SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 1
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: ENSINO E IDEOLOGIA: PROPOSTAS DE ATIVIDADES COM NARRATIVAS CURTAS EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): ADEMIR DA SILVA OLIVEIRA
RESUMO: Neste trabalho, as discussões estão centradas no texto literário, mais especificamente com narrativas curtas. A pretensão principal é proporcionar ao professor caminhos que possam nortear seu trabalho de sala de aula, a fim de levar o aluno à análise e à compreensão das idéias contidas no texto, através dos elementos básicos que o compõem e dos efeitos de sentido. Considera-se, para tanto, a concepção de Marcuschi de que a literatura faz parte do domínio discursivo ficcional e a narrativa curta um gênero textual. Um fator primordial para a presença de textos literários na escola é despertar no aluno o senso crítico, abrindo-lhe horizontes, integrando-o, assim, à criação artística, construindo uma relação ativa com o texto. Várias propostas de trabalho com o texto literário são encontradas nos livros didáticos ou em encartes que acompanham algumas obras. A grande maioria não vai além do que está na superfície do texto, esquecendo de analisar o texto como um elemento aberto em que os interlocutores são partes constitutivas do discurso e, portanto, de ter consciência de que a forma influi na intenção do autor ao produzir o texto. Procurarei, portanto, elencar algumas propostas que possam contribuir com o professor do Ensino Fundamental, no trabalho com o texto literário em sala de aula, envolvendo questões discursivas que possam levar o aluno a refletir sobre o uso da linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, ENSINO, IDEOLOGIA
TÍTULO: APLICAÇÃO DA LEI Nº 11.645/08 EM ALGUNS LIVROS DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA DO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): ADENIZE APARECIDA FRANCO
RESUMO: Considerando a necessidade de discutir a nova lei nº 11.645/08, de 10 de março de 2008 que, além de prever a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira em todas as escolas brasileiras, também destaca o ensino da história e cultura dos povos indígenas, buscamos nesse trabalho investigar a aplicação dessa lei nos livros de Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio. Nesse primeiro momento, nosso corpus de análise está voltado para o livro didático de W. R. Cereja e T. C. Magalhães, Português: Linguagens, volume 1, Ensino Médio, publicado em 2005. Através dessa pesquisa, buscamos reiterar a necessidade de colocar em prática o segundo parágrafo da lei anterior nº 10. 639, de 9 de janeiro de 2003, que revela que “os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-brasileiras serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras”. Como suporte teórico adotamos o método quantitativo para verificação e amostragem, num primeiro momento, da presença de textos literários cujo enfoque seja o que determina a lei. Além disso, qualitativamente observamos a origem dos textos trabalhados e os meios de interpretação sugeridos. Desse modo, tencionamos discutir a presença da literatura afro-brasileira ou africana de expressão portuguesa no livro didático em análise.
PALAVRAS-CHAVE: LEI 11.645/08, ENSINO, LIVRO DIDÁTICO

TÍTULO: ENTRE PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES: A ESCRITA SOB O OLHAR DO ALUNO DE ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): ADILSON RIBEIRO DE OLIVEIRA
RESUMO: Partindo da hipótese de que o estudo das representações possibilitaria um meio para se apreender (e, dessa forma, entender) o modo como são interiorizadas pelos estudantes as formas de uso e de transmissão da escrita, considerada como artefato simbólico de construção e de socialização de conhecimentos de naturezas diversas, e de que as representações seriam elemento constitutivo de competências no campo da didática da escrita, procuro investigar como e em que medida as representações sobre a leitura e a produção de textos perpassam o discurso dos aprendizes. Tendo por base uma abordagem sociointeracionista, o objetivo deste trabalho, portanto, centra-se em uma reflexão que pretende esboçar as representações associadas à escrita que atravessam o discurso dos alunos, uma questão certamente essencial para os estudos em Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Materna. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de caráter qualitativo e interpretativista, em que tomo, como unidade de análise, a materialidade discursiva da enunciação, recorrendo a um corpus constituído por 50 textos escritos, produzidos por alunos da terceira série do ensino médio de uma escola pública, em que eles se expressam sobre a função da leitura e da produção de textos em suas vidas. Para balizar essa análise, ainda recorro a dados coletados em um questionário sócio-econômico-cultural aplicado a esses sujeitos, em que se exploram práticas de leitura e de produção de textos.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, PRÁTICAS, REPRESENTAÇÕES

TÍTULO: A LITERATURA NO ENSINO MÉDIO: PERSPECTIVAS DE INTERVENÇÃO METODOLÓGICA
AUTOR(ES): ADRIANA APARECIDA BORIN DE ALMEIDA
RESUMO: Diante da necessidade educacional e da importância da escola, como principal instituição que promove o ensino da leitura e do trabalho com a linguagem, é fundamental que haja uma mudança metodológica no ensino de leitura, que vise a suprimir as deficiências e que contribua para a formação de um leitor que além de compreender o texto possa interagir a partir dele no mundo em que está inserido. Dessa forma, a leitura aqui proposta é aquela que atribui sentido ao texto e que seja instrumento de transformação social, principalmente porque os textos trabalhados serão os literários, uma vez que a Literatura é arte e proporciona a apreensão do real, de conhecimento de si mesmo e do papel que se tem a desempenhar em determinado contexto histórico e social. Pressupõe-se, assim, que os alunos que têm o acesso à arte, têm um ganho qualitativo na visão crítica, no relacionamento com o mundo e, consequentemente, terão um melhor desempenho escolar. Nessa perspectiva, pretende-se através de uma pesquisa participativa, investigar o acesso à leitura literária no Ensino Médio, que sem abandonar o aspecto historicizante, não se prende a ele. Para tanto, a postura epistemológica do professor é crucial no desenvolvimento e aplicação das metodologias, pois além de considerar a escolarização, a profissionalização e as estratégias que contribuam para a educação do gosto literário, também se coloca como aprendiz, já que avalia os procedimentos e reelabora a sua própria ação, teorizando a partir dela.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA , LITERATURA, METODOLOGIA

TÍTULO: DO FORMALISMO AO FOLHETIM: O ENSINO DA “LITERATURA EM PERIGO“ NOS CURSOS DE LICENCIATURA EM LETRAS
AUTOR(ES): ODIL JOSÉ DE OLIVEIRA FILHO, ADRIANA DE CAMPOS RENNÓ
RESUMO: A atual onda de revisões da influência das correntes imanentistas no ensino da literatura vem, depois de mais de trinta anos de intensa atividade crítica em nosso País, superar, finalmente, o falso dilema (fruto, na verdade, mais de leituras equivocadas e redutoras daquelas correntes) entre o texto e a vida. Na ânsia de recuperar o diálogo interrompido entre a literatura e o mundo, passa-se, então, a recomendar, nos Cursos de Letras, sem mais pejo, a necessária consideração das preferências literárias de grandes públicos, encontradas, principalmente, por força do mercado, nos chamados best-sellers. Pode-se correr o risco, agora, de (a radicalizar-se a tendência liberadora) orientar-se o ensino de literatura unicamente pelo “gosto”, pela tarefa de provocar unicamente o encontro identificativo entre o texto e o leitor, podendo-se colocar, assim, mais uma vez em perigo, as relações estéticas transfiguradoras que a arte literária estabelece com o mundo. A comunicação proposta pretende refletir sobre as influências desse momento complexo por que passam as considerações a respeito dos alcances formadores da literatura na realidade cultural brasileira contemporânea, levando-se em consideração, ainda, a necessidade de manutenção dos “clássicos“ e, ao mesmo tempo, de atender à demanda proveniente da cultura de massa, de onde se origina a grande maioria dos alunos que ingressam nos Cursos de Letras.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA E ENSINO, ENSINO SUPERIOR, LICENCIATURA EM LETRAS

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 2
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: LITERATURA E ENSINO: O PAPEL DO PROFESSOR LEITOR NA FORMAÇÃO DE LEITORES LITERÁRIOS
AUTOR(ES): ALEXANDRA SANTOS PINHEIRO
RESUMO: Por relacionarmos os problemas enfrentados pelo Ensino de Literatura às questões que envolvem a “crise da leitura” é que chamamos para pauta a análise de Políticas Públicas direcionadas a atenuar a flagrante falta de compromisso com a leitura por parte de pais, da escola, dos alunos e de autoridades políticas. Vale lembrar que entendemos por Políticas Públicas as ações, programas e projetos de governo (e parcerias privadas), previstos em orçamentos que visam a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Para a proposta desse texto, interessa as direcionadas à educação, mais especificamente, às ações que objetivam promover práticas de leituras. Trabalhamos com a premissa de que é preciso somar a esses esforços, dentre outras ações, uma transformação socioeconômica (direcionada à construção de uma sociedade menos desigual) e uma maior motivação ao professor (desmotivados, dentre outros motivos por: baixos salários, a maioria dos professores do ensino fundamental são mulheres, chefes de família que tem até 3 jornadas de trabalho, o stress a que estão sujeitos cotidianamente, a violência, etc.). É preciso que o professor não seja obrigado a trabalhar com a leitura, ele precisa acreditar na importância desse trabalho, na função humanizadora da Literatura. Como afirma Bordini, para que a leitura da obra literária ocorra, é preciso, dentre outros elementos citados pela autora, que exista o “professor leitor com boa fundamentação teórica e metodológica”, pois é ele quem vai selecionar a grande quantidade de obras oferecidas pelos mercados editoriais. A presente comunicação abordará, portanto, a importância do professor leitor para o trabalho de formação de leitores. O intuito é de pensar formas para que a leitura literária esteja efetivamente presente em sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, ENSINO, PROFESOR

TÍTULO: LITERATURA E CINEMA: POSSIBILIDADES DE LEITURA EM SALA DE AULA.
AUTOR(ES): ALEXSSANDRO RIBEIRO MOURA, ELISANDRA FILETTI
RESUMO: Este estudo consiste numa reflexão sobre as possibilidades de leitura literária em sala de aula. Seguindo as orientações de ensino dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que preconizam o estudo de Língua Portuguesa através da abordagem dos gêneros discursivos correntes na sociedade, a proposta de uma perspectiva interdisciplinar é um caminho importante para a formação do jovem leitor no ambiente acadêmico. As adaptações cinematográficas de obras literárias representam um importante meio de trabalhar a literatura na escola, pois propiciam um diálogo entre diferentes formas de manifestação artística, o que torna a atividade de leitura literária mais produtiva. Em suma, o objetivo dessa análise é refletir sobre as experiências de leitura literária em sala de aula com o suporte de adaptações cinematográficas. Uma das investigações realizadas procura perceber como os alunos do Ensino Fundamental do Cepae/UFG compreendem as linguagens literária e cinematográfica da obra Romeu e Julieta, de William Shakespeare, especialmente no que se refere ao conceito de adaptação, uma vez que a escola básica tem se constituído como espaço de valorização do clássico literário. Esse entrecruzamento discursivo propicia a ampliação do horizonte que determina o trabalho com a literatura e o cinema em sala de aula. O livro Medéia, de Eurípedes, e a adaptação cinematográfica homônima, de Pier Paolo Pasolini, completam a lista de obras artísticas analisadas na investigação aqui proposta. As possíveis atividades resultantes dessa abordagem constituirão o corpus de nosso estudo.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, CINEMA, LEITURA

TÍTULO: GÊNEROS DO DISCURSO, LIVRO DIDÁTICO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: PERSPECTIVAS DE ANÁLISE À LUZ DA TEORIA BAKHTINIANA
AUTOR(ES): ALVARO JOSE DOS SANTOS GOMES, ADRIANA APARECIDA PINTO
RESUMO: A proposta de trabalho ora apresentada é fruto de um processo de investigação originado a partir de experiências no curso de letras da UFMS/Coxim, Mato Grosso do Sul, a qual elege como objeto de estudo o livro didático de língua portuguesa, utilizado amplamente no ensino fundamental, nas escolas públicas da rede estadual de ensino. Feita essa constatação, buscamos elementos teórico-práticos para compreender as dinâmicas da utilização deste dispositivo pedagógico (CORDEIRO, 2007) e seus processos de apropriação e práticas de leitura, envolvendo professores e alunos, orientados pelos estudos de CHARTIER (1998). A pesquisa dialoga ainda com autores que, desde a década de 1980 vem dedicando-se a compreender o livro didático nas suas múltiplas possibilidades. Destacam-se as pesquisas de BITTENCOURT (1993, 2004), MUNAKATA (1997, 2004), SILVA (1996), LAJOLO (1996) mediados, ainda, por estudos internacionais (CHOPPIN, 2004), no que se refere ao conhecimento dos modos de produção de materiais didáticos. Em BAKTHIN (1992, 2003), bem como em SCHNEUWLY e DOLZ (2004) encontramos suporte para entender as questões relativas à produção dos discursos presentes nos textos dos livros didáticos e efetivar a compreensão dos gêneros textuais. Tais questionamentos são materializados a partir de uma das coleções adotadas para o ensino de língua portuguesa no município de Coxim, a saber: Português: linguagens de William Cereja e Thereza Cochar Magalhães, compostas por 5 volumes (5º ao 9º ano) objetivando compreender a matriz pedagógica orientadora de sua produção nos livros didáticos e as discussões presentes no tocante ao ensino dos gêneros textuais em Língua Portuguesa.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO DIDÁTICO, ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA, GÊNEROS DO DISCURSO
TÍTULO: A INTERSUBJETIVIDADE REFERENCIAL E O LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS – OS ALUNOS LÊEM O QUE O LIVRO ESCREVE?
AUTOR(ES): ANA FLÁVIA LOPES MAGELA GERHARDT, ALEXANDRE BATISTA DA SILVA
RESUMO: Esta comunicação busca avaliar as atividades didáticas de leitura em língua materna, considerando o conceito de intersubjetividade referencial (Sinha & Rodriguez, 2008), que postula a necessidade de os referentes visualizados num contexto de interação serem observados pelos interactantes numa perspectiva sócio-cognitivista – no sentido atencional, funcional, interacional, sócio-histórico e, sobretudo, epistêmico (Gerhardt, a sair). Constata-se que o conhecimento partilhado é um construto que não pode se aplicar apenas à percepção dos referentes num plano objetivo de representação, mas deve também reconhecer as dimensões sócio-cognitivas de constituição de um dado conceito – em específico, para nós, a dimensão epistêmica, porque, em sala de aula, coexistem e convivem pelo menos duas diferentes dimensões epistêmicas de pensamento – a realidade construída pelos alunos e a que é suposta pela escola. Verificaremos, com base na avaliação de uma atividade de leitura de livro didático de língua portuguesa de ensino médio, se o livro assume como realidade a cognição dos alunos: os conteúdos que o livro atribui à construção de mundo dos alunos são de fato representativos do seu pensamento? Formula-se essa questão nos termos da relação institucional mantida entre os agentes escolares e os alunos, do universo sócio-cultural de onde eles provêm, e das expectativas acerca dos valores e pensamentos que os alunos assumirão a partir do contato com os conteúdos escolares. A atividade de leitura será aplicada a duas turmas de primeiro ano do ensino médio. Escolheu-se um texto literário para a análise, em virtude do fato de que, embora todo texto seja epistemicamente cognizável, a leitura de um texto esteticamente marcado implica explicitamente a consideração da dimensão epistêmica da sócio-cognição. Em termos comparativos, as reflexões realizadas observarão os desencontros entre a expectativa do livro e as respostas dos alunos, que para nós representam, eminentemente, uma forma de cognição estreitamente situada e vinculada ao ambiente escolar.
PALAVRAS-CHAVE: SÓCIO-COGNIÇÃO, LIVRO DIDÁTICO, ATIVIDADES DE LEITURA

TÍTULO: A LEITURA NO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): ANA MARIA DA SILVA
RESUMO: Este estudo, vinculado ao Grupo de Pesquisa Interação e Escrita (UEM/CNPq www.escrita.uem..br) e ao projeto de pesquisa “Práticas de avaliação de leitura e a formação do leitor” (UEM), ampara-se nos pressupostos de avaliação, na teoria sobre leitura e letramento, oferecidos pela Lingüística Aplicada e, sobretudo, na concepção de linguagem e ensino epistemologicamente provenientes dos conceitos bakhtinianos e vygotskinianos. Assim, o trabalho leitura – eixo constituinte do processo de escrita, junto à produção textual e análise linguística – é discutido, tendo em vista a realidade evidenciada nas aulas de língua portuguesa nas séries iniciais do ensino fundamental do ensino público da região Noroeste do estado do Paraná. Apresentam-se, nessa perspectiva, os dados da investigação de uma pesquisa sobre os instrumentos de avaliação de leitura nas séries iniciais elaborados de acordo com a Prova Brasil, comparando-os com a prática de leitura observada em sala de aula. A análise dos dados comprova que, embora haja uma diretriz que respalde o trabalho de leitura, a ineficácia no processo de ensino dessa habilidade não permite um desenvolvimento satisfatório. Por meio desse resultado, certifica-se, ainda, que o alcance do letramento – que pressupõe a construção de sentidos pelo sujeito, tendo em vista um entorno real e social de uma prática de leitura e produção textual – não ocorre em virtude da ausência de procedimentos e instrumentos adequados na aula de língua portuguesa.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, INTERAÇÃO, ENSINO FUNDAMENTAL

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 3
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: ELEMENTOS ARTICULADORES EM ARTIGO DE OPINIÃO - UMA EXPERIÊNCIA COM SEQUÊNCIA DIDÁTICA NO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): ANA MARIA DE CARVALHO LEITE
RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma pesquisa realizada sobre a aplicação inédita de uma seqüência didática com artigo de opinião, proposta pela Olimpíada de Língua Portuguesa 2008, em uma turma de 3º ano do Ensino Médio, de uma escola da rede pública estadual de Minas Gerais. Pergunta-se: Até que ponto a utilização de uma nova metodologia, com atividades sistematizadas de leitura e escrita, tendo por base as características de um gênero textual, pode contribuir para o desenvolvimento de capacidades do aluno como produtor de textos? A pesquisa motiva-se pela constatação de que grande parte dos alunos que concluem o ensino médio da rede pública estadual, segundo dados oficiais e observação in loco, não domina um conjunto de conhecimentos, habilidades e competências relacionados aos procedimentos de leitura e escrita, compatíveis com seu período de escolaridade. Para responder à questão, busca-se embasamento nos recentes estudos em Linguística Textual sobre texto, articulação textual, coesão e coerência. Comparam-se a prática tradicional vigente e as atuais tendências de ensino de Língua Portuguesa, contempladas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN 1998) e nos Conteúdos Básicos Comuns (CBC 2008) de Língua Portuguesa, que orientam para o estudo dos gêneros textuais, apresentados em textos, como unidades organizadoras do ensino e da aprendizagem da língua. Segue-se o modelo de experimentos antes – depois, com dois grupos de alunos, pertencentes a duas turmas distintas: uma funciona como grupo de controle, escrevendo um artigo sem participar das oficinas; a outra realiza a sequência didática. O corpus de análise compõe-se dos textos produzidos por ambos os grupos, segmentados em proposições, de modo a examinar os usos dos elementos articuladores e os aspectos próprios do artigo de opinião. Ao final, são confrontados os dados obtidos, quantitativos e qualitativos, submetidos a uma reflexão sobre o que podem indicar, tendo em vista a questão levantada.
PALAVRAS-CHAVE: ELEMENTOS ARTICULADORES, SEQUÊNCIA DIDÁTICA, ENSINO MÉDIO
TÍTULO: O QUE É SER PROFESSOR DE LITERATURA?
AUTOR(ES): ANA PAULA BELOMO CASTANHO
RESUMO: O que é ser professor de literatura? A partir dos anos 80, disseminaram-se no Brasil pesquisas envolvendo o ensino da literatura nas escolas. Várias publicações do período tornaram-se leitura indispensável aos interessados pelo assunto. As últimas décadas, em especial, tornaram-se palco de um significativo crescimento das discussões acerca da escolarização da literatura e de suas consequências na formação do leitor. Ressalta-se que no momento em que se intensificam debates a respeito da importância da literatura e da ficção para o desenvolvimento integral do ser humano, intensifica-se também a busca por alternativas que amenizem a oposição entre literatura e escola. Entretanto, o enfoque, quase sempre, está na metodologia adotada pelo professor e na busca por alternativas que amenizem o problema. Entendendo que toda e qualquer metodologia é precedida de uma concepção de literatura, este trabalho busca apresentar alguns saberes essenciais pertinentes ao professor. O objetivo, portanto, é o de contribuir para o mapeamento de alguns possíveis caminhos, ou saberes, que fundamentem o professor em sua atuação e o auxilie na escolha de métodos. O trabalho partirá de quatro indagações: O que é literatura? Para que ensiná-la? Como ensiná-la? Como concebê-la na formação do professor?. As reflexões serão cuidadosamente construídas a partir das perspectivas de estudiosos como Antonio Candido, Carlos Ceia, Nelly Novaes Coelho, José Luiz Fiorin, Marisa Lajolo, Rildo Cosson, Daniel Pennac e Edgar Morin. Tais concepções ora se aproximam ora se distanciam uma das outras, o que possibilitará uma reflexão rica dos caminhos a serem traçados.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, PERFIL DO PROFESSOR, SABERES ESSENCIAIS
TÍTULO: ESTRATÉGIAS DE PRESERVAÇÃO DA FACE EM SALA DE AULA.
AUTOR(ES): ANA PAULA DIAS
RESUMO: Em qualquer forma de interação verbal, aquele que ocupa a posição de falante tem a consciência de que está numa posição vulnerável, pois corre o risco de ser interrompido ou sofrer objeções. Por isso mesmo, ele procura controlar (monitorar) suas próprias palavras, assim como as palavras e reações dos interlocutores. Com esse procedimento, o falante procura manter a situação de equilíbrio precário que se instaura no processo interacional. Uma das formas de manter esse equilíbrio é construir uma auto-imagem pública de si mesmo, na qual se evidenciem os traços positivos e se ocultem os traços negativos. Da mesma forma, o falante busca resguardar a imagem dos interlocutores, evitando aquilo que possa ser tomado por invasivo ou comprometedor. A essa imagem os estudiosos atribuem o nome de persona (Jung) e face (Goffman). O conceito de face foi caracterizado por Goffman (1970) de acordo com as necessidades e desejos de cada interactante de uma conversação. Ele estudou procedimentos de preservação da face, pois, para ele, quando se entra em contato com o outro, tem-se a preocupação de preservar a auto-imagem pública. A essa auto-imagem, Goffman dá o nome de face. No contexto da sala de aula não é diferente, pois ameaças podem ocorrer de maneiras diversas como: o professor ameaçando sua própria face; o professor ameaçando a face de um aluno; o professor ameaçando a face dos alunos como um todo; um aluno ameaçando a face do professor; os alunos como um todo (a classe) ameaçando a face do professor; um aluno ameaçando a face de outro aluno. Assim, observamos neste trabalho quais procedimentos são utilizados por professores e alunos para preservarem suas faces durante as aulas.
PALAVRAS-CHAVE: INTERAÇÃO, PRESEVAÇÃO DAS FACES, IMAGEM

TÍTULO: OS DOCENTES E A PRÁTICA DO ENSINO DA ESCRITA: TENSÕES ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA
AUTOR(ES): ANATULA DA SILVA AXIOTELIS
RESUMO: Este trabalho é um desdobramento do artigo “Indicadores objetivos de novas práticas no ensino de redação: indícios de uma mudança?“, apresentado no 16º Cole. Tal artigo buscou investigar que consequências ocorreram no ensino de produção textual no Ensino Médio depois da introdução da prova de redação no vestibular da UFRJ, há duas décadas. Algumas hipóteses puderam ser confirmadas: o ensino de redação ganhou mais espaço na grade curricular; os professores passaram a produzir material didático específico e a dar um dimensionamento teórico-prático para as aulas. Além disso, houve tanto um aumento da produção textual quanto a melhora de qualidade das redações, mesmo nas escolas de baixo investimento pedagógico. Todas essas mudanças ocorreram em função de tornar os alunos mais competitivos no vestibular, o que significa dizer que, no geral, a prática de produção textual no Ensino Médio costuma limitar-se a um treinamento para escrever uma redação de vestibular nos moldes exigidos. Se reconhecemos que houve melhora, também podemos nos perguntar quais os limites desse progresso: até que ponto o objetivo de se alcançar um bom desempenho no vestibular limita o desenvolvimento do senso crítico do aluno e inibe sua subjetividade? Como é tratada a interlocução, o encontro entre o autor e o leitor? A aula de redação é uma atividade de produção ou de reprodução? O ato de escrever pode ser encarado como sinônimo de redigir uma redação de vestibular? Em busca de respostas a essas questões, nosso grupo de pesquisa, filiado ao LEDUC - Laboratório de Estudos de Linguagem, Leitura, Escrita e Educação da UFRJ -, realizou o curso de extensão “A Prova de Vestibular da UFRJ: histórias e desdobramentos“. Com base nas discussões ocorridas e nos trabalhos finais dos participantes chegamos a algumas considerações iniciais que pretendemos compartilhar, pondo em evidência a palavra dos docentes da escola básica.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, TREINAMENTO, SUBJETIVIDADE

TÍTULO: PRODUÇÃO TEXTUAL E INTERNET - UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): ANDREA DA MOTTA MONTEIRO
RESUMO: Esta comunicação tem o objetivo de relatar a experiência do ensino de Língua Portuguesa, desenvolvido com duas turmas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis (IFRJ). O trabalho foi realizado a partir da percepção de que cada vez mais as tecnologias da informação e comunicação são usadas como ferramentas educacionais. No trabalho realizado no Instituto Federal de Educação , buscou-se associar as TIC’s ao ensino de produção textual. A partir de estudos teóricos sobre gêneros digitais (Marcuschi, 2005), gêneros textuais (Dionisio, 2005), ensino de língua portuguesa (Valente, 2002) e tecnologias de comunicação na sala de aula (Dionisio, 2005) , desenvolveu-se um trabalho a partir do qual os alunos foram levados a usar a internet como ferramenta de pesquisa, escrita e discussão. Foram criados, então, um blog e uma rede social particular; aquele utilizado para a publicação de textos sobre língua portuguesa sugeridos pelos alunos e a rede social foi criada para incentivar a produção escrita em fóruns e blogs internos a serem criados pelos estudantes. Após a criação desses, observou-se como essas páginas virtuais passaram a interferir na rotina da sala de aula: índice de frequência , realização de tarefas, participação em aula.
PALAVRAS-CHAVE: NOVAS TECNOLOGIAS, PRODUÇÃO TEXTUAL, LÍNGUA PORTUGUESA
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 4
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: LITERATURA, IMAGINAÇÃO, LEITORES E ESCOLA: ENCONTROS E DESENCONTROS.
AUTOR(ES): ANDRESSA DIAS KOEHLER
RESUMO: “João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém... .” Os encontros e desencontros relatados em Quadrilha, de Drummond, me serviram outrora para refletir sobre a forma como nos encontramos com a Literatura em momentos de nossa vida - escolar ou não. Há encontros devidamente programados, arquitetados; há outros que acontecem ocasionalmente. Há alguns que, por motivos diversos, não chegam a suceder. Partindo dessa reflexão, esta comunicação tem por objetivo compartilhar algumas experiências e proposições que resultaram em minha dissertação de mestrado, na Universidade Federal do Espírito Santo, entre 2006 e 2008. O estudo de caso, realizado em uma escola estadual do município da Serra, ES, bem como o aporte teórico de autores como Antônio Cândido, Vigotsky, Boaventura, Bakhtin, Ginzburg, Alfredo Bosi, dentre outros, foram norteadores para algumas conclusões sobre o papel das aulas de Literatura na escola e a relação entre alunos e o ambiente da biblioteca. Esta pesquisa buscou, como questão central, compreender em que medida as aulas de Literatura potencializam expectativas geralmente associadas à experiência literária. Expectativas essas que, segundo alguns autores, estão associadas a um poder humanizador, manifestado a partir do encontro dialógico entre leitor e texto literário. Não um encontro qualquer, mas aquele capaz de levar o leitor a liberar a imaginação, a vivenciar experiências estéticas, a conhecer diferentes culturas em seus aspectos históricos e sociais, a dialogar com diferentes textos e linguagens, bem como a trabalhar a subjetividade, a capacidade de fruição e interpretação textual.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, LEITURA LITERÁRIA, IMAGINAÇÃO E LITERATURA

