SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 1
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA E PREFERÊNCIAS DAS PROFESSORAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CURITIBA.
AUTOR(ES): ADRIANE KNOBLAUCH, ANA LUCIA ZIMMERMANN FELCHNER
RESUMO: A comunicação apresenta as práticas de leitura e as preferências de um grupo de professoras de diferentes escolas municipais da cidade de Curitiba. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais realizadas no ambiente de trabalho das professoras durante o segundo semestre de 2008, como parte de uma pesquisa mais ampla sobre o perfil do gosto cultural da docência. A presente análise, fundamentada nos escritos de Pierre Bourdieu sobre a construção social do gosto que ocorre como fruto do habitus socialmente construído, aponta inicialmente dois grupos distintos: as professoras que disseram ter tempo para a leitura e, por outro lado, as professoras que relataram não ler por falta de tempo, o que confirma aspectos da proletarização do magistério e demonstra o lugar reservado às mulheres na sociedade atual. Em relação às escolhas das professoras do primeiro grupo, foi possível constatar três diferentes níveis de influência: o hábito de leitura desenvolvido na família de origem, já na infância, acrescido das influências da mídia; o hábito da leitura influenciado pela religião também incorporando as direções dadas pela mídia; e, por fim, a influência da formação escolar, sobretudo, acadêmica que se traduziu num gosto, em alguma medida, mais distante das orientações midiáticas. Vale ressaltar que, neste caso, a formação acadêmica, em conjunto com uma visão crítica reforçada pela religião, representou para a entrevistada uma possibilidade de equiparação cultural à família do cônjuge determinando sua preferência e prática de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, GOSTO, HABITUS

TÍTULO: O QUE O APAGADOR NÃO LEVOU: O INTERCAMBIAR EXPERIÊNCIAS - UMA LEITURA DA NARRATIVA CONTO DE ESCOLA DE MACHADO DE ASSIS.
AUTOR(ES): ALESSANDRA MARIA MOREIRA GIMENES
RESUMO: Este trabalho é parte integrante de pesquisa para dissertação de mestrado em desenvolvimento no Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista no Campus de Rio Claro. Relacionando História, Literatura e Educação, propõe uma leitura da obra Conto de escola de Machado de Assis, considerado o pai da prosa e da literatura brasileira, com o objetivo geral de estabelecer um diálogo entre o conto e as práticas escolares do Brasil atual. Embasado nas teorias propostas pela escola dos Analles, a leitura propõe desvelar na trama dos fios literários da narrativa, as inquietações de uma época e as aspirações de uma sociedade – a brasileira do século XIX - entretecidas pelo discurso do saber. Ambientado em 1840, publicado na coletânea Várias Histórias em 1896, Conto de escola narra o cotidiano de uma sala de aula de primeiras letras do século XIX brasileiro, de onde Pilar, narrador / personagem, vive o dilema de decidir-se pelas paredes fechadas da enfadonha escola ou pela liberdade dos morros e pelos divertimentos próprios da sua idade. Participam desta análise um grupo de professoras atuantes nas séries iniciais do Ensino Fundamental com as quais Conto de escola foi lido. Portadoras da experiência de sua prática fazem a ponte entre o conto e as práticas escolares atuais, elencando as práticas extintas de nossas escolas e aquelas que o ”apagador” não foi capaz levar. Passamos a “intercambiar experiências pela narrativa”. Desta forma o método da leitura norteia a pesquisa. Para essa prática recorremos a Jorge Larrosa. Para o conceito de experiência buscamos amparo no autor Walter Benjamin.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, CONTO DE ESCOLA, PRÁTICAS ESCOLARES.

TÍTULO: APROPRIAÇÃO DA LEITURA ENTRE MORADORES DA ZONA RURAL: UMA EXPERIÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO DE SENTIDOS.
AUTOR(ES): AMANDA LEAL DE OLIVEIRA
RESUMO: Em 2000 iniciou-se um projeto de leitura entre moradores de uma fazenda em Minas Gerais: começou com uma capacitação para professores de escolas municipais e se desdobrou com a construção de um Centro Cultural. O Centro Educacional e Cultural Kaffehuset Friele foi construído em três meses e nasceu com um acervo de 1200 livros e 16 computadores ligados à internet. A comunidade de moradores da Fazenda é uma vila constituída por cerca de 150 pessoas, que trabalham no cultivo de café. Não era possível ficar indiferente aos riscos e desafios dessa situação que representava uma questão emblemática em nossa própria história política e cultural: como se dará o encontro entre diferentes culturas? Qual o papel da mediação cultural? Reconhecida aqui como um dispositivo, ou seja, mecanismo que irá atuar na sociedade e agir sobre o discurso, a mediação (suas formas e seus próprios dispositivos) não é isenta; ao contrário, expressa intenções e ajuda a definir as relações que serão construídas entre sujeitos e a realidade. Na relação com a leitura, essa experiência não seria diferente. Os dispositivos informacionais, ao interferirem sobre a matéria com as quais lidam – informações, conhecimentos, linguagens – irão atuar nos modos de relação que sujeitos irão estabelecer com o universo (simbólico e concreto) que guardam. Estimulada principalmente pela sociologia da leitura de Escarpit, assim como por discussões apresentadas por Paulo Freire, entre outros autores, pretendemos discutir as questões que envolvem a apropriação da leitura na perspectiva sociocultural, ou seja, que a considera no encontro entre atos de significação de sujeitos e os dispositivos sociais que a objetivam. Esse estudo se insere no quadro conceitual do Colaboratório de Infoeducação (ColaborI) da ECA/USP, no qual nos debruçamos sobre a problemática das aprendizagens informacionais tendo como paradigma o protagonismo cultural na relação entre sujeitos e informação.
PALAVRAS-CHAVE: MEDIAÇÃO CULTURAL, APOPRIAÇÃO, INFOEDUCAÇÃO

TÍTULO: CLIC: POR UMA LEITURA DAS CRIANÇAS DA VILA FÁTIMA
AUTOR(ES): ANA ELISA PRATES
RESUMO: O presente estudo faz parte da pesquisa de dissertação de mestrado em Letras, área de concentração de Teoria da Literatura, da Faculdade de Letras Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em que nos propomos a avaliar uma ação de formação do leitor literário voltada à criança em situação de risco social. Em nossa pesquisa, ouvimos dez crianças entre sete e quatorze anos, frequentadoras regulares da Oficina de Literatura e Biblioteca do CLIC, atividade desenvolvida junto ao Centro de Extensão Universitário Vila Fátima, da PUCRS, Porto Alegre/RS, a fim de identificar a maneira como essas crianças reconhecem o espaço do CLIC e como o ressignificam para suas vidas. Na fundamentação teórica, à luz da Teoria da Leitura, enfatizamos os conceitos de dimensão social da leitura, de distribuição do capital cultural, de formação do leitor e de mediação. Em uma abordagem qualitativa interpretativa, utilizamos como instrumento de coleta de dados a entrevista gravada, constando em seu roteiro questões referentes à motivação da criança, suas preferências e impressões do ambiente físico e humano do CLIC. A apresentação e a interpretação dos dados estão organizados de modo que primeiramente tecemos considerações acerca da leitura e da leitura literária, do panorama das políticas públicas de leitura no Brasil, do contexto da Vila Fátima, do propósito e das dinâmicas do CLIC e, em especial, da Oficina de Literatura e Biblioteca. Em seguida, foram analisadas as informações coletadas das crianças sobre o CLIC. A leitura dos dados serviu para constatarmos que o trabalho desenvolvido no CLIC é reconhecido positivamente pelas crianças e que propicia a elas uma outra leitura do mundo, fora de seu difícil contexto social.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA, FORMAÇÃO DO LEITOR

TÍTULO: CULTURA ESCRITA EM MEIOS POPULARES: FAMÍLIA, ESCOLA E IMPRESSOS
AUTOR(ES): ANA LUCIA ESPÍNDOLA
RESUMO: O objetivo do presente trabalho é discutir a cultura escrita em famílias de meios populares e de que forma os materiais impressos se fazem presentes nas vidas de um grupo constituído por 17 famílias cujos filhos freqüentam uma escola de uma periferia urbana da cidade de Três Lagoas, MS. Para obter os resultados aqui apresentados fizemos usos de entrevistas com os sujeitos bem como observações em suas residências. Os dados obtidos nos levam a discutir a dificuldade do acesso ao impresso como uma caracterísitica forte nos meios populares o que não inviabiliza a presença do escrito em outro formato que não o impresso. Por outro lado os dados nos indicam também a presença da escola nestas famílias como uma importante agência de letramento criando a necessidade do escrito e possibilitando sua circulação em tais famílias. Também a falta da posse não indica a falta de contato com materiais escritos como indicou algumas pesquisas da década de oitenta em nosso país. Temos como princípio neste trabalho que a leitura e a escrita são saberes socialmente construídos e, portanto, precisam ser socializados. Por outro lado também acreditamos que não podemos fetichizá-las dando a essas duas práticas poderes ilimitados como se faz comum em alguns discursos sobre a leitura e a escrita. Além disso, por estarmos discutindo sua prática nos limites de uma sociedade dividida em classes sociais, as tomamos também não só como um direito, mas como instrumentos de luta contra as desigualdades. Dessa forma, a discussão sobre a questão da cultura escrita em meios populares não estará aqui apontada apenas como uma prática diletante, mas, especialmente, como uma prática politicamente orientada.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA ESCRITA, FAMÍLIA, MEIOS POPULARES

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 2
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: HISTÓRIAS DE VIDA, MEMÓRIA E GÊNERO: HISTÓRIAS DAS MULHERES DO MOVIMENTO DE MULHERES DE JACOBINA - BAHIA.
AUTOR(ES): ANA LÚCIA GOMES DA SILVA
RESUMO: O trabalho apresenta resultados parciais da pesquisa que tem como objeto de estudo as histórias de vida/de leitura das mulheres participantes do Movimento de Mulheres de Jacobina-BA. As principais finalidades da pesquisa são: visibilizar o Movimento de Mulheres da cidade de Jacobina através da militância em prol da igualdade de direitos entre homens e mulheres; mapear as principais ações desenvolvidas pelo Movimento de Mulheres de Jacobina na luta contra a violência de gênero; identificar as relações entre as histórias de vida/de leitura e a formação das mulheres atuantes no Movimento de Mulheres de Jacobina; compreender a relação entre militância política e o estudo teórico de gênero pelas atrizes sociais envolvidas diretamente no referido movimento. O Horizonte metodológico é a etnografia, tendo como instrumentos de construção dos dados as histórias de vida, entrevistas abertas e/ou aprofundadas, observações participantes e o memorial formação. O referencial teórico traz como fundante os estudos de gênero dialogando com autores como:( SCOTT, 1998 ), LOURO, (1986, 1993, 1997 ), LEITE (1994), MATOS (1998), JELIN (2002), TROITIÑO (2004), SOIHET (1997), CASTEELE E VOLEMAN (1992) e da Análise do Discurso da linha francesa (ORLANDI ,1993), PÊCHEUX (1988), (BRANDÃO, 2000), (BAKHTIN, 2002) (CARDOSO 2005). A referida pesquisa está em fase inicial, tendo apenas alguns resultados quanto ao objeto de estudo. Entre eles, a importância da visibilidade necessária ao movimento de mulheres de Jacobina, bem como a importância da sua trajetória em prol da luta a favor das mulheres e contra a violência de gênero e as principais atividades desenvolvidas acerca dessa temática.
PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIAS DE VIDA/DE LEITURA, MOVIMENTO DE MULHERES, GÊNERO

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA DE MULHERES: IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DE LEITURA NA ESCOLA
AUTOR(ES): ANA MARIA ESTEVES BORTOLANZA
RESUMO: Projeto de pesquisa de doutorado orientado pelo professor Dr. Dagoberto Buim Arena da Pós-Graduação em Educação, Unesp/Marília, desenvolvido com mulheres de um centro de referência para portadores da síndrome de down, em Londrina - PR, no primeiro semestre de 2008. Para a escolha dos sujeitos-participantes da pesquisa, busquei mulheres que atuassem voluntária e profissionalmente como um grupo organizado que realiza atividades diversas, inclusive de leitura. A pesquisa qualitativa empregou os seguintes instrumentos: entrevistas individuais com três mães, três professoras e três meninas down; entrevista coletiva com um grupo de mães; observações formais e informais de atendimentos fonoaudiológico, fisioterapêutico e pedagógico. A análise de dados deve contemplar a linguagem como objeto de análise neste estudo de caráter etnográfico, linguagem que se materializa nos discursos que fazem as mulheres sobre suas práticas de leitura, nas imagens e nos relatos utilizados como fontes bibliográficas. Os dados coletados sobre maneiras de ler, suportes e gêneros textuais, objetivos, espaços (família, escola e igreja), usos e acessos das leitoras à leitura estão sendo comparados às imagens de leitoras na pintura, relatos autobiográficos e alguns dados quantitativos sobre leitura de mulheres. O estudo deve apontar possíveis implicações pedagógicas para a leitura em ambientes escolares, considerando o papel fundamental das mulheres como mediadoras na formação de novos leitores. As primeiras análises evidenciam práticas culturais de leitura que revelam permanências e mudanças, semelhanças e diferenças, rupturas e continuidades de maneiras de ler das leitoras deste estudo em relaçào às leitoras do passado. As principais referências teóricas são: Certeau (2008), Chartier (1996, 1999, 2004); Perrot (2005, 2007); Bakhtin (1992), Vygotsky (1997); Foucambert (1994, 1998): Lacerda (200, 2003); Bosi (1977).
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, MULHERES, FORMAÇÃO DOCENTE

TÍTULO: COMO TRABALHAR A CULTURA E OS VALORES DOS AFRICANOS E AFRODESCENDENTES NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA?
AUTOR(ES): ANA PAULA DE LIMA, DENISE MARIA MARGONARI
RESUMO: Esta comunicação é baseada em uma proposta de um mini-curso realizada como atividade prática (Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa I) do Curso de Letras da Universidade Federal de São Carlos. O mini-curso, intitulado “A cultura e os valores dos africanos e afrodescendentes na literatura africana de Língua Portuguesa”, foi desenvolvido com os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola particular de Rio Claro, durante o ano de 2008. Nesse mini-curso foram abordadas questões relacionadas à história e cultura africanas a partir de textos de escritores africanos de Língua Portugesa, em uma tentativa de apresentar e sensibilizar os alunos quanto aos valores defendidos pelos povos africanos e afrodescendentes, conscientizando-os de que a sociedade é formada por pessoas pertencentes a grupos étnico-raciais distintos, que possuem cultura e histórias próprias, igualmente valiosas, assim como apontam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2005). Por meio do trabalho com a teoria das Inteligências Múltiplas e os Pontos de Entrada, do psicólogo norte-americano Howard Gardner, foram exploradas as diversas inteligências dos alunos. O trabalho também contou com a colaboração dos demais professores de Português da escola, além dos professores de História, Geografia, Ciências, Educação Religiosa e Filosofia. Nesta comunicação pretendemos apresentar algumas das atividades desenvolvidas, bem como os resultados obtidos, que refletem que os estudantes mostraram-se interessados nas discussões, revelando um amadurecimento muito maior do que o esperado.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA AFRICANA, INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS, PROPOSTA DE MINI-CURSO

TÍTULO: QUESTÕES SOBRE A LEITURA EM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM - AVA
AUTOR(ES): ANAIR VALÊNIA MARTINS DIAS
RESUMO: Em um contexto escolar, ou fora dele, as ações do ser humano são permeadas por atividades de linguagem que resultam, quase sempre, em processos de interação verbal. No ambiente educacional, os alunos lêem, escrevem, comunicam-se com colegas e professores, apresentam seminários, brincam, dentre outras atividades em que se utilizam, necessariamente, de sua capacidade de comunicação e interação com o outro que faz parte de seu convívio. Esse processo de interação realiza-se por meio de enunciados que, por sua vez, organizam-se em gêneros do discurso que permeiam todas as formas de comunicação dos seres humanos (BAKHTIN, 2000). Nesse contexto, o propósito deste trabalho é refletir sobre algumas questões referentes ao ensino da leitura e da escrita do gênero discursivo autobiografia em ambiente virtual de aprendizagem – AVA. Ao pensarmos a autobiografia como um gênero discursivo a ser lido e produzido em ambiente virtual, destacamos as questões referentes à inter-relação existente entre a ficção e a realidade dos fatos narrados e a escrita sobre si mesmo, o que acaba por conduzir o sujeito a um espaço em que se constitui, ao mesmo tempo, como autor, narrador, leitor e protagonista de sua produção escrita. Em uma autobiografia, o sujeito tem a oportunidade de se re-significar e de re-significar a sua experiência de vida, trazendo elementos que, de alguma forma, são relevantes para a sua constituição pois, segundo Philippe Lejeune (2005), uma autobiografia é um relato retrospectivo em prosa que uma pessoa real faz de sua própria existência enfatizando sua vida individual e mais particularmente a história de sua personalidade. Assim, o ensino de leitura e escrita do gênero autobiografia em ambiente virtual de aprendizagem, a nosso ver, alcança uma dimensão que possibilita maior interação e reflexão sobre os textos lidos e produzidos.
PALAVRAS-CHAVE: AUTOBIOGRAFIA, GÊNERO DISCURSIVO, AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
TÍTULO: O DESAFIO DO GOSTO: PRÁTICAS DE LEITURA, CÂNONE E EXCLUSÃO
AUTOR(ES): ANDERSON FRANCISCO RIBEIRO
RESUMO: Considerando as perspectivas de abordagem das práticas culturais de leitura, concebe-se a relação entre os gostos de classes, definidos pelas discussões sobre “gosto“ por Pierre Bourdieu, as práticas culturais por Roger Chartier e as práticas ordinárias de Michel de Certeau, sendo a possibilidade de buscar compreender a relação entre leitura e gosto, onde certas literaturas são excluídas por não estarem dentro de uma lista de cânones pré-definidos. Quem diz o que é e o que não é literatura? Como podemos perceber, leituras como HQs, revistas de grande tiragem sobre moda, fotonovelas, pornografia, mas consideradas sem conteúdo, para pessoas com inteligência limitada. Discussão que abordaremos através do conceito de práticas ordinárias, “anti-disciplina”, como define Certeau. Isso perpassa pela distinção entre as propostas relativas aos gostos de “classes“, e sua definição, a partir de uma série de divergências teóricas. Apresentaremos a partir de Pierre Boudieu em seus estudos sobre a relação do conceito de “campo“, “habitus“ e “capital cultural“, as possibilidades para definir o nosso trabalho desta linha tênue entre o cânone e a exclusão. Isso nos traz indagações sobre a relação de gosto de “classes”, definindo as propostas para este conceito, entre “cultura letrada” e “cultura popular”, ainda aberto para novas abordagens.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICA DE LEITURA, CÂNONE LITERÁRIO, EXCLUSÃO

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 3
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: PUBLICAÇÃO E PREMIAÇÃO JORNALÍSTICAS: DIFERENTES LEITURAS QUE CORROBORAM UM MESMO AGIR DISCURSIVO
AUTOR(ES): ANDERSON SALVATERRA MAGALHÃES
RESUMO: O objetivo deste trabalho é demonstrar como o deslocamento de uma reportagem impressa para a situação de concurso jornalístico rearranja os sujeitos enunciativos mobilizados na construção de sentido, implicando alteração no processo de leitura. De um ponto de vista dialógico (VOLOSHINOV, 1926/1976, 1929/1999; BAKHTIN, 1952-1953/2003, 1959-1961/2003), entende-se a interação verbal como princípio fundador da linguagem, atualizada numa cadeia comunicativa, cujos elos são os enunciados. Essa concepção permite conceber as reportagens impressas como unidades da comunicação discursiva, organizadas a partir da relação ternária dos sujeitos enunciativos. Nessa condição, mais do que forma material linguístico-imagética, as reportagens configuram agir discursivo e, portanto, são marcadas por posicionamentos sociais. Da perspectiva dialógica, a leitura é entendida como uma atitude responsiva ativa, e a atividade à qual está vinculada transforma o posicionamento enunciativo dos participantes da enunciação. Por mais semelhanças formais que o material impresso publicado e o inscrito num concurso jornalístico possam guardar, o fenômeno enunciativo difere e as relações estabelecidas no processo de leitura também. Este trabalho busca identificar as marcas dos sujeitos implicados nas situações de publicação e de concurso para demonstrar como o processo de leitura é alterado. Para tanto, a partir de uma abordagem sócio-histórica de pesquisa, analisa-se uma série de reportagens do jornal carioca O Dia publicada e premiada no ano de 2004. A escolha por essa série se deve ao fato de o jornal estar, naquele momento, investindo na qualidade de sua produção na tentativa de construir uma identidade institucional não sensacionalista. Isso confere uma relevância ao contexto de premiação, que funciona como referenda desse esforço editorial. A análise dos dados aponta como, a partir dos valores que organizam as relações intersubjetivas, as diferentes leituras consolidam discursos legitimadores da ordem social, ratificando o não acesso do público menos privilegiado às possibilidades de ação discursiva.
PALAVRAS-CHAVE: ENUNCIAÇÃO JORNALÍSTICA IMPRESSA, PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO, DIALOGISMO
TÍTULO: “QUANDO CRESCER, VOU SER...”: ANALISANDO A DESIGUALDADE DE GÊNERO EM UMA SEÇÃO DA REVISTA “CIÊNCIA HOJE DAS CRIANÇAS”
AUTOR(ES): ANDRÉA FERNANDES COSTA
RESUMO: Acredita-se que a educação ao contribuir para a construção das identidades de gênero pode, também, ajudar a desnaturalizar e a desconstruir a assimetria de gênero, questionando as desigualdades decorrentes desta. Em todas as esferas educacionais (formal, não formal e informal), esbarramos com uma série de limitações à promoção da igualdade, a medida que algumas práticas pedagógicas, discursos..., insistem em veicular concepções sobre as identidades de homens e mulheres que contribuem para a perpetuação de estereótipos que podem influenciar nas escolhas de meninas e mulheres jovens quanto aos seus destinos, tanto em nível pessoal quanto profissional. Neste trabalho abordamos a maneira desigual com que os gêneros são tratados nos textos veiculados na seção “Quando crescer, vou ser...”, existente desde 2001 na revista “Ciência Hoje das Crianças”. Com tiragem mensal de 230 mil exemplares, a única revista periódica sobre ciências voltada para o público infantil. Ao analisarmos todas as edições da revista disponíveis na internet que apresentavam na íntegra a referida seção, identificamos 50 textos que foram analisados. Um primeiro problema que se coloca é maneira de se referir ao profissional, astrônomo, arquiteto..., ou seja na maior parte das vezes (72%) no gênero masculino e poucas vezes (28%) a profissão é colocada de modo que abranja ambos os gêneros. Essa pode ser uma limitação imposta pela língua, no entanto a desigualdade entre os gêneros é também identificada nas imagens que ilustram os/as profissionais, bem como na seleção dos/as entrevistados (67,4% homens e 32,6% mulheres), dando maior destaque a participação masculina, em detrimento da feminina, no mercado de trabalho e no campo da pesquisa científica. Analisamos, a partir da categoria gênero, as limitações educacionais impostas pelo uso exclusivo da linguagem masculina presente em alguns textos de divulgação científica, bem como a relativa invisibilidade feminina nestes.
PALAVRAS-CHAVE: GENERO, LINGUAGEM, DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

TÍTULO: ENSAIAR TRANSVÊR O MUNDO – UM PAPEL QUE SE APRENDE COM OS SENTIDOS.
AUTOR(ES): ANTONIO LUÍS DE QUADROS ALTIERI
RESUMO: Esse texto é um ensaio de leitura de mundo. O olho vê: a aprendizagem dá-se na prática artística, na concretização mesma da criação, como processo em que procedimentos são aplicados com abertura dos sujeitos para a formação - em composição, questionados prontamente nos percursos criativos, constituem-se os artistas lendo e expressando. A lembrança revê: ocorreram em sociedade experiências leitoras de mundo que se expressaram como arte e se fizeram acessíveis graças à prática e metodologia. Aconteceram como ensaios com práticas de sentido em educação, não formais. Aprendizados foram originados na criação, mas também a originaram - ‘coro de cabritos’, mimos ambulantes. Era ‘pão na troca’ a improvisada arte que depois se fez técnica e prática tradicionais. No Brasil inicial, já inventado por uns e ‘empossado descoberto’ por outros, se fez arte nos tributos a terra, água, ventos e fogo, para o benefício e bem estar da tribo e nos processos colonizatórios - encontro forjado entre as culturas e os poderes. Jesuítas e índios, conheceram-se e interagiram na difícil tarefa da disputa pelo poder e na invenção de elos (nheengatu) - submissão ou resistência. Muito mais tarde, novos saberes, frutos dos movimentos, se fizeram originais porque se inventaram, novamente: por meio de novas práticas e novas técnicas, na agitação da resistência, novos sentidos construídos deram púberes significados aos encadeamentos sonoros, gestuais e gráficos e, contrária à força da repressão ou da massificação, a criação ganhou dimensões de aprendizado construído no mundo da vida. Cresceu e tornou-se adulta. Como educação não-formal, as artes forjaram docentes na leitura a malho e fogo. A imaginação transvê: ‘aponta para os chapadões meu nariz’ que sentiu 1968 na ‘zabumba’ da cartilha, na ilha de ‘Robson Crusoé’ e no ‘Meu pé de laranja lima’ e sente 2008, 2009, 2010 na imaginação, e mais...Que práticas nos aguardam?
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO NÃO FORMAL, ARTE, SENTIDO

TÍTULO: A LEITURA NO INSTITUTO DOM NERY: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
AUTOR(ES): ARIANE SOARES MILAGRES
RESUMO: Diante de um panorama estatístico no Brasil em relação ao analfabetismo, analfabetismo funcional, baixo rendimento escolar, além de um índice baixo de leitores no pais, esta comunicação pretende compartilhar a experiência realizada na educação formal e não formal especificamente no Instituto Dom Nery em Campinas, com o objetivo de apontar caminhos para a dinamização da leitura, possibilitando novas práticas de leitura na tentativa da melhoria e surgimento de novas experiências com a leitura. O projeto iniciou há quatro anos a partir de uma inquietação e reflexão de dados citados acima, em relação a leitura e da realidade institucional de seus atendidos e familiares. Acreditando que a leitura é porta de acesso a informação, conhecimento e participação cidadã, a entidade, em cooperação com seus colaboradores e parceiros, começou a trilhar caminhos até então desconhecidos para proporcionar a sua comunidade escolar o acesso à leitura. Sendo assim, foi realizado um trabalho de incentivo e prazer da leitura através de novas práticas de mediação, formação de educadores e trabalho com as crianças e seus familiares.
PALAVRAS-CHAVE: MEDIAÇÃO DE LEITURA, LITERATURA INFANTIL, PRÁTICAS DE LEITURA
TÍTULO: OLHARES TRANSVIADOS EM CENA: A INICIATIVA GOVERNAMENTAL FÍLMICA NO DEBATE SOBRE AS SEXUALIDADES JUNTO AO ESPAÇO ESCOLAR
AUTOR(ES): ARILDA INES MIRANDA RIBEIRO, VAGNER MATIAS DO PRADO
RESUMO: Ao não considerarmos a sexualidade a partir do ponto de vista biológico e compartilhando reflexões acerca de sua constituição histórico-cultural em um Programa de Pós-Graduação em Educação, pretendemos refletir sobre a construção das representações sobre as sexualidades não heterossexuais, fornecendo subsídios teóricos para que professoras e professores desestabilizem a “ordem natural” pela qual as identidades sexuais vêm sendo excluídas. A omissão que se faz presente no discurso da diversidade sexual acaba reafirmando as identidades sexuais referentes aos padrões de gênero dos sujeitos. Em muitos casos, os portões e muros da escola tentam exercer a função de um “filtro social” em relação à diferença gerando a evasão do educando da escola, afinal, o “patinho feio” deve abandonar sua família e procurar seu lugar no mundo. Adotando como objeto de estudo as diferentes configurações do desejo afetivo-erótico-sexual dos sujeitos, nos propomos a analisar o vídeo “Pra que time ele joga” do Ministério da Saúde do Governo Brasileiro em 2002. Esse vídeo constitui-se em um dos poucos materiais audiovisuais governamentais elaborados na tentativa de promover a aproximação do debate sobre as sexualidades junto ao espaço escolar. Compartilhando de pressupostos das teorias pós-estruturalistas e queer, procuramos analisar as emoções e representações que a exibição do vídeo suscita em educandos e educadores. A representação da homossexualidade visibilizada pelo material, bem como a postura da escola e da família retratados no vídeo possibilita alguns resultados alcançados na pesquisa: primeira tentativa imagética de aproximação de tal temática junto à escola se configura por uma leitura “politicamente correta” da homossexualidade, uma vez que o sujeito protagonista do vídeo não questiona os padrões sociais de gênero, não adotando uma postura “efeminada” devido a sua orientação sexual. Outros aspectos analisados no material apontam para a necessidade da criticidade estudantil e no embricamento da gestão educacional/ docência e família.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO SEXUAL NA ESCOLA, LEITURA FÍLMICA NA ESCOLA , MATERIAIS AUDIVISUAIS DIDÁTICOS SOBRE DIVERSIDADE SEXUAL

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 4
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: MEMÓRIAS DE LETRAMENTO DE IDOSOS: A LEITURA E A ESCRITA COMO BENS SIMBÓLICOS DE INCLUSÃO E / OU EXCLUSÃO SOCIAL
AUTOR(ES): AUREA DA SILVA PEREIRA
RESUMO: Pretende-se apresentar os eventos de letramento nas histórias de vida de quatro colaboradores, com pouca ou nenhuma escolarização, na faixa etária de 60 anos a 115 anos. Os colaboradores são: D. Catarina, 114 anos, considerada a mãe da comunidade de Saquinho por ter sido parteira da comunidade por mais de quarenta anos; D. Vitória, 69 anos, como rezadeira carrega a tradição religiosa da comunidade; Sr. Zé de Rufino, 79 anos, filho de D. Catarina, cuida das bananeiras, atividade que se caracteriza como preservação da tradição cultural da família e dos seus descendentes; e Sr. Zé de Dudu, um líder que casou com a filha de um ex-dono de escravos da região. Seguindo a metodologia da história oral, registramos as narrativas desses personagens representativos da tradição da cultura local e procuramos dar visibilidade aos aspectos culturais e identitários que demarcam a ambiência dessa comunidade rural e sua convivência com a tradição de oralidade e letramento. Ao analisar os eventos e práticas de letramento a partir das situações apresentadas nas histórias narradas, procuramos examinar as diversas formas de participação dos idosos nos contextos apresentados nas histórias de vida. As cenas de leitura e escrita que guardam consigo nos dão pistas para abordar discussões acerca da escrita e da leitura como bens simbólicos que influenciam e determinam espaços que incluem e excluem os sujeitos que dominam e fazem uso dessas práticas culturais.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO. , INCLUSÃO., EXCLUSÃO.

