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8. I Seminário sobre educação e história

Coordenação: Maria Cristina Menezes (Unicamp) e Luiz Carlos Barreira (UNISO)

 

Desde meados do século passado, a historiografia vem oferecendo novas opções teórico-metodológicas de trabalho, debruçando-se sobre objetos e temas até então considerados inéditos ou malditos. Nesse movimento, tem recorrido a uma gama bastante diversificada de materiais de pesquisa, até então considerados "sem importância", de pouca ou nenhuma relevância.

Essas inovações vêm enriquecendo as possibilidades da pesquisa em História da Educação. Não apenas se ampliam certas matrizes teóricas, entendidas como modelos de construção de significados estabelecidos no diálogo cada vez mais freqüente que a História vem mantendo com outras disciplinas - a Sociologia e a Antropologia, por exemplo -, mas também se alarga a concepção de documento, de fonte histórica.

Dentre os novos objetos que vão sendo incluídos nos trabalhos de historiadores da cultura, os impressos, por exemplo, constituem fontes privilegiadas. Eleger periódicos como objeto de estudo permite que o historiador tenha acesso, por exemplo, aos dispositivos discursivos que configuram determinados campos do saber. No que toca aos estudos sobre história da educação, procedimentos como esses possibilitam um fazer que ultrapasse a mera história das idéias pedagógicas.

Essas novas opções teórico-metodológicas também se fazem presentes nos estudos sobre a memória e sua relação com a história. Para o historiador Pierre Nora, muitos são os "lugares de memória". Esses lugares, segundo ele, nascem e vivem do entendimento de que não há memória espontânea, de que é preciso criar arquivos, comemorar aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não são naturais. Dessa compreensão decorre a tese segundo a qual as memórias são sempre escolhidas e guardadas.

Nesse sentido, a historiografia pode ser considerada também um "lugar de memória". Na história da História, não são poucos os sujeitos esquecidos, porque considerados sem valor, sem importância. Assim foram considerados, sobretudo por uma certa historiografia política que, por entender ser a história feita por alguns poucos iluminados, selecionou certas memórias e, em decorrência disso, privilegiou certos corpi documentais em detrimentos de inúmeros outros. Historiografia cuja hegemonia foi solapada pelo incrível desenvolvimento experimentado pela história social ao longo do século XX, responsável pela inclusão de "novos personagens" nas escritas da História. Com esses "novos personagens", outras memórias e outros corpi documentais passaram a ser considerados na pesquisa histórica.

Desdobramentos dessa mudança se fazem presentes no campo da educação. O interesse em preservar a memória de certas instituições escolares, por exemplo, sobretudo daquelas ditas "populares", tem se manifestado nas ações de não poucos pesquisadores da área. O desenvolvimento de projetos que visam a recuperação e organização de arquivos escolares pode ser tomado como expressão desse interesse.

A compreensão do processo de institucionalização da escola na sociedade moderna, assim como da importância que a ela foi atribuída, não pode prescindir de investigações que considerem os mais diversos "lugares de memória" que testemunham essa história. Esses lugares fornecem pistas, indícios que possibilitam, por exemplo, contestar interpretações consagradas por uma certa historiografia da educação. Mais que isso, possibilitam conhecer certas práticas educacionais não consideradas por essa historiografia. O recurso aos materiais encontrados nesses "lugares de memória" pode propiciar a revisão de pressupostos teóricos e metodológicos e levar a outras fontes documentais. Exemplo disso são os trabalhos que buscam conhecer o funcionamento interno da escola, estudando a cultura escolar (que é também cultura material escolar), sobretudo na intersecção com o conjunto de culturas - religiosa, política e popular, dentre outras.

O I Seminário em Educação e História elegeu, para esta 14ª edição do Congresso de Leitura, temas que possibilitam o debate de parte das questões e considerações acima apresentadas, particularmente aquelas que dizem respeito "às coisas" até então "consideradas sem ênfase" no campo da história da educação. Esse mesmo procedimento orientou o convite os pesquisadores que participarão das palestras e sessões coordenadas promovidas pelo Seminário. Assim procedendo, esperamos que os temas propostos sejam debatidos de diferentes ângulos, porque abordados com base na experiência e nas escolhas teóricas e metodológicas de cada um dos debatedores, o que, indiscutivelmente, favorecerá a compreensão e o conhecimento que deles temos.

 

 

Comunicações

 

Memórias, histórias e imagens: crianças e escola no início da república

Adriana Cristina Pinheiro (Unicamp)

 
 Mulheres educadas na colônia: rupturas e permanências 
Ana Paula Oliveira dos Santos (FAECA) 

 

A formação de professores para o magistério público primário em Curitiba: 1853 -1889

Ariclê Vechia (Universidade Tuiuti do Paraná)

 

Aspectos da formação de alfabetizadores no IEE "Prof. Stélio Machado Loureiro", de Birigui/SP (1961-1975)

Áurea Esteves Serra (UNESP -  Marília)

 

Metodologia da pesquisa nos projetos escolares

Beatriz Boclin Marques dos Santos (Colégio Don Quixote)

 

Imbecilitus sexus?