TÍTULO: O EROTISMO DE GREGÓRIO DE MATOS NA SALA DE AULA: DOIS VIESES, UM PRAZER
AUTOR(ES): ANDRÉ GUEDES TRINDADE
RESUMO: Este trabalho relata uma experiência, como o título ressalta, do Ensino da Literatura de Gregório de Matos partindo da temática erótica para as outras geralmente trabalhadas. Abordando especificamente a Estética da Recepção, tendo JAUSS (1978) como principal suporte teórico, procurando verificar a eficácia ou não desse tipo de metodologia para o Ensino, na qual o foco está na relação atuante entre texto literario e leitor. Para tanto, trabalhamos com duas atmosferas. Primeiramente, com alunos do Cursinho Pré-Vestibular Solidário da UFCG, abordando o conteúdo relacionado ao programa do Vestibular, em seguida, com professores em formação do curso de Letras da UFCG, apreendendo pontos de vista sobre o trabalho com a Estética da Recepção, sobretudo, lidando com a temática da eroticidade em Gregório de Matos. Nesse sentido, este trabalho, ao mesmo tempo, oferece reflexões sobre a Estética da Recepção, modelando a visão de como a temática e o interesse pela leitura têm um papel determinante, ao facultar a passagem da obra da condição de coisa inerte à de objeto significativo, como também, reflexões sobre as concepções dos professores de literatura em formação, fugindo da pragmaticidade e historicidade, na qual se encontra a abordagem literária no Ensino Médio, sobretudo em Cursinhos pré-vestibulares, tentando colocar em prática novas metodologias de ensino.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DA LITERATURA, ESTÉTICA DA RECEPÇÃO, PROFESSORES EM FORMAÇÃO
TÍTULO: A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LÍNGUA MATERNA NA PERSPECTIVA VYGOTSKIANA
AUTOR(ES): ANDRÉ VINÍCIUS LOPES CONEGLIAN, ANDREY WESTPHAL SANTA MARIA
RESUMO: Este artigo aborda a questão da formação de professores de Língua Materna na perspectiva vygotskiana. A proposta temática deste trabalho surgiu a partir das discussões fundamentadas nas leituras de autores que abordam o desenvolvimento humano efetuadas no grupo FOCO: Formação e Concepções do Materialismo Histórico-Dialético na Educação (UEM/CNPq), em que se considera o professor como um mediador pedagógico na interação entre aprendizado e desenvolvimento. Desse modo, o aluno não será visto apenas como um mero receptor de informações, mas como um sujeito histórico-social que, por intermédio de uma rede de compartilhamento de conhecimentos, adquirirá uma percepção crítica da sociedade em que vive, atuando, assim, como sujeito crítico e consciente. Atuação que perpassa, principalmente, pelo campo linguístico, portanto, considera-se fundamental uma concepção dialética da língua. Tal concepção exige que o professor de Língua Materna seja consciente de seu papel como mediador do ensino de língua e que, a partir do desenvolvimento real do aluno, que envolve toda a sua bagagem linguística e cultural, e sem desconsiderar as potencialidades de expressão que existem na diversidade dialetal, atue na zona proximal de ensino, para que toda potencialidade linguística seja transformada em competência linguística, ou seja, o desenvolvimento real de uso da língua. Não é objetivo deste trabalho apresentar soluções prontas para a problemática da formação de professores de Língua Materna, mas sim possibilitar caminhos que levem a uma reflexão crítica e consciente acerca dos processos de ensino-aprendizagem da língua materna, para que tanto professor quanto aluno sejam vistos como sujeitos críticos na participação desses processos.
PALAVRAS-CHAVE: LÍNGUA MATERNA, VYGOTSKY, FORMAÇÃO DE PROFESSORES

TÍTULO: A RELAÇÃO DOS ADOLESCENTES COM A LEITURA DE OBRAS CLÁSSICAS BRASILEIRAS
AUTOR(ES): ANGELA SIMONE RONQUI
RESUMO: O presente trabalho discute a importância do gosto pela leitura dos clássicos da literatura brasileira a partir de uma pesquisa de campo realizada no 3º ano do Ensino Médio em duas escolas da cidade de Palmital-SP, sendo uma pública e outra particular, no início de 2009. Já há algum tempo, pesquisas mostram que o ato de ler é necessário tanto para a realização pessoal do indivíduo quanto para o desenvolvimento de um país, através da educação e do conhecimento. Além disso, estudos psicológicos revelam que o gosto pela leitura e o seu aprimoramento melhoram a capacidade de aprendizagem. Nesse sentido, desponta como um dos papéis centrais do educador o incentivo à leitura. Pensando nisso, o objetivo fundamental desse trabalho é descobrir qual a relação dos adolescentes com a leitura de obras literárias de escritores como José de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, entre outros, cujas obras são consideradas clássicos da literatura brasileira. A pesquisa nos revelou que os alunos consideram a leitura indispensável pois, ao serem interrogados sobre a importância da mesma, as respostas geralmente se voltaram à necessidade de conhecimento para um bom desenvolvimento profissional, domínio de vocabulário e melhoria da capacidade de se expressar. Entretanto, muitos afirmaram não gostar de ler os clássicos porque esses possuem uma linguagem difícil, não compreensível e distante dos alunos. Frente a esse problema, o presente estudo, a partir da pesquisa feita com os alunos do 3º ano do Ensino Médio, visa a uma reflexão sobre a falta de interesse dos adolescentes em relação aos clássicos brasileiros, além de propor algumas sugestões que possam, de certa maneira, amenizar as dificuldades encontradas quanto à leitura dos clássicos.
PALAVRAS-CHAVE: ADOLESCENTES, LEITURA, OBRAS CLÁSSICAS BRASILEIRAS
TÍTULO: TEXTO E INTERTEXTUALIDADE: UMA CONSTRUÇÃO EM SALA DE AULA.
AUTOR(ES): ANGELITA TEREZINHA MABA DE SOUZA
RESUMO: O desenvolvimento da vida social exigiu que os homens ampliassem o uso de formas verbais de comunicação e compreendessem o funcionamento e alcance da linguagem, pois esta instaura uma realidade imaginária, faz ver o que ainda não existe e traz de volta o que desapareceu. Para esta compreensão partiu-se do conceito que um texto funciona como mosaico de outros textos, alguns mais próximos, alguns mais distantes, alguns mais pertinentes, outros menos, mas todos eles influenciam na leitura, pois compreendemos que o significado de um texto não se limita ao que apenas está nele; seu significado resulta na interseção com outros textos. Nesse sentido, temos como objetivo geral analisar qual a compreensão que os alunos têm a respeito dos conceitos de texto e intertextualidade através de discussões a respeito da presença de textos religiosos em textos literários, traçando um paralelo com os textos trabalhados no livro didático e nas situações do cotidiano. Deste depreendeu-se como objetivos específicos: valorizar o conhecimento do aluno a respeito de texto e intertextualidade e enriquecer seu repertório; estimular a reflexão e a discussão entre os alunos através de leituras comparativas; perceber a inferência de textos religiosos em textos literários. Esta pesquisa ancorou-se na Teoria da Enunciação do Círculo de Bakhtin e centrou-se no desenvolvimento do leitor, especificamente, alunos da série final (8ª série) de uma escola do município de Apiúna, Médio Vale do Itajaí. Os resultados indicam que a compreensão dos conceitos de texto e intertextualidade precisam ser construídos socialmente em sala de aula para que os alunos se tornem leitores de sentidos, não só da palavra, levando-os a observar em suas leituras a presença de outros textos nos textos em que leem.
PALAVRAS-CHAVE: TEXTO, INTERTEXTUALIDADE, LEITURA

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 5
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: EDUCAÇÃO LITERÁRIA POR MEIO DO CONTO NO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): ATHANY GUTIERRES
RESUMO: A observação da realidade escolar mostra-se pouco sensível à leitura literária. Os estudantes estão condicionados a ler literatura por fatores externos, transformando esta atividade cognitiva num exercício mecânico e com um fim em si mesmo. A liberdade de expressão, imaginação, criação e o autoconhecimento são quase ignorados. Neste âmbito, a leitura desconsidera a busca da identidade e do autoconhecimento como uma das razões primordiais do leitor. Por esses motivos, talvez, a leitura tem sido um tema de pesquisa constante, a fim de procurar explicações plausíveis para este fenômeno que é altamente social e firma a relação dos indivíduos com eles mesmos, com outros indivíduos e com o seu próprio mundo. Frente ao quadro exposto e com a finalidade de analisar o processo de instrumentalização de leitura do texto literário, em específico como o conto pode contribuir para a formação de leitores, serão propostas oficinas de leitura de contos, a partir dos pressupostos do método recepcional (AGUIAR; BORDINI, 1993). Os dados apresentados nesta comunicação são parte de reflexões da proposta de dissertação a ser realizada no PPGEd/UCS, que objetiva desenvolver uma pesquisa-ação a partir da leitura do conto literário como uma experiência (LAROSSA, 2003). Entende-se nesse estudo que o texto literário pode ser concebido como ponto de partida para a “reformação” de leitores competentes e ativos na sociedade atual.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, AUTOCONHECIMENTO, FORMAÇÃO DE LEITORES

TÍTULO: CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM E DE LEITURA NA PROVA BRASIL: CARACTERÍSTICAS E EXEMPLOS
AUTOR(ES): ÂNGELA FRANCINE FUZA
RESUMO: Esta pesquisa, vinculada ao Grupo de Pesquisa “Interação e escrita” (UEM/CNPq) e aos projetos de pesquisa: “Manifestações de constituição da escrita na formação docente” e “Práticas de avaliação de leitura e a formação do leitor”, a partir da perspectiva sócio-histórica de ensino e aprendizagem, subsidiada nos pressupostos de Bakhtin/Volochinov e Vygotsky, teve o objetivo de analisar as atividades referentes ao tópico I- Procedimentos de leitura, da Matriz de Referência da Prova Brasil, avaliação oficial do Ministério da Educação, aplicada a alunos de 4ª série do Ensino Fundamental, identificando as concepções de leitura manifestadas, como também, as concepções de linguagem presentes nesse instrumento. Os resultados das análises demonstram que a Prova Brasil apresenta, como concepções de linguagem que subsidiam a avaliação oficial, a linguagem como expressão do pensamento e como instrumento de comunicação. Embora a Matriz de Referência tenha seus princípios fundamentados na concepção interacionista de linguagem, isso não é constatado na prática. Os exercícios não respondem ao esperado pela Matriz, fazendo do aluno um sujeito que só extrai informações do material lido, restringindo-se à decodificação do texto. Com isso, a concepção de leitura central da avaliação enfoca a extração de idéias do texto original, determinando o trabalho com a decodificação.
PALAVRAS-CHAVE: AVALIAÇÃO DE LEITURA, , PROVA BRASIL,, CONCEPÇÃO DE LINGUAGEM, LEITURA.

TÍTULO: NOVAS ABORDAGENS PARA O ENSINO DE LATIM
AUTOR(ES): BÁRBARA ELISA POLASTRI, DANIELLE CHAGAS DE LIMA, DIOGO MARTINS ALVES, LUCIANO CÉSAR GARCIA PINTO, RAQUEL FAUSTINO, TATIANA ANDRADE RABELLO CARVALHO PACHECO
RESUMO: O artigo “Novas Abordagens para o Ensino de Latim” é parte do trabalho que está sendo desenvolvido pelo Grupo de Estudos “Elaboração de Material Didático para o Ensino de Latim”, que visa a produção de um método que se distancie dos demais produzidos no Brasil na medida em que associa o ensino da língua ao da literatura e da própria cultura latina. Através de uma breve análise de métodos comumente usados em instituições de ensino, este artigo discute criticamente a tradição do ensino da língua latina no Brasil, pois o que se conhece hoje sobre materiais de estudo do Latim são métodos tradicionais e pouco atrativos, que enfatizam a gramática da língua, trabalhando-a como um fim em si mesma, através de exercícios monótonos. Sabe-se que, atualmente, o latim é pouco utilizado na fala e na escrita, pois já não é a língua materna de nenhum povo. Por não ser utilizado cotidianamente, seu estudo baseia-se, sobretudo, na apreensão de seu vocabulário e gramática para que se possa, como principal finalidade, ter acesso à leitura dos textos antigos. Tal contexto acaba, por vezes, tornando o estudo dessa língua pouco prazeroso e estimulante. Acreditamos na importância de se desenvolver um método atualizado para o aprendizado desta língua, considerando abordagens atuais de ensino que, a nosso ver, sejam pertinentes ao estudo de uma língua antiga. O presente artigo busca apresentar nossa nova proposta para o ensino de latim, que traz textos originais e discute a gramática e a literatura latina com base em autores modernos, sem, no entanto, desprezar o importante legado dos próprios autores da antiguidade.
PALAVRAS-CHAVE: LATIM, MÉTODOS DE ENSINO, METODOLOGIA

TÍTULO: O ENSINO DA LITERATURA E A “TRADUÇÃO” DO TEXTO PARA A DIMENSÃO DO SABER ESTAGNADO: UMA PROPOSTA.
AUTOR(ES): BEATRIZ PAZINI FERRERIA, MARISA CORRÊA SILVA
RESUMO: Baseado na experiência ocorrida em 2007 em uma Universidade Pública do Estado do Paraná, no primeiro ano do curso de Letras, discutimos um entrave no processo de aprendizagem quando a temática é considerada “chocante”, como na tragédia grega Medéia, de Eurípedes. Quando o texto foi lido, houve uma certa agitação por parte dos alunos, no clímax da peça, quando Medéia mata os filhos. Na discussão que se seguiu, ficou claro que a leitura de Medéia provocava uma tentativa de trazer a experiência para dentro do “normal”: a morte das crianças não era vista como recurso textual, simbolismo ou dado cultural, mas sim como situação que exigia um julgamento moral por parte do leitor. Para enfrentar esse tipo de “tradução” do texto da dimensão artística para outra na qual o leitor sente-se à vontade, porque é a dimensão do falso saber sedimentado e da opinião pré-formada, é necessário um preparo por parte do Educador, a fim de que este possa contextualizar os valores da época, as referências e intertextos, além de trabalhar com os alunos no nível conceitual. No caso de Medéia, há a subversão de um dos conceitos sagrados de nossa cultura, que é a supremacia do amor materno. Nesse ponto, o leitor se sente na posição de juiz, condenando ou “explicando” a atitude de Medéia, relegando ao segundo plano os propósitos da peça.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, TRAGÉDIA GREGA: MEDÉIA, “TRADUÇÃO” DO TEXTO

TÍTULO: O GÊNERO ‘DEBATE’ ENQUANTO OBJETO DE LEITURA/ESCUTA NO LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA
AUTOR(ES): BRUNO ALVES PEREIRA
RESUMO: Nesta comunicação, nosso objetivo consiste em identificar e analisar os objetos de ensino focalizados e as estratégias didático-discursivas requisitadas em atividades de leitura/escuta de debates em um livro didático de língua portuguesa. O corpus em análise é constituído por atividades de leitura/escuta de dois debates presentes na unidade “Os elementos do debate”, do livro didático “Projeto Araribá: Português”, destinado a alunos de 8ª série (9° ano) do Ensino Fundamental. A investigação, de natureza descritivo-interpretativa, está baseada nas contribuições teóricas acerca da caracterização do gênero debate (DOLZ et. al., 2004; PIETRO et. al. 1996/1997), dos conceitos de transposição didática ou didatização (BRONCKART e GIGER, 1998; RAFAEL, 2001) e da noção de estratégias didático-discursivas (MATENCIO, 2001). Os resultados da investigação indicam a requisição de duas principais estratégias didático-discursivas na unidade analisada: a leitura de transcrições de debates, nas quais são retiradas marcas típicas da oralidade, e a elaboração de respostas escritas às atividades de leitura propostas. Nas referidas atividades, o objeto de ensino focalizado é, prioritariamente, a argumentação. A exploração dos aspectos linguísticos da interação entre os interactantes do debate enquanto gênero oral formal público é exígua. Desse modo, as atividades de leitura, que não incluem a escuta, contribuem muito pouco para a compreensão das características do gênero debate e para a sua diferenciação de gêneros argumentativos de meio de produção gráfico.
PALAVRAS-CHAVE: DEBATE, LEITURA/ESCUTA, LIVRO DIDÁTICO
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 6
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: ORIENTAÇÕES CURRICULARES PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM JATAÍ- GOIÁS E SEUS REFLEXOS NOS PROJETOS DAS ESCOLAS
AUTOR(ES): CAMILA ALBERTO VICENTE DE OLIVEIRA
RESUMO: A pesquisa busca compreender aspectos relativos às escolas da Rede Municipal de Ensino de Jataí – Goiás, especialmente, no que tange às orientações da Secretaria Municipal de Educação para a configuração das atividades escolares em Língua Portuguesa e como essas orientações refletem o trabalho de ensino da língua nessas escolas. Trata-se, portanto, de projeto de pesquisa em desenvolvimento junto à Coordenação do Curso de Pedagogia – UFG/Campus Jataí, que tem como objetivo geral verificar a relação entre as orientações curriculares da Secretaria Municipal de Educação de Jataí, os projetos de ensino desenvolvidos pelas escolas vinculadas a essa Secretaria e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Língua Portuguesa (1º ciclo). Temos como pressuposto para orientação dessa investigação que, dados os “baixos índices de desempenho” em relação ao aprendizado da língua materna, os gestores têm se preocupado em definir linhas gerais de trabalho para as escolas de forma que essas (escolas) atendam aos resultados esperados em provas nacionais e outros indicadores, inclusive relacionados à distribuição de recursos financeiros. Para tanto, tem sido desenvolvida uma análise bibliográfica e documental dos materiais que contém indicações e a visão de ensino de Língua Portuguesa pela gestão municipal: modelo de projetos a serem desenvolvidos pelas escolas, sugestões de temas para esses projetos, lista de “habilidades e competências” em Língua Portuguesa para os anos iniciais do ensino fundamental, documentos que avaliam o “desempenho” das escolas. A partir dessa análise, já é possível afirmar que esses materiais sofrem influência direta dos PCN, no que se refere aos objetivos a serem atingidos nas etapas do ensino e pode-se inferir que a preocupação com índices e estatísticas levam a Secretaria de Educação a se aproximar de orientações nacionais, distanciando-se do contexto local.
PALAVRAS-CHAVE: ORIENTAÇÕES CURRICULARES, PROJETOS DIDÁTICOS, PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

TÍTULO: A CONSTITUIÇÃO DAS PERSONAGENS EM O ETERNO MARIDO, DE DOSTOIEVSKI: UM ASPECTO IMPORTANTE PARA A EXPERIÊNCIA NARRATIVA.
AUTOR(ES): CARINE ISABEL REIS, EUNICE TEREZINHA PIAZZA GAI
RESUMO: Este trabalho discute o processo de construção das personagens Veltchaninov e Pavel Pavlovich, do livro O Eterno Marido (1976), de Dostoievski. A análise ocorre a partir da duplicidade que é característica das mesmas. Considera-se que a compreensão do texto literário permite ampliar o conhecimento do ser humano, uma vez que a reflexão em torno da constituição das personagens e dos demais recursos de uma narrativa leva o leitor a refletir também sobre as relações das quais faz parte, marcadas, muitas vezes, por incoerências em seus comportamentos e atitudes. A análise das personagens é realizada à luz dos referenciais teóricos de Forster (1969), Tacca (1983), Pessanha (1981), Candido (2002). No mundo ficcional do romance, constituído por elementos humanos, há as suas leis próprias. Há o paralelismo com o cotidiano, isto é, o poder da narrativa está em mergulhar nas questões humanas sem ser uma mera cópia, mas sim uma criação complexa. Dessa forma o estudo sobre as personagens é precedido de algumas considerações teóricas sobre a natureza da narrativa, conforme propostas por autores como Bruner (1997 e 2002), Turner (1996) e Larrosa (1999, 2003 e 2004). Pretende-se com isso estabelecer relações entre literatura e conhecimento ou experiência, uma vez que a narrativa propõe novas visões e reflexões sobre a vida. Através do estudo das personagens espera-se contribuir para a concepção potencializadora/transformadora da narrativa ficcional no processo de formação e conhecimento humano.
PALAVRAS-CHAVE: NARRATIVA, PERSONAGENS, CONHECIMENTO

TÍTULO: A ESCUTA COMO PRÁTICA DE LEITURA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA
AUTOR(ES): CAROLINA GONÇALVES SOUZA, MARIA AUGUSTA HERMENGARDA WURTHMANN RIBEIRO
RESUMO: Esta pesquisa agrega algumas inquietações desde a graduação e outras, decorrentes da experiência docente, sobre a escuta como prática de leitura, e que geraram o presente trabalho, que tem como objeto de estudo o processo de escuta de um texto literário como prática cultural de aprendizagem pela oralidade. Tem como objetivo geral experienciar esse referido processo, com alunos de segunda série da E. M. “Profª Diva Marques Gouvêa” (Rio Claro, SP). Para tanto, tracei como metodologia um percurso que agregou algumas características da observação participante e da pesquisa-ação, tais como a observação constante, o registro e a postura metodológica de “escuta”, além da abordagem da história cultural, no que diz respeito ao estudo do cotidiano, da comunidade de leitores e das práticas culturais de leitura e escuta. Privilegiamos leituras diárias do livro As aventuras de Pinóquio, de Collodi (2002). Os registros das falas dos alunos sobre a leitura foram feitos por mim, em um Diário de Campo, com o auxílio de câmeras fotográfica e filmadora. O percurso teórico foi construído com base nas formulações sobre: a leitura de mundo (FREIRE, 2003); a experiência de leitura (LARROSA, 2002; 2005); a formação da comunidade de leitores (CHARTIER, 1999); a importância da leitura dos clássicos (CALVINO, 2004; MACHADO, 2002); e a importância de realizar uma escolarização adequada da literatura (SOARES, 2003 e outros). Como considerações finais, apresento, inicialmente, alguns apontamentos sobre os objetivos da pesquisa, que considero alcançados. As pesquisas recentes sobre a formação do leitor literário (CEALE) apontam para um problema metodológico entre a matéria literária e o ensino de leitura na escola. O estudo de meu objeto de pesquisa fortaleceu uma proposta, também de caráter metodológico, que talvez auxilie outras pessoas a pensar o que seria esta escolarização adequada da literatura: a proposta de colocar-se à escuta de nossas crianças.
PALAVRAS-CHAVE: ESCUTA, PRÁTICA DE LEITURA, LITERATURA INFANTIL

TÍTULO: LEITURA E LITERATURA NO SÉCULO XIX: CONSIDERAÇÕES NAS CARTAS E CRÔNICAS DE ALUÍSIO AZEVEDO
AUTOR(ES): CASSIO DANDORO CASTILHO FERREIRA
RESUMO: Esta comunicação tem por objetivo observar as condições de recepção e produção de obras literárias no século XIX brasileiro, tendo como parâmetro as considerações presentes em cartas e crônicas do escritor maranhense Aluísio Azevedo (1857-1913). Se parte da crítica da época afirmava que Aluísio foi um dos primeiros homens a viver das Letras no Brasil, seus apontamentos parecem de extrema importância para traçar um panorama sobre a leitura, a recepção e a circulação de romances naquele período. Muitas de suas cartas e crônicas publicadas na imprensa da época demonstram a dificuldade da formação de um público leitor já no século XIX, dificuldade esta que podemos perceber na própria decisão de Aluísio de abandonar a Literatura e dedicar-se exclusivamente à carreira pública. Esta decisão, tomada por um dos romancistas de maior prestígio na época, parece apontar exatamente para a falta de um público que pudesse assimilar, acolher e divulgar a produção oitocentista brasileira. Outro aspecto interessante de ser analisado passa pelo próprio projeto literário de Aluísio: mesmo filiado a uma estética naturalista, grande parte da obra do escritor maranhense é constituída por romances folhetinescos, de grande popularização e recepção naquele período, o que em partes dificultou a construção de seu projeto literário, que seria abandonado em detrimento de um cargo de cônsul no exterior.
PALAVRAS-CHAVE: ALUÍSIO AZEVEDO, ROMANCE BRASILEIRO, PÚBLICO LEITOR

TÍTULO: SIMULAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO: PROBLEMAS DO ESTUDO DA MORFOLOGIA DOS GÊNEROS DISCURSIVOS NAS PRÁTICAS DE LEITURA
AUTOR(ES): CONRAD PICHLER
RESUMO: Nesse artigo, evidenciamos as relações entre as práticas dos estudos de gênero do discurso em sala de aula com o procedimento objetivo-abstrato de estudos linguísticos saussurianos, segundo a teoria de Mikhail Bakhtin. Apesar de a contextualização ser ponto basilar dos PCNs e os procedimentos saussurianos não, observamos que a contextualizado é substituída por um simulacro, que abstrai/aliena o leitor da inserção efetiva nas práticas da discursividade constante. Dentro das práticas de leitura costuma-se defender uma leitura-padrão e textos-padrão; essa construção modelar se enraíza nas atividades pedagógicas, sobretudo, constituindo a sala de aula como um simulacro e a prática de leitura, como simulação. Podemos estabelecer correspondência entre esse problema e a crítica ao objetivismo abstrato (ou metafísico) ao estudo linguístico saussuriano oferecido por Mikhail Bakhtin em “Marxismo e filosofia da linguagem”; neste Bakhtin percebe que a investigação abstrata dos fenômenos lingüísticos é uma alienação ao constante movimento da linguagem. Tanto para a linguística quanto para as práticas de leitura, percebemos que essa abstração constitui-se dos desejos da classe dominante em ditar as regras da práxis da linguagem, sobretudo, isso parece atingir o espaço da escola, no que diz respeito à condução das atividades de leitura, alienando o estudante de uma participação efetiva em uma discursividade constante não abstrata, nem modelar. A adoção de uma filosofia objetivo-dialético pelos PCNs, que apesar de baseados nos princípios dialógicos bakhtiniano (de pressupostos marxistas), não estão em consonância com o objetivismo dialético, posto que se defenda a necessidade do resgate e o estudo do contexto de produção do texto sob a forma de eleger ou elencar gêneros discursivos e tirar deles estruturas e modelos pré-estabelecidos, o que em outras palavras constitui-se numa morfologia estruturalista, essa “gramática” substitui a investigação dos textos e sua discursividade contextualizada e constantemente ativa, por um simulacro abstrato e paralisado.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, SIMULACRO, CONTEXTUALIZAÇÃO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 7
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: POESIA NA SALA DE AULA: UM EXERCÍCIO ÉTICO E ESTÉTICO.
AUTOR(ES): CYNTHIA AGRA DE BRITO NEVES
RESUMO: Este trabalho procurou mostrar como a poesia tem sido trabalhada nas aulas de literatura do Ensino Médio de escolas da rede pública e privada de ensino do estado de São Paulo e como os alunos-leitores contemporâneos têm recepcionado o texto poético. O interesse por esta pesquisa nasceu da experiência da professora-pesquisadora, que é amante da poesia e, portanto, compartilha leituras poéticas com seus alunos, atentando para o estranhamento e para o encantamento que o texto poético é capaz de proporcionar nas dinâmicas em sala de aula. Buscaram-se, inicialmente, referenciais teóricos que justificassem a importância ética e estética de se ensinar arte, poesia e literatura erudita na escola; em seguida, uma reflexão histórica acerca das raízes da poesia na cultura ocidental greco-latina, bem como pesquisou-se o berço da relação poesia-educação na Antiguidade até o ingresso dessa tradição pedagógica em solo nacional. Ainda dentro de uma perspectiva histórica, foram assinalados momentos de ruptura que mudaram significativamente a história da leitura, do livro, da literatura e da concepção de poesia na educação, da Antiguidade à Idade Moderna. A partir de então, chegou-se à pesquisa empírica, cuja metodologia consistiu em entrevistas orais gravadas com docentes de língua portuguesa de ambas as redes de ensino do estado, a fim de investigar o que entendem como poético e como se constrói o ensino-aprendizagem da literatura através da poesia nas escolas onde lecionam, deparando-se, neste processo, com críticas e sugestões dos educadores. Analisou-se a voz dos professores em diálogo com autores da teoria literária e da educação para se concluir que a poesia, linguagem de reflexão, insubmissão e prazer, motivadora, sobretudo, da “transvisão do mundo”, merece espaço privilegiado dentre os discursos escolares.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, DOCÊNCIA, POESIA NA EDUCAÇÃO