TÍTULO: A DIVERSIDADE CULTURAL: UMA ALTERNATIVA PAR A LEITURA COMPREENSIVA
AUTOR(ES): ÂNGELA MARIA MENDES
RESUMO: A escola pública tornou-se acessível aos mais variados grupos sociais e isso gera novos desafios e novas preocupações pedagógicas: a leitura utilitarista que promove o desinteresse nos leitores e o desconhecimento da origem étnico-cultural dos alunos. Considera-se que o reconhecimento da origem étnica do educando deva ser o ponto de partida para a discussão sobre o preconceito e a intolerância que comprometem a aprendizagem do aluno-leitor. É preciso lembrar que ninguém nasce racista. O preconceito surge no convívio em família, na escola e na sociedade. Percebe-se ainda a influência da televisão que propaga idéias discriminatórias e valores distorcidos, mídia que a maioria da população tem acesso. Assim, preparar os alunos para o exercício da cidadania torna-se difícil se o preconceito encontra-se embutido nos colegas de classe, nos pais dos colegas, e até mesmo no corpo docente, já que a escola é um lugar de construção desse exercício. Para superar essa realidade, faz-se necessário desenvolver um plano de ação que contemple a inclusão de todos no acesso aos bens culturais e ao conhecimento. Por isso, este estudo propõe uma reflexão teórica sobre a leitura crítica proposta por Kleiman (2002), Smith (1999) e Freire (1996) como caminho norteador das ações educativas para a transformação desta realidade e a implementação da Lei nº 10.639/2003.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, DIVERSIDADE CULTURAL, ENSINO

TÍTULO: A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESANUMA PESPECTIVA DOS GÊNEROS
AUTOR(ES): CINARA ALMEIDA BARCELOS
RESUMO: O presente ensaio tem por objetivo apontar para a leitura de gêneros do discurso que se realiza na prática pedagógica do professor de Língua Portuguesa. O estudo será realizado em escolas da rede pública, por meio de observação em sala de aula e entrevistas gravadas. Os teóricos Bakthin, Yygotsky, Dionio Paiva, Lajolo, Marcuschi, Maria Bezerra, Cagliari entre outros fundamentam a proposta do projeto. Para Bakhtin, todos os textos que produzimos orais ou escritos, apresentam um conjunto de características relativamente estáveis, tenhamos ou não consciência delas. Essas características configuram diferentes gêneros textuais ou discursivos. Partindo da idéia de que a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. Essa posição adotada pela maioria dos autores que tratam a língua em seus aspectos discursivos e enunciativos, e não em suas peculiaridades formais. Segue a noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva e privilegia a natureza funcional e interativa e não o aspecto formal e estrutural da língua. Nesse contexto teórico, a língua é tida como forma de ação-social e histórica que representa a realidade do indivíduo no seu meio social. Lev Vygostsky, na sua teoria sobre aquisição da linguagem, expõe “é através da linguagem que se constitui o pensamento do indivíduo”. Já que o papel da escola é, sobretudo, o de instruir, mais do que o de educar, no plano da linguagem, o ensino dos diversos gêneros textuais que socialmente circulam entre nós não somente amplia sobremaneira a competência lingüística e discursiva dos alunos, mas também lhes aponta inúmeras formas de participação social que ele, como cidadãos, pode ter, fazendo uso da linguagem. Portanto, acreditamos ser necessário identificar que concepções de linguagem e de leitura determinam as práticas pedagógicas do professor de Língua Portuguesa no cenário a qual me proponho investigar.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, GÊNERO DO DISCURSO, PRÁTICA PEDAGÓGICA
TÍTULO: A PRÁTICA DE LEITURA DE JOVENS UNIVERSITÁRIAS DO MOVIMENTO NEGRO ESTUDANTIL COMO ESTRATÉGIA DE INSURGÊNCIA E DE DESLOCAMENTO
AUTOR(ES): CLAUDIA MIRANDA
RESUMO: Este trabalho é sobre as práticas de leitura de jovens universitárias do movimento negro estudantil, organizadas a partir da sua necessidade de fortalecimento de identidades individuais e também como ativistas no espaço acadêmico. Com base no modelo analítico da pesquisadora indiana e feminista Gayatri Spivak sobre os dilemas da representação discutidos entre mulheres ativistas, reconhecemos a centralidade dos tipos de imagem e auto-imagem construídos nas formas de insurgir dessas jovens estudantes. Suas práticas de leitura se chocam com a categoria de “subalterno (a)” presente no quadro analítico de Spivak. Há, segundo a autora, um tipo de representação que se dá por poder, ou delegação a terceiros, como é o caso mais comum afetando as mulheres. Nesta perspectiva, o grupo em questão adota uma dinâmica que visa “aprender a ler na academia” para alcançar o deslocamento indo da Periferia para o Centro fugindo da dominação masculina e experimentando a pertença em um campo de poder novo como é o caso da universidade. Interessa-nos examinar as formas de compreensão do ato de “ler na academia” e a idéia de insurgência considerando a participação anterior dessas estudantes em grupos de estudo heterogêneos bem como suas insatisfações.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA NA ACADEMIA, INSURGÊNCIA, UNIVERSITÁRIAS NEGRAS
TÍTULO: UMA CARTA COM AMOR: PARA GOSTAR DE LER.
AUTOR(ES): CLAUDIO RENATO MORAES DA SILVA
RESUMO: Muito prazer, eu sou uma carta com amor. A literatura tem afirmado que o Brasil é um país que pouco lê, quando comparado a outros países e principalmente latinos. Esse projeto não tem a intenção de corroborar com estatística afirmativa ou não. Temos sim e, prioritariamente a intenção de convidar homens, mulheres e crianças a “namorar“ livros, a conhecer autores, a ter “experiências“ com os diferentes e diversos personangens que recheiam histórias de literaturas. Pois bem, a cidade de Rio Grande, geográficamente situada na costa sul do Rio Grande do Sul, vocacionada para o mar e portuária, é o cenário do projeto de pesquisa e extensão, ora apresentado. Consta da atividade uma metodologia simples e carinhosa: a equipe escolheu 22 obras literárias da literatura brasileira e 22 familias da cidade e a cada 3 dias, essas famílias recebem um capítulo da obra que lhes foi designada, com envelope resposta em todas as vezes, para encaminhar qualquer manifestação para a equipe que não é identificada pessoalmente. Uma carta com amor: para gostar de ler, tem o objetivo de conquistar homens, mulheres e crianças, enamorá-los e tornando-os namorados de livros, incluindo-os, inserindo-os e fazendo uma grande ciranda de leitores multiplicadores. A proposta final do projeto, para este ano, é o encontro de todos os atores envolvidos, principalmente as 22 famílias, em um sarau de poesias e RE-contação de histórias de literatura, personagens desfiando palavras e histórias por bocas antes mudas.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, UMA CARTA COM AMOR, LEITORES
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 5
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: LEITURA: RELAÇOES ENTRE CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE PROFESSORES E ALUNOS EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DE CUIABÁ/MT
AUTOR(ES): CLÁUDIA CRISTINE MAIA MENDES
RESUMO: Esta comunicação tem como finalidade apresentar uma mostra das análises de uma Pesquisa de Mestrado realizada numa 5ª série do Ensino Fundamental. Investigou-se as relações existentes entre concepções de leitura e práticas pedagógicas dos professores e as influências destas na formação do aluno-leitor (Foucambert, 1997; Oliveira, 2005; Silva, 1998; Tardif, 2002). Considerou-se também, o contexto histórico e sócio-cultural da instituição escolar que atua há vinte anos na comunidade em que a escola está inserida (Chartier, 2001; Gadotti,1998; Zilberman, 1991). As conclusões indicam que os Projetos propostos pela Comunidade Escolar contribuem de forma significativa para a formação do aluno-leitor. Por meio de entrevistas e observações detectou-se uma contradição entre o discurso e a prática docente: enquanto, na primeira situação, as professoras apresentam uma concepção que se aproxima da corrente Sociointeracionista da linguagem e, portanto, de uma percepção da leitura como processo interativo. Em suas práticas, que configuram a segunda situação, continuam recorrendo a conceitos tradicionais de ensino. De fato, no espaço pesquisado ainda se têm como guia de ensino da leitura o livro didático e um número reduzido de gêneros textuais e suportes de leitura. O que acaba excluindo os alunos das práticas de leituras sociais no espaço escolar. Apesar disso, nota-se que os alunos fazem uso das práticas sociais de leitura pois, recebem incentivos dos familiares, principalmente das mães. O que propicia níveis variados de letramento, condizentes com o nível cultural do núcleo familiar a que pertencem os estudantes.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, CONCEPÇÕES , PRÁTICAS

TÍTULO: DO CPVC À UNIVERSIDADE: DIÁLOGO, REFLEXÃO E LEITURA
AUTOR(ES): CLÉA MOREIRA DE OLIVEIRA CRESTA DE MORAE
RESUMO: O trabalho intitulado “Do CPVC à Universidade: diálogo, reflexão e leitura” estuda a aquisição do hábito de leitura e do desenvolvimento da escrita em jovens oriundos da classe popular, que se prepararam para ingressar na Universidade e frequentaram cursos de pré-vestibular comunitários (CPVC) em lugar de cursos convencionais. A estrutura dos cursos comunitários é baseada no voluntariado – professores e coordenadores; dos alunos são cobradas pequenas taxas de manutenção; e é almejado “recuperar” parte dos onze anos passados no sistema falido de educação brasileira. Em razão disso, a pesquisa busca compreender e explicar a crença existente entre o alunado de que o profissional da educação é a única pessoa habilitada a transmitir conhecimentos; que a escola é local onde se aprende (a reproduzir) os saberes em lugar de estimular a produção do conhecimento e o incremento da identidade, da subjetividade, da alteridade através di diálogo e da reflexão, levando-se em consideração seus pares e o contexto social. Assim, ao iniciarmos o trabalho, verificamos que estes jovens apresentavam várias dificuldades no âmbito cognitivo que foram, aos poucos, superadas por meio da leitura, da prática sistêmica do ato de ler e escrever, do ato de ouvir e pensar, resultando também na melhoria da expressão oral e do desempenho acadêmico. É necessário ressaltar que o objetivo deste estudo é mostrar que os círculos de leitura são eficientes na formação do leitor jovem e adulto. Mais ainda, na formação daqueles pertencentes às classes populares e marginalizadas, com pouco ou nenhum contato com leituras prévias, apresentando-lhes textos de boa qualidade e com mediadores comprometidos que possam formá-los e prepará-los para a educação superior.
PALAVRAS-CHAVE: C URSO DE PRÉ-VESTIBULAR COMUNITÁRIO, CIDADANIA E IDENTIDADE, LEITURA E DISCURSO

TÍTULO: LENDO MINHA VIDA, CONTANDO MINHA HISTÓRIA: O CENÁRIO ATUAL DA MULHER RIBEIRINHA
AUTOR(ES): CRIZEIDE MIRANDA FREIRE
RESUMO: O presente texto aborda questões relacionadas às histórias de leitura das mulheres ribeirinhas de Xique-Xique, buscando apreender através desse gênero traços do ambiente cultural, bem como aspectos relacionados às identidades que circulam nas classes que essas mulheres frequentam. Cada sujeito é um universo próprio, sua história de vida é o elemento com o qual ele se significa ao mesmo tempo em que significa o mundo em que vive. O contato mais direto com a leitura possibilitou a esse sujeito-leitor, as mulheres ribeirinhas, confrontar seu conhecimento de mundo com os novos saberes, através de uma interação dialética, promovendo a construção e reconstrução de si mesmo e do outro. No cenário em que hoje as mulheres ribeirinhas se localizam, no seu papel enquanto mãe, tecedora de rede, pescadora, se reconstituem no movimento elástico que se inaugura com suas novas vivências, a partir de sua relação com o mundo grafocêntrico, tornando seu percurso fluído e não mais estático, imutável, redimensionando assim a relação histórica de discriminação na educação feminina com suas identidades “congeladas” sob padrões machistas e conferindo-lhes autonomia para galgarem novos espaços na sociedade. Dessa forma, ao narrarem a sua própria história de leitura as mulheres ribeirinhas elaboram seu auto-retrato, constroem imagens próprias, se colocam diante de si e diante do mundo enquanto sujeitos situados em seu tempo e espaço, numa reconstrução identitária.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, LEITURA, EXCLUSÃO

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA E EXCLUSÃO SOCIAL: O CASO DE DUAS LOCALIDADES RURAIS – PAREDÃO E COSTA DO BICA (PIRATINI/RS)
AUTOR(ES): DARLENE ROSA DA SILVA
RESUMO: O presente trabalho é parte da pesquisa de dissertação de Mestrado desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas, seguindo a linha de pesquisa “Cultura Escrita, Linguagem e Aprendizagem” e, tendo a orientação da Profa. Dra. Eliane Peres. O objetivo da pesquisa foi conhecer as condições sociais, culturais e educacionais das pessoas que residem nas localidades do Paredão e da Costa do Bica, zona rural do município de Piratini/RS. Através de entrevista estruturada pode-se delinear o perfil educacional, cultural e socioeconômico de 114 famílias, totalizando 344 sujeitos, entre homens, mulheres e crianças. Além deste levantamento, também, foram realizadas em algumas famílias, entrevista semi-estruturada, para conhecer e entender os motivos que levaram alguns sujeitos a não estudarem ou a não terem dado continuidade aos estudos. Muitas histórias se destacaram nesta pesquisa, como por exemplo, pessoas que não tiveram oportunidade de frequentarem a escola, mas que depois de adultas alfabetizaram-se sem intermédio desta. Os primeiros resultados apontam que 41% das pessoas que lá residem são descendentes indígenas e, 21% de suas casas são de barro e santa-fé. Além deste dado pode-se constatar que 39% dos moradores do Paredão (sujeitos que não frequentam mais a escola ou nunca frequentaram) são analfabetos absolutos, e na Costa do Bica este dado é representado por 45% dos habitantes. Destaco ainda, que muitas pessoas vivem excluídas socialmente nestas localidades, sem energia elétrica, água encanada e até mesmo ônibus coletivo. A investigação teve grande significado, pois permite refletirmos sobre a história de sujeitos “comuns”, vinculados a contextos marcados pela oralidade, além de compreendermos as dinâmicas de aprendizagem não-escolares, que possibilitaram a inserção de indivíduos na cultura escrita. Foram utilizadas como referências teóricas: Abreu (2004), Brito (1996), Hèbrard (1996 e 2001) e Ferraro (2002 e 2004).
PALAVRAS-CHAVE: EXCLUSÃO, ANALFABETISMO, PRÁTICAS DE LEITURA

TÍTULO: EXPERIÊNCIAS FEMININAS DA TRAVESSIA: NARRATIVAS, LUGARES E MUNDO
AUTOR(ES): DOUGLAS BEIRO
RESUMO: Tendo como pressuposto que o narrar é “a faculdade de intercambiar experiências” – e intercâmbio não se faz no isolamento, se necessita de duas ou mais pessoas para se efetivar esse intento – buscamos refletir sobre a construção de narrativas que remetem a locomoção através do espaço: experiência feminina da travessia. Quem constrói uma narrativa, reinventa o mundo e reinventa si mesmo a partir de sua experiência e das experiências de outros – distantes no tempo e no espaço, ou mesmo contemporâneos e, desses, aqueles que estão participando do momento da construção do que está sendo narrado –, em outras palavras, falam de personagens, acontecimentos e lugares. Esses alinhavados, tecidos em conversas que remetem ao espaço da itinerância, disparam memórias da experiência individual que entrelaçam com experiências da memória coletiva. Falas entrelaçadas compõem outras falas, outras representações, outras narrativas sobre um período histórico específico. “Pequenas misérias” em relação as grandes misérias do mundo. Não somente misérias, mas também riquezas, astúcias, mergulhos em tempos e espaços que, quando experienciados, eram desconhecidos. Muito mais que misérias, são tesouros que se constroem com palavras compartilhadas, “leituras do mundo”. O mundo, dimensão espacial, temporal, representativa, é um constructo coletivo de inúmeros significados, cujas dimensões jamais se excluem, compõem um objeto em permanente processo de ressignificação talvez a espera, sempre incompleto, “em trânsito”, dos “que vão chegar” (Quem sabe se essa não seja a metáfora do sustentável?).
PALAVRAS-CHAVE: REPRESENTAÇÃO, MEMÓRIA, GEOGRAFIAS

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 6
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: VIVÊNCIAS DE LEITURA E LITERATURA EM UMA COMUNIDADE RURAL EM PRATINHA - MG
AUTOR(ES): EDELNICE FAGUNDES DOS SANTOS
RESUMO: Este trabalho relata o projeto Vivência de Leitura e Escrita numa comunidade rural de Pratinha – MG. Sabemos que letramento literário é uma prática social, que visa formar o leitor crítico, capaz de atribuir efeitos de sentido – mesmo implícitos – fundamentada na idéia que a compreensão supõe uma relação cultural, histórica, social, e assim, a reflexão e a crítica se manifestará no uso eficaz da linguagem. Ao observar no grupo de agricultores a falta de envolvimento comunitário, de atividades de lazer e cultura, de desenvolvimento intelectual e técnicas de trabalho, sentimos a necessidade de, através de reuniões com o mote de vivência literária, estimular a leitura e a oralidade, instigando-os e propondo a inclusão dos mesmos no universo social e cultural letrado. Ao oferecer a leitura exercida com compromisso de conhecimento, percebemos que a relevância do projeto está em melhor compreender o mundo e o homem, em proporcionar a compreensão polissêmica do texto tornando-o significativo, contribuindo para que utilizem esses conhecimentos na melhoria pessoal como prática de ação social, inclusive, ao longo do projeto, pretende-se inserir cursos que transformem a produção de subsistência em ação lucrativa. Metodologicamente, organizamos numa fazenda encontros semanais de leitura de diversos gêneros textuais, onde fazemos discussão temática e alguns membros entregam por escrito um comentário sobre o encontro e o texto, há também jogos de dama e xadrez. Perfil dos participantes: pequenos agricultores, que plantam o essencial para subsistência e permutas; faixa etária entre 13 a 61 anos; apesar de a escolaridade revelá-los alfabetizados, a maioria com ensino fundamental incompleto, poucos, ensino médio incompleto, há predominância de iletrados. Preliminarmente consideramos que a prática de análises orais modificou a função interpessoal, a frequência e o interesse provam que o desejo de progresso não se realiza apenas no letramento escolarizado, mas no engajamento social das pessoas.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA, LETRAMENTO
TÍTULO: OFICINA PALAVRA MAGICA DE LEITURA E ESCRITA
AUTOR(ES): ELAINE CRISTINA TOMAZ SILVA
RESUMO: A Oficina Palavra Mágica de Leitura e Escrita, desenvolvida pela Fundação Palavra Mágica, é um projeto de desenvolvimento das habilidades de leitura e expressão oral e escrita de jovens e adolescentes de baixa renda para estimular o exercício da cidadania e o protagonismo social. Cada oficina tem, em média, 25 integrantes e duração de dez meses, com um total de 74 aulas, com carga horária de seis horas semanais. Além das atividades de formação, é instalada uma minibiblioteca no local para facilitar o acesso aos livros e estimular o empréstimo domiciliar. O projeto oferece cursos de formação de agentes de leitura (coordenadores, mediadores e apoiadores voluntários), com a realização de workshops, palestras, seminários e encontros mensais. Com metodologia própria, desenvolvida pela Profª Drª Maria Antonieta da Cunha (UFMG), especialista em literatura, a Oficina é preparada para atender o público jovem e baseia-se, sobretudo, em questões instigadoras, fazendo o leitor procurar respostas, ou novas perguntas, e discutir seus pontos de vista. Com temas atuais e adequados ao interesse da faixa etária propõem atividades a partir de textos diversos: contos, crônicas, poesia, música, fotografia, cartazes, teatro, charge, quadrinhos, entre outros. Cada aula parte de um debate em torno de determinado tema, avança pelas etapas de leitura de textos sobre o tema abordado, discussão e reflexão dos textos lidos, produção escrita, divulgação da produção e avaliação do encontro, considerando as características do lugar onde ela acontece. Finalizando a Oficina são produzidos uma coletânea com textos dos jovens, uma esquete teatral e um jornal. Além de formar leitores, este projeto busca oferecer como ferramenta fundamental – essa condição nova de ler, compreender o sentido, tomar consciência para ampliar a sua concepção do mundo, expressar-se, apropriar-se e desenvolver conceitos como direitos sociais e cidadania e, a partir daí, criar condições para mudar a realidade.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E ESCRITA, CIDADANIA, PROTAGONISMO SOCIAL

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA EM AULAS DE PORTUGUÊS E O TRATAMENTO DAS QUESTÕES RACIAIS E DE GÊNERO
AUTOR(ES): ELÂNIA DE OLIVEIRA
RESUMO: O objetivo deste trabalho é discutir a relação entre a prática da leitura em uma sala de aula de Português e a visibilidade ou não de categorias sociais de raça e de gênero na interação entre uma professora e seu grupo de alunos. O estudo integra uma pesquisa etnográfica desenvolvida ao longo de um ano, com 30 crianças, entre 8 e 10 anos de idade, de uma escola pública de Belo Horizonte, Minas Gerais. A abordagem orienta-se pelos princípios da etnografia interacional, da antropologia cultural e da análise crítica do discurso. As análises foram desenvolvidas de forma a responder às seguintes perguntas: Como foram desenvolvidas as atividades de leitura ? Os materiais utilizados nessas atividades já contemplavam as questões raciais e de gênero ou possibilitavam aos participantes refletirem sobre essas questões ? Questões raciais e de gênero se tornaram presentes ou não nas interações entre a professora e as crianças, mediadas pelo material utilizado na leitura? Os resultados do estudo mostram que, dentre os processos que se tornaram visíveis nos eventos de leitura analisados, encontram-se as relações raciais e de gênero, tratadas de forma estereotipada. E, nesse sentido, nos chamam a atenção para a necessidade de observarmos, no trabalho que realizamos com a leitura em sala de aula, como as diversas questões ligadas às diferenças – tais como raça, gênero, entre outras, aparecem e se revelam nos discursos, e o papel que o professor exerce na desconstrução ou não dos estereótipos circunscritos aos materiais de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA SALA DE AULA, (IN)VISIBILIDADE, RAÇA E GÊNERO

TÍTULO: NO DISCURSO DOS ALUNOS - A LEITURA: UMA PRÁTICA ESCOLARIZADA
AUTOR(ES): ELI REGINA NAGEL DOS SANTOS
RESUMO: Esta investigação situa-se na área da Educação, é um recorte de pesquisa de mestrado, na qual, almeja-se: compreender os efeitos de sentidos produzidos em relação à leitura nos discursos dos alunos de 8a. série (nono ano). Para tanto, buscam-se fios teóricos que contemplam contribuições de áreas diferentes, como: Orlandi (1987; 2001), Perissé (2005), Chartier (1999). Desde modo, optou-se por trabalhar com uma abordagem qualitativa de pesquisa, e para análise - guiados pela teoria da Análise Discursiva. Para obter as formulações dos sujeitos foi realizada uma entrevista em grupo com três alunos de 8a. série, de uma escola da Rede Pública Municipal de Ilhota – SC. Porém, para este artigo, nos limitaremos a um recorte no discurso de um sujeito, considerando a possibilidade de aprofundar esta formulação. Desta forma, a partir dos estudos realizados reconheceu-se nas formulações discursivas do sujeito: a leitura como uma prática escolarizada, utilizada para responder exercícios de livros. Subjacente a seu depoimento, o sujeito, retratou a necessidade da leitura, enquanto, prática social. Como também, deixou entrever a carência de definição sobre: a importância, a utilidade da leitura no final do Ensino Fundamental, citando-a, exclusivamente, como fonte de informação. Assim, podemos dizer que: Ser leitor na escola pode ser mais do que participar de práticas escolarizadas, ou seja, adquirir/reter informação e realizar leituras mortas sem função e papel social. É oportunizar como fundamento para o aluno, a leitura dentro das dimensões de Perissé (2005): ler para informar-se, para distrair-se, para refletir, para inspira-se, e nessas condições formar-se e transformar-se, enquanto cidadão, com voz e vez, dentro da sociedade letrada de que participa.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, DISCURSO, ALUNO

TÍTULO: LEITURAS DE PIETER BRUEGHEL: A ARTE DE CRIAR E TRANSVER O MUNDO
AUTOR(ES): ELIANE APARECIDA BACOCINA
RESUMO: A comunicação apresenta um recorte de dissertação de Mestrado que propôs entrecruzar saberes de educadores e educandos que atuam e frequentam a Educação de Jovens e adultos, a partir de leituras de imagens em pintura. Com os educandos, as imagens foram apresentadas em sala de aula, enquanto proposta metodológica. Com as professoras, em encontros de discussão e diálogo. Entre tais imagens, estavam duas obras de Pieter Brueghel: “Jogos Infantis“ e “Provérbios Flamengos“. É possível ver, pelas telas de Pieter Brueghel, por trás de um olho que vê e uma lembrança que revê, uma capacidade de “ir além“ da realidade vivida - por que não dizer, de “transver o mundo“, como propõe o 17° COLE, por meio dos versos de Manoel de Barros. Procura-se refletir, a partir de aportes teóricos de autores como Ostrower e Vygotsky, sobre o processo de criação do pintor e o de leitura de quem contempla uma obra de arte. Como conceber o processo de criação? O que leva um artista que viveu no século XVI a retratar em suas telas imagens que levam o leitor a, ao mesmo tempo, ver, rever e transver conceitos e experiências? Sem a intenção de apresentar certezas, este trabalho aponta possibilidades de compreensão sobre práticas de leitura , possibilidades de invenção de modos de aprender e ler.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, ARTE, CRIAÇÃO

