais, expondo a nossa fragilidade e a fragilidade do mundo que construímos e oferecemos de cenário para as crianças e adolescentes, que nele interpretam papéis, nem sempre por nós programados, planejados ou controlados, mas são papéis que no momento, são possíveis de serem atuados.
PALAVRAS-CHAVE: SILÊNCIO, VIOLÊNCIA ESCOLAR, IMAGENS

 

TÍTULO: INSTANTÂNEOS DE FORMAÇÃO
AUTOR(ES): RODRIGO SABALLA DE CARVALHO
RESUMO:
O presente trabalho é decorrente de uma pesquisa de Doutorado em Educação que se encontra em desenvolvimento. A partir das contribuições dos Estudos Culturais em Educação em sua vertente pós-estruturalista e dos Estudos desenvolvidos por Michel Foucault, o presente trabalho tem como objetivo problematizar alguns instantâneos de minha formação enquanto professor, já que estou constantemente me produzindo (e sendo produzido) enquanto sujeito na contemporaneidade. Os instantâneos que serão discutidos podem ser compreendidos enquanto shortcuts, ou seja, pequenos textos que cartografam momentos que vivenciei (e vivencio) na produção de minha professoralidade. Tais instantâneos seguem uma disposição aleatória, pois entendo que as experiências que vivenciei (e vivencio) enquanto sujeito, compõem um mosaico, que passa a fazer parte da gaveta de meus guardados. Gaveta cujas lembranças encontram-se espalhadas aleatoriamente, conferindo (de certo modo) sentido ao constante (e incessante) processo de minha produção enquanto sujeito. Desse modo, é possível dizer que no andar do tempo restam apenas as lembranças, ou seja, nossos guardados que vão se acomodando em nossas gavetas interiores. Para relembrar minha trajetória profissional e acadêmica, recorri a fotografias, diários de trabalho, vídeos, relatórios de aulas, cartas, pareceres, entre outros artefatos que fazem parte de minhas memórias, no intuito de pensar e experimentar outros modos de vida, através de um incessante trabalho de reinvenção de minha própria professoralidade.
PALAVRAS-CHAVE: PROFESSORALIDADE, ÉTICA, MEMÓRIA

 

TÍTULO: ROMANCE COM A FAVELA PESQUISA-AÇÃO E LITERATURA DE UM SUBMUNDO CRIADOR-CRIATURA
AUTOR(ES): RODRIGO TORQUATO DA SILVA
RESUMO:
Entendo que uma pesquisa com o cotidiano traz como premissa metodológica, para a tentativa de compreensão das práticas e construção dos discursos: a complexidade. Sendo essa um elemento fundante para a construção de uma metodologia inacabada. Nesse sentido, para ajudar a compreender as tensões e os atritos que se estabelecem no cotidiano das escolas públicas que atendem, predominantemente, estudantes moradores de favelas, faz-se necessário que se ampliem os sentidos do pesquisador sobre o contexto histórico e a construção das relações em que a favela está inserida. A análise que faço desse contexto está apoiada em algumas pesquisas acadêmicas, na literatura da e sobre favela da Rocinha, especialmente em algumas publicações locais (informativos, jornais comunitários e de grupos e/ou associações) e no romance autobiográfico do jornalista Júlio Ludemir que, em 2003, após morar seis meses na favela, publicou o livro “Sorria, você está na Rocinha.” Nessa perspectiva incluo o romance como importante fonte para as pesquisas com o cotidiano das favelas, entendendo esse como um gênero para além da literatura. À luz de Bahktin, acredito ser possível não só ressignificar o que está escrito, mas, compreendendo melhor a polifonia contida no romance e, através dos personagens e da narrativa autobiográfica, refletir seriamente sobre os desdobramentos e os acontecimentos políticos de um espaço complexo de relações sociais, tal como o atual contexto das favelas do Rio de Janeiro.
PALAVRAS-CHAVE: ROMANCE, FAVELA DA ROCINHA, AUTOR - AUTORIA

 