TÍTULO: PCN E PNLD: PARAMETRIZAÇÃO DO ENSINO DE GRAMÁTICA
AUTOR(ES): DANIELA MANINI
RESUMO: Este trabalho pretende discutir propostas para o ensino de gramática no Ensino Fundamental II, frente de Língua Portuguesa que gera várias discussões, para além das esferas acadêmica e pedagógica, sobre que gramática(s) ensinar e sob qual(is) metodologia(s). Para tanto, traz a discussão e a análise sobre o que propõem documentos oficiais de ensino, como os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (doravante, PCN) e o Programa Nacional do Livro Didático (doravante, PNLD) para o ensino de gramática. Assim sendo, será apresentada, inicialmente, uma explicação geral sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais no contexto na Educação brasileira, a fim de melhor esclarecer sobre o sentido dos PCN de Língua Portuguesa. Em seguida, faremos uma descrição geral dos PCN, destacando o modo como definem e propõem o ensino de gramática, a fim de identificar qual (is) a(s) orientação(ões) teórico-metodológica(s) dada(s) para o trabalho com esse eixo de ensino. Por fim, faremos uma descrição geral do PNLD e uma análise comparativa sobre como as avaliações do Programa (1999, 2002, 2005 e 2008) apresentam os critérios para avaliar as atividades de gramática nos livros didáticos de Português (doravante, LDP) de 6º a 9º anos (5ª a 8ª séries). O objetivo dessa análise é entender como as orientações dos PCN têm sido incorporadas pelo Programa, assim como refletir a respeito do que este espera dos atuais LDP em relação ao ensino de gramática. Entendemos que o LDP, em função das sucessivas avaliações por que vem passando através do PNLD, configura-se como um material que pode contribuir para a formação docente em exercício, mesmo porque, em muitos casos, é o único meio impresso a que têm acesso parte dos professores da escola pública.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO DIDÁTICO DE PORTUGUÊS, ENSINO DE GRAMÁTICA, PCN

TÍTULO: TRILHA DOS VERSOS: LEITURA, APRECIAÇÃO E DECLAMAÇÃO DE POEMAS NA ESCOLA
AUTOR(ES): DENISE PEDROSO GOMES
RESUMO: O Grupo de Pesquisa “Literatura e Ensino” da UENP, Jacarezinho-PR, tem formulado e analisado propostas metodológicas com o intuito de subsidiar o trabalho do professor com o texto literário em sala de aula. A Metodologia Integradora, proposta por Saraiva e Mügge (2006), e estudada pelo Grupo de Pesquisa, embasa a abordagem de textos poéticos desenvolvida em uma turma de 6ª série do Ensino Fundamental na E.E. Profa. Josepha Cubas da Silva, em Ourinhos-SP, que esta comunicação visa apresentar. Considerando que na leitura de poemas nem sempre se compreende, de imediato, o que o poeta quis dizer, entende-se que a análise da forma como se construiu sua musicalidade ou ritmo e do efeito causado pelo jogo das palavras exploradas em seus sentidos, sons ou imagens auxilia na construção dos sentidos que, inicialmente, podem apresentar-se implícitos e obscuros. Além disso, muitas vezes, a escuta de um poema bem declamado ajuda a perceber melhor esses efeitos e a despertar o gosto pela leitura. Assim, a Metodologia Integradora é aplicada com vistas a estimular a apreciação de poemas, a desenvolver a proficiência para a leitura e compreensão de textos poéticos e a promover a declamação desses textos. Para tanto, além dos poemas, são apresentados videoclipes como recursos para a apropriação de diferentes formas de ‘reler’ o que os poemas dizem e inspirar as declamações.
PALAVRAS-CHAVE: METODOLOGIA INTEGRADORA, LEITURA E DECLAMAÇÃO, POEMA

TÍTULO: LEITURA LITERÁRIA NO ENSINO MÉDIO: ESTRATÉGIAS DE FORMAÇÃO DO LEITOR EM CURSOS TÉCNICOS DO IF-GOIÁS
AUTOR(ES): DEUSA CASTRO BARROS
RESUMO: O presente estudo é resultado de trabalhos desenvolvidos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, antigo CEFET/GO, visando à formação de um leitor que, consciente de sua liberdade de escolha, transite entre os textos clássicos e contemporâneos, selecionando do cânone literário suas preferências estéticas para formação de um cânone individual. Na base do trabalho encontram-se reflexões vinculadas à Estética da recepção, especialmente nos textos de Iser (1979, 1995), Costa Lima (1979), Stierle (1979) e Zilberman (1989). Para o desenvolvimento do estudo, aplicou-se, no contexto das aulas de Língua Portuguesa, estratégias de aproximação do leitor em relação às obras da literatura do século XVIII e XIX, especialmente associadas ao Romantismo, no Brasil e no mundo, tanto da prosa quanto da poesia, estabelecendo um diálogo entre temários e modelos do período citado e da época contemporânea. Participaram do estudo aproximadamente 150 alunos de turmas de 2º ano, lendo obras escolhidas na biblioteca da instituição e elaborando pesquisa sobre o período e as implicações ideológicas do movimento estético a que os autores lidos se filiavam. O resultado alcançado foi um intenso diálogo entre alunos adolescentes e obras de referência da Literatura brasileira e mundial, mediadas pela validação (ou não) que tais leitores aferiram às obras lidas, o que efetivamente lhes permitiu uma reflexão na construção de suas escolhas literárias e as implicações de tais escolhas na formação de seus referenciais estéticos para a “degustação” de obras de arte.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, ENSINO MÉDIO, ESTETICA DA RECEPÇÃO

TÍTULO: MEMÓRIA LEITURA IMAGINAÇÃO
AUTOR(ES): DÉBORA RACY SOARES
RESUMO: Em sentido lato, imaginação, antes de remeter à faculdade criativa, designa a capacidade de representar imagens. Também pode significar a aptidão para evocar imagens percebidas anteriormente. Assim, parece claro que falar em imaginação pressupõe considerar duas instâncias. A primeira delas relaciona-se à possibilidade de representação, portanto, à linguagem. A segunda mobiliza a memória através da linguagem. Poder-se-ia afirmar que a leitura, por sua vez, ocorre no entrecruzamento da memória e das imagens acionadas por essa mesma memória. Imagens re-vistas, re-lembradas ou imagens imaginárias, imaginadas, “transvistas” no ato da leitura? “Aquilo que sabemos que, em breve, já não teremos diante de nós torna-se imagem”, segundo o filósofo alemão Walter Benjamin. Desse modo, estamos atavicamente condenados à criação de imagens ao desejarmos reter, na memória, o desvanescente “aquilo”. O esforço da memória revela nossa percepção da fugacidade das coisas, isto é, a consciência aguda do tempo e da morte. Porém, de certa forma, como nos ensina Proust, o “real” precisa morrer para ressuscitar na memória. É como se, no caso do escritor à procura do tempo perdido, a memória só fosse possível pela via da imaginação. Ainda que a leitura possa mobilizar outros tempos e nos transportar – pela imaginação – a outras paragens, mesmo assim estamos situados no inevitável agora. Nessa perspectiva, a leitura aciona vários tempos simultaneamente, a cada virar de página. Encontrar o tempo da memória, na memória, convoca imagens em ação, em movimento. Se a memória e o esquecimento são como as duas faces de Jano, então, torna-se fundamental entender que virar páginas também pressupõe aceitar a possibilidade de páginas serem viradas, ou seja, esquecidas. Só assim, através do esquecimento, podemos lembrar, re-lembrar e imaginar. Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
PALAVRAS-CHAVE: MEMÓRIA, LEITURA, IMAGINAÇÃO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 8
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: LÍNGUA E LITERATURA DE MÃOS DADAS: UM ESTUDO SOBRE OS PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE NEOLOGISMOS PRESENTES NA LITERATURA POPULAR DE JESSIER QUIRINO
AUTOR(ES): EDÊNIA DE FARIAS SOUZA
RESUMO: O objeto de estudo deste trabalho é constituído pelos textos do livro Bandeira Nordestina(2006) do escritor Jessier Quirino. O referido livro reúne os chamados “causos“ por tratar-se das “matutices“ escritas pelo autor. São textos escritos em prosa e verso e dizem respeito a festas, relacionamentos, costumes, personagens e problemas socias relacionados ao Nordeste. Bandeira Nordestina, assim como toda a literatura popular, sempre esteve à margem em oposição à chamada literatura erudita, consumida pelos discentes no processo ensino-aprendizagem. Nesse sentido, propomos neste trabalho fazer uma ponte entre o ensino de língua e de literatura analisando os processos de formação de neologismos contidos em seus textos contribuindo para uma prática pedagógica mais dinâmica e prazerosa no tocante ao estudo da lingua(gem), em sala de aula, questão de grande importância que precisa ser (re) avaliada constantemente, pois é ela que vai determinar a produtividade ou improdutividade do processo ensino-aprendizagem e, ainda, apontando para a necessidade de aproximar o aluno adolescente do universo da cultura popular nordestina. Acreditamos que oferecer o contato direto com esse tipo de literatura possibilita o desenvolvimento da concepção de que a língua é, por natureza, social e reflete os usos de linguagem desempenhados por seus falantes, sujeitos históricos que interagem uns com os outros.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUA(GEM), NEOLOGISMO, LITERATURA POPULAR
TÍTULO: LEITURA DO IMAGINÁRIO NA POESIA LÍRICA: UMA VIAGEM NA BARCA DE CARONTE COM PEDRO TAMEN
AUTOR(ES): EDUARDO OLIVEIRA ZANINI
RESUMO: A presente proposta pretende abordar alguns poemas do livro Guião de Caronte, publicado em 1997 pelo português Pedro Tamen, partindo da concepção de leitura de poesia guiada por significações simbólicas sugeridas pelo texto. Esse processo de leitura decorre da particularidade da linguagem poética de não se estruturar unicamente através da representação direta da realidade empírica – pelo contrário, sua especificidade baseia-se, dentre outros elementos, na construção de uma instância simbólica. No caso específico dos poemas de Guião de Caronte, percebe-se o desenvolvimento de seu tema central (o além-vida) utilizando-se de uma concepção mítica corrente durante a Antiguidade e hoje em desuso. Trata-se da figura de Caronte, barqueiro responsável pela condução dos vivos ao mundo dos mortos sobre as águas dos rios do além. Essa concepção clássica, contudo, vem matizada por outras configurações mais modernas e mais subjetivas do tema, exigindo do estudante uma leitura apurada do texto como um entrecruzamento de perspectivas. O estudo da tensão entre concepções distintas e simultâneas do além-vida pode gerar reflexões não apenas filosóficas, mas também culturais e linguísticas. Nesse contexto, cabe ao educador construir junto aos alunos uma compreensão das imagens e concepções metafísicas no texto lírico, partindo do aspecto temático, a fim de capturar a atenção do jovem, e avançando na compreensão da formalização literária do poema.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, POESIA LÍRICA, PEDRO TAMEN

TÍTULO: ABORDAGEM DO TEXTO LITERÁRIO NA SALA DE AULA: PROPOSTAS PARA REFLEXÕES
AUTOR(ES): ELBA POMA LOURENÇO
RESUMO: O sistema educacional brasileiro tem se mostrado nas últimas colocações em todas as pesquisas mundiais sobre leitura e qualidade de ensino. Ao ligarmos a televisão, lermos os jornais, navegarmos em sites de notícias pela Internet, somos bombardeados com informações que demonstram constante insatisfação de toda a sociedade com a qualidade do ensino, dentre outras notícias pouco animadoras sobre a escola. Nesse contexto, abordar o texto literário em sala de aula tem sido um desafio ao professor nos tempos atuais. Questões como a ausência de fundamentação teórica na formação do docente, aliada à falta de metodologia adequada para o trabalho com literatura, além dos problemas referenciados, fazem com que o trabalho com o texto literário seja executado de forma insatisfatória. A escolha de uma prática de abordagem geralmente acontece a partir do que está disponível no livro didático. Poucas são as leituras encaminhadas para o estabelecimento de contrapontos com a realidade do aluno e com assuntos que o intrigam ou o seduzem. Há a necessidade de se demonstrar que o texto literário pode ser abordado numa dinâmica que estimule a participação dos discentes na construção do seu sentido, além de possibilitar a fruição do imaginário, característica inerente à literatura. Assim, esta comunicação tem por objetivo contribuir para a difusão de metodologias de ensino de literatura, tendo em vista a necessidade de o professor conhecê-las e adaptá-las à realidade escolar, e assim proporcionar o tão almejado diálogo entre leitores e livros.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, METODOLOGIA DE ENSINO, REALIDADE ESCOLAR
TÍTULO: DA NECESSIDADE DA FORMAÇÃO CONTINUADA: A VOZ DO PROFESSOR
AUTOR(ES): ELY ALVES MIGUEL
RESUMO: Este trabalho apresenta considerações sobre um projeto de formação continuada denominado “Texto e Ensino: uma proposta envolvendo os gêneros textuais e os modos de organização do discurso”, desenvolvido no CEFAPRO (Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica) de Juara – MT. Seu principal objetivo foi oportunizar aos docentes reflexões para melhoria de suas práticas pedagógicas a partir de discussões sobre a importância do texto no ensino de língua materna e de concepções como “gêneros textuais” e “modos de organização do discurso”, dada sua recorrência na literatura atual e nos livros didáticos, um dos principais referenciais dos conceitos a serem ensinados nas escolas. Para orientar o trabalho, partimos da aplicação de um questionário sobre texto, gêneros textuais, modos de organização do discurso, bem como sobre a importância do texto como unidade de ensino e a perspectiva adotada pelos PCN (1998) em relação aos gêneros que o aluno precisa dominar para garantir sua participação nas práticas sociais. A análise das respostas revelou certa instabilidade conceitual dos termos apresentados. Por essa razão, a definição de gêneros textuais como “várias espécies de textos com os quais temos contato no dia-a-dia”, até exemplificações do tipo “narrativo, discursivo, descritivo, informativo, crônica, propaganda, cordel, poemas, anedotas, etc.”, além de oscilações quanto aos modos de organização do discurso demonstraram a falta de clareza dos docentes em relação a esses conceitos. Em nossas reflexões, apoiamo-nos em teóricos como CUNHA (2005), MARCUSCHI (2005), AZEREDO (2006), PINILLA, COSTA e OLIVEIRA (2006), COROA (2008). Ao final do módulo percebemos que, embora tenhamos realizado um percurso significativo, as concepções docentes são dissonantes das perspectivas teóricas da atualidade, o que gera contradições entre o que se propõe nos currículos e a prática efetiva na sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: FORMAÇÃO CONTINUADA, GÊNEROS TEXTUAIS, LÍNGUA MATERNA

TÍTULO: CAPITU NARRADORA CONTEMPORÂNEA: REPRESENTAÇÕES DE CAPITU POR ELA MESMA.
AUTOR(ES): FABIANA DE PINHO
RESUMO: O narrador de Dom Casmurro, em leituras possíveis, deseja provar a culpa de sua esposa. Assim, desenha uma menina/mulher Capitu como adúltera em potencial, dissimulada e diabólica. De acordo com Mary Del Priore,‘Capitu foi descrita com todos os ingredientes de um diabo de saias’’. Essa descrição não foge às representações históricas nas quais as mulheres não só provocavam o mal, mas também seriam capazes de levar um homem à perdição. As representações femininas, construídas sob forte influência do patriarcalismo, estavam fortemente associadas à malignidade que precisaria ser domesticada, sobretudo pelo marido. A Capitu ambígua, vilã, vítima, uma discreta feminista antecessora do feminismo, com olhos de cigana oblíqua e dissimulada, inspirou autores do século seguinte a criar contos, romances, filmes e outras manifestações artísticas. Muitas delas foram criadas depois do advento do feminismo e da abordagem teórica de que feminilidades e masculinidades são construções históricas, portanto, variáveis. Pensando no avanço das discussões sobre a redefinição de papéis masculinos e femininos e tentativas, inclusive teóricas, de desnaturalização das hierarquias de poder, pretende-se com este trabalho investigar em textos - como os contos Dez Libras Esterlinas, de Nilto Maciel, e Capitu: para que saber, de Lya Luft, - que dialogam com Dom Casmurro e cuja narração é conduzida por Capitu, e não mais por Bento Santigo, se ocorreram mudanças na representação da principal personagem feminina de Machado de Assis. Bibliografia BOSI, Alfredo. Historia concisa da Literatura Brasileira. São Paulo,Cultrix. 2004. FERNANDES, Rinaldo. Capitu mandou flores. Sao Paulo, Geração editorial, 2008. SCHPREJER, Alberto.(org.).Quem e Capitu?.Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 2008. STEIN, Ingrid. Figuras femininas em Machado de Assis.Rio de Janeiro, Paz e Terra,1984.
PALAVRAS-CHAVE: DOM CASMURRO, MULHER E LITERATURA, LITERATURA E FEMINISMO
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 9
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: ENSINO DE TEXTOS ARGUMENTATIVOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA: CONTRIBUIÇÕES DA LINGUISTICA TEXTUAL
AUTOR(ES): FATIMA APARECIDA DE SOUZA MARUCI
RESUMO: A presente pesquisa objetiva contribuir com as práticas do Professor de Língua Portuguesa no que diz respeito à elaboração de procedimentos de ensino ancorados nas contribuições da Linguística Textual. Circunscreve seu campo investigativo ao estudo dos gêneros textuais, tratando especificamente do estudo de textos argumentativos, entendidos como objeto de ensino na Educação Básica, no âmbito do Ensino Médio. O referencial adotado alinha-se com a tendência sociocognitiva interacional, considerando que o texto é o lugar da interação social. Dessa perspectiva, investiga com quais procedimentos o professor de Língua Portuguesa pode abordar teórica e praticamente o ensino dos gêneros textuais possibilitando para os alunos do Ensino Médio a produção de textos argumentativos. Considerando que os estudos pertinentes à Linguística Textual são recentes e que os professores pareceriam desconhecer esses estudos, apoiando sua prática de ensino ainda na descrição de regras de funcionamento da língua, pretendemos com esta pesquisa: (a) investigar os aportes da Linguística Textual no ensino da produção de gêneros da tipologia argumentativa, (b) pesquisar as práticas do professor de Língua Portuguesa quanto aos procedimentos adotados para o ensino da produção de textos da referida tipologia, (c) elaborar uma proposta de procedimentos de ensino voltada para a produção desses textos. O desenvolvimento da pesquisa em pauta requer o levantamento e a sistematização do referencial teórico adotado (Koch; Marcuschi; Adam; Maingueneau; Dijk) que gravita em torno do aprofundamento teórico dos conceitos de Linguística Textual, sócio-interacionismo, gêneros textuais e textos argumentativos.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS TEXTUAIS, TIPOLOGIA TEXTUAL, LINGUÍSTICA TEXTUAL

TÍTULO: REBULIÇO NO CASAMENTO DO SAPO: A LITERATURA DE CORDEL NO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): FERNANDA CHAVES BEZERRA DE MOURA
RESUMO: A literatura de cordel, outrora marginalizada e afastada da escola, vem recentemente comparecendo em manuais didáticos e projetos escolares. Entretanto, o enfoque dado ao cordel nem sempre chama a atenção para o valor artístico e literário presente nos folhetos. Daí nossa preocupação em pensar uma metodologia de trabalho que privilegie o encontro significativo e lúdico do leitor em formação com esta vertente da poesia popular. Esta comunicação apresenta parte de nossa experiência de pesquisa no mestrado, na qual estudamos a recepção e o efeito estético causado pela leitura de sextilhas e folhetos, tendo bichos como personagens, em uma turma do 2° ciclo do Ensino Fundamental do município de Campina Grande. Um dos momentos da pesquisa consistiu em atividades de leitura oral do folheto “Gosto com desgosto“, do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros. A experiência culminou na realização de uma brincadeira dramática a partir da confecção de fantoches baseados na narrativa. Para a elaboração e análise da experiência, buscamos fundamento sobre formação do leitor, em Colomer (2007); sobre ensino de literatura, em Pinheiro (2001;2007;2008); e sobre a interação texto-leitor em Jouve (2002), entre outros. Uma das constatações às quais chegamos foi a de que os alunos atuaram como “colaboradores na busca do significado“ da obra trabalhada.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA DE CORDEL, LEITURA LITERÁRIA, ENSINO
TÍTULO: MANOEL DE BARROS: UMA LEITURA ESQUIVA DO TEXTO LITERÁRIO
AUTOR(ES): FLAVIO LOURENÇO PEIXOTO LIMA
RESUMO: Este estudo pretende demonstrar a leitura da imagem poética na obra de Manoel de Barros, centrando as reflexões no binômio homem/natureza, a partir dos jogos de sentido metonimicamente encerrados na linguagem. Através da superfície textual, procura-se vivenciar uma poética que diz do mundo pelo processo da intercomplementaridade. Isto é, ter-se-ia um espaço onde a imagem congrega diferentes saberes, dando a ver a sua particularidade de criação e arte, enquanto práticas pedagógicas vinculadas à construção da linguagem literária voltadas para os jovens leitores. Desse modo, assumimos uma postura teórica de que a realidade é mediada pela linguagem e, através dessa, adquirimos conhecimento e o comunicamos. Logo, tomamos esta nos planos metonímico e metafórico (com destaque ao primeiro plano), demonstrando que eles se intercomplementam operando jogos de sentidos. De sorte que a leitura do literário se pauta em uma atitude de e com a linguagem por parte do leitor. Para tal procedimento, nos sustentamos em um referencial teórico-conceitual-metodológico amparados em Gilles Deleuze, Karel Kosik, Octavio Paz, entre outros, enquanto abordagens que fazem da linguagem um espaço de substituição e de contiguidade na construção de trilhas para a leitura do texto de literatura, permitindo entender o ato do educador e do educando como um fazer referencial e artístico, não apenas como capaz de possibilitar um conhecimento que sensibilize e problematize o humano, mas que também possa estimular as investigações que tenham como cerne as interfaces entre a cultura escrita, a educação e as vivências do conhecimento empírico,
para, quiçá, tornar a vida mais habitável.
PALAVRAS-CHAVE: MANOEL DE BARROS, POESIA MODENA, LINGUAGEM

TÍTULO: ENSINO DE GÊNEROS TEXTUAIS EM SEQUÊNCIA DIDÁTICA: UMA EXPERIÊNCIA NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
AUTOR(ES): FRANCISCA EDUARDO PINHEIRO
RESUMO: A presente comunicação visa a mostrar o trabalho que vem sendo realizado com as turmas de Estágio Supervisionado II (de Ensino Médio) no Curso de Licenciatura Plena em Letras da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB em Campina Grande - PB, em que realizamos o estudo de diversos gêneros textuais à luz de teóricos como BAKHTIN, BRONCKART, SCHNEUWLI & DOLZ, MARCUSCHI,BEZERRA & DIONISIO, entre outros, que constam de uma bibliografia indicada para leitura e discussão durante o período de preparação para o estágio supervisionado em escolas conveniadas com a Universidade. Preparamos as sequências didáticas de acordo com o modelo de Scheneuwly & Dolz que orientam o estudo do gênero escolhido através da leitura detalhada desse gênero em vários autores e suportes, além do estudo de sua estrutura, construção e linguagem, levando-as aos alunos das Escolas Públicas de Ensino Médio de Campina Grande - PB. Em consequência dessas atividades de leitura e compreensão do texto proposto, realizadas em sala de aula, os alunos são conduzidos à produção de textos do gênero que acabaram de conhecer, ´fazendo, a seguir, reescritura em módulos seguidos e necessários, fazendo a análise linguística devida, através da metodologia da ação-reflexão-ação. O resultado que pretendemos obter é que os alunos, objeto de nossa pesquisa, tornem-se proficientes em leitura e escrita, saindo-se melhor em sua caminhada, rumo à vida acadêmica, profissional e de cidadão critico, bem como apurem o gosto pela leitura.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS TEXTUAIS, SEQUÊNCIA DIDÁTICA, ESTÁGIO SUPERVISIONADO
TÍTULO: CRÔNICA: ESTRATÉGIAS DE UM LEITOR ATIVO
AUTOR(ES): GEOVANA LOURENÇO DE CARVALHO
RESUMO: Este artigo, resultado das reflexões desenvolvidas no Grupo de pesquisa “Leitura e ensino” (UENP-FAFIJA/CNPq), tem por objetivo demonstrar algumas definições de leitura, compreendendo-a, sobretudo, como atividade múltipla que considera todos os recursos linguísticos, pragmáticos e contextuais que constituem um texto durante a atividade de processamento e de estratégias de leitura (SOLE, 1998) utilizadas por leitores que processam a leitura de forma eficaz e dinâmica, ou seja, fazem uso de variadas e diferentes habilidades e técnicas. É o uso de estratégias que possibilitam o leitor compreender, no sentido de apreender e construir, o sentido de um texto. Da mesma forma, quando a compreensão não acontece, também são as estratégias que permitem ao leitor identificar as falhas cometidas durante a leitura, para repará-las, uma vez que é preciso julgar conforme os objetivos determinados pelo leitor. É na compreensão que o leitor desempenha, além das atividades de interpretação, também a interação dessas com seus conhecimentos prévios. Isso ocorre por causa das experiências de leitura e da motivação, sendo que, ambas devem estar presentes no leitor. Na busca de cumprir nosso objetivo, utilizamos como objeto de análise o gênero crônica, uma vez que para leitura desse gênero é preciso que o leitor leve em conta algumas características específicas desse gênero, no caso, o aspecto humorístico, a linguagem descompromissada e a abordagem de temas do cotidiano das pessoas e de tabus sociais.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESTRATÉGIAS DE LEITURA, CRÔNICA