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 7
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: DISCUTINDO GÊNERO, “RAÇA“ E LETRAMENTO: PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS
AUTOR(ES): ELISABETE NASCIMENTO
RESUMO: O valor social e simbólico da atividade linguística, no contexto contemporâneo, é fundamental para a inserção no mundo do trabalho. As práticas sociais têm demonstrado que o trato com a língua transcende a comunicação e o mero aspecto formal/gramatical da língua. Esta é também interação, articulação e rearticulações mnênicas capazes de transformar o sujeito crítico em operador do discurso, e em operador de memória social e individual. A língua impõe, produz e transforma espaços produtivos. Articula-se um universo semiológico compreendido pela multiplicidade de estratégias “interdiscursivas e intersubjetivas, práticas sociais de poder. Neste aspecto, qual a função social do Letramento no tocante às práticas simbólicas e literárias relativas às categorias de Gênero e de “Raça”? Muitas têm sido as estratégias de descristalizar os sentidos autoritários, que “inventaram” e “prescreveram” categorias como homem, mulher, homossexual, transsexual, e o negro como mercadoria. Neste sentido, o trabalho busca investigar estratégias capazes de abolir a escravidão discursiva relacionada às contribuições de gênero e às de matriz africana, a partir da apresentação do projeto LABORAFRO, que visa atender às exigências da Lei Maria da Penha e a Lei 10639/03. É hipótese desta abordagem que o referido projeto engendre estratégias contrárias à idéia de subalternidade “prescrita” à(s) identidade(s) relativa(s) à Gênero, “Raça” e Letramento.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, “RAÇA“, LETRAMENTO
TÍTULO: MULHERES NEGRAS,PROFESSORAS RELENDO SUAS HISTÓRIAS DE VIDA E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
AUTOR(ES): ELIZETE SANTOS ABREU
RESUMO: O texto faz parte de algumas análises discutidas no capítulo terceiro da dissertação de mestrado intitulada: Histórias de Vida de Mulheres Negras, Professoras nas cidades de Caxias e São Luís do Maranhão,apresentada ao Programa de Pós-Graduação da UNISINOS. No referido capítulo abordou-se as vivências obtidas na infância, na escolarização e formação/atuação profissional, e como essas vivências refletidas podem transformar-se em experiências formadoras para a prática pedagógica. Busco fundamentos metodológicos na pesquisa-formação de Marie-Christine Josso (2004), nos estudos de gênero com abordagem feminista, em especial as teóricas Ivone Gebara, Marcela Lagarde e outras; e étnicas em Nilma Gomes, Petronilha Beatriz e outras. Houve o interesse em sistematizar as narrativas como ferramentas metodológicas que se aproxime do método investigativo proposto por Mannheim (apud WELLER, 2005). Como arremates finais, destacou-se que o brincar baseado numa abordagem androeurocêntrica na infância, contribui para o direcionamento da profissão professora para as mulheres negras escolarizadas, para as demais mulheres negras não-escolarizadas ficou sendo compreendido o espaço doméstico, principalmente o da empregada doméstica o seu espaço.Que as ancestralidades greco-judaíca e cristã fundamentam esse modelo e tal compreensão tem fortalecido esse pensar. Fato esse que tem-se observado uma escassez substancial da presença feminina nos cargos de comando e nas Ciência e Tecnologia. Por essa razão, as mulheres negras professoras encontram dificuldades em discutir o seu pertencimento étnico/racial e de gênero, bem como se firmarem como sujeitos participantes e atuantes na sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: FEMINISMO, ETNIA, EDUCAÇÃO
TÍTULO: PERAMBULANDO PELOS QUINTAIS DA PERIFERIA DA LITERATURA
AUTOR(ES): ELZA BORGES PIMENTEL
RESUMO: O trabalho pretende discutir sobre as relações entre linguagem e literaturas, apontando para a atribuições de valores literários, que nos fez chegar à concepção de literatura marginal. Perseguindo os caminhos que nos levaram a construção do cânone literário colocando uma literatura suprema, em detrimento de outra, posta às margens. Com isso, partimos de um outro ponto: a desconstrução do cânone literário, abordando sua criticidade e suas implicações. Algumas questões norteadoras contornam esses assuntos: o que faz uma obra ser considerada marginal? Por que consideramos apenas os classicos literários como boa leitura? Todas as obras que não pertencem ao cânone literário é marginal? A partir dessas questões pensamos, por meio dos generos discursivos, o lugar das letras de rap, refletindo acerca de seu valor literário, de sua expressão como poesia do cotidiano, como literatura marginal e principalmente como leitura acessivel às camadas sociais que se encontram às margens da sociedade. São as letras de rap que invadem as escolas, fazem parte da vida dos jovens que vivem nas periferias e os fazem refletir sobre a sua condição e perspectivas em seu meio social. E o mais importante: pensar uma literatura que nasce da/na periferia e são poesias escritas por sujeitos que nasceram e vivem nessa localidade, falando da representação simbólica de suas realidades. A partir dessas reflexões concluímos que lingugem e realidade se entrelaçam dinamicamente por meio das literaturas.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA MARGINAL, LINGUAGEM, RAP
TÍTULO: NO COLO DE KADIDJA: A MATRIARCALIDADE AFRICANA EM AMKOULLEL, O MENINO FULA
AUTOR(ES): EUMARA MACIEL DOS SANTOS
RESUMO: Neste trabalho, tem-se como objetivo traçar uma linha de estudo sobre a matriarcalidade africana em Amkoullel, o menino fula, de Amadou Hampâté Bâ, o mestre da tradição oral africana, ao passo que seja observada tal matriz cultural, bem como o grande valor que possuía para os fula. A pesquisa, que impulsionou a escrita deste artigo, direcionou-se para a matriarcalidade, um viés cultural que confere às mães africanas o poder de principiar, e também guiar sua família. Ao confrontar as narrativas de Bâ (2003) com os pressupostos teóricos que versam sobre o papel da mulher na sociedade, descortinaram-se as idéias de Beauvoir (1989) que questiona o casamento como instituição e ataca a opressão masculina, Deleuze & Guattari (1995) ao trazerem o conceito de rizoma, Ferenczi (1991) que conceitua a idéia de introjeção, Scott (1990) ao tratar sobre o papel da história na construção das relações de gênero, Tubert (1996) que discorre sobre maternidade e novas tecnologias de reprodução, entre outros. Assim, neste artigo, procura-se mostrar a beleza das matrizes culturais africanas, ao passo que se faz um relato autobiográfico das memórias infanto-juvenis do autor, ressaltando o grande valor da mulher na África de Amkoullel, na região da savana do atual Mali.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA AFRICANA, MATRIARCALIDADE, MEMÓRIA

TÍTULO: PRÁTICA SOCIAL DA LEITURA: POSSIBILIDADES DE PROMOVER A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS POR MEIO NARRATIVAS
AUTOR(ES): EVALDO RIBEIRO OLIVEIRA
RESUMO: O presente trabalho pretende abordar as potencialidades pedagógicas presente em narrativas de uma intelectual negra e como estas narrativas podem contribuir para a educação das relações étnico-raciais. Os guias para encontrar potencialidades pedagógicas em materiais de ensino foram os princípios destacados no Parecer CNE/CP 003/2004 que institui Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, que são: consciência política e histórica da diversidade, fortalecimento de identidades e de direitos, ações educativas de combate ao racismo e à discriminação. Entendo por potencialidades pedagógicas materiais que podem criar aprendizagens e ensinamentos, podem possibilitar novas visões de mundo, com as quais dialoga novos jeitos de ser e viver. A obra estuda é de Thereza Santos, intitulada “Malunga Thereza Santos: a história de vida de uma guerreira“. Para tanto me inseri na prática social da leitura, ou seja, primeiramente buscava identificar em que medida uma obra de uma intelectual negra que registrou suas experiências fortalecedoras ou adversas construiu sua identidade negra, para a luta da população negra. Num segundo momento, esta prática de leitura foi realizada em conjunto com a autora, como um auxilio a escritora para revisar seu texto para publicar a obra. Foi verificado que as narrativas oferecem possibilidade de fortalecer o pertencimento étnico-racial, a identidade étnico-racial, a consciência da diversidade; entre outros, além de conhecer sobre a história, cultura e valores africanos e afro-brasileiros, que contribuem para a educação das relações étnico-raciais. O estudo apontou para a importância de guias para avaliar e produzir materiais para a educação das relações étnico-raciais. Constatou que encontrar potencialidades pedagógicas em materiais de ensino é uma ferramenta para a educação das relações étnico-raciais, para a formação de professores e que as práticas de leitura têm a possibilidade de influenciar novas visões de mundo.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICA SOCIAL DA LEITURA, EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS, NARRATIVAS

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 8
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA NO ENSINO FUNDAMENTAL: CONDIÇÕES DE ACESSO A SUPORTES DE LEITURA
AUTOR(ES): FABIANA LUMI KIKUCHI
RESUMO: A leitura é importante não só para a escola, como para a vida. Necessária para a inserção social e cultural, além de imprescindível para o exercício pleno da cidadania. A formação de leitores pela escola está relacionada a outros contextos, visto essa formação ser um processo que se inicia antes do indivíduo ingressar na escola e se prolongar por toda a vida. O presente relato é um recorte das informações obtidas para a monografia defendida em um curso de especialização de uma universidade pública, a qual teve, entre outros objetivos, o de identificar os diversos suportes utilizados pelas crianças para realizarem leitura, tanto na escola quanto em casa. Atuaram como participantes 78 alunos da 4ª série do Ensino Fundamental de uma escola municipal de uma cidade de pequeno porte do estado do Paraná. Dois instrumentos foram utilizados para coleta de informações: a escala de Maher e Silva (1983), e o questionário de Sainsbury e Schagen (2004), traduzido e adaptado por Sasaki e Pullin (2005) para uso junto a escolares brasileiros. Análises quali-quantitativas foram realizadas, a partir das informações colhidas, registrando-se que os livros são os suportes mais presentes e usados para ler no ambiente familiar e escolar. No entanto, mesmo tendo em casa outros materiais para ler, poucos os lêem. Na escola entre os demais suportes usados para leitura foram, além do livro, os gibis e jornais. O acesso e a leitura de revistas de divulgação técnica ou científica, em casa e na escola são raros. As condições de acesso e as práticas de leitura, vivenciadas em casa e na escola, conforme constatadas no presente trabalho e na literatura pertinente, instigaram reflexões acerca de seus efeitos para a formação de leitores, de suas atitudes e práticas, bem como para as possibilidades que circunscrevem para a significação da leitura.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, SUPORTES DE LEITURA, ENSINO FUNDAMENTAL

TÍTULO: GÊNERO E FORMAÇÃO DOCENTE: CONTRIBUIÇÕES DE UM PROCESSO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
AUTOR(ES): FABIANE FREIRE FRANÇA
RESUMO: O objetivo deste artigo é demonstrar algumas representações sociais de gênero apresentadas por professores e professoras de 5ª e 6ª séries de uma escola pública da cidade de Sarandi/PR. A produção das desigualdades de gênero é decorrente de processos sociais mais amplos que designa as posições dos sujeitos no que diz respeito ao seu corpo, à sua sexualidade, raça, classe social, religião etc. Em vista disso, problematizamos: Quais as representações sociais de professores e professoras a respeito de gênero? Esse conceito pode ser ampliado e/ou reorganizado por meio de uma intervenção pedagógica? Para tanto, realizamos entrevistas com os/as docentes e um processo de intervenção pedagógica com discussões em grupo com o intuito de repensar o gênero em um contexto sócio-histórico mediante o processo de tomada de consciência que envolve a explicação e justificativa dos sujeitos sobre o seu conceito com base em outras perspectivas. Tomou-se como fonte de dados as verbalizações dos professores e das professoras antes, durante e depois do processo de intervenção pedagógica. Caracterizamos esta análise como uma pesquisa-ação participativa, ao considerar a pesquisa um instrumento de “(re)construção” do conhecimento do ponto de vista ético, bem como um instrumento privilegiado para a realização de investigações sobre a escola e a prática docente por meio de problematizações. Os resultados deste artigo apontaram um movimento de opiniões e definições do conceito de gênero apresentado pelos/as professores/as após o processo de intervenção pedagógica. Esse movimento evidenciou abertura à compreensão do conceito de gênero diferente das representações iniciais dos sujeitos. Consideramos que tais resultados revelam a necessidade de maiores discussões sobre o gênero no ambiente escolar.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO ESCOLAR, GÊNERO, FORMAÇÃO DOCENTE

TÍTULO: A CONDIÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE EM SITUAÇÃO DE RISCO NO BRASIL: UMA LEITURA HISTÓRICO-LEGISLATIVA
AUTOR(ES): FERNANDA BOMBARDA
RESUMO: A questão da condição das crianças e adolescentes em situação de risco sempre esteve presente na sociedade brasileira. Desde a colonização aos dias de hoje, é de fácil percepção as transformações que ocorreram no modo de olhar para esse problema. No período da colonização começou-se a perceber um grande número de crianças abandonadas. Essas crianças, geralmente fruto de uma relação fora do casamento, eram deixadas na rua. A colônia não contava com nenhum tipo de lei, dessa forma, não poderia modificar essa situação, que cada vez mais se agravava. Com o passar do tempo e o aumento dos problemas, foram se instituindo leis no território colonial e aos poucos, as crianças e os adolescentes foram reconhecidos como pessoas em situação de risco. Com a transformação da sociedade, as leis que versavam sobre as crianças e os adolescentes em situação de risco também acompanharam essas mudanças, partimos de leis que tinham um caráter meramente assistencialista e disciplinador, para leis que apontam as crianças e adolescentes como seres em formação. Neste artigo, buscamos compreender através dos processos históricos e legislativos a transformação da condição da criança e do adolescente em situação de risco no Brasil, através do tempo. Por meio da leitura das leis e dos processos históricos, ocorridos no país, do descobrimento a lei 8.069, de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), apontamos quais foram algumas das mudanças que ocorreram na condição legal das crianças e adolescentes em situação de risco no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA HISTÓRICO-LEGISLATIVA, CRIANÇA E ADOLESCENTES, SITUAÇÃO DE RISCO

TÍTULO: LEITURAS DE PROFESSORAS ALFABETIZADORAS: MEMÓRIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES
AUTOR(ES): FILOMENA ELAINE PAIVA ASSOLINI, GISLAINE GASPARIN NOBILE
RESUMO: Neste trabalho, apresentamos um recorte de uma ampla pesquisa que investigou a relação que trinta professoras alfabetizadoras estabeleceram com a leitura, ao longo de suas vidas. Com base na Análise do Discurso de “linha” francesa (doravante AD), na abordagem Sócio-Histórica do Letramento e nas contribuições de Chartier, buscamos saber se e como tais relações repercutem em suas práticas pedagógicas escolares. Dentre outros, o conceito de memória discursiva proposto pela AD foi por nós mobilizado, para analisarmos os ecos das vivências e experiências com a leitura nos fazeres pedagógicos de professoras alfabetizadoras. Sendo trabalhada pela noção de interdiscurso, como propõe Orlandi (2006), memória discursiva pode ser entendida como sendo “algo que fala antes em outro lugar e independentemente”. Nosso corpus foi constituído por narrativas e depoimentos de trinta professoras alfabetizadoras que ministram aulas para os anos iniciais do ensino fundamental, em diferentes cidades do interior do estado de São Paulo-SP-Brasil. Integram também nosso corpus, registros escritos decorrentes de observações de aulas ministradas por essas educadoras. Os materiais didáticos por elas utilizados para o preparo de suas aulas também fazem parte de nosso corpus. A partir desse amplo espaço discursivo (Maingueneau,1984), selecionamos alguns recortes discursivos de referência, SDR, Courtine (1982), que constituem os recortes analisados. Nossas análises apontam que sujeitos-professores cujas memórias discursivas vinculam afetos positivos às suas experiências com a leitura buscam desenvolver práticas pedagógicas escolares que possibilitam aos educandos pelos quais são responsáveis ocupar a posição de sujeitos que produzem sentidos. Por outro lado, vivências e experiências com a leitura associadas ao desprazer, à interdição, à obrigatoriedade e às situações pífias, quando não ressignificadas, contribuem para com a identificação do sujeito professor com formações discursivas nas quais predominam características do discurso pedagógico escolar tradicional.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PROFESSORAS ALFABETIZADORAS, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
TÍTULO: A LEITURA DE QUADRINHOS (HQS): UMA BOA VIA PARA A AFETAÇÃO POLÍTICA DO JOVEM ESTUDANTE?
AUTOR(ES): FLAMÍNIA MANZANO MOREIRA LODOVICI
RESUMO: Dizer da leitura de histórias em quadrinhos (HQs) na escola de primeiro e segundo graus não parece nada novo, já que os professores vêm-se valendo desse procedimento há tempos, seja interpretando com seus alunos uma tira, seja promovendo a leitura de toda uma historinha. Tal atividade, por outro lado, pode tornar-se uma via bastante produtiva na formação do jovem, especialmente o de segundo grau, se possível for a análise de personagens de caráter político, cuja sugestão aqui incide em Ubaldo, o Paranóico, criado por Henfil e Tarik de Souza, para a revista IstoË, nos anos de 1964 a 1985. Nesse sentido, o objetivo é focar um personagem de quadrinhos cujos traços permitam uma efetiva análise da complementaridade verbal e não-verbal presente em eus processos constitutivos, além da recuperação dos aspectos ideológicos que permeiam ambas as linguagens e que trazem afetadores efeitos de sentido aos leitores. Justamente para que o jovem estudante se dê conta do que é ser um sujeito político; que ele próprio, ainda que não o admita, não deixa de fazer política no dia-a-dia (no sentido brechtiniano); que o jovem ganhe lucidez e compreensão sobre um triste período de nossa história ainda não problematizado à altura de sua real complexidade e que nos convoca insistentemente a obstar qualquer tentativa de sua repetição; que o jovem possa, enfim, entender e reconhecer que fazer política pode ser forma digna de exercer a cidadania.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DE QUADRINHOS, LINGUAGEM DAS HQS, LEITURA DO POLÍTICO NA SOCIEDADE
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 9
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: MULTIPLICIDADES DE PRÁTICAS E SINGULARIDADES DE PAPÉIS: HISTÓRIA DA MULHER JUDIA NO BRASIL NA PERSPECTIVA DE GÊNERO. ( NOTA PRÉVIA AO ESTUDO DA COMINIDADE JUDAICA DO PARANÁ)
AUTOR(ES): FLAT JAMES DE SOUZA MARTINS
RESUMO: Ao analisar os ritos e celebrações religiosas dos imigrantes judeus no Brasil, especificamente na comunidade judaica do Paraná entre os anos de 1920 e 1930, resultou em leituras orientadas para apreender a presença feminina no interior da religiosidade judaica e as suas práticas e papéis reservados às mulheres, bem como a amplitude de tais espaços no interior da comunidade em que se inserem. A partir da investida sobre as obras básicas do judaísmo que orientam suas práticas religiosas, cujas as marcas estão presentes nos mais variados traços de suas práticas cotidianas. A comunidade judaica do Paraná do período entreguerras do século XX, possui como traços marcantes as relações de solidariedade e as tradições religiosas que, antes de tudo, selam as condições mínimas para a preservação da sua própria identidade cultural. Contudo, o aspecto mais relevante da consulta bibliográfica disponível fica por conta da opção da categoria do gênero como recurso de análise, numa perspectiva relacional entre homens e mulheres no interior do espaço, das práticas e tradições religiosas estabelecidas no Brasil, em destaque a comunidade judaica do Paraná. Ainda que se reconheça as limitações das fontes, a recuperação de leitura de trabalhos acadêmicos e bibliografias sobre a imigração dos judeus, da Europa para o Brasil, bem como a historicidade de sua identidade cultural e religiosa, leva ao encontro de um povo hifenizado, cujas ramificações são analisadas no presente trabalho a partir de suas especificidades no âmbito do sagrado e do secular. Desta forma é necessário entender a temática da história da mulher e o seu resgate na historiografia e na produção acadêmica. Compreender a história da mulher nas leituras historiográficas e a questão de gênero, torna-se viável e possível entender a função da mulher judia no Brasil através de uma abordagem descritiva, relacional e comparada.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, HISTÓRIA, MULHER
TÍTULO: PRÁTICA DE LEITURA E ESCRITA NO GRUPO ESCOLAR AUGUSTO SEVERO (1908-1920).
AUTOR(ES): FRANCINAIDE DE LIMA SILVA, MARIA ARISNETE CÂMARA DE MORAIS
RESUMO: Este trabalho analisa a prática de leitura e escrita no Grupo Escolar Augusto Severo, em Natal, no período de 1908 até a década de 1920. Buscamos identificar as disposições específicas que distinguem a comunidade de leitores e as tradições de escrita na formação da sociedade letrada norte-rio-grandense. Fundamenta-se nas análises de Chartier (1999), Ferreiro (1987), Lajolo e Zilberman (1996), Manguel (1997) e Morais (1997) a fim de reconstruir as redes de aprendizados que organizam, histórica e socialmente, os modos diferenciados de ler e escrever os quais se configuram em gestos e em hábitos aprendidos no espaço escolar. No período em estudo acreditava-se que por meio da escrita, entendida como a arte de gravar os pensamentos e sentimentos através das letras, as ideias ganhavam formas, a comunicação era facilitada e as verdades das ciências eram propagadas. A leitura, por sua vez, era a operação abstrata de intelecção legítima. A análise evidencia que estas atividades envolvem o engajamento do corpo do indivíduo, sua inscrição no espaço, bem como a relação do leitor e escritor consigo e com os outros. A leitura e a escrita instituem práticas concretas de interpretação, expressão de pensamentos e modos. Além disso, revestem-se de importância, uma vez que tornam-se conhecimentos escolarizados articulados a possibilidade de transmitir aos cidadãos os valores republicanos.
PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, GRUPO ESCOLAR, PRÁTICA DE LEITURA E ESCRITA
TÍTULO: A DIMENSÃO EDUCATIVA DO JORNALISMO NO SÉCULO XIX NO DISCURSO DE SENHORINHA DINIZ.
AUTOR(ES): GERLICE TEIXEIRA ROSA
RESUMO: Buscamos aqui discutir um tipo de jornalismo específico no século XIX, concebido como instrumento de leitura e de ensino aos leitores, especialmente as mulheres. Partimos do princípio de que o jornal não deve ser pesquisado apenas pelo seu conteúdo ou por sua forma e materialidade, mas também pelos poderes e lugares que ele ocupa na sociedade. O século XIX é o período em que o jornalismo começava a se firmar no Brasil, a partir da chegada da Corte Portuguesa, em 1808. Para a realização desse trabalho, utilizamos exemplares do primeiro ano de veiculação do jornal O Sexo Feminino, escrito e editado pela jornalista mineira Francisca Senhorinha Diniz, em1873, na cidade de Campanha, Minas Gerais. Através da leitura e análise dos exemplares, percebemos a ênfase dada às questões gramaticais e à própria necessidade manifestada de instruir as mulheres brasileiras quanto ao lugar ocupado na sociedade e inserí-las no mundo da leitura. Analisamos os recursos usados pela jornalista para enunciar sua posição de professora e mulher preocupada com a educação e com o futuro das mulheres no Brasil. Analisamos os processos de construção discursiva veiculados no jornal, identificando elementos linguísticos, estratégias argumentativas, visadas do discurso e representações sociais presentes nesse ato de linguagem estabelecido com o leitor. Valemo-nos, como fundamentação teórica, das pesquisas desenvolvidas por Patrick Charaudeau, especialmente o quadro enunciativo e a conceituação das visadas de comunicação. Muito mais do que estabelecer uma visão simplista e panorâmica do que era o jornalismo no século XIX, procuramos caracterizá-lo enquanto manifestação social, perpassando os caminhos seguidos por essa representante mineira.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO NO SÉCULO XIX, JORNALISMO FEMININO, ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS

TÍTULO: CULTURA ESCOLAR E DIFERENÇA: O DRAMA VIVIDO POR RUBI E DIAMANTE
AUTOR(ES): GLACIANE CRISTINA XAVIER MASHIBA
RESUMO: O presente trabalho é recorte da Dissertação de Mestrado intitulada: Rubi e Diamante vão à escola. E agora? Confrontos com a cultura escolar, com o objetivo de analisar a história de Rubi e Diamante, dois irmãos que viveram isolados em uma cidade do interior do Paraná, tendo contato humano apenas com os pais – a mãe com patologia psiquiátrica crônica e irreversível e o pai trabalhador itinerante, ausente grande parte do tempo devido ao trabalho – o que ocasionou intenso convívio com uma cadela, que se tornou “modelo” de comportamento para os meninos. Ao serem encontrados pelo Conselho Tutelar, Rubi e Diamante receberam os cuidados necessários e foram encaminhados a uma entidade de assistência à criança. Após um mês, tiveram contato com o contexto escolar e o confronto cultural foi inevitável, experiência esta que se tornou objeto de nossa pesquisa. A metodologia utilizada foi a Pesquisa Qualitativa, por meio de estudo de caso. A análise baseou-se na interface entre Antropologia, Estudos Filosóficos, Memória, Cultura Escolar pelo entendimento de que são importantes interlocutores para estudos em educação, com o intuito de responder à seguinte questão: estaria a escola preparada para receber alunos com diferenças culturais tão acentuadas no contexto escolar? Ao iniciar a investigação dessa história, pudemos contar com duas fontes, a documental e a oral, as quais nos forneceram vestígios que nos auxiliaram a contá-la, apesar de suas lacunas, silêncios, ausências e exclusões. No presente texto, optamos pelo recorte dos conceitos de igualdade e desigualdade, inclusão e exclusão, inclusão e integração, ensino regular e ensino especial.
PALAVRAS-CHAVE: SOCIEDADE;, EDUCAÇÃO;, CULTURA.

TÍTULO: COM CARINHO E COM PRESSA DE LER O RESTO. CARTAS DE UMA LEITORA DE PEDRO NAVA.
AUTOR(ES): GREYCE KELY PIOVESAN
RESUMO: Pedro Nava foi um memorialista consagrado entre as décadas de 70 e 80 do século passado. Seus seis livros de memórias lhe renderam reconhecimento nacional, entre os homens de letras e os leitores ordinários. No Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, encontramos um número expressivo de missivas que tiveram como assunto principal a obra naviana. São cerca de 400 remetentes tratando de temas ligados às letras. Este trabalho tem como fonte principal as cartas de uma leitora enviadas ao médico-memorialista Pedro Nava. São 13 epístolas remetidas entre 1978 e 1983. Estes escritos ordinários nos mostram um pouco da forma de ler e se apropriar dessa leitora, além das relações travadas com o autor da obra, passando do conhecimento público para relações pessoais e até afetivas. As cartas são capazes de apresentar um testemunho registrado no momento da leitura ou logo depois dela, dando aos pesquisadores a oportunidade de visualizar o relato sem depender apenas dos depoimentos orais apoiados na memória dos leitores, muitas vezes impossível de ser apreendido. Essas missivas trazem a voz de uma mulher de classe média (como ela própria se define) que vivia longe dos grandes centros de produção letrada do país mas que incluiu as memórias de Nava em seu cotidiano de uma maneira muito particular e íntima.
PALAVRAS-CHAVE: EPISTOLOGRAFIA, PEDRO NAVA, HISTÓRIA DA LEITURA
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 10
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA.
AUTOR(ES): HILIANA ALVES DOS SANTOS NASCIMENTO
RESUMO: Em consonância com as novas perspectivas teóricas de ensino da língua e as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais e de outros renomados teóricos no que se refere à utilização dos Gêneros Textuais, investigamos a prática didática do professor de Língua Portuguesa. Optamos pela análise qualitativa, pautada na prática docente articulada às correntes teóricas que permeiam o ensino de língua materna, constatada através de questionário aplicado a professores de Língua Portuguesa das redes estadual, municipal e particular de ensino, visando a uma reflexão sobre nossa prática diante das inovações. Considerando ser de extrema importância a utilização da diversidade textual nas salas de aula, para conexões entre as atividades discursivas propostas pela escola e a vida do aluno na sociedade, vê-se a utilização de gêneros textuais diversificados como uma forma de aproximar o discente das situações originais de produções de textos orais e escritos, contribuindo efetivamente para o aprendizado significativo de prática de leitura, produção e compreensão. Ao mesmo tempo, constata-se que ainda é tímido o conhecimento teórico relativo ao ensino com a utilização dos gêneros textuais, o que dificulta sua inserção nas práticas pedagógicas do professor em sala de aula, muito embora se reconheça que a leitura e a escrita são pontes incontestáveis para a construção do conhecimento. Neste trabalho, destaca-se a necessidade da inserção dos gêneros textuais nas aulas do Ensino Fundamental visando a uma articulação com a prática social do aluno, de forma a alcançar resultados exitosos com relação à leitura dentro e fora da escola.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS TEXTUAIS, LÍNGUA PORTUGUESA, PRÁTICA PEDAGÓGICA

TÍTULO: HISTÓRIAS LEITORAS QUILOMBOLAS: QUANDO A IMAGINAÇÃO TRANSVÊ
AUTOR(ES): ILMARA VALOIS BACELAR FIGUEIREDO COUTINHO
RESUMO: O trabalho versa sobre histórias leitoras quilombolas lembradas e compartilhadas, durante uma pesquisa de Mestrado, pelos moradores de Coqueiros, comunidade remanescente de quilombo situada na região de Mirangaba -BA, e tem por objetivo problematizar as intrincadas relações existentes entre leitura, memória e formação de identidades. Trata-se de um estudo de cunho etnográfico, tendo nas estrevistas denominadas trajetórias de vida instrumento privilegiado para a construção dos dados empíricos, que foram analisados a partir dos pressupostos da Análise de Discurso. Os gestos de leituras tecidos durante a pesquisa foram concretizados no sentido de ler o quilombo, em sua historicidade e contemporaneidade; ler a leitura, em seus determinantes teóricos, principalmente no que tange aos aspectos sociais, culturais e políticos constitutivos; e ler a leitura do quilombo de Coqueiros, buscando significar essa ação impreterivelmente ligada às práticas de apoderamento da escrita em uma comunidade onde a prevalência do oral é marcante para os processos de construção dos conhecimentos e das identidades. Os resultados mostram que os Coqueirenses estão lendo e translendo a própria realidade ancestral, a partir do que o olho vê, do que a lembrança revê e do que a imaginação transvê, apontando para a necessidade de uma formação leitora que ultrapasse determinantes grafocêntricos estigmatizantes, preconceitosos e excludentes.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, MEMÓRIA, IDENTIDADE