TÍTULO: LINGUAGEM IMATÉTICA: UMA POSSIBILIDADE DE REFLEXÃO CULTURAL
AUTOR(ES): SANDRA REGINA FRANCHI RUBIM
RESUMO:
Esta comunicação tem por objetivo discutir a linguagem imagética como possibilidade de construção mental e social, no qual o homem constrói suas práticas educativas e suas identidades. Partindo dessa premissa, este trabalho, que compreende uma pesquisa em nível de Mestrado, pretende analisar a imagem como evidência histórica, como estrutura simbólica de representação, no período da formação do Estado Moderno, possibilitando, assim, compreender as transformações que ocorreram nesse período. Serão analisadas algumas imagens representando figuras de reis dos séculos XVI e XVII. Analisaremos essas imagens como criação coletiva, no qual elas expressariam uma possibilidade de construção cultural da sociedade, num momento de redefinição de identidades coletivas. No momento de criação dessas imagens estudadas, a sociedade passava pelo processo de transição social entre a Idade Média e a Idade Moderna, e essa mudança implicou na construção da ideia de Estado, como sistematizador das leis e de organizador das relações sociais. Dessa forma, acreditamos que a leitura da imagem, como uma das formas de expressão do homem, nos permite compreender como esses construíam suas relações e, por conseguinte, suas práticas formativas, especialmente aquelas de caráter coletivo. Concluímos que, se temos que conviver diariamente com uma produção infinita de imagens, que nos transmitem inúmeras informações e mensagens, torna-se indispensável avaliar essa cultura visual, sua função, sua forma e seu conteúdo por meio de nossa sensibilidade estética e uma formação adequada capaz de perceber o que elas representam.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA IMAGÉTICA, EDUCAÇÃO, REFLEXÃO CULTURAL

 

TÍTULO: PALAVRAS AO VENTO: PARA DESATAR O DESTINO
EIXO TEMÁTICO: ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR
AUTOR(ES): SHEYLA CRISTINA SMANIOTO MACEDO
RESUMO:
Devido ao caráter por vezes impositivo da realidade que se apresenta aos nossos sentidos, muitos dos nossos esforços teóricos vêm no sentido de dominação da iminente realidade – aquela que está por vir, o futuro – como forma de trazer para si o presente desejável; mas o destino, entendido como um conjunto de futuros possíveis, está escrito: não digo se em linhas inexoráveis ou rascunhos que vão se reforçando com o aproximar, se nas linhas que percorrem nossas mãos ou nas letras que, combinadas e recombinadas até a exaustão, compõem nosso DNA. Que tipo de interação o homem pode com o destino? Deve aceitá-lo? Pode criá-lo? Pode escapar, fugir, querer um acaso? Ou ele se afigura fatal? São essas questões que nos propomos a discutir neste trabalho, tendo em vista, privilegiadamente, o papel que a palavra assume em nossos afetos com o destino, em nossas tentativas de escrevê-lo à nossa maneira – seja em fórmulas mágicas, orações ou ensaios científicos, na magia, na religião ou na ciência, esses entendidos como as mais notáveis tentativas do homem de ser senhor do futuro. Tentando potencializar esta discussão, trataremos da participação da imagem da palavra nas projeções audiovisuais empregadas na instalação Num dado e-vento, desenvolvida no contexto do projeto Biotecnologias de Rua e adjacentes entre os dias 29 de março e 3 de abril de 2009, em que a palavra-imagem, percorrendo paredes e corpos, invadindo-os a medida que adentravam em seus domínios, multiplicavam – como/com os espelhos que multiplicam o mundo – significações, afirmavam um sentimento de magia no próprio domínio do Real, desestabilizando-o: tentando novas maquinarias para fazê-lo funcionar.
PALAVRAS-CHAVE: DESTINO, PODER DA PALAVRA, ARTE-CIÊNCIA

 

TÍTULO: ESCREVÊNCIA E ESCRITURA
EIXO TEMÁTICO: ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR
AUTOR(ES): SÔNIA REGINA DA LUZ MATOS
RESUMO:
O estudo teve como objetivo reconhecer a representação como um dos conceitos centrais nos estudos da linguagem, pois, a partir da linguagem de ênfase representacional, cartografamos os discursos pedagógicos que são produzidos na ensinança da escrita. E conceituamos duas das ensinagens de escrita vigentes na escola: a escrita como método e a escrita como escrevência. A empiria analisada na pesquisa foi a produção de textual das alunas, do curso Pedagogia , na disciplina de Fundamentos do Currículo, da Universidade de Caxias do Sul-RS. O estudo tencionou essa ensinança da escrita produzida pela linguagem representacional e questionou como ela produz o distanciamento do ler e do escrever com a vida. Mas, também nos deparamos com escritas que faziam fugir essas duas escritas representacionais. Deparamo-nos com características singulares nos textos e, para compreender o significado dessas singularidades, nos aliançamos com a filosofia da diferença, trazendo Deleuze, Guattari, Foucault e Nietzsche; com as ideias da linguagem não estruturalista. Eles tomam o cenário da linguagem pós-estruturalista, provocando o movimento da “virada linguística”, colocando em xeque o conceito da linguagem enquanto representação da realidade. Portanto, ao cartografarmos esses outros rumos teóricos, fizemos encontros com Barthes (1974) , e com seu conceito de escritas de escrituras. Portanto, a investigação vem possibilitando localizar os limites dos movimentos que compõem a ensinança da escrita representacional e desenhar outras práticas de escritas não escolarizante. A principal hipótese da pesquisa é que, talvez, escolarização da escrita não suporte a escrita/escritura, porque ela faz pensar a vida e a realidade como (po)ética!
PALAVRAS-CHAVE: DIFERENÇA, SINGULARIDADE, ESCRITURA