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 10
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: ENTREVISTA COLETIVA: A VISÃO DE MUNDO DE DRUMMOND PUBLICADA NAS PÁGINAS DE JORNAL
AUTOR(ES): GIOVANA CHIQUIM
RESUMO: Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores nomes da poesia moderna, destacou-se também na produção de crônicas durante 30 anos, no extinto Correio da Manhã e no Jornal do Brasil. Os cronistas levam para a imprensa assuntos variados sobre o cotidiano. É nesse pedaço de página que a notícia factual cede espaço para a literatura, para o relato de cenas prosaicas que habitam o dia-a-dia dos homens comuns. Os cronistas são credenciados para expressar sua opinião no jornalismo diário e Drummond apropriou-se desse privilégio para construir uma “janela para falar com o público” (ANDRADE, 1984, p. 197). Avesso ao assédio da imprensa, o escritor recebeu a alcunha de “urso polar” e dizia que o que tinha de manifestar estava nos seus escritos. Ele utilizava os jornais e revistas para se comunicar com seus leitores e suas colunas podem ser encaradas como uma espécie de “entrevista coletiva”, que desvenda a visão de mundo de Drummond. No decorrer desse trabalho, através da análise de textos drummondianos, iremos apresentar a crônica – considerada um gênero menor por conta de sua leveza, como uma forma de “literatura engajada”, capaz de debater os acontecimentos contemporâneos e despertar o leitor para a reflexão de diversas questões que permeiam a modernidade.
PALAVRAS-CHAVE: TRÁGICO, GUIMARÃES ROSA, ARISTÓTELES

TÍTULO: UM ESTUDO DA ARGUMENTAÇÃO EM TEXTOS DE ALUNOS DA 5ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): GLAUBIA MARIA MARTINS DA SILVA
RESUMO: Cabe à escola, como lugar privilegiado de apropriação e desenvolvimento da escrita, auxiliar o aluno no processo de apropriação da escrita argumentativa por meio dos mecanismos próprios da língua, os operadores argumentativos. Os Parâmetros Curriculares Nacional: Língua Portuguesa enfatizam a importância de se considerar tanto as situações de produção e de circulação dos textos como a significação que nelas é forjada. A partir dessa proposta teórica, convoca-se a noção de gêneros textuais como um instrumento melhor que o conceito de “redação” para favorecer o ensino de produção de textos escritos. De acordo com essa proposta teórica, o aluno-aprendiz precisa coordenar uma série de aspectos: o que dizer, a quem dizer, como dizer para produzir um texto que dê conta de uma determinada função comunicativa. Assim, neste trabalho, concebe-se o ensino da escrita (produção textual)argumentativa como unidade de trabalho e suporte de aprendizagem do funcionamento da língua. Essa perspectiva desloca o ensino-aprendizagem de língua materna: de um ensino normativo, que prioriza a análise da língua escrita, para um ensino sócio-interacionista, em que os usos da língua escrita (modo de produção, suporte de circulação, público alvo), são também valorizados. Nesse sentido, a comunicação tem por objetivo discutir alguns procedimentos que podem ser adotados pelos professores do ensino fundamental, no sentido de desenvolver um trabalho com a escrita a partir do trabalho com gêneros textuais e os operadores argumentativos em sala de aula, o que vem ao encontro da proposta dos PCNLP.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS TEXTUAIS , PRODUÇÃO TEXTUAL, OPERADORES ARGUMENTATIVOS
TÍTULO: ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA NA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA.
AUTOR(ES): HAIDÊ SILVA
RESUMO: Magda Soares, no artigo intitulado “Português na escola: História de uma disciplina curricular”, afirma que o ensino de Língua Portuguesa no Brasil tem se limitado ao ensino de gramática e especificamente, ao ensino de gramática de uma única modalidade da Língua Portuguesa. No que diz respeito ao ensino de literatura, Aracy Alves Martins Evangelista e outros autores, em A Escolarização da leitura literária, analisam o processo de escolarização da leitura literária e discutem o material oferecido pelos livros e manuais didáticos, para concluir que da forma como estão estruturados atualmente, eles não contribuem para o ensino de língua ou de literatura, uma vez que apresentam textos fragmentados e exercícios que utilizam o texto literário para o ensino de gramática e que, portanto, não incentivam a leitura do texto literário em si. Nesse contexto, o objetivo do presente trabalho é discutir como tem sido o ensino de língua e literatura em nossas escolas, a partir das afirmações das autoras mencionadas acima e de outros autores que atualmente tem se dedicado a pesquisas e discussões a respeito do ensino de língua e literatura, para que possamos reunir as suas propostas e apresentar sugestões que contribuam para a formação dos professores e influenciem em suas atuações na sala de aula, no que diz respeito ao desenvolvimento de projetos de metodologias de ensino capazes de romper com a tradição que burocratizou o ensino de língua e literatura na Educação Básica brasileira e não contribui de fato, para a formação dos alunos. Como forma de contribuição, pretendemos apresentar um projeto de ensino interdisciplinar, colocado em prática neste primeiro semestre na Escola Estadual em que trabalhamos, na periferia da cidade de Embu das Artes e que, apesar de provocar polêmicas, também tem apresentado resultados positivos e, por esse motivo, acreditamos que precisa ser exposto e socializado.
PALAVRAS-CHAVE: LÍNGUA, LITERATURA, ENSINO

TÍTULO: EFEITOS DA RELAÇÃO ENTRE SABER E PODER NA CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO LEITOR
AUTOR(ES): ILSE LEONE BORGES CHAVES DE OLIVEIRA, KÁTIA MENEZES DE SOUSA
RESUMO: Este trabalho compõe a pesquisa “Memória de leitores: uma história construída na trama dos discursos”, que se desenvolve no Programa de Pós-Graduação em estudos Linguísticos e Literários, em nível de doutorado, na faculdade de Letras da UFG. Compreendendo a leitura escolar como um tecido de discursos, propomo-nos investigar a constituição do sujeito leitor a partir de narrativas escritas, de caráter memorialístico, produzidas por alunos do 1º ano do Ensino Médio. Para proceder a essa investigação, problematizamos os efeitos da relação entre saber e poder, conforme Foucault (1979) e alguns de seus comentadores (Machado, 1979; Gore, 1994; Fonseca, 2003; Paniago, 2005; Gallo, 2006; Veiga-Neto, 2006), na constituição do sujeito leitor. Discutimos alguns aspectos da objetivação do sujeito empreendida por meio dos mecanismos disciplinares da escola e da sua subjetivação por meio de práticas discursivas e não discursivas que entretecem a leitura nos contextos escolar e extra-escolar. As narrativas caracterizam-se por serem exercícios de construção de memórias (Bosi, 2003; Halbwachs, 1990), em que os próprios alunos traçam suas trajetórias de leitores e, portanto, possibilitam que se investigue como, sob os efeitos simultâneos tanto da dispersão discursiva que configura a leitura quanto da relação entre saber e poder, esses alunos se representam leitores.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, SABER, PODER

TÍTULO: (IN)CERTOS DISCURSOS SOBRE A LEITURA LITERÁRIA
AUTOR(ES): INARA RIBEIRO GOMES
RESUMO: Neste trabalho, a constatação da progressiva perda de espaço que, notoriamente, a literatura vem sofrendo na escola nos leva ao exame de certos discursos que versam sobre o papel da leitura literária na formação do leitor. Tomando como referência um domínio em que os discursos parecem afirmar em uníssono a importância da educação literária no contexto escolar, mesmo que muitas vezes de modo remoto e pouco incisivo, queremos colocar algumas questões cujos desdobramentos possam evidenciar certas ambiguidades e desacordos nem sempre assumidos: Qual é o verdadeiro espaço reservado para a formação literária nos documentos oficiais que lançam diretrizes, parâmetros e orientações para o Ensino Básico? Que descompassos verificam-se entre esses discursos e os que se apresentam em projetos e programas de promoção de leitura? Que formas eles assumem no discurso acadêmico? Esses desencontros, que refletem a crise da literatura como instituição, fazem com que seu lugar na leitura escolarizada seja frequentemente tratado de modo dúbio, conforme podemos averiguar nos parâmetros curriculares nacionais, onde a menção à “especificidade do texto literário” não o faz merecedor de um tratamento didático distinto do de outros gêneros textuais. Nos últimos anos, a revisão crítica do ensino da literatura e as teorias culturais que deslegitimam o cânone, afetando tanto o “como ensinar“ quanto “o que ensinar“, contribuíram para que a literatura se tornasse uma presença quase incômoda na escola, que não sabe bem o que fazer com ela.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, ENSINO DE LITERATURA, FORMAÇÃO DO LEITOR

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 11
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: (DES)GOSTO PELA LEITURA: UM COMPARATIVO ENTRE OS ANOS INICIAIS E FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): JANESCA IVANETE KUNTZER STRUECKER
RESUMO: O hábito de leitura necessita de incentivos por parte da família, da escola e, principalmente, dos próprios leitores. Constata-se que são inúmeras as possíveis causas que provocam o (des)gosto pela leitura. Teóricos da área da psicolinguística enfatizam a necessidade de um trabalho voltado à formação do gosto e do hábito pela leitura e recriminam as práticas das aulas de Língua Portuguesa preocupadas com os horários e com avaliações quantitativas dos conteúdos. Não se formam leitores a partir da leitura obrigatória de livros ou de outros gêneros textuais, nem com atividades sem objetivos claros. A leitura deve ser produzida pelo aluno-leitor e o papel do professor é de ser o mediador entre os materiais de leitura e o aluno, possibilitando uma integração construtiva, instaurando objetivos que norteiem a ação do leitor. O professor precisa fornecer estratégias específicas de leitura, fazendo predições, perguntas, comentários, reconhecendo que cada leitor possui características próprias, vinculadas à sua história de leitura. A história de leitura deveria começar na família, mas, infelizmente, em muitos casos, se restringe às salas de aula. E, nas salas de aula, a atenção dispensada à sua formação é mínima. Constatou-se através da pesquisa de campo realizada, que nas séries iniciais essa prática está mais voltada ao aluno, para que ele forme seu gosto e, consequentemente, o hábito de ler. Porém, nos anos finais, as práticas de leitura se tornam secundárias, dando lugar à leitura mecânica. O ensino e a prática de leitura precisam ser repensados. O hábito de leitura é desenvolvido ativando-se os conhecimentos anteriores do leitor, instaurando um processo de produção de sentidos que extrapolem as palavras do texto, fomentando assim, uma leitura que abra caminhos para o leitor ser agente de si mesmo.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRÁTICA, HÁBITO

TÍTULO: COMO ENSINAR LÍNGUA E LITERATURA NA EDUCAÇÃO BÁSICA?
AUTOR(ES): JILVANIA LIMA DOS SANTOS BAZZO
RESUMO: Tomando-se a experimentação, o aluno como agente da ação e a construção solidária do conhecimento como princípios formativos para o fazer aprender a língua portuguesa, pretende-se compartilhar os resultados dos estudos que vêm sendo desenvolvidos nas disciplinas Linguística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa e Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa, no curso de Letras do Centro Universitário Jorge Amado – UNIJORGE. Parte-se do questionamento em torno da função primordial do professor de língua portuguesa, verificando-se a primazia de um ensino focado na leitura e na escrita e reescrita de textos, por acreditar que esse processo possibilita o aprendizado dos recursos linguísticos disponíveis e capazes de promover a integração, socialização, interação e comunicação humana, tanto do ponto de vista oral quanto escrito, nas dimensões social, política, emocional e cognitiva. O desafio posto, então, constitui-se em responder o seguinte: “O que ler em sala de aula? Como ler em sala de aula?” A solução para a primeira problemática encontrou acento na perspectiva do ensino imbricado entre língua e literatura, seus gêneros e subgêneros, sem prioridade de um, por exemplo, romance, sobre outro, por exemplo, poesia. Quanto à segunda questão, eis a árdua tarefa: pensar em proposições que, mesmo sendo provisórias e precárias, possam favorecer o desenvolvimento da competência do saber fazer-se professor de língua portuguesa. Portanto, apresentam-se os trabalhos realizados pelos estagiários nas escolas da rede pública da cidade de Salvador, visando contribuir com as pesquisas na área do ensino de língua e literatura.
PALAVRAS-CHAVE: DIDÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, ENSINO E APRENDIZAGEM, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

TÍTULO: GÊNEROS DO DISCURSO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: ENTRE O DISCURSO OFICIAL E OS SABERES DOCENTES
AUTOR(ES): JOSIANE DE SOUZA SOARES, EDITH IONE DOS SANTOS FRIGOTTO
RESUMO: Este trabalho situa-se no campo de debate sobre gêneros discursivos e ensino de língua materna; temática que ganhou fôlego no Brasil há mais ou menos uma década, a partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. Trata-se de uma pesquisa em andamento, que tem como objetivo compreender os sentidos que os professores de língua materna atribuem às novas exigências para o ensino de Língua Portuguesa; considerando, principalmente, as formas pelas quais os docentes constroem e organizam os seus saberes sobre os gêneros discursivos, pressupostos pelo documento de Reorientação Curricular da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, reapresentados às escolas no ano de 2005. Tal documento, seguindo a tendência dos PCNs, elege os gêneros do discurso como objeto de ensino e aprendizagem e o texto como unidade para o trabalho didático-pedagógico. Para entender os modos pelos quais os saberes docentes se constituem, buscamos um diálogo com Maurice Tardif (2007), que evidencia a pluralidade dos saberes docentes e caracteriza a prática como um espaço de construção de conhecimentos que lhes são próprios. Assumindo, ainda, uma concepção enunciativa de linguagem, um enfoque dos gêneros discursivos a partir de seu caráter dinâmico e historio, e uma perspectiva dialógica para a pesquisa em Ciências Humanas; temos nos estudos de Mikhail Bakhtin os pressupostos teóricos e metodológicos que orientam esta investigação.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS DISCURSIVOS, ENSINO, SABERES DOCENTES
TÍTULO: ENTRE A LINGUÍSTICA E A LITERATURA: LETRAMENTO LITERÁRIO
AUTOR(ES): JULIANA CARLI MOREIRA DE ANDRADE
RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo discutir alguns conceitos de uma determinada área da línguistica intitulada New Literacy Studies ou Novos Estudos do Letramento e alguns conceitos de uma determinada área dos estudos literários intitulada Abordagem Sociológica da Literatura. Tal discussão pretende apresentar os aspectos da literatura e da linguística que permeiam a construção do conceito de Letramento Literário. Os principais autores, nos quais se baseia esse trabalho são: Escarpit (1969,1974), Kleiman (1995) e Street (2003,2006). No campo dos estudos linguísticos os conceitos discutidos são: Modelo Autônomo de Letramento, Modelo Ideológico de Letramento, Eventos de Letramento, Práticas de Letramento e Orientações de Letramento. No campo dos estudos literários são discutidos: Conceito de Literatura, Leitura Literária e Literatura Como Fato Social. Esse trabalho justifica-se pelo fato de que a aplicação do termo letramento e de seu conceito aos estudos literários é algo ainda muito novo e que, portanto, exige compreensão e sistematização. Como método foi utilizada a pesquisa bibliográfica que consiste na leitura, análise e interpretação de livros periódicos e textos legais publicados por meio impresso ou digital. Portanto, foram feitas leituras e resenhas de textos científicos sobre pesquisas realizadas na área de Letramento, Literatura e Letramento literário, bem como de textos teóricos a cerca do mesmo assunto.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, LITERATURA , LETRAMENTO LITERÁRIO

TÍTULO: ATIVIDADES DE RETEXTUALIZAÇÃO: UM PROCESSO DE CONSCIENTIZAÇÃO DAS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA
AUTOR(ES): JULIANA PEREIRA SOUTO BARRETO
RESUMO: A língua como atividade sociointerativa assume um lugar central e acaba com mitos a respeito da oralidade na sua relação com a escrita. A aplicabilidade das operações de retextualização permite que os usuários da língua cheguem à percepção de como os textos falados e os escritos se constituem. Este trabalho tem o objetivo de focalizar os processos de retextualização, evidenciando que fala e escrita são duas modalidades de um mesmo sistema linguístico, esclarecendo que o aprendizado das operações de transformação do texto falado para o escrito garante melhor domínio da produção escrita. O corpus trata de uma apresentação de um fenômeno físico, como placas e letreiros, justamente para demonstrar o modo como é utilizada a fala na comunicação, quais as marcas dessa oralidade, os recursos usados por estes falantes e como é o processo de transformação do texto oral para o escrito. Para o desenvolvimento deste artigo alguns livros foram usados como referência sobre Oralidade e Escrita (Marcuschi; Favero), Letramento (Soares), Ensino (Bechara), Linguagem (Koch), entre outros. Os quais serviram de suporte para os apontamentos. Sugere-se que a relação entre fala e escrita seja uma questão mais e melhor trabalhada em sala de aula, bem como por todo e qualquer usuário da língua, mostrando a necessidade da produção de atividades que possam ser aplicadas na prática, visando ao texto falado e ao que o diferencia do texto escrito através de práticas de oralidade e escrita de forma integrada, a fim de ressaltar que os processos de retextualização se utilizam dos conhecimentos prévios da língua para o aprimoramento do texto. Em suma, objetiva-se com esse artigo propor a necessidade de construção de um modelo que serve de base para analisar o grau de consciências dos usuários da língua a respeito das diferenças entre fala e escrita observando a própria atividade de transformação.
PALAVRAS-CHAVE: RETEXTUALIZAÇÃO, LÍNGUA FALADA, LÍNGUA ESCRITA

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 12
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: “BONITINHO É UM FEIO ARRUMADO”: QUESTÕES DISCURSIVAS PARA O APRENDIZADO DE PORTUGUÊS POR FALANTES DE ESPANHOL
AUTOR(ES): JULIANA PERES ARAUJO RIZZI
RESUMO: O presente trabalho faz a análise – ancorada à teoria da Análise de discurso materialista – de um dado, obtido em observações de aulas de português para dois falantes de espanhol em contexto de imersão. O dado se refere a uma dificuldade do aluno com o uso da forma do diminutivo em Língua Portuguesa. Ele questiona por que algumas garotas não gostaram quando ele as chamou de ‘bonitinhas’ e a professora responde utilizando um discurso anterior: “bonitinho é um feio arrumado”. Questiona-se, então, que a aparente semelhança entre as línguas portuguesa e espanhola gera dificuldades não só nos níveis já tratados por trabalhos da área específica de português para falantes de espanhol – como as dificuldades fonológicas, morfossintáticas e lexicais – mas também no que se refere ao discurso. Os dados mostram que a aprendizagem de um idioma não se dá apenas pelo entendimento da estrutura da língua, pois esta está sempre relacionada à história. Assim, um estrangeiro que vivencia o cotidiano de outro país precisa aprender a lidar também com os discursos, que estão sempre sendo relacionados a discursos anteriores e apontando para discursos futuros. Discuti-se também uma suposição a respeito de o diminutivo aparecer em discursos atenuadores, isto é, dizer que alguém é ‘bonitinho’, por exemplo, seria uma forma de preservar sua face, atenuando o dizer ao evitar a palavra ‘feio’. Para sustentar a análise e suposição são explorados dados de gramáticas de Língua Portuguesa, de livros didáticos de português para estrangeiros e uma entrevista do programa de televisão “CQC” da Rede Bandeirantes. Por fim, é feita uma pequena discussão a respeito das possibilidades que o contexto de imersão apresenta no que se refere à entrada do sujeito na língua em questão por sua estrutura e história e à infinidade de questões de ordem discursiva que lhe são colocadas.
PALAVRAS-CHAVE: ANÁLISE DE DISCURSO , PORTUGUÊS PARA FALANTES DE ESPANHOL, DIFICULDADES

TÍTULO: O ENSINO DE LITERATURA NO ENSINO MÉDIO: UMA TENTATIVA DE ALIAR O CONHECIMENTO AO PRAZER DA LEITURA.
AUTOR(ES): JULIANA SYLVESTRE DA SILVA CESILA
RESUMO: O desafio do professor de colocar o aluno em contato com a leitura é ainda maior quando se trata da disciplina Literatura na escola. O professor, nesse caso, vê-se na incumbência de tentar despertar no jovem o gosto pelos livros e, ao mesmo tempo, cumprir um conteúdo programático pré-estabelecido para cada série do ensino médio, contendo uma série de autores, escolas literárias e detalhes históricos que, de tão distantes da realidade do aluno, podem torná-lo avesso aos estudos de historiografia literária e, consequentemente, afastá-lo do universo da leitura. No caso do primeiro ano do ensino médio esse problema mostra-se de modo mais evidente, uma vez que a periodização literária a ser estudada vai do século VIII a.C. (com introdução ao gênero épico clássico), passando pelo início da literatura portuguesa (século XII e as cantigas trovadorescas), à poesia clássica de Camões, aos sermões de Antonio Vieira e chegando até o século XVIII com o Arcadismo. A questão é: como trabalhar esses conteúdos aliando conhecimento histórico-literário ao prazer da leitura? Como tornar Gil Vicente e suas peças tão espirituosas algo agradável e interessante para os jovens do século XXI? Como seduzir o aluno com a beleza da épica de Luís de Camões e de seus sonetos de amor? Essa comunicação pretende colocar em discussão algumas ideias que podem ser trabalhadas em sala de aula, de modo a aproximar o aluno do universo literário, sem comprometer o programa obrigatório e sem tornar a literatura algo tão distante e frio como se fizesse parte apenas dos livros didáticos e não da natureza humana.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO MÉDIO, LITERATURA, LEITURA

TÍTULO: MESURAS FRAUDULENTAS: A ARTE DE UNIR LÉ COM CRÉ
AUTOR(ES): LEANDRO ROGÉRIO AMICI
RESUMO: O presente artigo tem como temas centrais as discussões sobre o processo de leitura na sala de aula do professor de Língua Portuguesa e sua complexa dialética com o fazer docente. Demilitar-se-á à ocorrência da contrastação de práticas educacionais limitadoras e desejadas, em um corpus de ações leitoras e pedagógicas. Haja vista que a teoria e a prática caminham juntas, estão intrinsecamente ligadas e caracterizam-se pela tríade ação/reflexão/ação (FREIRE, 1986), esta que possui extrema importância na formação do professor. Os elementos teoria e prática configuram, na formação docente, um ponto fulcral para o desenvolvimento da capacidade de reflexão acerca da prática pedagógica, imprescindível a qualquer educador. E diante da observância de uma grandiosa linearidade no tocante ao trabalho com os textos literários, ou seja, por notar que os estudos de obras relevantes da literatura evoluem no ambiente escolar, em sua maioria, dentro de um padrão estanque e linear, que não possibilita a leitura do texto em sua completude facetária, propõe-se o presente artigo, para que, de certa forma, se possa responder por meio de discussões fecundas, mesmo que não a todas, mas a uma pequena parcela dessas dúvidas que habitam nosso imaginário. Partindo, sempre, do pressuposto de que o ato de leitura envolve um processo de significação e instrução para o conhecimento, buscar-se-á testar essa ocorrência na análise do corpus. Para tanto, o apoio teórico básico do artigo será os trabalhos de Michelleti (2001), Coelho (2001), Geraldi (1997), Lajolo (1985), dentre outros autores relevantes nessa área de diligências.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, SIGNIFICAÇÃO, INSTRUÇÃO

TÍTULO: DA LEITURA DA IMAGEM FICCIONAL À LEITURA DE IMAGENS DO COTIDIANO
AUTOR(ES): LEDA QUEIROZ DE PAULA
RESUMO: Relato de experiência de trabalho interdisciplinar, envolvendo as disciplinas Português, História, Filosofia e Inglês diretamente, com a colaboração de Artes, Física e Biologia, feito com alunos da 1ª e 3ª séries do ensino médio de uma escola pública, a partir da análise do documentário “Nós que aqui estamos por vós esperamos“, com objetivo inicial de trabalhar a leitura da linguagem fílmica e estudo de gênero presente no filme(biografias). A partir da leitura crítica da imagem verbal e não-verbal, propor reflexão sobre o papel da memória na constituição da subjetividade e da cidadania, e levar à identificação dos efeitos da Revolução Industrial na realidade dos alunos, a fim de prepará-los para uma intervenção social de forma crítica (trabalho de pesquisa de campo nos bairros dos alunos) a partir da consciência da responsabilidade pessoal para um compromisso social. O trabalho apresentou-se como apropriado dada a necessidade de um despertar da passividade para uma atuação consciente e crítica na realidade, por meio do conhecimento e domínio de práticas sociais adequadas. Faremos a apresentação dos principais passos seguidos na realização do trabalho e resultados obtidos até o momento, tendo Hobsbawm para auxiliar nas reflexões sobre o “breve século 20“; Vieira, Josenia A., para a leitura do texto multimodal e Nidelcoff, Maria Teresa, como suporte para a compreensão da realidade e propostas de intervenção no meio social.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA E IMAGEM, MEMÓRIA E (AUTO)BIOGRAFIA , DOCUMENTÁRIO

TÍTULO: A LÍNGUA PORTUGUESA NOS CURRÍCULOS: BREVE TRAJETÓRIA DAS PROPOSTAS CURRICULARES DE PERNAMBUCO DOS SÉCULOS XIX E XX.
AUTOR(ES): LEILA BRITTO DE AMORIM
RESUMO: As concepções de linguagem, língua e de ensino e aprendizagem da prática escolar estão intrinsecamente vinculadas ao seu contexto histórico e ideológico. Nesse sentido, observar as propostas curriculares, em seu processo de produção, pode nos oferecer indícios de como o ensino de Língua Portuguesa estava sendo concebido nos séculos XIX e XX nos currículos de língua materna. Em outros termos, verificar os embasamentos teóricos, os objetivos, conteúdos abordados nos diversos textos prefigurativos podem nos indicar se o foco para o ensino de português, em seus vários eixos, estava subsidiado numa concepção de linguagem como expressão do pensamento, comunicação ou interação. Nesse sentido, este estudo procurou investigar o lugar da língua portuguesa nas propostas curriculares de Pernambuco nos séculos XIX e XX. A metodologia empregada neste trabalho consistiu na análise de conteúdo e documental (Bardin, 2007), uma vez que a preocupação central foi o de interpretar os significados expressos nos documentos oficiais, ultrapassando uma simples compreensão do real para uma sistematização mais complexa dos dados apresentados. Os resultados evidenciaram que, apesar das propostas curriculares de Pernambuco passarem por mudanças em seus princípios teóricos e metodológicos ao longo do tempo, a maioria delas concebia a linguagem como expressão de pensamento e, consequentemente, o trabalho com a língua materna estava voltado para a decifração de palavras, frases ou textos e a priorização da arte do bem escrever.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LINGUA PORTUGUESA, CURRÍCULO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 13
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: PROJETOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: DO PLANEJAMENTO À AÇÃO.
AUTOR(ES): LETICIA VICENTE PINTO TEIXEIRA
RESUMO: É sabido o quanto é grande o esforço das escolas em ensinar a leitura e escrita aos seus alunos, porém esse não é um trabalho que vem sendo realizado com sucesso: cada ano que passa é crescente o número de alunos que saem dos anos iniciais do ensino fundamental sem saber ler e escrever. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais o não aprendizado da língua é fator preponderante para o fracasso escolar no ensino fundamental. Tomando essas afirmações, entendemos que o ensino por projeto é uma alternativa didática para superar esses obstáculos no aprendizado da língua, uma vez que o aluno envolve-se diretamente na construção do conhecimento. Diante disso, esta pesquisa objetiva investigar quais os projetos que são desenvolvidos pelas escolas - da Rede Municipal de Ensino do município de Jataí – Goiás - que visem ao ensino da Língua Portuguesa; quais as temáticas predominantes nesses projetos; como se estruturam os projetos no que se refere a: diagnóstico, justificativa, conteúdos, metodologia de ensino e resultados pretendidos; qual a influência dos PCN e das orientações da Secretaria Municipal da Educação para o ensino de língua portuguesa nesses projetos. Para tanto, tem sido realizada uma análise desses documentos baseada nas categorias enumeradas (temáticas, estrutura de apresentação escrita, diagnóstico, justificativa, conteúdos, metodologias e resultados esperados). A pesquisa encontra-se em desenvolvimento, todavia é possível adiantar como resultado preliminar a dificuldade de acesso aos projetos desenvolvidos pelas escolas, uma vez que muitas afirmam desenvolverem esse tipo de metodologia, mas não apresentam o registro documental. Após a conclusão da análise desse material espera-se ser possível socializar esse diagnóstico e reflexões acerca da situação na qual se encontra o trabalho com projetos (especialmente em ensino de língua portuguesa) nas escolas em Jataí, contribuindo para a qualidade do ensino-aprendizagem da língua materna para os alunos dessas escolas.
PALAVRAS-CHAVE: PROJETOS DE ENSINO, LÍNGUA PORTUGUESA, LETITURA E ESCRITA

TÍTULO: O TRABALHO DOS PROFESSORES COM LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAIS NA PERSPECTIVA DOS GÊNEROS DISCURSIVOS O TRABALHO DOS PROFESSORES COM LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAIS NA PERSPECTIVA DOS GÊNEROS DI
AUTOR(ES): LETÍCIA RAMALHO BRITTES
RESUMO: Por muito tempo, tem-se pensado a leitura de textos literários em aula como atividade mecânica, cujo procedimento tradicional tem sido: leitura silenciosa, leitura oral, respostas a perguntas sobre o conteúdo do texto. Refletindo sobre esta forma de leitura de textos literários com um grupo de professoras, chegamos à percepção da necessária alteração desta rotina, de forma que, efetivamente, produza-se leitura em sala de aula. As professoras, com referência a esta questão, inicialmente pareciam sentir-se conformadas. Em seu processo de constituição para a docência não há uma reflexão mais profunda e elas continuam a repetir os mesmos procedimentos de leitura há muito tempo formalizados e rotineiros na escola. Acreditamos ser preciso, portanto, rever as concepções que orientam essas práticas para, então, poder desvelá-las. Do trabalho realizado sob a forma de entrevistas, observações e participação em grupos de interlocução, foram elaboradas, pelo grupo, renovadas maneiras de entendimento da leitura a partir do trabalho com gêneros textuais. Para isso, inicialmente apresentamos uma breve discussão sobre gêneros textuais a fim de propormos sugestões de atividades de leitura através da análise textual nesta perspectiva. Com base na pesquisa realizada, concluímos que o trabalho com a leitura através dos gêneros discursivos torna-se mais significativo no que diz respeito aos processos de interpretação textual, proporcionando assim, o exercício da reflexão crítica dos estudantes enquanto sujeitos produtores do conhecimento durante as atividades de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL, GÊNEROS DISCURSIVOS

TÍTULO: SENSIBILIZAR É PRECISO:O CAMINHO PODE SER A POESIA
AUTOR(ES): LILIAN KOLLER
RESUMO: A despeito das muitas interrogações relacionadas às dificuldades de leitura apresentadas pelos alunos, esse trabalho apontou um dos caminhos para envolver os estudantes com a leitura. Optou-se por levar os jovens a vivenciá-la através de textos poéticos. O artigo apresenta os resultados alcançados com o ensino da poesia junto aos adolescentes do Ensino Médio do Colégio Estadual Antonio e Marcos Cavanis no ano de 2008 - Estabelecimento pertencente à Rede Estadual de Ensino da cidade de Castro, Paraná. Além disso, o presente trabalho sugere estratégias de leitura de poesia diferenciadas e mais producentes, como as que aproximam o leitor do texto. Estabeleceu-se comunicação entre textos poéticos, música, dramatização e imagens, pois estas constituem linguagens artísticas que possuem uma relação muito próxima com a poesia e atraem o interesse do adolescente. O referencial teórico que sustentou a discussão compreende bibliografia referente a estudos sobre estratégias de leitura e humanização do conhecimento conforme apresentam Adorno (2003), Aguiar (1998), Assman (2004), Averbuck (1998), Chiappini (2001), Gebara (2001), Mermelstein (2007), Micheletti (2001), Saveli (2007), Solé (1998), Tezza (2003) e Werneck (1999). Entre as descobertas feitas, está a de que os estudantes não se mostram tão arredios à leitura do texto poético. Os resultados ressaltam ainda a importância da figura do mediador para a construção do conhecimento do aluno. O ensino da poesia junto aos adolescentes do Ensino Médio apresentou-se como uma importante estratégia para o desbloqueio da escrita criativa e para a formação do leitor.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA., PRÁTICAS DE LEITURA., TEXTOS POÉTICOS.