TÍTULO: LEITORES, LEITORAS E LEITURAS: O EXERCÍCIO DA INCLUSÃO NA PONTA DO LÁPIS
AUTOR(ES): INGRID ZACARELLI BRITO , MARIA ROSA RODRIGUES MARTINS DE CAMARGO
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo aprofundar reflexões sobre o ato de aprender, analisando os textos de alunos em uma classe de EJA, de Ensino Fundamental, na UNESP-Rio Claro. Trata-se da continuidade de uma pesquisa que teve sua origem em um exercício de leitura e re-leitura de textos produzidos, semanalmente, em cadernos individuais de registro. Os textos se configuram como espaço de diálogo entre aluno/a/escritor/a e a professora/leitora sobre o processo de ensinar e aprender a Língua Portuguesa; no primeiro momento, visava-se à reflexão do aprendizado da língua escrita, feita pelos próprios alunos. A continuidade do trabalho visa à reflexão sobre os processos de escrita e leitura referenciado pelas práticas culturais, sociais, históricas. Na produção escrita o aluno se (des)vela trazendo no bojo do texto as marcas de sua exclusão: valorização do ensino de gramática, reconhecimento da língua como norma culta, desvalorização histórico-social de si enquanto sujeito falante e usuário da língua, e o medo de escrever depreendido como político. Ao mesmo tempo, ele inscreve sua inclusão marcando seu enunciado na/pela língua: a que lhe pertence, domina e se comunica. Utilizando “sua” língua ele não se recusa a escrever, ao contrário, opina e reflete com ela, seu ensino e aprendizagem. Sobretudo, descreve: a Língua é importante, complicada, cheia de regras, deixa tonto e assusta; a Língua é difícil de colocar no papel, aprendendo parece desaprender e deixa qualquer um desanimado. Em análises preliminares, ao retornarmos aos textos, nos deparamos com indícios que demarcam as dificuldades de várias ordens, e também demarcam o exercício insistente (KRISTOF, 2006) dessa escrita que, para além de sentimentos, se utiliza de palavras que descrevem, caracterizam e marcam um praticar que é um querer, que borra fronteiras entre o saber e o não-saber.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA E LEITURA, PRÁTICAS CULTURAIS, INCLUSÃO

TÍTULO: MULHERES E LEITURA: AS LEITORAS DE FOTONOVELAS
AUTOR(ES): ISABEL SILVA SAMPAIO
RESUMO: Michel de Certeau descreve poeticamente a leitura como “uma operação de caça furtiva”, e sua definição dessa prática cultural como “o paradigma da atividade tática, o exemplo de uma atividade de apropriação e de produção independente de sentidos”, tem sido a base sobre e em torno da qual vários estudiosos – com destaque para Roger Chartier – têm desenvolvido suas pesquisas sobre a história da leitura e as diferentes maneiras de ler encontradas em momentos e contextos históricos e sociais diversos. Se para qualquer leitor já é difícil “marcar o seu lugar no texto”, já que a leitura é “uma peregrinação por um sistema imposto”, uma “operação de caça furtiva em reservas alheias” (Certeau, 2000), para as mulheres – forçosamente relegadas a uma posição de passividade, mas, na verdade, empenhadas numa luta constante contra as múltiplas limitações que sempre lhes foram impostas – a leitura parece ter sido sempre uma prática controversa, proibida ou estreitamente vigiada. E essa vigilância tem se manifestado de formas diversas, desde o ato puro e simples de examinar os livros a serem lidos por moças e senhoras (geralmente executado pelo pai, irmão mais velho, professor ou padre-confessor), até a mais sutil atividade de indicação dos livros “mais adequados” a elas, tarefa desempenhada por críticos, professores, “orientadores espirituais” ou mesmo tias bem intencionadas. Ou ainda, por editores de livros e impressos. Sob essa perspectiva, este trabalho discute a leitura de fotonovelas, um tipo de impresso que alcançou grandes tiragens no Brasil das décadas de 1960/70. A partir de entrevistas com leitoras, a pesquisa procurou resgatar as práticas e interdições relacionadas à leitura dessas revistas, constatando sua aproximação com os folhetins e romances dos séculos XVIII e XIX, e sua importância na “educação sentimental” e na formação de comportamentos e identidades de suas leitoras.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA FEMININA, FOTONOVELAS, HISTÓRIA CULTURAL
TÍTULO: ENTRE PEDRAS E MEMÓRIAS: GARIMPANDO PRÁTICAS DE LEITURAS DE MULHERES DOCENTES EM CRISTALÂNDIA-TO (1980-2007).
AUTOR(ES): JAIRO BARBOSA MOREIRA
RESUMO: Esta comunicação visa apresentar e discutir as análises que realizei sobre as práticas e representação de leituras que as mulheres docentes de Cristalândia-TO construíram acerca de si mesmas, de sua profissão, dos seus saberes e fazeres e demonstrar como essas mulheres foram minando as armadilhas do mundo machista em que estão inseridas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa construída por meio de entrevistas com garimpeiros, filhos/as de garimpeiros, professoras aposentadas, ex-diretores/as de escolas e mulheres docentes em exercício da profissão. A análise das informações foi realizada à luz do referencial teórico da abordagem da História Cultural, que tem como objetivo compreender como as práticas e representações de um determinado individuo, grupo ou comunidade são construídas (CHARTIER, 1990). Constituíram refências básicas desta pesquisa: Bosi (2006), Chartier (1990), Certeau (2004; 2006), Perrot (2006, 2007). Dialoguei ainda com os seguintes pensadores: Buke (1992; 2005), Bakhtin (2006), Pesavento (2005), Melo (2007), Halwachs (2006), Foucault (1987;2002; 2006), Ginzburg (2006), Macêdo (2003), entre outros. Os resultados da investigação demonstraram que as mulheres docentes da cidade garimpeira de Cristalândia-TO (1980-2007) têm construído táticas de intervenção (CERTEAU,2004) no cotidiano ainda machista de sua cidade e que suas práticas de leituras têm sido fundamentais no processo de superação das desigualdades de gênero. Esse estudo se constituiu em um capítulo da dissertação de Mestrado em Educação - Mulheres docentes: saberes e fazeres na cidade garimpeira Cristalânidia- To (1980 a 2007), na Faculdade de Educação da UFG
PALAVRAS-CHAVE: GARIMPO, MULHERES DOCENTES, PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DE LEITURA
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 11
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: A CONSTITUIÇÃO DO ALUNO LEITOR ATRAVÉS DAS CONCEPÇÕES DE LEITURA DOS PROFESSORES E SUAS AÇÕES
AUTOR(ES): JANES ANGIE MOREIRA DE ABREU, GLEIDENIRA LIMA SOARES
RESUMO: Esta comunicação tem como corpus pesquisas realizadas com professores e alunos de uma escola pública da periferia do município de Porto Velho, Estado de Rondônia. A pesquisa em questão buscou, a partir do referencial metodológico da pesquisa ação e teóricos de autores/pesquisadores, tais como Silva (2003), Sabinson (1999), Azevedo (1999), dentre outros, numa vertente, apreender os sentidos que são vivenciados na escola sobre leitura e as concepções de leitura dos professores e sobre as suas ações relativas à leitura em sala de aula. Reconhecer a importância do ato de ler para os alunos e com os alunos, ampliando seu universo de leituras, significa dar a esses alunos a oportunidade de começar a construir, mesmo que de forma modesta, uma crítica em relação ao que foi lido, pois é através da prática de leitura que o leitor fica sabendo dos seus direitos e deveres como cidadãos, dentre outras habilidades desenvolvidas. Os resultados encontrados mostram que os professores já deram início ao processo de transformação no modo como eles antes estabelecem suas relações com a leitura. Nos seus discursos há o relato de novas situações de leitura vivenciadas em sala de aula e uma maior ousadia no empreendimento de ações outras que viabilizaram a leitura de seus alunos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA., CONCEPÇÕES DE LEITURA., CONSTITUIÇÃO DE LEITORES.

TÍTULO: LEITORAS E MEMÓRIAS FEMINISTAS: RESSONÂNCIAS DAS LEITURAS NO BRASIL E ARGENTINA (1964-1985).
AUTOR(ES): JOANA VIEIRA BORGES
RESUMO: Os anos de 1964 a 1985 foram expressivos na história dos movimentos feministas brasileiros e argentinos, uma vez que representam o período das ditaduras militares vivenciadas de maneiras e em tempos diferenciados em cada um desses países: Brasil (1964-1985) e Argentina (os golpes se deram em 1966 e 1976, e as redemocratizações em 1973 e 1983, respectivamente). Neste período, os movimentos sociais latino-americanos sofreram as pressões exercidas pelos regimes de perseguições, prisões, torturas, e censura. Assim, por força de um contexto repressivo, as atuações dos movimentos feministas combinaram muitas vezes a atuação da militância política contra os regimes militares e as reivindicações aos direitos humanos. Partindo desse contexto, esta comunicação pretende analisar memórias de feministas brasileiras e argentinas sobre suas leituras buscando compreender quais obras circulavam nesses países, como foram lidas nessas circunstâncias, e quais os impactos que produziram na constituição dos movimentos. Através das memórias de leituras, informadas em entrevistas, procuro então perceber as ressonâncias das leituras feministas não apenas na construção dos movimentos como também nas identificações pessoais desta geração de leitoras com os feminismos. Percebendo a operação de construção de sentido efetuada na leitura como um processo historicamente determinado, que varia de acordo com o lugar, o tempo, e os grupos sociais, torna-se possível de ser escrita a história de gerações através daquelas que foram as suas leituras.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, MEMÓRIA, FEMINISMOS

TÍTULO: LEITURAS DE UM PASTOR: HISTÓRIA DA LEITURA E A FORMAÇÃO DO CLERO PRESBITERIANO
AUTOR(ES): JOÃO CESÁRIO LEONEL FERREIRA
RESUMO: O pastor presbiteriano brasileiro, como intelectual e profissional, pode ser analisado a partir de vários ângulos. Esta comunicação opta por estudá-lo como leitor. Tal escolha reflete sua peculiaridade intelectual e profissional. Em ambos os segmentos, a leitura é um dos focos centrais de sua atividade. O pastor lê para entreter-se e informar-se, mas também o faz a partir dos reclamos de seu exercício profissional. Nesse caso, há um grande segmento de publicações teológicas, subdivididas em várias subáreas, que fornecem informações, instruções e aprofundamento para o exercício pastoral. Para o desenvolvimento deste trabalho, parte-se do contexto da história cultural, utilizando de modo específico a história da leitura como referencial teórico. A pesquisa assume como corpus de análise relatórios de leitura elaborados entre 1990 e 2000 por um pastor presbiteriano da região de Campinas – SP. Em geral informalmente, os pastores indicam nos relatórios anuais leituras feitas. No caso dos relatórios do período mencionado, houve a exigência formal de que as leituras fossem declaradas. Desse fato decorre a relevância do material consultado. Na análise dos dados procura-se identificar as leituras religiosas e seculares, ênfases e omissões em temas, autores e editoras, que permitam reconhecer o perfil profissional do pastor alvo do estudo, sua inserção ou não na sociedade, e como buscou nas leituras feitas instrumentos para o exercício pastoral.
PALAVRAS-CHAVE: PASTOR PRESBITERIANO, HISTÓRIA DA LEITURA, RERLATÓRIOS DE LEITURA

TÍTULO: ETNOESCRITURAS: O HIP HOP COMO OFICINA DE LEITURA E ESCRITA MULTIMODAIS
AUTOR(ES): JOSÉ HENRIQUE DE FREITAS SANTOS
RESUMO: A parede, o corpo, a voz e também o papel. O movimento hip hop através de uma pedagogia “outsider” difunde-se pelo Brasil, paralela a escola tradicional, esgarçando os suportes nos quais os jovens das periferias vêm tecendo produtivas redes de leitura e escrita multimodais, a partir de um princípio que visa a uma proficiência transcendente a perspectiva do letramento funcional. Rappers, grafiteiros, breakers, disk joqueis, b-boys e simpatizantes do hip hop que em alguns casos mal concluíram o ensino básico (fundamental e médio), desestimulados pela realidade escolar pública, formam-se nas ruas por meio da escrita-arte – o “grafite”; do “break” – a indisciplina que é a escritura do próprio corpo autoral fluido; do “rap” – a oralidade performática que é, ao mesmo tempo, ritmo e poesia; do “DJ” – o plagiário-sujeito que constrói a sua arte através da composição e recomposição de fragmentos que jamais voltarão a ser o que eram e, por fim, da “atitude” – consciência étnica e de classe, bem como ação política inclusiva. Hoje, esses jovens autores investem também em formas mais tradicionais de estímulo a leitura e escrita como coletâneas, projetos organizados de leitura e publicações individuais de obras, em face de conquistas em processos complexos de negociação com instâncias hegemônicas: editoras, colégios, redes de TV etc. Assim, este trabalho, a partir das considerações teóricas trazidas por Ângela Kleiman, Marisa Lajolo, Luiz Percival Leme Britto e Lynn Mário Souza, intenta mapear, analisar e discutir algumas estratégias formais e não formais de leitura e escrita utilizadas no movimento hip hop para a formação complexa de leitores -escritores que buscam uma proficiência para além da competência interpretativa de textos escritos, uma vez que precisam mobilizar geralmente as habilidades desenvolvidas para reverter a condição de exclusão social em que se encontram.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E ESCRITA MULTIMODAIS, HIP HOP, EXCLUSÃO SOCIAL

TÍTULO: O FANTÁSTICO MUNDO DA LEITURA: UMA ANÁLISE SOBRE O PROCESSO DE ENSINO E LEITURA ATRAVÉS DO CONTO “TELECO, O COELHINHO“, DE MURILO RUBIÃO.
AUTOR(ES): JULIETE ROSA DOMINGOS
RESUMO: Diante da questão problemática que envolve o processo de ensino de leitura na sala de aula, várias metodologias são teorizadas e experimentadas no âmbito escolar, embora, ainda, percebemos a necessidade da importância de investir nessa questão com o intuito de alcançarmos uma possível totalidade de resultado a partir de estudos com uma fundamentação teórica e metodológica adequada. É de fato, que as experiências de leitura nos permitem desvendar novos mundos, conhecer nossos próprios propósitos, desmistificar falsos conceitos em relação à essência humana. A leitura, dessa forma, é um hábito indispensável ao homem. Partindo desses parâmetros, esta pesquisa tem por finalidade sugerir um trabalho envolto no campo da Literatura Fantástica, mais precisamente delimitada na área dos contos fantásticos, por estes abrangerem um terreno fértil para o afloramento da imaginação de qualquer tipo de leitor, independente do nível escolar (fundamental e/ou médio), sem se afastar completamente do real. Para isso, propomos abordar a origem do termo fantástico, desmistificando alguns de seus conceitos em relação ao real e o imaginário. Dessa forma, utilizaremos para leitura e análise estrutural e linguística o conto fantástico “Teleco, o coelhinho“ (1965), de Murilo Rubião, do seu livro “Os dragões e outros contos”. Assim, temos como fundamentação teórica, os estudos de Jacqueline Held, Selma Calasans, Mikhail Bakhtin, Ana Maria Machado, dentre outros.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LEITURA, LITERATURA FANTÁSTICA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 12
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: SONHOS, TROUXAS E LUXO: A REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES INVISÍVEIS NAS OBRAS DE JOÃO DO RIO E ROBERTO ARLT
AUTOR(ES): JURY ANTONIO DALL’AGNOL
RESUMO: João do Rio e Roberto Arlt são autores que fizeram muito sucesso no início do século XX em seus respectivos países (Brasil e Argentina). Seus livros estavam sempre entre os mais vendidos e ter reportagens assinadas por eles era garantia de aumento nas vendas dos jornais. O enfoque analítico deste trabalho está posto sobre dois textos destes autores – As Mariposas do Luxo, fragmento da obra A Alma Encantadora das Ruas de João do Rio (1908), e A Moça da Trouxa, crônica do volume Aguafuertes Porteñas de Roberto Arlt (1929). Nestes recortes textuais, abordo as formas como a mulher simples, humilde e trabalhadora surge representada na obra destes autores em relação a sua invisibilidade social e ao fluxo violento de mudanças sociais e tecnológicas que tiveram reflexos em várias camadas da sociedade nas primeiras décadas do novecento brasileiro e argentino. Não almejo, neste artigo, fazer um estudo literário das obras destes autores; também não creio que seus registros forneçam uma representação “pura” da realidade social de seu tempo. A intenção aqui é explorar a possibilidade de “ler”, na obra dos repórters-ficcionistas, as formas de exclusão e invisibilidade que se constrói através de uma modernidade que ao mesmo tempo, seduz e a ameaça esta figura feminina.
PALAVRAS-CHAVE: MULHERES, EXCLUSÃO, HISTÓRIA E LITERATURA

TÍTULO: AS LETRAS POR ENTRE AS GRADES: REPRESENTAÇÕES DA LEITURA EM “MEMÓRIAS DE UM SOBREVIVENTE“
AUTOR(ES): KARINA LIMA SALES
RESUMO: O texto se propõe a analisar um aspecto da obra Memórias de um sobrevivente, do ex-presidiário Luís Alberto Mendes, publicada em 2001, quando seu autor ainda vivenciava a condição de encarcerado, e refere-se a episódios de sua vida desde a sua infância até por volta dos seus trinta anos. A narrativa de Mendes não se detém tanto na exposição do crime e da ilegalidade e sim na descrição do processo de brutalização, da aprendizagem resultante das experiências do encarceramento. Durante o relato de Mendes, percebe-se que há uma descrição do seu processo de formação enquanto leitor. O livro constitui-se em um relato de aprendizado de leitura, que será analisado sob a ótica de um processo de autodidaxia, embasado em estudos de Jean-Claude Pompougnac (1997) e concebendo-se a leitura como prática cultural, segundo Bordieu e Chartier. Partindo da concepção de representação embasada em investigações da Psicologia social, pelos estudos de Serge Moscovici (2003), e da História cultural, por meio de investigações de Roger Chartier (1990), pretende-se delinear as representações da leitura perceptíveis na obra, apontando a leitura como modificadora de horizonte cultural, como prática compartilhada e possuidora de uma função redentora. As questões sobre leitura serão ainda pautadas em estudos de Eliana Yunes (2003), ao preconizar a leitura como uma condição de sobrevivência.
PALAVRAS-CHAVE: FORMAÇÃO DO LEITOR, REPRESENTAÇÕES DA LEITURA, MEMÓRIAS DE UM SOBREVIVENTE

TÍTULO: POTÊNCIAS DA INVENÇÃO, ARTE BRUTA, SINGULARIZAÇÃO
AUTOR(ES): KÁTIA MARIA KASPER
RESUMO: Abordaremos aspectos de uma investigação a propósito do processo criativo de Efigênia Rolim. Trata-se de um agenciamento peculiar, entrelaçando formas plásticas, narrativas e performance. Elementos que compõem a singularidade da criação de Efigênia - convidando-nos a “transver o mundo“ -, através de um movimento em que corpo, pensamento e criação estão emaranhados em um mesmo processo de subjetivação. Ao investigar tal processo, podemos explorar as potências da invenção, em ressonância com aquilo que Dubuffet chamou de Arte Bruta. Com papéis de bala e outros objetos - com lixo? - Efigênia faz bonecos. Aliada a eles, apresenta uma performance muito especial, pois cada boneco tem uma história própria. Na construção do boneco, vemos, muitas vezes, emaranhar-se fragmentos da história de vida da própria Efigênia. Como se o movimento de invenção e construção dos bonecos envolvesse também um reinventar-se de Efigênia, na construção dessas narrativas. Fragmentos de histórias, de profecias, de papéis de bala, de tecidos e outros materiais compõem algo inédito. Ao apresentar seus bonecos, ela contará cada história de modo também singular, com recursos cênicos, capturando o ouvinte. No momento do encontro com o público, os bonecos e Efigênia nos falam de muitas coisas: desde o modo como foram criados, suas histórias, leituras de mundo e invenção de mundos.
PALAVRAS-CHAVE: SUBJETIVAÇÃO, ARTE BRUTA, EXPERIMENTAÇÃO

TÍTULO: A CONSTRUÇÃO DA COESÃO INFANTIL NO GÊNERO REGRAS DE JOGO.
AUTOR(ES): KEILA GABRYELLE LEAL ARAGÃO, ELIZABETH CRISTINI DA SILVA
RESUMO: Investigar a fala infantil tem se tornado um meio de compreender como a criança entra no circuito da linguagem, isto é, que movimentos concorrem para a aquisição da língua e suas diversas formas de manifestação, ganhando destaque os gêneros textuais. Com base nesse interesse, nosso trabalho visa compreender o gênero oral “regras de jogo”, tendo como escopo descrever e analisar os mecanismos que proporcionam a construção da coesão realizada por meio da reiteração, conexão e associação (ANTUNES, 2005) nesse gênero específico. Assim, pretendemos verificar como os elementos típicos da tessitura do texto se articulam com a função discursiva que o referido gênero adquire para as crianças, como regular o comportamento do outro, estabelecer uma ordenação de ações para obter êxito na execução do jogo. Para tal análise, tomamos como base os estudos de Marcuschi (2008), Antunes (2005) e de Costa Val (2002) sobre as características da textualidade; as considerações de Schneuwly e Dolz (2004) em relação aos gêneros textuais orais e escritos como objetos de ensino; e as orientações calcadas em pressupostos interacionistas, presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa. Metodologicamente, nossa pesquisa parte da observação de dados coletados em sala de aula do pré-escolar, com crianças entre 3 e 5 anos de idade que produzem o respectivo gênero. Os eventos observados foram gravados em áudio, transcritos e armazenados no Laboratório de Aquisição da Fala e da Escrita (LAFE/UFPB). Algumas análises realizadas evidenciam que, ao produzir o gênero “regras de jogo”, a criança recorre a elementos de coesão que ela já domina em especial aqueles relacionados à referenciação e à associação (uso de palavras do mesmo campo semântico). Entretanto, quanto à estrutura composicional do gênero, as regras de jogo apresentam-se incompletas, sem haver uma ordenação de informações necessárias para a compreensão e cumprimento das ações que regem a brincadeira.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, COESÃO, FALA INFANTIL

TÍTULO: O FEMINISMO SOLITÁRIO NA OBRA DA JOVEM PAGU
AUTOR(ES): LARISSA SATICO RIBEIRO HIGA
RESUMO: A presente comunicação tem como objetivo mostrar a importância da escritora modernista Patrícia Galvão na luta contra a opressão de gênero travada no campo da literatura brasileira. Durante a década de 1930, além de publicar oito artigos de cunho feminista no pasquim que manteve com Oswald de Andrade, O homem do povo (1931), Pagu denuncia em Parque Industrial (1933), sua primeira obra ficcional, as opressões as quais as mulheres proletárias estavam submetidas na época. Diferentemente das tendências feministas de então, expressas de um lado mais elitista por Bertha Lutz (HAHNER, 1981) e, de outro, pela anarquista Maria Lacerda de Moura (LEITE, 1983), Patrícia Galvão procurou aliar feminismo a comunismo, levando o crítico Antonio Risério (1973) a afirmar que Pagu foi a primeira mulher na história do Brasil a “critica(r) o feminismo em nome do materialismo histórico”. Essa dupla preocupação da autora pode ser comprovada com a leitura do livro Paixão Pagu – a autobiografa precoce de Patrícia Galvão (2005). Esse texto memoralístico ajuda a entender como Pagu lidava em vida com as questões da hierarquia sexual e ilumina tanto passagens de seu primeiro romance, quanto os motivos que a levaram a escrever. Um deles parece fortemente ser o fato da autora conceber a escrita como prática necessária à vida, com função social e psicologicamente definida. Nesse sentido, torna-se interessante investigar a escrita literária de Pagu como importante arma contra as opressões e, em especial, a de gênero.
PALAVRAS-CHAVE: PAGU, FEMINISMO, ESCRITA LITERÁRIA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 13
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: UM MODELO FEMININO NAS PÁGINAS DA REVISTA QUERIDA (1958-1968): APROXIMAÇÕES
AUTOR(ES): LAURA PERETTO SALERNO
RESUMO: A imprensa feminina desempenha importante papel na educação de mulheres letradas. Nas décadas de 50 e 60 do século XX as revistas femininas ocupavam um lugar de destaque na vida de suas leitoras, dialogando com elas sobre problemas cotidianos. Eram conselheiras e confidentes; companheiras de lazer. A partir disso é possível afirmar que tais periódicos podem colaborar para a manutenção de determinados padrões, veiculando papéis ditos tradicionais de mulher, de comportamento, de sexualidade e de relações de gênero.
As fontes da pesquisa são compostas por 31 volumes da Revista Querida com exemplares que representam os anos compreendidos entre 1958 e 1968. O objetivo da pesquisa com tais revistas seria procurar compreender que modos de comportamento os discursos presentes nas colunas, capas, propagandas de Querida (1958-1968) teriam contribuído para sugerir e que representações de uma época estes discursos, veiculados nas páginas das revistas selecionadas, ecoaram. As fontes utilizadas constituem-se de 31 revistas Querida e o estudo privilegia mostrar aspectos de sua trajetória: surgimento, produção, circulação. Partindo disto faz-se necessário buscar perceber o que a revista Querida fez circular entre suas leitoras e, assim, que imaginários contribuiu para criar modelos de comportamento esperados para as moças alfabetizadas, de classe média urbana da época. A fim de viabilizar a análise dos dados foi preciso criar categorias, tais como: moça direita/moça leviana, beleza feminina, sexualidade contida, infidelidade, marido feliz – família feliz, rainha do lar, mulher casada, contos ousados, regras de civilidade e de etiqueta, moda feminina, vida profissional, industrialização e bens de consumo, lazer. Representações de feminino e masculino apareciam estampadas nas capas, colunas, reportagens, contos, publicidades de Querida. Modos de comportamento considerados válidos e legítimos para a parcela alfabetizada, urbana e de classe média da sociedade brasileira daquele momento, impressos nas páginas de uma revista.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FEMININA, MÍDIA IMPRESSO, GÊNERO

TÍTULO: AGOSTO: ROMANCE E CINEMA A AÇÃO DE RUBEM FONSECA
AUTOR(ES): LEA ALVES DE CASTRO
RESUMO: À procura de um trabalho literário interessante e que despertasse a atenção de adolescentes em fase escolar, desenvolveu-se um estudo analítico e comparativo a partir da transposição do romance Agosto, de Rubem Fonseca, para a mini-série televisiva “Agosto”, apresentada pela Rede Globo. Para isso, dois modelos teóricos serviram como fonte de estudo: MOUREN (1993) e GOMES (1998). Para se chegar à transposição, houve a necessidade de se fazer um estudo mais aprofundado sobre personagem, sua classificação e características permitiram conhecer alguns aspectos básicos do desempenho da personagem no romance e no cinema. Após essa etapa, passou-se à efetiva análise da transposição do hipotexto (romance) para o hipertexto (filme). Tal transposição ocorre de maneira bastante fiel, o que se explica devido ao fato de Rubem Fonseca, no romance, produzir um trabalho em cortes, muito semelhante aos trabalhos cinematográficos, característica evidenciada em outras obras de Fonseca como, por exemplo, no conto denominado Lúcia MacCartney. Espera-se que este trabalho possa servir como suporte teórico para o estudo de personagem e de herói em obras literárias e fílmicas, e, principalmente, que possa contribuir para que a Literatura escolar ocupe um lugar mais prazeroso entre adolescentes. Vale ressaltar que a metodologia aplicada ao estudo deste trabalho, bem como as observações analíticas dos aspectos elencados, servem para uma reflexão acadêmica, artística e social da obra.
PALAVRAS-CHAVE: AGOSTO, ROMANCE, CINEMA
TÍTULO: A CONSTRUÇÃO DO “SER MULHER“ ATRAVÉS DE PRÁTICAS DE LEITURA: O COLÉGIO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
AUTOR(ES): LEONICE DE LIMA MANÇUR LINS
RESUMO: Nesse trabalho objetivamos compreender como as alunas do Colégio Santíssimo Sacramento (C. SS. S) se apropriavam e utilizavam os saberes adquiridos através das práticas de leitura ocorridas nas reuniões da Congregação Mariana. Este estudo é parte de uma pesquisa maior, na qual procuramos perceber como a prática educativa do C.SS.S., colégio religioso e voltado para um público feminino, formatava nas suas alunas uma identidade de gênero perfeitamente alinhada com os papéis sociais historicamente destinados ao sexo feminino: dona-de-casa, esposa, mãe e professora primária. Aqui, daremos ênfase aos saberes transmitidos mediante as leituras realizadas e/ou sugeridas nos encontros mensais da Congregação Mariana, da qual grande parte das alunas do C.SS.S. fazia parte. Esta Congregação tinha “Maria“ como exemplo feminino a ser seguido pelas alunas, estas deveriam ser as “Filhas de Maria” , sendo também exemplos de pureza, doação, caridade e bondade. Assim deveriam, por suas atitudes e práticas sociais, servir de modelo para a mocidade da sociedade local. Nesse sentido, a leitura e análise das atas das reuniões mensais da Congregação Mariana nos forneceu subsídios para compreendermos como as práticas de leituras e, consequentemente, os saberes selecionados e normatizados nesses encontros, imprimiram sua marca de “ser mulher” nessas alunas. O estudo mostrou que a identidade de gênero formatada através das práticas de leituras nas reuniões da referida Congregação estava em sintonia com um modelo de mulher da época: instruída, cristã, boa dona-de-casa e mãe de família.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO , LEITURA, EDUCAÇÃO