 

TÍTULO: A MODERNIDADE E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE
EIXO TEMÁTICO: ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR
AUTOR(ES): VERA LUÍSA DE SOUSA
RESUMO:
Considerando que a modernidade e seu projeto de libertação humana vêm sendo solapados por sucessivas crises ao ponto de alguns teóricos decretarem sua morte e o nascimento da pós-modernidade é importante investigar como o sujeito da modernidade construiu sua identidade. Deste modo, o texto se propõe a discutir o conflituoso processo de construção da identidade do homem contemporâneo tendo como conceitos fundamentais a globalização e o desenraizamento. Parte do pressuposto de que existe uma crise de identidade dos sujeitos individuais, sociais e profissionais que resulta do seu desenraizamento local, geográfico, profissional e histórico como conseqüência direta do processo de globalização. Neste sentido a argumentação tenta demonstrar a íntima relação entre o modo de produção da vida material, a construção das identidades subjetivas e as possibilidades e/ou impossibilidades de emancipação humana, a grande promessa da modernidade que ainda não se cumpriu. A sociedade industrial foi substituída rapidamente pela sociedade tecnológica onde o que vale como realidade é, quase sempre, o virtual. O sentido da história, do significado e do significante estranhamente perdeu-se numa esquina do proclamado e efêmero universo pós-moderno. Sente-se no ar a ausência de realidade, de afetividade, de alteridade. Deste modo, tomando o “sentimento de pertencimento” - mecanismo criado na modernidade para sustentar identidades culturais, sociais, profissionais, de sexualidade, de gênero, de raça e de etnia -, como referência o trabalho aponta algumas rupturas que levaram ao descentramento do sujeito moderno e à consequente fragmentação de sua identidade, antes sólida e segura.
PALAVRAS-CHAVE: MODERNIDADE, IDENTIDADE, DESENRAIZAMENTO

 

TÍTULO: FOTOGRAFIAS, GEOGRAFIAS E ESCOLA
EIXO TEMÁTICO: ESCRITAS, IMAGENS E CRIAÇÃO: DIFERIR
AUTOR(ES): WENCESLAO MACHADO DE OLIVEIRA JUNIOR
RESUMO:
Este trabalho faz uma leitura de fotografias tomando-as como um aspecto da educação visual da memória (Almeida, 1998, 1999) a que estamos todos submetidos na atualidade, dada nossa convivência cotidiana com as muitas imagens. A partir dos escritos de Susan Sontag (2003, 2004) acerca da linguagem fotográfica e de dois conjuntos de imagens – cartões postais do Rio de Janeiro e folder virtual de parque de diversão em São Paulo – conversa-se sobre a participação das fotografias no conhecimento geográfico contemporâneo acerca dos lugares. Esses últimos são tomados como produtos narrativos, que se constituem tanto daquilo que se manifesta física e socialmente neles quanto dos discursos e falas que se dobram sobre eles. Discute-se o conhecimento acerca dos lugares amparado na visualidade mostrada pelas fotografias, colocando em questão as associações diretas entre “paisagem e imagem” e entre “realidade e visibilidade” no pensamento elaborado tanto nas mídias quanto nas escolas. Busca-se apontar outros conhecimentos presentes nos dois conjuntos de fotografias apresentados – a pós-produção, a ironia –, os quais revelam elementos das práticas espaciais das pessoas ou grupos sociais que produziram e colocaram em circulação estas obras da cultura brasileira: as fotografias, os cartões postais, o folder virtual. A partir desta análise, estes produtores de imagens – pessoas ou grupos sociais – ganham existência como multiplicidades que compõem o espaçotempo (Massey, 2008) daqueles lugares mostrados em imagens fotográficas, apresentando estes lugares não somente em sua visualidade, mas também em suas relações sociais, e, por fim, tocando nas muitas maneiras de um lugar mostrar-se a si próprio, criando narrativas – imagens – de si mesmo.
PALAVRAS-CHAVE: FOTOGRAFIA, GEOGRAFIA, PRÁTICAS EDUCATIVAS