TÍTULO: AVALIAÇÃO FORMATIVA EM LÍNGUA PORTUGUESA – ALGUMAS POSSIBILIDADES DE TRABALHO EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): LÍVIA SUASSUNA
RESUMO: Neste trabalho, partindo de uma concepção discursiva de linguagem, exporemos alguns princípios norteadores da avaliação da aprendizagem da Língua Portuguesa. Para tanto, baseamo-nos nos trabalhos de Garcez (1998), Ruiz (2001) e Evangelista et al. (1998). Em seguida, será feita a análise de dados: discutiremos alguns exemplos de produções escritas de alunos, por meio dos quais pretendemos, numa abordagem qualitativa-interpretativa, demonstrar o caráter produtivo do erro (André, 1978, 1982, 1983). Os dados foram gerados numa situação de avaliação de rede escolar na cidade de Recife (PE), promovida pelo Núcleo de Avaliação e Pesquisa Educacional da UFPE. Avaliou-se a quinta série do ensino fundamental por meio de um instrumento que continha 21 questões, sendo a última de produção textual. A análise seguirá uma sequência que consiste em apresentar a atividade de escrita que havia sido proposta aos alunos, os seus desempenhos, os problemas linguísticos e/ou discursivos de suas produções textuais e, finalmente, alternativas de mediação didático-pedagógica para o tratamento desses problemas em sala de aula (Geraldi, 1991, 1996, 1997). Na conclusão, concordando com Hadji (1994, 2001) e Perrenoud (1999), reiteramos que o erro tem, de fato, uma dimensão positiva, na medida em que indica, ao mesmo tempo, necessidades de aprendizagem do discente e possibilidades de ação didático-pedagógica do professor.
PALAVRAS-CHAVE: PORTUGUÊS - ENSINO, AVALIAÇÃO, PRODUÇÃO TEXTUAL - AVALIAÇÃO
TÍTULO: A PROGRESSÃO REFERENCIAL - MARCAS DO PROCESSO COGNITIVO NO ARTIGO DE OPINIÃO
AUTOR(ES): LUCIENE EUZÉBIO DE CARVALHO
RESUMO: Este trabalho constitui um quadro teórico metodológico com base nas Linguísticas Textual e Cognitiva, na Análise do Discurso e na Lexicologia para apontar os aspectos que se sobressaem nas estratégias discursivas da progressão referencial constituídas a partir da (re)construção, modificação ou expansão do objeto de discurso à medida em que o mesmo progride. Destaca-se o processo de referenciação envolvido na discursivização do gênero artigo de opinião no qual se observa a produção de efeitos de sentidos propiciados pela seleção do léxico. Essa seleção estabelece relações entre a referenciação e os processos mentais em que atuam os interactantes acerca do processamento do discurso orientado pelas proposições que explicitam os marcos das cognições sociais. Dessa forma, entende-se que apenas os velhos ensinamentos concernentes ao aprimoramento dos conhecimentos gramaticais da língua não dão conta da complexidade envolvida no processamento do texto. Assim, os conhecimentos linguísticos são inerentes ao processo, uma vez que trata do ensino de língua e esta está estruturada no código. Leva-se em consideração não só as características linguísticas, como também as características textuais que incorporam noções de estratégias discursivas e conjecturas que abarcam o uso da língua em diferentes situações sociais, ressaltando, ainda, os aspectos cognitivos, pragmáticos, interacionais, culturais e ideológicos.
PALAVRAS-CHAVE: REFERENCIAÇÃO, COGNIÇÃO, LÉXICO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 14
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: A LINGUAGEM DO ALUNO DO CAMPO E A CULTURA ESCOLAR: UM ESTUDO SOBRE A CULTURA E O CAMPESINATO NA ESCOLA BÁSICA
AUTOR(ES): LUCIENE PERINI
RESUMO: Este estudo aborda o processo ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa num espaço onde se encontram alunos (as) do meio campesino. Insere-se na linha de pesquisa educação e linguagens, do programa de Pós-Graduação em Educação, da UFES. Parte da problemática verificada na construção de projetos de ensino em escola que recebe filhos do campo, especialmente no que se refere à importância de se levar em conta o contexto produtivo, a cultura e a linguagem. Aborda aspectos da história da educação, da educação do campo e da cultura, direcionando-se às questões relacionadas às diversas linguagens que chegam à escola; foca em especial o texto no ensino da língua materna. Recorre ao referencial teórico de Paulo Freire, Vigotsky, Bakhtin, Geraldi e Bagno para construir as bases da reflexão e da análise da realidade. Investiga uma classe de alunos da 5ª série, de uma escola de Ensino Fundamental em Santa Teresa/Es. Realiza entrevistas, discussões com grupos focais, observação em sala de aula e atividades intervencionistas, junto aos professores de Língua Portuguesa e também junto aos alunos, discutindo idéias e produzindo textos. Constatou que o conhecimento de mundo do (a) aluno (a) e suas circunstâncias históricas constituem o contexto do discurso que ele produzirá. Destaca a escola como um lugar de cruzamento de culturas e ter uma nova postura perante as culturas que se entrelaçam no espaço escolar, reconhecendo diferentes sujeitos socioculturais presentes em seu meio. Defende que a escola, que recebe o (a) filho (a) do homem do campo, precisa pensar uma educação que respeite essa cultura; que assuma também a identidade do meio campesino; que valorize o saber do campo; que respeite a linguagem e a história dos sujeitos; e, ainda, que possibilite a construção de conhecimentos à criança, na resolução de problemas que emergem de seu espaço vivido.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA, EDUCAÇÃO DO CAMPO, ENSINO DA LÍNGUA MATERNA.
TÍTULO: GOFFMAN E O DISCURSO DE SALA DE AULA
AUTOR(ES): LUIZ ANTÔNIO DA SILVA
RESUMO: Uma das dificuldades mais comuns para o analista da conversação é conceituar os interactantes da conversação, falante e ouvinte. Não se pode dizer, simplesmente, que falante é aquele que fala e que ouvinte é aquele que ouve. Em geral, nos textos conversacionais, deparamos com um falante que ouve e um ouvinte que fala. Os interactantes de um evento interacional desempenham papéis comunicativos e de identidade, de forma que falante e ouvinte assumem papéis diversos durante a interação. Ao estudar a bibliografia sobre o assunto, é possível constatar que esses dois termos - falante e ouvinte - não são suficientes para um estudo mais aprofundado. Goffman (1974) faz uma releitura dos trabalhos que abordam essa questão e propõe uma nova classificação: formatos de produção e estruturas de participação. O objetivo deste trabalho é aplicar esses conceitos para os interactantes do evento aula: professor e alunos. É importante que os professores de Língua Portuguesa (e professores, em geral) conheçam a realidade da sala de aula e saibam discernir que tipo de participação ocorre naquele momento. Dessa forma, é possível corrigir erros, evitar equívocos e, mais importante, delimitar a participação de seus diferentes alunos. Como “corpus“, foram utilizadas aulas gravadas, algumas pertencentes ao acervo do projeto NURC e outras de fontes diversas
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LÍNGUA PORTUGUESA, SALA DE AULA
TÍTULO: REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DE LEITURA DE TEXTOS LITERÁRIOS NA SALA DE AULA
AUTOR(ES): LUÍSA FIALHO BOURJAILE
RESUMO: A finalidade deste artigo é refletir sobre a prática de leitura de textos literários na sala de aula, a partir de questionamentos durante as atividades desenvolvidas no projeto de extensão “A formação de leitores/cidadãos através da prática de leitura de textos literários na sala de aula” do curso de Letras da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais. As aulas foram lecionadas em uma escola pública e objetivaram propiciar um espaço de discussão e troca de ideias no que se refere à leitura literária e a associação desta com o contexto de vida dos alunos e com a realidade social em geral e, consequentemente, despertar o interesse do aluno para a literatura como forma de prazer e lazer. A análise das atividades permitiu apontar as principais dificuldades dos alunos na interação com o texto literário, provenientes de aspectos intrínsecos aos textos, mas também originadas de fatores externos. Quanto aos aspectos internos destacamos a dificuldade de abstração e compreensão durante a leitura do texto literário pelos alunos. Foi possível constatar que muitas destas dificuldades provêm de um ensino escolar sistematizado, preocupado apenas com um tipo de avaliação quantitativa e que não incentiva a criatividade e imaginação em sala de aula. Além disso, observou-se que a indisciplina e dificuldade de concentração dos alunos são fatores externos que denotam o total desinteresse dos alunos pelas aulas de leitura, desafiando o professor na busca de alternativas metodológicas para um Ensino de Literatura mais profícuo e consequente em termos sociais.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA, ENSINO
TÍTULO: PERSPECTIVAS DO ENSINO DA ESCRITA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA LEITURA DA INTERFERÊNCIA DOS EXAMES SELETIVOS NA CONSTRUÇÃO DAS PRÁTICAS ESCOLARES
AUTOR(ES): MARCELO MACEDO CORRÊA E CASTRO
RESUMO: O desenvolvimento do projeto A prova de Redação no Vestibular da UFRJ: histórias e desdobramentos tem proporcionado aproximações importantes no que se refere à relação entre a atuação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio de seu exame vestibular, e o ensino da escrita nas escolas de educação básica, com especial atenção ao ensino médio. Nas publicações oriundas de nossas investigações, o vestibular tem aparecido, ainda que por vias transversas, como espaço de interlocução entre a universidade e as escolas de educação básica. Essa interlocução, todavia, não se dá de forma direta e autônoma, uma vez que há sempre uma terceira voz presente: a das políticas públicas originadas no plano federal. Seja no texto da Lei 5540/68, que promoveu a reforma do ensino superior, seja no da atual proposta de reformar o Exame Nacional do Ensino Médio, para reforçar seu papel como exame de seleção nacional para as instituições federais de ensino superior, o governo federal tem exercido ciclicamente um esforço centralizador do processo seletivo, quase sempre justificado por um discurso de preocupação com os rumos e a qualidade do ensino médio, bem como com o aumento da oferta de oportunidades de ingresso no ensino superior gratuito aos estudantes brasileiros. No presente trabalho, apresento uma leitura da história desta interlocução triangular – escola/universidade/governo federal -, bem como uma projeção de possíveis consequências que a atual proposta de mudança no ENEM traria para o ensino da escrita. Nesta leitura, procuro destacar também como as escolas de educação básica e suas práticas, embora sirvam de base ao discurso que justifica propostas de mudança nos exames vestibulares, ocupam papel secundário na construção de tais propostas.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, ESCRITA, VESTIBULAR

TÍTULO: IDENTIDADE E MEMÓRIA: INTROSPECÇÃO PSICOLÓGICA DE ALGUNS PERSONAGENS DE CLARICE LISPECTOR
AUTOR(ES): MARCIA VANDERLEI DE SOUZA ESBRANA
RESUMO: Na sociedade na qual vivemos, principalmente dentro do ambiente escolar, não temos como separar as áreas de educação e da psicologia. Assim, unindo essas duas áreas adentramos no universo literário que não é uma tarefa fácil, mas requer de pesquisadores leituras aprofundadas que exigem muita atenção e embarcar nos desafios a começar pelas nossas propostas de pesquisas, como por exemplo, analisando algumas obras da autora Clarice Lispector é possível, por meio de alguns monólogos escritos pela autora perceber a instrospecção psicológica de seus principais personagens. A partir desta constatação, este trabalho tem por objetivo fazer um resgate e uma investigação da memória apresentada por alguns personagens da obra de ficção introspectiva de Clarice Lispector. Por meio da técnica de monólogos analisados, pretendemos entender um pouco mais desse amplo campo de pesquisa. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica aliada aos teóricos Vygotsky (1993), Vygotsky (2002), Bakhtin (2001) e outros autores literários. Uma de nossas primeiras análises demonstram que a personagem fala consigo mesma, característica marcante de introspecção psicológica. Esta pesquisa tem permitido a reflexão sobre as angústias e dramas existenciais na vida cotidiana de qualquer indivíduo. Portanto, este trabalho requer uma análise aprofundada sobre a consciência humana, o que de fato leva a personagem à instrospecção psicológica.
PALAVRAS-CHAVE: INTROSPECÇÃO PSICOLÓGICA, MEMÓRIA, MONÓLOGO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 15
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: A FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES DURANTE A LEITURA
AUTOR(ES): MARCUS VINICIUS BROTTO DE ALMEIDA
RESUMO: Esta comunicação intenta discutir a importância da formulação de hipóteses para uma metodologia do ensino de leitura, privilegiando a dimensão cognitiva. Na perspectiva adotada, o texto passa a ser visto como um jogo de predições efetuadas a partir do conhecimento prévio do leitor (conhecimento linguístico, textual e de mundo) e das pistas linguísticas fornecidas pelo texto (KLEIMAN, 2004). Toda essa atividade cognitiva demonstra o caráter inferencial da formulação de hipóteses. Tal estratégia será enquadrada a partir da perspectiva teórica da metacognição, que consiste na administração intencional dos recursos cognitivos. Traz-se, assim, para a discussão, um conceito ainda pouco explorado no ensino de leitura, mas que se tem mostrado relevante no aprimoramento da qualidade da leitura. Griffith & Ruan (2005) apresentam uma série de estratégias que leitores hábeis empregam para compreender um texto. As habilidades de estabelecer metas para a leitura e de fazer previsões estão entre as estratégias usadas por esses leitores. Para observar a formulação de hipóteses por alunos do terceiro ciclo do Ensino Fundamental, durante a leitura de uma fábula, elaborou-se um questionário. As perguntas sondavam a respeito das hipóteses formuladas pelos estudantes para compreender a narrativa e sobre as pistas que embasaram tais inferências. Quatorze indivíduos, divididos em dois grupos (um experimental e outro de controle), participaram do teste. O grupo experimental participou de aulas sobre o gênero textual fábula antes de realizar a tarefa. Já o grupo controle não recebeu nenhuma instrução a respeito do gênero fábula. Um dos objetivos era observar de que modo esse conhecimento prévio interfere na construção de hipóteses. As respostas dadas pelos estudantes oferecem um caminho para a compreensão de algumas das dificuldades que surgem na leitura de um texto e possibilitam que se pense em propostas para superá-las. PALAVRAS-CHAVE: Formulação de hipóteses + Metacognição + Leitura
PALAVRAS-CHAVE: FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES, METACOGNIÇÃO, LEITURA

TÍTULO: O LUGAR DA TEORIA DO ROMANCE EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): MARIA ANALICE PEREIRA DA SILVA
RESUMO: À luz dos conhecimentos de base materialista e/ou sociológica, a dificuldade de definir o romance se deve à sua relação dialética com as dinâmicas sociais, com as complexidades da vida humana em sua totalidade, o que já se configura, de certa maneira, como um princípio estético. No Brasil, despontado no século XIX, junto com o romantismo, o romance brasileiro até hoje é dos gêneros mais cultivados, como demonstra a vasta produção e publicação de escritores que surgem no cenário nacional a cada dia, a exemplo de Milton Hatoum. Muito têm se ampliado, também, as discussões sobre ensino de literatura, que envolvem questões de gêneros, livros didáticos, ensino médio e vestibular. O estudo que ora apresentamos discute basicamente duas dessas questões: a teoria do romance e o romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, nos livros didáticos e no vestibular. Na análise desses dois lugares em que se encontra o romance, na sua relação com o ensino, observamos a importância da teoria no papel que desempenha na constituição de um método, seja de análise literária, seja de ensino. Vista de forma isolada, a teoria corre o risco de fazer vez de juiz de valor, quando, na verdade, o que devemos buscar não é a mera descrição para possíveis julgamentos, mas um raciocínio que localize essas experiências humanas – produção literária e prática pedagógica – de maneira apriorística e não o contrário.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ROMANCE, ENSINO
TÍTULO: A PERSPECTIVA DIALÓGICA PARA A LEITURA CRÍTICA DE REPORTAGEM EM SALA DE AULA
AUTOR(ES): MARIA APARECIDA GARCIA LOPES ROSSI
RESUMO: A formação de um leitor proficiente é um dos principais objetivos do ensino de língua portuguesa. Para esse fim, a perspectiva enunciativa da linguagem, na vertente bakhtiniana, mostra-se especialmente profícua porque a leitura de gêneros discursivos diversos permite a ampla e rica abordagem das condições de produção de linguagem, situações de comunicação e relações dialógicas constitutivas dos enunciados. Dentre os muitos gêneros interessantes para a leitura em sala de aula, a reportagem é o objeto de estudo desta pesquisa por permitir ampla exploração dos elementos citados. O objetivo da pesquisa é analisar um corpus de seis reportagens a partir da perspectiva dialógica da linguagem e indicar procedimentos de leitura úteis para orientar o aluno para um nível de leitura crítica, que pressupõe a percepção de relações dialógicas que a reportagem, nos seus elementos verbais e não-verbais, estabelece com enunciados atuais e antigos. Os resultados da pesquisa mostram que o posicionamento crítico do leitor sobre a reportagem depende crucialmente de inferências sócio-histórico-ideológicas, de conhecimentos enciclopédicos e de atualidades e, ainda, de conhecimentos do gênero discursivo reportagem e de suas características constitutivas porque esse é um gênero cujas relações dialógicas com enunciados de nosso tempo e passado se estabelecem muito fortemente, determinadas pelo posicionamento ideológico dos meios de comunicação e pelo suposto perfil de seu público-alvo. Como conclusão, sugerem-se alguns procedimentos de leitura de reportagem em sala de aula, num trabalho direcionado à formação do aluno que ainda apresenta muitas lacunas de conhecimentos pressupostos para a leitura crítica de reportagem e poucas habilidades de leitura desenvolvidas em sua trajetória de leitor.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA CRÍTICA, REPORTAGEM, DIALOGISMO

TÍTULO: PROJETOS DE LEITURA: MOBILIZAÇÃO DOCENTE E MOTIVAÇÃO DISCENTE. COMO TORNAR ESSA IDÉIA VIÁVEL?
AUTOR(ES): MARIA DE FATIMA RIGUETE
RESUMO: O ensino da Língua Portuguesa na Educação Básica do Brasil perpassa, entre outros aspectos, pela relação intrínseca que se estabelece entre professor e aluno e, basicamente, da atuação e envolvimento do docente. A partir de 2008, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro voltou seu olhar para o processo de aprendizagem das disciplinas básicas, em especial a Língua Portuguesa e a Matemática. A implantação do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), na esfera federal, gerou o Programa Estadual de Gestão Escolar nos municípios do RJ, que propiciou a elaboração e aplicação de projetos que visem à redução das dificuldades dos alunos nas áreas da Matemática e língua materna, em especial, a leitura. A mobilização de professores para a elaboração dos projetos esbarrou, num primeiro momento, na inexperiência e despreparo desses profissionais em construir propostas dessa natureza, comprovando assim que os docentes não são devidamente habilitados para exercer a função de gestores de projetos, mesmo os mais experientes, e os mais novos não demonstraram essa qualificação na sua formação acadêmica. Apesar desse quadro, os objetivos do PDE e o incentivo financeiro propiciaram a construção do PROJETO LERFAZENDO, objeto de estudo nesse trabalho, mobilizando um número expressivo de docentes na elaboração desse instrumento, baseado na realidade da escola e do público-alvo, e que está possibilitando, em 2009, ações concretas, internas e externas, de incentivo à leitura e melhoria na produção textual dos alunos do Ensino Fundamental e Médio. Objetiva-se apresentar ações que efetivamente mobilizaram os discentes à prática da leitura, tendo em vista o quadro social da comunidade que envolve alunos advindos das classes menos favorecidas, conscientizando-os da importância do conhecimento da Língua Portuguesa e propiciando situações ligadas ao cotidiano desse alunado que envolvam o domínio da língua materna e a habilidade necessária para a prática da produção textual.
PALAVRAS-CHAVE: PROJETOS DE LEITURA, MOBILIZAÇÃO DOCENTE, AÇÕES DE MOTIVAÇÃO DO ALUNADO

TÍTULO: LITERATURA E EXPERIÊNCIA ESTÉTICA, À REVELIA DO VESTIBULAR
AUTOR(ES): MARIA DE FÁTIMA CRUVINEL
RESUMO: Inúmeros estudos têm se dedicado a investigar a prática de leitura na escola, e entre os tantos textos que são objeto da aula de Língua Portuguesa os pertencentes ao gênero literário parecem demandar maior atenção dos professores. Por estar determinada por implicações várias, a leitura literária, entre outras exigências, requer vontade do leitor, contudo, numa sociedade em que imperam práticas determinadas pelas novas tecnologias, especialmente se considerado o universo juvenil, a disposição para a leitura solitária, que demanda antes de tudo tempo, parece refluir, sobretudo quando se trata de gêneros nem sempre escolhidos para figurar nas atraentes prateleiras das livrarias, tampouco nas listas dos “mais vendidos”. Assim, para o nível médio, uma boa justificativa para a leitura de livros considerados referência da literatura seria o fato de o processo seletivo vestibular exigir conhecimentos literários, os quais algumas instituições procuram garantir com uma lista de títulos indicados para leitura obrigatória. Bem ou mal, o aluno tomaria conhecimento dessas obras, a maioria delas da literatura brasileira, ainda que seu objetivo fosse única e exclusivamente a aprovação no referido concurso. A presente comunicação tem como propósito apresentar algumas reflexões motivadas por um projeto de leitura – uma ação de extensão realizada pela Universidade Federal de Goiás, “Seminário dos Livros do Vestibular/UFG” – , cujo objetivo principal é proporcionar aos vestibulandos, especialmente os oriundos de escola pública, o acesso a uma leitura crítica das obras, bem como o contato com alguns escritores. O que se pretende considerar, particularmente, é a constatação quanto ao deslocamento e redimensionamento do projeto: de apoio aos vestibulandos à formação de jovens que, a despeito do vestibular, conseguem “tranver” o mundo, pela via da palavra literária.
PALAVRAS-CHAVE: LITERATURA, VESTIBULAR, FORMAÇÃO DE LEITORES

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 16
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL EM QUESTÃO, NAS 5ªS SÉRIES (6º ANO) DO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): MARIA DE FÁTIMA DA SILVA
RESUMO: A leitura e a produção textual têm sido alvo de grandes discussões por parte de educadores que atribuem o fracasso escolar ao aluno pelo fato de não saberem ler e que, ao escreverem, frequentemente, fazem narrações que não contam histórias; textos expositivos que não expõem idéias; textos argumentativos que não defendem pontos de vista nenhum. Segundo vários autores, como: Sole (2008), Citelli (2003), Jolibert (1994), Kleiman (1997 e 1998), Lajolo in Geraldi (1987), a leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção de significados do texto, através dos seus objetivos, do seu conhecimento prévio. Não se trata de decodificar letra por letra, palavra por palavra e, sim, de uma atividade que implica a produção e constituição dos sentidos. Há, portanto, a transformação do leitor num leitor que compara, intertextualiza e fundamenta. A leitura tem o poder, a magia de transformar o leitor em outro, onde consequentemente, leva o leitor a escrever com mais eficiência, pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática da leitura, espaço de construção de intertextualidade e fonte de referências modelizadoras.O presente estudo faz parte de minha pesquisa de mestrado em Educação, em andamento, na Unesp de Presidente Prudente, na linha de pesquisa: Formação de Professores, na qual pretende-se observar e aprofundar o estudo das relações entre leitura e produção textual; verificar instrumentos de leitura e produção textuais utilizados na sala de aula de 5ª série (agora 6º ano, nova nomenclatura) , na D.E de São José do Rio Preto; e observar se tais instrumentos corroboram para a formação eficiente de alunos leitores e escritores.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LEITOR, PRODUÇÃO DE TEXTOS

