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5. V Encontro sobre
leitura e escrita nas sociedades indígenas
Coordenação:
Juracilda Veiga (ALB)
Consultoria:
Wilmar R. D’Angelis (Coord.
do GT sobre Línguas Indígenas da ANPOLL)
Políticas de Estado e
Políticas Educacionais Indígenas
O Encontro
sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas,
realizado desde 1995 no âmbito do COLE, constitui-se no mais amplo e plural
espaço de debate e reflexão sobre educação escolar indígena no país. Com a
crescente participação indígena é, também, o que apresenta a maior vocação
para ser espaço de encontro e discussão nacional entre professores
indígenas.
Justifica-se tomá-lo
como um fórum efetivamente plural por várias razões: (1) ser aberto a
participação, como ouvinte, de quem queira inscrever-se; (2) garantia de
idêntica liberdade de inscrição para apresentação de comunicações; (3) as
mesas costumam ser compostas contemplando abordagens distintas e, com
freqüência, posições divergentes ou, pelo menos, posições representativas de
diferentes inserções e formas de atuação na área (do Estado, de ONGs, de
universidades, dos próprios agentes indígenas etc.).
Sobre a participação indígena, registre-se
que no primeiro encontro, realizado no 10° COLE (1995), houve participação
de apenas 4 professores indígenas (3 dos quais, convidados como expositores
em mesa-redonda). No segundo encontro (11° COLE, 1997), a participação de
professores indígenas chegou a 20 pessoas (com 6 participantes em
mesa-redonda). Já nos encontros realizados no 12° COLE (1999) e no 13° COLE
(2001) a participação indígena ficou entre 40 e 45 professores. Manteve-se a
participação indígena nas exposições e debates (3 indígenas em 1999, 5
indígenas em 2001), além da apresentação de comunicações (5 professores
indígenas em 1999 e 2 em 2001). A participação de professores indígenas só
não tem sido maior em razão da falta de recursos para o deslocamento e
alojamento nos dias do evento. Como as viagens são muito caras para os que
são oriundos das regiões Norte e Nordeste do Brasil, essas têm sido as menos
representadas, o que se espera corrigir nos próximos encontros, a partir do
V.
Em sua proposta
original, mantida nos quatro encontros já realizados, são objetivos desses
encontros, além de se constituir como um fórum de nível nacional e aberto,
tematizar questões que não costumam ser contempladas nos eventos sobre
educação escolar indígena (ou são tratadas apenas superficialmente em outros
eventos, regionais ou de entidades). Nesse sentido, problematizar questões
aparentemente consensuais é, também, relevante para construir avanços
teóricos e práticos nesta área. E como uma estratégia permanente de ampliar
o diálogo dos que atuam em educação escolar indígena com os especialistas
das várias áreas de interesse para seu trabalho (incluindo contato com
pesquisadores que não guardam relações de trabalho ou pesquisa com o campo
do indigenismo), os encontros sempre contam com conferencistas e debatedores
convidados, de diferentes áreas: antropologia, lingüística, pedagogia,
lingüística aplicada, teoria literária etc.
Por fim, cabe registrar
um dado importante das avaliações feitas nos dois últimos encontros: ao
mesmo tempo em que a existência desse Encontro, no âmbito do Congresso de
Leitura, se mostrou altamente positiva e está consolidada, verificou-se que
os professores indígenas (e a causa indígena) teriam muito a ganhar se
aqueles professores pudessem participar de outros eventos paralelos que
acontecem durante o COLE. Assim, um professor indígena interessado em
problemas de alfabetização, poderia assistir, no COLE, ao evento específico
sobre o tema ou ao menos a alguma atividade daquele encontro específico,
enquanto outro professor indígena poderia, naquele(s) momento(s) assistir a
um evento (ou parte de) dirigido a questões de educação de jovens e
adultos, ou de ensino de literatura ou outro tema de seu interesse.