Celso Renato Teixeira (FAECA)

 

Ênio Silveira e a Companhia Editora Nacional: uma grande ofensiva cultural

Claudia Panizzolo Batista da Silva (UMESP)

 

"Escola de donas de casa" e a aprendizagem para ser mãe: o ser mulher portuguesa na década de 1950

Constantina Xavier Filha (FEUSP e UFMS)  

 

A trajetória de A Lanterna - anticlerical e de combate (1901-1917): um lugar de memória da propaganda social anarquista

Cristina Aparecida Reis Figueira (PUC - São Paulo)

 

Preliminares teóricas à análise do modo de presença do direito à educação nos textos constitucionais

Décio Azevedo Marques De Saes (Universidade Metodista de São Paulo)

 

A autoria e a função autor no livro didático

Eliane Righi de Andrade (PUCAMP)

 

Entre a memória e o arquivo: uma contribuição ao resgate da cultura escolar campineira

Eva Cristina Leite da Silva e Oscar Teixeira Junior (Unicamp)

 

Imprensa estudantil e movimento republicano: cruzada do progresso - Conquista do futuro (1897)

Eva Cristini Arruda Câmara Barros (UFRN)

 

Leitura e leitores: as experiências de leitura da elite cafeeira

Francisco Alencar de Sousa (PUC-SP)

 

O discurso de ex-alunos de uma escola pública: uma leitura reflexiva

Graziela Lucci de Angelo (Unicamp)

 

Reconstrução afetiva da cidade: uma experiência literária

Guilherme Primo Vidotto Júnior e Cleide Borges do Nascimento (Secretaria de Educação, Cultura e Esportes da Prefeitura Municipal de Mauá - SP)

 

Memória, história e formação de professores: fios e desafios do projeto vozes da educação em São Gonçalo

Ines Bragança, Jaqueline Morais, Mairce Araújo, Maria Tereza Tavares, Martha Hees, Regina Jesus, Sônia Rangel, Giselle Nunes e Marcele Mariosa

 

Educação sexual, a campanha anti-venérea - Curitiba, 1920-1923

Iris Stern

 

Fontes para a história da educação escolar em Sorocaba

Jorge Luís Cammarano González e Wilson Sandano (UNISO)

 

A gestão Milton Marinho Martins na Escola Municipal de Primeiro e Segundo Graus "Dr. Aquiles de Almeida"

José Wilson Sanches Campos e Luiz Carlos Barreira (Uniso)

 

Entusiasmo tardio (a história do primeiro ginásio público de Sorocaba no contexto da educação brasileira)

Julio Cesar Gonçalves (Uniso)

 

A ressignificação da memória educacional da escola dr. Jorge Tibiriçá (1897) de Bragança Paulista, SP

Laerthe de Moraes Abreu Junior, Maria de Fátima Guimarães, Ana Cristina do Canto Lopes Bastos, Ana Paula Vercelli, Karina Luidgi Choquete e Taís La Salvia Pereira

 

A história da implementação de um projeto pedagógico

Laura Noemi Chaluh (UNICAMP)

 

Saúde impressa - Educação na São Paulo do início do século XX

Liane Maria Bertucci-Martins (UFPR)

 

O Conservatório Dramático Brasileiro: teatro, moralidade e os ideais de desenvolvimento das letras e da nação no século XIX

Luciane Nunes da Silva (UFF)

 

A fotografia como fonte de pesquisa e memória  da história da educação

Máira Leão de Campos Andrade (UNISO)

 

Os livros pelas mãos de "O Colegial"

Márcia Regina dos Santos (UDESC)

 

Nísia Floresta: literatura e formação na narrativa de uma educadora brasileira

Maria Cristina dos Santos Bezerra (Unicamp)

 

Práticas e representações de normalistas de Campinas no período 1920-1936

Maria de Lourdes Pinheiro (Unicamp)

 

Políticas de educação para a pequena infância na França

Maria Evelyna Pompeu do Nascimento (Unicamp)

 

Disciplina e castigo escolar: a sala de aula e a dor do processo civilizador 

Maria José de Morais Pereira (UNICAMP)

 

A ameaça do analfabetismo: uma análise do discurso oficial na década de 1940

Natalia de Lacerda Gil (FEUSP)

 

O teatro de José de Anchieta. Arte e pedagogia no Brasil colônia

Paulo Romualdo Hernandes (UNICAMP)

 

História da educação no Espírito Santo: catálogo de fontes

Regina Helena Silva Simões, Sebastião Pimentel Franco, Gleice Pereira, Jaklane de Souza Almeida Bonatto e Wolmar Marvilla Mello (UFES)

 

Práticas educativas envolvendo desvalidas e ingênuas: a  institucionalização da escola doméstica de Nossa Senhora do Amparo, no Brasil Império (1864-1889)

Reinaldo Parisi Neto

 

O livro de leitura (1889-1933): instrumento de educação e instrução

Shirley Puccia Laguna (PUC/SP)

 

Prática pedagógica: usos e desusos do livro didático

Susanna Dopazo de Vasconcellos (USF)

 

Um estudo sobre práticas escolares (1940), de Antônio D’ávila

Thabatha Aline Trevisan (UNESP - Marília)

 

Poucos livros, muitas doenças. Enfermos e curadores em Campinas, 1800-1850

Valter Martins (PUCPR)

 

A (re)invenção contemporânea da família, da escola e da aliança família/escola

Viviane Klaus (UFRGS)

 

O ensino profissionalizante feminino em Sorocaba - História da primeira escola pública profissionalizante mista: Escola Profissional Coronel Fernando Prestes

Viviane Marques Rocha Sbrana  e Luiz Carlos Barreira (UNISO)

 

 

 

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