TÍTULO: INFLUÊNCIA DO DISCURSO POLIFÔNICO NO LIVRO DIDÁTICO
AUTOR(ES): MARIA JÚLIA SANTOS DUARTE, IRENILDE PEREIRA DOS SANTOS
RESUMO: O presente trabalho se insere em uma proposta mais ampla de discussão a respeito das teorias e práticas discursivas, cujo interesse maior se insere em um projeto de pesquisa de mestrado, que tem por objetivo o exame da polifonia no livro didático de língua portuguesa para o ensino médio. Pretende-se aqui analisar quais são as vozes enunciativas sociais e como são distribuídas, quando representam o autor e, também, quando são vozes que exercem o papel da instituição escolar, como uma organização didática, educativa e pedagógica. Embora se tenha conhecimento das constantes críticas ao papel do livro didático, bem como à sua utilização nas atividades de língua portuguesa, o enfoque do presente trabalho recai sobre o estudo das possibilidades de discursos representados nas diferentes vozes do texto didático. Desse modo, o objetivo deste trabalho é analisar a forma e o modo pelo qual a polifonia se manifesta no texto literário do livro didático de língua portuguesa para o ensino médio, com base na Análise do Discurso. A análise com base em Bakhtin, Maingueneau, Ducrot, Brandão, Mussalim e Orlandi, apontou diversos casos de polifonia existentes no texto do livro didático. Espera-se que seu exame permita um melhor aproveitamento da obra por parte do professor.
PALAVRAS-CHAVE: ANÁLISE DO DISCURSO, POLIFONIA, LIVRO DIDÁTICO
TÍTULO: O ENSINO DA LITERATURA: DESVIOS E RUMOS
AUTOR(ES): MARIA MADALENA RESINA
RESUMO: A proposta deste estudo é expor as idéias da pesquisadora Cyana Leahy-Dios, em que se percebe a realização de um trabalho árduo e competente, fundamentado em pesquisas empíricas, sobre o ensino da literatura. Suas colocações são pertinentes com a prática docente e, de certa forma, impactantes, uma vez que faz do cotidiano de inúmeros professores um retrato de sua prática pedagógica, levando a uma reflexão profunda acerca dela, e exigindo, outrossim, um pensamento analítico e interrogador, que envereda por questões de políticas públicas. Percorrendo a tessitura de seu texto, sentimos o quão é necessário não só rever nossos conceitos e a transmissão do trabalho literário a partir da reprodução de textos, tanto no ensino fundamental quanto no médio, bem como a percepção da disciplina pelos sujeitos envolvidos no processo de educação literária. Assim, fará parte da primeira etapa do estudo ressaltar o objetivo da pesquisa, a importância da educação literária e as políticas escolares. Além disso, serão expostos os sistemas educacionais escolares no Brasil e na Inglaterra. A segunda etapa procurará reproduzir as abordagens metodológicas levantadas pela estudiosa. As últimas etapas trazem a educação literária em escolas brasileiras com a amostragem de três escolas, com seus respectivos modos de ensinar e aprender.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LITERATURA, SOCIEDADE

TÍTULO: TRANSVENDO O MUNDO: O PAPEL DA TRADUÇÃO NA FORMAÇÃO DO LEITOR
AUTOR(ES): MARIA VIVIANE DO AMARAL VERAS
RESUMO: Quando lemos em português textos traduzidos de línguas diversas, muitas vezes sequer atentamos para o fato de que tal leitura se atravessa no tecido – ora transparente, ora opaco – urdido no tear do tradutor. Por que ler uma tradução? A resposta mais imediata pode ser: por desconhecimento da língua estrangeira e desejo de ler um texto (literário ou não, mas especialmente o literário) de determinado autor. Também há os casos, mais raros, em que lemos a tradução para compará-la ao original, “experimentar/provar” esse estrangeiro (Berman, 2002), viver a tensão dessa escrita para louvar ou denunciar o traidor que todos, tradutores e leitores, somos, a partir do instante em que reconhecemos que toda leitura inter-fere textos e que nada pode garantir os rumos/sentidos pelos quais um texto pode se desviar. Neste trabalho buscamos destacar que a possibilidade de troca de bens culturais está sempre presente, mas pode ser levar a uma maior abertura para a alteridade, para o acolhimento (ou mesmo estranhamento) da língua do outro, quando o leitor não ignora essa mediação e vale-se dela para refletir sobre o tipo de transmissão que ali se faz. O tradutor constrói novos territórios de enunciação, proporciona experiências translinguísticas, “transvê” o mundo, e pode ainda, como o poeta pantaneiro Manoel de Barros (2003, 2004), no seu trabalho de “escovar palavras”, remontar suas oralidades e significâncias.
PALAVRAS-CHAVE: TRADUÇÃO, LEITURA, EXPERIÊNCIAS TRANSLINGUÍSTICAS
TÍTULO: POR ONDE ANDA A POESIA NAS PROPOSTAS DE LEITURA DE LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO?
AUTOR(ES): MARIA ZÉLIA VERSIANI MACHADO, HELOISA BATISTA DOS SANTOS
RESUMO: Título do trabalho: POR ONDE ANDA A POESIA NAS PROPOSTAS DE LEITURA DE LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO? Maria Zélia Versiani Machado – Professora da Faculdade de Educação da UFMG; pesquisadora do Ceale – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da FaE/UFMG zeliav@terra.com.br ; Heloísa Batista dos Santos – Aluna do curso de Letras da Faculdade de Letras da UFMG e Bolsista de Iniciação Científica – Probic/Fapemig batistalo@yahoo.com.br Em continuidade ao projeto Análise de livros do PNLEM – Programa Nacional do Llivro do Ensino Médio: habilidades específicas na formação do leitor da literatura, este trabalho pretende analisar propostas de formação de leitores da literatura no Ensino Médio. Em etapa anterior da pesquisa, foram feitos um levantamento e mapeamento da presença da poesia em materiais didáticos, exatamente em três livros que os alunos das escolas públicas passaram a receber com o Programa Nacional do Livro do Ensino Médio – PNLEM/2005. A partir desses dados, o trabalho, na fase atual em que se encontra, apresenta uma análise de tipos mais frequentes de propostas nos três livros – dois manuais e um compêndio, segundo aportes teóricos do campo de estudos da literatura e seu ensino (OSAKABE, 2005; GOLDSTEIN, 2006; TEZZA, 2006; BRAIT, 2006). Para isso, adota-se uma perspectiva comparativa, segundo um critério de análise que considera a seleção de poemas e poetas mais recorrentes nos livros. Esse recorte tem como objetivo não apenas caracterizar as diferentes concepções de formação de leitores da literatura, mas também refletir sobre as propostas de interação com o leitor, subjacentes ao livro didático, “gênero” complexo (BAKHTIN 1997, ROJO, 2003) em seus textos expositivos, em suas seleções literárias e em suas atividades voltadas para o ensino da poesia.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, FORMAÇÃO DE LEITORES, ENSINO DA LITERATURA

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 17
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: TRAÇOS DE DIDATICIDADE EM OBRAS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE A LÍNGUA.
AUTOR(ES): MARIANA ARAÚJO DE OLIVEIRA
RESUMO: Esta pesquisa insere-se no projeto “Circulação dos discursos: interação e didaticidade” cujo objetivo é estudar os efeitos de didaticidade em gêneros específicos, priorizando a construção dos sentidos que ocorrem nas interações verbais para co-construção e transmissão do conhecimento sobre a língua(gem). Partindo do pressuposto de que a Linguística entrou nos cursos de Letras como disciplina obrigatória na década de 60, podemos afirmar que na década de 70 percebe-se a emergência, no Brasil, de um discurso produzido por linguistas para profissionais de ensino, ou seja, os professores. Desde então, uma das áreas que tem travado um diálogo entre conhecimento científico e implicações pedagógicas é a Sociolingüística. Desde então, surge uma discussão em vários países sobre o tratamento da variação linguística dos alunos que frequentam a escola, ou seja, sobre o que e como ensinar formalmente a língua materna. Questionam-se também, do ponto de vista “científico”, os próprios conceitos que os falantes nativos (especialmente, os professores e a própria mídia) têm sobre língua, norma, erro, gramática, etc. Nos últimos 20 anos, a discussão tem ocupado um espaço cada vez maior com a produção de livros de divulgação científica para professores e especialistas ou não no assunto. Nesta apresentação, focalizaremos a obra de cunho didático “Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz”, produzida em 1999, pelo sociolinguista Marcos Bagno, uma vez que é um dos livros mais lidos nos cursos de Letras e Pedagogia. Nossa análise procura demonstrar os traços de didaticidade (cf. Moirand, 1999) utilizados pelo autor para discutir o conceito de “língua” com seus leitores.
PALAVRAS-CHAVE: DIDATICIDADE, INTERAÇÃO, MARCOS BAGNO

TÍTULO: QUE HISTÓRIA É ESSA?
AUTOR(ES): MARLIZA BODÊ DE MORAES
RESUMO: A Escola, em sua função social, deve garantir a todos os que nela ingressam a possibilidade de interagir com os bens pertencentes ao mundo da cultura. Como afirma Nemirovsky, “trata-se de fazer da escola uma instituição que represente os níveis mais altos da cultura, da arte, da tecnologia, da ciência, dos valores humanos”. Em outras palavras, trata-se de transformá-la em um espaço de acesso aos saberes produzidos socialmente e de aprendizagem do uso eficaz da informação, condição fundamental para a plena inserção social. Nessa perspectiva, cabe à escola garantir um contexto de aprendizagem em que os conhecimentos não tenham um fim em si mesmo e sejam providos de função social. Todavia não podemos perder de vista a necessidade de ações específicas para que o conhecimento se converta em objeto de aprendizagem dos alunos, o que não significa, em nenhuma hipótese, artificializá-lo ou simplificá-lo, pelo contrário, o que se deve buscar é a máxima aproximação entre a “versão social” e a “versão escolar” do conhecimento. É exatamente como diz Nemirovsky, não se trata de escrever, ler, jogar , buscar informações, fazendo de conta que se escreve, lê, joga, busca informação, mas trata-se de fazer de verdade, de forma que os objetos de uso social invadam a escola e sejam aproveitados didaticamente. Isso é necessário porque não é apenas o acesso aos conhecimentos em si que promove a aprendizagem, mas a ação e a reflexão que os sujeitos realizam sobre o que é objeto de seu conhecimento. Com base nessa reflexão, relataremos o desenvolvimento de um trabalho de produção de texto em uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental do CAp – UERJ, buscando nos deter sobre o desafio de tornar a língua escrita objeto de aprendizagem na escola sem transformá-la em prática exclusivamente escolar.
PALAVRAS-CHAVE: PRODUÇÃO TEXTUAL, LÍNGUA ESCRITA, APRENDIZAGEM

TÍTULO: GÊNERO DISCURSIVO, LEITURA E CIDADANIA: O PAPEL DO LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): MARLY APARECIDA FERNANDES
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo mostrar alguns resultados parciais de nosso estudo - em fase de conclusão - sobre os livros didáticos de Língua Portuguesa de Ensino Médio, especificamente um dos manuais escolhidos para compor o nosso corpus: Português:Linguagens, de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. Nossa análise centrou-se, principalmente, em relação a dois elementos de produção editorial: 1) a natureza do material genérico/textual selecionado para compor as obras (coletâneas de textos/gêneros); 2) as atividades de compreensão para o ensino-aprendizagem de leitura. Essa análise permitirá verificar o papel das obras avaliadas e aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio - PNLEM -, em uso nas escolas públicas brasileiras em 2007/2008. As análises pretendidas com nossa pesquisa, em relação ao material textual escolhido para compor os manuais de Ensino Médio, bem como suas respectivas abordagens de leitura, possibilitaria uma visão dos letramentos possíveis favorecidos pelas atividades didáticas desenvolvidas com esses textos e, igualmente, permitiria observarmos a diversidade de gêneros e esferas contemplados nesses materiais. Isso levaria a considerarmos o tipo de leitor que esses materiais pretendem formar, bem como as possibilidades para o desenvolvimento de um leitor crítico e responsivo, e também de um leitor literário. Embasamos nosso estudo no conceito de Letramento como prática social - modelo ideológico de letramento (Kleiman, 1995) -; leitura interativa (Kleiman, 1989a, 1989b, 1992; Koch & Elias, 2006); discursiva (Orlandi, 1988) e compreensão responsiva ativa na construção de sentidos (Bakhtin, 1929-30 e 1952-53).Esta investigação assume a concepção de gêneros do discurso de Bakhtin e seu Círculo para compreender as práticas de leitura presentes nos livros didáticos de língua portuguesa, entendendo o processo de apropriação dos gêneros do discurso como uma importante prática de letramento.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA NO ENSINO MÉDIO, LIVRO DIDÁTICO DE LÍNHUA PORTUGUESA, GÊNEROS DO DISCURSO

TÍTULO: O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PROCESSOS DE APRENDIZAGEM EM SITUAÇÕES LÚDICAS.
AUTOR(ES): MARTA MARIA SILVA DE FARIA WANDERLEY
RESUMO: Esta comunicação trata da importância do lúdico no processo de ensino de Língua Portuguesa nas séries inicias, a partir de discussão de relato de experiência do curso de formação de professores: O Ensino da Língua Portuguesa nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental: processos de aprendizagem em situações lúdicas, promovido pela Universidade do Estado da Bahia – Campus IX – Barreiras-Ba, em parceria com a Prefeitura Municipal de Barreiras-Ba e com o Núcleo de Tecnologia Educacional. Partindo do princípio de que a preocupação com qualidade da educação, tanto em nível nacional quanto local é uma preocupação não somente dos profissionais envolvidos, mas da sociedade de modo geral, principalmente no que se refere à leitura e à escrita, nasceu a proposta de realização do referido projeto Consciente de que a concepção de “homo ludens” abarca a ludicidade como característica comum aos seres humanos, o lúdico é de suma importância para a vida humana e para o ensino da língua Portuguesa em especial. A formação trouxe como resultado a produção de projetos elaborados pelos próprios professores das séries inicias, interligando ludicidade e gêneros textuais no ensino de Língua Portuguesa. Acredita-se que o trabalho inovador, dinâmico e prazeroso nas séries iniciais, envolvendo as práticas sociais de leitura, através dos gêneros textuais e da ludicidade contribuirão para um ensino de qualidade. A partir desse trabalho, as crianças passaram a realizar as atividades que envolveram leitura e escrita com prazer e interesse, coisa que até então era considerada um enorme desafio para os professores. O lúdico, não é considerado aqui como método de ensino, mas como abordagem norteadora da prática docente, um facilitador do processo de aprendizagem da Língua Portuguesa. Enfim, pode-se afirmar que a ludicidade e os gêneros textuais possibilitam contextos favoráveis ao processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO, LÍNGUA PORTUGUESA, LUDICIDADE

TÍTULO: DO LEITOR AO ESTAGIÁRIO: UMA EXPERIÊNCIA DE LEITURA NO ESTÁGIO DE DOCÊNCIA EM LETRAS.
AUTOR(ES): MARTHA RIBEIRO PARAHYBA
RESUMO: Resultado de uma pesquisa realizada com alunos da 4ª série, em Letras, sobre práticas de leitura e formação do leitor, esta comunicação procura explicitar um dos aspectos observados, na pesquisa, acerca das implicações entre o conceito de leitura apropriado pelo aluno de Letras e suas práticas durante a realização do Estágio de Docência. Aqui, pretende-se refletir sobre tal aspecto, examinando o relato que um dos alunos pesquisados faz sobre sua própria prática de leitura, desenvolvida como atividade para o Estágio de Docência, tendo como contraponto para esta reflexão a própria experiência percebida ao longo de sua história de leitor. As circunstâncias que envolvem o ato de ler mostram-se cercadas pela relação que cada indivíduo mantém com o escrito, e isso se deve, principalmente, à forma como se reconhece e é reconhecido na experiência como leitor. Circunstâncias estas que se fazem perceber pelos modos de utilização, de compreensão e de representação manifestas em suas práticas. No caso do leitor, aluno/estagiário de Letras, é no interior da Licenciatura que o uso da escrita se consagra para a lide do ensino. Dessa forma, considerar os embates nascidos da experiência de leitor, durante a realização do estágio de docência, permite compreender, de certo modo, a complexidade com que se instaura o ensino de leitura nas escolas brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LEITURA, PRÁTICAS DE LEITURA, ESTÁGIO DOCÊNCIA LETRAS

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 18
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 03
TÍTULO: DIFICULDADES DE COMPREENSÃO LEITORA: UM ESTUDO DE CASO
AUTOR(ES): MARTIELE JUNG
RESUMO: O objetivo deste relato é apresentar os resultados de uma investigação sobre o processo de compreensão/interpretação leitora tal como acompanhado por um estudo de caso – com um único participante – considerando os aspectos cognitivos, quer de natureza individual quer social, e a forma como esses aspectos vinham sendo trabalhados na escola que o participante frequentava. A metodologia de estudo envolveu o preenchimento de um questionário que buscou resgatar as experiências de leitura anteriores do sujeito e o seu conhecimento prévio sobre a temática do texto que viria a ser focalizado no teste de leitura. Em seguida, foi proposto o teste de leitura, propriamente, envolvendo respostas dissertativas e a solicitação de síntese escrita do texto lido. A atividade em que o aluno teria de relatar, de modo resumido, as idéias constantes no texto evidenciou dificuldade de manejo da escrita. Oralmente, o sujeito expressou compreensão. Além disso, comprovou-se a tendência de o professor constatar o problema existente, porém não se observou busca de solução para a dificuldade detectada. A pergunta que se impõe refere-se ao modo como vem sendo avaliada a compreensão e à própria relação entre leitura e escrita . O resumo escrito, na nossa ótica, deve ser antecedido por práticas orais de condensação das idéias que permitam que o aluno vá aos poucos organizando o seu dizer, aproximando-o formalmente da linguagem exigida na escrita de textos escolares, sob pena de não sair-se bem na atividade.
PALAVRAS-CHAVE: COMPREENSÃO, LEITURA, ENSINO DE LEITURA

TÍTULO: O ESTUDO DO ESTILO NO PROCESSO DE LEITURA DO GÊNERO DISCURSIVO
AUTOR(ES): MÁRCIA ADRIANA DIAS KRAEMER, MÁRCIA CRISTINA GRECO OHUSCHI
RESUMO: Em uma perspectiva materialista e dialética, acreditamos que o gênero discursivo constitui-se, segundo uma visão bakhtiniana, em uma atividade de leitura e de escrita concreta e histórica; com características relativamente estáveis, vinculada a uma situação típica da comunicação social; e com traços temáticos, estilísticos e composicionais concernentes a enunciados individuais, dessa forma, ligados à atividade humana. Assim, nesta comunicação, decorrente de estudos vinculados ao Projeto de Pesquisa “Análise Linguística Contextualizada às Práticas de Leitura e de Produção Textual” (UEL), discutiremos o fenômeno do dialogismo no gênero discursivo e a importância do estudo do estilo para a leitura como construção dos sentidos. Justificamos este trabalho, porque, para Bakhtin (2005), é possível perceber a apreciação valorativa do locutor em relação ao tema e ao lugar que ocupa nas relações sociais, institucionais e interpessoais pelas configurações específicas das unidades de linguagem - traços de posição enunciativa de quem enuncia e da forma composicional do gênero (ROJO, 2007). Essas estratégias subjetivas por parte do locutor possibilitam demarcar linguisticamente uma multiplicidade de vozes e de consciências que mantêm entre si uma relação de equidade no discurso (MAINGUENEAU, 1993; RODRIGUES, 2005), tornando-se profícua para a análise do processo de leitura no ensino de língua materna da educação básica.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNERO DISCURSIVO, LEITURA, ESTILO

TÍTULO: REDAÇÃO NO VESTIBULAR: A LÍNGUA CINDIDA
AUTOR(ES): MÁRCIA MARTINS CASTALDO
RESUMO: Ao término da Educação Básica, espera-se que um indivíduo esteja habilitado a redigir adequadamente em qualquer situação, sabendo interagir com a palavra para a produção escrita nos diversos gêneros textuais em circulação. Embora tais expectativas se realizem em alguns casos, em geral, mesmo após completarem os ensinos Fundamental e Médio, muitos sujeitos elaboram textos repletos de desvios, marcas que expõem as muitas dificuldades com a produção escrita, as quais revelam uma língua cindida entre um saber-dizer e um dever-dizer. Considerando-se a perspectiva sócio-histórica, os conceitos bakhtinianos de gênero, dialogismo e polifonia, bem como preceitos da Lingüísitca Textual, “Redação no vestibular: língua cindida” consistiu na análise de elementos composicionais da “redação dissertativa de vestibular”, gênero que desafia estudantes interessados em ingressar no Ensino Superior. Mais especificamente, foram analisados: (a) a norma linguística, (b) os índices de pessoalidade e (c) a macroarticulação em uma amostra de 374 redações (1% do total) produzidas por candidatos inscritos no Vestibular-2007 promovido pela FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) – São Paulo, Brasil. Foram analisadas, também, algumas relações entre o perfil sócio-histórico dos candidatos e os perfis de escrita dos textos. Depreendeu-se que a excessiva preocupação com o “outro”, com o molde e com a demonstração do saber-fazer interfere no movimento de exteriorização do discurso: em vez de tentar levar ao texto seu universo e sua ideia, o estudante se propõe à tarefa de levar, para o papel, mundo e ideias presumidos do interlocutor e da interlocução, vivencia um confronto - e não uma negociação - entre um saber-dizer que se esvaece diante de um dever-dizer e cinde a língua. As observações realizadas revelaram, ainda, uma escolarização que, no âmbito de sua atuação, parece não promover satisfatoriamente condições para o desenvolvimento de estratégias para o diálogo entre os saberes, para a construção de uma escrita autônoma.
PALAVRAS-CHAVE: REDAÇÃO NO VESTIBULAR, REDAÇÃO, ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

TÍTULO: PRODUÇÃO ESCRITA EM CONTEXTO ESCOLAR: A SUBJETIVIDADE EM CONSTANTE TENSÃO COM O (CONTEXTO) SOCIAL.
AUTOR(ES): MÁRCIA SILVA CUSTÓDIO
RESUMO: Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de abordagem qualitativa que tem por objeto de estudo a escrita em contexto escolar. A partir de oficinas envolvendo leituras, alternadas com momentos destinados, exclusivamente, à produção escrita – ou de reescrita – analisaram-se as marcas deixadas pelo sujeito, sobretudo, as alterações promovidas na materialidade do texto e os efeitos de sentidos produzidos – com as supressões, os deslocamentos, os acréscimos e as intercalações de palavras ou frases –, em consequência dos comentários e das intervenções da professora-pesquisadora para a atividade de refacção textual. A escrita, nessa pesquisa, é concebida como trabalho que se realiza sob constante tensão e a qualidade do texto depende da forma como os elementos subjetivos são agenciados em função das regras e convenções sociais. Assim, os modos como o sujeito responde a essa tensão, oferecem importantes indícios sobre a produção escrita em contexto escolar. A prática dessa pesquisa foi desenvolvida em uma escola estadual – situada na zona norte do município de São Paulo – em turmas de quintas séries do Ensino Fundamental, no ano de 2007. Em relação à fundamentação teórica, recorreu-se à Análise do Discurso de tradição francesa, principalmente aos estudos sobre autoria, como: Foucault (1992), Chartier (1999), Possenti (2002) e Orlandi (2005). Nesse ponto, uma observação faz-se necessária: o estudo da autoria não é foco da pesquisa. A proposta foi a de apropriar-se de algumas noções advindas das discussões sobre autoria que se revelaram pertinentes para a análise dos dados que, reiterando, se produziram a partir do trabalho de escrita do sujeito, em atividade de refacção textual. As noções de autoria, apesar de não apresentarem convergência, possibilitam a produção de interessantes instrumentos de ensino e de pesquisa quando estabelecido diálogo entre elas.
PALAVRAS-CHAVE: ANÁLISE DO DISCURSO, ENSINO, ESCRITA
TÍTULO: PROJETO NEPSO: UM RELATO DE VIVÊNCIA PEDAGÓGICA.
AUTOR(ES): MICHELLE REGINA ALEXANDRE CABRAL
RESUMO: O projeto NEPSO (Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião) é uma metodologia de ensino desenvolvida pelo IBOPE a pedido de seu braço social, o Intituto Paulo Montenegro, e coordenada pela Organização Não-Governamental Ação Educativa, buscando auxiliar as escolas públicas a trazer a pesquisa de opinião para a sala de aula, a fim de que os alunos aprendam, de forma dinâmica e lúdica, os conteúdos disciplinares. Este trabalho relata a utilização dessa metodologia em sala da aula para desenvolvimento de temas transversais, visando a construção do conhecimento sobre gêneros textuais e adequação linguística, em turmas das séries finais do Ensino Fundamental - Ciclo II (5ª a 8ª séries) numa escola pública estadual em Biritiba Mirim, cidade do interior do estado de São Paulo. A aplicação da metodologia fez parte do planejamento pedagógico desenvolvido no ano de 2008, integrada ao currículo mínimo obrigatório para as disciplinas escolares. Ao final do trabalho, observamos uma significativa melhora no desempenho escolar e comportamental, incluindo uma baixa na evasão escolar e um aumento na conscientização social dos alunos, gerando novos projetos e participação comunitária dos participantes do projeto, que trabalha desde o início com os princípios da livre adesão, participação ativa nos processos de aprendizagem, colaboração mútua e comprometimento escolar e sócio-comunitário.
PALAVRAS-CHAVE: PESQUISA DE OPINIÃO, METODOLOGIA DE ENSINO, PROJETO PEDAGÓGICO
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 19
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: PROJETOS DE LEITURA : UM CAMINHO PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR DE GÊNEROS LITERÁRIOS?
AUTOR(ES): MILENE BAZARIM
RESUMO: Nesta comunicação objetivo apresentar os resultados preliminares da análise que levou em consideração três projetos de leitura: um deles (Hora da Leitura), uma iniciativa do governo estadual, foi implantado em todas as escolas estaduais de São Paulo – Brasil; os demais (Lygia Bojunga na sala de aula e (Re)visitando os contos de fadas e as fábulas) surgiram a partir das necessidades locais de alunos de 5ª e 6ª séries de uma escola estadual da periferia de Campinas – São Paulo – Brasil. Trata-se de um trabalho que se insere no campo de estudos da Linguística Aplicada e que utiliza elementos metodológicos tanto do estudo de caso quanto da pesquisa-ação. As análises são informadas, principalmente, pela concepção de leitura como processo; de compreensão como uma atividade verbal ativa criativa em que o sentido é uma construção feita a partir do texto; de letramento como um conjunto de práticas sociais situadas de uso da leitura e da escrita; de língua/gem e gênero bakhtiniana; de ensino-aprendizagem neovigotskyana. Os resultados preliminares apontam que os projetos de leitura com foco na literatura têm sido encarados pelas autoridades educacionais e professores como uma opção para ampliar os mundos de letramento de alunos que, como os focalizados nesta pesquisa, tiveram pouco ou nenhum contato com a literatura, principalmente devido à dificuldade no acesso aos livros. Apesar de compartilharem alguns pressupostos, esses projetos divergem, principalmente, em relação à concepção do trabalho com a leitura: enquanto no projeto proposto pelo governo a leitura é encarada como uma atividade de fruição estética, nos propostos pela escola, a ênfase recai no ensino de estratégias de leitura de determinados gêneros literários.
PALAVRAS-CHAVE: PROJETOS DE LEITURA, LETRAMENTO LITERÁRIO, ENSINO-APRENDIZAGEM DE LEITURA
TÍTULO: UM DIÁLOGO ENTRE A LEITURA LITERÁRIA E A FORMAÇÃO DOCENTE
AUTOR(ES): NELMA MENEZES SOARES DE AZEVÊDO
RESUMO: O objetivo deste trabalho é desenvolver uma reflexão crítica sobre a competência literária do professor em sua prática pedagógica e a relevância que assume no processo da escolarização adequada da literatura infantil. Hoje sabemos que é impossível pensar o processo educativo de forma tradicional. Uma nova visão da educação ganhou espaço mundial. A formação humana é prioridade, pois, a educação contemporânea busca, através do ensino escolar, formar sujeitos conscientes, autônomos e criativos. Nessa perspectiva, a formação docente, tanto a inical quanto a contínua, precisa ser crítica e reflexiva, capaz de fornecer suportes teóricos e práticos para o desenvolvimento das capacidades intelectuais, direcionado ao fazer pedagógico. No processo de formação docente, o estímulo à formação de professores enquanto leitores não pode ser esquecido. Aos docentes, cuja responsabilidade é formar leitores por meio da leitura literária escolarizada adequada, a necessidade da leitura se impõe mais forte ainda, isto porque, caso ele próprio não seja um leitor assíduo, rigoroso e crítico, tornam-se mínimas ou nulas as chances de que possa fazer um trabalho digno na área da educação e do ensino da leitura. Para isto, entre outras referências, nos apoiamos em autores que discutem e apontam práticas reflexivas na ação pedagógica do professor leitor. Nos debruçamos, em Regina Zilberman (1998), Marisa Lajolo (2000), Magda Soares (2003) e Tânia Rosing (2001), que, segundo essa autora, “discussões teóricas sustentam práticas reflexivas cujo objetivo é tão significativo como o que busca formar leitores a partir da formação do professor leitor“ (p.6). Mediante tais considerações, investigamos que tratamento deve ser dado ao texto literário no âmbito escolar, visando a um reflexão sobre a importância e influência da formação do professor.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, FORMAÇÃO DOCENTE, LEITORES
TÍTULO: O ENSINO DE LITERATURA PELAS TRILHAS DA ESCULTURA
AUTOR(ES): NILMA ALVES PEDROSA, AIDA CARVALHO VITA
RESUMO: Este ensaio apresenta as contribuições para o ensino de literatura de uma proposta pedagógica que busca entrelaçar a escultura das personagens de obras literárias e a produção textual. Partimos do referencial teórico elucidado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), os quais apresentam a Arte como um conhecimento humano articulado no âmbito sensível-cognitivo. Esse conhecimento, segundo os PCN, manifesta significados, sensibilidades, modos de criação e comunicação sobre o mundo. Vygotsky (1998) aponta que tanto as ferramentas como os signos, possuem em comum uma função mediadora, no entanto, chama atenção sobre os limites e as diferenças dessa relação, em particular, pela forma como a atividade humana é orientada. Fizemos um projeto piloto com duração de 16 horas envolvendo 30 alunos do Ensino Médio de uma Escola Pública de São Paulo. Os alunos foram instruídos nas técnicas de papel machê e collê e na utilização de materiais recicláveis. Escolheram individualmente a obra e as personagens. Responderam a um questionário e produziram textos orais e escritos. Organizamos e descrevemos qualitativamente as ações dos alunos levando em consideração o desempenho e desenvolvimento das suas competências comunicativa e argumentativa. Segundo informaram eles, as ilustrações, principalmente as coloridas, exercem muita influência em suas produções. A maioria informa que procurou criar de maneira diferenciada, imaginativa e sensível tanto as esculturas quanto os textos. Outros se sentiram impulsionados a reproduzir modelos já conhecidos por eles. Os textos produzidos acrescentam novos elementos à obra escolhida. Os resultados nos permitiram compreender o papel mediador das esculturas na produção textual e investigar o potencial desse recurso didático no ensino de literatura. Apresentamos considerações sobre as produções, reorganizamos a proposta e enviamos a outras escolas, visando compartilhar com professores e alunos as contribuições dessa experiência.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, ESCULTURA, PRODUÇÃO TEXTUAL
TÍTULO: CRÔNICA NA SALA DE AULA, PERSPECTIVAS
AUTOR(ES): PABLO SIMPSON KILZER AMORIM
RESUMO: Esta comunicação tem como objetivo apresentar o resultado de um processo de acompanhamento de ações de formação de professores através da leitura de crônicas, levado à frente pelo projeto Crônica na sala de aula do Instituto Itaú Cultural a partir de 2004. Tal acompanhamento envolveu o diálogo com educadores e a elaboração de um material de apoio ao professor, com o objetivo de aproximar os alunos do texto literário, valorizando-o no contexto da educação formal, além de difundir o gênero. Num panorama em que as aulas de língua portuguesa e literatura costumavam privilegiar o ensino de gramática e tópicos de história literária, em detrimento de atividades propriamente de leitura e formação, sobretudo no Ensino Médio, o projeto de leitura de crônicas literárias permitiu indicar novos direcionamentos ao trabalho em sala de aula, auxiliando na formação de repertório dos professores e permitindo-lhes compreender a especificidade do lugar da leitura. O estatuto interdisciplinar da abordagem dos textos, por vezes incorporando questões de história e arte brasileira, conforme previstas no primeiro material de apoio elaborado pelo Instituto Itaú Cultural, sob a consultoria das professoras Cilza Bignotto e Noemi Jaffe, conferiu à formação, ademais, uma abrangência e um papel desencadeador de outras atividades e práticas.
PALAVRAS-CHAVE: CRÔNICA, GÊNERO, ENSINO