TÍTULO: A ROÇA, O LIVRO E O CADERNO: A APROPRIAÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA POR UMA FAMÍLIA DE AGRICULTORES
AUTOR(ES): LISIANE SIAS MANKE, VANIA GRIM THIES
RESUMO: Como parte de uma pesquisa mais ampla, que compreende estudos de doutoramento, este trabalho tem como objetivo analisar a trajetória de uma família de agricultores com forte inserção na cultura escrita. O patriarca, seu Henrique, com pouca escolarização, aos 90 anos de idade, sempre morou na zona rural do município de Pelotas/RS, é caracterizado por esta investigação como um “leitor forte”. Sua biblioteca particular é composta pelos mais variados livros, especialmente os de História, que foram sendo adquiridos ao longo dos anos. Seu Henrique afirma que à noite, com a luz de um lampião, era o momento em que ele lia e “lecionava os filhos”, durante a idade escolar destes. Dentre os doze filhos do casal, destacamos neste estudo o caso de duas filhas e três filhos, pelo uso que fazem da escrita. Os cinco são agricultores, a exemplo dos pais, possuem a 5ª série do ensino primário, e apropriaram-se de forma muito especial da prática da escrita ao registrarem diariamente as atividades realizadas no cotidiano rural. Assim, a elaboração de cadernos diários iniciou na casa paterna e teve continuidade, resultando na estreita relação que hoje estabelecem com a cultura escrita. Portanto, as fontes analisadas, a fim de compreender a inserção e a apropriação na/da cultura escrita por esta família, referem-se a entrevistas semi-estruturadas, a observações registradas em “caderno de bordo”, além de 24 diários disponibilizados pelos agricultores. Entre os autores que oferecem referencial teórico para investigação, podemos citar Bernard Lahire, quando buscamos compreender a pluralidade dos sujeitos singulares, e ainda, Roger Chartier, Castillo Goméz e Viñao Frago, entre outros. Entendemos que o estudo traz contribuições significativas ao campo da cultura escrita, na medida em que apresenta a prática da leitura e da escrita como práticas individuais que compreendem e correspondem a práticas socioculturais mais amplas.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA ESCRITA, DIÁRIOS, AGRICULTORES

TÍTULO: O LEITOR EXTREMO
AUTOR(ES): LIVIA FERNANDA DE PAULA GROTTO
RESUMO: Pretende-se apresentar a concepção de leitor que postula o escritor argentino Ricardo Piglia em seu livro de ensaios, El último lector (2005), ou seja, a figura do leitor ideal como único porque anacrônico – está em seu tempo, mas lê como se estivesse em outro – produzindo, dessa maneira, distorções: “Estar separado e ao mesmo tempo ir até os outros. A distância aparece como uma forma de relação que permite estar emocionalmente sempre um pouco fora, para ser eficaz”. Trata-se do leitor extremo, que lê como se fosse o último, certo de que tudo alude secretamente à sua própria vida. Entre eles estão personagens leitoras como Don Quixote, Anna Karenina, Robinson Crusoé, Auguste Dupin, Juan Dahlmann, Madame Bovary; e escritores leitores como Jorge Luis Borges, Franz Kafka, Che Guevara e James Joyce. Cada um deles “isolado”, “cortado do real” e, portanto, solitário. Por vezes são “o sujeito [que] se perde, indeciso, na rede de signos”, um “enfermo”, um “obstinado que perde a razão porque não quer capitular na tentativa de encontrar o sentido”. Os leitores comuns, entretanto, não estariam descartados da reflexão de Piglia, pois, segundo o escritor, através dos leitores ficcionais, mesmo eles ganhariam através da literatura “um nome e uma história“, sendo subtraídos “da prática múltipla e anônima“ para se tornarem “visíveis num contexto preciso“. Interessa, portanto, discutir nessa comunicação a concepção desse leitor, ao mesmo tempo isolado socialmente, pois o ato de ler é solitário, mas que, ao retornar para o mundo, redimensiona a si e aos outros.
PALAVRAS-CHAVE: RICARDO PIGLIA, EXCLUSÃO SOCIAL, DISTÂNCIA HERMENÊUTICA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 14
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: A CONTRIBUIÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS COMO OBJETO DE ENSINO NA ALFABETIZAÇÃO DE UM ALUNO COM SÍNDROME DO X-FRÁGIL
AUTOR(ES): LÔYDE DO NASCIMENTO GONÇALVES, ANA SUELLEN MARTINS
RESUMO: A emancipação humana e a inserção no mundo letrado se concretizam por meio da leitura. Essa prática possibilita ao leitor o acesso ao conhecimento construído historicamente pela humanidade, pois democratiza esses saberes. Entretanto, para fazê-la, não basta saber decifrar os signos linguísticos; é essencial transcender ao que é visível e isso implica atribuir sentido ao que se lê, tendo como referência o conhecimento do contexto. A leitura promove, então, a emancipação do sujeito, ao possibilitar a sua efetiva e autônoma participação nas relações sociais. A linguagem verbal, construção essencialmente humana, realiza-se por meio dos diferentes gêneros textuais praticados nas diversas esferas da comunicação humana. Um ensino que vise à formação de cidadãos conscientes da sua condição e usuários competentes da língua só pode pautar-se nesses gêneros, os quais lhes proporcionam o contato com a linguagem em pleno uso social. Este trabalho tem por objetivo apresentar parte de um estudo de caso, iniciado em 2007, em uma abordagem qualitativa de pesquisa-ação, tendo como sujeito um aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, com Síndrome do X-Frágil, a qual traz limitações ao aprendizado da leitura. Sendo a educação um direito constitucional de todos, justifica-se a realização deste estudo por buscar atender a crescente demanda social de ações que possibilitem o acesso aos diversos saberes. Com base nas intervenções realizadas desde 2007 e no levantamento bibliográfico do tema, elaborou-se uma intervenção cujo objetivo é promover a aquisição da escrita e o letramento desse aluno, tendo os gêneros textuais como objeto de ensino, os quais proporcionaram o prazer pelo ato de ler já que oportunizaram práticas significativas de leitura objetivadas pelo sujeito pesquisado. Constatamos, que, até o presente momento, por se tratar de um objetivo estabelecido também pelo próprio aluno – ler sua história preferida sozinho -, tem perpassado satisfatoriamente o processo de alfabetização.
PALAVRAS-CHAVE: SÍNDROME DO X-FRÁGIL, ALFABETIZAÇÃO, GÊNEROS TEXTUAIS

TÍTULO: PRATICANDO A LEITURA E A ESCRITA POR CONTA DA LUTA PELA TERRA. UM ANÁLISE A PARTIR DOS ESTUDOS DE LETRAMENTO SOBRE UM CONTEXTO DE TITULAÇÃO QUILOMBOLA.
AUTOR(ES): LUANDA REJANE SOARES SITO
RESUMO: Este trabalho analisa como lideranças quilombolas lidam com práticas de escrita e leitura ao longo do processo de titulação de suas terras com base no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal brasileira de 1988. A comunidade deste estudo se encontra na fase final de regularização territorial e foi a primeira a ser reconhecida como quilombola no sul do Brasil pelos governos federal e estadual na década de 1990. Por conta da titulação, a comunidade fundou uma Associação Comunitária para representá-la nas negociações com as diferentes instituições governamentais e não governamentais envolvidas na titulação dos territórios quilombolas. Sobre essa Associação, em trabalho de campo realizado entre 2005 e 2006, observei que muitas práticas sociais de seu funcionamento exigiam o uso da língua escrita para sua administração; além disso, pude ver que a redação da ata em reuniões dentro da Associação por vezes gerou conflitos. A escrita da ata estava relacionada tanto com a leitura de documentos do gênero, que fornecia os primeiros modelos para a escritura, quanto com as cobranças que a comunidade recebia das mesmas instituições frente a sua prática de leitura e escrita, o que, por vezes, gerou-lhe cenários de exclusão. Com enfoque na abordagem sócio-cultural e etnográfica dos Estudos de Letramento, considero que os usos sociais da escrita (práticas de letramento) são constituídos pelas condições efetivas de seu uso, isto é, são situados; e busco examinar criticamente as práticas de letramento dominantes (de acadêmicos e burocratas), a fim de desnaturalizar as concepções valorizadas sobre usos da escrita a partir de uma experiência de atuação política quilombola. Esta perspectiva etnográfica sobre a leitura pode contribuir para a compreensão de aspectos pouco abordados sobre a história dos usos da escrita pela população negra no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA, LETRAMENTO , QUILOMBO

TÍTULO: PÓS-MODERNIDADE E LITERATURA DE AUTORIA FEMININA NO BRASIL
AUTOR(ES): LUCIA OSANA ZOLIN
RESUMO: A chamada pós-modernidade - aqui tomada como um conceito ideológico amplo, alicerçado na infra-estrutura industrial e econômica ocidental e na globalização, a partir dos anos 1960, que descreve profundas repercussões na expressão popular, na comunicação de massa, nas manifestações culturais, em geral - remete a traços que vão desde a ênfase na heterogeneidade, na diferença, na fragmentação, na indeterminação, até chegar à profícua desconfiança em relação aos discursos universais e totalizantes. No âmbito dos estudos de gênero, essa mobilidade cultural tem acarretado novas configurações para as relações entre os sexos. Além de favorecer intersecções das questões de gênero com as de raça, classe, religião etc., tal pensamento toma a mulher como parte integrante da nova ordem social e econômica. A literatura de autoria feminina brasileira, que vem emergindo nesse contexto, tem reagido positivamente aos estímulos referidos: as novas configurações sócio-culturais da pós-modernidade são representadas e discutidas criticamente nos textos literários escritos por mulheres. Demonstrar a maneira como isso ocorre é o nosso propósito nesta comunicação. Nossas reflexões serão, aqui, empreendidas a partir da Teoria Crítica Feminista, enfatizando questões relacionadas a relações de gênero, à representação literária e, de modo especial, ao modo de construção de personagens femininas na literatura de mulheres produzida no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: PÓS-MODERNIDADE, GÊNERO, LITERATURA DE AUTORIA FEMININA

TÍTULO: A (RE)ESCRITA DA MULHER NEGRA NA LITERATURA BRASILEIRA.
AUTOR(ES): LUCIENE ARAÚJO DE ALMEIDA
RESUMO: Nunca no Brasil o papel do negro e da negra na sociedade, na economia, na cultura foi tão estudado como nos últimos trinta anos. Historiadores, sociólogos, críticos literários, especialistas de diversas áreas publicaram livros e teses que apresentam outras possibilidades de compreensão do papel do negro e da própria identidade do país, questionando a visão da democracia racial brasileira. No campo específico do discurso literário, não se pode desconsiderar a perspectiva ideológica, uma vez que a literatura estabelece uma relação de constituição simbólica muito intensa com a sociedade. Pela literatura somos capazes de interagir com o outro, e a forma como nos vemos e somos vistos está diretamente relacionada às produções literárias consideradas canônicas, ou não, com que temos contato ao longo da vida. Essas considerações preliminares sobre o papel da literatura na formação de leitores colocam-se na base deste trabalho, cujo propósito é apresentar uma prática de leitura do romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, realizada com alunos no Ensino Médio do CEPAE/UFG. Essa experiência de leitura se constituiu de análises acerca do papel da mulher negra na sociedade, observando, no romance, os elementos que indicam a afirmação da protagonista como uma resistente, por ter se empenhado em entender sua história e seu lugar social. A proposta de uma abordagem que acompanhasse a busca interna da protagonista para (re)escrever sua história e compreender sua formação identitária objetivou levar os jovens leitores a compreender determinadas práticas ideológicas que constituem esse outro (Mulher-Negra), e que têm perdurado ao longo do tempo no imaginário dos brasileiros e brasileiras. A leitura literária coletiva, em sala de aula, permitiu aos alunos avaliar como a personagem é constituída e os discursos ideológicos acionados na configuração do papel por ela desempenhado.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, RESISTÊNCIA, IDENTIDADE
TÍTULO: LEITURA, PRODUÇÃO TEXTUAL E CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE NA EJA.
AUTOR(ES): LUDMILA GIARDINI NORONHA
RESUMO: Esta pesquisa vincula-se ao curso de Especialização denominado Alfabetização e Letramento da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. O objetivo da mesma é identificar de que maneira a subjetividade dos alunos da EJA se manifesta no processo de leitura e produção de textos. Este interesse surgiu a partir de análises feitas em produções escritas, nas quais se constatou que o educando ao produzir um texto, tomando outros como referência e discussões sobre um determinado assunto, produzia uma multiplicidade de sentidos, introduzindo aspectos subjetivos que faziam parte de sua constituição. Destaca os elementos históricos, sociais e ideológicos que contribuem para a subjetivação dos sujeitos da EJA. Utiliza como corpus linguístico as leituras e escritas realizadas durante o processo de escolarização, procurando através da análise discursiva atribuir significados aos dizeres produzidos nestas práticas, apreendendo indícios de como os sujeitos se constituem , significam o mundo e constroem sua subjetividade. No processo de elaboração dos sentidos e saberes, experiências se interrelacionam através da prática dialógica. Esta pesquisa fundamenta-se nos princípios teóricos – metodológicos da Análise do Discurso de linha francesa, cujos autores pressupõem que os sujeitos se constituem através de um processo histórico, social e ideológico, no qual os dizeres e os discursos se entrelaçam. A subjetividade é resultado de práticas concretas que se dão através das relações sociais, nas quais os sujeitos estão/são submetidos. O estudo oportuniza compreender a heterogeneidade/singularidade dos sujeitos e dos seus dizeres demonstrando que as interpretações perpassam o campo da subjetividade e das experiências de cada ser.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA , PRODUÇÃO TEXTUAL, SUBJETIVIDADE

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 15
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: AS PRÁTICAS DE LEITURA NA SALA DE AULA E AS IDENTIDADES DE GÊNERO
AUTOR(ES): LUZIA RODRIGUES DA SILVA
RESUMO: Com base na perspectiva de que a linguagem é prática social, desenvolvo, neste trabalho, a posição de que as práticas de leitura na sala de aula constroem as relações de gênero social. Nesse sentido, examino tais práticas, demonstrando suas implicações com a maneira com que as mulheres posicionam-se e são posicionadas. Como suporte teórico-metodológico, recorro à Análise de Discurso Crítica (ADC), fazendo uso, principalmente, dos trabalhos de Chouliaraki e Fairclough (1999) e de Fairclough (trad. 2001 e 2003). Com relação ao gênero social, dialogo com os estudos de Talbot (1998), Magalhães (2005) Holmes e Meyerhoff (2006) e Lazar (2005). Analisando recortes de transcrição de aulas gravadas em áudio, exploro ações, sentimentos, crenças, pontos de vista e valores decorrentes da prática de leitura na sala de aula. Interpreto aspectos ideológicos, identificando como as relações sociais são representadas no discurso das professoras. O estudo demonstra que há professoras que levam para o contexto escolar uma visão dicotômica dos gêneros sociais, naturalizando, nas práticas de leitura da sala de aula, estereótipos de gêneros, o que evidencia formas hegemônicas de discriminação, apagamento e preconceito em relação às mulheres, contribuindo, desse modo, para a manutenção de posições identitárias que não se inscrevem em lutas pela resistência e mudança social.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICA DE LEITURA, DISCURSO, IDENTIDADES DE GÊNERO

TÍTULO: LENDO O MUNDO E O CORPO NEGRO NAS RELAÇÕES : O DESENHO E A APREENSÃO DA DIVERSIDADE ÉTNICA ENTRE CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL. RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA.
AUTOR(ES): MARA FERNANDA CHIARI PIRES
RESUMO: A Psicologia sempre teve como inquestionável a importância do desenho como forma de expressão do modo como as crianças apreendem seu mundo e lidam com sua realidade interna e externa. Podemos dizer que o desenho é um sistema de signos, que, do simples rabisco, evolui para se transformar em um código gráfico praticamente universal, permitindo à criança fazer-se compreender, entrar em contato e assimilar o mundo adulto. Sua forma pictórica desenvolve-se de padrões simples a padrões progressivamente mais complexos, num processo de diferenciação gradual. Se o desenho permite que a criança expresse o modo como percebe a si mesma e ao seu mundo externo, poderia já revelar, em crianças em idade escolar, os desafios colocados em um contexto de alteridade? O auto-retrato de crianças negras indicaria ,de algum modo, vivências de discriminação? O retrato realizado por crianças brancas de seus colegas de classe negros apresentaria algum indício de discriminação? Os diálogos estabelecidos durante a atividade ofereceriam elementos para se refletir sobre a questão da alteridade? Com estas questões em mente, escolhi como espaço de pesquisa uma instituição de ensino fundamental da rede particular da cidade de Santos. Ficou evidenciada a íntima ligação entre o desenho e o contexto histórico e cultural de que emerge. Mais do que o produto final acabado, os comentários surgidos durante a tarefa deixaram expostos os aspectos de discriminação que, precocemente, fazem parte do cotidiano escolar em relação às crianças negras.
PALAVRAS-CHAVE: DESENHO, CRIANÇAS, DIVERSIDADE ÉTNICA

TÍTULO: ANGU DE SANGUE: MENSAGENS E IMAGENS SOBRE O DESAMPARO SOCIAL
AUTOR(ES): MARCIO ROBERTO PEREIRA
RESUMO: O trabalho visa ao exame da obra de Marcelino Freire, Angu de sangue (2000), a partir de uma poética de identidade com o negro e das experiências narrativas de personagens que participam de um espaço de exclusão, violência e exílio social. Tematicamente, de forma geral, o livro trata da morte e da bestialidade humana de maneira crua e sem idealizações. Os personagens lutam pela sobrevivência de forma cruel e denotam o sofrimento, a revolta e o desespero daqueles marcados pelo abandono social em nosso país. Além da construção literária da obra, outro aspecto que chama a atenção é o trabalho com ilustrações que também remetem ao mundo da fome e da miséria e, ao mesmo tempo, da morte e do desespero. Radiografias misturadas a colheres e garfos compõem uma das ilustrações da obra que, de forma impressionante, dialoga com a luta pela sobrevivência de personagens que vivem o cotidiano de desrespeito, ou exílios, sociais, políticos e culturais, diante da total indiferença da sociedade. Ao propor uma análise dos contos de Angu de sangue, o trabalho aqui apresentado busca refletir sobre uma possível poética da exclusão, da miséria e da morte, decorrente do tratamento temático dado aos dezessete contos que compõem a obra, em diálogo com imagens que ilustram os contos e referências ao contexto urbano dos excluídos, representado nas páginas de jornais, revistas e noticiários de televisão. Finalmente, pretende-se inserir tal poética num movimento intelectual e artístico mais amplo de revelação da brutalidade e do abandono dos marginalizados ainda presente na sociedade brasileira, que marcaria forte tendência da literatura brasileira contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE: EXCLUSÃO, MARCELINO FREIRE, ANGU DE SANGUE

TÍTULO: PROFESSORAS, GÊNERO E DESENVOLVIMENTO NA PAN-AMAZÔNIA: LEITURA E ENSINO NO CONTO ACREANO
AUTOR(ES): MARGARETE EDUL PRADO DE SOUZA LOPES
RESUMO: Nesta comunicação, tratamos de questões relativas à condição da mulher professora, relações de gênero e desenvolvimento no contexto da pan-Amazônia, todas ainda muito pouco desenvolvidas. De fato, um levantamento aprofundado sobre a produção científica a respeito revelou a insipiência dos trabalhos e também o número bastante reduzido de pesquisadoras nesta área, do que as instituições públicas, as ONGs e o movimento social muito se ressentem. Assim, além de reunir uma série de contos acreanos que representem a escola, sala de aula e professoras, pretendemos ainda revelar as condições precárias do ensino e da leitura nas brenhas da floresta e a força das mulheres para que este ensino prevalecesse e se devolvesse nas mais improváveis condições. São contos de importância histórica, pois retratam situações nos quais uma professora viaja de burrego para as lonjuras da floresta, onde recebida em festa por ser o símbolo da sabedoria. Relatos em que se tem que lutar com os preconceitos locais para se abrir uma escola, preconceitos que esbarram, sobretudo, nas questões de gênero. Registros que ilustram as estratégias de diversas mulheres para através da educação, melhorar a vida e as relações humanas na sociedade. Enfim, não somente demonstrar as dificuldades para se ler um jornal que chegava com meses de atraso, mas principalmente revelar a diferença que faz a leitura na vida das pessoas por aumentar a capacidade de lutar, de compreender a vida, de enfrentar os obstáculos, ainda mais quando se trata de mulheres leitoras, muito mais que professoras.
PALAVRAS-CHAVE: GENERO, CONTO ACREANO, LEITURA E ENSINO

TÍTULO: A REPRESENTAÇÃO DO LEITOR NO CONTO A AVENTURA DO UM LEITOR, DE ITALO CALVINO
AUTOR(ES): MARIA AUXILIADORA CERQUEIRA WANDERLEY
RESUMO: Nesse ensaio, procedo a uma análise do papel do leitor no conto “A aventura de um leitor“ de Italo Calvino, tomando como referência básica a obra “Seis Propostas para o novo Milênio“ (1990), na qual são sugeridas qualidades gerais , entre elas, a “Leveza“ como condição essencial para a literatura nesse milênio. Assim, a “leveza“ sugerida pelo escritor foi posta em diálogo com o seu texto ficcional, especificamente, o texto “A aventura de um leitor“ que integra o livro Os amores difíceis (1992), escrito pelo mesmo autor. O momento é de grande transição: fim de um milênio que viu o surgimento e a expansão das línguas ocidentais modernas e de suas literaturas. Fim do milênio do livro. Transição também para uma nova era tecnológica que coloca o livro, a literatura e a própria linguagem numa crise aberta. É nesse contexto que o escritor Italo Calvino irá propor leveza, rapidez, exatidão, visibilidade e multiplicidade “como valores ou qualidades ou especificidades da literatura“. Por pertencer à categoria de escritores-críticos, Calvino desenvolve um pensamento teórico sobre a literatura e propõe virtudes essênciais para que ela cumpra, plenamente, a sua função. Nesses conferências, o autor trancende os limites do texto literário e fornece um vasto material para que se possa refletir sobre o homem e suas relações neste novo século.
PALAVRAS-CHAVE: LEITOR, LITERATURA, LEVEZA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 16
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: CRIANÇAS E LEITURAS: CAMINHOS INVESTIGATIVOS
AUTOR(ES): MARIA BETANEA PLATZER
RESUMO: Este trabalho, que integra uma pesquisa mais ampla de doutorado já concluída, visa a apresentar os resultados de uma investigação sobre o envolvimento de crianças com a leitura em seu cotidiano por meio de suas práticas e representações, procurando contemplar os seguintes questionamentos: Quais modalidades de leitura são praticadas e escolhidas pelas crianças? Quais são as expectativas, os interesses e as necessidades que as crianças apresentam em relação à leitura? Para tanto, apoiamo-nos em pesquisas acadêmicas desenvolvidas no campo da leitura, especialmente sob a perspectiva da História Cultural. Os dados foram coletados por meio de entrevistas realizadas com 10 crianças entre 10 e 11 anos de idade, residentes no município de Araraquara, interior de São Paulo. As práticas aqui investigadas revelam a trajetória de envolvimento com a leitura por crianças que trazem um universo de significados, experiências e vivências, muitas vezes, distantes daquelas legitimadas, por exemplo, pelo cânone escolar. Acreditamos que um olhar mais atento às práticas de leitura cotidianas pode levar à revisão da premissa de que crianças de menor poder aquisitivo - foco central de nossas investigações - não lêem, buscando assim a revisão do conceito de leitura. Por outro lado, além de valorizar essas leituras, acreditamos ser necessária a ampliação de acesso a outras práticas de leitura da cultura letrada a essas crianças.
PALAVRAS-CHAVE: INFÂNCIA, CULTURA, LEITURA
TÍTULO: FEMININO NA BEIRA: UMA ANÁLISE DO CONTO “BARBA DE ARAME“, DE ANTONIO CARLOS VIANA
AUTOR(ES): MARIA CAROLINA BARCELLOS
RESUMO: O trabalho pretende demonstrar uma possibilidade do uso da literatura para suscitar questões que dizem respeito à exclusão social, focando principalmente a questão do gênero. A apresentação consistirá na leitura do texto, acompanhada de debate, dentro do limite previsto. “Barba de arame”, do escritor Antonio Carlos Viana, foi escolhido por uma série de razões. Primeiramente, pelo fato de a narrativa breve poder ser trabalhada em seu todo, enquanto outros textos pedem dedicação e tempo maiores, para que a análise seja feita. Também por esse gênero textual ser negligenciado, não só por parte das editoras como também do leitor comum, como se tivesse menos valor do que as ficções mais extensas. O autor escolhido também está no rol das razões, pois sua obra já foi vetada da lista das indicações da Universidade Federal de Sergipe, por ser considerado impróprio para o público jovem. As informações que os contos contêm são fortes e por vezes violentas, mas não há nada de mais vulgar do que o que a mídia costuma veicular. O conto narra basicamente o desenrolar de como uma menina, que vive na beira de um mangue com sua mãe, começa a sofrer abuso sexual, sem ao menos entender o que está acontecendo. A violência não está apenas no aspecto físico, mas também na carência de linguagem e impossibilidade de combate. A situação que o conto retrata é algo que acontece todos os dias entre populações carentes, sobretudo com mulheres. A possibilidade de extrair um debate sobre a condição feminina de textos contemporâneos é pouco explorada, pois não existe uma política de difusão deles, assim como há um tabu em tratar dessas questões, pois elas são demasiado avessas ao que nossa sociedade quer definir como o “normal”.
PALAVRAS-CHAVE: FEMININO, LINGUAGEM, EXCLUSÃO

TÍTULO: LEITURA NA ESCOLA: UM MODO SÓCIO-INTERACIONISTA DE LER
AUTOR(ES): MARIA DE FATIMA ALMEIDA
RESUMO: O ensino e aprendizagem da leitura se acentuaram nos últimos anos. A ênfase maior tem sido na sala de aula, onde percebemos que as práticas pedagógicas revelam a importância da interação, na qual o sujeito poderá exercer plenamente o papel de leitor crítico e reflexivo. A escola da atualidade necessita ser o lugar das interações, das inter-subjetividades e das construções de sentido do texto. Ler é um processo interativo e participativo, complexo e inacabado, no qual o sujeito leitor estabelece uma relação com o texto e seu autor, produzindo outros sentidos. Propomo-nos mostrar as experiências com alunos da 4ª série de escolas públicas de João Pessoa, nas quais realizamos um projeto de melhoria da aprendizagem da leitura. O eixo teórico está pautado nas teorias sócio-interacionistas de Bakhtin (1981) e de Almeida (2004) e nas teorias sobre o discurso. A metodologia utilizada constitui-se de aulas de leitura em que são apresentados e lidos diversos gêneros discursivos. As análises mostram que as lacunas na formação do professor podem interferir no ensino da leitura na escola. Os resultados mostram que ler e escrever são práticas relevantes para a formação da cidadania e para as mudanças sociais esperadas. As conclusões apontam que há diversos movimentos interpretativos entre os sujeitos que interagem no processo de construção do sentido em sala de aula. Observamos que a aula é um espaço aberto capaz de propiciar várias estratégias de leitura atualizando teorias mais recentes sobre linguagem, leitura e gênero. O ato de ler é um processo que requer leitores competentes. A leitura não é neutra nem é algo simbólico e solitário. Ler é a interação autor/leitor/texto e o sujeito/leitor interpreta ou lê o gênero atribuindo os sentidos possíveis. Ler é uma construção de sentido e a escola é o lugar das interações e dos diálogos entre sujeitos.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGEM, LEITURA, ENSINO