A quinta edição do Encontro
sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas
tem sua temática centrada em dois pólos: o das políticas educacionais das
próprias sociedades indígenas e o das políticas públicas para o setor. Disso
decorre seu subtítulo:
Políticas de Estado e Políticas Educacionais Indígenas.
No primeiro pólo,
tematiza-se especialmente a construção do currículo em suas relações com as
culturas indígenas, com os projetos históricos de suas sociedades e com a
cultura e a sociedade dominante, que em última análise é a razão da
existência ou da criação de escolas em sociedades autóctones. Em razão de se
terem constituído mais recentemente a maior parte das experiências de ensino
de 2° grau em comunidades indígenas, e apenas recentemente terem sido
criados os primeiros cursos de ensino superior voltados para formação de
quadros indígenas, esses dois tópicos recebem destaque no programa. Mas
igualmente se prevêem discussões sobre a validade da instalação de turmas de
pré-escola (educação infantil), prática que tem se ampliado bastante nos
últimos anos sem uma fundamentação segura, assim como as questões relativas
à formação de professores indígenas nos Estados, e a questão do currículo
das séries 5ª a 8ª, uma preocupação igualmente recente
em muitos programas de educação escolar indígena.
No segundo pólo, a questão que se coloca
tem igualmente dois lados: o primeiro, da importância de se avaliar o maior
investimento em dinheiro já feito até hoje, por organismos federais, em
educação escolar indígena, e que corresponde à política do governo Fernando
Henrique para o setor. Evidentemente, políticas públicas não podem ser
avaliadas apenas em números (de publicações, de cursos financiados, de
consultorias remuneradas etc.), e uma vez que esse ciclo pode se considerar
encerrado, é preciso debruçar-se sobre ele, visto já há alguma distância, e
avaliar suas práticas e seus resultados. Sem uma avaliação desse tipo,
corre-se o risco de incorrer em erros já cometidos e de não se aproveitar
boas experiências já feitas. O segundo lado da questão é o das perspectivas
da política do novo governo para o setor. Sendo o espaço que é, esse
encontro é lugar privilegiado para diálogo com os mais diversos setores
sociais envolvidos em educação escolar indígena, para troca de idéias e para
colheita de sugestões e, eventualmente, críticas propositivas às propostas
do novo governo. Na passagem do primeiro ao segundo aspecto da questão, será
mais que oportuno, nesse início de novo governo, colocar em discussão o
modelo de gestão do governo Fernando Henrique para a educação escolar
indígena e construir propostas para efetiva democratização dessa gestão.
Verifica-se, pois, que a
temática escolhida reflete as preocupações do momento atual dos agentes de
educação escolar indígena, contemplando também a nova conjuntura política
que pede participação e diálogo para garantir a democratização do Estado e
melhor desempenho do seu papel no tocante às sociedades minoritárias.
Comunicações
Saberes de
professores indígenas sobre currículo: que digam, que pensem, que falem...
Ana Alcídia de Araújo
Moraes (UFAM)
O movimento indígena
e a construção de políticas educacionais no Acre
Gilberto Francisco
Dalmolin (UFAC)
Toré: dança sagrada
potiguara
Lusival Antonio
Barcellos, Marlúcia Menezes Paiva (UFRN)
A relação do ensinar
e aprender nas comunidades indígenas
Magda Elaine Sayão
Capute Cabral (Universidade Severino Sombra - Vassouras/RJ)
O desafio da escrita
nas classes populares
Maria Elena Venero
Ugarte (UFF)
Quero escrever,
contar a vida de meu povo, numa escola de pensar, conviver, brincar, ser
feliz...
Mirian Lange Noal (UCDB
- MS)
Relato e reflexões
sobre a pesquisa com os Avá-Canoeiro (Tupi-Guarani): subsídios educacionais
Mônica Veloso Borges;
Rosani Moreira Leitão (UFG/PG; UNICAMP; UnB)
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