TÍTULO: O LIVRO DIDÁTICO E A MEDIAÇÃO NO ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL ESCRITA
AUTOR(ES): PAULO CEZAR RODRIGUES
RESUMO: A comunicação apresenta os resultados de uma pesquisa vinculada ao grupo de pesquisa Interação e escrita (UEM/CNPq), www.escrita.uem.br, que teve por objetivo identificar quais as características que o livro didático (LD) de Língua Portuguesa (LP) apresenta como mediador no processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita de textos, em situação de ensino. Para tanto, analisaram-se os LD´s mais utilizados, em 2006, pelas escolas da rede pública estadual de ensino, na cidade de Maringá- PR. Produzida a partir da teoria sócio-interacionista de ensino e de pesquisas e estudos que tratam da mediação no ensino e aprendizagem de leitura e produção textual, as análises realizadas nas propostas dos livros investigados, (A e B), revelaram a presença de algumas características de mediador, as quais foram reagrupadas e classificadas em: a) propostas que apresentam finalidade ou objetivos de produção; b) propostas que especificam o gênero a ser produzido; c) propostas que apresentam meio de circulação para as produções; d) propostas que apresentam interlocutor, no LD “A”. E, no LD “B”, a) propostas que não consideram as condições de produção de texto; b) propostas que especificam e caracterizam o gênero textual a ser produzido; c) propostas que não contemplam a finalidade ou objetivo de produção; d) propostas que não especificam nem caracterizam o gênero textual solicitado. Apesar das diferenças verificadas nas propostas de escrita das duas coleções, os resultados demonstraram que as condições de produção, diagnosticadas no LD “A”, orientam uma prática mediadora no processo de ensino e aprendizagem da leitura e produção textual, em situação de ensino. Razão pela qual o LD pode se constituir em um mediador neste processo, bastando para isso que considere em suas propostas de escrita as orientações teórico-metodológicas contidas nas condições de produção.
PALAVRAS-CHAVE: LIVRO DIDÁTICO, MEDIAÇÃO, LEITURA, PRODUÇÃO ESCRITA

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 20
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 08
TÍTULO: A LITERATURA NA SALA DE AULA
AUTOR(ES): PAULO JOSÉ VALENTE BARATA
RESUMO: Conceituar “Literatura” compreende uma questão subjetiva que suscita definições – algumas muito divergentes entre si – que buscam uma acepção una e definitiva, excluindo, deste modo, qualquer outra precedente. Nesse sentido, vários são os teóricos que se aventuraram a fazê-lo, surgindo, dessa forma, dissonâncias quanto a tal conceituação, tornando-se, pois, um conceito muito fluído e que varia com certa facilidade, dependendo de quem o aprecia e de suas respectivas particularidades e idiossincrasias. Emerge, portanto, os conceitos subjetivos, tais como Literatura é a expressão de conteúdos ficcionais, por meio da escrita (Moisés, 2007); Literatura é um sistema composto pela tríade obra, autor, leitor de dada época histórica (Candido, 2006); Literatura é uma questão centralizada em aspectos textuais e de linguagem, minimizando fatores extratextuais (Souza, 2005). Márcia Abreu, em seu texto Cultura letrada: literatura e leitura (2006), revisita o termo na busca de uma definição mais esclarecedora. Na sua perspectiva, não somente elementos intrínsecos ao texto o tornam literário, mas também o espaço que lhe é dado pela crítica e a valorização dada pelas instâncias de legitimação – universidades, escola, suplementos culturais de jornais, intelectuais – baseada em posicionamentos político-ideológicos e sociais. Em posse de tal conceito, fomos à Escola Estadual de Ensino Médio Pedro Amazonas Pedroso e, por meio de questionários e oficinas, obtivemos o conceito dos alunos para Literatura, a fim de que se contrastasse com o de Abreu. Tendo em mãos a definição dos estudantes, objetivamos auxiliá-los na elaboração de um conceito mais condizente com a crítica literária da referida autora e, também, auxiliar os alunos em seus estudos literários.
PALAVRAS-CHAVE: CONCEITUAÇÃO LITERATURA, MÁRCIA ABREU, ALUNOS ENSINO MÉDIO

TÍTULO: FALAR INGLÊS É PRECISO: ERRÂNCIAS NO ENSINO/APRENDIZAGEM DO INGLÊS NO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): PEDRO LAZARO DOS SANTOS
RESUMO: De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais um dos objetivos do ensino de Língua Estrangeira no Ensino Médio é o de formar alunos capazes de se comunicarem nessa língua, tendo como modelo o futuro profissional bi e mesmo trilíngüe. Tal objetivo não é alcançado devido a alguns fatores importantes na formação dos alunos, como: a crença dos próprios professores de que seu trabalho não é legítimo, de que o aprendizado de língua estrangeira somente se dá em escolas de idiomas e de que esse deve ser o modelo de ensino a ser adotado. Acrescente-se a isso a influência da escola, da família e da mídia nesse processo, colaborando (ou não) com a construção da imagem que o aluno venha a ter de si mesmo e a conscientização dos próprios alunos que, pouco a pouco, vão compreendendo que o inglês não é um objeto-mercadoria (commodity) pronto para ser adquirido e utilizado, mas algo que depende de uma aprendizagem que, na grande maioria das vezes, não ocorre. Observar até que ponto os alunos são influenciados por esses fatores na constituição de sua(s) identidade(s) é o objetivo primordial deste trabalho, além de analisar o aluno inserido num mundo globalizado e cada vez mais dependente da aprendizagem de uma segunda língua. Os procedimentos de coleta de dados envolveram os seguintes instrumentos: entrevistas com alunos e professores e notas de campo (observações em salas de aula de língua inglesa). Elementos da Análise do Discurso Materialista e da Pragmática servirão de suporte para a análise.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE INGLÊS, ENSINO MÉDIO, IDENTIDADE CULTURAL

TÍTULO: EDUCAÇÃO EM LÍNGUA DOMINANTE NA REALIDADE PROEJA: CRÍTICAS E PROPOSTAS
AUTOR(ES): PRISCILA SEABRA ALIANÇA
RESUMO: Este trabalho discute estratégias voltadas para o ensino de Língua Inglesa no contexto da Educação Profissional Integrada à Educação Básica na modalidade Educação de Jovens e Adultos. Apesar do enfoque na formação do sujeito-aluno para o mundo do trabalho, a porção propedêutica da Educação Profissional é essencial para a sua formação integral, além de constituir um direito assegurado por lei a todos os alunos da Educação Básica. Dentro deste contexto, o ensino de Língua Estrangeira se insere como instrumento para o desenvolvimento de uma atitude reflexiva diante das diferenças culturais e da identidade do próprio sujeito, e a importância de se discutir a Língua Inglesa no meio escolar reside no seu papel de Língua Dominante nas relações internacionais. O aporte teórico escolhido entende língua como sistema pelo qual o sentido é co-construído (Koch, 2006) e como espaço de interação (Foucault, 2001, apud Santos Filho, 2008); percebe aprendizagem segundo os ideários desenvolvidos por Vygotsky (aprendizagem baseada na troca interacional) e Paulo Freire (educação como ato político, regido por relações de poder). Foram selecionadas dentre diversas abordagens e metodologias de ensino de Língua Inglesa, a Abordagem Comunicativa e a Aprendizagem Colaborativa. O ensino de Língua Inglesa no contexto escolar prende o professor num espaço contraditório do ponto de vista ideológico. De um lado, a importância dada a elementos culturais norte-americanos; do outro, a necessidade de educar o aluno usando sua própria realidade como ponto de partida. Também são conflituosos o ensino baseado em tópicos gramaticais e a natureza essencialmente interacional da linguagem. Com base nessas reflexões, foram desenvolvidas estratégias de Educação em Língua Dominante junto à turma do primeiro período de PROEJA (curso de Agroecologia) do IFRN em Ipanguaçu (no semestre 2009.1). Os resultados obtidos apontam para um aprendizado significativo da Língua Inglesa, baseado primordialmente no uso em detrimento do apego à estrutura.
PALAVRAS-CHAVE: PROEJA, LÍNGUA INGLESA, ENSINO

TÍTULO: O ENSINO DA ORALIDADE: UMA ABORDAGEM POR MEIO DOS GÊNEROS
AUTOR(ES): RACHEL ÂNGELA RODRIGUES DIAS
RESUMO: O ensino da oralidade, muitas vezes, limita-se à prática da leitura em voz alta, individual ou coletivamente, ou a atividades incidentais assistemáticas e sem o controle do professor. Essa forma reducionista de se tratar o ensino da oralidade faz com que o aluno perca a noção da dimensão comunicativa da linguagem oral que, para cumprir sua finalidade última, ser instrumento de interação social, precisa levar em conta a situação comunicativa de interlocução e as necessárias adaptações aos contextos sociais, ou seja, o aluno precisa conscientizar-se de que não há apenas uma forma adequada de falar, mas de que essa adequação será dependente da situação e condição de comunicação. O trabalho que vamos apresentar vem sendo desenvolvido pelos professores do Ensino Fundamental I do Colégio 7 de Setembro que, a partir da abordagem, em sala de aula, dos gêneros textuais essencialmente orais, além daqueles que mesclam a oralidade e a escrita, esclarece o aluno de que, segundo nos aponta Scheneuwly, não há “o oral“, mas “os orais“, favorecendo a conscientização linguística do educando quanto às singularidades da prática discursiva oral , fazendo com que se tornem perceptíveis ao aluno as diferenças fundamentais dos meios linguísticos em cada situação comunicativa, distinções quanto às estruturas sintáticas, textuais e os diferentes usos da voz (também fundamental na oralidade, diferentes impostações, intonações, ritmos). Portanto essa abordagem consiste, prioritariamente, em destacar as especificidades dos gêneros orais em situações funcionais, por meio da mediação do professor.
PALAVRAS-CHAVE: ORALIDADE, GÊNEROS, ENSINO

TÍTULO: O INTERLOCUTOR E SUAS MANIFESTAÇÕES NAS PRODUÇÕES TEXTUAIS ESCRITAS NO ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): RAFAELA DE CÁSSIA FRANZOI
RESUMO: Esta pesquisa, vinculada ao Grupo de Pesquisa “Interação e Escrita” (UEM/CNPq – www.escrita.uem.br), teve o intuito de verificar as manifestações do interlocutor na produção textual escrita, em sala de aula, de Ensino Fundamental, delimitando o grau de importância desse elemento, que é considerado por Bakhtin (2003) o responsável pela compreensão responsiva ativa e um dos eventos essenciais para a realização de produção textual. Para isso, objetivou-se caracterizar: a) quais os elementos que demarcam a influência do interlocutor na produção textual, em sala de aula; b) como a ausência do interlocutor no comando de produção de texto se manifesta nos enunciados escritos dos alunos; c) se as noções de interlocutor real e virtual interferem e se revelam nesses enunciados concretos constituídos pelos educandos. Este estudo considerou o interlocutor/outro como uma das principais características para a construção da escrita, após a delimitação inicial da finalidade, como ensinam Bakhtin/Volochinov (1995) e Bakhtin (2003). Este trabalho investigou os textos escritos por estudantes da 7ª. série de um colégio de rede privada do município de Marialva, Paraná. Esta comunicação, subsidiada pelos pressupostos de Bakhtin/Volochinov (1995), Bakhtin (2003) e Vygotsky (1988), apresenta os textos analisados que demonstram que os alunos, mesmo não tendo a delimitação do interlocutor no comando para a elaboração do texto, demarcam imagens de outros em seus enunciados escritos, evidenciando que possuem internalizado o processo dialógico entre locutor e interlocutor, que é fundamental para a realização da atividade de escrita.
PALAVRAS-CHAVE: PRODUÇÃO TEXTUAL, INTERLOCUTOR, INTERAÇÃO

SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 21
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: A LITERATURA NO ESPAÇO ESCOLAR: CAMINHO PARA A REINVENÇÃO DA VIDA
AUTOR(ES): RAFAELA STOPA
RESUMO: A literatura, como fenômeno artístico, linguístico e histórico-social calcado na liberdade de criação e na fantasia, proporciona ao seu leitor um olhar diferenciado e emancipado sobre os diversos ângulos da realidade; daí que a maneira de abordá-la em sala de aula apareça como questão emergente, pois sabe-se que a escola pode aproximar ou afastar permanentemente o aluno do texto literário. Pensando nisso, esta comunicação tem por objetivo analisar aspectos estruturais e alguns temas centrais do livro Por parte de pai (1995) de Bartolomeu Campos de Queirós, para propor uma estratégia que possa privilegiar a linguagem refinada e poética do livro e que enfoque a beleza com que são apresentados os meandros do tempo e da memória, a caracterização da família e a importância da leitura e da escrita na formação da criança. Para o escritor em questão, a educação é mais coerente quando reconhece que a vida só é possível reinventada, e a literatura, na escola, poderia ajudar a compor um currículo fundamentado no afeto, na liberdade e na fantasia (2007). Ao compartilhar uma proposta de abordagem do seu livro, espera-se reforçar essa idéia de que o texto literário, além de colaborar com a formação de leitores competentes, pode levá-los a “transver” o mundo.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LITERATURA, METODOLOGIA, POR PARTE DE PAI
TÍTULO: A AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO TEXTUAL NO ENSINO MÉDIO E A CONTRATAÇÃO DE CORRETORES: UM ESTUDO SOBRE O EFEITO RETROATIVO DA PROVA DE REDAÇÃO DO VESTIBULAR UNICAMP
AUTOR(ES): RENATA ANDREA DA SILVA
RESUMO: Esta comunicação apresenta alguns resultados de nossa pesquisa de mestrado, desenvolvida no âmbito do grupo “Implicações sociopolíticas do ensino/aprendizagem/avaliação de línguas em contextos diversos“, coordenado pela Profa. Dra. Matilde Scaramucci (DLA-Unicamp). Nosso trabalho utiliza suporte teórico fornecido pelos estudos sobre o efeito retroativo (washback effect), os quais procuram verificar o impacto ou influência que exames em geral exercem potencialmente nos processos educacionais, em seus participantes e produtos do ensino e da aprendizagem (Scaramucci, 2004). Desse modo, buscamos compreender (a) como 5 corretores de redação, todos de escolas particulares de Ensino Médio, reconstroem, em situação de ensino/aprendizagem, as concepções teóricas e posturas metodológicas da prova de redação do exame vestibular da Unicamp e (b) qual é o efeito retroativo que a referida prova causa nos processos de ensino nos contextos analisados. Para cumprirmos nossos objetivos, optamos por realizar uma pesquisa de natureza qualitativa, através do estudo de caso coletivo, uma vez que a investigação conjunta de casos individuais permite que ampliemos a teorização ou a compreensão de um conjunto ainda maior de casos (Alves-Mazzotti, 2006). Acreditamos que nossa pesquisa, na medida em que nos permite entender melhor os mecanismos operantes na avaliação da escrita em determinados contextos, poderá oferecer subsídios para a formação do professor nessa área.
PALAVRAS-CHAVE: EFEITO RETROATIVO, PRODUÇÃO TEXTUAL, VESTIBULAR UNICAMP
TÍTULO: AVALIAÇÃO DE LEITURA: CONSTRUÇÃO E ORDENAÇÃO DE PERGUNTAS
AUTOR(ES): RENILSON JOSÉ MENEGASSI
RESUMO: As práticas de avaliação de leitura escolar empregam vários instrumentos, dentre eles destacam-se as perguntas de leitura para determinado texto, procedimento muito comum nas salas de aulas. Para o trabalho com a construção de perguntas, devem-se levar em consideração alguns quesitos essenciais, definidos a partir da literatura sobre leitura, com pressupostos na Linguística Aplicada: a) o conceito de leitura escolhido; b) a metodologia de trabalho com a leitura, em função do conceito definido; c) o objetivo da leitura; d) o gênero textual escolhido; e) a ordenação das perguntas oferecidas ao texto. Assim, nesta comunicação, esses quesitos são discutidos a partir de experiências com pesquisa envolvendo a formação docente continuada, com exemplificações de ordenação de perguntas produzidas com professores do Noroeste do estado do Paraná, em classes de Ensino Fundamental I, demonstrando como esse procedimento auxilia o leitor na produção de sentidos ao texto lido, assim como, também, na produção escrita do gênero textual resposta. Além disso, os resultados da pesquisa demonstram que os critérios de ordenação de perguntas estão relacionados ao conceito de leitura, permitindo um trabalho de desenvolvimento cognitivo mais eficaz no aluno-leitor. Os registros foram coletados através do projeto de pesquisa “Práticas de avaliação de leitura e a formação do leitor”, desenvolvido junto ao Grupo de Pesquisa Interação e Escrita (UEM/CNPq).
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, AVALIAÇÃO, PERGUNTAS

TÍTULO: A LEITURA NA ESCOLA – A ANÁLISE DA PRÁTICA INTERPRETATIVA NO ENSINO MÉDIO DO CENTRO DE REFERÊNCIA ESCOLA ESTADUAL MARCANTONIO VILAÇA
AUTOR(ES): RICARDO CETRARO BRAGA
RESUMO: A formação da cidadania se plenifica através da aquisição cultural propiciada pela escola. O objetivo do projeto foi analisar os problemas quanto ao desinteresse pela leitura dos estudantes do Ensino Médio, mais precisamente numa escola pública estadual. Entre os objetivos específicos poderemos enfatizar a importância da leitura e da escrita no processo de formação escolar do educando e indicar elementos pedagógicos de superação das barreiras que impedem o gosto pela leitura. O projeto surgiu em decorrência de se identificar os motivos pelos quais os alunos não se interessam pela leitura e, muito menos, gostam de se entreter em livros, revistas etc quando lhes solicitamos. Sabe-se que a leitura e a escrita são os princípios norteadores do processo educacional. Ler não passa para a maioria dos estudantes de, tão somente, uma forma de aprendizagem temporária, ou seja, lê-se para cumprir uma atividade avaliativa. Por intermédio de uma metodologia qualitativa, esta investigação se deu na Escola Estadual Marcantonio Vilaça, com coleta de dados que foi realizada através de questionário e de entrevistas com os alunos, bem como com a análise dos documentos curriculares tais como: Parâmetros Curriculares Nacionais/ Ensino Médio e Diretrizes Curriculares Nacionais/ Ensino Médio. A partir daí, se deram a sistematização de dados e a produção dos relatórios parcial e final.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, INTERPRETAÇÃO, COMPREENSÃO E ESCRITA
TÍTULO: GÊNEROS TEXTUAIS E LEITURA: UMA PROPOSTA DE INCLUSÃO
AUTOR(ES): RITA LÍRIO DE OLIVEIRA
RESUMO: Este artigo, de natureza exploratória e bibliográfica, aborda como tema central a utilização dos Gêneros Textuais nas aulas de língua materna (LM) nas séries iniciais, baseada nos PCN’s de Língua Portuguesa e nas idéias difundidas essencialmente por Marcuschi (2005), bem como apresenta reflexões acerca da importância do trabalho da leitura nas aulas de LM, como instrumento primordial para a formação de sujeitos pensantes com competência para entenderem e se expressarem, nos diferentes meios sociais. Além disso, discute a leitura como prática social nas aulas, como forma de inclusão, à medida que os discentes possam interagir, tornando-se cidadãos críticos e participativos. Destaca-se a importância de se vivenciar na escola atividades sociais, às quais o aluno não terá acesso a não ser pela escola, mostrando que o mundo letrado deve ser desmistificado, tornando-se real. Após tais discussões, aponta uma nova postura em relação ao que se tem como ensino da língua materna, a fim de despertar o interesse dos educadores desta área para novas formas de pensar e aperfeiçoar a sua prática pedagógica, ressaltando que as diversidades textuais tornam os educandos bons leitores e produtores de textos, à medida que desenvolve sua capacidade de leitura e escrita, o gosto e o compromisso. PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Gênero Textual; Inclusão.
PALAVRAS-CHAVE: GÊNEROS TEXTUAIS, LEITURA, INCLUSÃO
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 22
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 09
TÍTULO: CONJUGAÇÃO VERBAL E NARRATIVA EM “FAROESTE CABOCLO“: UMA EXPERIÊNCIA DE LEITURA
AUTOR(ES): ROBSON BATISTA DOS SANTOS HASMANN
RESUMO: Muitas páginas têm sido dedicadas acerca do ensino da gramática na educação básica. Desde os extremistas, que defenderam a ausência completa da norma na sala de aula, até os puristas, para os quais somente a norma culta deve imperar na sala de aula. Nos anos 90, os estudos de Ingedore Koch, Sírio Possenti e Maria Helena Neves mostraram que há necessidade de se equilibrar as teorias da Linguística textual com a norma culta, a fim de que o ensino de gramática esteja presente na educação básica de maneira contextualizada. Com esse suporte teórico, acreditando que o ensino da norma culta seja indispensável no contexto escolar e seguinda as “Orientações Curriculares para o Ensino Médio” (2005) (documento do Ministério da Educação que, em muitas passagens, chega a contestar os PCNs), o presente trabalho apresenta os resultados de uma atividade desenvolvida com alunos do segundo ano do Ensino Médio de uma ETEC. O trabalho tentou aliar conhecimentos estruturais e composicionais da narrativa aos conhecimentos linguísticos, com ênfase no uso de verbos, na canção “Faroeste Caboclo”, do grupo Legião Urbana. O trabalho apresenta, como consideração final, que é possível abordar a norma culta desde que, a partir dela, o educando possa identificar efeitos de sentido e contextualizar seu uso.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, VERBOS, NARRATIVA

TÍTULO: O ESTUDO DA GRAMÁTICA SOB A MARCA DA FANTASIA
AUTOR(ES): ROSELI BELÉM MACHADO
RESUMO: O ESTUDO DA GRAMÁTICA SOB A MARCA DA FANTASIA Roseli Belém Machado (FAP) Rosimeiri Darc Cardoso (FAP) Por muito tempo, as aulas de gramática na educação básica restringiam-se ao ensino de regras e ao exercício de memorização destas regras. Posteriormente, passou-se para outras formas de trabalho, entretanto, ainda não existem formas que interessem aos estudantes. Neste sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais pregam que a gramática deve ser trabalhada no contexto de utilização, a partir do uso/reflexão/uso, tornando os alunos falantes competentes, capazes de elaborar seu discurso de acordo com a situação comunicativa em que se encontram envolvidos. Nas escolas, existem muitas dificuldades e barreiras para que este tipo de trabalho se realize. Entre estas barreiras podem ser destacados problemas de compreensão de novas abordagens metodológicas; abandono imediato das práticas antigas, não havendo portanto reflexão sobre o que é importante e como deve ser trabalhado. Assim, esta pesquisa tem como finalidade a investigação das metodologias utilizadas em sala de aula para o estudo da gramática, tomando como foco os estudos teóricos e a verificação em salas das séries iniciais do ensino fundamental a fim de fundamentar a elaboração de uma proposta baseada na criatividade. Esta proposta está longe de ser inovadora, visto que Monteiro Lobato, na década de 30, já demonstrou que a imaginação constitui-se em forte argumento para atrair a atenção das crianças e agradá-las com histórias e temas que podem parecer áridos. Trata-se de uma possibilidade de trabalho em que se unem o útil e o agradável, tendo em vista a apreensão de conteúdos gramaticais
PALAVRAS-CHAVE: GRAMÁTICA, ENSINO, METODOLOGIA