TÍTULO: ENTRE PRÁTICAS DE ESCRITA E DE LEITURA: AS ESCRITURAS ORDINÁRIAS NO EPISTOLÁRIO PORTINARIANO
AUTOR(ES): MARIA DE FÁTIMA FONTES PIAZZA
RESUMO: A presente comunicação tem como objetivo perscrutar no epistolário portinariano - no que Jean Hébrard cunhou como as “escrituras ordinárias“ -, aí incluídas as cartas entre o pintor Cândido Portinari (1903-1962) e sua irmã 19 anos mais moça, Inês Portinari [Pinto de Carvalho] (1922). No conjunto epistolar, o que chamou atenção foi uma carta do pintor para sua irmã Inês, com papel timbrado da recém-fundada e efêmera Universidade do Distrito Federal (UDF), na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, onde desde julho de 1935 lecionava pintura mural e de cavalete no Instituto de Artes. Essa carta que compõe o epistolário do pintor permite vislumbrar o entrecruzamento de práticas de escrita e de leitura de uma jovem moradora de Brodósqui, no interior do Estado de São Paulo. Também, permite perceber como se desenvolviam as relações de gênero nas primeiras décadas do século XX e, consequentemente, os padrões de comportamento e os códigos de conduta impostos à uma adolescente interiorana no âmbito da cultura letrada. Algumas hipóteses devem ser levantadas: Quais os livros que Inês lia? Por que o pintor de Brodósqui manifestou preocupação com a leitura das obras de Machado de Assis? Ao que parece, o perigo estava na leitura de um romance por uma moça e no retiro da solidão, advém daí a sugestão do irmão, que adota a postura de um patriarca: “Você deve ler em voz alta para ella [sua irmã Pellegrina Portinari, Tata] também, mas antes pergunta ao pae ou ao Zé o livro que serve“.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, EPISTOLÁRIO, GÊNERO

TÍTULO: ESCOLA, SEXUALIDADE E EXCLUSÃO: AS DIFERENÇAS EM DEBATE NOS SABERES EM EDUCAÇÃO
AUTOR(ES): MARIA DE FÁTIMA SALUM MOREIRA, FABIO HENRIQUE GULO
RESUMO: Esta pesquisa apresenta resultados parciais de investigação cujo objeto de estudo são discussões teóricas sobre sexualidade e suas relações com a educação escolar, presentes nas pesquisas em educação no Brasil. Objetiva-se compreender quais são os principais temas e questões discutidos, bem como as diretrizes que apontam para o enfrentamento dos problemas destacados. Para isso, foram levantados os trabalhos de mestrado e doutorado, produzidos no período 2000 a 2004, constantes na Base de Dados “Ariadne”, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa EdGES, da Faculdade de Educação da USP. A base disponibilizou os resultados da pesquisa que visou atualizar, sistematizar e difundir o conhecimento produzido, no período entre 1990 e 2005, sobre gênero, mulheres e sexualidade na interface com a educação formal. Segue-se a abordagem sócio-histórica e da linguagem de Bakhtin (1990) e os procedimentos metodológicos da “análise de conteúdo”, desenvolvidos por Bardin (1977). Os primeiros resultados, a serem apresentados nesta comunicação, originaram-se do mapeamento e análise dos títulos, resumos e palavras-chave das 123 pesquisas que foram selecionadas na Base Ariadne. Espera-se que, com esta pesquisa, possamos obter os seguintes resultados: 1) contribuir para a discussão sobre as relações entre textos, leituras e poder e 2) proporcionar subsídios para a problematização dos saberes em educação no que diz respeito ao modo como as diferenças são abordadas e os modelos fixos de identidade são questionados.
PALAVRAS-CHAVE: ESCOLA, SEXUALIDADE, SABERES ACADÊMICOS

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 17
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: LEITURAS DAS PROFESSORAS: UMA TRAJETÓRIA DE TRADIÇÕES ORAIS
AUTOR(ES): MARIA HELENA DA ROCHA BESNOSIK
RESUMO: Este trabalho é um recorte de um estudo sobre a prática dos Círculos de Leitura realizadas com professoras que lecionam na zona rural de três municípios do interior da Bahia (Candeias, Santanopólis, Antonio Cardoso), cujo objetivo consistia em aproximá-las da leitura do texto literário. Da observação e análise dos quarenta e dois encontros desenvolvidos durante dois anos, resultaram descobertas relevantes para uma melhor compreensão da leitura das professoras. Com base no desenvolvimento do trabalho de leitura, foi possível reunir depoimentos orais das professoras, quando importantes dimensões de suas experiências de vida e de leitura foram se revelando: a infância, as histórias ouvidas, o aprendizado das primeiras letras, a leitura da Bíblia e dos folhetos de cordel. Essas experiências são acontecimentos que marcam suas histórias de leitura. O estudo revela que pessoas com diferentes histórias se encontram para falar de outras histórias, ainda que no encontro com o texto escrito as professoras deixem transparecer as marcas de suas experiências anteriores, quais sejam, as de leitoras de uma cultura que tem suas raízes na oralidade. O contato com as professoras que lecionam na zona rural proporcionou um conhecimento das trajetórias dessas leitoras, fazendo emergir leituras que se encontram às margens das leituras canônicas, ou seja, aquelas que compõem a tradição oral, inseridas nas práticas socioculturais. O aporte teórico utilizado para análise do material coletado encontra-se no campo da História Cultural e da leitura como uma prática social indo além dos aspectos cognitivos da leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA, TRADIÇÃO ORAL

TÍTULO: LEITURA E ESCRITA PARA OS PRIVADOS DE LIBERDADE: POSSIBILIDADES SÓCIOEDUCATIVAS NO MÉTODO APAC EM SÃO JOÃO DEL-REI/MG
AUTOR(ES): MARIA LUCIA MONTEIRO GUIMARAES
RESUMO: As práticas desse Projeto visam o incentivo à leitura e escrita contextualizadas com temas de relevância social como recurso de práticas educativas que trabalhem o desenvolvimento da linguagem em demandas educativas que emergem em distintos ambientes, como naqueles em que se encontram os privados de liberdade e propiciam a construção de novas perspectivas pedagógicas que ultrapassam os muros da escola. Tem como metodologia a realização de oficinas pedagógicas por meio da utilização de diferentes suportes de leitura e narrativas de histórias literárias e populares articulados com temas geradores de diálogos que atribuem ao trabalho de incentivo à leitura e escrita um valor social, buscando proporcionar o desenvolvimento da oralidade e escrita, da leitura e da análise e sistematização linguística, e a realização de atividades que procuram oferecer um momento lúdico, em que as tensões cotidianas se esvaem, proporcionando aos recuperandos a oportunidade de observar a vida em seus mais diversos ângulos, substancialmente os positivos. Suas ações se pautam na troca de conhecimentos onde, o educador desempenha a função articuladora da linguagem enquanto constituinte do homem que promove a relação consigo mesmo e com o outro. O incentivo à leitura e escrita articulado com práticas dialógicas oferecem diversos elementos que constituem percepções de mundo, costumes, práticas sociais e saberes que perfazem o campo das relações entre professores e alunos envolvidos numa experiência educativa que tem a formação do senso crítico e a afirmação de presenças como princípios pedagógicos. O trabalho com a leitura e escrita podem ser desenvolvidos de maneira a suscitar identificações com a realidade pessoal e social de atores do cenário educacional e fornecer valiosos elementos geradores de diálogos, permitindo aos recuperandos conquista de sua auto-estima e valorização, facilitando sua re-inserção na sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E ESCRITA, LITERATURA, LINGUAGEM E CIDADANIA

TÍTULO: O QUE NÃO LER PARA APRENDER A BEM LER. INTERDIÇÕES E PRESCRIÇÕES À LEITURA DE JOVENS RAPAZES E MOÇAS EM MANUAIS DE EDUCAÇÃO MORAL E SEXUAL NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX.
AUTOR(ES): MARIA STEPHANOU
RESUMO: Para além da educação escolarizada, as práticas de leitura disseminaram-se na sociedade brasileira na virada do século XIX para o século XX. Os livros postos à disposição para leitura alcançaram uma escala sem precedentes na história dos impressos e foram importantes disseminadores de ideários e estilos de vida, prescritos ou propostos aos indivíduos, institucionalmente ou na informalidade. Através desses livros foram produzidos e circularam variados conteúdos, notadamente aqueles relativos à moral, à sexualidade, ao civismo, à higiene, trabalho, religião, política. A leitura persistiu como objeto de atenção de moralistas, educadores, religiosos, políticos, governantes, médicos. Os perigos da leitura ou seus benefícios à formação do cidadão, de ambos os sexos, ocupam a produção discursiva de diferentes campos do social: das igrejas à vida íntima, por exemplo. O estudo, a partir dos aportes teóricos da história cultural, discute os movimentos, a um só tempo, de interdição e prescrição da leitura, em diferentes temporalidades dos séculos XIX e XX. Toma como objetos de análise quatro livros da coleção Self and Sex Series, de autoria de Sylvannus Stall, que circularam no Brasil, em Portugal, EUA, Inglaterra, Canadá, entre outros países, nesse período. Os livros intitulam-se O que um menino deve saber, O que um rapaz deve saber, O que um jovem esposo deve saber, além do livro O que uma jovem esposa deve saber, co-autoria de Stall e Mary Wood-Allen. Procura demonstrar o processo de codificação de regras e padrões às práticas de leitura, informado por diferentes saberes e discursos que intentavam circunscrever as derivas do ato de ler e acentuar as influências sugestivas dos bons livros. Inspirando-se em Roger Chartier e Robert Darnton, o estudo indica que o vivido não está nunca anulado pelas normas que visam controlá-lo, pois não se pode confundir os textos com os gestos e pensamentos que ensejam.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, HISTÓRIA DA LEITURA, EDUCAÇÃO MORAL
TÍTULO: O QUE OS REGISTROS DE CRIANÇAS [EM DIÁRIOS] NOS DIZEM SOBRE AS PRÁTICAS DE LEITURA
AUTOR(ES): MARIANA BORTOLAZZO
RESUMO: Este trabalho é um recorte de um projeto de pesquisa que tem sua base material na produção de diários, escritos por crianças, em condição de produção concomitante e “paralela” às tarefas escolares. Os diários, documentos pouco estudados e valorizados no mundo contemporâneo (CUNHA, 2008), podem ser fontes de resgate da memória, de reconstrução histórica, de registros autobiográficos ou como um instrumento didático- pedagógico. É a partir desta característica que se desenvolve esta proposta de pesquisa: de como crianças, de 6 a 14 anos de idade, em um projeto de acompanhamento escolar, tecem considerações acerca do ato de escrever e de ler. O projeto de acompanhamento escolar é oferecido pela ONG ARTEVIDA, em Rio Claro-SP, a cerca e 20 crianças. Os diários, concebidos como um instrumento didático-pedagógico (MACHADO,1998), são produzidos pelas crianças em encontros semanais e em outros espaços. Neste trabalho, o foco está nos textos escritos das crianças e tem como objetivo levantar e analisar o que dizem sobre suas práticas de leitura: tanto a leitura de mundo quanto a leitura da palavra (FREIRE, 1993). Ao acatar a proposta de escrita do diário, tendo explicitada a sua função de prática e de reflexão, as crianças têm um à mão um suporte, em que escrevem, e a elas abre-se um espaço de possibilidades para dizer sobre qualquer assunto de sua preferência: algum fato marcante da escola, do projeto, de casa, algum aprendizado novo e também de alguma leitura que tenham feito. Análises preliminares têm nos indiciado a presença de práticas disseminadas que estreitam relações entre uma leitura de mundo e a leitura da palavra, de modo a torná-las mais vivas. A leitura e a palavra.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DA LEITURA, PRÁTICAS DA ESCRITA, DIÁRIO

TÍTULO: LEITURA E LEITORES. HISTÓRIAS DE LEITURAS E ESPAÇOS DE FORMAÇÃO
AUTOR(ES): MARIANGELA POLACCHINI ZANELLA
RESUMO: Este trabalho propõe discutir questões da leitura e formação de leitores, que emergem das histórias relatadas por participantes, em espaços constituídos de leitura compartilhada. Trata-se de uma pesquisa de mestrado em andamento e aqui apresento elementos de sua etapa exploratória. Temos como aporte os estudos de Vygotsky e Bakhtin no que se refere à multiplicidade de sentidos que a palavra alcança, entre o verbal e o extra verbal, e de Chartier que revela práticas de leitura e práticas culturais que, de certa forma, caracterizam o universo de leitores. Nesta etapa exploratória foram propostos e ocorreram cinco encontros, tendo como cenário o Gabinete de Leitura localizado no município de Rio Claro/SP, envolvendo duas leitoras. Nesses espaços de leitura, caracterizados também pelo convite à leitura compartilhada, pesquisadora e participantes leem textos e , em seguida, passam a discutí-lo. Estas conversas, que inicialmente tratam do texto em si, acabam convergendo para histórias de vida... e de leituras, revelando ações e práticas leitoras, múltiplos sentidos conferidos aos textos e atitudes formadoras de leitores. A análise do material obtido pretende contribuir com os estudos sobre práticas de leituras, focando-as em uma visão de práticas disseminadas que, de certa forma, caracterizam a atualidade, revelando a ação formadora de leitores e a apropriação que o leitor faz do texto.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESPAÇOS DE FORMAÇÃO, HISTÓRIAS DE LEITURAS

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 18
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Sala de Defesa, Bloco C, 2º andar
TÍTULO: GÊNERO, PRECONCEITO LINGUÍSTICO E EXCLUSÃO
AUTOR(ES): MARINA GAMA CUBAS DA SILVA
RESUMO: Nesta comunicação pretendemos discutir os resultados da pesquisa de Iniciação Científica encerrada em julho de 2008. A pesquisa analisou os discursos produzidos por licenciandos do último ano de Pedagogia de uma universidade estadual paulista com o objetivo de examinar as representações (HALL, 1997) que esses alunos constroem das diferentes variedades da língua portuguesa e das identidades dos falantes dessas variedades. Após terem sido expostos a 03 diferentes falas espontâneas, gravadas em áudio, os sujeitos de pesquisa foram entrevistados. A análise do corpus gerado por esses procedimentos revelou a existência de dois tipos de preconceito entre os sujeitos de pesquisa: o preconceito linguístico e o preconceito contra a mulher. Em relação à questão linguística, alguns poucos licenciandos entrevistados demonstraram ter alguma consciência do próprio preconceito, o que nos pareceu salutar, mas a maioria demonstrou nunca ter feito qualquer reflexão crítica sobre a questão, baseando suas respostas sobre a profissão, o grau de instrução, a capacidade de aprender etc. do falante no modo de falar. Dentro da pesquisa, o dado que mais nos surpreendeu foi a posição no mercado de trabalho em que a falante do sexo feminino foi alçada. Muitos dos licenciandos sugeriram que a falante tivesse como ocupação o “trabalho no lar”. Considerando que ela é a única mulher entre as três falas apresentadas, isso parece ser um indício de preconceito contra a mulher. Apesar de existir um trabalho grande entre os professores e alunos do curso de Pedagogia da universidade em questão, os resultados deste estudo exploratório indicam que é preciso fazer investimentos maiores nos estudos de gênero e exclusão, bem como no que se refere à questão das diferenças linguísticas, de modo que os licenciandos possam aprender a respeitar tais diferenças e, em sua futura prática profissional, saber trabalhar com elas em suas salas de aula.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, PRECONCEITO LINGUÍSTICO, VARIDADES LINGUÍSTICA
TÍTULO: A LEITURA COMO MEDIADORA DO TRABALHO NO COTIDIANO ESCOLAR
AUTOR(ES): MARISSOL PREZOTTO, CAROLINA RODRIGUES ENGE
RESUMO: Trabalhar com as dificuldades das crianças é uma das funções da professora auxiliar na escola em que atuamos. Mas, como trabalhar com crianças que apresentam dificuldades, sem desestimulá-las e procurando deslocamentos em um curto período de tempo? Eis, então, que a leitura se faz presente em nossa trajetória como professoras auxiliares. Nesse sentido pretendemos apreender o cotidiano que vivenciamos. Ler nas entrelinhas e na ordem inversa dos acontecimentos faz com que o olhar e o trabalho ganhem dimensões diferentes, possibilitando uma aprendizagem mais significativa para as crianças e para nós mesmas, como sujeitos em constante processo de formação. Nessa busca de maneiras de fazer, fomos percebendo que a leitura é o ponto que entrelaça todo o trabalho realizado por nós em atendimento individual ou em pequenos grupos. A leitura permite aproximação com as crianças, onde a experiência do “outro” faz com que a sua seja ampliada, fecunda a imaginação e constrói sua identidade coletiva e individual. Quando mencionamos leitura, referimos-nos a diferentes tipos, seja de livros de literatura, de poesias, de imagens, de letras de música, de regras de jogos, de notícias de jornal ou revista infantil, de informações.... Nessas interações - sujeito cognoscente, sujeito mediador e objeto do conhecimento – o conhecimento vai se construindo e possibilitando a construção de uma prática social no cotidiano escolar . A leitura possibilita o momento da escrita que é uma atividade concreta que consiste em um espaço próprio, seja a folha em branco, a tela do computador ou até mesmo um retalho de papel. No momento em que se registra, é possível ver a existência da organização das idéias e pensamentos e, para o professor, o momento de reflexão para formalizar sua prática e atuar sobre ela.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRÁTICA SOCIAL, PROFESSOR
TÍTULO: GOSTO PELA LEITURA E CIVILIDADES NA SÉRIE DE LEITURA GRADUADA PEDRINHO DE LOURENÇO FILHO (1950 – 1970).
AUTOR(ES): MARLENE NEVES FERNANDES
RESUMO: Este texto integra a pesquisa Saberes impressos. Imagens de civilidade em textos escolares e não escolares: composição e circulação (décadas de 50 a 70 do século XX)* , que tem por intuito analisar como textos escolares disseminaram hábitos de civilidade - entendida como um esforço de codificação e controle dos comportamentos para conter as sensações e movimentos do corpo e da alma. O estudo centra-se na análise descritiva de textos escolares largamente utilizados nas escolas públicas brasileiras na referida data, intitulados de Série de Leitura Graduada Pedrinho, de autoria de Manoel Bergström Lourenço Filho (1897-1970). A Série composta por cinco livros de leitura e uma cartilha, a saber: Pedrinho, Pedrinho e seus amigos, Aventuras de Pedrinho, Leituras de Pedrinho e Maria Clara, Pedrinho e o mundo e a cartilha Upa, cavalinho!. É neste material, especificamente no livro III – Aventuras de Pedrinho, tanto em seus textos como em suas imagens visuais que buscar-se-á analisar normas e valores que ditariam padrões de civilidade para o período e que, pela leitura, fora ou dentro da escola, educariam, disseminando novos hábitos de pensamento e de vida na educação, pautados em valores do progresso. *Pesquisa coordenada pela Profª Drª Maria Teresa Santos Cunha - Departamento História – Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, com apoio do CNPq - Edital Universal - 478925/2006-9.
PALAVRAS-CHAVE: CIVILIDADES, MANUAIS ESCOLARES, PRÁTICAS DE LEITURA
TÍTULO: ALINHAVANDO A REDE: A PRÁTICA DE LEITURA ENTRE TEXTOS E LINHAS.
AUTOR(ES): MICHELLE MITTELSTEDT DEVIDES
RESUMO: O objetivo desta comunicação é realizar uma abordagem sucinta da concepção de gênero que fundamentou o documento oficial adotado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, no ano de 2008, nas Escolas Estaduais, especificamente nos documentos destinados ao ciclo II de Ensino Fundamental; e apontar as relações entre a prática de leitura na sala de aula e os gêneros do discurso recomendados pelas propostas. A prática de leitura inserida na escola deve ser considerada um desafio constante pelas circunstâncias efêmeras do mundo contemporâneo. Atualmente para desenvolver ou induzir a leitura na sala de aula, deve-se ter a preocupação real de trabalhar com discursos direcionados para um determinado sujeito, inserido em uma comunidade, com aspectos culturais muito peculiares. Há a intenção de apontar algumas características referentes à prática de leitura, ressaltando sua importância como condição necessária ao processo histórico, social e cultural na formação do sujeito leitor, juntamente com a utilização de mecanismos adequados, tais como os gêneros do discurso, visto que podem ser considerados como instrumento de aprendizagem, através de circunstâncias que envolvam os atos de leitura, de acordo com Foucambert. Para tanto, a concepção de gênero de Bakhtin balizará este estudo, assim como as contribuições de Chartier, no que tange as práticas de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO DISCURSIVO, PRÁTICAS DE LEITURA, SALA DE AULA

TÍTULO: DIFERENÇA E IDENTIDADE: COMO TRANSFORMAR O DISCURSO DA AUSÊNCIA EM DISCURSO DA PERTENÇA?
AUTOR(ES): MÔNICA ANDRÉA OLIVEIRA ALMEIDA, DEISEANE DE MOURA OLIVEIRA
RESUMO: -“Então meu cabelo é feio?“ - perguntou a menina loirinha, chorando. -“Claro que não! O seu cabelo é bonito também“ - respondeu a menina negra, abraçando-a. -“Você não é assim, branca e loira!“ - exclamou a menina branca ao ver que a colega negra havia colado um adesivo da boneca Barbie no lugar da ilustração que deveria fazer sobre ela. As falas dessas crianças ilustram duas situações ocorridas em escolas públicas de educação básica, localizadas na cidade do Rio de Janeiro, em que questões relativas à diferença e à construção de identidades étnicas aparecem como eixo central. Um dos fatos relatados foi retirado do diário da professora que atua em uma turma do 3o ano de escolaridade e o outro do diário de campo da bolsista/pesquisadora ao coletar dados para a pesquisa “O jogo, a brincadeira e a literatura infantil como contextos para a co-construção de identidade de gênero na escola“, desenvolvida pelo GPFORMADI - Grupo de Pesquisa Formação em Diálogo: Narrativas de professoras, currículos e culturas. A partir dos estudos sobre educação multi/intercultural, traremos algumas análises sobre a complexidade das relações entre escola e cultura(s), diferença, preconceito, discriminação, questões que têm sido silenciadas no espaço escolar e, mais especificamente, nas dinâmicas utilizadas pelos/as professores/as na sala de aula com os alunos e alunas de diferentes contextos socioculturais. Refletir sobre a perspectiva monocultural da escola e apresentar o pensamento multi/intercultural em educação como possibilidade para a construção de uma escola democrática e que dê conta da multiplicidade de universos culturais de seu alunado, é o principal objetivo desse texto.
PALAVRAS-CHAVE: DIFERENÇA, IDENTIDADE, EDUCAÇÃO MULTI/INTERCULTURAL

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 19
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: MEMÓRIAS DE LEITURAS: O VIVIDO, O RECORDADO E O EXCLUÍDO
AUTOR(ES): ORLINDA MARIA DE FÁTIMA CARRIJO MELO
RESUMO: A busca da leitura e dos leitores na primeira cidade inventada no sertão do centro-oeste brasileiro, Goiânia, durante o período de 1937 a 1960, expressa as tensões provocadas pelo processo de descentralização política e econômica que dominou este período, culminando na mudança da capital do Brasil para Brasília. Assim, Goiânia, antes de seu desenho urbanístico, foi criada por um discurso baseado nos paradigmas da modernidade, da cultura urbana e da ocidentalização, pretendendo apagar, entre outras coisas, diversas formas de leituras com seus múltiplos leitores, representados nesse discurso como hierarquicamente inferiores e sujeitos a uma tradição considerada não civilizada. A pesquisa, baseada nos estudos da história cultural aliados à metodologia de fontes orais, estuda a leitura numa relação dialética entre memória e exclusão a partir de uma entrevistada negra, moradora da cidade de Goiânia no período enfocado. A análise da contraposição dos espaços formais de leitura com os informais frequentados por essa leitora negra permite dar visibilidade a uma outra cidade, submersa na cidade inventada, cujos protagonistas são leitores de outras leituras que são excluídas e não reconhecidas como tais pelos cânones oficiais. Nesse contexto, os leitores produzem práticas e representações de leitura não só sobre a exclusão mas também sobre as várias formas de resistência ao discurso oficial.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, MEMÓRIA, EXCLUSÃO

TÍTULO: LEITURA DE HISTÓRIAS PARA CRIANÇAS SURDAS: MAIS QUE UMA POSSIBILIDADE UMA BELÍSSIMA APRENDIZAGEM.
AUTOR(ES): PATRICIA CONSTÂNCIO
RESUMO: Esta comunicação tem sua origem no interesse de um Grupo de Acadêmicas do Curso de Pedagogia da Universidade Regional de Blumenau – FURB em ampliar o potencial docente, agregando à sua formação a prática de ler/ofertar aos alunos com deficiência auditiva a leitura de obras literárias infantis disponíveis no mercado editorial, interesse gerado e despertado pela oportunidade de ter uma colega acadêmica surda em sala de aula e com isso, além de estreitar os processos de comunicação com a acadêmica, apropriar-se da língua brasileira de sinais – LIBRAS, poder inserir nos estágios acadêmicos do curso uma fração da carga horária com alunos surdos. Este trabalho possibilitou às acadêmicas um estudo da literatura, adaptação de textos literários para a escrita dentro da cultura dos surdos e a transformação destes textos em sinais para possibilitar a oferta às crianças surdas. Desta maneira, a pesquisa iniciou-se numa consulta dos acervos infantis disponíveis com texto de narrativas simples que considerasse o repertório de linguagem das acadêmicas. Foi necessário a instalação de um seminário interno nas aulas de prática de ensino com o propósito de garantir uma prévia de oferta em que a acadêmica surda pudesse qualificar o processo de oferta do livro. Por fim, o agendamento do acadêmico junto a uma instituição educacional alternativa que dispõe de alunos surdos regularmente matriculados. Sendo assim, o que esta comunicação se propõe é: apresentar processos diferenciados que garantam trabalhos acadêmicos voltados a educação inclusiva, garantir às crianças o acesso a leitura e recepção de textos literários infantis disponíveis no mercado editorial e, fundamentalmente, estudar formas de adaptação de linguagens, neste caso em LIBRAS, de oferta de textos literários.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA, INCLUSÃO

TÍTULO: A CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADES FEMININAS POR MEIO DA LITERATURA: O CASO DA COLEÇÃO CLÁSSICOS HISTÓRICOS
AUTOR(ES): PATRÍCIA APARECIDA DO AMPARO
RESUMO: Esta comunicação é parte do projeto de mestrado “Sonhando acordada: um estudo sobre as práticas de leitura da coleção Clássicos Históricos”. A coleção Clássicos Históricos, fonte de nossa pesquisa, é composta por romances sentimentais, comercializados em bancas de jornal. Estes romances são traduções publicadas, originalmente, nos Estados Unidos e têm enredos ambientados na Europa, durante o século XIX. A principal hipótese do projeto se refere à idéia de que os romances sentimentais concorrem para a formação de identidades e sensibilidades femininas em suas leitoras, por meio das representações sociais femininas, masculinas, entre outras, que difundem. Para verificar a hipótese, realizamos três entrevistas semi-estruturadas com leitoras de romances sentimentais; e analisamos os depoimentos que elas deixam em sites de relacionamentos e blogs no espaço virtual. Dessa maneira, temos mapeado as práticas de leitura realizadas por essas mulheres e entendido como estas dão sentidos e significados para a leitura, constituindo identidades femininas (CHARTIER, 1991; CERTEAU, 1994). As falas das leitoras indicam que estas entram em contato com os livros por meio de mulheres mais velhas já conhecidas, passando a efetuar uma leitura conjunta, trocando impressões entre si. Ao mesmo tempo, ao levarem a leitura pela vida, criam sentidos pessoais para ela. Vê-se, assim, que a leitura de romances sentimentais possibilita a criação de identidades de grupo, na medida em que esta prática é compartilhada, e identidades individuais, pois ela tem imbricações com a vida de cada leitora. Outra faceta da construção desta identidade se refere ao fato de que o romance sentimental é uma leitura considerada inferior, por isso, as leitoras têm que lidar com a tensão de criar suas identidades associadas a uma leitura socialmente desvalorizada, que segue uma lógica de mercado (SODRÉ, 1988).
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO, IDENTIDADE

TÍTULO: MULHERES, LEITORAS DE ROMANCE
AUTOR(ES): PAULA VIRGÍNIA DE ALMEIDA ROCHETTI
RESUMO: Vários estudos vêm sendo feitos a fim de investigar a relação que as mulheres têm com o romance. Alguns buscam as memórias da leitura feminina, outros trazem a imagem da mulher leitora presente no interior do próprio romance, outros ainda, investigam as estratégias de promoção da leitura de romance voltadas ao público feminino. Porém, poucos pesquisam como estas leituras se dão, nos dias de hoje. Os modos como se inserem na vida cotidiana das mulheres. Os sentidos que elas lhes dão e às sua histórias. Como tais colocações se cruzam com nosso contexto de vida contemporânea. Esta comunicação apresenta parte de uma pesquisa de Mestrado, que está em andamento na Faculdade de Educação da Unicamp, no grupo de Alfabetização, Leitura e Escrita (ALLE), e fala da busca por relatos de leitoras reais, atuais. Apresenta um grupo de mulheres, leitoras de romance, que freqüenta uma Locadora de Livros situada na cidade de Campinas, SP. É a continuação de um trabalho de Iniciação Científica, que investigou o espaço da locadora e seus leitores, chegando a descoberta de que grande parte dos leitores que freqüentavam a locadora eram mulheres de meia idade e que seu gênero predileto era o romance. Esta nova pesquisa procura então, conhecer e compreender, pelo ângulo dessas leitoras, as características deste espaço, em suas especificidades ou não, em sua dinâmica de funcionamento de locação de livros; das práticas que ali ocorrem, das formas de mediação que ali se configuram, trazendo as falas e os gestos de um grupo de mulheres que freqüenta a locadora e lê romances.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, MULHER, ROMANCE

TÍTULO: A LEITURA DA MÚSICA E A PESSOA IDOSA: AVENTURA SONORA PARA A VIDA
AUTOR(ES): PEDRO LODOVICI NETO
RESUMO: “O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas...mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.” É assim que a grande alma musical de Guimarães Rosa se manifesta em Grande Sertão e Veredas, dizendo como ninguém do essencial da vida humana: a capacidade de uma pessoa de, a qualquer tempo, poder encontrar seu lugar na sociedade. Vida humana que, se se aventurar pela leitura da música - assim evidenciam os resultados desta pesquisa antropológico-gerontológica da música - seguramente se manterá resiliente diante das desventuras da vida, não se deixando afetar subjetivamente nem pelas marcas que lhe são impressas no decorrer do tempo. Para uma leitura ideologicamente adequada das relações do homem com a música, primeiramente foi preciso saber das modalidades de leitura tradicionalmente feitas da música. A partir daí, as perguntas a que buscamos resposta em pesquisa empírica: o que de diferencial ou de misterioso tem a música em termos de efeitos de sentido benéficos aos interlocutores, e que podemos recuperar da leitura da música pelos idosos e/ou junto aos idosos? Que nos dizem as falas desses musicistas-idosos da capital paulistana, entrevistados e filmados em documentário, que fazem dela um uso profissional no mercado, e/ou amador e/ou de lazer?
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DA MÚSICA, PESSOA IDOSA, MÚSICA NA VELHICE

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 20
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Biblioteca Central da Unicamp - BC - SALA: Auditorio
TÍTULO: A ARTICULAÇÃO ENTRE OS TIPOS DE DISCURSO PRESENTES EM “SANTINHOS POLÍTICOS”
AUTOR(ES): PRISCILA LOPES VIANA
RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar como se dá a articulação entre os tipos de discurso presentes em quatro exemplares do gênero textual “santinho político”. Para isso, utilizamos o aparato teórico-metodológico de Bronckart (1999), que admite duas modalidades gerais de articulação entre tipos de discurso presentes em um mesmo texto. Uma delas é a “articulação por encaixamento”, pela qual os tipos de discurso permanecem delimitados e ordenados, ou seja, observa-se que há diversas marcas linguísticas explicitando a relação de subordinação de um tipo ao outro predominante. A outra modalidade é a “articulação por fusão”, pela qual os tipos de discurso associam-se uns aos outros, em modalidades variáveis. A análise das operações constitutivas dos mundos discursivos demonstra que os textos dos “santinhos” (1) e (2) criam tanto o mundo discursivo “Mundo do Expor autônomo” bem como o “Mundo do Narrar autônomo”, o que nos sugere textos constituídos pela fusão entre o “discurso teórico” e a “narração”. Percebe-se que, ao mesmo tempo em que há segmentos expondo detalhes sobre situações que envolvem as vidas profissionais e/ou pessoais dos candidatos, há abordagens de acontecimentos que recobram seus passados. Linguisticamente, essa fusão pode ser percebida, por exemplo, pelas marcas entrecruzadas de subsistemas de tempos da narração com organizadores textuais de valor lógico-argumentativo próprios do discurso teórico. Em relação aos “santinhos” (3) e (4) constatou-se que apresentam, sobretudo, o tipo discurso interativo. Contudo, estão presentes, também, segmentos que criam um mundo do narrar, isto é, segmentos do tipo relato interativo. Vale salientar que, sendo o gênero “santinho político” pertencente à modalidade escrita, esses dois tipos de discurso, por serem primordialmente da modalidade oral, são concebidos – por Bronckart (1999) – em textos escritos como “secundários” ou “monologados”. Assim, verifica-se que os “santinhos” supracitados trazem segmentos de relatos interativos secundários encaixados no discurso interativo secundário.
PALAVRAS-CHAVE: SANTINHO POLÍTICO, INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO, TIPO DE DISCURSO

TÍTULO: PARA UM OLHAR FEMININO DA HISTÓRIA: O CASO DE A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA DE MOACYR SCLIAR
AUTOR(ES): RAFAELLA BERTO PUCCA
RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar o romance A mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar, a partir da perspectiva de revisão histórica pretendida pela obra, que reconta sob uma outra visão (o olhar feminino) episódios do primeiro texto canônico: A Sagrada Escritura. Para tanto, o enfoque estará no olhar da narradora e protagonista, ou seja, o olhar ex-cêntrico defendido por Linda Hutcheon (o das margens, fora dos centros produtores de sentido), tentando mostrar que ao dar a voz a uma mulher para narrar a trajetória da humanidade, pautando-se na versão bíblica, o escritor gaúcho nos mostra que a posição do discurso é uma questão de perspectiva, e não um dado natural, conforme propõe a historigrafia tradicional. Percebemos, portanto, que ao criar tal inversão, desconstruindo um discurso tipicamente patriarcal para retomá-lo a partir do olhar feminino, o autor de Sonhos Tropicais apresenta uma reflexão sobre como tem sido composta a nossa História (ou nossa historiografia), isto é, elaborada de maneira excludente e unilateral, pautada unicamente na versão dos vencedores (ou heróis) na disputa pelo poder da palavra, ou seja, trata-se apenas da versão do homem (e nunca da mulher), sendo este branco (e não de outra etnia) e ocidental.
PALAVRAS-CHAVE: RELEITURA HISTÓRICA, LITERATURA CONTEMPORÂNEA, OLHAR EX-CÊNTRICO
TÍTULO: ALTERNATIVAS APRESENTADAS PELOS PROFESSORES PARA O TRABALHO COM A LEITURA EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): RAQUEL MONTEIRO DA SILVA FREITAS
RESUMO: Essa comunicação objetiva apresentar dados relacionados ao plano de trabalho Práticas de leitura de professor que está inserido no projeto Práticas escolares de leitura e discursos sobre a leitura, coordenada pela Professora Doutora Maria Ester Viera de Sousa. Especificamente, temos como sujeito o professor de escolas públicas e privadas da cidade de João Pessoa - PB, investigando o que ele diz sobre a leitura, do ponto de vista de suas práticas de leitura e de sua atuação como formador de leitor. Nosso objetivo específico neste trabalho é apresentar, através de dados quantitativos e qualitativos, as alternativas apresentadas pelos professores para o trabalho com a leitura em sala de aula. Pretendemos discutir as atividades que os professores dizem realizar em sala de aula, sobretudo, quando reconhecem as dificuldades de seus alunos em relação à leitura. Em geral afirmam que os alunos não lêem, apresentam problemas de compreensão textual, muitas vezes apenas decodificando o texto. Nesse sentido, afirmam que têm de procurar alternativas para melhorar o processo de leitura e interpretação dos textos. De maneira geral, podemos constatar que há uma quantidade significativa de alternativas apresentadas pelos professores para se trabalhar a leitura em sala de aula para dar conta das dificuldades encontradas. Essas alternativas de trabalho apresentadas pelos professores serão nosso objetivo de investigação nessa comunicação, partindo da compreensão de que a leitura é um processo gradativo que carrega consigo degraus a serem alcançados e que oferece ao leitor a oportunidade de ir além cada vez que lê. Para isso, é papel do professor e da escola, como instituição, incentivar seus alunos, através de atividades que os auxiliem e os encaminhem de forma gradativa a alcançar o patamar almejado.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PROFESSOR, ATIVIDADES DE LEITURA EM SALA DE AULA.

TÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARA A PRODUÇÃO TEXTUAL
AUTOR(ES): REBECCA TAVARES DE MELO TOSCANO DE BRITO
RESUMO: Nos dias atuais a prática da leitura está se tornando cada vez mais rara entre os educandos, o que favorece fracos desenvolvimento e desempenho na produção textual. Nas escolas, na maioria das vezes, a produção textual está sendo feita de forma mecânica, como treinamento da escrita. Dessa forma o produtor (aluno) acaba escrevendo um texto incoerente e superficial. Assim, podemos perceber que, através da prática da leitura, o aluno torna-se capaz de conhecer novas palavras e aprender novas estruturas gramaticais, aperfeiçoando sua escrita. É de grande importância ressaltar também que é necessário haver um comprometimento não só por parte da Escola (professores), mas também um incentivo familiar, para que os alunos percebam que a leitura é o alicerce da interação da palavra com o mundo. A respeito dessa afirmação, Freire (1996) diz que a leitura de mundo antecede a leitura da palavra, e que a leitura desta implica na continuidade da leitura daquele, isto é, da leitura de mundo. Desse modo, vemos o quanto a leitura é importante na formação de cidadãos (leitores) críticos, tornando-os capazes, ainda, de compreender os acontecimentos do mundo que os cercam. Logo, nosso objetivo é fazer uma reflexão teórica sobre a importância da leitura para a produção textual, enfatizando que o educador e o educando devem caminhar juntos e ter consciência de que a prática da leitura irá favorecer uma melhor produção da escrita. A partir do exposto, se faz necessário um trabalho mais comprometido, por parte da comunidade escolar, no que tange a iniciação à leitura, pois só a partir desta o indivíduo adquire uma bagagem de conhecimento pleno para ampliar sua visão de mundo, assim, teremos textos produzidos com mais conteúdo, clareza e criticidade.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, ENSINO

TÍTULO: “NEGUINHO” E “NEGADINHA”: CONSIDERAÇÕES SOBRE A NEUTRALIDADE DO DIZER
AUTOR(ES): REGINA CÉLIA DE CARVALHO PASCHOAL LIMA
RESUMO: Este trabalho, que faz parte do projeto “Perambulantes: exclusão e resistência”, por mim coordenado na UNIFEOB, e que se inscreve no projeto “Projeto: Vozes (in)fames: exclusão e resistência”, coordenado pela profa. Maria José Coracini, na UNICAMP, tem por objetivo tecer considerações a respeito das palavras “neguinho” e “negadinha”, utilizadas em dois acontecimentos discursivos distanciados no tempo, mas próximos quanto aos efeitos de sentido provocados em enunciatários dessas situações de interlocução. Sustentando-se em conceitos advindos da Análise de Discurso de origem franco-brasileira em sua intersecção com os campos das Ciências Sociais e da Psicanálise, busca compreender como a historicidade dos sentidos, que constituem a memória discursiva desses dois termos, evidencia um ato político que, advindo de uma pressuposta reorganização da sociedade brasileira, interfere diretamente nos modos de dizer e de interpretar, uma vez que, como lembra Pêcheux (O discurso: estrutura ou acontecimento?): “só por sua existência, todo discurso é o índice potencial de uma agitação nas filiações sócio-históricas de identificação, na medida em que ele constitui ao mesmo tempo um efeito dessas filiações e um trabalho (mais ou menos consciente, deliberado, construído ou não, mas de todo modo atravessado pelas determinações inconscientes) de deslocamento no seu espaço.“ A discussões a serem tecidas nesta comunicação procuram responder a duas questões: 1-poder-se-ia afirmar que o discurso não é neutro, mas a língua sim? 2-nesse embate entre o simbólico e o político, estaria havendo uma inversão nos lugares tradicionais de poder em que grupos sociais menos prestigiados, como é o caso do negro no Brasil, objetivariam silenciar alguns termos considerados preconceituosos ou ofensivos por/a eles?
PALAVRAS-CHAVE: NEGRO, SILENCIAMENTO, NEUTRALIDADE
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 21
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: REPRESENTAÇÕES DA LEITURA FEMININA NO DISCURSO DOS JORNAIS: O CASO DE PELOTAS-RS NO FINAL DO SÉCULO XIX
AUTOR(ES): RENATA BRAZ GONÇALVES
RESUMO: O presente texto apresenta alguns resultados da pesquisa em desenvolvimento que tem por objetivo identificar representações da leitura feminina nos discursos difundidos nos jornais diários que eram produzidos na cidade de Pelotas – RS no final do século XIX. No final do século XIX já haviam sido produzidos cerca de 115 títulos de jornais em Pelotas, alguns com vida efêmera, outros apenas com edição especial, e vários com circulação regular quinzenal, semanal ou diária por muitos anos. De acordo com Loner (1998), os jornais do século XIX existiam em quantidade extremamente significativa para “uma cidade que, no início da República, possuía cerca de 25.000 habitantes apenas em sua zona urbana, sendo que 34% desses eram analfabetos, descontados os menores de oito anos”. A partir do conceito de representação de Roger Chartier (1990) e buscando abordar a materialidade do suporte, do texto e alguns aspectos da apropriação de leitura foram analisados exemplares de 28 títulos de jornais (noticiosos, comerciais, literários, humorísticos etc.) publicados entre 1875 e 1900, que estão disponíveis no acervo do Museu da Bibliotheca Pública Pelotense. A partir da Análise dos jornais verificou-se a existência de textos literários direcionados às mulheres, como é o caso da seção “Folhetim”, e de notícias, anúncios e editoriais que tratavam de questões relacionadas à educação feminina, sobre o papel da mulher na sociedade e críticas literárias que direcionavam as obras ora para homens, ora para mulheres. Foi identificada a publicação de textos de escritoras famosas na Europa e também de escritoras locais menos conhecidas. Constatou-se ainda, a publicação de cartas de leitoras ao jornal constituindo indícios de como poderia ser a apropriação da leitura dos periódicos. Os achados dessa pesquisa nos ajudam a conhecer as diferenças entre ser leitor e leitora no século dezenove e nos fazem refletir sobre essa condição na atualidade.
PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO; , HISTÓRIA DA LEITURA; , GÊNERO.

TÍTULO: “A POÉTICA DO JONGO: RESISTÊNCIA NEGRA E CELEBRAÇÃO DA VIDA.
AUTOR(ES): RENATO DE ALCANTARA
RESUMO: Nessa pesquisa, pretendemos apresentar a permanência e atualidade de uma manifestação cultural tão antiga, baseada na simples e arguta leitura de tudo aquilo está disposto no mundo: o Jongo. Originário dos batuques e danças de rodas da tradição Bantu, apresenta-se como dança comunitária de origem rural que remonta à época da escravidão. Pesquisadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, registram, em 2004, cerca de 15 comunidades jongueiras nos estados de São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro
Sabemos, através de suas frases poéticas, chamadas de pontos ou jongos, que os negros tiveram que pôr em prática suas habilidades de dizer de modo indireto e cifrado. Através de metáforas percebidas por seus iguais, os antepassados e as forças metafísicas eram reverenciados; a dura vida no eito era rememorada; fugas ou encontros combinados. As múltiplas e movediças posições sociais eram percebidas e cantadas, geralmente de modo irônico. Dessa forma, o Jongo é expressão cultural complexa, que transita no campo do sagrado e do profano. É uma instituição social na medida em que o conceito abrange, simultaneamente, a prática divinatória, dança, canto, canções, melodia, instrumentos, o momento da confraternização e o grupo social dos jongueiros. Se na diáspora a posse da terra é vedada, os cativos constroem, tomam posse e defendem o terreiro, espaço de chão batido enfrente às senzalas, onde se canta e dança. Nele se difunde e são recriados conhecimentos, concepções filosóficas e estéticas, formas alimentares, música, dança: um patrimônio de mitos, lendas, refrões, em constante recriação, pois são respostas às demandas da realidade vivenciada por negros reunidos no cativeiro. É pólo irradiador de complexo sistema cultural no qual as manifestações orais, histórias sagradas, contos, adivinhas, lendas, expressões do canto, todos em constante recriação. Sua permanência mostra a teimosia de pessoas que lutam pela sobrevivência, sem deixar de sorrir ou celebrar a dádiva da existência.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E LITERATURA, JONGO, COLTURA NEGRA

TÍTULO: A DIVERSIDADE E A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO ENSINO DA LEITURA NO ÂMBITO JUVENIL.
AUTOR(ES): RILMARA ROSY LIMA
RESUMO: Esta comunicação tem por objetivo uma proposta pedagógica visando a auxiliar o professor no trabalho com produção de textos junto a alunos do ensino fundamental dos ciclos III e IV, a partir do ponto de vista da teoria do sujeito e linguagens apoiados na teoria sócio-histórica de Vygotsky, nas noções de dialogia e polifonia de Bakhtin e autores a eles relacionados e da didática. O interesse pelo tema se prende, por um lado, à oportunidade de se fornecerem ao professor secundário subsídio para sua prática didática e, por outro lado, à de se analisarem as possibilidades de aplicação da teoria. Para verificar a adequação, ou não, do instrumental teórico à prática pretendida, desenvolvemos preliminarmente um trabalho com produção escrita junto a alunos do III e IV ciclos do ensino fundamental. A escolha do sujeito foi intencional, pois era nosso objetivo verificar se a nossa proposta poderia adequar-se a alunos de pouca escolaridade e de nível sócio-econômico não privilegiado.Os dado obtido na experiência em sala de aula, somados às reflexões teóricas sobre as variáveis intervenientes no processo de aquisição da modalidade escrita, forneceram-nos base para a proposta de intervenção pedagógica que configura o nosso objetivo central. Trata-se de oferecer ao professor fundamentação teórica, além de, evidentemente, detalhamento prático, que lhe possibilite a compreensão do texto como produto de várias injunções, em níveis diversos. Desvendar a construção do texto, por meio das estruturas narrativo-discursivas a ele subjacentes, possibilita ao professor condições de auxiliar eficientemente o aluno na sua árdua tarefa de se tornar um leitor competente e, num segundo momento, um redator igualmente capaz, para enfrentar os desafios de uma sociedade exigente e seletiva.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, LEITURA, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

TÍTULO: PROFICIÊNCIA EM LEITURA: APRENDE-SE A SER UM LEITOR COMPETENTE?
AUTOR(ES): RITA DE CÁSSIA SANTOS ALMEIDA
RESUMO: Ler para entender. Ler para aprender. Ler para verificar o que aprendeu. Ler para se distrair. Enfim, considerando que a leitura é uma prática que ocorre a partir da interação entre texto e leitor, que tipo de leitura é preciso ensinar, ou que as crianças do Ensino Fundamental I precisam “treinar” para que realmente cheguem à competência leitora? Como orientá-las? Ensinam-se estratégias? Que práticas devem ser orientadas para que se motivem as crianças para a autonomia competente em leitura? É em busca de caminhos e alternativas para essas questões que esta comunicação visa a conhecer mais profundamente os níveis de leitura a que chegam as crianças leitoras e que estratégias usam quando leem, considerando KLEIMAN (1989), NASPOLINI (1996), e JOLIBERT (1998). SOLÉ (1994). A título de pesquisa serão empregadas questões de interpretação e compreensão leitora que abordam cinco níveis de competência, segundo NÓBREGA (2008), tendo como matriz, o projeto Leitores em Rede que tem como referência, as seguintes competências de leitura do PISA: 1. Compreensão global; 2. Recuperação de informações;3. Compreensão (relações e inferências);4. Reflexão sobre o plano do conteúdo e 5. Reflexão sobre o plano da expressão. A expectativa é que esta pesquisa permita conhecer o nível de leitura desses leitores, a fim de compreender como se tornam leitores proficientes.
PALAVRAS-CHAVE: COMPETÊNCIA LEITORA, ESTRATÉGIAS DE LEITURA, NÍVEIS DE LEITURA

TÍTULO: ENCONTROS E CONFRONTOS DA DIFERENÇA NO ESPAÇO ESCOLAR – A PRÁTICA COMO ALIADA NA REFLEXÃO DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES-PESQUISADORES
AUTOR(ES): ROBERTA SALES LACÊ ROSÁRIO
RESUMO: Vivenciando o espaço escolar como um espaço multi/intercultural (Candau, 2006), um lugar de diálogo e interlocução de diferentes modos de ser, pensar e agir dos atores escolares, o que inclui docentes, discentes e outros agentes envolvidos no processo ensino-aprendizagem, proponho uma reflexão acerca das questões relacionadas às diferenças que docentes enfrentam no cotidiano escolar e que suscitam diferentes questionamentos sobre a sua própria prática pedagógica. No interior da pesquisa “Constituir saberes didáticos para lidar com a diferença na escola – operando com a noção de jurisprudência pedagógica”, desenvolvida pelo “Grupo de Pesquisa Formação em Diálogo: Narrativas de Professoras, Currículo e Culturas” – GPFORMADI, detenho-me às situações de produção e reprodução das relações de poder presentes no currículo da escola. Relações essas que anunciam uma violência simbólica, ou um poder que chega a impor significações e ao impô-las como legítimas, simula as relações de força que estão na base de sua força. (Cf. Bourdieu e Passeron, 1975: 19). Percebemos o currículo escolar como um “lugar” de diferentes práticas pedagógicas, constituído de diferentes “narrativas explícitas ou implícitas que corporificam noções particulares sobre conhecimento” (Da Silva, 2005:195). Nesta comunicação, direciono o meu olhar para as questões relacionadas ao meu próprio processo de formação e constituição como professora-pesquisadora frente aos desafios postos pela dinâmica dos relacionamentos no cotidiano escolar, considerando a vivência de campo proporcionada pelo estágio voluntário de pesquisa numa escola pública localizada na zona norte do Rio de Janeiro. A partir da experiência vivida, defendo a pertinência da prática de pesquisa na formação inicial e continuada de professoras.
PALAVRAS-CHAVE: COTIDIANO ESCOLAR, FORMAÇÃO CONTINUADA, VIOLÊNCIA SIMBÓLICA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 22
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Faculdade de Educação - FE - SALA: Salão Nobre
TÍTULO: MARIA E A CONSTRUÇÃO DA SEXUALIDADE HUMANA: UMA REFLEXÃO SOBRE A INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS BÍBLICOS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A IDENTIDADE SEXUAL E DE GÊNERO
AUTOR(ES): RODRIGO AUGUSTO DE SOUZA
RESUMO: O presente trabalho analisa a construção da “santidade“ e da “virgindade“ de Maria, a partir dos textos bíblicos, como um elemento repressor da sexualidade humana, particularmente feminina. Ao tomar os textos bíblicos como produção cultural, esse estudo procura se concentrar na Bíblia como literatura, considerando os aspectos socio-culturais e religiosos que originam o texto sagrado. A interpretação dos textos bíblicos sobre Maria teve um impacto significativo na construção da sexualidade humana na civilização ocidental de matriz judaico-cristã. Maria foi apresentada pela cristandade como modelo para a “mulher cristã“. Esse ideal de mulher legitimou uma repressão da sexualidade feminina, levando a uma submissão da mulher ao homem, uma vez que, uma idéia de feminino estabele relação com a concepção que se tem de masculino. Os textos bíblicos tem a marca do machismo e do patriarcalismo das civilizações da antiguidade, sobretudo no Oriente Médio. É possível também perceber a heterogeneidade dos textos bíblicos, mesmo em um campo semântico influenciado pela cultura patriarcal. Nota-se a construção de algumas mulheres como personagens da Bíblia que estão em uma atitude de ruptura com o machismo e androcentrismo que caracterizam os textos bíblicos. Esse estudo procura analisar qual o lugar de Maria nos textos bíblicos. Maria, como personagem bíblica, se insere no contexto das mulheres de ruptura com a ordem patriarcal ou está em sintonia com a mentalidade vigente da cultura machista? Como realizar uma nova interpretação bíblica da figura de Maria considerando a emancipação da mulher e a contribuição dos estudos de gênero? São essas questões que o presente trabalho pretende responder.
PALAVRAS-CHAVE: ESTUDOS DA RELIGIÃO, INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS SAGRADOS, SEXUALIDADE

TÍTULO: IDENTIDADES E MULTICULTURALISMO EM TEXTOS E ATIVIDADES DE LEITURA EM LIVROS DIDÁTICOS DE INGLÊS
AUTOR(ES): ROGÉRIO CASANOVAS TILIO
RESUMO: Dando continuidade a minha pesquisa de doutorado (TILIO, 2006), na qual investiguei como o discurso dos livros didáticos para o ensino de inglês como língua estrangeira pode influenciar na construção de identidades dos alunos, este trabalho pretende, a partir do mesmo corpus, investigar as mesmas questões nas atividades de leitura dos mesmos livros. A discussão de questões identitárias foi proposta a partir de três eixos, que tomaram como base os princípios da Linguística Sistêmico Funcional (HALLIDAY, 1985, 1994; HALLIDAY & MATTHIESSEN, 2003): a análise dos tópicos e contextos culturais abordados (metafunção ideacional), a voz dada aos alunos através das atividades propostas (metafunção interpessoal) e a organização do material didático (metafunção textual). A análise segue também os pressupostos da Análise Crítica do Discurso (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999; FAIRCLOUGH, 2001), do multiculturalismo (CANDAU, 2008), e situa os livros didáticos sociohistoricamente na contemporaneidade (BAUMAN, 1999, 2003; FRIDMAN, 2000; HALL, 1992), além de considerar as implicações pedagógico-sociais trazidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, 1999, 2002) e pelas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006), com enfoque nas questçoes de inclusão social (MOITA LOPES, 2003). O corpus é composto por doze livros didáticos de seis séries didáticas, considerando-se o livro iniciante e o livro intermediário de cada série. Foram escolhidas séries didáticas com diferentas objetivos comunicativos, diferentes públicos-alvo, diferentes filiações de inglês (americano, britânico) e diferentes contextos de uso, tanto micro (escola, instituto de idomas), quanto macro (mercado brasileiro, mercado internacional). Enquanto a pesquisa original focalizou os livros por inteiro, este trabalho ocupa-se especificamente das atividades de leitura e atividades com textos. Mais do que um recorte do trabalho original, trata-se de uma expansão daquele, pois um enfoque mais micro permitirá um olhar mais cuidadoso sobre uma determinada questão: o ensino de leitura e o tratamento de textos nestes livros didáticos.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO DIDÁTICO, IDENTIDADE, TEXTO

TÍTULO: O CORPO REMEMORADO - SENTIDOS DA CORPOREIDADE DA PROFESSORA NAS LEMBRANÇAS DE EX-ALUNAS.
AUTOR(ES): ROSELI APARECIDA CAÇÃO FONTANA
RESUMO: Situado nas interfaces da história cultural, da antropologia, dos estudos da linguagem e da psicologia, o presente trabalho inscreve-se entre aqueles que, interessados em compreender os processos de escolarização em passado recente, elegem a História Oral como uma possibilidade de captar a experiência efetiva dos sujeitos que deles participaram, buscando em seus relatos e memórias, elementos que permitam questionar a naturalzação dos sentidos atribuídos a tais processos. O “corpo que ensina“, nele abordado, passou a despertar minha atenção no trabalho de formação continuada com professores, por sua recorrente emergência nos relatos dos tempos de escola. Silenciados em grande parte dos estudos sobre o ensino e suas práticas, os corpos das professoras, em sua gestualidade, posturas, movimentos e vestimentas, sobrepunham-se, naqueles relatos, à lembrança dos conteúdos e habilidades escolares deliberadamente ensinados por elas. Referidos como corpos reais, que respiravam, tinham cheiro, eram acessíveis ao aluno ou distantes dele, aceitavam ou opunham-se às regras de contenção, os corpos docentes rememorados levaram-me a indagar sobre o que teriam ensinado às jovens alunas, de modo a serem lembrados trinta a quarenta anos depois de suas experiências escolares. Para tanto, selecionei no conjunto de relatos orais obtidos durante encontros de formação, aqueles vividos nas décadas de 60 e de 70 do século passado, em escolas públicas de São Paulo, procurando neles apreender indicadores dos sentidos de que a corporeidade, tal qual vivida por aquelas professoras no desempenho de suas atividades docentes, se revestiu nas memórias de suas alunas; das formas de sociabilidade que tais comportamentos corporais instauraram na dinâmica da vida escolar e dos problemas e valores de que os gestos e posturas daquelas professoras foram portadores para as crianças e jovens a quem ensinaram.
PALAVRAS-CHAVE: CORPOREIDADE, MEMÓRIA, LINGUAGEM
TÍTULO: PRÁTICA DE LEITURA DE GÊNEROS MULTIMODAIS: CONCEPÇÕES, DIDATIZAÇÕES E POSSIBILIDADES.
AUTOR(ES): ROSELMA DA SILVA MONTEIRO GOMES
RESUMO: Novas perspectivas trazem aos manuais dos professores uma diversidade cada vez maior de gêneros vários modos de representação e com possibilidades de leituras mais amplas dentro da perspectiva de que o texto tem características multisemióticas ou multimodais. Assim, como textos e imagens trabalham juntos para construir sentidos? Professores de Língua Portuguesa têm se aproveitado dessa variedade como alternativa para a prática de leitura e para possibilitar letramentos para além do sistema de escrita? E ainda, quais as concepções dos professores de língua sobre o texto não-verbal, sobre leitura de imagens e, se promovem, quais didatizações utilizam na exploração desses textos? Esta pesquisa teve como objetivo, analisar o uso de gêneros multimodais como instrumento didático na sala de aula, compreendendo como são explorados, quais didatizações são construídas a partir deles e em quais concepções de texto e leitura se embasam os professores que os didatizam. Um estudo piloto foi realizado e os resultados que ainda são preliminares apontam para práticas inventivas e criativas na intenção de trabalhar leitura e produção escrita numa perspectiva crítica. Os gênero utilizados foram a charge e o cartoom e metodologicamente investiga-se a práticas de professores e reflexões sobre elas a partir de um grupo focal com um tratamento dos dados e análise dentro de uma abordagem qualitativa. A metodologia do grupo focal acabou por permitir aos professores reflexões sobre sua prática no ensino da leitura e sobre a formação continuada no que diz respeito ao trabalho com gêneros com dois ou mais modos de apresentação.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS MULTIMODAIS, LEITURA DO TEXTO VISUAL, DIDATIZAÇÕES.
TÍTULO: LEITURAS E SILENCIAMENTOS DO OPERÁRIO DA INDÚSTRIA CALÇADISTA DE FRANCA: INVESTIGAÇÕES INICIAIS
AUTOR(ES): SHEILA FERNANDES PIMENTA E OLIVEIRA
RESUMO: Neste artigo, o objetivo é apresentar e descrever os dados iniciais que compõem o corpus, coletado junto a operários da indústria calçadista, para verificar como ele se constitui, se considerado o aspecto de sua politização, principalmente na área em que atua. O interesse pelo desenvolvimento desta pesquisa ocorreu pela observação feita no meu discurso cotidiano – nas discussões informais da academia, na mídia, na roda de amigos etc - sobre a necessidade de se pensar o desenvolvimento local – no caso, de Franca–SP e região. Verifiquei qual seria uma possível contribuição da área de linguagem para desvelar a formação de operários de indústrias calçadistas. Optei por investigar a leitura que é feita pelos sujeitos-objeto de pesquisa e o respectivo impacto na sua constituição. A intenção deste estudo é contribuir para compor uma memória, deste tempo e deste espaço, do sujeito-operário da indústria calçadista francana, por meio de uma perspectiva discursiva de cunho bakhtiniano e foucautiano. O corpus apresentado é um conjunto de dados obtidos por meio de um formulário aplicado a trinta e nove operários da indústria calçadista de Franca-SP, em duas etapas: na primeira, é realizado um levantamento de cunho socioeconômico, que apresenta os sujeitos da pesquisa, e, na segunda, por meio de análise qualitativa, são constituídos indícios que revelam as considerações iniciais da investigação quanto à relação sujeito-leitor operário da indústria calçadista e sua respectiva politização.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E SUJEITO, LEITURA E DISCURSO, OPERÁRIO DA INDÚSTRIA CALÇADISTA

SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 23
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: O SUJEITO MARCADO PELA IDEOLOGIA NO POEMA “ESCURA-AÇÕES” DO POETA DAS MORENINHAS
AUTOR(ES): SILVANE APARECIDA DE FREITAS, MICHELA MITIKO KATO MENESES DE SOUZA
RESUMO: Este artigo tem como objetivo fazer uma leitura do poema “Escura-ações” do Poeta das Moreninhas, da Antologia Poética Afro Sulmatogrossense, cuja coletânea de poemas é intitulada Negras Raízes Pantaneiras, enfatizando a questão do sujeito regional marcado pela ideologia que o permeia. O referencial teórico a ser utilizado é a Análise do Discurso de linha francesa, abordando um sujeito social e histórico. Consideramos que o ser humano é constituído pela linguagem/língua e esta linguagem provém de uma formação histórica do sujeito, que só faz sentido se interagida no mundo entre os indivíduos. Somos capazes de apreender ou intuir diretamente a vida, mas seu sentido não pode captar-se nem expressar-se a não ser numa linguagem, seja ela qual for. (PRETI, 1987, 5). A linguagem é fundamentalmente dialógica e tem origem da oposição saussureana língua/fala, o que foi questionada no final da década de 20 (BAKHTIN, 1992). Partindo do princípio de que um discurso não se constrói por si só, mas é atravessado por um interdiscurso, o corpus a ser analisado neste trabalho será o referido poema, com o fito de interpretar a constituição dos sujeitos que formam o sujeito regional Afro Sulmatogrossense. Assim, verificou-se um sujeito que ora tem um discurso representativo de uma classe de indivíduos, ora um discurso que imagina ser só seu, homogêneo, próprio do seu eu negro. Portanto, percebe-se que o contexto sócio-histórico faz com que este sujeito lute por ações afirmativas, cotas, leis vivas em um Brasil de reparações.
PALAVRAS-CHAVE: DISCURSO, LEITURA, POEMA

TÍTULO: LENDO E RECONSTRUINDO A IDENTIDADE: A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL AFRO-BRASILEIRA PARA OS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS
AUTOR(ES): SILVANIA NÚBIA CHAGAS
RESUMO: Reconhecer a diversidade cultural que permeia a cultura brasileira torna-se necessário para a formação do cidadão. E uma das maneiras encontradas para preencher essa lacuna que a Educação ainda não conseguiu suprir junto a população afro-descendente é ouvir, contar, recriar, ressignificar e, de certa forma, resgatar as narrativas recriadas pelos povos africanos aqui no Brasil. Fala-se muito em diversidade cultural e nas comunidades remanescentes de quilombos, que ao longo da trajetória do país, ficou à margem da sociedade, algo mais grave aconteceu que ajudou a contextualizar essa situação: essa população esqueceu ou nunca soube das histórias de seu povo, pois, ou os mais velhos morreram ou a Educação brasileira não registrou e, com isso, não conseguiu dar conta dessa demanda. Um trabalho nessa perspectiva se faz necessário, não somente para a conscientização, mas também para a formação dessa população enquanto cidadão brasileiro. O ensino da literatura infanto-juvenil afro-brasileira para os alunos do ensino fundamental das comunidades remanescentes de quilombo propiciará a esse público o entendimento sobre a formação da cultura do nosso país, a mestiçagem e o que vem a ser esta “diferença“ tão propagada na atualidade. E com essa contribuiçao, a Educação brasileira, finalmente, poderá atuar de acordo com os pressupostos que fazem parte da nossa cultura.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LITERATURA INFANTO-JUVENIL , LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
TÍTULO: GÊNERO, EDUCAÇÃO E DOCÊNCIA: PERCEPÇÕES DE MULHERES E DE HOMENS SOBRE O MAGISTÉRIO PRIMÁRIO NO CONTEXTO DOS ANOS 1970
AUTOR(ES): SILVIA REGINA MARQUES JARDIM
RESUMO: Com base nos estudos sobre gênero e educação, busca-se refletir sobre resultados de pesquisa realizada com mulheres e homens que cursaram o antigo Curso Normal durante os anos 70, em Araraquara, interior paulista. Por meio de entrevistas realizadas com 12 mulheres e 6 homens que lecionaram nessa época, observamos diversos aspectos que permeavam a docência. Destacamos nos discursos referências à profissão como “trabalho de mulher” devido a exigências, da profissão, de habilidades inerentes ao sexo feminino e a busca, pelos homens, de profissões mais rentáveis financeiramente. Ao visualizar a categoria gênero nos discursos, verificamos como se dá a constituição de indivíduos a partir de expectativas que produzem formas de agir nas diferentes instâncias sociais. A atividade docente é evidenciada como uma atividade provisória para os homens enquanto que, para as mulheres, ela se constitui como um instrumento de realização pessoal e de emancipação. Era um curso aceito e valorizado socialmente para ser desenvolvido pelas mulheres e que faz parte de gueto profissional ligado a atividades direcionadas ao cuidado (como enfermeira, secretária) e, o cuidar de outros é tarefa de mulheres. O estudo confirmou o que pesquisas sobre relações de gênero apontam: há muitos avanços no que diz respeito a práticas de exclusão sob a ótica de gênero, mas estão longe de serem superadas. Trazer à tona a categoria gênero nas pesquisas sobre educação contribui para abalar mecanismos sutis de discriminação e permite que práticas discursivas possam ser melhor analisadas, não apenas no que diz respeito às relações de gênero, mas sobre a diferença numa dimensão mais ampla.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO, EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES

TÍTULO: LEITURA EM SALA DE AULA - UM MESMO TEMA SOB A ÓTICA DE DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS
AUTOR(ES): SIMONE MÜLLER
RESUMO: O homem é um ser inerentemente social. É através das relações que estabelece com o outro que se torna verdadeiramente humano. Sabemos que a interação humana se dá por meio de textos, sejam eles orais ou escritos. Considerando esse aspecto, entendemos que a escola deve promover a aprendizagem significativa, através do ensino contextualizado, para formar cidadãos capazes de compreender textos adequados aos diferentes contextos e práticas sociais, além de levar o estudante à compreensão dos elementos constituintes de sua língua materna, que é o seu meio de comunicação primordial. A prática de leitura constitui-se em um instrumento que possibilita a reflexão sobre o texto em todos os seus aspectos, sejam eles temáticos, organizacionais, estruturais, envolvendo aspectos semânticos, sintáticos e ortográficos. A proposta pedagógica está pautada na escolha e na abordagem de determinados gêneros textuais com o mesmo tema, de acordo com a série trabalhada: 4ª série (5° ano), levando-se em conta os diferentes níveis de complexidade e de possibilidades presentes em cada gênero, para que os estudantes apreendam características específicas e percebam as funções e intencionalidades das diferentes formas expressivas. Nessa perspectiva, o trabalho com a leitura é extremamente rico e gratificante, pois contribui para a formação de indivíduos conscientes, críticos e participativos em um mundo em constante mutação, com as mais diversas realidades. A postura do estudante, a partir do momento em que se torna um leitor autônomo e competente, possibilita a transformação individual, social e ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, GÊNEROS TEXTUAIS, COMUNICAÇÃO

TÍTULO: A MANIFESTAÇÃO DA SEXUALIDADE E DO GÊNERO: MASCULINIDADES NO DISCURSO ESCOLAR
AUTOR(ES): SÍLVIO RIBEIRO DA SILVA
RESUMO: Neste trabalho, objetivo mostrar como o discurso na sala de aula constrói masculinidades hegemônicas, subalternas ou homoeróticas na aula de leitura. Os procedimentos metodológicos seguem o percurso da Linguística Aplicada (LA) com base interpretativista, focalizando o processo de uso da linguagem no ensino-aprendizagem de língua materna (LM). Adotei a visão socioconstrucionista do discurso por ela contemplar a característica múltipla das identidades sociais. A geração dos registros seguiu o modo etnográfico de investigação e se deu a partir da gravação em vídeo de aulas numa classe de 9° ano do Ensino Fundamental e da resposta dos alunos a um questionário. Examinando a construção das identidades de gênero e sexualidade na sala de aula de LM, percebe-se ser a masculinidade hegemônica um ponto central para compreender as identidades de gênero e sexualidade no contexto onde estamos inseridos. O trabalho interacional desenvolvido na sala de aula é orientado pelos esforços dos meninos e meninas em definir aqueles como masculinos. Igualmente, a sexualidade e o gênero feminino devem ser construídos relacionados à masculinidade hegemônica. Para a análise dos dados, usei como fundamentação teórica Moita Lopes (2002), Hall (1990), Crawford (1995) dentre outros. Os dados mostram a efetivação de traços atribuídos ao gênero masculino e ao feminino, como a defesa das práticas heterossexuais. Esses traços são detectados nas masculinidades que estão sendo construídas nas interações observadas.
PALAVRAS-CHAVE: MASCULINIDADES, GÊNERO, LEITURA EM LÍNGUA MATERNA
SESSÃO - PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO 24
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: Telão
TÍTULO: DIALOGIZAÇÃO COM E A PARTIR DA LEITURA: CRIANÇAS E ADOLESCENTES PROTAGONIZANDO SABERES
AUTOR(ES): SÔNIA BARRETO DE NOVAES PASCHOAL
RESUMO: O presente artigo traz uma reflexão sobre os constantes fracassos nas realizações de rodas de histórias e sobre a prática de sucessivas tentativas de proporcionar as crianças e aos adolescentes em situação de abrigo, vivências culturais a partir da leitura, a qual nos leva a questionar a própria abordagem prevalecente, ou seja, a prática de uma mediação cultural e de leitura que afinal não alcança, de maneira generalizada, seu propósito: proporcionar a emancipação daqueles por meio da apropriação simbólica e, consequentemente, o protagonismo cultural e informacional. Considerando as rodas de histórias e posteriormente as oficinas de leituras como dispositivos culturais os quais discursam com essas crianças, as ações passaram a ser conduzidas de modo a dialogarem com o sujeito, pensando na sua individualidade, retirados do grupo, daí a atenção personalizada à criança e ao adolescente que estão passando por uma situação de abrigo. Na dialogia bakhtiniana e por meio da metodologia colaborativa de pesquisa, encontramos a possibilidade de uma outra abordagem. A essa aproximação deu se o nome de mediação cultural dialógica, uma prática pautada no diálogo, em aberturas, caracterizada pela responsabilidade e ética diante do ser humano, pela não-finalização e, enfim pelo continuum entre campo e teoria; sujeito e obra.
PALAVRAS-CHAVE: MEDIAÇÃO DE LEITURA, DIALOGISMO, SITUAÇÃO DE ABRIGO

TÍTULO: PRODUZIR LEITURAS E LEITORES
AUTOR(ES): STELLA MARIS MOURA DE MACEDO, MÁRCIA MARIN VIANNA
RESUMO: Leitura como informação, ensino, prazer, como possibilidade de traduzir e pensar o mundo. Escola e sala de aula, principalmente, nos primeiros anos do primeiro segmento, como tempos e lugares de ler, de produzir leituras e leitores. Este trabalho escrito tem a intenção de organizar academicamente experiências cotidianas para socializá-las, relacionando-as com questões teóricas que sustentam nossas crenças de professoras das primeiras letras. Dentro de um projeto didático, numa escola pública, sobre a formação do povo brasileiro, numa turma de 2º ano do ensino fundamental, fizemos circular, em nossas rodas diárias de leitura, variada literatura: grandes navegadores, aventuras no mar, contos e lendas dos índios brasileiros e dos povos de África, tradições, culturas, crenças, diferenças e semelhanças entre variadas gentes. Olhando para a diversidade na turma, na escola, nas famílias, a partir do lido, relido, contado, escutado. A leitura se coloca assim, como possibilidade de conhecimento, de debate e de reflexão sobre diferença e igualdade entre as pessoas. Livros passaram a ser disputados, estudantes desejando ler para os outros, ler em casa, mostrar as descobertas e as possibilidades de ver cada um e todos com suas características, cores, costumes, belezas. Como docentes pudemos ver concretamente como a palavra escrita, o lido, pode mudar e/ou criar novos conceitos, opiniões, mover as pessoas. A leitura de livros que trazem variadas expressões culturais, que lidam com o tema da diversidade entre as pessoas, tem nos aproximado do que pensam as crianças e de como percebem e lidam com as diferenças. Temos visto as rodas de leitura tornarem-se uma expressão de cultura na nossa prática escolar, quase um rito de preservação de memória, um espaço da palavra que é lida, ouvida, retida, guardada, re-elaborada, transformada. Podemos ver griôs e anciãos dos povos indígenas no nosso dia a dia.
PALAVRAS-CHAVE: RODAS DE LEITURA, DIVERSIDADE, FORMAÇÃO DE LEITORES
TÍTULO: AS PRÁTICAS DE LEITURA PRESENTES NA POPULAÇÃO CARCERÁRIA DO PRESÍDIO DE IGARASSU
AUTOR(ES): SUZAN KELLY NEGROMONTE
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo investigar as práticas de leitura presentes na população carcerária do Presídio de Igarassu - PE. Para tanto, foi necessário fazer uma revisão teórica de três concepções da leitura: cognitivista, sociointeracionista e discursiva. Ao perceber que o meio social influencia diretamente no ato de ler daquelas pessoas, utilizamos os apontamentos teóricos da perspectiva sociointeracionista, que procura detectar as peculiaridades na própria atividade de construção dos sentidos na relação entre leitor e texto. Dentre os estudiosos ligados à leitura, utilizamos Kleiman (2007), Kato (2007), Bakhtin (199), Antunes (2005), Koch (2005) e Orlandi (2006). Com o intuito de analisar o grau de letramento dos detentos, fizemos um aprofundamento nas literaturas de Soares (1998; 1995), Costa (2000) e Correa & Saleh (2007) que abordavam os eventos do letramento nas instituições sociais e a relação entre o letramento e a alfabetização. Independente do meio social em que ocorre o evento do letramento há entre o sujeito e a linguagem um processo de intersubjetividade, pelo caráter dialógico que a palavra possui, como assevera Bakhtin (1999). Para validar este estudo, utilizamos os procedimentos metodológicos da pesquisa de campo, exploratória e que recorre aos critérios de análise qualitativa. A partir das observações, resumimos nosso corpus aos indivíduos que frequentavam a escola e a biblioteca, buscando traçar o perfil de leitura dos encarcerados. Em seguida, para avaliar o nível de letramento dos detentos, diminuímos nosso corpus para apenas cinco entrevistados, que foram previamente selecionados pelo corpo docente para interpretar cinco textos, de diferentes gêneros e temáticas. Após analisar os resultados obtidos, acreditamos que um conjunto de políticas públicas subsidiadas pela leitura pode servir de modelo para as demais unidades prisionais do Estado de Pernambuco a fim de que o processo de ressocialização ocorra naturalmente.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LETRAMENTO, RESSOCIALIZAÇÃO

TÍTULO: PROJETOS E TRAJETÓRIAS DE VIDA AFETIVA, SEXUAL E DE MATERNIDADE ATRAVÉS DE RELATOS DE JOVENS ESTUDANTES.
AUTOR(ES): TALUANA LAIZ MARTINS TORRES
RESUMO: Apresento alguns resultados da pesquisa de mestrado em Educação, defendida no programa de pós-graduação em Educação da Unesp de Presidente Prudente, que teve como objeto o estudo as trajetórias afetivo-sexuais de seis jovens estudantes do Ensino Médio de uma escola da periferia urbana de Presidente Prudente/SP, com idade entre 15 e 18 anos. Objetivou-se tomar o contexto das emoções como elemento central na análise das experiências afetivo-sexuais vividas por essas jovens, o que implicou a interpretação dos significados que cabem aos sentimentos, sonhos e idealizações em torno da maternidade e do amor romântico. Estes foram relacionados com as suas declarações acerca de seus comportamentos, práticas e projetos de vida. Foram utilizados os referenciais teóricos dos estudos sócio-históricos e culturais, para interpretar as múltiplas possibilidades de viver e pensar a experiência amorosa, em um lugar e tempo sócio-históricos determinados. Os procedimentos metodológicos de pesquisa ligam-se às abordagens qualitativas, de cunho etnográfico, sendo os instrumentos básicos para a coleta de dados: questionários, registros das observações diretas em caderno de campo e entrevistas semi-estruturadas. A leitura que foi feita dos relatos colhidos revelou, para além das características culturais mais globalizantes, a presença de múltiplas territorialidades no campo da produção da vida subjetiva e das identidades sociais das jovens abordadas. Os resultados obtidos revelam também que a sexualidade juvenil configura-se enquanto um processo de aprendizagem das relações afetivas e relacionais entre parceiros. Por sua vez, o ideal de maternidade se traduz em uma forte experiência de gênero, além de conservar seus recortes próprios em termos de classe e de geração.
PALAVRAS-CHAVE: TRAJETÓRIAS AFETIVAS, JUVENTUDE, GÊNERO

TÍTULO: PROJETO TRAVESSIA: DAS OFICINAS DE LEITURAS, NARRATIVAS À CIDADANIA
AUTOR(ES): TEREZA ELIZETE GONÇALVES
RESUMO: O presente relato versa sobre um projeto extensionista desenvolvido pela PREX-UNITAU, e tem como objetivo implementar ações de prevenção junto a adolescentes e seus familiares em circunstância de vulnerabilidade social. Ao estreitarmos laços com a comunidade, oportunizamos-lhes um contato com os produtos culturais, de modo a instigá-los na direção de um pensamento crítico-reflexivo, que lhes possibilite transpor a realidade da violência para uma atitude pró-social e cidadã. Recorremos à Biblioterapia para além do gosto estético, como um patrimônio humano imprescindível e modo de incentivo ao protagonismo juvenil, em termos do sentimento de pertencimento e de participação sócio-cultural implicada, voltados ao combate dos preconceitos e desigualdades que abatem esses cidadãos. O desinteresse pela leitura e a consequente segregação cultural levam à expropriação de talentos e de oportunidades e disseminam a desesperança nos jovens quanto ao seu porvir. As Oficinas do Projeto Travessia ocorrem no âmbito institucional (em rede com órgãos públicos municipais e estaduais) e comunitário. Consistem em instâncias de escuta, narrativa e produção textual, plástica ou cênica, a partir da leitura, ferramenta principal deste trabalho. Na prática mostram-se propiciadoras do aumento das competências afetivo-culturais dos indivíduos para transformar as suas realidades adversas, com respostas culturais e sociais mais criativas e eficazes. Relatos, contos e cantos promovem ainda uma significativa articulação intrapsíquica nos leitores, com efeitos nos padrões de auto-percepção e de formação de valores, que se refletem nos laços sociais e no convívio familiar. A dimensão de trânsito e de passagem que está contida na sua denominação, favorece os deslizamentos necessários à constituição do sujeito, permitem-lhes encontrar formas renovadas de conferir significado à suas existências e de estar no mundo e nele se incluir condignamente.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA, CIDADANIA, INCLUSÃO CULTURAL

TÍTULO: “Ponde na escola o que desejais que exista no Estado”:
uma análise das obras didáticas adotadas nos primeiros grupos escolares
catarinenses (1911-1918)
AUTOR(ES): GLADYS MARY GHIZONI TEIVE
RESUMO: Este artigo é parte de uma pesquisa, em andamento, que objetiva investigar os primeiros grupos escolares implantados no Estado de Santa Catarina na primeira década do século XX, de modo a desentranhar a inteligibilidade dos códigos que regularam a cultura escolar aí engendrada. Considerado a forma escolar moderna por excelência, posto que responsável pela produção do sujeito moderno, o grupo escolar, ao inaugurar uma gramática específica de escola é analisado neste estudo como locus da materialização da governamentalidade liberal/moderna, entendida na perspectiva foucaultiana como “um refinamento da arte de governar”. Busca-se, pois, nas normas, saberes e práticas aí legitimadas, sinais deste refinamento. Neste ensaio, especificamente, privilegiamos o rol de obras didáticas prescritas para uso nesta escola, consubstanciadas no “Parecer sobre a adopção de obras didacticas nos grupos escolares catarinenses”, de autoria do professor paulista Orestes Guimarães, contratado pelo governador Vidal Ramos para modernizar a instrução pública catarinense nos moldes da reforma paulista de 1892. Orientando-se pela máxima alemã “ponde na escola o que desejais que exista no Estado”, ele incluiu em seu Parecer, obras de cunho intuitivo, científico e, sobretudo, obras de conteúdo cívico-patriótico, consideradas indispensáveis para a formação da consciência nacional. A predominância na escola primária catarinense de obras didáticas voltadas para outros povos e culturas e, mais do que isso, a prática que os imigrantes europeus tinham de manter escolas em que o ensino era ministrado na língua de seus países de origem feria radicalmente, segundo a sua percepção, os propósitos republicanos de através da educação escolar promover a civilização, a moralização e a virilização do povo, condição sine qua non para a conservação da ordem, pré-requisito para o progresso desejado. A fundamentação teórica da pesquisa é apoiada nos trabalhos de Foucault, Popkewitz, Veiga-Neto e Dominique Julia, dentre outros.

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA DE MULHERES/ ALUNAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
EIXO TEMÁTICO: PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO
AUTOR(ES): THAIS SURIAN
RESUMO: Esta comunicação é um recorte de uma pesquisa de Mestrado em andamento no Programa de Pós - Graduação em Educação da Unesp/ Rio Claro que estuda as práticas de escrita de mulheres com escolaridade incompleta. Na busca por essas mulheres escritoras foram aplicados questionários em salas de Educação de Jovens e Adultos – EJA, no Ensino Fundamental no município de Rio Claro. Nesse levantamento percebemos que muitas alunas ao preencherem o questionário indiciam a existência da prática da escrita – objeto de estudo da pesquisa - e a existência da prática da leitura. Dessa forma, a presente comunicação propõe apresentar e discutir as práticas de leitura de quatro mulheres, alunas de EJA, que são sujeitos da pesquisa, com as quais foram realizadas entrevistas semi-estruturadas e recorrentes (gravadas e transcritas). Nas entrevistas, as alunas quando falam sobre suas escritas também o fazem a respeito de suas leituras. Essas mulheres/alunas relataram a prática de leitura em suas vidas, o que lêem e/ ou o que gostaria de ler (assunto/ tema), quais autores, o momento da leitura, a ocorrência da leitura na infância (quando esta existia) e a relação da leitura com a escrita. Como aporte teórico para essa discussão elegemos autores da História Cultural, como Roger Chartier e Michel De Certeau que, em seus estudos focalizam a leitura e a escrita como práticas culturais disseminadas entre sujeitos da sociedade. Trazer algumas questões para a discussão sobre as práticas de leitura de mulheres que estão em salas de EJA pode contribuir para a história da leitura de pessoas adultas que foram excluídas do processo de escolarização regular.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, MULHERES, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

TÍTULO: UM OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS DE LEITURA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA EM 5ª E 8ª SÉRIES
EIXO TEMÁTICO: PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO
AUTOR(ES): VERA LUCIA MAZUR BENASSI
RESUMO: O presente texto tem por objetivo apresentar uma discussão sobre as práticas de leitura nas aulas de Língua Portuguesa, desenvolvida em 5ª e 8ª séries em três escolas de rede pública do município de Ponta Grossa - Paraná. Os dados foram coletados por meio de observação da escola e das aulas de Língua Portuguesa, aplicação de questionários aos responsáveis pelas bibliotecas, pedagogos, professores e alunos das classes observadas. Essa metodologia de coleta de dados está de acordo com a abordagem das pesquisas qualitativas do tipo etnográfica. As discussões teóricas estão assentadas em autores que discutem a leitura e as práticas de leitura: Foucambert (1994), Solé (1998) e Silva (2005). A análise dos dados evidenciou: a) que os professores não planejam suas aulas, disso decorre uma prática docente fragmentada, repetitiva que não estimula a participação dos alunos nas aulas; b) o livro didático é o material mais utilizado pelos professores para trabalhar a leitura em sala de aula; c) nas escolas há um discurso institucionalizado que culpa a mídia e a instituição familiar pelo desinteresse dos alunos pela leitura; d) os profissionais responsáveis por mediarem a leitura nas escolas - bibliotecários, pedagogos e professores - afirmaram que são leitores, porém eventuais; e) tanto os professores quanto os alunos reconhecem que a leitura é importante para a vida das pessoas e têm noção do papel da escola na formação dos leitores.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRÁTICAS DE LEITURA, MEDIADORES DE LEITURA

TÍTULO: O TRANSVERTER DO TEMPO EM CARTAS DE ADRIANA E ALEXANDRA: UMA HISTÓRIA DE ESCRITA E LEITURA.
EIXO TEMÁTICO: PRÁTICAS DE LEITURA, GÊNERO E EXCLUSÃO
AUTOR(ES): VIVIAN CARLA CALIXTO DOS SANTOS
RESUMO: Apresentamos o recorte de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida com cartas pessoais de diferentes épocas e contextos sociais, coletadas na cidade de Rio Claro, junto a particulares, bem como nos espaços destinados à guarda de documentos. Entre os objetivos desse estudo se insere a busca de elementos que as cartas - objeto, veículo e suporte do ato de escrever - possam trazer para uma outra visão das práticas culturais de escrita e leitura. Focalizaremos neste trabalho a correspondência trocada entre duas amigas, nos anos de 2005-2006, carinhosamente por elas denominada como “troca de notícias e afetos”. Essas cartas compõem uma história de escrita entremeada pelas histórias de leitura das duas correspondentes. Nelas vislumbramos o fenômeno da intertextualidade, referido por Larrosa, em fragmentos de textos citados, nos comentários que ambas fazem sobre obras lidas, nas sugestões de leitura que fazem uma à outra e nos anexos ofertados com o próprio texto epistolar. As muitas vozes que se fazem ouvir nos textos dessas cartas se mesclam com as vozes das próprias signatárias, numa composição dialógica (Bakhtin) que nos toca e pode nos fazer co-respondentes, no tempo presente, de uma conversação escrita que se deu no passado – quando da escrita das cartas - e possibilita ainda nossa interação com o que nelas é narrado, acontecimentos que precederam sua escrita. Questões de temporalidade podem emergir da leitura dessas cartas e para compreendê-las nos aproximamos das contribuições de estudiosos como Ricoeur e Pelbart para pensarmos esse “transverter do tempo”.
PALAVRAS-CHAVE: CARTAS, LEITURA, TEMPORALIDADE

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