TÍTULO: AS PERSPECTIVAS TEÓRICAS DE LEITURA DA PROVA BRASIL.
AUTOR(ES): ROSILENE DA SILVA DE MORAES CAVALCANTI
RESUMO: Por reconhecer a importância da leitura, o Ministério da Educação implantou a Prova Brasil, que é um instrumento utilizado para avaliar a situação de ensino e aprendizagem de leitura nas séries finais de ciclos das escolas públicas. Dessa forma, esta pesquisa investiga quais as perspectivas conceituais teóricas que subsidiam a Prova Brasil, aplicada à 4ª série do ensino fundamental, objetivando contribuir para os estudos sobre a formação do leitor na escola. A pesquisa, subsidiada pelas teorias sobre leitura desenvolvidas pela Linguística Aplicada, investigou os conceitos de leitura que estão presentes na Prova Brasil e quais aspectos conceituais básicos sobre leitura são utilizados na elaboração e composição das atividades. Para identificar esses aspectos, utilizou-se como corpus de investigação a Prova Brasil e a Matriz de Referência de Língua Portuguesa que serve de base para a elaboração da avaliação. Com o levantamento desses aspectos teóricos, identificaram-se os seguintes quesitos: a) recorrência de informações implícitas; b) inferências; c) pista textual; d) relação textual entre muitos outros conceitos teóricos, que se mostram necessários ao trabalho com os alunos, no ensino de leitura, para a formação e o desenvolvimento de um leitor competente dentro dos parâmetros pretendidos pelo sistema escolar brasileiro. Assim, nesta comunicação, são apresentados os aspectos conceituais básicos de leitura, que subsidiam a Prova Brasil, que têm por finalidade a formação e o desenvolvimento do aluno-leitor competente. PALAVRAS-CHAVE: leitura, avaliação, formação do leitor, Prova Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, FORMAÇÃO DO LEITOR, PROVA BRASIL

TÍTULO: O PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA E O PCNLP DO 3º E 4º CICLO: UMA RELAÇÃO INSTÁVEL
AUTOR(ES): RUTE ALMEIDA E SILVA
RESUMO: O Professor de Língua Portuguesa e o PCNLP do 3º e 4º ciclo: uma relação instável Rute Almeida e Silva (MeEL/ UFMT) Orientadora: Profª Drª Maria Rosa Petroni (LET/MeEL/UFMT) Este trabalho apresenta resultados de um projeto de pesquisa denominado “Leitura e escrita em práticas de linguagem no Ensino Fundamental e Médio: gêneros do discurso, argumentação e subjetividade”, concebido com o objetivo de traçar um panorama do ensino de língua portuguesa em algumas escolas estaduais da capital mato-grossense. Para isso, foi aplicado um questionário, composto de vinte e três perguntas, a doze professores de língua portuguesa de quatro escolas da rede pública de Cuiabá. Dessas questões, serão discutidas quatro delas, referentes: a) à função do professor de língua portuguesa na atualidade e o que tem sido feito para concretização do seu papel junto ao alunado; b) à participação do docente em curso(s) de atualização/aperfeiçoamento/especialização sobre os PCN e à opinião a respeito desses documentos; c) à leitura do PCN e em que momento da vida profissional; d) ao conhecimento dos documentos na instituição escolar em que trabalha. Os PCN ainda não são conhecidos pelos docentes, constatação possível, a partir da análise dos dados. Os professores afirmaram não haver, nas respectivas escolas, discussões concretas sobre esse material. Sabe-se que esses guias foram criados com o intuito de solucionar alguns problemas sociais, visando mudanças efetivas no sistema de ensino no Brasil. Portanto, é necessária uma formação continuada eficiente, para a efetivação no ensino-aprendizagem de língua portuguesa. É preciso, ainda, refletir, continuamente, sobre a prática pedagógica, coletiva e individual, para que sejam criadas estratégias de ensino, sugestões de atividades para alcançar esse objetivo. Não podemos continuar passivos e indiferentes às mudanças educacionais e sociais do nosso país.
PALAVRAS-CHAVE: PCN, FORMAÇÃO DOCENTE, LEITURA/ESCRITA

TÍTULO: A MEDIAÇÃO NA LEITURA DE CLÁSSICOS NA ESCOLA: ROMPENDO DOGMAS
AUTOR(ES): SABRINE ELMA HELLER
RESUMO: Esta reflexão analisa o papel da mediação do professor em sala de aula na leitura literária, especialmente sua importância para a formação de leitores proficientes. Parte-se do entendimento de que a arte literária revela os valores da sociedade que representa, a complexidade da natureza humana, oferecendo possibilidades de vivência de situações as quais, talvez, de outra forma, não seriam possíveis de serem experienciadas a não ser pela leitura. Pensada dessa forma, a leitura literária extrapola o conceito de ato passivo, de recepção, para configurar-se em uma atividade participativa do leitor, sendo, portanto, fundamental, para o professor que busca formar leitores atuantes na elaboração dos sentidos do texto literário, uma mediação de qualidade. As obras clássicas, nesse sentido, tornam-se fontes fundamentais para a formação de leitores, por proporcionarem e gerarem conhecimento sobre a humanidade, já que, por seu caráter universal, atemporal, provocador, promovem, a cada releitura, novos conhecimentos, outras compreensões. A mediação, então, na sala de aula, torna-se relevante para o enriquecimento do trabalho com a literatura clássica, de modo que a leitura não seja desejada para se cumprir uma tarefa ou para aprender algo, mas como possibilidade de vivenciar experiências variadas, que, de outra maneira, não estariam ao alcance de realização.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, MEDIAÇÃO, TEXTOS CLÁSSICOS
SESSÃO - ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 23
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: EDUCAÇÃO LITERÁRIA: O QUE PODE A LITERATURA ATRAVÉS DO CINEMA?
AUTOR(ES): SANDRA LUNA
RESUMO: Na conjuntura de uma cultura midiática que estilhaça o tempo e multiplica interesses e entretenimentos, o campo da Literatura tem se tornado reduto de especialistas. Falta de incentivo à leitura, baixos padrões educacionais e econômicos, em uma sociedade que privilegia o consumo e não a cultura, tudo isso compromete o lugar de uma arte que, durante milênios, ocupou posição privilegiada na esfera educacional e cultural. Não se deve negligenciar, contudo, que esse isolamento tem, ainda, entre suas causas, o esquecimento a que foram relegadas as relações entre a Literatura e outros domínios – a ideologia da estética e o culto ao estruturalismo, durante décadas, fizeram o universo literário girar em torno de si mesmo. Se desistimos de perguntar “O que é Literatura?”, ainda parece viável indagar “Por que, ou para quê Literatura?” Entre uma resposta ingênua, que insista em ver nesta arte uma forma de conhecimento capaz de salvar o mundo, e um esquecimento alienado em relação aos vinte e cinco séculos nos quais a Literatura teve papel central na educação humana, talvez valha a pena apostar no aproveitamento da Literatura como discurso que confronta o mundo a partir de múltiplas perspectivas. Lugar privilegiado para o exercício da consciência crítica, a Literatura ainda parece ser poderoso instrumento para a construção do conhecimento humano sobre si mesmo e sobre o mundo. A presente comunicação apresenta um projeto de Educação Literária que se vale do cinema como portal de acesso à Literatura, abordando, além de aspectos estéticos e comunicacionais, reflexões sobre História, Filosofia, Sociologia, Ética, Política. Este projeto, agora em sua quarta edição, busca articular produção acadêmica de qualidade às necessidades da população estudantil de escolas públicas, promovendo a formação de mentalidades críticas, preparando sujeitos capazes de acionar mudanças e transformações necessárias à construção da sociedade de conhecimento com a qual sonhamos.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO LITERÁRIA, LITERATURA E CINEMA, MÍDIA, EDUCAÇÃO E LEITURA

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA NA ESCOLA: UMA REFLEXÃO SOBRE OS PROCESSOS INTERATIVOS E DISCURSIVOS EM TORNO DO SENTIDO DO TEXTO.
AUTOR(ES): SANDRA MEMARI TRAVA
RESUMO: Esta comunicação visa apresentar uma parte da dissertação de mestrado sobre o processo de mudança da prática da professora-pesquisadora, enquanto professora de Língua Portuguesa, no trabalho com leitura na escola. A metodologia da pesquisa tomou por base a abordagem qualitativa, do tipo etnográfico, análise microgenética e a perspectiva de investigação narrativa. O corpus que permaneceu no trabalho foram as análises de alguns relatos, das oficinas de leitura realizadas com alunos de 5ª. série de uma escola pública do Estado de São Paulo. Para esta apresentação, destacamos alguns trechos relevantes de um relato, possibilitando a reflexão sobre o trabalho da professora que oscila entre as práticas de leitura mais tradicionais e práticas que priorizam os processos de interação e interlocução. Consideramos que as atividades com textos literários possibilitam que os alunos participem ativamente em processos interativos e discursivos em torno do sentido do texto, bem como contribuem para a emergência das narrativas e diversas práticas discursivas. O envolvimento do aluno no universo da leitura e da cultura (Braga) aflora às lembranças, fatos e emoções vividas, que fazem parte da sua realidade. A pesquisa foi fundamentada na perspectiva histórico cultural, nas elaborações de autores como (Vigotski, Lúria, Smolka). Baseamo-nos também em elaborações a partir do princípio dialógico (Bakhtin, Barros e Faraco), em práticas de leitura discursiva (Smolka, Góes) e em processo que fazem emergir narrativas (Larrosa, Braga).
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, INTERAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES

TÍTULO: O DESAFIO DE ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA APLICADA À ÁREA TÉCNICA
AUTOR(ES): SILVANI LOPES LIMA
RESUMO: O ensino e aprendizagem da língua portuguesa é um ato de reflexão sobre a nossa própria condição de falantes e usuários da língua. Quando se ensina língua portuguesa como disciplina de currículo básico em diferentes áreas, é preciso, não só aprofundar os conhecimentos linguísticos do aluno, como aplicá-los dentro do contexto específico de cada área de conhecimento. Nesse sentido é desafiador ensinar essa disciplina, pois não só o professor deve procurar recuperar deficiências linguísticas advindas da formação básica do aluno, como apontar a aplicabilidade dos conteúdos trabalhados na vida profissional e cidadã desses sujeitos. Quando nos inserimos no mundo de uma formação mais tecnicista, precisamos quebrar alguns paradigmas e demarcar um lugar para o ensino da língua nesse contexto. A demarcação desse espaço resulta de uma reflexão necessária sobre o ensino-aprendizagem do português na rede federal de ensino técnico e tecnológico, enquanto efetivo meio de comunicação e de expressão escrita ou oral. Até que ponto esse ensino forma um leitor crítico e autônomo e um produtor competente de textos? Essa é uma das questões norteadoras da discussão aqui proposta. O presente trabalho visa iniciar um diálogo com outros profissionais do ensino de língua, especialmente nas ditas áreas técnicas, buscando viabilizar formas de tornar o trabalho em sala de aula mais produtivo.
PALAVRAS-CHAVE: COMPETÊNCIA LINGUÍSTICA, APLICABILIDADE, ENSINO PRODUTIVO
TÍTULO: OS DESAFIOS DA ESCRITA DE TEXTOS NO PAPEL NO ENSINO FUNDAMENTAL: UM ESTUDO SOBRE PRODUÇÃO E REVISÃO TEXTUAL.
AUTOR(ES): SOLANGE MARIA PINTO TAVARES
RESUMO: O trabalho com a língua portuguesa nas escolas continua, de um modo geral, privilegiando o conhecimento de regras e de memorização da nomenclatura gramatical. A análise da língua prevalece, gerando, uma série de tarefas que reduzem o leitor à condição de mero decodificador de palavras e frases e o escritor, a um reprodutor de estruturas textuais modelares. É a prática baseada no treino ortográfico e gramatical que culmina na formação de alunos sem conhecimentos. Há necessidade de que os levemos a utilizar a linguagem de modo a ampliar seu conhecimento de mundo e sua participação na vida social, alargando-lhes as possibilidades de compreensão e expressão. Aprender mais sobre a língua materna na escola deve levar a compreender outros modos de conhecer o mundo e de viver a cultura. É com a linguagem, primordialmente, que interagimos com a realidade, com o mundo em que vivemos. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo investigar as condições e as possibilidades que alunos do Ensino Fundamental apresentam para produzir textos e fazer revisões na escrita de seus próprios textos. Pretende-se com este trabalho compreender a capacidade de revisão de textos escritos que alunos do ensino fundamental possuem ao terem a oportunidade de refletir sobre seus próprios textos, visando: (a) identificar e caracterizar os principais aspectos da elaboração e da revisão de textos escritos na escola por alunos do EF, em duas situações de produção diferenciadas, do ponto de vista discursivo, textual e ortográfico; (b) conhecer como os alunos vivenciam as tarefas propostas no sentido da aprendizagem da língua. Planejamos uma pesquisa qualitativa e entendemos que seus resultados poderão propiciar subsídios para repensar aspectos da prática pedagógica de ensino de língua materna. Acreditamos que o tema, o problema e os objetivos apresentados tenham relevância, na medida em que colocaremos os alunos como centro do trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, PRODUÇÃO, REVISÃO
TÍTULO: A LEITURA COMO BASE DA PRODUÇÃO TEXTUAL EM LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA
AUTOR(ES): SÔNIA VIRGINIA MARTINS PEREIRA
RESUMO: Este trabalho apresenta reflexão inicial sobre a leitura, como procedimento didático que dá suporte à produção textual na escola. Para esse estudo foi analisado um livro didático de língua portuguesa destinado à 5ª série do ensino fundamental, publicado em 2003, o qual apresenta propostas de produção de textos que têm como enfoque o estudo de gêneros textuais. A análise dessas propostas se deu por meio de uma categorização de aspectos relativos à situação de produção da escrita, sendo um desses aspectos sub-categorizados, o modo da interação verbal, momento em que no livro analisado dá-se a leitura de um texto-base, como atividade introdutória que servirá de apoio à produção do aluno. Há, subjacente nos fundamentos teóricos assumidos pelos autores do livro pesquisado, a concepção de que a atividade de produção textual do aluno na escola seja decorrente da leitura de textos diversificados, da reflexão sobre a realidade, da interação com o outro, das próprias reflexões no momento da produção em que o aluno constitui-se como autor de um texto, através do qual ele passa ao leitor suas próprias impressões sobre o assunto que leu e sobre o qual passa a escrever. Considerações parciais são feitas no que diz respeito às contribuições desse procedimento didático que coloca a leitura como ancoradouro para a produção textual, e as implicações desse caminho metodológico para a formação do aluno como leitor e produtor autônomo de textos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRODUÇÃO TEXTUAL, LIVRO DIDÁTICO

SESSÃO -ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA 24
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Centro de Ensino de Línguas - CEL - SALA: CEL 10
TÍTULO: A EXPERIÊNCIA DA LEITURA DE HAIKAIS COM ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DO CEEBJA
AUTOR(ES): SUELLEN CHAVES BORGES
RESUMO: Este artigo resulta do desdobramento de pesquisas realizadas no ano de 2008 junto ao grupo L.E.R. – Literatura, Educação e Recepção – da Universidade de Brasília, e extensão delas à experiência de Estágio Supervisionado em Literatura da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, entre leitores do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos – CEEBJA. A pesquisa ganhou nova roupagem ao incorporar discussões voltadas à investigação dos processos de leitura e formação do leitor de poesia, entrelaçando análises strictu sensu do texto poético ao fenômeno de “concretização” da leitura, à luz da Estética da Recepção. As reações dos leitores diante de textos poéticos, sobretudo os poemas concisos de Helena Kolody, foram cuidadosamente observadas em 3 (três) encontros, que perfizeram um total de 10 (dez) horas-aula. Buscou-se questionar, nesses momentos, se um leitor cuja realidade e história de vida é marcada por esquecimentos e sucessivas negações pode ser estimulado à leitura fruição e, para além disso, lançar um novo olhar sobre si mesmo na medida em que vivencia a experiência estética no contato com a poesia lírica. Configuram-se embasamento imprescindível nesta caminhada as constribuições de Iser (1974) e Jauss (1994), na perspectiva da teoria do efeito estético e estudos sobre a literatura e o leitor, além de Bordini & Aguiar (1993), com a proposição de alternativas metodológicas voltadas à formação do leitor proficiente e à compreensão dos níveis de leitura em que se encontram o leitor do texto literário. Nesse norte, este trabalho apresentará um panorama das primeiras reflexões da pesquisa, transformadas em Trabalho de Conclusão de Curso, em andamento neste ano de 2009. Os resultados, portanto, são preliminares, mas férteis de novas investigações.
PALAVRAS-CHAVE: LEITORES DO CEEBJA, HAIKAI, ESTÉTICA DA RECEPÇÃO

TÍTULO: PROJETO VERSOS COLORIDOS- ONDE ESTÁ A POESIA?
AUTOR(ES): TEREZINHA BASTOS
RESUMO: VERSOS COLORIDOS- ONDE ESTÁ A POESIA? é um projeto de incentivo à leitura e à escrita fundamentado no princípio de que a poesia associada a atividades lúdicas e a diversas formas de arte (música, dança, teatro, desenho e pintura) estimula o prazer de ler e escrever em alunos com difuculdades de aprendizagem. O Projeto foi desenvolvido no período de agosto de 2006 a abril de 2008, na Escola Pública U.I.M. Profª Magnólia Hermínia Araújo, em Caxias-Ma. O Projeto foi divido em quatro etapas: na primeira etapa denominada ONDE ESTÁ A POESIA?, os alunos estudaram quadrinhas, parlendas, cantigas de roda, (conforme anexo 1) e de ninar, brincaram com jogos, fizeram dramatizações e painéis poéticos (ver anexo 2). Na segunda etapa, intitulada O QUE É O POEMA?, realizaram-se leituras e análises de poemas, pesquisaram-se biografias de poetas e confeccionaram-se livrinhos com os poemas preferidos das crianças (ver anexo 3). Na terceira etapa, denominada EU SOU O POETA! - os alunos apreciaram músicas instrumentais, participaram de oficinas de música, dança, desenho e pintura (conforme anexo 4); trabalhou-se com leitura de imagens, recortes e colagens, os alunos criaram e ilustraram poemas e em seguida realizou-se um recital (conforme anexo 5);posteriormente foram selecionados poemas de cada aluno para a organização do livro a ser editado. Na quarta etapa, realizou-se uma parada poética na escola com exposição dos trabalhos dos alunos. Nesta etapa aconteceu oficialmente o lançamento do livro “VERSOS COLORIDOS - ONDE ESTÁ A POESIA?“, no qual os alunos poetas demonstraram na noite de autógrafos,(conforme anexo 6) seu saber e fazer poéticos. O projeto VERSOS COLORIDOS- ONDE ESTÁ A POESIA? foi selecionado pelo Ministério da Cultura no I Concurso Pontos de Leitura 2008- Edição Machado de Assis, por representar uma proposta inovadora no campo educacional.
PALAVRAS-CHAVE: POESIA, LUDICIDADE, MÚSICA

TÍTULO: PECULIARIDADES NA LEITURA DE TEXTOS DRAMÁTICOS
AUTOR(ES): VANDERSON DE SOUZA NEVES
RESUMO: Este trabalho tem como principal proposta apontar peculiaridades encontradas em textos literários dramáticos e sua influência direta na forma de se ler esse gênero textual. Para tanto selecionamos peças brasileiras e norte-americanas de autores como Oswald de Andrade, Edward Albee, Arthur Miller e Eugene O’Neill, das quais foram retiradas trechos de indicações cênicas e de diálogos entre personagens que ilustram de forma clara as peculiaridades do texto dramático. Outro ponto abordado neste trabalho é a rara utilização de textos dramáticos em sala de aula durante o ensino médio, mesmo esse tipo de literatura tendo um tamanho reduzido (comparado ao romance) e uma linguagem simples e direta (comparado à poesia) que conduz o leitor do início ao desfecho da estória através de uma leitura fluente. Apoiar-nos-emos em estudos teóricos sobre teoria do drama e gênero literário e utilizaremos os dados de uma pesquisa realizada por nós com alunos de alguns colégios da rede pública de ensino da cidade de Londrina, os quais foram questionados acerca de seus conhecimentos sobre literatura dramática e suas características. Pretendemos não somente ressaltar características singulares do gênero dramático, ilustrando aspectos de sua estrutura, como também resgatar a importância da leitura de literatura dramática na escola que, infelizmente, é pouco lida e explorada.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA DRAMÁTICA, ENSINO

TÍTULO: LEITURA DIALÓGICA NA ESCOLA: ESPAÇO DE APRENDIZAGEM E TRANSFORMAÇÃO DAS RELAÇÕES
AUTOR(ES): VANESSA CRISTINA GIROTTO
RESUMO: O presente resumo vem apresentar a Tertúlia Literária Dialógica (TLD), prática dialógica de leitura, realizada em sala de aula. (MELLO, 2004). A TLD consiste na leitura de livros de literatura clássica universal e sua relação com a vida, por se considerar que nessa leitura, o leitor é capaz de tomar para si as experiências, desejos, sonhos, contidos nos livros e reconstrui-las fazendo o uso que quiser delas em sua própria vida. (MACHADO, 2002). Considerando a leitura uma prática social, coletiva e colaborativa, que serve como instrumento de opressão ou libertação, a negação ao seu acesso anula possibilidades de transformações pessoais e sociais. É pautada nos princípios da aprendizagem dialógica, elaborados a partir das formulações de Habermas (1987) e Freire (2005), são eles: diálogo igualitário, inteligência cultural, transformação, dimensão instrumental, criação de sentido, solidariedade, igualdade de diferenças. (FLECHA, 1997). Na TLD os temas e as discussões geradas são orientados para construção de uma dinâmica que possibilite as muitas reflexões em torno de um tema de leitura. Tais princípios garantem um espaço de aprendizagem respeitoso e reflexivo para compartilhar o lido, o compreendido, o lembrado, o pensado, por meio da vinculação da literatura e mundo da vida. As leituras são realizadas em sala de aula, com crianças em idade escolar, na presença da professora e de uma moderadora. Durante cerca de 50 minutos da aula, as crianças podem ler, destacar parágrafos e dialogar sobre temas como: escravidão, fome, amizade, amor, solidariedade etc., livros escolhidos em comum acordo. Tal atividade é desenvolvida em pesquisa de doutorado e esperam-se como resultados, além da identificação e sistematização das transformações das práticas de leitura em sala de aula, as aprendizagens docentes e aprendizagens da leitura por crianças das séries iniciais do ensino fundamental, também a identificação das transformações pessoais e de convivência.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA DIALÓGICA, SALA DE AULA, TRANSFORMAÇÕES.

TÍTULO: ATIVIDADE E SENTIDO: UMA ANÁLISE DE PROPOSTAS DE TRABALHO EM LÍNGUA PORTUGUESA PARA 5AS. E 6AS. SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL.
AUTOR(ES): VANESSA SALUM MOREIRA
RESUMO: Esta pesquisa pretende verificar como tem sido encaminhado em sala de aula o processo de ensino e de aprendizagem de escrita e leitura da língua portuguesa através das práticas de professores. A proposta surgiu da observação dos resultados obtidos por alunos das escolas públicas brasileiras nas avaliações externas realizadas por diferentes programas, os quais revelam que, devido a fatores de diversas ordens, o processo de ensino não tem dado conta de promover a aprendizagem dos alunos. Mediante observações, realizamos a coleta de dados sobre as práticas pedagógicas de professores de língua portuguesa em classes de quinta e sexta séries do ensino fundamental. A análise e interpretação dos dados coletados nas salas escolhidas têm por referência central a Teoria Histórico-Cultural, especificamente em Leontiev, Vygotsky e Bakhtin, no que se refere ao desenvolvimento dos processos intelectuais, da atividade, da linguagem e da aprendizagem. A atividade, estudada por Leontiev, foi uma das categorias que utilizamos para a análise dos dados, definida por ele como o processo mediante o qual o indivíduo se apropria do conhecimento acumulado pela humanidade no decorrer de sua história e se torna humano, não existindo, portanto, sem o vínculo com a realidade concreta. Ações e operações mecânicas, cujos fins não correspondem ao que motivou sua elaboração, não potencializam a formação de novas funções psíquicas e, consequentemente, não movimentam o processo de desenvolvimento da psique humana. Em Vygotsky buscamos as referências acerca da mediação, atribuição de sentidos e área de desenvolvimento proximal. Pretendemos observar até que ponto as atividades fazem sentido para o aluno e buscam superar suas dificuldades no processo de aprendizagem de escrita e leitura, e contribuir, dessa forma, com as discussões sobre as práticas pedagógicas do ensino e aprendizagem de leitura e escrita da língua portuguesa, trazendo mais elementos para a continuidade das discussões sobre o tema.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL

TÍTULO: LEITURA E PRODUÇÃO: PROPOSTAS PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUES
EIXO TEMÁTICO: ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA
AUTOR(ES): VANIA KELEN BELÃO VAGULA
RESUMO: Este trabalho é resultado de pesquisa documental, desenvolvida no grupo de pesquisa Ciranda do Saber. Tem como referencial teórico estudos sobre a construção da linguagem pela criança, bem como sobre o ensino formal da língua. Para desenvolver este estudo foram analisados documentos federais e Estaduais como “Subsídios para Implementação do Guia Curricular”, “Propostas Curriculares para o Ensino de Língua Portuguesa – Primeiro e Segundo Graus”, “Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa – Ensino Fundamental”, bem como algumas leis. Identificou-se relações entre as propostas para o ensino da língua portuguesa e as concepções teóricas explicitadas as mudanças marcantes entre o que foi proposto na década de 70 e, em seguida, na de 80 e 90. Na primeira, uma proposta preocupada com o método, explicitando detalhes da ação por meio de sequencias didáticas as quais incluíam propostas de leitura e interpretação centradas na localização de informações explícitas. Conhecer o que era proposto para o ensino da língua e a maneira que era concebida, auxilia na compreensão dos fundamentos das práticas enraizadas que permanecem até os dias de hoje sem um questionamento e reflexão sobre princípios que a orientam e suas possibilidades de contribuição para a formação. As propostas das décadas de 80 e 90 visam à formação holística do sujeito, em uma perspectiva construtivo-interacionista. Resultam de estudos que lançam novos conhecimentos sobre as relações entre sujeito, linguagem e o meio social, bem como sobre o processo de aquisição da linguagem escrita pela criança. Assim, lança uma preocupação maior com a variedade textual e a qualidade linguística dos mesmos, incluindo o trabalho com literatura não apenas com a intenção de ensino da gramática, mas como fonte de prazer e instrumento de atrair e formar o leitor, sendo este um ser que atribui sentidos ao que lê, numa relação dinâmica com seu contexto.
PALAVRAS-CHAVE: PRODUÇÃO DE TEXTO, LEITURA, FORMAÇÃO
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